Relacionamentos tóxicos entre professores: como você pode mudar sua equipe

Parece clichê, mas as atitudes de cada um fazem diferença no relacionamento da equipe. Mesmo ao sentir que alguns não estão cooperando, mantenha uma postura profissional (foto: District Administration)

Carreira/Formação/Rotina pedagógica
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Relacionamentos tóxicos entre professores: como você pode mudar sua equipe

Equipes de educadores com relacionamentos tóxicos surgem por uma variedade de motivos: normalmente, com base na paranoia, medo e frustração que envolvem a educação pública – mas precisamos lutar contra essa negatividade. Afinal, ela apenas prejudica professores e alunos.

Não se sente acolhido?

Eu ensinei e fiz treinamentos em escolas aonde a animosidade entre professores era palpável. Indivíduos que, em outras situações, era ótimos professores se recusavam a ajudar uns aos outros ou a colaborar devido a rumores, ofensas ou julgamentos pessoais. Com egoísmo, esses educadores guardavam para si suas melhores lições e estratégias, convencidos de que seus colegas não mereciam se beneficiar delas.

Não há vencedores quando professores competem. Nós sofremos pela falta de apoio da equipe. Perdemos o respeito de nossos diretores, que têm de lidar com problemas maiores. Decepcionamos pais e membros da comunidade, que esperam (com razão) profissionalismo de quem ensina suas crianças. E, acima de tudo, os alunos são privados de um ambiente de ensino coeso e com alto padrão de comportamento.

Portanto, como fazer com que professores trabalhem juntos quando eles não se sentem queridos? Como colaborar com pessoas de quem jamais seríamos amigas em nossa vida pessoal? É realmente necessário se sentir amado em seu local de trabalho ou é possível cooperar com eficiência sem isso?

Prevenir que equipes tóxicas se desenvolvam requer planejamento cuidadoso já no começo do ano letivo, além de acompanhamento e ações consistentes ao longo do ano. Contudo, se você se encontrar em meio a uma equipe tóxica durante o semestre, há passos que podem ser tomados para alterar esse percurso e manter o profissionalismo do time.

Incentivar os professores a expor suas ideias e tomar responsabilidades na escola estimulam o ambiente de colaboração (foto: The Right Brain Initiative)

Incentivar os professores a expor ideias e tomar responsabilidades na escola estimula o ambiente de colaboração (foto: The Right Brain Initiative)

Prevenção: como evitar relacionamentos tóxicos

#1. Defina regras

Estabeleça uma lista de normas e expectativas para o comportamento da equipe logo no início do ano. Ao começar cada reunião, revise os tópicos com convicção.

#2. Revise e altere

Deixe que as regras sejam revistas e mesmo modificadas de tempos em tempos (um trimestre ou semestre, por exemplo). Isso cria a oportunidade de discussão e permite que cada membro do time se sinta ouvido.

#3. Atribua responsabilidades

Definam papéis para cada profissional, que devem ser mantidos até a próxima revisão. Eles podem incluir: alguém que se encarregue de marcar as reuniões da equipe, outro que cuidará dos materiais extras da escola (mantendo uma lista de itens e anotando qual professor os utilizará em cada horário), um que deva manter a comunicação entre a administração da escola e a equipe pedagógica, ou ainda um responsável por trazer lanches.

#4. Divida suas ideias

Cada membro do time (ou mesmo duplas e trios, caso o grupo seja muito extenso) deve se comprometer a trazer suas próprias sugestões de pauta no começo de cada reunião. Eles também serão responsáveis por apresentá-las.

#5. Crie laços

Comece as reuniões falando de algo positivo – anote em sua agenda se for necessário. Compartilhe os melhores momentos de sua semana, aquela situação engraçada com uma das criança, uma lição que teve ótimos resultados, etc.. Lembre-se de celebrar os sucessos individuais e do grupo a cada encontro. Ensinar é desafiador e, muitas vezes, o foco cai facilmente nos aspectos negativos; porém, esforce-se para exibir o lado bom.

Parece clichê, mas as atitudes de cada um fazem diferença no relacionamento da equipe. Mesmo ao sentir que alguns não estão cooperando, mantenha uma postura profissional (foto: District Administration)

Parece clichê, mas as atitudes de cada um fazem diferença no relacionamento da equipe. Mesmo ao sentir que alguns não estão cooperando, mantenha uma postura profissional (foto: District Administration)

Intervenção: como mudar o relacionamento tóxico de uma equipe

#1. Não se isente de responsabilidade

Ao mudar a si mesmo, você vai mudar o seu time. Caso perceba que está rodeado por uma equipe tóxica (ainda que você não seja o chefe ou encarregado dela) é possível tomar atitudes pessoais para melhorá-la.

#2. Evite fofocas

Fofocar faz com que você pareça pouco profissional, além de intensificar o ciclo de negatividade – tampouco resolve qualquer problema.

#3. Busque ajuda

Procure seu chefe, departamento, administração ou coordenação e peça orientação – eles podem ser capazes de mediar conflitos, sugerir alternativas, transformar seu modelo de trabalho e ajudar sua equipe a voltar para o caminho correto.

#4. Considere alternativas

Caso seu time realmente não consiga cooperar cara a cara, devido a problemas pessoais ou de personalidade, considere pedir autorização para organizar reuniões virtuais. Elas podem ser feitas por e-mail, sites como o Google Docs ou aplicativos como o Asana. Assim, os professores podem escrever suas respostas de acordo com o tópico e compartilhar documentos de aula. Apesar de não ser o ideal, essa saída garante que a comunicação e colaboração sejam mantidas até certo ponto.

#5. Seja o exemplo

Contribua profissionalmente de forma que o faça se sentir orgulhoso do próprio trabalho. Mantenha sua dignidade e, mesmo sentindo que outros não estão fazendo a parte deles, não aja impulsivamente. Seja um bom exemplo para seus alunos, outros professores e coordenadores. Claro, é mais fácil falar do que fazer – mas pode salvar sua equipe sua reputação.

Melhore o ambiente escolar

Por fim, importante ressaltar o essencial: há uma vasta pesquisa indicando que, quando professores se preocupam mais com suas práticas pedagógicas, estratégias de ensino, análise de dados e reflexão, seus alunos aprendem mais, a atmosfera da escola melhora e a satisfação dos empregados cresce.

Quando professores colaboram uns com os outros, todos vencem.

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Esse texto é tradução do artigo “When teachers compete, no one wins”, do Edutopia. Confira o original aqui.

Síndrome de Irlen? Nunca ouvi falar!

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Síndrome de Irlen? Nunca ouvi falar!

Você conhece a Síndrome de Irlen?

Se sua resposta for sim, saiba que é um profissional muito ligado aos novos conhecimentos; mas, se sua resposta for não, fique tranquilo: você pertence ao grupo da maioria!

A maioria das pessoas desconhece o que é a Síndrome de Irlen (S.I.). Isso porque, no Brasil, a S.I é conhecida há apenas 5 anos; portanto, temos muito a desvendar. A Síndrome de Irlen (S.I.), também conhecida como dislexia de leitura, é um problema que passa despercebido aos olhos de muitos profissionais, já que possui características muito semelhantes à dislexia.

É uma alteração do processamento visual, de ordem hereditária e genética, causada pelo desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz. Isso produz alterações visuo-perceptuais, causando dificuldades principalmente com a leitura. Segundo dados do Hospital de olhos de Minas Gerais, de 2015, a prevalência da S.I. é maior do que a dislexia, sendo 4 para cada 10 crianças.

Exemplos de: uma visão distorcida, uma visão com letras embaralhas, e de letras que parecem saltar do papel (foto: Irlen Central England)

Exemplos de: uma visão distorcida, uma visão com letras embaralhadas, e de letras que parecem saltar do papel (foto: Irlen Central England)

Fique atento aos sintomas mais comuns:

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  • Cefaleia (dor de cabeça),
  • Coceira nos olhos,
  • Os olhos lacrimejam,
  • Enjoo,
  • Intolerância à luz/ desconforto causado pela luz solar,
  • Dificuldade visuo-espacial,
  • Dificuldades de aprendizagem,
  • Problemas significativos com a leitura: leitura fragmentada, omissão ou troca de letra, as letras parecem pular ou ficam distorcidas, costumam perder ou pular linhas na leitura de um texto,
  • Muita dificuldade em manter o foco e a concentração num texto lido,
  • Insegurança com esportes de bola e também ao descer e subir uma escada rolante,
  • Sonolência e distração.

A observação em sala de aula é fundamental para o apoio do diagnóstico precoce. Se o seu aluno possui alguma destas características, suspeite e o encaminhe para uma avaliação psicopedagógica (leia mais sobre quando encaminhar a criança a um especialista aqui).

Os profissionais da escola devem saber que crianças com S.I. enxergam bem e não percebem que possuem estas alterações ou distorções na visão – o que significa que, ao serem encaminhadas ao oftalmologista, a avaliação poderá ser “normal”. A S.I. é detectada através de um exame de processamento visual realizado por um profissional da saúde ou de educação devidamente capacitado. Os profissionais que recebem este treinamento são chamados de Screening.

O momento ideal para se identificar a síndrome é por volta dos 6 ou 7 anos de idade, por ser a fase inicial de aquisição da leitura e escrita. E aí, fica o questionamento: quantos alunos são confundidos ou ligados a adjetivos negativos (preguiçoso, desmotivado, entre outros) como consequência de um diagnóstico falho?

Exemplos de Overlays – sobreposições coloridas. Em alguns casos, também são usadas overlays em formato de régua (foto: Upgrade Ape)

Exemplos de Overlays – sobreposições coloridas. Em alguns casos, também são usadas overlays em formato de régua (foto: Upgrade Ape)

Observe os principais sinais da S.I. que podem ser detectados em sala de aula:

  • Por conta da fotofobia (sensibilidade à luz), a criança costuma demonstrar uma percepção de brilho excessivo ao usar as folhas brancas, o que atrapalha o desenvolvimento da leitura escrita,
  • Faz uma leitura fragmentada ou silabada,
  • Na escrita, as letras podem estar grafadas de maneira tremida ou flutuantes, fora das linhas,
  • Costuma pular linhas ou pedaços do texto no momento de uma leitura. É possível perceber este fato quando a criança lê em voz alta ou apresenta problemas com a interpretação de texto,
  • Perda freqüente da atenção em situações de leitura,
  • Estresse visual, ou seja, o aluno pisca muitas vezes, os olhos lacrimejam ou ainda coçam e protegem os olhos.

O tratamento realizado baseia-se no uso de transparências coloridas, também chamadas de “overlays”, para a leitura de textos em papel ou no computador/tablet, que neutralizam o contraste luminoso. Para cada pessoa utiliza-se uma cor diferente após a avaliação do processamento visual.

Existem óculos, por enquanto, produzidos apenas nos Estados Unidos, com a coloração das lentes específica à necessidade do sujeito. Infelizmente, eles continuam sendo inviáveis para boa parte das famílias, não só pelo custo, mas também porque o grau da criança ainda é instável.

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Como adaptar as atividades em sala de aula? Confira algumas dicas:

  • Primeiro passo: aproxime-se sempre do seu aluno. Muitas vezes eles nos dão pistas sobre o que fazer.
  • Vale ressaltar que a S.I. não tem nenhuma relação com a inteligência. As dificuldades explicitadas são extintas com o uso das transparências ou lentes específicas.
  • Motive o seu aluno o máximo que puder, pois, quando ele se sente acolhido e seguro, consegue driblar melhor algumas dificuldades. É muito comum que estas crianças tenham uma inteligência acima da média, já que precisam o tempo todo de um esforço muito maior que os demais para resolver situações-problema.
  • Cuidado com o contraste da folha e do texto (claro e escuro – preto no branco). Use o texto de cor escura em um fundo claro (não branco). Se você já souber qual é a cor de conforto da criança, utilize-a sempre, seja através da mudança de cor da folha, seja com o apoio das overlays.
  • Se a criança ainda não tem a overlay, as pastas plásticas coloridas, conhecidas como pasta em L no Brasil, também podem ser utilizadas na adaptação das atividades de leitura. Para a escrita, utilize as folhas de sulfite coloridas ou outro tipo de papel, também com alguma cor. Dê preferência a papéis mais espessos e foscos, para evitar que o outro lado fique transparente… nada de brilho!
  • Use e abuse das figuras para explicar novos conteúdos ou reforçar conteúdos antigos.
  • Evite palavras sublinhadas ou em itálico. O negrito é bem-vindo.
  • Aproveite as atividades que envolvam o pensamento e o raciocínio lógico, pois, em grande parte das vezes, crianças com S.I. possuem habilidades nesta área.
  • Utilize jogos como o quebra-cabeça e peças tridimensionais.
  • Explore a criatividade da criança.
  • É necessário, sempre, descobrir como o aluno aprende melhor (tendo ele S.I. ou não). Perceba como ele prefere aprender, se gosta de explorar, sentir, ouvir ou ver. Isso ajuda muito!
Exemplo do Ssoverlay em funcionamento (foto: Ssoverlay)

Exemplo do Ssoverlay em funcionamento (foto: Ssoverlay)

Utilize programas para o computador ou tablet como: Irlen Colored Overlays – para computadores e notebooks (tem um pequeno custo); Irlen Colored Overlay App – para Smartphone android e tablet (tem um pequeno custo); Color Overlay, ferramenta de sobreposição de cor que pode ser adicionada ao Google Chrome através do painel de administração do Google Apps (este recurso é gratuito e muito bom, utilizado apenas em ambiente web); Ssoverlay – semelhante ao Color Overlay, do Google, porém para ser utilizado no Windows. Bem interessante e gratuito.

Chegou a hora de fazer o portfólio das crianças! Mas como organizar todas as informações? Fazer o portfólio não se trata apenas de reunir todas as atividades e produções do aluno, é um trabalho cuidadoso que deve mostrar a trajetória detalhada da evolução das crianças em sala. Dependendo da escola, ele é analisado bimestral, trimestral ou semestralmente, para a avaliação formativa da criança.

Para ajudar você com essa tarefa criamos um ebook com informações valiosas para a criação, organização e avaliação.

Veja o exemplo e perceba como é fácil inserir as anotações individuais na Eduqa.me:

 

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Leia mais:

Fundação Olhos

Irlen Conference Brazil (em português)

Irlen Institute (em inglês)

 

 

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Infográfico: 7 dicas para organizar seus registros sem perder tempo

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Materiais para Download/Registros/Rotina pedagógica
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Infográfico: 7 dicas para organizar seus registros sem perder tempo

TESTE 15

Professores de Educação Infantil acumulam muito papel: atividades, fotos, anotações sobre comportamento, bilhetes para a família, diário de classe. Cada rabisco tem sua função e precisa ser retomado ao fim do semestre para que um levantamento geral do aprendizado das crianças seja feito com uma base sólida. Depois de alguns meses, porém, é fácil se perder no meio de tanto material – e, aí, pequenos detalhes acabam sendo esquecidos ou jogados fora.

Para dar conta das obrigações, a maioria dos educadores recorre aos fins de semana e precisa levar tarefas para casa. Que tal valorizar mais seu tempo livre? Com algumas regras simples de organização e a ajuda de sites incríveis e fáceis de usar, o professor pode transformar sua rotina, deixando-a mais rápida e mantendo (ou mesmo aumentando) a qualidade de seu trabalho!

Baixe o infográfico gratuitamente e confira:

  • Dicas de organização de pastas e documentos,
  • Como montar um calendário em constante mudança (como suas aulas!),
  • Sites e aplicativos para facilitar sua vida.

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5 ideias para falar de cultura na Educação Infantil

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

Atividades/Identidade e autonomia/Linguagem/Música e artes
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5 ideias para falar de cultura na Educação Infantil

Conhecer outras culturas e costumes não é exclusividade do Dia do Índio e outras datas assinaladas no calendário acadêmico. Crianças são naturalmente curiosas – e, como um bônus, possuem uma capacidade de memorização impressionante, resultado de um desenvolvimento cerebral acelerado nessa faixa etária. Projetos que lhes introduzam novas lendas, músicas ou mesmo comidas prometem ser não só educativos, como também fascinantes.

Mas por que desperdiçar tempo e energia ensinando o que parece ser geografia a turmas de Educação Infantil? Elas não são muito novas para esse conteúdo? Não, se as aulas forem adaptadas com o intuito de formar, ao invés de avaliar.

A ênfase está em apresentar o diferente e levantar discussões. No Brasil, uma lei federal garante que as culturas indígenas e afro-brasileiras sejam ensinadas – porém, curiosidades vindas do outro lado do globo também são bem vindas.

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Contato com tradições tem lá suas vantagens: primeiro, o desenvolvimento de identidade e pertencimento. Uma criança que conhece sua cultura cria um senso mais aguçado de sua própria história – o que outras pessoas fizeram antes dela influencia o que ela faz hoje.

Há uma série de hábitos que herdamos de diferentes ancestrais: índios, portugueses e africanos ara dizer o mínimo, mas a lista se expande dependendo da região do país.

Quais partes da rotina dela se atribuem a cada um desses grupos?

Além disso, elas tendem a se tornar pessoas mais tolerantes e livres de preconceito – aqui, eu faço desse jeito, mas lá é diferente. Isso vale para tudo, desde vestimentas até comportamento ou religião. A lição é valiosa inclusive no combate à homofobia ou racismo, uma vez que a turma aprende desde cedo que não deve rejeitar imediatamente o que não lhe é familiar.

E finalmente, o próprio aprendizado será útil nos anos escolares seguintes. Não que se deva nutrir expectativas de ver alunos de 5 anos recitando países e suas respectivas capitais. Entretanto, eles são perfeitamente capazes de identificar alguns locais no mapa ou de lembrar das cores de suas bandeiras preferidas. Acima de tudo, o caminho é aberto para que eles possam seguir seus interesses – e, com certeza, eles terão dezenas de perguntas ao fim de um desses projetos.

Sugestão de leitura: Na Terra do Nunca-Jamais traz 60 contos de várias partes do mundo (foto: Martins Editora)

Sugestão de leitura: Na Terra do Nunca-Jamais traz 60 contos de várias partes do mundo (foto: Martins Editora)

Lendas

Livros de histórias fantásticas são garantia de envolvimento. Escolha contos de diversas partes do mundo, se possível com a mesma temática, para exibir como cada indivíduo pode ver a mesma situação através de uma perspectiva única. Como cada cultura explica a chuva ou as trovoadas?

Os mitos também revelam bastante sobre a realidade de quem os inventou. As crianças podem observar quais animais aparecem na narrativa (por que temos bichos estranhos em uma história japonesa, e não iguais aos que vemos no Brasil?), quais problemas os personagens enfrentam, como a família e os amigos se relacionam – são todas pistas sobre a sociedade da qual fazem parte.

Essa é a deixa para que a classe dê opiniões e sugestões para resolver os desafios apresentados, divida explicações e debata sobre o que ouviram. Crianças menores não relutam ao se deparar com soluções surreais, embora, a partir dos 5 anos, seja comum que elas reclamem ao se sentirem “enganadas” com desfechos impossíveis. Use isso como oportunidade para conversar sobre como as crenças eram usadas para explicar o que as pessoas ainda não entendiam, mas que permanecem como parte da história de um povo (mesmo que, agora, já saibamos que o trovão não vem da martelada de um deus furioso).

Para trazer o tema para a sala de aula, o livro Na Terra do Nunca-Jamais é uma boa pedida. O livro traz 60 contos folclóricos de várias partes do globo, com ilustrações belíssimas para acompanhar.

Festivais

Não se prenda a hábitos antigos: festivais famosos, que ocorrem até hoje, são ótimos para despertar o interesse das crianças. Vídeos (que você pode procurar e baixar inclusive no YouTube) trazem essas celebrações para ainda mais perto delas.

Será que sua turma de Educação Infantil já imaginou uma festa de ano novo no meio do ano, como acontece na China e grande parte da Ásia? E comemorações em que amigos se encontram para jogar tinta colorida uns nos outros, como o Holi, comum na Índia? Que tal ver todos na rua em uma enorme guerra de tomates, de acordo com a Tomatina, festival espanhol? São inúmeras possibilidades que abrirão espaço para que as crianças contem sobre as festas das quais participam, o que celebram e porque.

Dependendo do tamanho da bagunça do festival escolhido, a classe pode até mesmo se preparar para encenar alguma das comemorações na escola – com direito a roupas típicas e todos os aparatos que puderem improvisar.

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

Música e dança

Quando dei aula fora do Brasil, o que os alunos (e os professores) mais me pediam era que os ensinasse a sambar. Eles podiam não ter certeza de qual a capital do país ou qual idioma nós falávamos por aqui, porém todos lembravam-se do samba quase imediatamente.

A música é um traço forte da cultura de qualquer país, e capaz de comunicar sentimentos até para quem não compreende uma palavra da letra. As crianças entenderão se tratar de uma história feliz ou triste, de celebração ou perda, apenas pela melodia, o ritmo ou a coreografia. Permita que elas copiem os passos e tentem cantar junto – e, de preferência, encontre traduções caso opte por canções em outras línguas, para contar a elas do que diz respeito.

Selecione receitas simples e que possam ser feitas majoritariamente pelas crianças (foto: Criança na Cozinha)

Selecione receitas simples e que possam ser feitas majoritariamente pelas crianças (foto: Criança na Cozinha)

Culinária

Não se conhece o brigadeiro nem a paçoca fora do Brasil. De onde vieram esses alimentos? Quais comidas frequentes em nosso prato são, na verdade, de outros países? E quais petiscos curiosos são servidos em outros lugares, mas as crianças brasileiras desconhecem?

Apenas uma das questões acima já é suficiente para desencadear um projeto culinário inesquecível. Há diversos pratos estrangeiros fáceis de serem preparados sem necessidade de muitos eletrodomésticos: o pão sírio, a pizza, o bolinho de arroz japonês, fritada ou salada de frutas. Opções de regiões brasileiras (do chimarrão à tapioca, passando pelo pão de queijo e o pinhão) também são válidas!

Descobrir brincadeiras e, então, manufaturar os brinquedos, dá às crianças a chance de entrar em contato com sua cultura (foto: Instituto Eurofarma)

Descobrir brincadeiras e, então, manufaturar os brinquedos, dá às crianças a chance de entrar em contato com sua cultura (foto: Instituto Eurofarma)

Brincadeiras

Crianças do mundo inteiro brincam. Que tal resgatar algumas dessas brincadeiras e trazê-las para a sala de aula? A revista Nova Escola lançou este ano uma série chamada Brincadeiras Regionais, em que você pode se inspirar para começar um projeto lúdico entre as crianças. Retomar brincadeiras antigas, conhecidas por seus pais e avós, é outra maneira de fortalecer a cultura e identidade, além de propor um diálogo valioso dentro de casa.

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Como preparar a criança para escrever?

Fonte: Barbeshop

Atividades/Linguagem/Desenvolvimento Infantil/Registros
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Como preparar a criança para escrever?

Antes de ser alfabetizada, a criança precisa desenvolver algumas habilidades que lhe possibilitarão conquistar a coordenação motora fina, que proporcionará a preensão adequada do lápis, o equilíbrio que sustentará a postura correta para se manter sentada e um bom desempenho da coordenação viso motora e da manutenção da atenção e da concentração, entre outros.

Parece complexo, no entanto, ela conquista isso tudo sozinha, se lhe permitirem o brincar livre. São as experiências sensoriais e motoras registradas que permitirão o bom desempenho cognitivo e facilitarão o processo de aprendizagem.

Sabemos, porém, que tais experiências estão cada vez mais escassas no repertório de atividades de nossas crianças.

A alfabetização está ocorrendo cada vez mais cedo, forçando a maturação de estruturas que ainda não estavam preparadas. Mesmo as brincadeiras têm sido substituídas por programas infantis e desenhos animados. Por mais educativos que aparentem ser, pouco oferecem de útil, pois, para o nosso sistema nervoso realizar um registro de experiência, necessita uma vivência real (subir, correr, explorar um objeto com as mãos e sentir sua forma, sua textura, sentir diferentes temperaturas, criar funções para um brinquedo, entender conceitos brincando – por exemplo, “embaixo”, ao passar sob algo, “em cima”, ao escalar uma árvore) e não a oferta virtual e bidimensional da TV e do computador.

Antes de aprender a segurar o lápis corretamente, a criança precisa de prática com materiais diversos que estimulem a motricidade (foto: The Book Worm Club)

Antes de aprender a segurar o lápis corretamente, a criança precisa de prática com materiais diversos que estimulem a motricidade (foto: The Book Worm Club)

Essas experiências do brincar sadio auxiliarão, inclusive, nos ganhos da orientação espacial e da lateralidade (dominância lateral), fundamentais para a escrita.

Dificuldades com essas habilidades e com as demais citadas poderão causar disfunções como: inversões de letras e espelhamento, escrita fora da linha, lateralidade indefinida, força exagerada na escrita e no desenho, entre outros.

Desenvolvendo a motricidade

Para quem não sabe, o desenvolvimento ocorre do proximal para o distal (céfalo-caudal) e sempre parte de uma motricidade grossa para uma habilidade mais fina. Então, antes de fazer a preensão do lápis, que exige coordenação motora fina, a criança precisa trabalhar as articulações anteriores (mais proximais) por meio de atividades que estimulem a coordenação motora grossa. Trabalhar o membro superior por completo (ombro, cotovelo, punho), antes de chegar às falanges dos dedos, em movimentos mais refinados como a pinça e a preensão.

Brincadeiras que desenvolvem essas articulações são: arremessar bolas, brinquedos que simulem o martelar, que dêem noção de profundidade, manuseio de objetos com as as duas mãos, ou massa de modelar e argila que trabalham a força, tonicidade muscular.

Visto isso, deveríamos oferecer às crianças, materiais que atendam essas expectativas e contribuam para o desenvolvimento dessas habilidades.

Giz de cera de abelha, muito utilizado em escolas Waldorf, é ótimo para a fase da preensão de transição (foto: Brincando por Aí)

Giz de cera de abelha, muito utilizado em escolas Waldorf, é ótimo para a fase da preensão de transição (foto: Brincando por Aí)

Antes da preensão madura (tripé dinâmica, com o uso de 3 dedos e com o cotovelo apoiado na mesa), ocorrem a preensão primitiva (preensão palmar, ou seja segurando o lápis com a palma da mão e com a movimentação de todo o braço para realizar o traçado) e a preensão de transição (com 4 dedos e traçado realizado por movimentação de punho e dedos). Para essas fases, o melhor seria oferecer aos pequenos apenas giz de cera – e dos mais grossos para facilitar a pega.

Sinais de alerta

A criança mostrará quando estiver madura para passar para o lápis, mas mesmo assim, opte por um lápis mais grosso, para uma transição tranqüila. Como saber se ela está pulando etapas na escrita? Tem uma dica bacana e fácil de observar.

Se a criança estiver fazendo algo sem o preparo adequado, ela apresentará o que chamamos de reação associada, ou seja, enquanto estiver escrevendo, a outra mãozinha, provavelmente se fechará e irá para trás – aumento anormal de tônus em uma parte do corpo, como resultado de esforço de outra parte. Também poderá apresentar sincinesias faciais como fazer caretas, morder a língua ou os lábios enquanto manuseia o lápis.

Para saber mais sobre isso ou encaminhar para a avaliação e tratamento, o mais indicado é buscar a ajuda de um profissional especializado como o terapeuta ocupacional.

Como adaptar o material

Aproveitando o tema e as férias, seguem abaixo algumas dicas para os pequenos que ainda estão desfrutando das fases mais primitivas do traçado.

Verificaram em casa e perceberam que só têm gizes de cera dos mais finos? Então que tal adaptá-los às mãozinhas das crianças?

Derreta pedaços de giz de cera menores, finos, para transformá-los em blocos mais apropriados à faixa etária da criança (foto: Brincando por Aí)

Derreta pedaços de giz de cera menores, finos, para transformá-los em blocos mais apropriados à faixa etária da criança (foto: Brincando por Aí)

Deixei-os no forno até derreter, mas não muito para não perder o efeito colorido dos que misturei diversas cores. Esperei esfriar e desenformei. Para acelerar o processo, a forma pode ser colocada alguns minutos no congelador.

Caso queiram fazer com forma de gelo, siga os mesmos passos, mas derreta no microondas, sempre tomando cuidado com o tempo. Para desenformar, o processo é o mesmo. Fácil né?!

(Foto: Brincando por Aí)

(Foto: Brincando por Aí)

Agora hora de testar o novo material!

Então seguem mais algumas dicas.

Usem sempre uma folha bem grande, pois, no começo, as crianças precisam de muito espaço, uma vez que, devido à pouca coordenação, utilizam o braço todo para desenhar, lembram? Não ofereçam desenhos prontos para serem pintados. A criança ainda não consegue respeitar os limites dos contornos e não será assim que irá treinar. Permitam a criação livre e o desenvolvimento da criatividade!

Não utilize o método de desenhos dirigidos e “releituras” de pinturas famosas com as crianças pequenas. Acreditem, não ajuda em nada – só atrapalha.

Algumas pessoas podem estar pensando se isso tudo não é balela, afinal, já viram mãozinhas pequenas realizando a preensão de maneira correta. Sim, mas por imitação! Não foi uma conquista própria, portanto, algum buraco de desenvolvimento ficará latente, esperando seu momento de reivindicar atenção. Não compensa!

Na dúvida, o mais simples sempre: folhas grandes, gizes adequados e coloridos e o principal, uma criança feliz exercendo sua criatividade!

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Fonte: Brincando por Aí

O que o professor espera da coordenação?
Carreira/Formação/Materiais para Download/Rotina pedagógica
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O que o professor espera da coordenação?

Ao assumir o posto, o coordenador logo percebe que é complicado lidar com as pessoas, respeitar as diferentes opiniões e sugerir mudanças sem ser mandão.
A Eduqa.me perguntou e os professores responderam: o que eles gostariam que seus coordenadores fizessem?

Confira dicas para melhorar 4 habilidades essenciais:

  • Comunicação: assuntos pessoais e amizades na escola,
  • Presença: o quanto o coordenador deve estar em sala de aula,
  • Reconhecimento: porque elogios fazem a diferença,
  • Inovação: você tem medo de aceitar novas ideias?
Assista ao vídeo e descubra como melhorar a comunicação entre educadores e melhorar o trabalho da escola!

O que o professor espera da coordenação?

Postado por Eduqa.me on Sábado, 18 de julho de 2015

Deixe sua opinião: como é na sua escola? Você concorda com o vídeo?
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Como comparar registros para entender a evolução das crianças
Registros/Relatórios/Rotina pedagógica/Semanários
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Como comparar registros para entender a evolução das crianças

Os registros pedagógicos são uma ferramenta metodológica do professor de Educação Infantil – mas não funcionam por si sós. Eles devem vir acompanhados do planejamento, da observação e reflexão. Juntos, formam um ciclo que dá foco ao trabalho do pedagogo: registrar-refletir-reorientar-registrar. Sem ele, há o risco de se inserir atividades aleatoriamente, sem suprir as necessidades de aprendizado das crianças e sem reciclar sua atuação em sala de aula.

Objetivo

Registrar em grandes quantidades, porém, não é necessariamente a melhor forma de ter um conteúdo rico. É mais importante que se registre com um objetivo. O que eu quero mostrar com esse registro em particular? Para quem estou fazendo esse registro? Aqui estão algumas opções:

  • Para o próprio professor – como você mesmo será o leitor, enfatize suas práticas pedagógicas e ações para com a classe. Isso permite que você analise seu próprio trabalho à distância, sem a emoção do momento.
  • Para a coordenação ou para os pais – escrevendo para terceiros, é relevante divulgar o trabalho sendo realizado na escola, evidenciando momentos marcantes de aprendizado. Contudo, lembre-se de que a linguagem e os instrumentos utilizados (textos, fotos, citações dos alunos, etc.) podem ser distintos para cada um, ainda que o assunto seja o mesmo.
  • Para a criança – algumas escolas permitem que as crianças participem da reflexão sobre seus registros, exibindo produções de vários momentos e ajudando-as a visualizar a própria evolução. Os testemunhos e opiniões delas sobre as evidências também serão inseridos nos registros, além de gerarem uma sensação produtiva de controle sobre seu aprendizado.

Da mesma forma, o professor deve saber de antemão o que pretende registrar naquele dia. Vai observar primordialmente o desenvolvimento em matemática ou geografia? O comportamento ou o trabalho em equipe? A motricidade?

Uma vez que esse objetivo foi traçado, ele pode selecionar suas armas: vai usar papel e caneta para anotar o que lhe chamar a atenção, por exemplo, ou vai filmar a atividade? Cada dinâmica pode ser melhor documentada com uma mídia apropriada – a Eduqa.me separou algumas dicas para usar tecnologia para criar registros mais completos.

Esse material será revisitado de tempos em tempos e vai contribuir para a elaboração de documentos como o portfólios individuais, relatórios de aprendizado e semanários.

Leia mais: Portfólio na Educação Infantil 

Seleção

Trabalhos comemorativos normalmente são feitos pelo professor e têm pouca participação da criança - portanto, não são os mais úteis para registros (foto: CEI Municipal Ipomeia/Google)

Trabalhos comemorativos normalmente são feitos pelo professor e têm pouca participação da criança – portanto, não são os mais úteis para registros (foto: CEI Municipal Ipomeia/Google)

Após o trabalho de campo ser concluído, o desafio do professor para a ser escolher as melhores amostrar que representem a realidade da sala de aula. A armadilha nessa etapa costuma ser deixar os registros mais bonitos de lado e optar por aqueles que transmitem mais informações sobre os alunos.

Estes são alguns materiais que, apesar de fofos, não traduzem realmente o desenvolvimento de habilidades: fotos posadas das crianças, tiradas antes ou depois da atividade/passeio; trabalhos manuais “pré-fabricados” pelo professor (normalmente, para datas especiais, como Dia das Mães).

Para tornar a seleção eficiente, lembre-se de seus objetivos, definidos antes mesmo de registrar. Eles são o fio condutor do trabalho, e devem guiá-lo do início ao fim.

Comparando e evidenciando a evolução

evolucao-registros

Observe algumas possibilidades de registro, abaixo, e maneiras de compará-las para expressar o percurso de cada criança:

  • Fotos – procure usar fotos que reproduzam ações, ao invés daquelas mais esteticamente agradáveis. Ou seja: a fotos tremida de uma criança correndo pode dizer mais sobre ela (que estava agitada, que participou ou não do exercício, como se relacionou com os colegas) do que outra, estática. Tenha fotos com enquadramento fechado (usando o zoom) para mostrar mãos, pés ou rosto, de acordo com a atividade sendo realizada. Isso permite enxergar a destreza dos movimentos e expressões de concentração ou falta de interesse. Ao comparar duas fotos, garanta que elas estejam exibindo momentos semelhantes, em que você é capaz de ressaltar certas habilidades em comum.
  • Citações das crianças – anotar falas que ocorrem espontaneamente durante a aula destaca as necessidades e pontos de vista dos pequenos. Não só isso, aproveite essa forma de registro para observar a articulação da criança, sua capacidade de organizar pensamentos e contar histórias curtas ou longas, responder perguntas sem fugir ao tema, praticar novo vocabulário. Frases engraçadinhas e elogios podem dar leveza ao seu documento, contudo, preste atenção, novamente, ao conteúdo. Rodas de conversa, usuais em pré-escolas, são um ótimo momento para recolher essas amostras: há temas em pauta e a classe discute sobre eles. Experimente retomar assuntos depois de alguns meses e repare nas diferenças de discurso.
  • Educa.me – Na Eduqa.me é possível fazer anotações em textos, vídeos e imagens. A escolha da forma de registro fica a seu critério e com apenas um clique você consegue lincar esse registro com a devida aula.

 

  • Produções – atividades feitas totalmente (ou o máximo possível) pelas crianças são a melhor alternativa. Não mascare os erros, eles são parte essencial do processo de aprendizado. Ao invés disso, coloque lado a lado duas ou mais produções em que esse erro é trabalhado e corrigido. Por exemplo: em uma folha de papel, o aluno escreveu seu nome, mas errou a ordem das letras. Já na produção seguinte, as letras estão em ordem correta, mas, algumas, espelhadas. Ao fim do semestre, ele conseguiu escrever seu nome perfeitamente. O mesmo vale para atividades em outras áreas de conhecimento, é claro.
  • Vídeos e gravações – ideais para observar a dinâmica da sala de aula e prestar atenção nas movimentações que escaparam ao professor durante a lição. Afinal, é impossível vigiar cuidadosamente vinte crianças ao mesmo tempo, certo? Utilize vídeos sempre que possível para mostrar a evolução no relacionamento e comportamento da classe. Gravações, por outro lado, são melhor empregadas individualmente: para registrar o início da leitura, o ritmo em uma aula de música ou uma contação de história.
  • Textos do professor – Não esqueça de suas próprias anotações a respeito daquele período. Insira legendas não só para explicar o que está registrado (as imagens devem ser autoexplicativas), mas para desenvolver suas ideias a respeito. O desenvolvimento foi dentro do esperado? Por quê? Em quais atividades a criança se sobressaiu? Qual foi sua principal dificuldade? O que ela deve praticar a seguir?

Linha do tempo

Organize seu material e linhas do tempo para visualizar ainda melhor o processo de aprendizado. Elas podem ser montadas em cartolinas ou varais de fotos, especialmente para reuniões com pais ou coordenação – ou ainda para as próprias crianças, no encerramento de um período.

Na Eduqa.me, as linhas do tempo são geradas automaticamente para a turma e para cada criança, de acordo com os registros do professor.

A princípio, você pode ver a produção geral, com todas as atividades listadas em ordem cronológica. Ao clicar em uma atividade, todos os detalhes aparecem, inclusive mídias cadastradas, como fotos e vídeos.

Você pode ainda fazer comentários específicos na página de cada aluno, para abordar com mais detalhes seu desenvolvimento. Assim, o relatório final será personalizado, tanto quanto o feito à mão!

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Nova Escola

A documentação pedagógica na Educação Infantil: traçando caminhos, construindo possibilidades (artigo)

Hora da história: as vantagens do faz de conta na Ed. Infantil

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças (foto: Google)

Atividades/Linguagem/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional
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Hora da história: as vantagens do faz de conta na Ed. Infantil

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças (foto: Google)

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças.

A alfabetização começa com as habilidades de ouvir e falar. A língua falada ajuda crianças a comunicar de que precisam e a entender o mundo. Ainda que seja crucial ler livros desde os primeiros anos de vida, contar histórias via oral também pode ser uma ferramenta útil para desenvolver o letramento.

O faz de conta

Algumas das minhas memórias favoritas de infância são das histórias que meu pai contava a meu irmão e eu antes de irmos para a cama. Quando estava nervosa por usar óculos pela primeira vez, ele inventou uma narrativa divertida sobre uma menina cujos óculos mágicos permitiam que visse as respostas da prova do dia seguinte, na escola. Ouvir um faz de conta sobre o tema me ajudou a manter a calma e até mesmo ficar empolgada em vista da mudança.

Você pode usar essa prática em sala de aula para promover a alfabetização e nutrir o desenvolvimento sócio-emocional.

Durante períodos de atividade em grupo, o professor e a classe podem construir juntos uma história própria. Você pode introduzir o exercício dizendo às crianças que precisa da ajuda delas para contar uma história.

Depois de iniciar o conto, vá incorporando as sugestões da turma como detalhes – por exemplo, você pode começar dizendo “Era uma vez um filhote de leão que estava muito alegre e animado. Por que será que ele estava assim, tão alegre?” e, nesse momento, um dos alunos palpita que o bebê estava feliz porque ganharia um irmãozinho. Continue a narrativa, acrescentando algumas frases próprias e outras, das crianças, e sempre fazendo perguntas para expandir a história.

Retome a história criada pela turma em outras aulas, com fantasias e apetrechos para dramatização (foto: Google)

Retome a história criada pela turma em outras aulas, com fantasias e apetrechos para dramatização!

Prolongue a hora da história por tanto tempo quanto as crianças permanecerem interessadas. Provavelmente, o resultado final será bastante engraçado, já que você permitiu que a imaginação delas guiasse o processo. Com isso, a turma não apenas descobrirá que histórias são fonte de prazer como também estará praticando a participação construtiva e colaborativa quando em equipe.

Mais tarde, você pode anotar o conto inventado para tornar a lê-lo em sala. Os alunos devem adorar ouvir novamente a história que ajudaram a criar! Pense até mesmo em incluir fantoches e fantasias que os levem a interpretar a cena como uma peça de teatro.

Além de promover a linguagem e a leitura, essa atividade é uma oportunidade de as crianças expressarem preocupação, medo ou empolgação a respeito de situações ocorrendo em suas vidas – assim como aconteceu com a história do meu pai, que acalmou meu nervosismo quanto aos óculos!

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Esse texto é uma tradução do artigo “Everyone loves a good story”, do Teaching Strategies. Para ler o original, clique aqui.

 

Por que minha atividade não atinge resultados?

A atividade deve ser divertida e respeitar o ritmo da turma. Não adianta apressá-la para cumprir prazos se o tempo necessário para o desenvolvimento não foi acatado (foto: Google)

Atividades/Rotina pedagógica
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Por que minha atividade não atinge resultados?

Você cumpriu o planejamento, encomendou cartolina colorida e fita adesiva, discutiu os detalhes com a coordenação… E, ainda assim, no dia da aula, a atividade não rendeu os resultados esperados. O que aconteceu?

Há uma série de imprevistos que devem ser levados em consideração, especialmente quando se trabalha com grupos de crianças com menos de 6 anos de idade. Acidentes e machucados, por exemplo, sempre serão pontos fora da curva na rotina – e o professor não irá elaborar cada atividade já prevendo uma interrupção brusca, certo? Entretanto, se aquela sensação de “poderia ter dado uma aula melhor, hoje” já se tornou a regra, pode ser o momento de reavaliar suas práticas pedagógicas.

A Eduqa.me reuniu uma série de fatores que devem ser contemplados para aumentar o aproveitamento das atividades em sala de aula.

A atividade deve ser divertida e respeitar o ritmo da turma. Não adianta apressá-la para cumprir prazos se o tempo necessário para o desenvolvimento não foi acatado (foto: Google)

A atividade deve ser divertida e respeitar o ritmo da turma. Não adianta apressá-la para cumprir prazos se o tempo necessário para o desenvolvimento não foi acatado (foto: Google)

Tempo

Quando eu assumi minha primeira turma de Educação Infantil, a dificuldade em estimar a duração de um exercício me pegou de surpresa. Professores com mais experiência já sabem aquilo que descobri na prática – crianças pequenas demoram muito mais do que imaginamos para executar certas tarefas.

Caso a atividade em questão envolva recortar, colar, desenhar ou colorir, além de qualquer outra variação artística, prepare-se! Destine vários minutos extra a partir do momento em que você avisou “vamos guardar os materiais” até o horário em que realmente quer todos sentados e prontos para sair.

As crianças nessa faixa etária estão desenvolvendo sua motricidade fina (a destreza dos movimentos com mãos e dedos, como segurar uma tesoura), o que exige grande concentração. Elas percebem que seus resultados não são exatamente iguais ao que imaginavam, e isso as frustra – a linha reta tremeu, o que devia ser um tigre ficou parecendo um gato. A única forma de melhorar essas habilidades é lhes dando o tempo necessário para praticar e refazer até estarem satisfeitas.

Portanto, não reserve quinze minutinhos para uma atividade e depois apresse a turma para que encerre antes de estar pronta. Isso interrompe o processo de aprendizado. Ao descobrir que não terá o tempo que julga necessário para uma dinâmica, reflita sobre a possibilidade de remarcá-la para um outro momento (quer dicas para um planejamento perfeito? Clique aqui).

Considere o tempo da bagunça - você está lidando com crianças, não com robôs. Material extra e de limpeza são altamente indicados (foto: Google)

Considere o tempo da bagunça – você está lidando com crianças, não com robôs. Material extra e de limpeza são altamente indicados (foto: Google)

Precauções

Sim, nós concordamos que seu planejamento estava ótimo, mas você levou em conta os materiais sobressalentes? Papéis a mais para o caso de folhas rasgadas e rabiscadas se tornarem inutilizáveis, copos de água para lavar os pincéis – e panos para limpar a água derramada dos copos para lavar os pincéis, é claro.

Todos os utensílios menos óbvios correm o risco de serem esquecidos previamente, causando tumulto na hora da aula. Além disso, quanto mais interativo o projeto, mais peças podem acabar perdidas ou quebradas, e o professor deve ser capaz de substituí-las prontamente. Lembre-se até mesmo dos materiais escolares que os alunos supostamente trazem de casa: alguém provavelmente esquecerá o tubo de cola ou a régua; é mais rápido emprestá-los aos pequenos do que sugerir complicados esquemas de rodízio.

Sair da sala de aula em busca do que está faltando não só rompe a concentração da classe e a distrai – exigindo muito tempo para retomar a atividade, quando o professor finalmente retornar – como implica em vários minutos em que as crianças são deixadas com pouca ou nenhuma supervisão.

Cada aula deve trazer um complemento àquilo que as crianças já sabem - novos conteúdos precisam de conhecimentos prévios como base (foto: Google)

Cada aula deve trazer um complemento àquilo que as crianças já sabem – novos conteúdos precisam de conhecimentos prévios como base (foto: Google)

Repertório

O conhecimento é acumulativo – uma criança não vai aprender a correr antes de engatinhar, assim como um adolescente não entenderá de jeito nenhum o que fazer com a fórmula de bhaskara antes de memorizar a tabuada. A regra vale para qualquer área de conhecimento, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Portanto, antes de propor uma atividade, garanta que a classe já está apta a acompanhá-la com base em seus conhecimentos prévios, ou seu repertório. As crianças conseguem segurar o lápis com firmeza, em exercícios como ligue os pontos ou traçando formas geométricas? Então, elas podem começar a escrever letras do alfabeto.

Do contrário, muitas se sentirão incapazes e experimentarão um sentimento de frustração que pode, inclusive, fazê-las desistir da tarefa. Elas conseguem resolver operações de adição usando blocos e outro objetos? Só assim podem passar para um nível abstrato, solucionando cálculos no papel.

É claro que, na realidade, nem todos os alunos de uma turma se desenvolvem na mesma velocidade, criando ambientes desequilibrados. Quando isso se torna problemático (quando os colegas reparam e a diferença começa a afetar a autoestima das crianças), é fundamental conversar com a coordenação para definir um caminho. Algumas escolas optam por trazer atividades mais fáceis para esses alunos, outras, por agrupá-los com crianças que tenham facilidade no tema, de modo que possam compartilhar o aprendizado.

Ainda é possível aplicar uma atividade mais simples com toda a turma e preparar desafios para aqueles que a concluírem com facilidade – dessa maneira, nenhum dos grupos é negligenciado.

Aulas de reforço não costumam ser empregadas na Educação Infantil, em que o essencial é estimular e respeitar o ritmo de evolução, mas notificar os pais permite que eles gastem mais tempo com isso em casa e dispensem a atenção devida para as tarefas mandadas pela escola. Situações graves, em que há suspeita de deficiência de aprendizagem, requerem o encaminhamento a um psicopedagogo (leia mais sobre quando um tratamento especializado é necessário clicando aqui).

Cenas de mau comportamento podem interromper o processo de aprendizagem para toda a turma (foto: Google)

Cenas de mau comportamento podem interromper o processo de aprendizagem para toda a turma (foto: Google)

Comportamento

Quinze crianças agitadas demais equivalem a uma multidão. Acredite, eu sei. Torna-se particularmente difícil concluir um exercício com crianças gritando, saindo de seus lugares, interrompendo explicações e, no geral, não dando a mínima para o que se passa diante da sala de aula.

Problemas de disciplina não serão resolvidos em um único dia, mas você precisa começar em algum momento – e antes tarde do que nunca. Converse com a classe e ressalte a importância das regras para uma boa convivência. Deixe que eles mesmos sugiram normas a serem cumpridas e expliquem porque as escolheram. Uma boa ideia é anotá-las em um cartaz e pendurá-lo em uma parede bem visível, para que possa recorrer a ele quando o mau comportamento se repetir.

Seja consistente. Após concordarem que certas atitudes são inaceitáveis, não deixe passar apenas por estar com preguiça ou desesperançado.

O que é errado em um dia e para uma criança deve ser errado todos os dias, para todas as crianças. Contudo, não guarde rancor: esforce-se para começar cada dia como uma página em branco, sem ressentimentos, e trate a turma com gentileza sem antecipar os conflitos (quer mais? Leia 4 dicas para lidar com crianças difíceis e Lidando com a agressividade na Educação Infantil).

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