Você sabe motivar seus alunos?

Valorize a iniciativa e a participação - nem sempre é fácil para uma criança levantar a mão e se expor diante da classe (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional/Semanários
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Você sabe motivar seus alunos?

“Pedro é inteligente e tem muito potencial, MAS…” – você já começou dessa forma um bilhete para os pais? Eu, já. É frustrante para qualquer professor observar uma criança que, mesmo sem qualquer deficiência de aprendizado, não consegue atingir seus objetivos escolares. Contudo, esse também é o momento de respirar fundo e repensar suas atitudes em sala de aula: suas práticas pedagógicas fazem emergir o que há de melhor nos alunos? Você sabe como motivá-los?

A motivação é parte essencial do aprendizado e deve ser atingida por meio de reforços positivos, mais do que por ameaças e punições. Altos níveis de estresse e ansiedade têm impacto negativo no desenvolvimento infantil, diminuindo o envolvimento com a lição e com a figura do professor.

Disciplinar a turma através de repreensões, sem procurar a origem do descaso do aluno, gera crianças desmotivadas e com baixa autoestima. Com o tempo, é comum que elas deixem de participar de atividades na escola, repetindo um discurso de incompetência: “Não sei fazer isso, não consigo, não adianta tentar”.

Por outro lado, incentivos como pequenos prêmios e elogios, que reconheçam o esforço ou o trabalho bem feito, funcionam como combustível para a aprendizagem. A partir do momento em que a criança se sente capaz de aprender, ela não irá podar a própria curiosidade nem inibir suas tentativas de solução – e, quanto mais tentativas, mais chances de acerto. A memória e a concentração também operam mais livremente em ambientes com menos julgamento.

Acionar as áreas de recompensa do cérebro tornam a crianças mais motivadas e disposta a aprender coisas novas (foto: Google)

Acionar as áreas de recompensa do cérebro tornam a crianças mais motivadas e disposta a aprender coisas novas (foto: Google)

Isso ocorre porque o cérebro possui um sistema dedicado à motivação e à recompensa. Quando uma criança é afetada positivamente (quando, por exemplo, ela consegue chutar a bola para o gol e sua classe comemora), as áreas de prazer recebem uma dose de dopamina, substância que aumenta o bem-estar e mobiliza a atenção. Ou seja, dali em diante, a ação ou objeto que proporcionou essa sensação alegre será reforçada e a criança vai querer repeti-la.

O efeito não ocorre quando a tarefa a ser cumprida é fácil demais – nesse caso, não há desafio. Portanto, pedir à uma classe de 5 anos que conte até dez muito provavelmente não surtirá o mesmo efeito desse mesmo exercício realizado com uma turma de 3 anos. Atividades muito difíceis, que ultrapassam a base de conhecimento prévio das crianças naquele momento, também serão abandonadas, pois o cérebro não encontra o prazer do sistema de recompensas.

Na primeira infância (dos 0 aos 6 anos), esse ciclo de curiosidade-desafio-solução-recompensa deve ser mais breve, pois a concentração ainda está em desenvolvimento. Os alunos não têm a habilidade de focar por longos períodos em uma única tarefa. Esse tempo, porém, pode se estender gradativamente conforme a pessoa cresce; no Ensino Fundamental ou Médio, já é indicado propor projetos de longa duração e que envolvam uma pesquisa mais aprofundada.

Mesmo realizando atividades apropriadas à faixa etária, seus alunos não demonstram interesse? Confira algumas atitudes positivas que podem motivá-los.

Conheça as crianças

Existem duas formas de motivação. A motivação intrínseca, que se baseia em interesses pessoais, e a extrínseca, que é influenciada por fatores externos. Por exemplo, um aluno que se sai bem nas aulas de Literatura porque gosta de ler estuda por uma motivação intrínseca. Por outro lado, aquele que tira notas igualmente boas com o objetivo de passar no vestibular e entrar em uma boa faculdade (ou seja, ele não gosta particularmente do assunto, mas o faz por recompensas materiais ou sociais), está agindo sob uma motivação extrínseca.

Para ativar essas áreas, o professor precisa conhecer efetivamente sua classe. O que eles querem, de que gostam, como são suas vidas fora do ambiente escolar? Isso permite que ele prepare aulas atrativas de acordo com os interesses do grupo.

É essencial que as crianças entendam como aquele conteúdo se relaciona com a realidade delas. De que forma aquele assunto interfere com sua rotina? Levante questionamentos e desperte a curiosidade delas, deixando claro que aquele conhecimento pode fazer a diferença. Se, pelo contrário, elas não perceberem utilidade para os ensinamentos, tendem a se esforçar cada vez menos.

Crie laços

Ter relacionamentos de afeto e preocupação genuína com as crianças ajuda a criar um ambiente acolhedor. Se os alunos se sentirem respeitados e aceitos uns pelos outros e pelos adultos ao seu redor, sua autoconfiança tende a crescer e eles não terão medo de julgamento. Portanto, estarão mais livres para tentar e propor ideias.

Valorize a iniciativa e a participação - nem sempre é fácil para uma criança levantar a mão e se expor diante da classe (foto: Google)

Valorize a iniciativa e a participação – nem sempre é fácil para uma criança levantar a mão e se expor diante da classe (foto: Google)

Elogie e incentive

Não deixe atos de coragem ou criatividade passarem em branco – mesmo que eles não sejam completamente bem sucedidos. Aquele menino que detesta matemática se voluntariou para resolver uma operação no quadro-negro? Uma menina tímida levantou a mão para ler para a sala? Recompense essas atitudes com algumas palavras de encorajamento, parabenizando o esforço.

Leve em consideração como essa exposição foi difícil para o aluno. Se, diante de seus colegas, ele falhar e for repreendido com severidade, é possível que se sinta inibido quando a próxima oportunidade surgir. As crianças também serão guiadas pelo exemplo: ao ver um amigo ser reconhecido publicamente por sua iniciativa, tendem a participar mais, em busca da mesma afirmação.

Ofereça pequenos prêmios

Nem todos concordam com premiações durante o processo de aprendizado – mas elas não precisam se referir, necessariamente, a pirulitos e brinquedinhos. Use experiências positivas como recompensa para um trabalho bem feito. Isso proporciona novos momentos de aprendizagem associados à diversão.

Experimente organizar eventos como sessão de filme, dia da massinha de modelar, visita a uma biblioteca ou aula de culinária na cozinha da escola. Reforce que a classe pode realizar essas atividades porque mostrou bom comportamento e colaboração.

Porém, mantenha sua palavra: não prometa prêmios e recompensas que não sabe se poderá cumprir. Combine previamente com a coordenação da escola o que pode ser arranjado – assim, você não corre o risco de perder a credibilidade entre os alunos.

Durante as aulas, carimbos e figurinhas adesivas, entregues às crianças que fizeram a tarefa de casa ou se envolveram na lição do dia, também funcionam como um estímulo positivo.

Torne suas aulas divertidas

Um professor desanimado e entediado quase com certeza terá alunos desanimados e entediados. Nem toda aula precisa de fogos de artifício, mas é fundamental que o professor esteja descansado e de bom humor.

Mostre às crianças que você está interessado naquele tema e empolgado em estar ali. Quando possível, insira um jogo ou exercício em grupo para aumentar o envolvimento da classe – todos se sentiram mais inclinados a vir para a escola quando as aulas forem divertidas, e não uma obrigação sem sentido.

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