Resiliência: o que é e por que toda criança deve aprender?

Como educar crianças para que se sintam capazes de lidar com as adversidades? (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Resiliência: o que é e por que toda criança deve aprender?

Essa semana, li um artigo, chamado “Does your classroom cultivate student resilience?” (em português: A sua sala de aula cultiva a resiliência dos alunos?), que causou um grande impacto sobre mim.

Até então, eu ouvira falar muito pouco sobre resiliência, menos ainda sobre sua aplicação na educação – e bastou um pouco mais de pesquisa para eu me convencer da sua importância no desenvolvimento infantil.

Aqui estão algumas das minhas descobertas sobre resiliência:

Como educar crianças para que se sintam capazes de lidar com as adversidades? (foto: Google)

Como educar crianças para que se sintam capazes de lidar com as adversidades? (foto: Google)

O que quer dizer resiliência?

A resiliência é a habilidade de se adaptar às adversidades, superar estresse, falhas ou tragédias e se reconstruir a partir de então. Ou seja, possui resiliência quem é capaz de lidar com os sentimentos de ansiedade ou inaptidão, enfrentar as dificuldades e sair da experiência tão bem quanto (ou ainda melhor) do que entrou. Uma característica essencial para criar indivíduos confiantes e saudáveis.

Além disso, resiliência não é um traço genético – ela pode ser ensinada. Faz-se isso orientando as crianças, desde cedo, a agir tranquilamente diante de obstáculos e alimentando sua autoestima.

Entretanto, não presuma que crianças e adultos resilientes não irão sofrer durante a vida. A dor, a tristeza e mesmo traumas emocionais estão fadados a surgir em determinados momentos para qualquer um. A diferença é que eles estarão mais preparados para enfrentar esses sentimentos com perseverança e senso do próprio valor.

Por vezes, as crianças não conseguem verbalizar o que as está incomodando - preste atenção em outros sinais (foto: Google)

Por vezes, as crianças não conseguem verbalizar o que as está incomodando – preste atenção em outros sinais (foto: Google)

A resiliência entre crianças pequenas

Muita gente imagina que, devido à pouca idade, crianças pequenas não entendem o que ocorre em torno delas. Afinal, durante a primeira infância, elas estão desenvolvendo suas habilidades de linguagem e expressão e, portanto, nem sempre são capazes de comunicar o que estão sentindo claramente. Mas não se engane: mesmo bebês absorvem o impacto de eventos graves, brigas, acidentes, ou mesmo conversas tensas que acabem por entreouvir.

Como perceber, então, se uma criança está ansiosa ou assustada?

Repare em sinais que indiquem o mal estar dela, ainda que ela não consiga explicá-lo: carência (ela recentemente se tornou muito “grudada” aos adultos, exigindo mais colo, beijos e abraços do que de costume?) pode ser um indicativo de que algo não vai bem; regressão em algum comportamento que ela já aprendera anteriormente (de repente, ela parou de ir ao banheiro sozinha, voltou a chupar o dedo, etc.) também mostra que ela está enfrentando uma dificuldade.

Nesses momentos, tanto escola quanto família devem trabalhar para criar um ambiente de segurança para a criança. A rotina é essencial nesse processo – isso faz com que os pequenos se sintam mais em controle, já que entendem o que irá acontecer durante o dia; assim, eles conseguem planejar as próprias ações.

Reserve tempo para conversar e de fato ouvir a criança, desenvolva brincadeiras e leituras que a façam sentir incluída.

A autoestima é primordial para a resiliência: dê tempo e espaço para que as crianças vençam desafios sozinhas (foto: Google)

A autoestima é primordial para a resiliência: dê tempo e espaço para que as crianças vençam desafios sozinhas (foto: Google)

Ensinando resiliência

Além de oferecer seu tempo e carinho, há uma série de maneiras de cultivar a resiliência em uma turma de Educação Infantil:

  • #1 Elogie esforços:

Garanta uma atmosfera em que as crianças sejam reconhecidas por seu trabalho duro e dedicação, não apenas pelo sucesso. Evite a palavra perfeito – diga “que desenho criativo, como você fez esse cachorro? Por que escolheu essas cores? Que bom, dá para ver que você se esforçou bastante”, ao invés de um simples “está lindo”. Reforce que falhar faz parte do aprendizado, ao invés de um motivo de vergonha. Ajude as crianças a refletir sobre suas produções, apontando do que gostaram em suas atividades e o que acreditam que pode ser melhorado.

  • #2 Construa a autoestima:

Não refaça o trabalho das crianças em busca de um resultado “perfeito”. Por exemplo, se um dos alunos está feliz por pentear os cabelos sozinho, não apanhe a escova e o penteie novamente. Elogie a pró-atividade dele e deixe que use o cabelo como quiser! Do contrário, ele se sentirá incapaz de realizar a tarefa e irá, cada vez mais, duvidar de sua capacidade de se cuidar por conta própria.

  • #3 Não entre em pânico:

Se uma criança tropeçou e caiu, se foi empurrada, se tentou subir em uma árvore e acabou no chão – assista, espere e deixe que ela aprenda a se levantar sem ajuda. Auxilie, não tomando controle da situação, mas conversando de modo a diminuir o susto. “Que legal, você estava subindo na árvore! Eu vi que você chegou bem perto, parabéns! Daqui a pouco, você tenta de novo. Agora, vamos limpar a terra e brincar com seus amigos?” é muito melhor do que “Eu avisei para não subir na árvore, não disse que ia se machucar?”.

  • #4 Apresente modelos:

Leve histórias de heróis e heroínas que superaram adversidades e use a narrativa para iniciar discussões com a classe. Qual desafio o protagonista enfrentou? De quais habilidades precisou? Quais forças e fraquezas ele possuía? Outras pessoas ajudaram o herói – e de que maneira? O que ele aprendeu? Você já precisou usar essas habilidades na vida real? Alguém já te ajudou a fazer algo ou você ajudou alguém? Como? Incentive as crianças a dividir suas próprias histórias, tornando-se cientes de sua capacidade em resolver problemas.

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Leia mais:

Edutopia

Education.com

American Psychological Association

Bullying na Educação Infantil: ele existe e pode ser evitado

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Bullying na Educação Infantil: ele existe e pode ser evitado

O que é bullying?

O termo bullying (da expressão “bully”, em inglês, que significa “brigão”) refere-se a comportamentos agressivos e intencionais. Além disso, são atitudes que se repetem com frequência entre as mesmas crianças – ou seja, não se aplica a um desentendimento isolado.

É importante ressaltar que é considerada bullying a agressão entre pares; ou seja, entre alunos da mesma idade ou de idades semelhantes. Brigas entre um estudante e um professor podem caracterizar outros tipos de violência, mas não bullying.

Certamente, o bullying não é uma invenção moderna – porém, apesar a de a prática sempre ter existido, ela vem recebendo mais atenção tanto da mídia quanto dos educadores na última década.

Segundo a organização não-governamental Plan International, que atua em 66 países garantindo a proteção da infância, 70% dos alunos brasileiros já sofreu bullying. A pesquisa foi feita em 2008, com 12 mil crianças de seis estados.

O mais grave é que, dentre as vítimas, quase metade não busca ajuda nem denuncia os agressores. A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), estima que 42% das crianças atingidas não falam sobre o problema nem mesmo com amigos e colegas. 

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying – até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Existe bullying na Ed. Infantil?

Existe, mas somente a partir dos 3 ou 4 anos de idade. Especialistas explicam que, antes disso, é comum que os pequenos utilizem comportamentos agressivos simplesmente por estarem em desenvolvimento e não dominarem outras formas de expressão.

Até os dois anos de idade, os pequenos estão descobrindo o mundo através dos sentidos. Já percebeu como eles levam tudo à boca? Morder um colega, portanto, não é uma atitude violenta, e sim um reflexo natural.

Mesmo que realizados intencionalmente – em uma disputa pela atenção do professor ou dos pais, na tentativa de conseguir um brinquedo, motivos de estresse comuns nessa faixa etária – outros fatores que definem o bullying não se manifestam. Afinal, não há um alvo constante e nem uma discrepância na relação de poder entre as crianças.

É claro que o adulto presente deve desencorajar a briga e mostrar formas de resolver conflitos através da linguagem; ao mesmo tempo, deve-se tomar cuidado para não supervalorizar a agressão e punir muito rigidamente os envolvidos, pois eles não compreendem que estão machucando alguém.

É apenas depois dos 3 anos que as crianças desenvolvem a socialização e o senso de “outros” – as pessoas ao seu redor não são mais todas iguais e elas começam a criar laços de amizade, formar grupos e mostrar afinidade com certos colegas. Consequentemente, é na mesma época que surgem os primeiros casos de discriminação, implicâncias e humilhações. A partir de então, elas já têm noção dos sentimentos alheios e podem ferir outras crianças intencionalmente.

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola - ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola – ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Como identificar o bullying? 

Os apelidos e xingamentos frequentes são a forma mais comum de bullying (mais da metade dos casos entra nessa categoria). Características físicas são reconhecidas e colocadas como rótulos: gordo, magro, baixinho, quatro-olhos, e assim por diante. Outras particularidades, como o atraso no desenvolvimento – quando uma das crianças não consegue realizar certas tarefas tão bem quanto seus pares -, também desencadeiam bullying. É o que acontece quando a turma repara que apenas um dos colegas não sabe comer sozinho, segurar o xixi ou amarrar os sapatos, e resolve lembrá-lo disso com frequência por meio de piadinhas.

Atente-se ainda à exclusão. As panelinhas estão se formando e certos alunos podem ficar de fora, sem chance de entrosamento. Violência física e fofocas são outras formas de bullying, mas menos comuns na Educação Infantil.

Caso as atitudes não sejam pegas em flagrante, há sinais de que uma criança pode estar sofrendo com o bullying: relutância em ir para a escola, queda de desempenho ou até mesmo regressão no aprendizado, ansiedade ou medo de ficar junto aos colegas, se manifestar ou deixar a companhia dos adultos, súbita agressividade e queda da autoestima. É bastante usual que ela não admita o acontecido justamente por se achar de alguma forma merecedora das represálias dos colegas (entenda: ela também identifica em si mesma o “problema” que está causando as implicâncias, e vê isso como justificativa).

Quais os motivos do bullying?

É essencial que o professor preste atenção e identifique essas atitudes o quanto antes. A seguir, é preciso identificar se o comportamento se qualifica mesmo como bullying ou não passa de uma fase, engatilhada por outros acontecimentos na vida pessoal das crianças (leia mais sobre o que pode causar a agressividade infantil aqui). Procure conhecer a dinâmica familiar de cada aluno – as agressões podem ser resultado de:

  • Cobranças e expectativas muito altas dos adultos em sua vida – a criança é exigida demais, colocada em muitas atividades extracurriculares, criticada com frequência e pouco elogiada. Isso pode levá-la a ter baixa autoestima, sentindo sempre ser incapaz de alcançar o que é esperado dela;
  • Falta de limites e mimos em excesso – muitas vezes, pais e mães querem compensar a ausência durante a semana com uma permissividade excessiva ou comprando presentes sempre que a criança manifesta qualquer desejo. Assim, as crianças não aprendem a lidar com limitações, frustrações ou com terem suas ideias contrariadas;
  • Problemas de desenvolvimento cognitivo ou emocional, dificuldades de relacionamento ou experiências traumáticas, como agressão ou abuso (leia sobre quando encaminhar a criança a um psicopedagogo).
Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

O que fazer?

A primeira infância é a fase ideal para ensinar a resolução saudável de conflitos em oposição à violência. A personalidade e o caráter são formados até os 6 anos de idade, portanto, é justamente antes disso que temas como respeito, cooperação e diálogo devem ser inseridos. Isso pode ser feito através de:

  • Rodas de leitura – selecione livros que falem das temáticas acima (confira aqui um projeto sobre leitura contra o bullying, da Editora do Brasil) e, após contar a história, inicie debates com a turma para que elas reflitam sobre seu significado. Faça perguntas que as ajudem a relacionar o que ouviram com situações rotineiras pelas quais passam;
  • Dramatizações – teatros, fantoches e músicas são uma ferramenta para que as crianças se expressem através de outros personagens e outras vozes. Isso lhes dá não só a segurança de falar sem ser julgada como, também, a possibilidade de observar outros pontos de vista;
  • Jogos cooperativos – ao invés de competições, priorize jogos e brincadeiras que estimulem a cooperação. Misture os grupos (evite colocar meninos de um lado e meninas do outro, alimentando a rivalidade entre os gêneros) e incentive o trabalho em equipe, elogiando e apontando os resultados positivos que eles alcançarem;
  • Atividades solidárias – promova dias para compartilhar brinquedos, dividir o lanche ou recolher doações para uma organização próxima da escola. Destaque como a solidariedade melhora a vida de todos e o que cada um fez para ajudar;

Acima de tudo, a escola precisa criar um ambiente saudável e seguro em sala de aula, dando liberdade às crianças para errar, pedir ajuda ou desabafar. Se a classe for alfabetizada, uma experiência interessante pode ser criar uma caixa de correio em que os alunos deixem mensagens sobre as situações que os incomodaram – discuta com eles se querem fazê-lo de forma anônima ou assinada, se preferem que apenas o professor leia ou se podem debater em grupo.

Sempre converse com as crianças envolvidas no bullying sem antagonizá-las. Fazê-lo pode aumentar, ainda que sem querer, a rivalidade entre as duas. É importante explicar o porquê de a atitude ser inaceitável e tentar fazer com que uma entenda a perspectiva da outra.

Gostou?

Fique ligado! Continuaremos a falar mais sobre esse tema no próximo post.

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Leia mais:

Nova Escola

Portal da Educação – Editora do Brasil

Bullying NÃO É brincadeira de criança

Guia Infantil

Guia do Bebê

Portfólio na Educação Infantil: Como organizá-lo e o que usar na avaliação
Materiais para Download/Rotina pedagógica
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Portfólio na Educação Infantil: Como organizá-lo e o que usar na avaliação

 

PORTFÓLIO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Chegou a hora de fazer o portfólio das crianças! Mas como organizar todas as informações? Fazer o portfólio não se trata apenas de reunir todas as atividades e produções do aluno, é um trabalho cuidadoso que deve mostrar a trajetória detalhada da evolução das crianças em sala. Dependendo da escola, ele é analisado bimestral, trimestral ou semestralmente, para a avaliação formativa da criança.

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Natureza: caça às texturas
Atividades/Natureza e Sociedade
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Natureza: caça às texturas

Explorar texturas é uma atividade bastante recorrente nos primeiros anos de Educação Infantil – e com motivos: é através do tato e do movimento que a criança vai começar a descobrir o mundo e identificar espaços.

Mas não é preciso gastar muito nem perder tempo demais com preparativos. Por que não levar as crianças para fora da sala de aula, para que explorem e encontrem diferentes texturas presentes na natureza?

Prepare o ambiente para que as crianças encontrem diferentes texturas com facilidade (foto: Google)

Prepare o ambiente para que as crianças encontrem diferentes texturas com facilidade (foto: Google)

Área de conhecimento

Natureza e sociedade.

Faixa etária

A partir dos 2 anos.

Material

  • Uma cesta para recolher suas descobertas (ou baldinhos de praia individuais).

Preparação

Garanta que o espaço escolhido (pátio da escola, parque próximo, jardim zoológico, horta, etc.) esteja previamente preparado para a presença de crianças pequenas. Ele deve ser seguro pois, assim, é permitido que elas passeiem e explorem por conta própria, com o mínimo de auxílio possível por parte do professor.

Opte por um local com grande variedade de solos e plantas, ou leve consigo alguns materiais diferentes para complementar o ambiente: grãos, como feijão ou milho, areia e barro, folhas verdes e secas, casca de árvores diversas, palha ou serragem, água, brita – tudo deve estar à disposição para ser facilmente encontrado.

Durante a exploração, vá citando os nomes das texturas encontradas e pedindo que as crianças repitam, aumentando seu vocabulário (foto: Google)

Durante a exploração, vá citando os nomes das texturas encontradas e pedindo que as crianças repitam, aumentando seu vocabulário (foto: Google)

Atividade

Antes de sair da sala de aula, reúna as crianças e oriente-as, explicando quais serão as regras do passeio (por exemplo, permanecer sempre na área delimitada ou não empurrar os colegas). Peça para que elas repitam as instruções até que todos sejam capazes de se lembrar delas.

Conte que vocês irão explorar a natureza e encontrar texturas diferentes. Esse é um bom momento para introduzir a palavra e explicar seu significado – leve dois materiais para usar como exemplo, como uma bolinha de algodão e uma lixa, ou mesmo folhas verdes e secas. Mostre a elas como esfregar os dedos sobre a superfície do material e deixe que a turma toque e sinta a diferença, enfatizando como uma é macia e a outra, áspera. Será que eles conseguem citar outras coisas que são macias? E outras coisas que são ásperas? Quando os conceitos forem compreendidos, hora de explorar!

Quando estiverem lá fora, guie os alunos, facilitando suas descobertas, e incentive-os a colocar o que encontraram na cesta ou baldinho para, depois, mostrar à classe. Vá introduzindo novas palavras para definir as texturas que eles encontrarem: duro, mole, macio, áspero, seco, molhado, gosmento, pastoso, felpudo.

Enfim, reúna as crianças e deixe que elas apresentem a todos os materiais que acharam. Cada uma pode retirar algo da cesta e dizer o que é ou qual a textura que sentiram – então, devem dividi-lo com os colegas, para que todos possam sentir, também.

Variações

  • Natureza e sociedade (trabalho manual): que tal ajudar as crianças a construir um tapete de texturas com o que elas recolheram? Basta um rolo de papel pardo ou alguns quadrados de cartolina – e muita cola! Crie uma trilha (você pode desenhar quadros como se fizesse um jogo de amarelinha) e preencha-a com as folhas, areia, galhos que trouxeram. Você também pode acrescentar outros materiais, como tecidos, EVA, algodão. Por fim, organize os pequenos em fila e faça com que caminhem sobre a trilha de texturas para experimentar as sensações. Use uma venda para tornar a atividade ainda mais divertida, pedindo que as crianças adivinhem sobre o que estão andando.
O tapete de texturas pode ser fabricado com ajuda das crianças - e se torna uma boa alternativa para se trabalhar em espaços fechados (foto: Google)

O tapete de texturas pode ser fabricado com ajuda das crianças – e se torna uma boa alternativa para se trabalhar em espaços fechados (foto: Google)

Para avaliar

  • As crianças conseguem diferenciar texturas distintas?
  • Reconhecem os nomes dados a cada tipo de textura, quando o escutam?
  • Sabem nomear uma textura quando a sentem, ou seja, aumentaram seu vocabulário?
  • Foram autônomas e se mostraram dispostas a explorar o ambiente, tomando iniciativa e tentando realizar a atividade sem (ou com pouco) auxílio dos adultos?
  • A motricidade está bem desenvolvida para a faixa etária? Elas foram capazes de se locomover no espaço, recolher e manusear os materiais?

Registre!

Ao fotografar a atividade, dê foco principal às mãos e pés das crianças contra as texturas, e às suas expressões faciais ao descobrir uma nova sensação.

Em seu registro, reflita:

  • As crianças foram capazes de realizar a atividade com base em seu conhecimento prévio? Como estão as habilidades de linguagem e motricidade?
  • Entenderam o objetivo da atividade e cumpriram a proposta?
  • Estavam interessadas e se envolveram ativamente na brincadeira? Trouxeram descobertas e fizeram perguntas relacionadas à aula?
  • Identificaram a existência de diferentes texturas na natureza?
  • Aprenderam os nomes das texturas trabalhadas?
  • Conseguiram dar exemplos de materiais com cada textura, quando perguntados pelo professor?
  • Trabalharam mais em grupo ou individualmente? Como foi o relacionamento entre a turma?
  • Gostou?Fique ligado! Continuaremos a falar mais sobre esse tema no próximo post.

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Para criar registros completos, tanto para a turma quanto para cada criança, acesse a Eduqa.me e faça seu cadastro. Atualize as atividades realizadas em sala de aula e avalie o desenvolvimento das crianças. Depois, gere linhas do tempo com os textos, fotos e vídeos postados, além de gráficos e relatórios criados automaticamente para ajudá-lo a visualizar o crescimento delas com facilidade! 

Identidade: bonecos de empatia

Exige mais tempo de preparo do professor, mas uma alternativa divertida (e que promove autoconhecimento), é pedir que as crianças tragam fotos delas mesmas para criar o boneco (foto: Google)

Atividades/Identidade e autonomia/Música e artes/Registros/Relatórios
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Identidade: bonecos de empatia

A fantasia é uma ferramenta essencial para que as crianças compreendam a realidade – é comum que sentimentos verdadeiros, que elas costumam experimentar no dia-a-dia, sejam inseridos em histórias mágicas que, à primeira vista, parecem puro exercício de imaginação.

Com isso em mente, criar ambientes em que a turma se sinta livre para inventar narrativas e acessar suas emoções é parte do trabalho de um professor de Educação Infantil. Rolos de papel higiênico podem se transformar em bonecos, em uma atividade que envolve artes manuais e descoberta de identidade.

Área de conhecimento

Identidade e artes visuais.

Faixa etária

Para manufaturar os bonecos, a partir dos 4 anos. Para brincar com os bonecos já fabricados previamente pelo professor (criando um teatro de fantoches, por exemplo), a partir dos 2 anos.

Material

  • Rolos de papel higiênico (um para cada criança, elas podem trazer de casa),
  • Cartolina colorida,
  • Canetas coloridas,
  • Tesoura (para o professor),
  • Opcional: retalhos ou papéis coloridos para decorar.
Você pode imprimir as expressões já prontas (abaixo) para colocar no interior do rolo (foto: The Craft Train)

Você pode imprimir as expressões já prontas (abaixo) para colocar no interior do rolo (foto: The Craft Train)

 

Preparação

Peça para que as crianças tragam os rolos de papel alguns dias antes da atividade. Assim, você terá tempo de cortar um círculo em cada um deles (onde ficará o rosto do boneco). Dependendo da idade das crianças, você também pode deixar as expressões prontas com antecedência. Elas devem ser feitas em uma cartolina – cole as extremidades para formar um cilindro e a encaixe dentro do rolo. Assim, você poderá mudar o rosto do boneco conforme for girando a cartolina. Para imprimir as expressões prontas, clique aqui.

Pintar uma superfície curva como o rolo de papel é mais desafiador para as crianças. Garanta que elas tenham uma mesa adequada para conseguir apoio (foto: Danya Banya)

Pintar uma superfície curva como o rolo de papel é mais desafiador para as crianças. Garanta que elas tenham uma mesa adequada para conseguir apoio (foto: Danya Banya)

Atividade

Você já preparou as partes, agora, mostre às crianças como montar o boneco: basta colocar o rolo de cartolina com os rostinhos desenhados dentro do rolo de papel higiênico, de forma que eles fiquem aparecendo no círculo que você recortou. Mostre a eles como girar a cartolina para mudar as expressões do fantoche.

Depois, disponibilize algum tempo para que as crianças decorem seus bonecos: você pode usar tinta guache, canetinhas coloridas, retalhos de tecido, lã, etc.. a superfície curva é um pouco mais difícil de manusear, pois elas terão menos apoio para as mãos – por isso, é melhor que essa etapa da atividade seja realizada na mesa, onde elas terão mais firmeza do que no chão.

Quando os bonecos estiverem concluídos, organize mini teatros com seus alunos! Sentados em círculo, crie uma história com alguns bonecos, mudando as emoções deles conforme a narrativa avança. Convide a classe a fazer o mesmo, em duplas ou pequenos grupos. Ou convide-os um a um para apresentar seu boneco ao grupo – escolhendo uma emoção, dando-lhe nome, contando como ele está se sentindo e porque. Aproveite para praticar o vocabulário pertinente: feliz, triste, cansado, engraçado, bravo, sonolento, etc..

Você pode manter os bonecos em sala após o término da atividade e utilizá-los sempre que houver conflito. Nessas situações, peça para as crianças envolvidas no incidente para descreverem, através de seus fantoches, como se sentiram e o que fizeram, proporcionando um momento de autoconhecimento.

Use diferentes expressões nos bonecos para que a turma identifique seus sentimentos ao longo da história. Ou use-os para resolver conflitos! (foto: The Craft Train)

Use diferentes expressões nos bonecos para que a turma identifique seus sentimentos ao longo da história. Ou use-os para resolver conflitos! (foto: The Craft Train)

Que tal aproveitar para criar sua atividade na Eduqa.me? Tenho certeza que você vai adorar criar suas atividades de um jeito super simples e criativo com a opção de inserir fotos, vídeos e textos.  Na Eduqa.me é possível fazer um planejamento de forma bem simples e fácil.

Veja o exemplo abaixo:

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Variação

  • Identidade: Que tal pedir que as crianças tragam fotos delas mesmas com diferentes expressões? Se você tiver turmas pequenas, é claro, pode usar os rostinhos delas ao invés de o desenho impresso – basta colá-los na cartolina no interior do rolo de papel.
Exige mais tempo de preparo do professor, mas uma alternativa divertida (e que promove autoconhecimento), é pedir que as crianças tragam fotos delas mesmas para criar o boneco (foto: Google)

Exige mais tempo de preparo do professor, mas uma alternativa divertida (e que promove autoconhecimento), é pedir que as crianças tragam fotos delas mesmas para criar o boneco (foto: Google)

Para avaliar

  • A turma conseguiu realizar a atividade com base em conhecimentos prévios (habilidade motora, desenvolvimento de linguagem oral?). Quais aprendizados ainda precisam ser fixados?
  • As crianças entenderam o objetivo da atividade e se interessaram por manusear o boneco? Compreenderam diferentes emoções? Souberam nomeá-las?
  • Quais sentimentos elas mais utilizaram? Como eles se relacionam com a vida familiar de cada aluno?
  • As histórias criadas pelas crianças apresentam início, meio e fim? Possuem alguma intencionalidade? E por quanto tempo elas conseguiram se concentrar na narrativa?

Registre!

Que tal filmar a atividade para pode assistir aos teatros mais tarde? Assim, com distanciamento, você será capaz de reparar em detalhes que pode perder no momento da aula.

Em seu registro, reflita:

  • Como está o desenvolvimento da motricidade das crianças? E o da linguagem?
  • Como está o conhecimento emocional das crianças? Elas identificam emoções quando veem os desenhos?
  • E quando as sentem? Sabem quando estão tristes ou zangadas?
  • Elas se interessaram e se mostraram envolvidas durante a atividade? Tentaram criar histórias, empregar o vocabulário da aula e realizar a encenação com os colegas, em pequenos grupos ou diante da turma?
  • Elas trabalharam mais em grupo ou individualmente? Como foi o relacionamento entre as crianças?
  • Houve comportamentos marcantes, bons ou ruins? Você lidou com eles da melhor maneira possível?
  • Dentre as narrativas das crianças, houve alguma que chamou atenção? Por quê?
  • Como as histórias contadas se relacionam com a vida pessoal das crianças? O que elas estão vivenciando em casa? Como isso está se refletindo na escola?

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Motricidade: mini golfe com papelão

Você pode fazer entradas de tamanhos diferentes, tornando o jogo mais difícil, ou de várias cores, trabalhando assim a percepção visual (foto: Tudo Interessante)

Atividades/Movimento
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Motricidade: mini golfe com papelão

A partir dos 2 anos de idade, as crianças começam a desenvolver mais ativamente a motricidade fina (uso das mãos e pontas dos dedos com destreza e controle). Aqui no Na Escola, nós já sugerimos algumas atividades que podem ser feitas para estimulá-las durante esta etapa.

Esse aprendizado irá se estender até o fim da Educação Infantil; portanto, é útil ao professor ter um vasto portfólio de jogos e brincadeiras que possa empregar para refinar a coordenação motora.

Você pode fazer entradas de tamanhos diferentes, tornando o jogo mais difícil, ou de várias cores, trabalhando assim a percepção visual (foto: Tudo Interessante)

Você pode fazer entradas de tamanhos diferentes, tornando o jogo mais difícil, ou de várias cores, trabalhando assim a percepção visual (foto: Tudo Interessante)

Área de conhecimento

Motricidade fina.

Faixa etária

A partir dos 2 anos de idade e por tanto tempo quanto a atividade ainda for desafiadora.

Material

  • Uma caixa de papelão,
  • Revistas velhas OU massinha de modelar OU bolinhas de gude, ping pong, golfe, etc..

Preparação

Escolha a maior caixa de papelão que houver disponível e recorte buracos em um dos lados (eles devem partir da borda da caixa – que ficará encostada no chão – formando “portas” por onde as bolinhas deverão passar). Faça entradas de tamanhos diferentes, começando por uma abertura maior até a menor de todas, na outra extremidade.

Atividade

Em sala, defina um local para o jogo e posicione a caixa, de modo que as crianças tenham espaço livre para se movimentar. Mostre a elas como fazer bolinhas amassando páginas de revista (ou com a massa de modelar) e, então, mire em um dos buracos na caixa, como em um jogo de golfe. O objetivo é que a bola entre na caixa.

Auxilie os alunos na hora de fazer suas próprias bolinhas. Ainda que eles não acertem o alvo com frequência (como provavelmente irá acontecer), esses movimentos de amassar, segurar, mirar e rolar exigem grande concentração para os pequenos e os fazem desenvolver o controle sobre o próprio corpo. Eles devem controlar a força que utilizam, o movimento dos dedos ao manusear o papel ou a massinha, a firmeza dos dedos para não derrubar a bola.

Deixe que eles brinquem pelo tempo que quiserem, lembrando de elogiar e comemorar não apenas quando uma bolinha atravessar o buraco da caixa, mas também sempre que as crianças conseguirem executar partes do processo por conta própria. Quando conseguirem fazer com que a bola entre no recorte maior, sugira que eles mirem nas menores, sempre tornando o jogo desafiador.

Variações

  • Motricidade (atirar): ao invés de deslizar a bolinha pelo chão, use uma caixa aberta virada para cima e mostre à turma como atirar para fazer “cestas”, como no basquete. Esse movimento exige muito de crianças pequenas, que terão dificuldade em jogar a bola para cima e para frente simultaneamente. Com crianças mais velhas, use caixas menores ou o fundo de garrafas plásticas (PET), para tornar o jogo mais difícil.

Para avaliar

  • As crianças entenderam o objetivo da atividade e tentaram atingir o alvo?
  • Conseguiram realizar os movimentos de amassar folhas de revista ou massinha de modelar, até que elas ficassem arredondadas?
  • Conseguiram segurar e manusear suas bolinhas sem derrubá-las, utilizando uma mão só?
  • Dedicaram-se a mirar no alvo e tentaram controlar o corpo para atingi-lo?
  • Realizaram o movimento de rolar a bolinha pelo chão (ou de atirá-la para cima, na variação) corretamente?
  • Acertaram o alvo ou chegaram perto de fazê-lo alguma vez?

Registre!

Na hora de fotografar, use o zoom para fazer um recorte mais específico das crianças. Fotografe principalmente suas mãos para observar como elas lidam com o material do jogo.

Em seu registro, reflita:

  • As crianças estavam envolvidas na atividade, foram participativas e tentaram acertar?
  • Como lidaram os erros? Você as incentivou a continuar tentando mesmo após errarem o alvo? Como foi seu relacionamento com a turma?
  • Ajudaram os colegas e torceram para que os outros acertassem?
  • Trabalharam mais individualmente ou em grupo? Foram competitivos?
  • Aprenderam e praticaram o controle sobre o corpo, concentrando-se nas tarefas propostas e corrigindo erros entre uma partida e outra?
  • Houve comportamentos marcantes, bons ou ruins? Como você lidou com eles e o que poderia ser feito de outra forma?
  • Foram capazes de realizar a atividade com base em seus conhecimentos anteriores?
  • Quais foram as maiores dificuldades e como essas habilidades podem ser mais praticadas nas próximas aulas?

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Para criar registros completos, tanto para a turma quanto para cada criança, acesse a Eduqa.me e faça seu cadastro. Atualize as atividades realizadas em sala de aula e avalie o desenvolvimento das crianças. Depois, gere linhas do tempo com os textos, fotos e vídeos postados, além de gráficos e relatórios criados automaticamente para ajudá-lo a visualizar o crescimento delas com facilidade! 

Adaptação na Educação Infantil: quando a criança não quer ficar na escola

Conheça bem a criança, sua personalidade e preferências, para criar um vínculo verdadeiro com ela (foto: Google)

Atividades/Identidade e autonomia/Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Adaptação na Educação Infantil: quando a criança não quer ficar na escola

O início do período letivo ou a transferência de uma criança entre escolas pode ser uma fase estressante, tanto para os pequenos quanto para os adultos envolvidos. Na Educação Infantil, cenas de choro e ataques de raiva são comuns nos primeiros dias de aula – porém, a expectativa é que os alunos já estejam adaptados após cerca de 2 semanas.

Não foi o caso? O tempo passou e a criança continua relutando ao ir para a escola? Cabe aos pais e professores fazer com que essa transição decorra tranquilamente.

Conheça bem a criança, sua personalidade e preferências, para criar um vínculo verdadeiro com ela (foto: Google)

Conheça bem a criança, sua personalidade e preferências, para criar um vínculo verdadeiro com ela (foto: Google)

Conheça bem a criança

Principalmente se essa for a primeira vez que seu aluno deixa a proteção dos pais, a ânsia por ir embora pode ser justamente medo de ficar com desconhecidos. O professor precisa se aproximar, ser afetuoso e respeitar a criança, ganhando sua confiança.

Chamar a criança pelo nome e conhecer alguns de seus interesses ajudam. Isso pode ser conversado com os pais ou responsáveis antes mesmo de o aluno começar a frequentar a escola (ou assim que o problema se manifestar). De que tipo de brinquedos ela gosta? É extrovertida, sociável, ou mais tímida? Gosta de ser beijada e abraçada ou prefere menos contato? Dessa forma, o professor evita ser invasivo e tem grandes chances de acompanhar o ritmo do aluno.

Lembre-se de agir com tranquilidade – não esqueça de que essas reações da criança são normais, então, nada de desespero. Isso fará com que sua turma se sinta ainda mais instável, já que o professor é a figura de autoridade dentro da escola.

Torne a escola um ambiente seguro e amigável

Não deixe que a escola pareça um espaço hostil para a criança. Afinal, é ali que ela passará várias horas do seu dia; portanto, precisa conhecê-lo bem. Mostre cada área da sala de aula (onde eles penduram as mochilas e lancheiras? Onde podem brincar? Onde vão colorir e fazer trabalhos?). Incentive a criança para que ela participe ativamente desses espaços, e aponte como seus colegas também estão ali, realizando as mesmas ações.

Introduza ainda o restante da escola. O aluno deve se sentir confiante ao se locomover por ela, sabendo onde cada coisa está. Onde fica a cozinha, o refeitório, o playground, a secretaria? Quem trabalha lá, com quem ele pode conversar? Apresente os funcionários e inicie diálogos para que a criança se sinta confortável com eles.

Um pedacinho de casa

Se abandonar a casa ainda está difícil demais, sugira à criança trazer um brinquedo favorito para acompanhá-la. Um boneco, bicho de pelúcia, jogo ou livro que costume usar em casa, com os pais, é uma forma de trazer segurança a ela nesse novo ambiente. Outros objetos pessoais podem cumprir o mesmo papel.

Em sala, ajude o aluno a mostrar o objeto escolhido aos seus colegas, contando o que é, se possui nome, por que gosta dele e por que o trouxe (caso a criança ainda não tenha desenvolvido tão bem as habilidades de linguagem, converse previamente com a família para conhecer o objeto e auxilie-a na apresentação). A dinâmica criará um reconhecimento entre os colegas e pode ser ótima para iniciar perguntas e convívio com a turma.

Não iluda: deixe bem claro por quanto tempo ela ficará lá e quais atividades irão fazer. Mas lembre-a de que os pais virão buscá-la no fim (foto: Google)

Não iluda: deixe bem claro por quanto tempo ela ficará lá e quais atividades irão fazer. Mas lembre-a de que os pais virão buscá-la no fim (foto: Google)

Não crie expectativas irreais

Conversando com a criança, evite falar da escola como se fosse um lugar “perfeito”, só de brincadeiras e sem regras. Seja honesto e conte que irão estudar, aprender coisas novas, brincar e comer junto com a classe. Porém, explique também que há regras de convivência que devem ser respeitadas – não permita tudo por estar com pena ou para evitar incômodos.

Você pode estar contornando um acesso de birra, agora, mas trará dificuldades para a educação da classe a longo prazo; ao perceber que os limites são muito flexíveis, é normal que a criança comece a testá-los. Portanto, seja claro desde o princípio.

Parceria com os pais

Muitas vezes, a reação da criança é reflexo do comportamento da família. Em mais de 50% das situações, os motivos do medo e da raiva infantil são causados pela insegurança dos pais. Descubra se esse é o caso e converse com os responsáveis, mostrando que seus filhos estão sendo bem cuidados. Eles devem conhecer a escola, desde o espaço físico até a metodologia e os profissionais que lá atuam.

Ensine-os a desenvolver uma postura segura com a criança ao falar sobre a escola e ao trazê-la diariamente. É comum que os pais tenha um sentimento de culpa ao deixar os filhos com outra pessoa, porém, isso não deve transparecer. Abraços e beijos demais, prolongados, na porta da escola, mostram que os pais estão incertos, que também não querem largá-lo lá – e os pequenos percebem e se aproveitam disso, fazendo ainda mais drama. Também oriente-os a não dar meia volta repetidas vezes, ao ouvir a criança choramingar na hora da partida (ainda que isso parta o coração deles, recorde-os de que é para o melhor!).

Encoraje-os a ter conversas francas com os filhos, explicando que irão à escola todos os dias, o que eles vão aprender, quanto tempo devem ficar por lá e frisando que sempre irão buscá-los ao fim do período. Aconselhe os pais a não usar chantagens e barganhas para comprar o bom comportamento: nada de doces e presentes para descer do carro e ir para a sala. Não aumente as chances de a criança fazer birra esperando por uma recompensa. Contudo, eles devem elogiá-la e se mostrar animados ao buscá-la, no fim do dia, explicitando como estão orgulhosos por ela ter ficado bem por conta própria!

Últimos recursos

Se a convivência não melhorar, converse com família e coordenação e sugira a estadia de um dos pais na escola por um tempo mais longo. Esse recurso, comum nos primeiros anos de Educação Infantil, pode ser estendido se houver real necessidade.

Tracem um plano de algumas semanas, diminuindo o período dos pais em sala de aula (por exemplo, nos primeiros dias, eles ficam por duas horas, depois, uma e meia, depois, uma hora e assim por diante). Instrua-os a serem discretos e não se interporem ao andamento usual da classe. Forneça um canto da sala aonde eles possam se sentar e observar, fornecendo conforto à criança. Entretanto, não permita que a criança passe a aula inteira no colo dos pais! Ela deve saber que eles estão ali para apoiá-la, mas participar das atividades com o grupo e com a professora.

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