Por que tantas crianças estão estressadas?

Cali Farmer, 4, (L) cries as she hugs her mother Netta Farmer at California Institute for Women state prison in Chino, California May 5, 2012. An annual Mother's Day event, Get On The Bus, brings children in California to visit their mothers in prison. Sixty percent of parents in state prison report being held over 100 miles (161 km) from their children. Picture taken May 5, 2012 REUTERS/Lucy Nicholson (UNITED STATES - Tags: CRIME LAW SOCIETY TPX IMAGES OF THE DAY) ATTENTION EDITORS PICTURE 23 28 FOR PACKAGE 'MO R'S BEHIND BARS'

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Por que tantas crianças estão estressadas?

Estresse não é exclusividade dos adultos – a diferença é que, na primeira infância (dos 0 aos 6 anos), ele pode causar danos permanentes ao desenvolvimento. Como o cérebro do bebê está mudando rapidamente, realizando muito mais conexões neuronais que um cérebro adulto, a criança atravessa um período vulnerável. Nessa etapa, experiências traumáticas têm grandes chances de gerar mudanças irreversíveis.

Como isso acontece?

A produção constante de hormônios do estresse afeta o sistema imunológico, reduzindo a resistência do organismo contra infecções e doenças contagiosas.

As áreas sócio-emocionais e de aprendizado também são afetadas, e a criança pode começar a apresentar comportamentos impulsivos (como bater em um colega ou reagir exageradamente a um problema), já que sua capacidade de regular emoções fica alterada.

Crianças estressadas podem ser confundidas com malcriadas ou "birrentas". É melhor prestar atenção no que desencadeia essas crises (foto: Google)

Crianças estressadas podem ser confundidas com malcriadas ou “birrentas”. É melhor prestar atenção no que desencadeia essas crises (foto: Google)

No longo prazo, esses meninos e meninas estressados se tornam adultos com respostas ruins ao estresse diário. O corpo passa a liberar hormônios do estresse (que preparam o organismo para lidar com um obstáculo, acelerando batimentos cardíacos, liberando adrenalina e deixando a pessoa em estado de alerta) muito cedo, em situações inofensivas, ou, ainda, permanecer em alerta por mais tempo do que o necessário.

Os sintomas do estresse infantil podem se manifestar tanto no físico quanto no psicológico da criança:

Sintomas físicos

• dor de barriga

• diarréia

• tique nervoso

• dor de cabeça

• náuseas

• hiperatividade

• enureses noturna

• gagueira

• tensão muscular

• ranger de dentes

• falta de apetite

• mãos frias e suadas

Sintomas psicológicos

• terror noturno

• introversão súbita

• medo ou choro excessivo

• agressividade

• impaciência

• pesadelos

• ansiedade

• dificuldades interpessoais

• desobediência

• insegurança

• hipersensibilidade

Contudo, um sintoma isolado não é garantia de que a criança esteja sofrendo estresse – ele deve servir apenas como aviso para familiares e educadores, que, a partir de então, precisam prestar atenção no comportamento dela em todos os ambientes que frequenta, verificando se outros sinais se manifestam. “Um dos grandes desafios é que os pais, os adultos presentes na vida dessa criança, estão muito ocupados para notas os estágios mais iniciais da mudança de comportamento”, a presidente da International Stress Management Association (ISMA-BR), Ana Maria Rossi, explicou à Revista Educar para Crescer. “Começam a notar quando já existe um problema, e não mais um indicador”.

Ficar atento às mudanças que ocorrem na vida dessa criança ajudam a identificar os momentos de estresse que ela pode estar enfrentando. As principais fontes de estresse na infância são:

Críticas e desaprovações constantes

Quando os adultos ao seu redor não equilibram críticas e reclamações com encorajamento e elogios, a criança se sente incapaz de atingir as expectativas e vive sob pressão. De acordo com uma pesquisa recente da ISMA, que analisou 220 crianças brasileiras entre 7 e 12 anos, essa é a causa de 63% dos casos de estresses infantil.

O ambiente familiar interfere na forma como a criança lida com estresse. Crianças muito criticadas ou que presenciam brigas e violência entre os pais podem ter problemas de desenvolvimento (foto: Google)

O ambiente familiar interfere na forma como a criança lida com estresse. Crianças muito criticadas ou que presenciam brigas e violência entre os pais podem ter problemas de desenvolvimento (foto: Google)

Atividades em excesso

Aulas de inglês, natação, balé, futebol, reforço escolar, piano, xadrez… Crianças sobrecarregadas não têm tempo para descansar e brincar, momentos essenciais no processo de aprendizagem.

Ainda que os pais acreditem estar preparando os filhos para um futuro profissional bem sucedido, atividades extracurriculares em demasia foram citadas por 56% das crianças entrevistadas durante a pesquisa.

Bullying

Atos de violência entre colegas foi apontado por 41% dos entrevistados como fator de estresse. Inclusive, os sintomas físicos listados acima podem surgir como uma fuga para a criança, que busca motivos para evitar seus agressores (faltando aula ou evitando outros ambientes sociais em que esteja sendo alvo de bullying).

Especialistas concordam que casos de bullying se intensificam no Ensino Fundamental e Médio, mas há sinais de alerta que podem ser observados desde a Educação Infantil.

Falta de rotina

Crianças exigem estabilidade para se desenvolver plenamente. Hora de dormir, de fazer as refeições e de tomar banho provém segurança. O mesmo ocorre em sala de aula: professores de creches e pré-escolas são instruídos a seguir rotinas (música na chegada, hora da história, recreio, escovação de dentes e assim por diante) que fazem com que os alunos se sintam confortáveis no ambiente escolar.

É comum que a própria turma cobre a organização do professor se, por acaso, ele inverter a ordem das atividades – isso porque não saber o que irá acontecer durante o dia é gatilho para o estresse.

Superproteção

Apoiar os pequenos em situações de estresse é positivo, mas tentar abolir qualquer evento levemente desafiador cria adultos incapazes de lidar com os próprios problemas. Fora de casa, a criança certamente será exposta a dificuldades e, então, não terá o amparo para enfrentá-las por conta própria.

Traumas e violência casos mais graves, como violência física e explosões de raiva, provocam sentimentos de medo, raiva e estresse. Situações traumáticas como a perda de um amigo ou membro da família também são desgastantes tanto para crianças quanto para gente grande.

A criança precisa de momentos de afeto que a ajudem a sair do momento de estresse: colo e abraços funcionam para acalmá-la (foto: Google)

A criança precisa de momentos de afeto que a ajudem a sair do momento de estresse: colo e abraços funcionam para acalmá-la (foto: Google)

O que fazer?

Não é possível eliminar do universo da criança todas as origens do estresse – e isso tampouco é indicado. Afinal, esse é um momento de aprendizado que irá moldá-la para a vida adulta. O que deve ser evitado é que um momento de estresse seja prolongado, criando efeitos permanentes no organismo.

Pais e professores têm um papel fundamental ao impedir que a reação ao estresse se perpetue. Eles são os “adultos apoiadores”, responsáveis por transmitir uma sensação de segurança e ajudá-la a enfrentar o problema. Manifestações de afeto, como colo, carinho e abraços, fazem parte desse trabalho e são chamados de apego seguro.

A criança que conta com esse sistema de apoio reage melhor ao estresse e é capaz de lidar com eventos difíceis por conta própria quando deixa sua casa. Além disso, desenvolve mais autoconfiança e habilidades de interação social – podendo criar suas próprias redes de suporte no futuro.

É importante que os adultos responsáveis saibam distinguir o estresse negativo do positivo, e compreendam quando sua interferência é necessária. O estresse positivo é uma fase de alerta inicial que ocorre quando a criança é apresentada a um desafio. Ela produz mais adrenalina, que lhe dá ânimo, energia e criatividade para resolver o problema. Esse é um momento altamente produtivo, em que ela sequer sente necessidade de descansar – mas, por isso mesmo, não deve se manter por muitas horas.

Quando a criança ultrapassa seus limites de adaptação, o estresse se tornou excessivo. Esse é o estresse negativo, que a deixa esgotada, desmotivada e prejudica seu desenvolvimento pessoal e escolar – justamente quando família e educadores devem intervir.

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5 filmes encantadores para Educação Infantil
Atividades/Identidade e autonomia/Socioemocional
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5 filmes encantadores para Educação Infantil

Perto do início das férias de julho, uma avalanche de filmes infantis costuma entrar em cartaz, como uma opção de entretenimento para o mês de frio. Mas o cinema não precisa ser apenas  diversão – vários longas trazem mensagens verdadeiras e temas que podem ser discutidos em sala de aula. E isso não significa que eles deixem de ser engraçados ou prazerosos para as crianças.

Há diversas listas de filmes a serem trabalhados com o Ensino Fundamental e Médio; contudo, não se encontram tantas opções para os alunos menores. Se a duração da história for um empecilho para sua classe, experimente pausar a animação em certos momentos. O que foi assistido até então pode ser debatido e a atividade pode continuar por vários dias, transformando-se em um projeto de longa duração.

Planeje ainda exercícios pós-filme que enfatizem o aprendizado adquirido. A Eduqa.me preparou uma lista de sugestões para você experimentar!

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#1 A Fantástica Fábrica de Chocolates

Por que assistir: As crianças que são aceitas para visitar a fábrica apresentam personalidades bem diferentes – a menina mimada, o guloso, a competitiva e o agressivo (um menino viciado em jogos eletrônicos). Isso abre portas para falar sobre o comportamento das crianças e as atitudes mesquinhas que devem ser evitadas.

Quando pausar: Ao longo da história, cada uma das crianças mal educadas se mete em um problema causado por suas próprias ações. O filme pode ser assistido, pela primeira vez, até que todos os personagens sejam apresentados e, depois, sempre que um deles desaparecer da Fábrica. Isso permite que as crianças falem especificamente sobre cada um dos comportamentos do filme e sugiram opções de como os personagens poderiam ter resolvido a situação.

Projetos: Coloque em foco a diferença entre Charlie (o menino bonzinho que, no fim, herda a Fábrica de Chocolates para sua família) e os outros visitantes, que pensaram apenas em seu próprio benefício. Organize um dia de troca em sala, em que cada aluno pode levar um brinquedo para trocar, ou mesmo um piquenique em que a turma poderá compartilhar os lanches. Se houver possibilidade, por que não levar a classe até a cozinha e preparar uma das delícias do filme? Mas peça que elas preparem a guloseima para um amigo, e não para si mesmos (garanta que todos ganhem um pedaço no momento da entrega).

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#2 Ponyo – Uma amizade que veio do mar

Por que assistir: O singelo filme japonês conta a história de um menino que, um dia, encontra um peixinho dourado na praia. O peixe é na verdade uma princesa que fugiu de seu lar no oceano e quer muito virar humana. A partir de então, o menino a protege e a ajuda a realizar seu sonho.

Quando pausar: Há três momentos da história que podem ser discutidos separadamente. Assista o longa até o garotinho, Sosuke, levar Ponyo para sua casa e cuidar dela, aproveitando para mencionar a importância de se ajudar quem precisa, mesmo que não sejamos capazes de entendê-los completamente. Use outra sessão para mostrar a jornada dos amigos para encontrar a mãe de Sosuke e salvar o peixinho e, uma última, para as cenas finais, quando a princesinha é levada para baixo d’água e precisa decidir ficar ou ser transformada em humana.

Projetos: Há inúmeras possibilidades – as imagens do fundo do mar podem ser o gancho para uma aula sobre a vida marinha. A transformação de Ponyo em menina pode virar uma atividade que desperte a criatividade e a imaginação (qual animal você gostaria de se tornar e por quê?), feita em forma de livro ilustrado pelas crianças. Use também várias rodas de conversa durante a exibição do filme, abordando tópicos como fugir de casa e encontrar lugares e pessoas com que nos sentimos bem; isso pode gerar uma visão melhor da vida familiar de seus alunos.

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#3 Wall-E

Por que assistir: Para falar sobre cuidado com o meio ambiente, a necessidade de se preservar a natureza e ter uma vida saudável. O filme é quase que totalmente mudo, mas emocionante, e as crianças vão se envolver com o robozinho Wall-e, deixado sozinho no planeta Terra.

Quando pausar: Assista ao início do filme, quando toda a poluição e o lixo são mostrados pela primeira vez, até que Wall-e encontre Eva (uma robô mais moderna que vem inspecionar a vida no planeta). Pergunte sobre os motivos de a Terra estar assim, e por que ninguém mais vive lá. Depois, assista ao relacionamento entre os dois robôs – ele está mais feliz ou triste por ter companhia? Qual a importância de se ter amigos e também de passar momentos sozinho? Pause mais uma vez após Wall-e ver os humanos em sua nave (hora de falar sobre alimentação saudável, exercício e tempo gasto com eletrônicos) e, então, assista ao fim da história.

Projetos: Logicamente, a história pede por uma conversa sobre preservação da natureza. Proponha que as crianças plantem uma sementinha (pode ser uma horta ou um canteiro de flores) no pátio da escola – e voltem semanalmente para regá-las e cuidar de seu crescimento, praticando a responsabilidade.

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#4 Ponte para Terabítia

Por que assistir: O filme mostra um menino de cidade pequena, Jess, que sofre bullying na escola e não se sente confortável para conversar com a família. É ideal para lançar essa discussão em sala, identificando desde cedo os sinais da agressão e frisando a importância de se falar com um adulto a respeito.

Quando pausar: Quando Leslie chega à escola e tenta fazer amizade com Jess, mas ele reluta em aceitá-la. Por que ele faz isso? Ele tem amigos na escola? Como as pessoas o estão tratando? Você gostaria de ser tratado assim? Pause novamente quando uma das meninas que implica com Jess chora e eles descobrem que ela tem problemas em casa – hora de falar do ciclo da violência, que leva as pessoas a fazerem coisas ruins, mesmo que, no fundo, elas queiram ser boas. O fim do filme é triste, mas mostra como uma pessoa pode mudar a vida das outras em torno dela com suas atitudes.

Projetos: Tratar as dinâmicas do bullying fica mais fácil através da ficção. Pequenas peças de teatro (ou role play) dão espaço às crianças para se expressar sem medo de serem julgadas. Ajude-as a elaborar histórias curtas e sugerir soluções para resolver os problemas criados.

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#5 Divertidamente

Por que assistir: Além de ser novidade (o filme acabou de entrar em cartaz), a nova animação da Pixar é encantadora até para os adultos, e trata dos sentimentos de forma muito madura. A história se passa dentro da cabeça de Riley, uma menina de 11 anos, mostrando como as emoções dela controlam suas ações e lembranças. Cada emoção é representada por um personagem: a Alegria, a Tristeza, o Medo, a Raiva e o Nojinho.

Quando pausar: Durante uma discussão, a Alegria e a Tristeza são jogadas para fora do cérebro de Riley – mas, antes disso, podemos ver como a cabeça dela funciona, e como os sentimentos vão dando cores aos acontecimentos da vida dela. Aproveite para pedir às crianças que contem lembranças felizes, bravas ou tristes e expliquem porque se sentiram assim. Ao longo do filme, quando Alegria e Tristeza estão tentando encontrar seu caminho de volta, falem sobre como as outras emoções são importantes na vida de Riley. Como seria estar alegre a todo momento? É bom sentirmos outras coisas, às vezes desagradáveis? Por quê?

Projetos: Use máscaras de sentimentos para ajudar as crianças a visualizar suas emoções – como o meu rosto se parece quando fico zangado? E feliz? Você pode aprender a fazer as máscaras aqui. Providencie também um espelho onde a turma possa fazer caretas e expressar sentimentos, analisando seus próprios traços e os de seus amigos, exercitando o autoconhecimento.

Lembre-se de documentar as sessões de cinema e as atividades realizadas em sala! Como alguns desses projetos não usam folhas de atividade que podem ser enviadas para os pais, utilize fotos e vídeos para capturar o desenvolvimento das crianças em cada etapa. Essas imagens também servem para facilitar a escrita de seus relatórios (clique aqui para dicas de como usar tecnologia para criar registros mais ricos). Tem mais sugestões de filmes para a Educação Infantil? Conte para a Eduqa.me nos comentários!

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12 jeitos divertidos de usar Lego em sala de aula

Documentar histórias com uma câmera ou o celular pode resultar em um projeto multimídia que envolverá toda a turma (foto: Google)

Atividades/Desenvolvimento Infantil/Registros
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12 jeitos divertidos de usar Lego em sala de aula

Blocos de Lego são brinquedos. São itens que as crianças costumam procurar voluntariamente e ficam animadas ao receber como presente, debaixo da árvore de Natal. Esse é apenas um dos motivos que o torna tão útil aos professores. Aulas ensinadas através do Lego não são vistas como tarefas escolares tediosas – pelo contrário, os alunos pensam que estão saindo no lucro! Vão mesmo deixar que eles brinquem de Lego em sala de aula?

A ideia de que crianças podem aprender por meio de brincadeiras não é nova nem controversa. Muitas pesquisas já concluíram – e muitos professores já repararam – que diversão e aprendizado não precisam ser mutuamente exclusivos. Inclusive, os resultados tendem a ser melhores para todos se forem trabalhados juntos.

Sendo assim, usar blocos de Lego como parte de seu plano de aula pode ajudar a explicar conceitos (que, de outra forma, seriam considerados chatos pelos alunos) de maneira leve e divertida. Muitos educadores já estão colocando essas ideias em prática com muito sucesso. Aqui vão algumas sugestões para começar.

USANDO LEGO PARA ENSINAR MATEMÁTICA VISUALMENTE

Muitas crianças aprendem melhor através da habilidade visual (em inglês, “visual learners”) e conseguirão compreender conceitos matemáticos mais facilmente se puderem vê-los de maneira atrativa. Lego pode ajudar com isso.

(foto: Lego Education)

(foto: Lego Education)

  1. Blocos de Lego para contar e medir

Entre as crianças menores, peças de Lego são úteis para ensinar números e matemática básica. Conecte vários blocos e peça que os alunos os contem, um por vez. Torne a atividade mais interativa propondo que eles meçam objetos dentro da sala de aula (ou, ainda, meçam eles mesmos! O seu braço tem o comprimento de quantos blocos de Lego? E suas pernas?). Se você escrever os números em algumas das peças, como na imagem acima, você ainda pode ajudá-los a aprender os numerais.

  1. Para visualizar aritmética e multiplicação

Como blocos de Lego têm tamanhos diferentes e uma variedade de peças que se encaixam em cada um deles, o professor pode usá-los para demonstrar problemas de aritmética.

Uma peça quadrada com quatro botões de encaixe ajuda a entender o que 2×2 significa. Ao conectar esse quadrado a um retângulo de oito botões, as crianças podem descobrir qual o resultado de 4+8. Colocando blocos diferentes lado a lado, é possível mostrar como frações funcionam – esse é 1/2 deste, que é 1/4 deste outro.

  1. Para mostrar padrões e simetria

Por possuírem diferentes cores e permitirem a construção de praticamente qualquer forma, Lego é a ferramenta perfeita para desafiar as crianças a criar padrões de simetria.

Um padrão pode ser simplesmente a alternância entre duas cores, como verde-vermelho-verde-vermelho, e assim por diante. Mas você pode sugerir padrões mais complicados – que representem sequências matemáticas ou formas geométricas.

USANDO LEGO PARA CRIAR E ILUSTRAR HISTÓRIAS

  1. Peças de Lego para contar momentos históricos

Aulas de história podem ser dadas somente através de livros, ou elas podem se tornar um exercício de imaginação. O que você acha que as pessoas que estavam lá sentiram? As crianças que construírem modelos de, por exemplo, um labirinto da mitologia grega ou um foguete que levou o homem à lua estarão mais engajadas em seu aprendizado do que estariam se simplesmente lessem a matéria.

  1. Para inspirar novas histórias

É provável que seus alunos já façam isso espontaneamente quando brincam de Lego em casa (especialmente após assistirem ao filme Lego Movie). Na escola, o professor pode encorajar a turma a criar narrativas em grupo ou a compartilhar suas próprias histórias com os colegas com ajuda dos blocos de montar. Adicione desafios: por que não um jogo em que uma das criança começa a história com suas peças de Lego e, em seguida, outra deve continuar a cena, e assim por diante?

  1. Combine Lego com outras mídias para um projeto

Cenários criados com Lego podem servir como inspiração para desenvolver narrativas. A classe pode definir alguns personagens e apetrechos para montar uma cena – uma princesa e um pirata lutando em um navio, por exemplo. A partir desse incidente emocionante, incentive-os a continuar o faz-de-conta e transformá-lo em um livro, um vídeo ou uma série de posts em um blog.

Documentar histórias com uma câmera ou o celular pode resultar em um projeto multimídia que envolverá toda a turma (foto: Google)

Documentar histórias com uma câmera ou o celular pode resultar em um projeto multimídia que envolverá toda a turma (foto: Google)

USANDO LEGO PARA PRATICAR A ESCRITA

  1. Forme letras com peças de Lego

A escrita com papel e lápis pode ser muito exigente para crianças pequenas. Por que não alterná-la com exercícios como esse? Escreva uma letra no quadro e convide a classe a copiá-la com seus blocos de montar (você também pode imprimir um modelo aqui e deixar que a turma construa sobre ele).

  1. Cole letras em cada bloco para criar palavras

Avançando no aprendizado da escrita, imprima e cole as letras do alfabeto em cada peça de Lego, para que os alunos possam praticar colocando-as juntas em várias ordens. Assim, eles descobrem novas palavras e exercitam a soletração.

  1. Cole palavras para criar frases

A evolução óbvia do exercício anterior. Imprima e cole palavras completas em cada bloco para treinar a construção de sentenças e transforme a escrita em um jogo tátil.

USANDO LEGO PARA EXERCITAR O RACIOCÍNIO

  1. Desenvolva sistemas de classificação

Conte às crianças como cientistas classificam coisas como plantas, animais ou elementos, mas que as categorias podem ser mais complexas do que imaginam! Eles precisam decidir a partir de quais características fazer a seleção.

Se o professor sugerir que a turma classifique suas peças de Lego, elas serão desafiadas da mesma forma. Eles as dividirão por cor, forma ou tamanho? Que nomes darão para cada grupo? Alunos diferentes podem elaborar sistemas totalmente diferentes.

Portanto, essa é uma lição valiosa sobre procurar por padrões e qual a lógica por trás dos sistemas taxonômicos. As crianças devem deixar a aula com uma compreensão mais profunda sobre as várias maneiras como o mundo pode ser ordenado.

Instigue a criatividade: além de casas, do que mais a cidade precisa? (foto: Google)

Instigue a criatividade: além de casas, do que mais a cidade precisa? (foto: Google)

  1. Para pensar nos desafios da cidade

Desafie a classe a construir uma cidade com o Lego – esse não é apenas um jogo divertido de imaginação, mas também gera um entendimento do mundo ao redor e um novo olhar sobre a cidade que veem todos os dias.

Deixe bem claro que a tarefa não é só construir casinhas. Eles podem pensar em tudo do que a cidade precisa e o que seus residentes vão querer. Ajude-os a definir espaços para as estradas, árvores, calçadas e todos esses elementos que fazem parte do planejamento urbano, e em que eles provavelmente não reparam em seu dia-a-dia. Mostre como foi importante que alguém tenha planejado e construído essas estruturas!

A atividade não somente dará uma nova perspectiva às crianças, como irá ajudá-las a ver o mundo como um constante exercício de solução de problemas – que eles estão aptos a resolver.

  1. Introdução a códigos

Ao elaborar códigos no computador, cada comando é crucial. Trabalhe a habilidade de dar instruções clara e corretamente com um jogo: as crianças precisam escrever ou falar comandos para que o colega construa os formatos de Lego que elas têm em mente. Isso deixa claro o valor de cada pequeno detalhe na execução do projeto – uma lição que pode ser usada tanto em computação quanto no mundo real.

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(Este texto é uma tradução do artigo “12 Unexpected Ways to Use LEGO in the Classroom”, do Edudemic. Clique aqui para conferir o original!)

O que o coordenador espera do seu semanário – e 3 erros que você não deve cometer!

O semanário pode servir tanto para planejar a semana seguinte quanto para observações da semana que se passou (foto: Google)

Rotina pedagógica/Semanários
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O que o coordenador espera do seu semanário – e 3 erros que você não deve cometer!

Na última quarta-feira (17), a Eduqa.me lançou uma pergunta aos coordenadores: O que você gostaria que todos os educadores fizessem nos semanários da sua escola? Com mais de trinta respostas nesse pouco tempo, conseguimos reunir um compilado de dicas para ajudar o professor de Educação Infantil a atingir as expectativas da coordenação.

Uma queixa frequente foi a falta de conhecimento do que é um semanário e qual sua função. O semanário pode ser feito em dois momentos: como planejamento da semana a seguir e como reflexão da semana que se encerra.

No primeiro caso, é fundamental encaixar atividades lúdicas e de acordo com a faixa etária e desenvolvimento das crianças. Além de descrições objetivas, como o material necessário e o tempo de duração de cada exercício, é interessante anotar ressalvas de acordo com os alunos: será que todos são capazes, neste momento, de acompanhar a atividade? Se a resposta for negativa, prepare também as alterações que pretende fazer para incluir toda a classe igualmente. Preocupe-se ainda com o perfil de cada grupo. Turmas agitadas e enérgicas podem precisar de mais ênfase em atividades com regras e combinados, por exemplo, enquanto outra, de viés mais introvertido, irá se beneficiar com dinâmicas de socialização.

Quanto mais completo for esse registro, maior a facilidade do coordenador de compreender o cenário de sua sala de aula e identificar pontos de melhoria, seja no comportamento ou no método de ensino. Por isso, planejamentos sequenciais (ou sequências didáticas) são muito valorizados. Eles consistem em prever uma série de aulas em que o mesmo conteúdo será trabalhado, mas com dificuldade crescente. Esse tipo de registro garante continuidade e respeita o ritmo das crianças – contudo, só obtém sucesso se for acompanhado de perto pela equipe da escola e alterado de acordo com a evolução da turma.

O semanário pode servir tanto para planejar a semana seguinte quanto para observações da semana que se passou (foto: Google)

O semanário pode servir tanto para planejar a semana seguinte quanto para observações da semana que se passou (foto: Google)

É aí que entra o segundo modelo de semanário mencionado pelos educadores: um registro feito após as atividades, em que constam os comportamentos mais marcantes observados nas crianças durante a semana e as reflexões do professor quanto ao seu próprio trabalho pedagógico. “O semanário ideal é aquele que é transparente. Em que, ao ler, conseguimos enxergar a turma e sentir suas especificidades”, descreveu um dos coordenadores na pesquisa da Eduqa.me. Eles sugeriram a transcrição de falas dos alunos , o uso de fotos e vídeos para ilustrar momentos de aprendizado e, acima de tudo, a observação cuidadosa do professor, para que seja capaz de analisar o desenvolvimento particular de cada um.

Com tanto o que escrever em tão pouco tempo, é compreensível que o professor cometa deslizes ou não se sinta seguro quanto ao material que está entregando. Aqui estão os erros mais comuns e como evitá-los.

Esquecer informações importantes

Para 73% dos coordenadores participantes, essa é a falha mais grave que pode ocorrer na elaboração do semanário. Para não escorregar, deixe preparada uma lista de tópicos que devem ser abordados, e confira se todos foram contemplados antes de entregar o documento.

  • Quais as atividades realizadas durante aquela semana,
  • Motivo pelos quais você optou por essas atividades (momento de desenvolvimento da turma, objetivo de aprendizagem para a próxima semana),
  • Materiais utilizados e método aplicado (como farei a atividade, em qual espaço, como deve ser a interação com as crianças e entre elas),
  • Comportamento e socialização (destaque atitudes marcantes, fora do esperando: como elas lidaram com o grupo , trabalharam em equipe ou individualmente, houve birra, brigas ou desentendimentos e como você intermediou a situação),
  • Sua própria prática pedagógica (o que funcionou e o que poderia melhorar, ideias para mudanças na semana seguinte, dúvidas que surgiram pelo caminho).

Não descrever suficientemente cada evento também foi citado com frequência. Para 52% dos entrevistados, a falta de tempo dos professores prejudica a qualidade do semanário – eles são obrigados a preenchê-lo com pressa, na tentativa de cumprir os prazos estabelecidos pela escola, e acabam por ignorar etapas ou entregar apenas reflexões rasas.

Erros de redação ou gramática

“Para se ter um bom semanário, é preciso saber escrever bem”, comentou uma coordenadora em nossa enquete. Um bom texto é essencial para que a informação fique clara a terceiros – lembre-se de que quem está lendo suas anotações não estava presente em sala, mas, mesmo assim, deve ser capaz de visualizar a cena.

Melhore a escrita através de exemplos: leia os registros de outros professores, mas também reserve algum tempo para leituras diversas, como livros e revistas – isso aumenta seu vocabulário e torna as descrições mais ricas. Atente-se à pontuação: na dúvida, opte por frases mais curtas, simples e objetivas, ao invés de arriscar-se com vírgulas demais, criando sentenças longas e confusas.

Você ainda pode baixar de graça o ebook Como evitar o pânico da página em branco para reunir mais dicas de como começar a escrever.

Entregar com atraso

A maioria dos entrevistados afirmou não se importar com o dia específico em que o semanário é entregue (normalmente, as escolas optam por segunda ou sexta-feira), desde que ele seja apresentado constantemente, uma vez por semana. Por isso, converse com sua coordenação e combine uma data para fazer essas devolutivas – e siga o acordo dali por diante.

Os semanários servem para que a escola esteja ciente do desenvolvimento das crianças e possa orientar melhor o trabalho do professor, para que ele atinja seus objetivos em sala de aula. Correções, discussões e intervenções por parte do coordenador devem ser feitas para beneficiar tanto o ensino quanto o relacionamento com a classe – portanto, eles não devem se tornar apenas mais um documento jogado na gaveta!

Caso esse retorno não seja um hábito em seu local de trabalho, você pode, sim, procurar a equipe pedagógica para tirar suas dúvidas, ou mesmo propor reuniões como um momento de reflexão entre professores.

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Você rotula as crianças em sala?

Lembre-se de que crianças diferentes aprendem de formas diferentes. Quando um aluno não está acompanhando o ritmo da turma, pense em outras formas de ensinar antes de taxá-lo de "fracassado" (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Registros
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Você rotula as crianças em sala?

Você rotula as crianças em sua sala de aula? Basta pensar um pouco sobre seu comportamento para com os alunos para descobrir – tente se lembrar: com que frequência a classe escuta que “a Gabi é comportada”, “o Matheus nunca faz tarefa” ou “a Juju é bagunceira”?

Esse tipo de sentença cria um estigma em torno da criança e pode desestimular seu desenvolvimento escolar e pessoal. Isso porque, especialmente na primeira infância, os pequenos ainda estão em processo de construção de caráter e personalidade. Ou seja, eles não sabem quem são e, por isso, irão facilmente se agarrar a qualquer definição oferecida. Afinal, é mais seguro repetir um comportamento, ainda que desagradável, do que viver com insegurança.

Portanto, ao ouvir de uma figura relevante – pais ou professores –que é inteligente ou irresponsável, a criança passa inconscientemente a repetir esses padrões. Isso impede que ela explore diferentes posturas e atitudes e, por consequência, construa uma imagem positiva e independente de si.

Esse tipo de comportamento costuma ser involuntário, com o professor sequer ciente da mensagem que está transmitindo para a turma. Mas é hora de prestar atenção. Confira uma lista de ações que devem ser evitadas em sala de aula.

Crianças reproduzem os comportamentos atribuídos a elas. Se você disser que "Maria é bagunceira", as chances de que ela continue se comportando mal aumentam (foto: Google)

Crianças reproduzem os comportamentos atribuídos a elas. Se você disser que “Maria é bagunceira”, as chances de que ela continue se comportando mal aumentam (foto: Google)

Apelidos

Para você, pode ser apenas uma forma engraçadinha de tratar a criança, mas apelidos baseados em comportamentos ou características físicas são uma maneira de diagnosticá-la perante o resto da classe. As crianças já inventam nomes umas para as outras espontaneamente – se isso for facilitado pelo professor, o peso aumenta ainda mais.

Se o apelido em questão vem de casa (“ele é desligado como o pai”, “ela não aprende nada”), aproveite o espaço da escola para desconstruí-lo. Não assuma que o veredicto da família está correto antes de fazer um esforço genuíno para conhecer a criança. Atente-se às causas desse rótulo para, então, combatê-lo, transformando a aula em uma oportunidade para que a criança descubra novas formas de expressão.

Tratamento diferenciado

Esperar sempre o melhor de um aluno e o pior de outro é garantia de fracasso para ambos os lados. Aquele que é visto constantemente como um sucesso tende a parar de se desafiar e testar novas atividades, com medo de falhar e perder sua imagem positiva. Enquanto isso, os que são tratados com descaso ou irritação antes mesmo de abrirem a boca, com base em conflitos anteriores, perdem a autoestima e confiança em suas habilidades.

Pelo contrário, o professor deve se esforçar por manter uma mente limpa a cada novo dia de aula, sem carregar ofensas e frustrações das lições anteriores – sim, é difícil! Procure valorizar o desenvolvimento individual, no ritmo de cada criança, sempre salientando suas conquistas. Busque elogios pertinentes, tendo em mente que há formas distintas de aprender e se relacionar, e encare as dificuldades de aprendizado como uma dessas particularidades – seu aluno não consegue aprender da forma como está sendo ensinado, porém isso não significa que seja incapaz de aprender através de outros métodos. Cabe aos adultos em torno dele ter dedicação para descobrir quais são eles.

Usar “ser” ao invés de “estar”

Relatórios e avaliações estão recheados desses julgamentos. Muitos professores recorrem a estereótipos para preencher lacunas em seus registros. Com turmas grandes e heterogêneas, nem sempre é possível fazer um acompanhamento próximo de cada criança, necessário para diagnosticar a origem de suas atitudes – daí o grande número de conclusões precipitadas nesses documentos.

Alegar que o aluno “é problemático” é diferente de explicar que ele “teve dificuldade na aprendizagem de matemática no último bimestre”. Substitua o verbo ser (determinante), pelo estar (pontual e mutável).

É usual que comportamentos agressivos, agitados, introspectivos sejam gerados pelo ambiente externo. Eles são formas de comunicação as quais às crianças recorrem quando não são capazes de lidar com a situação, e não um traço definitivo de sua personalidade.

Lembre-se de que crianças diferentes aprendem de formas diferentes. Quando um aluno não está acompanhando o ritmo da turma, pense em outras formas de ensinar antes de taxá-lo de "fracassado" (foto: Google)

Lembre-se de que crianças diferentes aprendem de formas diferentes. Quando um aluno não está acompanhando o ritmo da turma, pense em outras formas de ensinar antes de taxá-lo de “fracassado” (foto: Google)

Então, TUDO é rotular?

Não. Identificar diferenças entre as crianças é saudável e pode ser um gatilho para trabalhar a inclusão na escola. Apontar diversas maneiras de realizar uma tarefa abre os olhos dos pequenos às suas alternativas. Entretanto, isso deve ser feito com ênfase no positivo, deixando as críticas e repreensões para momentos particulares entre professor e aluno, ao invés de em público, diante dos colegas.

Isso é particularmente desafiador para o educador quando a criança em questão o desafia, questiona sua autoridade e desperta a insegurança com relação ao seu trabalho. Nessas situações, rotular parece uma saída fácil para “colocar o aluno em seu devido lugar”, erguendo o professor automaticamente a uma posição de respeito.

Afinal, rótulos são justamente usados como proteção contra o desconhecido – não somente na escola, mas em toda a sociedade. É mais simples encontrar uma categoria onde encaixar pessoas e ações de acordo com nossos próprios padrões do que conhecê-los a fundo antes de qualquer julgamento. É necessário de afastar dessas predefinições para de fato compreender o que está por trás da diversidade.

Em sala, isso se traduz em oferecer liberdade para o crescimento e para a mudança. Em não presumir que uma criança vá sempre agir de tal forma porque o fez uma vez. E, principalmente, em valorizar pontos fortes e encontrar maneiras de ensinar que desenvolvam ao máximo o potencial de cada um.

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4 sinais de que seu aluno pode ter dislexia

Por ser um distúrbio de linguagem, a dislexia começa a aparecer durante a alfabetização - mas há sinais observados desde o início da Ed. Infantil (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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4 sinais de que seu aluno pode ter dislexia

A criança olha para o quadro, mas não consegue compreender o que o professor escreveu ali. Esse pode ser um sintoma de dislexia?

A dislexia é um distúrbio que causa dificuldade na linguagem – e é comumente identificado nos últimos anos da Educação Infantil e início do Fundamental I, quando a turma começa a ser alfabetizada. Enquanto o resto da classe acompanha o letramento, a criança disléxica luta para organizar letras e palavras, realizar leituras ou escrever dentro das linhas. A longo prazo, essa defasagem acaba prejudicando o processo de aprendizado em todas as áreas de conhecimento.

Por ser um distúrbio de linguagem, a dislexia começa a aparecer durante a alfabetização - mas há sinais observados desde o início da Ed. Infantil (foto: Google)

Por ser um distúrbio de linguagem, a dislexia começa a aparecer durante a alfabetização – mas há sinais que podem ser observados desde o início da Ed. Infantil (foto: Google)

Para diagnosticar o problema a tempo, professores de Educação Infantil precisam estar atentos ao desenvolvimento de seus alunos, mantendo contato frequente com as famílias para se inteirar do comportamento em casa e possíveis dificuldades que estejam se manifestando fora da sala de aula. Esses são os sinais que devem ser observados:

Atraso no desenvolvimento motor

Mesmo antes de a alfabetização começar, fique atento aos sintomas. É usual que crianças disléxicas apresentem atraso no desenvolvimento da coordenação motora, demorando para engatinhar, sentar e andar, nos primeiros anos de vida. Mais adiante, elas podem demonstrar dificuldade em brincadeiras comuns da infância: não conseguem chutar ou apanhar uma bola, não se equilibram em um pé só ou não andam de triciclo e bicicleta.

Quando a classe é introduzida a lápis, canetas e giz, ferramentas que exigem certa motricidade fina (destreza com as pontas dos dedos), o problema se torna mais claro. Alunos com dislexia podem não conseguir traçar desenhos fluidos ou reproduzir imagens e letras. Na pré-escola e primeiros anos de Ensino Fundamental, a caligrafia é bastante defeituosa, com escrita irregular.

Confusão entre letras e sílabas

Você enxerga facilmente a diferença entre “h” e “n”? E entre “d” e “b”? Provavelmente, sua resposta foi afirmativa. Se tivesse dislexia, porém, poderia ser bem diferente. Essas crianças apresentam confusão ao se deparar com letras com grafias semelhantes, ou, ainda, que possuam sons parecidos (“d” e “t” ou “c” e “q”, por exemplo).

O mesmo ocorre com sílabas: repare se algum dos alunos inverte sílabas de palavras simples, omite ou adiciona sílabas extras à palavra.

Exercícios de soletração são outra maneira de observar dificuldades de linguagem entre as crianças. Com dislexia, a atividade se torna especialmente desafiadora (e, por vezes, inatingível), e ela tende a embaralhar as letras.

Na primeira infância, o desenvolvimento motor atrasado pode ser sintoma de dislexia: repare em falta de equilíbrio, demora para andar ou engatinhar e dificuldade ao andar de bicicleta (foto: Google)

Na primeira infância, o desenvolvimento motor atrasado pode ser sintoma de dislexia: repare em falta de equilíbrio, demora para andar ou engatinhar e dificuldade ao andar de bicicleta (foto: Google)

Dificuldade de raciocínio e memorização

Nem todo sintoma de dislexia se apresenta por escrito. Indivíduos disléxicos podem não conseguir acompanhar raciocínios longos, como histórias e explicações muito extensas. Que tal usar a roda da história para conferir como está a compreensão da classe? A atividade já é comum na rotina da Educação Infantil – basta que o professor peça, ao fim da leitura do livro, que as crianças contem de que se lembram sobre a narrativa ou digam aos colegas o que aprenderam.

Procure perceber também se algum dos alunos está com problemas para memorizar dias da semana, meses do ano, ver as horas no relógio analógico ou identificar direita e esquerda. Quem sofre com dislexia encontra problemas ao realizar operações matemáticas simples, e frequentemente utiliza os dedos para calcular.

Relutância em ir para a escola

Como consequência dessas deficiências, é natural que a criança disléxica tenha sentimentos conflitantes quanto à escola e desenvolva baixa autoestima. Ela passa a se sentir mal em sala de aula, e pode inventar desculpas para não participar de atividades em grupo ou até mesmo para não comparecer.

Muitas vezes, o comportamento é confundido com distração, preguiça ou desinteresse – como não consegue decifrar os exercícios, o aluno desiste e se isola. Como professor, certifique-se de que, quando isso ocorre, ele de fato entendeu o que se espera dele na atividade, e dê tempo o suficiente para que a complete. Aceite respostas orais ao invés de por escrito, caso ele ainda não seja capaz de redigir, para incentivar a participação. Além disso, não destaque as dificuldades da criança para o resto da turma, sempre dando enfoque aos sucessos e esforços.

Mostre aos pais como ajudar o desenvolvimento da escrita e da leitura em casa, com paciência e engajamento (foto: Google)

Mostre aos pais como ajudar o desenvolvimento da escrita e da leitura em casa, com paciência e engajamento (foto: Google)

O que fazer ?

Um dos sinais acima, isolado, não classifica automaticamente uma criança como disléxica – eles devem apenas servir de base para o encaminhamento a um profissional. Psicólogos ou psicopedagogos devem trabalhar em parceria com a escola e a família para fazer o diagnóstico.

É fundamental que essa descoberta seja feita o mais cedo possível, para que o aluno seja tratado de acordo com suas capacidades, sem sofrer danos à sua confiança e socialização. Evite o preconceito em sala de aula explicando abertamente o que é dislexia – que tal citar pessoas famosas e bem sucedidas que possuíam o distúrbio? – e criando um ambiente em que as diferenças sejam incluídas. Não incentive a pena ou vitimize a criança. Pelo contrário, trabalhe para que ela seja inserida de igual para igual pelos colegas.

Quando o preconceito parte dos pais, que com frequência discordam do tratamento especial oferecido ao filho, convide-os à escola e reforce que as portas estão sempre abertas. Explique que o “tratamento especial” nada mais é do que um caminho para atender às necessidades da criança, e não para injustiçá-la ou diminuí-la. Use exemplos de outros alunos, não disléxicos, mas com suas próprias dificuldades, para ilustrar como cada um deve ser atendido de acordo com suas particularidades para atingir todo seu potencial.

Sugira também atividades de leitura e escrita a serem realizadas em casa – frisando que paciência é essencial. Destaque a diferença entre ler para os filhos e de fato envolvê-los no processo de leitura: indo a livrarias e bibliotecas, escolhendo livros e revistas em conjunto, dando espaço para tentativas e erros da criança, conversando sobre o tema após a história. Se houver abertura por parte da família, ofereça material de leitura para que eles entendam a dislexia e como a doença pode ser superada.

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4 dicas para lidar com crianças difíceis

Crianças agressivas ou defensivas costumam estar encobrindo alguma insegurança (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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4 dicas para lidar com crianças difíceis

Este texto é uma tradução do artigo “Fresh starts for hard-to-like students”, do Edutopia. Clique aqui para conferir o original!

Ainda que alunos difíceis sejam apenas crianças reagindo a emoções que elas próprias não entendem e não conseguem controlar, permanecer calmo e não levar o mau comportamento como uma ofensa pessoal podem ser tarefas árduas para o professor. Meu conselho: é hora de recomeçar do zero.

Crianças agressivas ou defensivas costumam estar encobrindo alguma insegurança (foto: Google)

Crianças agressivas ou defensivas costumam estar encobrindo alguma insegurança (foto: Google)

 

Crianças “duronas” estão, normalmente, encobrindo algum tipo de sofrimento. Elas se defendem dessa dor erguendo paredes de proteção para evitar se sentirem rejeitadas. Entretanto, os esforços dos adultos para penetrar essas paredes costumam ser rejeitados através de linguagem, ações ou gestos ofensivos. Essas crianças são como bebês, incapazes de verbalizar a causa de seu desconforto – e que precisam desesperadamente de paciência, determinação e afeto, de professores ou familiares que se recusem a recuar. Aqui estão algumas formas de se conectar (ou reconectar) com estudantes que se fazem difíceis de gostar.

Expresse gratidão aos seus alunos difíceis

Por semanas seguidas, tente expressar algo de positivo para seus alunos difíceis todos os dias. Por mais desafiador que pareça, garanta que sua primeira interação com eles seja sempre acolhedora. Por exemplo, quando uma criança que chega constantemente atrasada e desinteressada aparecer, evite o impulso de ignorá-la ou repreendê-la. Ao invés disso, faça um comentário feliz por ela ter vindo. Por exemplo: “Eu estava esperando você chegar, que bom que veio! Bem vindo. Nós estamos corrigindo a tarefa de casa”.

Espere até que o resto da turma esteja ausente para então comentar sobre suas preocupações ou estipular consequências pelo mau comportamento. Mas faça-o de modo a demonstrar que se importa com o aluno, perguntando sobre o motivo do atraso, e não com irritação.

Use palavras de encorajamento todos os dias

Palavras de encorajamento mantém as crianças conectadas e motivadas em sala de aula. Abaixo estão dez exemplos. Encontre situações para introduzir ao menos alguns deles diariamente:

  • Isso foi muito bom!
  • Hoje, você se superou ao fazer _____________!
  • Eu fiquei muito impressionada quando você _____________.
  • Foi incrível ver você fazendo _________________.
  • Uau, você se esforçou muito nisso!
  • Você deve se orgulhar disso.
  • Essa tarefa não era fácil, mas você conseguiu.
  • Obrigada por cooperar.
  • Você me deixou muito feliz ao fazer ____________.
  • Parabéns!
Fale com seus alunos difíceis da mesma forma com que conversa com os mais comportados (foto: Google)

Fale com seus alunos difíceis da mesma forma com que conversa com os mais comportados (foto: Google)

 

Aja com seus alunos difíceis como age com seus melhores alunos

Quem é a criança mais comportada e motivada da classe? Quando você pensa nela, quais adjetivos lhe vêm em mente? Quando vocês interagem, quais comentários surgem naturalmente? Quando essa criança comete um erro, qual a sua reação? Por uma semana, tente agir da mesma forma com seus alunos mais difíceis e menos comportados.

Mande anotações positivas aos pais

Prepare um e-mail ou anotação em caderno que registre comportamentos positivos e outras conquistas da criança que você observou recentemente. Mostre o recado a ela antes de enviá-lo.

Mesmo se você não reparou em nenhum comportamento marcante, escreva uma mensagem positiva – como se a atitude que você está esperando já houvesse acontecido. Então, mostre o texto para a criança e pergunte a ela se acha que aquele é um bom momento para mandá-lo aos pais.

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Qual a melhor idade para alfabetizar?

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Qual a melhor idade para alfabetizar?

Reuniões de pais podem ser verdadeiras competições, com as conquistas de cada criança sendo alardeadas a quem quiser ouvir. Se os filhos têm menos de 6 anos de idade, é provável que a habilidade escrita seja das mais exibidas – “fulaninho já escreve o nome”, “fulaninha já sabe recitar o alfabeto”. A alfabetização precoce, entretanto, não é unanimidade entre educadores.

Enquanto o Ministério da Educação estabelece que todos os alunos devem estar alfabetizados até os 8 anos de idade (ou seja, ao final do terceiro ano do Ensino Fundamental), é prática comum entre pré-escolas particulares que a introdução à palavra grafada comece a partir dos 3 anos. Trata-se de uma tentativa de criar estudantes mais “preparados” em um modelo de educação extremamente competitivo.

Qual seria, então, a idade ideal para começar a alfabetização? Essa não é a pergunta correta. A criança pode, sim, ser apresentada à cultura escrita desde muita nova – mas há maneiras saudáveis e outras, frustrantes, de fazê-lo. O essencial é respeitar o ritmo de desenvolvimento de cada uma.

A curiosidade pela leitura e escrita deve ser estimulada, sim, mas de forma lúdica e que não atropele o desenvolvimento natural da criança (foto: Google)

A curiosidade pela leitura e escrita deve ser estimulada, sim, mas de forma lúdica e que não atropele o desenvolvimento natural da criança (foto: Google)

Até os 3 anos

Muito antes de se iniciar o processo de escrita em si, é preciso que seja construída uma base para que a criança se sinta segura ao aprendê-la. Isso significa estimular a linguagem de formas lúdicas e familiares, sem exigências.

São atividades importantes nessa etapa:

  • Momentos de leitura com pais ou professores, em que ela vai presenciar não apenas uma história em voz alta, como o carinho para com ela e com o livro;
  • Brincadeiras com rimas, cantigas e músicas, que criam consciência fonológica;
  • Filmes e peças de teatro selecionados de acordo com a idade, exercitando a atenção e a linearidade de pensamento;
  • Conversas – não somente fale para a criança, mas fale com ela. Permita que ela se expresse e responda, da forma que puder.

Lembre-se ainda de falar corretamente, para que ela se acostume ao som correto das palavras. Durante esse período, os pequenos estão passando por um desenvolvimento acelerado da linguagem oral – aos 3 anos, estudos mostram que eles conseguem absorver até 20 novas palavras por dia e assimilar naturalmente complexas regras gramaticais. Não fazem sentido, no entanto, exercícios voltados especificamente para a escrita até que essa etapa tenha sido bem assimilada.

Momentos de leitura com a família e na escola são cruciais para transformar a cultura escrita em algo prazeroso (foto: Google)

Momentos de leitura com a família e na escola são cruciais para transformar a cultura escrita em algo prazeroso (foto: Google)

Entre 4 e 5 anos

Algumas crianças mostram sinais de que estão prontas para iniciar o letramento nessa faixa etária. Isso pode ser feito, desde que elas não se sintam obrigadas a se alfabetizar.

Nessa fase, elas memorizam letras e sílabas, reproduzem seus nomes e os nomes de familiares e amigos, e mesmo escrevem palavras inteiras. Isso não significa, porém, que estejam entendendo as regras por trás do que fazem – mas sim que a memória nessa idade é excelente. Ou seja, ao contrário do que possa parecer, as crianças ainda não estão maduras para iniciar um aprendizado formal da escrita.

Não é recomendado utilizar métodos rígidos, como ler e copiar uma palavra repetidas vezes. Ao sentir que suas produções são insuficientes – afinal, ele ainda não possui as habilidades necessárias para escrever como um adulto, de forma convencional – o aluno se frustra e pode estagnar. Vai, por exemplo, decorar palavras, sem compreender sua formação, ou até mesmo desistir de ler e escrever totalmente, por receio de errar.

A escrita nessa idade deve ser encarada como a fala nos anos anteriores: ninguém espera que um bebê já comece a falar corretamente, nem desvaloriza suas tentativas por não estarem dentro da norma. Da mesma forma, quando o assunto é leitura e escrita, as pré-escolas devem garantir o direito de experimentar das crianças; de tentar, errar e tentar novamente até conseguir. Não desqualifique as letras tortas, espelhadas ou “feias”.

Dos 6 aos 7 anos

A maioria dos especialistas concorda que, em torno dos 6 e 7 anos, os alunos já estão neurologicamente prontos para ler e decodificar as palavras. Já é possível aplicar métodos mais formais de letramento com pouco risco de atropelar o desenvolvimento natural e, por consequência, menores chances de fracasso.

Também é nessa faixa etária que a criança percebe que as palavras são divididas em diferentes fonemas e que eles podem ser reproduzidos através da combinação das mesmas letras e sílabas. Ao invés de memorizar e repetir, a partir de então ela é capaz de construir.

Mesmo assim, o processo completo de alfabetização pode durar até mais dois anos. Considera-se que a criança está alfabetizada quando é capaz de ler e escrever com fluência, além de interpretar a mensagem que lhe foi transmitida.

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Os ciclos de 7 anos

Educadores que seguem a metodologia Waldorf, que cultiva a criatividade e as experiências lúdicas em oposição ao ensino tradicional, defendem que a criança só deve ser apresentada à língua escrita depois dos 7 anos de idade. Antes disso, o aprendizado seria desgastante demais. Para os teóricos dessa linha, o crescimento do indivíduo acontece em ciclos de sete anos (dos 0 aos 7, dos 7 aos 14 e dos 14 aos 21), ou setênios – momentos em que o corpo passa por transformações marcantes. Seria, portanto, função da escola respeitar esses ciclos (leia mais sobre a educação Waldorf aqui).

Enquanto isso, teóricos contrários à ideia acreditam que a meta do governo é flexível demais e que os estudantes deveriam estar alfabetizados até os 6 anos. É o que ocorre em países como Coréia do Sul, Finlândia e Hong Kong, que constam entre os primeiros colocados no teste Pisa pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

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