Explorando sons com água na Educação Infantil

Fonte: Midiorama

Atividades/Música e artes/Registros
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Explorando sons com água na Educação Infantil

A música ajuda a desenvolver habilidades de linguagem e raciocínio. Que tal produzir estímulos musicais com água em um dia de verão? (foto: Little Pandas Preschool)

A música ajuda a desenvolver habilidades de linguagem e raciocínio. Que tal produzir estímulos musicais com água em um dia de verão? (foto: Little Pandas Preschool)

Estímulos musicais na primeira infância são chave para estimular a linguagem, o ritmo, a capacidade de concentração e o raciocínio. Crianças com uma iniciação musical tendem, inclusive, a apresentar um aprendizado maior em outras áreas, como a matemática – afinal, os exercícios ativam partes do cérebro que não são desenvolvidas por outras formas de comunicação, como a oral ou escrita.

Acompanhar os sons com movimentos, pulando e dançando, ou criá-los com variados instrumentos, também são caminhos para se explorar a motricidade, a expressão e a criatividade.

Atividades Musicais

Agora, imagine unir uma atividade de música com brincadeiras na água. A combinação é garantia de interesse por parte das crianças e ideal para dias de calor.

Com uma bacia cheia d’água no pátio, a turma pode explorar os diferentes barulhos produzidos pelos materiais – secos, submersos, contendo diferentes quantidades de água. A meta não é necessariamente fazer uma canção ou apresentação, mas, sim, descobrir as várias formas de se criar sons. Usando somente objetos comuns, ainda é possível identificar:

  • Ritmo;
  • Padrões;
  • Tempos;
  • Afinação;
  • Timbre.

Material

Quase tudo pode ser encaixado na atividade, mas estes são alguns dos materiais que geram sons interessantes:

(foto: Child's Music Play)

(foto: Child’s Play Music)

  • Tigelas de aço inoxidável e de alumínio de diversos tamanhos;
  • Tampas de panelas de diversos tamanhos;
  • Colheres de pau ou plástico, chopsticks (palitos de comida japonesa), e outros instrumentos que sirvam para a percussão;
  • Um pedaço curto de mangueira (para que as crianças possam soprar), canudinhos;
  • Garrafas plásticas ;
  • Canos de PVC de diversos tamanhos;
  • Baldes e pequenos recipientes de plástico (potes e fôrmas usados na praia, por exemplo);
  • Uma garrafa spray.

Não introduza todos os objetos ao mesmo tempo – pelo contrário, deixe que elas explorem um por vez e pelo tempo que quiserem. Com a lista acima, o professor pode organizar mais de uma sessão de música com água, dependendo do interesse das crianças.

Hora de explorar

No vídeo abaixo, o professor australiano Alec Duncan mostra como cada peça pode ser trabalhada. Apesar de as legendas não estarem disponíveis, a gravação é fácil de compreender apenas observando os movimentos.

Contudo, essas são orientações para os professores e as crianças não precisam decorar todos os passos. Aliás, o mais interessante é que os adultos apenas ofereçam os materiais, a princípio, e deem espaço para que elas os explorem da forma como quiserem – ou seja, com o mínimo de orientação possível. As crianças aprendem mais e melhor com a mão na massa, brincando livremente.

Portanto, prepare o ambiente, introduza diferentes objetos e afaste-se, supervisionando a atividade. Faça perguntas como “de que outro jeito nós podemos usar as tampas de panela para fazer barulho?” e “o que será que acontece quando assopramos a água pelo canudo?” para incentivar a curiosidade natural da turma.

Conforme as crianças forem fazendo novas descobertas, narre o que está acontecendo: “vejam, a tigela produz um som mais grave quando colocamos água dentro dela”! Além disso, esteja preparado para responder perguntas sobre o porquê de os barulhos mudarem.

Mas por que os sons mudam na água?

Ao perceberem que o som muda com a água, as crianças podem perguntar os motivos da diferença. Esteja pronto para explicar o que causa esses efeitos sonoros (foto: Nature Explore)

Ao perceberem que o som muda com a água, as crianças podem perguntar os motivos da diferença. Esteja pronto para explicar o que causa esses efeitos sonoros (foto: Nature Explore)

  • Por que o som fica mais grave quando mergulhamos tampas ou tigelas na água? Porque a água é bem mais densa que o ar – e, portanto, mais difícil de mover. Assim, a água é mais resistente às vibrações que criam o som. Quanto mais rápidas as vibrações, mais agudo é o som; quando mais lentas as vibrações, mais grave é o som.
  • Por que consigo sons diferentes soprando pelo gargalo de uma garrafa com diferentes quantidades de água? Novamente, depende da quantidade de ar disponível dentro da garrafa. Aonde há mais ar (e menos água), o som sairá mais grave.
  • Por que minha voz muda quando eu canto através do canudo ou da mangueira dentro da água? Primeiro, porque o som da voz é sobreposto pelas bolhas. Outro motivo é que a água funciona como um filtro que remove as frequências mais altas da voz, tornando o som abafado. Como as bolhas não são uniformes, todas do mesmo tamanho, esse filtro muda o tempo todo – fazendo com que o tom da canção também oscile.
  • Por que eu produzo música quando bato um cano de PVC contra a água? Isso ocorre quando um dos lados do cano é fechado pela água, enviando uma onda de choque pelas paredes do cano. Essa onda faz o ar vibrar, produzindo música.

Sugira experimentos

Após o tempo livre de experimentação, prepare atividades guiadas para potencializar o aprendizado (foto: Little Pandas Preschool)

Após o tempo livre de experimentação, prepare atividades guiadas para potencializar o aprendizado (foto: Little Pandas Preschool)

Nesse momento, o professor vai apresentar às crianças possibilidades que elas não consideraram durante suas brincadeiras ou coordenar os sons que elas já geraram para criar padrões que possam ser repetidos. O essencial é levar em conta o interesse natural da turma e partir daí, em vez de anular a curiosidade para seguir uma atividade planejada.

Para crianças com menos de três anos, alguns materiais, como canos e canudos, podem ser difíceis de manusear; para elas, prefira gastar mais tempo com tigelas e tampas de panela, que exigem apenas a percussão. A partir dos quatro anos, instrumentos de sopro serão aprendidos (mas ainda requerem bastante prática). Essas são algumas atividades que o professor pode propor:

  • Repetir padrões, como “tigela grande, tigela média, tigela pequena”;
  • Introduzir conceitos como “rápido e devagar”, “grave e agudo”, “alto e baixo”;
  • Usar um mesmo instrumento para produzir sons diferentes;
  • Descrever os movimentos e sons para aumentar o vocabulário e convidar as crianças a fazer o mesmo;
  • Fazer perguntas para promover o debate e a reflexão sobre a música e os sons.

 

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Fonte:

Child’s Play Music