5 ideias para falar de cultura na Educação Infantil

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

Atividades/Identidade e autonomia/Linguagem/Música e artes
0 Comments

5 ideias para falar de cultura na Educação Infantil

Conhecer outras culturas e costumes não é exclusividade do Dia do Índio e outras datas assinaladas no calendário acadêmico. Crianças são naturalmente curiosas – e, como um bônus, possuem uma capacidade de memorização impressionante, resultado de um desenvolvimento cerebral acelerado nessa faixa etária. Projetos que lhes introduzam novas lendas, músicas ou mesmo comidas prometem ser não só educativos, como também fascinantes.

Mas por que desperdiçar tempo e energia ensinando o que parece ser geografia a turmas de Educação Infantil? Elas não são muito novas para esse conteúdo? Não, se as aulas forem adaptadas com o intuito de formar, ao invés de avaliar.

A ênfase está em apresentar o diferente e levantar discussões. No Brasil, uma lei federal garante que as culturas indígenas e afro-brasileiras sejam ensinadas – porém, curiosidades vindas do outro lado do globo também são bem vindas.

Registre atividades na Eduqa.me - horizontal

Contato com tradições tem lá suas vantagens: primeiro, o desenvolvimento de identidade e pertencimento. Uma criança que conhece sua cultura cria um senso mais aguçado de sua própria história – o que outras pessoas fizeram antes dela influencia o que ela faz hoje.

Há uma série de hábitos que herdamos de diferentes ancestrais: índios, portugueses e africanos ara dizer o mínimo, mas a lista se expande dependendo da região do país.

Quais partes da rotina dela se atribuem a cada um desses grupos?

Além disso, elas tendem a se tornar pessoas mais tolerantes e livres de preconceito – aqui, eu faço desse jeito, mas lá é diferente. Isso vale para tudo, desde vestimentas até comportamento ou religião. A lição é valiosa inclusive no combate à homofobia ou racismo, uma vez que a turma aprende desde cedo que não deve rejeitar imediatamente o que não lhe é familiar.

E finalmente, o próprio aprendizado será útil nos anos escolares seguintes. Não que se deva nutrir expectativas de ver alunos de 5 anos recitando países e suas respectivas capitais. Entretanto, eles são perfeitamente capazes de identificar alguns locais no mapa ou de lembrar das cores de suas bandeiras preferidas. Acima de tudo, o caminho é aberto para que eles possam seguir seus interesses – e, com certeza, eles terão dezenas de perguntas ao fim de um desses projetos.

Sugestão de leitura: Na Terra do Nunca-Jamais traz 60 contos de várias partes do mundo (foto: Martins Editora)

Sugestão de leitura: Na Terra do Nunca-Jamais traz 60 contos de várias partes do mundo (foto: Martins Editora)

Lendas

Livros de histórias fantásticas são garantia de envolvimento. Escolha contos de diversas partes do mundo, se possível com a mesma temática, para exibir como cada indivíduo pode ver a mesma situação através de uma perspectiva única. Como cada cultura explica a chuva ou as trovoadas?

Os mitos também revelam bastante sobre a realidade de quem os inventou. As crianças podem observar quais animais aparecem na narrativa (por que temos bichos estranhos em uma história japonesa, e não iguais aos que vemos no Brasil?), quais problemas os personagens enfrentam, como a família e os amigos se relacionam – são todas pistas sobre a sociedade da qual fazem parte.

Essa é a deixa para que a classe dê opiniões e sugestões para resolver os desafios apresentados, divida explicações e debata sobre o que ouviram. Crianças menores não relutam ao se deparar com soluções surreais, embora, a partir dos 5 anos, seja comum que elas reclamem ao se sentirem “enganadas” com desfechos impossíveis. Use isso como oportunidade para conversar sobre como as crenças eram usadas para explicar o que as pessoas ainda não entendiam, mas que permanecem como parte da história de um povo (mesmo que, agora, já saibamos que o trovão não vem da martelada de um deus furioso).

Para trazer o tema para a sala de aula, o livro Na Terra do Nunca-Jamais é uma boa pedida. O livro traz 60 contos folclóricos de várias partes do globo, com ilustrações belíssimas para acompanhar.

Festivais

Não se prenda a hábitos antigos: festivais famosos, que ocorrem até hoje, são ótimos para despertar o interesse das crianças. Vídeos (que você pode procurar e baixar inclusive no YouTube) trazem essas celebrações para ainda mais perto delas.

Será que sua turma de Educação Infantil já imaginou uma festa de ano novo no meio do ano, como acontece na China e grande parte da Ásia? E comemorações em que amigos se encontram para jogar tinta colorida uns nos outros, como o Holi, comum na Índia? Que tal ver todos na rua em uma enorme guerra de tomates, de acordo com a Tomatina, festival espanhol? São inúmeras possibilidades que abrirão espaço para que as crianças contem sobre as festas das quais participam, o que celebram e porque.

Dependendo do tamanho da bagunça do festival escolhido, a classe pode até mesmo se preparar para encenar alguma das comemorações na escola – com direito a roupas típicas e todos os aparatos que puderem improvisar.

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

Música e dança

Quando dei aula fora do Brasil, o que os alunos (e os professores) mais me pediam era que os ensinasse a sambar. Eles podiam não ter certeza de qual a capital do país ou qual idioma nós falávamos por aqui, porém todos lembravam-se do samba quase imediatamente.

A música é um traço forte da cultura de qualquer país, e capaz de comunicar sentimentos até para quem não compreende uma palavra da letra. As crianças entenderão se tratar de uma história feliz ou triste, de celebração ou perda, apenas pela melodia, o ritmo ou a coreografia. Permita que elas copiem os passos e tentem cantar junto – e, de preferência, encontre traduções caso opte por canções em outras línguas, para contar a elas do que diz respeito.

Selecione receitas simples e que possam ser feitas majoritariamente pelas crianças (foto: Criança na Cozinha)

Selecione receitas simples e que possam ser feitas majoritariamente pelas crianças (foto: Criança na Cozinha)

Culinária

Não se conhece o brigadeiro nem a paçoca fora do Brasil. De onde vieram esses alimentos? Quais comidas frequentes em nosso prato são, na verdade, de outros países? E quais petiscos curiosos são servidos em outros lugares, mas as crianças brasileiras desconhecem?

Apenas uma das questões acima já é suficiente para desencadear um projeto culinário inesquecível. Há diversos pratos estrangeiros fáceis de serem preparados sem necessidade de muitos eletrodomésticos: o pão sírio, a pizza, o bolinho de arroz japonês, fritada ou salada de frutas. Opções de regiões brasileiras (do chimarrão à tapioca, passando pelo pão de queijo e o pinhão) também são válidas!

Descobrir brincadeiras e, então, manufaturar os brinquedos, dá às crianças a chance de entrar em contato com sua cultura (foto: Instituto Eurofarma)

Descobrir brincadeiras e, então, manufaturar os brinquedos, dá às crianças a chance de entrar em contato com sua cultura (foto: Instituto Eurofarma)

Brincadeiras

Crianças do mundo inteiro brincam. Que tal resgatar algumas dessas brincadeiras e trazê-las para a sala de aula? A revista Nova Escola lançou este ano uma série chamada Brincadeiras Regionais, em que você pode se inspirar para começar um projeto lúdico entre as crianças. Retomar brincadeiras antigas, conhecidas por seus pais e avós, é outra maneira de fortalecer a cultura e identidade, além de propor um diálogo valioso dentro de casa.

Clique aqui e teste grátis!

CLIQUE AQUI PARA TESTAR AGORA A PLATAFORMA EDUQA.ME