7 áreas que toda sala de Educação Infantil deve ter

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Rotina pedagógica
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7 áreas que toda sala de Educação Infantil deve ter

Há vários elementos que precisam ser considerados ao se planejar o ano escolar. A equipe pedagógica costuma revisar as normas, o currículo, o desenvolvimento de atividades e testes – mas também é preciso pensar sobre o espaço da sala de aula: como organizar carteiras ou mesas, quadros de avisos e guardar materiais. Você pode reunir todos esses objetos, que aparentemente não têm conexão, e dividi-los em sete áreas de aprendizado. Elas são: as áreas de descoberta, de notícias, de materiais, comunitária, do silêncio, do professor e do conhecimento.

Área da descoberta

É ali que devem ficar todos os itens que estimulam a imaginação. Inclui materiais de artes e artesanato, gravadores, câmeras, instrumentos e tudo o que produza música, jogos, quebra-cabeças e livros ou revistas divertidos. Compartilhe também ideias e amostras de diferentes projetos que elas podem realizar, assim as crianças terão um ponto de partida.

Você pode aproveitar essa criatividade dando aos alunos uma ideia central a ser explorada. Proponha que eles desenhem o que veem, façam observações ou bolem perguntas (por escrito ou oralmente). Use essas manifestações como informação para reformular sua estratégia de organização e seus planos de aula.

Junto aos brinquedos e materiais para explorar a criatividade, deixe sugestões de projetos e brincadeiras que as crianças possam usar como ponto de partida (foto:)

Junto aos brinquedos e materiais para explorar a criatividade, deixe sugestões de projetos e brincadeiras que as crianças possam usar como ponto de partida (foto: Gluesticks, Games and Giggles)

Área de notícias 

A área das notícias vai ajudar a coordenar o calendário escolar, datas de avaliações e projetos, eventos escolares, feriados, festivais, clima, temperatura ou mesmo notícias regionais, nacionais ou internacionais interessantes para discussão. Esse espaço também pode ser usado para listar seus objetivos diários de aprendizado, expor trabalhos da classe e anotar tarefas de casa.

Área de materiais

Com certeza, ter uma área de materiais vai deixá-la mais tranquila! Aqui são guardados lápis, canetas, marcadores, apontadores, grampeadores, tesouras, réguas, papel, cola, fita adesiva, clipes de papel, lenços umedecidos, toalhas de papel, álcool gel, uma lixeira e outras ferramentas necessárias à sala de aula.

Para turmas mais velhas, esse também pode ser o local para tabelas com fórmulas e vocabulário, guias de estudo, manuais ou apostilas, pranchetas e cadernos. Além disso, o professor pode combinar com as crianças para que sempre entreguem ali suas atividades e tarefas de casa e guardem seus portfólios e livros de exercícios.

Uma caixa de achados e perdidos é outra adição que vai ajudar a turma a organizar a sala e ainda praticar a gentileza e responsabilidade.

Área comunitária

Um tapete é ideal para definir qual a área para trabalhos e discussões em grupo (foto: New Morning Nursery School)

Um tapete é ideal para definir qual a área para trabalhos e discussões em grupo (foto: New Morning Nursery School)

Uma área comunitária serve a vários propósitos. Ela lembra as crianças que todos estão trabalhando por um objetivo comum. Proporciona tempo para discutir o que foi aprendido, fazer conexões, perguntar e apresentar outras perspectivas e participar de reflexões. Essas discussões são uma oportunidade para o professor avaliar o progresso da turma, esclarecer informações ou mal-entendidos e fazer anotações para planejar as aulas seguintes.

No início do ano, você irá mediar os debates, mas o objetivo é orientar as crianças até que elas consigam iniciar, mediar e encerrar discussões em grupo por conta própria. O que ajuda o processo é ter esse espaço de grupo delimitado e incluir o tempo de conversa na grade de horário.

Para isso, uma ideia é usar um tapete para marcar o espaço comunitário – além de dar aos alunos um lugar confortável para se sentar. Eles também podem ficar em pé ou organizar cadeiras em um círculo.

Área do silêncio

Dividir a sala de aula com mais de vinte crianças nem sempre é fácil. Alguns alunos optam por trabalhar sozinhos, alguns preferem atividades em grupo, enquanto outros simplesmente precisam de um espaço de silêncio em que possam se concentrar e compreender o tema, estudar, ler e escrever, completar uma prova ou apenas refletir.

Uma mesa extra e algumas cadeiras em um canto da sala podem ser usadas para definir a área do silêncio. Se possível, ofereça também alguns fones de ouvido para ajudar a filtrar o barulho dos colegas. Painéis podem ser usados para criar uma “parede”, separando os quietinhos das distrações.

Use painéis, cortinas ou outras divisórias para criar um espaço de silêncio aonde as crianças possam se concentrar (foto: The Learning Express Preschool)

Use painéis, cortinas ou outras divisórias para criar um espaço de silêncio aonde as crianças possam se concentrar (foto: The Learning Express Preschool)

Área do professor

A área do professor é um pequeno oásis fora de casa, porém também ajuda a gerenciar todas as suas responsabilidades profissionais. Aproveite o espaço para recarregar as baterias com fotos de família, amigos, animais de estimação ou viagens de férias. Exponha recadinhos ou pequenas lembranças dadas pelos alunos.

Mesmo que não tenha uma mesa, garanta que haja pelo menos uma prateleira ou gaveta segura para guardar sua bolsa, chaves e outros objetos valiosos ou pessoais.

Essa área também é seu espaço profissional aonde você faz planejamentos, prepara aulas, avalia e dá notas, analisa o desenvolvimento das crianças e preenche relatórios. É onde devem ser guardados os manuais do professor, livros de referência ou tabelas.

Use a área do professor para ter reuniões particulares com seus alunos quando houver necessidade. Outra sugestão é acrescentar suas credenciais, diplomas e certificados profissionais – somando duas cadeiras para adultos, este pode ser o lugar ideal para receber os pais das crianças, colegas de trabalho ou administradores que quiserem dar uma olhada no seu trabalho.

Área do conhecimento

Guarde aqui atividades impressas, jogos, ferramentas tecnológicas e objetos relacionados às matérias que você ensina. É importante mostrar que esses temas estão conectados, porque muitas crianças têm dificuldade em perceber a relação entre as disciplinas aprendidas na escola.

Retire ferramentas e atividades manuais de dentro dos armários e as coloque nessa área. Use as paredes: coloque gráficos e cartazes com ideias de ponto de partida e possíveis projetos, flashcards (cartões plastificados, geralmente com imagens de um lado e definições, do outro), anotações, fotos/falas/desenhos de pessoas famosas em cada assunto, linhas do tempo e outros materiais impressos. Sempre que possível, acrescente objetos reais além de apenas gravuras. Organize novo vocabulário alfabeticamente ou dentro de uma história – o importante é dar sentido a cada um deles mostrando o contexto.

Delimite essa área com estantes e mesas na altura dos alunos, assentos confortáveis e mesmo bichos de pelúcia.

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Não deixe o tamanho da sua sala de aula impedir a organização! Algumas dessas áreas podem ser criadas em apenas uma estante, prateleira, armário ou mesa. Além disso, você não precisa estipular todas as sete áreas – comece por aquelas que serão mais úteis para você e sua turma ou escolha uma como teste e veja o que acontece!

Esse texto é uma tradução do artigo 7 Learning Zones Every Classroom Must Have, do Edutopia. Clique aqui para ler o original.

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Por que a inovação não chega nos professores?

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria no palco e na plateia (foto: Friendship Circle)

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Por que a inovação não chega nos professores?

Há poucos meses, fiz minha mudança para São Paulo. Por vários motivos, entre eles estar mais próxima da Eduqa.me e começar uma pós-graduação com foco em tendências para a educação no novo milênio. Mais do que nunca, consegui ver que o nosso cenário de ensino-tradicional-com-todos-sentadinhos-em-silêncio está se transformando: há bate-papos, palestras, debates, seminários, aulas com especialistas de todo país e do exterior explorando metodologias alternativas, sejam elas sustentáveis, tecnológicas, democráticas, lúdicas, de desenvolvimento integral.

É incrível fazer parte dessa mudança, mas algo nunca falha em chamar minha atenção – onde estão os professores?

A maioria desses eventos reúne entusiastas das mais diversas áreas, em especial do terceiro setor. Jornalistas aos montes, empreendedores, alguns gestores e diretores de escolas, integrantes de organizações sociais – esse pessoal está lá. Professores, contudo, são minoria na plateia. Tomo como exemplo alguns dos encontros de que participei desde agosto, dentre eles o Transformar 2015 e o Fala Sampa na Virada Sustentável.

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria no palco e na plateia (foto: Friendship Circle)

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria, tanto no palco quanto na plateia (foto: Friendship Circle)

Não que a educação não seja responsabilidade de todos. Aliás, fico feliz em ver mais grupos se dedicando ao projeto de um ensino de qualidade, mobilizando comunidades e experimentando novos modelos dentro e fora da escola. Mas questiono o poder de uma mudança que não chega à maioria das salas de aula, àqueles adultos que estão de fato com as crianças diariamente e têm a oportunidade de inspirá-las (ou não) com suas atitudes.

Ter empresários e pesquisadores envolvidos na educação nos dá uma lista de hipóteses, testes e teorias; todas, infelizmente, muito pontuais. Tanto que qualquer proposta um pouquinho fora da caixa logo vira notícia: elas não são o comum, a maioria, o que todas as escolas estão fazendo. Quantas Casas Redondas ou Projetos Gente você conhece no seu bairro, na sua cidade? Com certeza, não o suficiente.

Tive um professor na universidade que costumava dizer que nós não mudamos nada pelo lado de fora. Só se muda de dentro para fora. Você tem que estar dentro do sistema e entendê-lo para saber quando e como a mudança faz sentido. Ele disse isso em outro contexto, discutindo o jornalismo e a grande mídia, embora faça todo o sentido aqui. Os professores estão lá dentro. Eles veem, dia sim outro também, as falhas, as virtudes e os desafios do nosso sistema educacional. Percebem o que a turma aprende e deixa de aprender, quais atividades engajam e são um sucesso, quais são tediosas e se tornam obrigatórias só “para passar de ano”.

Por que, então, não há mais professores aprendendo sobre suas possibilidades?

De alguma forma, duvido que seja falta de interesse. Apesar de alguns maus profissionais, a grande, grande maioria dos professores que conheci eram pessoas apaixonadas por seus trabalhos, dedicadas aos seus alunos e a garantir o melhor aprendizado possível.

Uma pesquisa da Fundação Lemann, destinada a traçar um perfil do professor brasileiro, mostrou que suas principais motivações são presenciar um momento em o aluno realmente aprende algo e o senso de responsabilidade social. Esse não me parece o perfil de alguém desinteressado.

Falta de tempo? Falta de incentivo? Ceticismo quanto às novidades que prometem revolucionar a educação – com ou sem tecnologia?

A opinião do professor - justamente aquele que está em sala de aula diariamente - ainda é pouco ouvida por governo e mídia (foto: Education Career Articles)

A opinião do professor – justamente aquele que está em sala de aula diariamente – ainda é pouco ouvida por governo e mídia (foto: Education Career Articles)

Não se sabe – e esse é outro lado do problema. Quem está efetivamente ouvindo os professores? A mídia não está. Uma pesquisa feita pela ONG Observatório da Educação analisou matérias e reportagens por dez anos e concluiu que quem menos fala sobre educação… É o professor. Jornalistas entrevistam governantes, especialistas, acadêmicos, historiadores, pesquisadores, economistas – mas pouquíssimos conteúdos trazem a opinião do professor sobre os temas em questão.

Isso não é uma forma de apontar dedos e culpar a mídia: eu me formei jornalista e entendo que há uma série de motivos que podem explicar esse cenário, e nem todos responsabilidade do repórter que vai para a rua.

A privacidade das escolas, o desconhecimento sobre leis e a autoestima do professor foram fatores que vieram à tona no estudo acima, que você pode conferir aqui. Ainda assim, não exclui o fato de que não sabemos o que justamente esses adultos responsáveis por educar, orientar, influenciar, cuidar (e etc., etc., etc.) novas gerações pensam sobre o trabalho deles. O trabalho deles.

Qual mudança no modelo educacional não passa pelos professores? Conseguiu pensar em alguma? Porque eu, não. E se há algo que a experiência na Eduqa.me me ensinou é que não se pode criar nada sem antes conhecer bem, conhecer a fundo e intimamente o público a quem se destina. A educação só funciona com professores, quaisquer que sejam os papéis definidos para eles.

Portanto, precisamos começar a investir neles.

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4 atividades para explorar a natureza na Educação Infantil

Fonte: Timberland

Atividades/Natureza e Sociedade/Registros
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4 atividades para explorar a natureza na Educação Infantil

A primavera chegou – e, com ela, dezenas de cartazes de flores e borboletas espalhados por pré-escolas. A criação desses painéis temáticos pode ajudar a desenvolver uma série de habilidades: desde o novo vocabulário, relacionado à natureza, passando pela coordenação motora ao pintar, recortar e colar, até o contato com a arte. Pode, é claro, se forem mesmo as crianças a fazer o trabalho.

Infelizmente, é frequente ver professores realizando quase toda a atividade, seja por questão de tempo ou estética. É claro que um cartaz com passarinhos desenhados por alunos de 3 anos pode não ser tão bonito quanto um feito por adultos – mas o que as crianças estão realmente aprendendo quando tudo o que precisam fazer é passar um pouco de tinta na palma da mão e esperar que o professor mostre exatamente aonde carimbar? Elas não estão exercitando sua criatividade, linguagem, raciocínio ou motricidade.

É sempre mais rico planejar atividades que realmente envolvam as crianças no processo e permitam que elas descubram algo novo. Exibir uma linda pintura na reunião de pais e professores não deve estar no topo da lista de prioridades: é uma consequência e nem sempre será alcançada, porque a tentativa e a falha são parte do aprendizado. É essa honestidade que permite que o professor observe a evolução real de cada um na turma e, a partir daí, saiba como intervir para que as crianças se desenvolvam plenamente.

Portanto, use a chegada da primavera como inspiração para suas aulas, mas opte por atividades “mão na massa”. A Eduqa.me separou quatro ideias criativas e fáceis de fazer para aproveitar o tempo bom na Educação Infantil.

1- Construa um Ninho

 

Peça ajuda às crianças para reunir o material: em casa ou no pátio da escola, elas podem recolher o que usarão para montar seus ninhos (foto: Youth in Arts)

Peça ajuda às crianças para reunir o material: em casa ou no pátio da escola, elas podem recolher o que usarão para montar seus ninhos (foto: Youth in Arts)

Essa atividade pode ser somente uma etapa de um projeto maior: observar e desenhar pássaros, conhecer as partes do corpo e os sons que produzem, entender que existem animais ovíparos, do que se alimentam e de que precisam para sobreviver. É importante que as crianças compreendam que cada ser vivo tem necessidades diferentes.

Lance as perguntas à classe: para que servem os ninhos dos pássaros? Do que vocês acham que eles são feitos? Como os pássaros conseguem esses materiais? Caso encontre um ninho no pátio da escola, você pode levar as crianças até ele para que o observem melhor. Mas nada de arrancá-lo da árvore! Sempre enfatize o respeito e cuidado pela natureza e pelos animais – melhor deixá-los livres em seu próprio ambiente. Outra possibilidade é levar livros ou fotos de diferentes pássaros da região e seus ninhos, para que percebam as características de cada um.

Após essa discussão em grupo, proponha que as crianças reúnam o material que vão usar para construir seus ninhos. Isso pode ser feito em casa, como tarefa, ou explorando o terreno da escola: busquem fios de lã, barbante, serragem, tiras de papel, tecido, pequenos galhos, folhas, musgo, grama, penas, etc.. Só o que precisa ser providenciado com antecedência é cola e pratinhos de plástico, do tipo de festa de aniversário, aonde elas possam construir seus ninhos.

Os bonequinhos de pássaros podem ser substituídos por recortes de revista ou desenhos das crianças (foto: Duva Preschool Crafts)

Os bonequinhos de pássaros podem ser substituídos por recortes de revista ou desenhos das crianças (foto: Duva Preschool Crafts)

Quer tornar a brincadeira mais desafiadora para crianças maiores? Sugira que elas usem apenas dois dedos para construir seu ninho. Afinal, como os pássaros o fazem usando só o bico? Utensílios como pinças ou chopsticks (palitos japoneses) também são divertidos e exigem uma motricidade fina mais refinada.

Por fim, sugira que os ninhos sejam colocados do lado de fora, no chão, nas árvores ou em arbustos – talvez um passarinho venha mesmo visitar!

 

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2- Flores Coloridas

Esse experimento é ideal para discutir o funcionamento das plantas na Educação Infantil. A ideia de que a flor está absorvendo água do solo e que essa água é então distribuída pelas folhas e pétalas pode soar meio abstrata para os pequenos; com algumas gotas de corante, porém, todo o processo fica visível!

Mais uma vez, a atividade pode servir a um projeto maior: identificar as partes das plantas, reconhecer diferentes flores e árvores, descobrir de que elas precisam para viver, quais os benefícios para nossa saúde e o meio ambiente.

O experimento é bastante rápido: em menos de uma hora, as flores estarão coloridas (foto: Growing a Jeweled Rose)

O experimento é bastante rápido: em menos de uma hora, as flores estarão coloridas (foto: Growing a Jeweled Rose)

Para o experimento, você vai precisar de corante, anilina ou tinta aquarela diluída em água. Além disso, peça para cada criança colher uma flor branca (que tal fazer uma pequena horta ou jardim com a sua classe como parte do projeto? Assim, você estimula a sustentabilidade e consciência ambiental). Deixe que elas mesmas pinguem a tinta na água e coloquem suas flores no copo. Com turmas mais velhas, experimente dividir o caule em dois e tentar duas cores ao mesmo tempo!

É recomendado começar essa atividade no início da aula: pode levar cerca de uma hora para as pétalas serem totalmente coloridas, então, as crianças podem verificar suas flores no intervalo ou no final do dia.

3- Descubra a Direção do Vento

Essa biruta adaptada é fácil de fazer e divertidíssima para uma tarde ao ar livre (foto: Doc Momma)

Essa biruta adaptada é fácil de fazer e divertidíssima para uma tarde ao ar livre (foto: Doc Momma)

Bastam tiras de tecido ou papel crepom para produzir uma biruta de vento (também chamado de cone de vento), que mostra a direção para onde o vento está soprando. Essa atividade pode ser inserida em um projeto sobre os estados físicos da matéria (sólido, líquido e gasoso), os elementos da natureza (terra, água, vento) ou mesmo uma aula sobre meios de transporte, já que a biruta era usada na decolagem e aterrissagem de aviões, para indicar as melhores condições de voo.

Deixe que as crianças apanhem um galho ou graveto no pátio da escola, ou usem palitos de picolé como base para as birutas. Além de papel ou tecido, elas podem sugerir outros materiais: barbantes, penas, fitas coloridas, sacolas plásticas. Explore essa criatividade: mesmo no caso de elas escolherem materiais pesados demais, que não se movam com o vento, permita que elas mesmas façam essa descoberta, comparando-os com outros mais leves.

Depois, basta ir para fora e brincar com o vento. Outro modo de descobrir a direção do vento é bastante simples: lamber a ponta do dedo (aumentando a sensibilidade) e erguê-lo para cima, para sentir a brisa.

Materiais diferentes irão voar mais ou menos dependendo do peso. Destaque essa diferença para que as crianças percebam objetos leves e pesados (foto: St. Vincent's Preschool)

Materiais diferentes irão voar mais ou menos dependendo do peso. Destaque essa diferença para que as crianças percebam objetos leves e pesados (foto: St. Vincent’s Preschool)

4- Caça aos Insetos

Apetrechos como a lupa vão tornar a caça aos insetos ainda mais divertida para a Educação Infantil (foto: Sun and Earth)

Apetrechos como a lupa vão tornar a caça aos insetos ainda mais divertida para a Educação Infantil (foto: Sun and Earth)

Para essa atividade, vale a regra de não machucar ou matar os animais – o objetivo é observá-los e conhecê-los melhor. Proponha uma exploração nos terrenos da escola, em que as crianças devem encontrar insetos e aprender sobre eles. Pode ser parte de um projetos sobre seres vivos, ou especificamente sobre insetos, e iniciar uma discussão a respeito de diferentes espécies, partes do corpo, quais animais voam ou rastejam, de que se alimentam, se são ou não perigosos.

Dê a cada criança uma folha de papel ou caderno de desenho e peça que elas levem suas canetinhas ou lápis de cor. Outros apetrechos, como lupas ou redes de pegar borboletas, podem tornar a brincadeira ainda mais interessantes. O objetivo é que cada criança encontre alguns insetos diferentes e faça o registro desenhando suas descobertas. Reserve um bom tempo para a atividade e encoraje-as a prestar atenção em todos os detalhes!

Você pode estabelecer uma meta com a turma quanto ao número de insetos ou deixar o tempo livre para que elas desenhem os que mais interessarem (foto: Coudal)

Você pode estabelecer uma meta com a turma quanto ao número de insetos ou deixar o tempo livre para que elas desenhem os que mais interessarem (foto: Coudal)

Em sala, peça que elas compartilhem seus achados e exponham seus desenhos para a classe, explicando os insetos que viram. Caso elas tenham interesse, proponha uma pesquisa mais aprofundada sobre os preferidos da turma.

Que tal aproveitar para criar atividades sobre natureza?

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Currículo integral: Qual o novo papel do professor de Educação Infantil?

A educação holística não exclui as áreas de conhecimento, mas amplia as experiências (foto: Tom's of Maine)

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Currículo integral: Qual o novo papel do professor de Educação Infantil?

O currículo integral demanda um olhar sobre todos os aspectos do desenvolvimento da criança: não só o aprendizado em determinadas áreas de conhecimento, mas também seu crescimento físico, emocional e social. Para conseguir esse enfoque diferenciado, porém, a escola precisa investir na formação de professores, assim como em na estrutura física – a organização do espaço, os materiais usados e a rotina, por exemplo, podem ajudar ou impedir uma educação integral.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei essa entrevista com a especialista em Educação e Direitos Humanos Janaina Maudonnet para o blog Tempo de Creche, em que ela explica como o professor deve acompanhar essa tendência.

O que é o currículo para a Educação Infantil?

Janaina: Ao tratarmos de currículo na Educação Infantil, estamos falando do modo de organizar as práticas educativas: os espaços, as rotinas, os materiais que disponibilizamos às crianças, as experiências com as linguagens verbais e não verbais que lhes serão proporcionadas e os modos de acolhimento na instituição.

A forma como organizamos essas práticas tem por trás ideias sobre a finalidade da educação, a maneira como os sujeitos aprendem, o que se deseja que eles aprendam, que tipo de homem queremos formar e para qual tipo de sociedade. Trata-se de uma prática complexa, que necessita de permanente reflexão por parte dos adultos que a oferecem.

O que nos dizem as Diretrizes Curriculares Nacionais sobre currículo?

Janaina: As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil apontam a necessidade de considerar os saberes, as curiosidades e as manifestações infantis na organização curricular. Nas bases dessas Diretrizes está uma concepção integral – ou holística – de currículo.

O currículo integral – ou holístico – tem como pressuposto que a aprendizagem se dá ao longo da vida e que o currículo deve apoiar o desenvolvimento e os interesses das crianças. As brincadeiras, as interações e os projetos realizados através da escuta atenta e da consideração das manifestações infantis são os pilares. A criança é um todo: corpo, mente, emoção, criatividade, história e identidade social. As áreas do conhecimento não são excluídas, mas o currículo é aberto e global, trabalha-se a partir de um amplo projeto que abarca múltiplas experiências. Os projetos envolvem três pilares: linguagem, negociação e comunicação e tem como eixo a investigação e a construção de hipóteses.

A educação holística não exclui as áreas de conhecimento, mas amplia as experiências (foto: Tom's of Maine)

A educação holística não exclui as áreas de conhecimento, mas amplia as experiências através de projetos (foto: Tom’s of Maine)

Como o trabalho cooperativo ajuda no desenvolvimento de um currículo integral – ou holístico?

Janaina – O trabalho cooperativo é um forte princípio do currículo holístico. Acredita-se que as crianças aprendem a gostar de trabalhar juntas e partilhar ideias. Por isso, as iniciativas e as produções de significados das crianças são encorajadas.

O trabalho nessa perspectiva exige uma maior complexidade na formação e ação dos professores. Exige o aprendizado de uma escuta atenta das crianças nos diferentes momentos da rotina e uma ampla formação cultural para oferecer experiências que ampliem os conhecimentos infantis. Ampliar nossa formação nas diferentes linguagens expressivas – dança, música, artes visuais, escrita, ciências, matemática, etc. –  ajuda a criar repertório e oferecer propostas mais ricas e plenas de sentido para as crianças, desde que estejam conectadas com os sujeitos concretos com as quais trabalhamos cotidianamente.

Em geral, nos estágios na formação inicial, somos orientadas a observar a didática do professor e as atividades oferecidas, mas pouco refletimos sobre os saberes e manifestações das crianças. Trata-se de uma ampliação de olhar, na qual é preciso observar não só o que é oferecido à criança, mas de que maneira ela se relaciona com essa prática, como recebe as propostas e o que nos revela através de palavras, gestos, empolgação e recusas.

Ouvir as crianças e compreender seus interesses e necessidades é uma das bases para um currículo integral de qualidade (foto: Pittsburgh Mommy)

Ouvir as crianças e compreender seus interesses e necessidades é uma das bases para um currículo integral de qualidade (foto: Pittsburgh Mommy)

No texto: “Aprendendo a ser professora de bebês”, Andressa Celis Souza e Vanilda Weiss descrevem como foram aprendendo a escutar os bebês e transformando suas práticas a partir desse exercício. Uma atividade oferecida às crianças de 8 meses a dois anos foi pintar, com tinta, flores previamente recortadas por elas para enfeitar a instituição por ocasião da primavera. As crianças se interessaram muito mais pela experiência de sentir a tinta, tocar, esparramar, do que pela realização da comanda dada pelas educadoras, o que gerou primeiramente uma sensação de frustração, e em seguida um questionamento sobre as razões da reação das crianças. Essa experiência possibilitou que as educadoras percebessem que outro encaminhamento era necessário.

Em um segundo momento ofereceram novamente a tinta às crianças, mas dessa vez em uma exploração muito mais livre, com um amplo espaço para que pudessem explorar as tintas e materiais de apoio (rolo, pincéis,…). As crianças ficaram por muito tempo nessa atividade, explorando as misturas das cores, sentindo as texturas, observando as reações da tinta no papel, o que revelou às educadoras que as crianças pequenas aprendem a partir da movimentação corporal em espaços amplos e desafiadores.

O que o currículo integral – ou holístico demanda do professor?

Janaina – O trabalho sob a perspectiva de um currículo integral exige que adotemos atitudes de disponibilidade e escuta para o outro, além de um desejo profundo de compreender como as crianças aprendem e se relacionam com o mundo. Nossa formação ainda é muito centrada na atividade e pouco nas crianças, todavia, como afirma Maria Lucia Machado:  (…) o pedagógico não está na atividade em si, mas na postura do educador, uma vez que “não é a atividade em si que ensina, mas a possibilidade de interagir, de trocar experiências e partilhar significados é que possibilita às crianças o acesso a novos conhecimentos”.

Fotografar, filmar a reação das crianças enquanto lhes são oferecidas as propostas educativas e analisar coletivamente – com nossos colegas – essas manifestações, ajuda-nos a sair do senso comum, nos aproximar das teorias estudadas e produzir conhecimento sobre a infância e educação infantil. Essa documentação dos fazeres infantis é um caminho fundamental para qualificarmos nossas práticas e oferecer cada vez melhores experiências para as crianças. Significa assumir que não sabemos tudo e que somos permanentes pesquisadores e experimentadores da nossa prática.

Registre!

Na Eduqa.me você consegue fazer planos da rotina da semana, registro de atividades, perfil das crianças, relatórios e compartilhamento com a família.

Perfis de turma e individual na Eduqa.me - horizontal

Fonte: Tempo de Creche

Autismo: desafios e possibilidades na Educação Infantil

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades - mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Autismo: desafios e possibilidades na Educação Infantil

por Luciana Fernandes 

Cada vez mais, a comunidade científica nos presenteia com novas descobertas sobre o autismo. Sabe-se, porém, que ao se tratar de diversidade humana, e, neste caso, do autismo, os desafios são muitos; desafios instigantes que nos levam para o caminho das possibilidades.

Numa era em que algumas escolas querem “retroceder”, posicionando-se contra a obrigatoriedade de alunos com deficiência nos espaços escolares, é preciso evoluir. E só é possível evoluir quando se está disposto a aprender mais e mais sobre o tema.

Muitas dúvidas cercam esta temática, vamos esclarecer algumas delas para que o professor possa se sentir confiante em sua prática pedagógica. Começaremos por pensar em como o professor pode atuar ou se relacionar com um aluno que tem autismo. Entretanto, o que segue abaixo está longe de uma receita ou de um passo a passo, já que estamos falando de pessoas: o que funciona para uma pode não dar certo para outra.

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades - mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades – mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

Como tratar meu aluno com autismo?

  • O aluno com autismo deve ser tratado da mesma maneira que as outras crianças, sem privilégios e com atenção e respeito às suas necessidades;
  • A criança com autismo precisa de rotina e costuma se incomodar com mudanças inesperadas, por isso, informe-a quando possível sobre as alterações ocorridas. Use uma agenda ou um quadro de avisos;
  • Identifique o que causa desconforto no seu aluno com autismo. Por exemplo, se a criança não gosta de um brinquedo, leve-a para escolher outro;
  • Descubra o que faz a criança perder o controle emocional (bater, morder, gritar). Quando episódios deste tipo acontecerem, não tente impedir: preocupe-se em acalmar o aluno mantendo-o seguro e livre de perigos. Não grite ou repreenda o aluno no meio de uma crise; essas atitudes não vão resultar em nada;
  • Muita informação ou estímulo verbal pode ser ruim. Introduza estímulos visuais;
  • A frustração não deve ser evitada, mas mediada. Por isso, sempre que for oportuno, elogie!
Trabalhar com a comunicação através de imagens é um ponto comum na maioria dos métodos. O livro de figuras, por exemplo, permite que a criança se expresse (foto: Special Led Classroom)

Trabalhar com a comunicação através de imagens é um ponto comum na maioria dos métodos. O livro de figuras, por exemplo, permite que a criança se expresse (foto: Special Led Classroom)

Também há aplicativos criados para facilitar a comunicação entre a criança autista e os adultos ao seu redor (foto: YouTube)

Também há aplicativos criados para facilitar a comunicação entre a criança autista e os adultos ao seu redor (foto: YouTube)

Quais os métodos de ensino mais recomendados?

Outra questão muito recorrente é sobre os métodos e atividades pedagógicas adequados às crianças com autismo. Abaixo estão as metodologias mais utilizadas:

  • ABA (Applied Behavior Analysis – Análise do Comportamento Aplicado): É baseada na teoria comportamentalista. Para diminuir os comportamentos indesejados, é adotado o sistema de recompensas (conhecido como reforço positivo). Contudo, há muitas críticas a este sistema no âmbito educacional. Vale pensar em alternar outras estratégias;
  • TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handcapped – Tratamento e Ensino de Crianças Autistas e outras Dificuldades de Comunicação Relacionadas): Apesar de também ser pautado na teoria comportamentalista no ambiente pedagógico, o TEACCH traz cuidados mais específicos em relação à organização visual e estrutura do local. O ambiente deve ser organizado através de rotinas em murais, sem estímulos que possam distrair a criança (barulho, janela, brinquedos à vista, coisas penduradas nas paredes como cartazes e outros objetos). O método fornece técnicas de organização, repetição e treinamento (auxiliares no processo de alfabetização) e pode ser utilizado em casa ou na escola;
  • PECS (Picture Exchange Communication System): É um sistema de comunicação alternativa para aqueles que não falam, possibilitando uma interação através de figuras. Com as figuras, a criança com autismo pode se comunicar e expressar seus desejos.

Há outros métodos a atuação com o autismo, que, apesar de menos conhecidos, apresentam resultados positivos:

Um dos métodos enfatiza que o professor deve ficar no nível da criança, estreitando o contato entre os dois (foto: Purdue Edu)

Um dos métodos enfatiza que o professor deve ficar no nível da criança, estreitando o contato entre os dois (foto: Purdue Edu)

  • Método Floortime (na tradução literal, “tempo no chão”, ou hora de ficar no chão): O foco é o adulto “ir para o chão”, e, assim, interagir com a criança no seu nível;
  • Método Son-rise: Além de também defender um ambiente com menos distrações, esse modelo prioriza o relacionamento interpessoal para aumentar o contato visual, comunicação e atenção. Trabalhando com motivação ao invés de repetição para garantir o aprendizado, o Son-rise tem sido bastante disseminado na Europa e América entre pais e terapeutas;
  • Método Montessoriano: É indicado por ser uma abordagem que propõe o desenvolvimento do sujeito em sua totalidade, além das questões cognitivas. Pode ser bem aproveitado pela riqueza de materiais para exploração.

É importante ressaltar que não existe um único método mais eficaz: o melhor método é sempre aquele que funciona!

O que considerar na hora da preparação das atividades?

  • Estimular os 5 sentidos, principalmente a visão. A informação visual deve vir antes da informação verbal;
  • Valorizar e ressignificar os movimentos repetitivos: alguns professores optam por juntar-se às crianças nesses rituais, mostrando compreensão e criando um vínculo afetivo mais próximo;
  • Trabalhar com exercícios de repetição de conteúdo;
  • Apostar em materiais concretos ou figuras de referência para a criança como a sua própria foto, a foto dos familiares, amigos, etc.;
  • Proporcionar atividades de organização e pareamento de objetos;
  • Adaptar seu tempo: é importante dosar o tempo das atividades para priorizar a atenção e qualidade da aprendizagem. O tempo de planejamento também é outro – prepare objetivos pedagógicos de curto prazo;
  • Usar fichas ou cartões para memorizar ou ensinar conceitos;

Para compreender essas dicas na prática, faça download das atividades que preparei pra você clicando aqui. São oito sugestões de exercícios perfeitos para uma sala de aula de Educação Infantil.

Acima de tudo, não desista dos seus objetivos! Tudo que você faz por um aluno, por mais que pareça ineficaz, deixará uma marca positiva no desenvolvimento de cada um deles.

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Para saber mais sobre o autismo

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Tudo o que você precisa saber para escrever um ótimo parecer descritivo

O parecer deve contemplar a criança como um todo: não apenas o aprendizado cognitivo, tradicional, mas também seus aspectos sociais e emocionais (foto: Apple Tree Institute)

Registros/Rotina pedagógica
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Tudo o que você precisa saber para escrever um ótimo parecer descritivo

Dos zero aos seis anos de idade, as crianças não são avaliadas por notas, mas sim por uma análise mais completa do seu desenvolvimento cognitivo, socioemocional e físico – algo que poderia, na minha opinião, estender-se por todos os níveis de educação. Na avaliação formativa, essa realizada na Educação Infantil, o objetivo é comparar a criança à ela mesma, perceber os obstáculos e dificuldades que ela enfrenta, assim como reconhecer conquistas e potenciais de crescimento. É a partir dessa análise que o professor pode definir suas próximas aulas sabendo que está fazendo o que é melhor para a evolução de cada criança de sua turma.

A maioria das escolas que conheço ainda utiliza uma lista de objetivos de aprendizagem relacionados a seis grandes áreas de conhecimento: Artes, Música, Linguagem Oral e Escrita, Movimento, Matemática e Natureza e Sociedade. Essas áreas foram estipuladas na década de 90, no Referencial Curricular de Educação Infantil. Se você trabalha com esses tópicos, provavelmente deve responder cada um deles com um “sim”, “não” ou “em andamento”. Na plataforma Eduqa.me a Escola fica livre para criar por matéria, projeto ou qualquer outra nomenclatura.

Veja:

Com as mudanças que vêm sendo discutidas na área da Educação – como, por exemplo, o ensino integral ou a interdisciplinaridade – é de se esperar que a forma de avaliar também se transforme. Afinal, o desenvolvimento infantil não pode ser medido apenas com duas ou três palavras em uma tabela, certo? É preciso espaço para fazer reflexões mais profundas sobre cada criança, sobre sua vida emocional e social (que é tão importante para o sucesso e a saúde futuras quanto o aprendizado cognitivo) e tudo o que interfere na sua vida escolar.

Calma, não é hora de jogar tudo fora e começar um novo processo avaliativo do zero. Provavelmente, sua escola já caminha nessa direção: é para isso que serve o parecer descritivo, que acompanha a maioria das avaliações na Educação Infantil. Na Eduqa.me, é possível acompanhar todas as atividades por área do conhecimento, alunos e atividades feitas na linha do tempo como mostra a tela abaixo:

Para que serve o parecer descritivo?

Ele é uma interpretação da sua avaliação (aqueles objetivos que você respondeu com “sim”, “não” ou “em andamento”), ou, ainda, um diagnóstico em que o professor reconhece as necessidades das crianças e sugere uma estratégia para que elas se desenvolvam plenamente. Lembre-se de que o objetivo é informar os adultos e buscar soluções, nunca rotular a criança como boa ou ruim.

Esse documento acompanha a avaliação, portanto, não é preciso copiá-las palavra por palavra – além de isso tomar tempo dobrado do professor, não será útil nem à coordenação, nem aos pais, nem aos próximos professores que seu aluno tiver.

Também não é necessário enfeitar o texto: mantenha um estilo simples e conciso, fácil de compreender. Quanto mais clara for a mensagem, melhor e mais eficaz o acompanhamento que essa criança vai receber de todas as frentes. Normalmente, o parecer não deve passar de uma ou duas páginas.

O que devo escrever?

 

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O parecer deve contemplar a criança como um todo: não apenas o aprendizado cognitivo, tradicional, mas também seus aspectos sociais e emocionais (foto: Apple Tree Institute)

O parecer deve contemplar a criança como um todo: não apenas o aprendizado cognitivo, tradicional, mas também seus aspectos sociais e emocionais (foto: Apple Tree Institute)

Você quer olhar para o desenvolvimento integral de cada criança – o que pode ser um pouco abstrato demais. É comum que os professores se sintam inseguros com o parecer descritivo, temendo estar deixando algo importante de fora.

Ao invés de começar a escrever sem um objetivo, agrupe seus registros e avaliações dentro destes aspectos:

  • Aspectos cognitivos: ou o aprendizado tradicional. Está relacionado à memória, pensamento crítico, compreensão de informações e aplicação dos conhecimentos em contexto real. Basicamente, o professor vai descrever como os alunos estão se saindo no ambiente de sala de aula, executando as atividades propostas e aprendendo os conteúdos selecionados pelo currículo;
  • Aspectos sociais: descreva como a criança se relaciona com os colegas, com o grupo e com outros adultos. Características como participação, cumprimento das regras, trabalho em equipe, organização e responsabilidade entram nessa categoria;
  • Aspectos emocionais: também é essencial abordar os comportamentos e expressões de emoção. Como ela lida com sucessos e fracassos? Como se sente no ambiente escolar? Como reage a novos desafios? De que forma lida com seus sentimentos (costuma chorar, tem alguma atitude agressiva, isola-se do resto da classe, etc.)?
  • Aspectos físicos: sua turma está em uma fase crítica de crescimento, e isso deve ser acompanhado de perto. Use esse espaço para falar do desenvolvimento da expressão corporal, ritmo e equilíbrio, motricidade ampla e fina, uso e aplicação de força. Aproveite para descrever rapidamente questões de saúde e higiene que pareçam relevantes (uma sugestão sobre alimentação saudável, por exemplo, estaria nessa categoria).

Como me expressar?

Ao invés de usar termos muito amplos, conte experiências específicas para mostrar o que está acontecendo na escola (foto: Top Care)

Ao invés de usar termos muito amplos, conte experiências específicas para mostrar o que está acontecendo na escola (foto: Top Care)

Mantenha um tom firme – você deve ter certeza do que está escrevendo com base em suas observações durante as aulas, seus registros por escrito, fotos ou vídeos, as produções realizadas pelas crianças durante aquele período e, se necessário, discussões com outros professores e coordenadores que já conviveram com aquelas crianças. Esse material deve ser reunido para que o professor tenha uma visão completa e apurada.

Por outro lado, tenha em mente que os pais ou familiares não acompanharam a sala de aula com você em todos os momentos, nem terão todos os seus registros para embasar a avaliação. Você deve descrever os comportamentos e aprendizados com palavras e verbos específicos. Isso não significa encher seu texto de detalhes e escrever várias páginas, mas sim evitar expressões muito amplas que não expliquem exatamente o que você quer dizer: você pode, por exemplo, dizer que uma das crianças “fala demais”. Isso, entretanto, não ajuda muito a compreender a situação. Tente substituir por descrições de momentos em que isso acontece – ela interrompe os colegas? O professor? Conversa sobre o tema da aula ou sobre ideias próprias? Fala de forma agressiva ou bem humorada?

Tome cuidado para não soar fria ou distante. Afinal, você passa horas com aquelas crianças todos os dias, e os pais querem sentir que seus filhos estão em um local seguro, com alguém que se importa com eles. Portanto, evite termos pejorativos, expressões negativas ou julgamentos precipitados.

Enfatize sempre os pontos positivos das crianças. Encontre aquilo em que ela se destaca – seja a comunicação, sejam trabalhos artísticos, seja o relacionamento afetuoso com os colegas, a aptidão para matemática – e dê destaque a essas características.

Sugira soluções e trabalhe em equipe

Após descrever o desenvolvimento atual das crianças, seus pontos fortes e dificuldades, sugira formas de superar os problemas em parceria com a família (foto: DRPF Consults)

Após descrever o desenvolvimento atual das crianças, seus pontos fortes e dificuldades, sugira formas de superar os problemas em parceria com a família (foto: DRPF Consults)

A estrutura do seu parecer deve conter:

  • Experiências em que a criança se destaca;
  • Experiências em que a criança está se desenvolvendo dentro do esperado;
  • Experiências em que a criança está apresentando dificuldades;
  • Possíveis ações para ajudá-la a superar essas dificuldades.

Ou seja, caso você identifique problemas que precisem ser corrigidos, siga seu diagnóstico com possíveis ações. Explique brevemente o que está acontecendo e porque isso é problemático. Diga qual evolução você gostaria de ver e, então, aponte caminhos para atingi-la.

Mostre tanto o que pode ser feito pela escola e pelo professor quanto o que a família pode fazer em casa para auxiliar na mudança. Além disso, coloque-se à disposição dos pais para ajudá-los a superar a situação ou ouvir suas dúvidas e opiniões.

Outros cuidados

O parecer descritivo é um documento da escola. Por isso, tome cuidado com erros de grafia, gramática, pontuação ou formatação. Não entregue textos rasurados.

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3 passos para usar tecnologia com segurança na Educação Infantil

O uso de tecnologia na infância deve promover o aprendizado: busque jogos ou vídeos educativos e use-os em situações em que são realmente necessários (foto: Deseret News)

Relatórios/Rotina pedagógica
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3 passos para usar tecnologia com segurança na Educação Infantil

As crianças estão cada vez mais inseridas no universo tecnológico e têm, desde cedo, facilidade para manusear celulares, tablets e computadores. Nesse contexto, um conceito importante de ser trabalhado é o de cidadania digital, que nas palavras do pesquisador Miki Ribble, é o “uso responsável e apropriado da tecnologia.”

Para Juliano Kimura, fundador do Social Brunch, iniciativa para organizar a vlogosfera e blogosfera brasileira, muitas pessoas ainda não tiveram as orientações básicas para o uso da internet. “Escolas de outros países há anos já possuem uma matéria chamada ‘Netiqueta’, que ensina as crianças o que devem e não devem fazer nas redes sociais. Sem essa orientação, os brasileiros ainda usam apenas o bom senso.” Dessa forma, o que publicar ou não acaba partindo das noções de viabilidade e exposição que cada pessoa tem.

Quando o usuário é uma criança, é muito importante que haja o acompanhamento dos pais e professores desde a Educação Infantil no uso da Internet, para que eles possam distinguir situações seguras e contextos de riscos e para que os recursos tecnológicos sejam mais bem aproveitados. De forma simplificada, os adultos devem mostrar que, assim como há limites na vida real, eles também deve existir nos ambientes virtuais.

A seguir trazemos algumas dicas de como viabilizar o uso responsável da tecnologia e desenvolver a cidadania digital, tanto em casa quanto na escola.

Conteúdos de acesso

O uso de tecnologia na infância deve promover o aprendizado: busque jogos ou vídeos educativos e use-os em situações em que são realmente necessários (foto: Deseret News)

O uso de tecnologia na infância deve promover o aprendizado: busque jogos ou vídeos educativos e use-os em situações em que são realmente necessários (foto: Deseret News)

Dentre os tópicos a serem avaliados, está a decisão sobre os tipos de conteúdo aos quais a criança poderá ter acesso. Nas escolas infantis e em casa, o mais importante é que a tecnologia esteja voltada para o aprendizado, a partir do estímulo a jogos educativos.

A proposta ludopedagógica contribui para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da coordenação motora, além do contato com outros idiomas. É importante que haja diálogo e supervisão dos adultos para que as crianças tenham foco e não acessem na internet páginas inapropriadas para sua idade.

Segurança digital

Além disso, é necessário avaliar quais conteúdos pessoais estão sendo acessados pelas outras pessoas. Muitos pais permitem que os filhos tenham perfis em redes sociais desde cedo, o que pode trazer em problemas, já que, na maioria das vezes, as crianças não têm noção sobre como a exposição pode trazer perigos.

Dessa forma, adultos devem acompanhar o uso da web e orientar os pequenos sobre a pegada digital, para que as informações pessoais e fotos das crianças estejam direcionadas para amigos e familiares e não sejam vistas por estranhos. Ensinar como lidar com a abordagem de estranhos (romper a conversa e contar imediatamente aos pais) evita problemas futuros relacionados à invasão de privacidade da família e à pedofilia.

Tempo de navegação

Computadores e tablets não podem ser sempre a resposta para o "tédio" das crianças. O melhor é definir um limite diário e incentivar outras brincadeiras e atividades (foto: Homeschool Academy

Computadores e tablets não podem ser sempre a resposta para o “tédio” das crianças. O melhor é definir um limite diário e incentivar outras brincadeiras e atividades (foto: Homeschool Academy)

Além do bom uso, pais e professores devem estabelecer limite de tempo em que as crianças poderão usar os aparelhos eletrônicos. Pelo fato de os equipamentos serem interativos e despertarem a curiosidade, as crianças tendem a passar horas conectadas, deixando de lado os espaços de convivência e os deveres de casa. Por isso, é válido que os adultos estimulem a alfabetização digital, ou seja, a capacidade de saber como e quando usar a tecnologia.

A partir dessas três diretrizes, a proposta é desenvolver a cidadania digital com as novas gerações para que elas cresçam sabendo usar a tecnologia de maneira equilibrada e segura.

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Fonte: PlayTable

Infográfico: Veja o cenário atual da educação no Brasil
Materiais para Download/Rotina pedagógica
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Infográfico: Veja o cenário atual da educação no Brasil

Não é preciso acompanhar as notícias com tanta frequência para ter esse senso desanimador de que a educação não vai bem. Temos professores insatisfeitos e alunos que aprendem menos do que o esperado. Mas o que está erguendo esses obstáculos?

Compreender a origem dos problemas da educação no país exige um olhar cuidadoso – e, mesmo assim, não há uma única resposta correta ou uma só solução. Conhecer o cenário nacional é um ponto de partida.

Entretanto, é difícil se manter atualizado: o governo realiza provas anuais e bianuais, em escolas públicas e privadas, em diversos níveis de ensino. Fundações fazem enquetes e entrevistam educadores. Organizações internacionais estabelecem metas. Como encontrar e organizar essas informações?

Nos últimos dias, nós mergulhamos em dados do IBGE, do IBOPE, do Inep, da Fundação Lemann, entre vários outros. Com os dados mais importantes que encontramos, elaboramos esse infográfico que vai ajudar a explicar, em poucos minutos, o que está acontecendo na educação do Brasil.

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Como uma camiseta de super-herói está promovendo a autoestima infantil

Além da comunidade virtual, a marca És Super quer mostrar às crianças que elas são valorizadas pelos adultos (foto: És Super/Sentido de Si)

Carreira/Práticas inovadoras/Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Como uma camiseta de super-herói está promovendo a autoestima infantil

Por que algumas crianças persistem em uma atividade e outras desistem após poucas tentativas? O que leva algumas à experimentar novidades tranquilamente e, outras, a temer mudanças? O desenvolvimento da autoestima infantil tem tudo a ver com essas situações – e, aliás, muitas outras: ter uma autoestima saudável permite que as crianças peçam e ofereçam ajuda quando necessário, deem valor às suas opiniões e vontades e mesmo compreendam a necessidade do esforço para atingir um objetivo.

Com tudo isso, a importância de cultivar a autoestima na infância fica explícita. Por isso, gostamos tanto de conhecer o projeto Sentido de Si, que está promovendo justamente o bem estar e a saúde mental com foco na autoestima, em Portugal. A professora Susana Fernandes, diretora da iniciativa, descobriu a Eduqa.me, começou a usar o site e, na semana passada, conversou conosco sobre como estimular esses valores positivos nas crianças.

És Super

Esse é o nome do programa, dentro do projeto Sentido de Si, que trabalha especificamente com crianças e jovens (há outros, voltados a adultos e idosos). Ele segue dois caminhos: o primeiro é a criação de uma comunidade online, a Comunidade És Super, que conecta pessoas, ONGs e empresas de todo o país que, de alguma forma, dediquem-se à saúde mental infantil.

“Por ser um projeto com pouco tempo de existência, sozinhos, nós ainda não conseguimos atender toda essa população”, explica Susana. “Então, o que fazemos é reunir outras entidades e projetos que já façam esse trabalho em comunidades locais e os levamos para todo o país”.

Essas organizações podem agir diretamente com as crianças ou oferecer capacitações para os adultos que convivem com elas: pais, familiares, professores e diretores. Quem participa da comunidade recebe um cartão És Super, que facilita o acesso a esses serviços, seja através de pesquisa no site, descontos ou eventos especiais.

Outra vertente do projeto é a marca de produtos És Super, que vende roupas com mensagens positivas para as crianças. O objetivo é que elas se tornem uma comunicação espontânea entre adultos e crianças, demonstrando o carinho e a valorização entre eles com a entrega do presente. Susana narra a história de um menino que recebeu uma camiseta com os dizeres “És super corajoso” da professora. Ele havia chamado a atenção dela por estar sofrendo bullying na escola – um colega o empurrava e pregava peças todos os dias.

No dia em que vestiu a camiseta, ele contou à professora que fora empurrado outra vez, mas, quando viu seu reflexo e leu a frase de apoio, lembrou do que a professora tinha dito: que o achava corajoso. E teve mesmo coragem de enfrentar o outro aluno. “Ele virou para o menino e disse ‘você não pode mais fazer isso. Não é gentil'”, conta Susana, “e isso mostra o efeito de um simples objeto, algo que parece tão superficial, de mudar a imagem que alguém tem de si mesmo”.

 

Deixe que a criança ajude os adultos ou os colegas de turma. Isso faz com que ela perceba seu valor e como pode contribuir com o mundo (foto: UCDS Students)

Deixe que a criança ajude os adultos ou os colegas de turma. Isso faz com que ela perceba seu valor e como pode contribuir com o mundo (foto: UCDS Students)

Gostou?

Então não deixe de ler mais sobre autoestima em nosso blog.

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Leia mais:

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Guia Infantil

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Por que a rotina é essencial na Educação Infantil?

Entender o que vai acontecer durante o dia dá segurança às crianças e ajuda a desenvolver sua autonomia (foto: Young World CLC)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Rotina pedagógica
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Por que a rotina é essencial na Educação Infantil?

Em 2014, fiz um estágio em um jardim de infância Montessori – e, durante aqueles meses, pude entender como a rotina é essencial tanto para o aprendizado quanto para o desenvolvimento da autonomia das crianças. Todos os dias, ao chegar na escola, elas guardavam suas mochilas (que eram instruídas a carregar por conta própria, sem auxílio dos pais ou babás) e iam para a “Sala Grande”. Às oito da manhã, uma das professoras chamava a atenção da criançada com uma música; então, após dois ou três minutos de danças e cantorias, era hora de sentar em círculo e começar a primeira atividade daquela manhã.

As crianças montavam o calendário (um enorme cartaz de EVA em formato de trenzinho com espaço para o dia, mês, ano e dia da semana) e conferiam como estava o clima lá fora. Isso enquanto revisavam os meses do ano e os dias da semana através de cantigas. Enfim, era hora de conversar sobre o tópico da semana, que podia ser alimentação saudável, um festival que estivesse acontecendo na cidade ou mesmo algo sugerido pelos alunos, como “aviões”. Nesse momento, eles podiam levantar a mão para falar, contar suas histórias e fazer perguntas, o que gerava uma interação muito rica entre crianças de 2 a 7 anos. Finalmente, todos eram dispensados para ir, junto aos seus professores, realizar as atividades pertinentes a cada classe.

Essa rotina pode não ser a mesma realizada na sua escola – e nem as rotinas escolares na Educação Infantil deveriam ser todas iguais. Se as crianças rezam, cantam, conversam ou escutam uma história deve ser definido por cada equipe pedagógica. O importante é que haja uma rotina, uma ordem a ser seguida.

Entender o que vai acontecer durante o dia dá segurança às crianças e ajuda a desenvolver sua autonomia (foto: Young World CLC)

Entender o que vai acontecer durante o dia dá segurança às crianças e ajuda a desenvolver sua autonomia (foto: Young World CLC)

Por que a rotina é importante?

A rotina proporciona uma sensação de segurança. Mesmo em casa, a criança exposta a uma rotina fica mais tranquila porque sabe o que acontecerá em seguida. Na escola, um ambiente em que ela naturalmente se sente menos protegida, que costuma ser o primeiro local de socialização fora da família, isso é ainda mais urgente.

Quando sua turma entende que, após a hora da história, todos irão cochilar e que, depois do cochilo, chega o momento de usar os lápis de cor, a ansiedade diminui. Ela se sente no controle da situação. Cultive essa noção de segurança repetindo comportamentos e expressões sempre nos mesmos momentos – como sempre começar o dia dizendo “Bom dia, amiguinho, como vai?” ou ir ao banheiro após falar “Hora de lavar as mãos com bastante sabão”, fazendo o gesto de esfregar as mãos uma na outra.

Como consequência, a rotina ajuda no desenvolvimento da autonomia das crianças na Educação Infantil. Afinal, elas passam a conhecer os espaços, trajetos e atividades realizadas, sentindo-se mais confortáveis em agir com independência: guardando brinquedos ou materiais na prateleira, porque eles sempre estão lá, ou buscando a lancheira após entregar o desenho para a professora, já que elas sempre vão para o refeitório após a aula de artes.

Conforme a classe for se familiarizando com essa organização, o professor deve dar mais espaço para a autonomia, deixando, por exemplo, que as próprias crianças organizem uma fila ou escovem os dentes sem ajuda.

Todos os momentos devem ser programados?

De certa forma, sim. Isso não significa, porém, que os professores e funcionários precisem controlar tudo o que as crianças fazem durante o período escolar, mas sim que devem ter locais e atividades planejados para cada momento.

Pense no seguinte: em uma turma de Educação Infantil com 20 crianças, nem todas sentirão sono na mesma hora. Caso uma ou duas se recusem a dormir, o professor não pode ser pego de surpresa – o ideal é ter uma área com livros e gibis, brinquedos ou outros materiais que elas possam utilizar até que o resto da turma acorde. Você não precisa elaborar uma atividade orientada, apenas providenciar a supervisão adequada tanto dos que estão tirando uma soneca quanto dos que estão brincando.

Uma boa programação deve incluir um momento de chegada, com boas vindas às crianças (como a construção do calendário que vimos acima), atividades dirigidas (aquelas que têm maior orientação do professor, com objetivos de aprendizado definidos previamente), atividades livres (mas sempre em um espaço delimitado e com supervisão) e momentos de cuidado pessoal (fazer o lanche, lavar as mãos e escovar os dentes, colocar os sapatos antes de ir para casa, etc.) e encerramento.

É importante que a turma entenda que não precisa chorar para sair do playground, porque vai voltar no dia seguinte, que não precisa ter medo ao ser deixado na escola, porque os pais sempre a buscam ao fim da rotina, e assim por diante.

Repetir os mesmos movimentos ou expressões é uma forma de garantir a rotina na Educação Infantil (foto: Especially for Children)

Repetir os mesmos movimentos ou expressões é uma forma de garantir a rotina na Educação Infantil (foto: Especially for Children)

Será que a minha rotina é adequada? 

A rotina da Educação Infantil será estabelecida pela escola a partir das necessidades das crianças:

  • As necessidades biológicas – o descanso, a alimentação e a higiene, a faixa etária;
  • As necessidades psicológicas – o ritmo e o tempo de aprendizado de cada criança nas diversas tarefas realizadas;
  • As necessidades sociais – a cultura e estilo de vida daquela comunidade ou daquela escola.

Lembre-se de que o foco da organização devem ser as crianças. Não faz sentido, por exemplo, jantar às 15h para liberar a equipe da cozinha, se os pais só buscarão os filhos às 17h ou 18h.

Os tempos entre uma atividade e outra também devem ser observados. O ideal é que haja poucos momentos de transição, em que os pequenos não têm nada para fazer – assim como no caso da soneca, isso se resolve com a criação de espaços lúdicos em que eles possam brincar enquanto não são atendidos. Um rodízio de turmas (para que a fila na porta do refeitório não seja quilométrica ou um pátio pequeno fique lotado além da capacidade) também pode facilitar esse trabalho.

Acima de tudo, reparar no que as crianças já conseguem realizar sozinhas vai ajudar muito na definição da rotina. Em que elas realmente precisam de ajuda? Uma classe de 2 anos exige mais auxílio – e, logo, muito mais tempo – do que uma outra, de 5 anos. É natural que o professor vá assumindo gradualmente o papel de observador e facilitador conforme as crianças crescem e já não requerem tanta intervenção.

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