Gratidão: uma virtude a ser ensinada

Fonte: a mente é maravilhosa

Relatórios/Práticas inovadoras/Socioemocional
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Gratidão: uma virtude a ser ensinada

Decidi escrever sobre a gratidão depois de receber um pedido por e-mail. Na mensagem a professora Caroline agradecia o post sobre a comunicação não violenta e me perguntava se tínhamos algum material sobre a gratidão.

Fiquei tão feliz e, ao mesmo tempo, tão triste. Feliz pelo elogio e triste porque não tinha nadinha em mente sobre a gratidão. Em seguida googlei, revirei tudo, e, vi que nem o Google e nem eu tínhamos um material bacana sobre o assunto.

Agradeci de coração, me desculpei e parti para a ação: sentei para escrever sobre a gratidão na educação infantil.

Tirando toda a metalinguagem envolvida, que para uma linguista é maravilhoso apreciar, voltei dos meus pensamentos e foquei no tema fazendo o recorte na Escola.

Existem várias maneiras de praticar a gratidão e eu escolhi espalhar a gratidão escrevendo. Espero que outros professores também se contaminem com esse sentimento.

Afinal de contas, gratidão gera gratidão!

O que é gratidão?

gratidão

A gratidão é o que sente uma pessoa ao estimar o reconhecimento por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor. Gratidão e a capacidade de reconhecer que alguém nos deu algo generosamente. É um agradecimento que gera o aumento da felicidade.

Para muitas pessoas expressar a gratidão significa muito e ser grato pelas coisas que acontecem em nossas vidas é reconhecer as coisas positivas e deixar de lado o aborrecimento e saborear o aqui e agora.

Na psicologia, quando desenvolvemos a capacidade de ter gratidão conseguimos estabelecer troca de amor nas relações.E esse estado psicológico nos permite conectar profundamente com os outros e com o mundo ao nosso redor.

Como praticar essa virtude na nossa sala de aula?

Gratidão: uma virtude a ser ensinada

Quando o professor põe em prática o planejamento, ele percebe se domina o conteúdo e, se seus alunos o estão acompanhando, ele percebe se aprendeu a metodologia e a didática adequadas.

Quando o aluno faz perguntas ou observações diferentes do esperado, faz o professor pensar, se o professor consegue entendê-lo e orientar o pensamento do aluno, o professor também aprendeu.

Quando você sabe do que o aluno está falando, é importante desenvolver a escuta  e deixar essa criança se expressar. Enfim, quando o professor ensina, ele também aprender muito com seus alunos.

Mas como fazer isso com a gratidão?

Ora, praticando a gratidão.

Quantas vezes você se sente grato por ser professor?

Quantas vezes você se sente grato ao ter seus alunos todos os dias na sua sala de aula?

Que tipo de experiência você faz  para sentir-se agradecido?

E em que área da sua vida a gratidão mais aparece?  

Em que momento da sua aula você agradece seus alunos?

Você já planejou alguma atividade que desenvolve e ensina essa virtude?

Agora  que você já fez essa varredura mental vamos pensar em  6 dicas de como praticar essa virtude na educação infantil.

6 Dicas para praticar a gratidão na Educação Infantil

gratidão

  1. Atividades colaborativas. Aposte em atividades coletivas e colaborativas. Faça com que as crianças criem um vínculo ainda maior dividindo entre eles os materiais escolares e as atividades de casa, ou mesmo momentos importantes. Por exemplo, faça com que uma criança ajude a outra em alguma atividade mais complexa e trabalhe a auto confiança e senso de responsabilidade e a colaboração.
  2. Evite chamar a chamar a atenção! Ao invés de “Me dá o lápis!”, explique às crianças que elas poderão ter resultados mais positivos se falarem “Amiguinho, posso, por favor, pegar o lápis de cor?”. Ter uma atitude positiva todo o dia é um jeito maravilhoso de deixar de lado o choramingar, a choradeira,o ciúme e a reclamação.
  3. O poder das palavrinhas mágicas “Muito obrigado”. Ensine para as crianças a colocar o “muito obrigado” nas frases mais simples. Como por exemplo, “muito obrigado, amiguinho, por me emprestar sua bola”. Essa atitude pode ser incorporada em momentos específicos, como quando os professores ajudam as crianças a evoluir em uma atividade simples e a todos os atores da escola.
  4. Ensine a dar ao invés de receber. Promova atividades em que as crianças façam trocas de presentes. Como por exemplo o amigo oculto. Isso fará com que aprenda a beleza em dar ao invés de apenas receber.
  5. Explore as experiências. Para que mais atividades com brinquedos? Que tal promover aquela visita na exposição ou uma história contada com fantoches? Experiências como essas criam relacionamentos e não materialismo.
  6.  Outra sugestão seria ensinar as crianças a elaborar cartões de agradecimento. Explorando a imaginação as crianças podem se expressar com um simples desenho ou mensagens de agradecimento.

Explore e crie outras práticas, compartilhe com os colegas e insira suas atividades no Bau de atividades Eduqa.me.

Experimente agora a Eduqa.me e encaixe melhor as atividade dando início ao programa de gratidão na Educação Infantil.

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Expresse gratidão com palavras e atitudes.

Muito obrigada pela leitura e boa aula!

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

Dificuldades de Aprendizagem: Escrita Espelhada
Registros/Rotina pedagógica/Desenvolvimento cognitivo/Formação
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Dificuldades de Aprendizagem: Escrita Espelhada

escrita espelhada

Escrever é um marco na vida das crianças e uma felicidade para os pais. É lindo ver a criança dar significado àqueles traços em forma de letras que até pouco tempo eram algumas garatujas.

A escrita proporciona uma sensação indescritível de alegria, conquista e autonomia. É uma forma diferente de se comunicar e um passaporte para uma maravilhosa viagem para explorar ainda mais o mundo do conhecimento. Através da escrita a criança pode mostrar o que pensa e o que sabe, por isso, todo cuidado é pouco para fazermos desta fase, um momento único, prazeroso e de muita confiança mútua. Se a criança não for bem acolhida, respeitada e motivada nesta etapa, ela pode apresentar insegurança e dificuldades para aprender, pois o medo de expor o que sabe pode constrange-la.

O professor deve conhecer muito bem as fases da escrita de Emília Ferreiro para não interpretar como erro, aquilo que é comum no desenvolvimento da escrita[1].

Conforme a escrita da criança evolui, alguns erros desaparecem e tantos outros surgem. Isso é natural até que ela esteja completamente alfabetizada. É importante perceber que cada criança tem o seu tempo e uma história de vida que vai influenciar diretamente neste ritmo, ou seja, no quando ela será ou não alfabetizada.

Todas as crianças do mundo, passam por um momento de dificuldades em sua alfabetização e os problemas em discriminar letras ou mesmo a escrita espelhada de letras e números são comportamentos bastante normais. (DEHAENE, 2012).

Você sabia que o Leonardo da Vinci tinha escrita espelhada? Pois é, este era o efeito da dislexia em uma pessoa canhota. Curioso, não é?

Mas o que é escrita espelhada?

A escrita espelhada é uma dificuldade de aprendizagem muito comum durante o processo de alfabetização. As letras são giradas em seu próprio eixo como o b pelo d  e o q pelo p, ou ainda as crianças escrevem como se estivessem do outro lado do espelho, ao contrário.

escrita espelhada

Xenografia era o termo grego utilizado para se referir a esta escrita estranha. Alguns autores como Dehaene (2012), Piaget e Inhelder (1980), dizem que as crianças, antes dos 7 anos ainda não adquiriram o auge de sua maturidade neurobiológica, por isso, é provável trocarem a direção de sua escrita, pois noções básicas de lateralidade ainda não estão consolidadas.

Antes de mais nada, como já foi dito acima, espelhar letras e números é normal, por isso, é importante permitir que as crianças experimentem a escrita, façam tentativas, ensaios e tenham erros. A criança precisa se conscientizar sobre as suas dificuldades. Não é simplesmente apontar o erro, mas questioná-la, fazê-la perceber e tomar conhecimento sobre como fez, porque fez e como deveria fazer, conforme já nos alertava o grandioso Piaget. Pais e professores são primordiais nesta etapa.

escrever

Para Emília Ferreiro e Ana Teberosky as crianças começam a construir a língua escrita muito antes de entrarem na escola. Escrever requer maturidade e vivências que passam primeiramente pelo corpo. Por isso, a Educação Infantil, mais uma vez, tem uma função preciosa ao proporcionar para a criança estas experiências, já que tudo aquilo que sentimos e vivenciamos com o corpo, torna a aprendizagem muito mais significativa.

As principais habilidades, que podem ser consideradas como “pré-requisito” para a escrita, iniciam-se logo que o bebê nasce e se aprimora na educação infantil. A lateralidade (direita esquerda), conceitos de noção espacial, simetria, noção corporal, coordenação motora fina, coordenação visomotora, relaxar e contrair o corpo, o tônus muscular, enfim, na educação infantil é o momento de praticar tudo isso.

Escolas de educação infantil que contam com profissionais da educação física, ou mesmo têm professores especialistas ou com muita prática em psicomotricidade, propiciam ótimas condições de aprendizado para as crianças.

Existem crianças que espelham não só algumas palavras, mas frases inteiras e isso pode ser um sintoma da disgrafia.  A disgrafia, dislexia, a síndrome de Irlen, problemas na coordenação motora como a dispraxia, são os grandes distúrbios de aprendizagem causadores da escrita espelhada.

Para quem não lembra, vamos recordar:

Disgrafia:

Conhecida como letra feia. Isso acontece devido a uma incapacidade de recordar a grafia da letra. A disgrafia, porém, não está associada a nenhum tipo de comprometimento intelectual. Apresenta: lentidão na escrita, letra ilegível, escrita desorganizada, desorganização geral na folha por não possuir orientação espacial, letras retocadas, hastes mal feitas, atrofiadas, omissão de letras, palavras, números, formas distorcidas, movimentos contrários à escrita (um S ao invés do 5 por exemplo). Podemos encontrar dois tipos de disgrafia:- disgrafia motora (discaligrafia) e a disgrafia perceptiva. (SAMPAIO, 2016[2]).

Dislexia:

A dislexia é um transtorno específico e persistente da leitura e da escrita, que se caracteriza por um baixo desempenho na capacidade de ler e escrever. É uma condição de base genética, que se manifesta inicialmente durante a fase de alfabetização.[3]

Síndrome de Irlen (Dislexia de leitura): é uma alteração do processamento visual, de ordem hereditária e genética, causada pelo desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz. Isso produz alterações visuo-perceptuais, causando dificuldades principalmente com a leitura[4].

Ler Mais 

Dispraxia:

A dispraxia é uma disfunção motora neurológica que impede o cérebro de desempenhar os movimentos corretamente. Isso causa problemas na coordenação motora (lentidão, imprecisão, dificuldades ao recortar), a falta de percepção tridimensional (copiar figuras geométricas, escrever) e o equilíbrio, o que resulta em uma desorganização da apresentação de trabalhos no papel[5].

Se todas as intervenções pedagógicas em prol do entendimento da criança por uma escrita correta, tenha sido feita, e ainda assim, ela apresenta comportamentos preocupantes, vale a pena solicitar uma avaliação com um psicopedagogo e outros profissionais, já que o disgnóstico destes distúrbios é sempre multidisciplinar. Cabe ressaltar que a idade que deve deixar os pais e professores em alerta é entre os 8 e 10 anos de idade (DEHAENE, 2012), antes disso não há maturidade suficiente para classificar as crianças como detentoras de qualquer um destes distúrbios.

Fique atento se a criança que costuma espelhar letras não é canhota, pois estas, tem um pouco mais de desafios para escrever do que as destras, pois o movimento para escrever, em nossa cultura ocidental é da direita para a esquerda, o que obriga os canhotos a fazerem o movimento contrário da sua mão para a escrita.

E claro, registre  o registro sobre essa fase da alfabetização e as atividades que foram aplicadas em sala. Essas anotações serão muito valiosas para o refletir sobre os avanços dos pequenos.

Quer fazer uma semanário prático e eficaz?

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Tudo em um único lugar! 

Referência Bibliográfica: 

BOSSA, Nádia. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. Porto Alegre: ARTMED, 2000.

DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.

PIAGET, J.; INHELDER, B. A psicologia da criança. São Paulo: Difel,1980.

[1] Leia mais em FERREIRO, Emilia e TEBEROSKY, Ana. A psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

[2] Fonte: http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/#!em-branco/c11mv último acesso em agosto/2016.

[3] Saiba mais em Instituto ABCD. http://www.institutoabcd.org.br/perguntaserespostas/

Consulte também: https://dislexia.org.br/

[4] Leia mais sobre Síndrome de Irlen em nossa página da Edqua.me . http://naescola.eduqa.me/desenvolvimento-infantil/sindrome-de-irlen-nunca-ouvi-falar/

[5] Fonte: http://brasil.planetasaber.com/theworld/chronicles/seccions/cards/default.asp?pk=3288&art=94

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

O ócio criativo

Fonte: alto astral

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O ócio criativo

“Ai se eu pudesse comprar um pouquinho de criatividade… seria ótimo!”

Quem nunca pensou nisso? Com certeza este já foi o desejo de muitos, inclusive em ser o dono desta loja de preciosidades.

Parece que chega um período do ano ou mesmo em determinadas situações onde nos é exigido uma intervenção mais complexa no trabalho, por exemplo, que nos falta a criatividade.

O livro “O ócio criativo” de Doménico de Masi é uma boa leitura para quem quer refletir e se inspirar em busca da criatividade.

Embora tenha um início bastante técnico, o livro passa a mensagem de que para se conseguir criar, seria ideal que fizéssemos pouca ou nenhuma distinção entre o trabalho e o tempo livre.

A proposta é divertir-se o máximo possível no trabalho e aproveitar o tempo livre fugindo daquela ideia cristalizada trazida por Ford e Taylor sobre o trabalho mecânico e com hora para começar e acabar.

De Masi fala em humanizar o trabalho e não o mecanizar. Empresas mais criativas e produtivas permitem que as pessoas possam trabalhar em casa, mas é claro que isso não se aplica a todas as profissões. O professor necessita estar num ambiente mais estruturado de trabalho, mas nem por isso, deve estar engessado a ele.

Sabe-se que a teoria é muito mais bonita do que a prática, mas não custa nada tentar. Tentar transformar aquilo que é monótono em algo novo, ou seja, transformar, inovar os recursos que temos.

A criatividade é a palavra-chave para um bom trabalho na escola e o professor a cada dia é desafiado a inovar, inventar e agir frente a questões instigantes.

criatividade

O ócio criativo é o trabalho mental que acontece até quando não estamos fazendo nada, parados. É o pensar sem regras, sem a pressão e o tempo do relógio.

“Ociar” não é apenas ficar de pernas para cima sem fazer nada, é a inovação, ousadia de agir. É a qualidade de vida ou pelo menos a busca constante por ela.

Referência:

O ócio criativo. Domenico de Masi. Brasil: Editora Sextante, 2000.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Por que escolhi ser professor?
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Por que escolhi ser professor?

Você já se perguntou o que é ser professor?

Muitas vezes, se escuta que ser professor é gostar de criança, é ter paciência, saber desenhar, ter letra bonita, gostar de ler e estudar.

Mas será que isso é suficiente?

NÃO! Ser professor ultrapassa as barreiras do ter ou gostar, é preciso diferentes construções internas; é preciso “SER”.

Os valores, os desejos, a esperança, os anseios, as motivações, a persistência, o respeito, o saber, a honestidade, a perseverança e o comprometimento com o ensinar é que farão a diferença no ato de ser e se constituir professor, e essas habilidades são aprendidas nas complexas relações com o ensino aprendizagem, ou seja, entre o professor e o aluno.

A complexidade em ser professor começa com o processo de escolha da profissão. Muitas pessoas, quando decidem lecionar, não levam em conta o que é ser professor, baseiam-se em preceitos superficiais, como gostar de criança, por exemplo.

Isso é importante, mas não basta! Um professor precisa estudar muito e durante toda a sua carreira, deve se envolver com questões sociais e políticas do país e, mais do que isso, ser um especialista em relações humanas!

A escolha da profissão é uma decisão tomada pelo professor; imagina-se que ninguém o obrigou a fazer isso. Sempre foram de conhecimento público as dificuldades com o educar de modo geral. Então, por que esta escolha?

Responda isso você! Reflita sobre o seu real papel no ato de ensinar, pois ele vai além dos conteúdos programáticos.

professor

É necessário situar o professor naquilo que transcende a sua formação, pois “aprendemos disciplinas sobre que conhecimento da natureza e da sociedade ensinar e com que metodologias, porém não entra nos currículos de formação como ensinar-aprender a sermos humanos” (ARROYO, 2000, p.55), principalmente numa época onde o desrespeito, o bullying e o preconceito se sobressaem tanto.

O professor desempenha um papel tão importante na vida dos alunos, que é incalculável o seu valor. Não importa o quão avançada esteja a tecnologia, o professor nunca será substituído, “já que mais importante do que o conteúdo ensinado é o modo relacional que se vai imprimindo na subjetividade do aprendente”. (FERNÁNDEZ, 2001, p.29).

Ser professor vai muito mais além do que se imaginava, não é?

Reflita sempre sobre a sua escolha.

Sugestão de Leitura: Livro – A aula da xícara: uma experiência sobre a relação professor-aluno. Luciana Fernandes Duque. Lura Editorial: São Paulo, 2015.

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?
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Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?

que tipo de educação

Esta pergunta é intrigante e pode suscitar a priori duas interpretações: pensar nos métodos e estratégias que vou oferecer aos meus alunos para educa-los de forma que aprendam os conteúdos formais, ou, ir além disso e pensar também em que tipo de pessoas quero formar.

Quando imaginamos uma sala de aula, muitos cenários vêm à tona, principalmente a diversidade que a compõe.

Para muitos, a palavra diversidade parece estar ligada a algo que é visível no outro, ora por aquilo que falta ora pelo que sobra em alguém, mas, neste texto, vamos falar de um assunto que nem sempre é tão explícito pelo que falta ou pelo que sobra, mas pelo que as vezes passa desapercebido pelos olhos do professor.

Vamos falar da inclusão socioeconômica e do contraste social encontrado nas escolas.

Por mais que saibamos que esta realidade existe, quando as diferenças não estão estampadas de forma evidente no rosto das pessoas, parece que elas são ignoradas. Está é uma falsa ilusão e a falsa ideia da homogeneidade que muitos professores ainda insistem em defender.

Somos todos diferentes e únicos, isto por si só derrota a ideia de homogeneidade humana. Aprendemos de formas diferentes, pensamos e gostamos de coisas diferentes e temos também condições socioeconômicas muito distintas.

Estas condições econômicas, em alguns casos, definem e implicam diretamente nos objetivos e propósitos pelos quais a criança frequenta uma escola.

Sabemos que muitas crianças precisam comer, por isso vão a escola; outras ainda quando muito pequeninas, frequentam a escola, pois os pais necessitam trabalhar; e há também aquelas que vão a determinadas escolas para sustentar certos “status” dos grupos sociais do qual os pais fazem parte. Mas há também pais que escolheram as escolas devido aos métodos pedagógicos e pela filosofia do trabalho educacional que oferecem.

Independente do que seja, se desconhecermos os motivos pelo qual cada aluno frequenta a escola, teremos problemas na relação direta com eles e principalmente com suas famílias. Alguns comportamentos dos pais, por mais que sejam estranhos, passam a ser “melhor compreendidos”, uma vez que se conhece os interesses das famílias. Com isso, não quero dizer que a escola deve assumir o papel dos pais, muito pelo contrário, deve partilhar com a família a responsabilidade de educar, mas perceber os limites que envolvem estas relações entre família-escola.

escola

Por conta das desigualdades sociais existentes, há um consenso entre as pessoas ao achar que nas escolas públicas estão os alunos menos favorecidos e nas escolas particulares estão os mais favorecidos financeiramente.

No caso do Brasil, isso tem uma certa verdade pela forma cultural e econômica em que o ensino está organizado, mas na Europa por exemplo, não é bem assim que funciona; as escolas públicas europeias têm grande prestígio e muitas famílias privilegiadas economicamente optam por matricularem os seus filhos nestas instituições.

É bastante curioso e interessante observar esta diversidade socioeconômica dentro de um único espaço. A mãe empregada de mesa e um pai empresário debatendo, nas reuniões de pais, melhorias para a escola dos seus filhos. Existem problemas causados pelas condições econômicas? Sim, como em todo lugar, mas como o objetivo é zelar pela educação de qualidade para os filhos, essas diferenças não são soam como  problema, não nesse cenário.

O preconceito é algo ensinado pelo adulto. As crianças são ensinadas a selecionar seus amigos pela ótica do adulto.

As escolas particulares no Brasil, nem sempre ilustram este cenário separatista que está na mentalidade das pessoas. Muitos pais fazem grandes sacrifícios para dar o melhor para os filhos; e para eles, o melhor, é uma educação de qualidade que supostamente acham que vão encontrar nas escolas particulares.

Digo supostamente, pois classificar se uma escola é boa ou ruim devido ela ser pública ou privada é mais um erro. Há boas escolas públicas e há boas escolas particulares, assim como também há más escolas independente de serem públicas ou particulares.

Isto parece ser óbvio e até redundante, mas você já parou para se perguntar o que é uma boa escola? ou o que faz de uma escola ser boa ou não?

Podemos construir um ótimo livro só com as respostas para estas perguntas, mas a reflexão que se quer aqui vai mais além do que a escola deve ter ou fazer para ser boa, mas sim da sua essência. Por isso, o título deste texto começou por questionar: que tipo de educação você quer dar para as crianças, professor?

Podemos brincar com esta pergunta e criar tantas outras… que tipo de cidadão você quer formar? que tipo de pessoa você quer ajudar a constituir? Não se tem aqui a pretensão de dar respostas, mas pensar em alguns caminhos a partir da diversidade socioeconômica encontrada nas escolas.

Esta diversidade aumenta o desafio do professor em sala de aula, pois os conteúdos não podem ser mais a preocupação exclusiva; valores como respeito ao outro e às diferenças passam a ser tão importantes quanto o aprender formal, aliás, estes são aspectos que propiciam uma melhor interação, comunicação e por fim um melhor aprendizado.

Infelizmente, ouve-se nos corredores das escolas crianças discutindo: “meu pai tem dois helicópteros e o seu não tem nenhum”; “você é pobre, por que estuda nesta escola?”. Estas atitudes incentivam e aumentam a prática do bullying e de outros maus comportamentos que não colaboram com a construção de uma boa escola e também da aprendizagem das crianças.

escola alto nível

As desigualdades sociais encontram-se em níveis variados dentro das escolas, por exemplo: a criança rica e a muito rica, a criança pobre e a extremamente pobre, e outros espaços onde se tem um pouco de tudo. Não é somente pensar nos extremos, mas nestas variações dentro de cada classe social. Estes problemas trazidos pelas dificuldades em lidar com a diversidade socioeconômica dá a oportunidade ao professor de falar e ajudar as crianças na construção da sua identidade e autonomia.

Trazer para dentro da classe as diferenças existentes entre os alunos e potencializa-las para o conhecimento é uma boa estratégia. Uma criança que vende doces no farol, tem com certeza, muita experiência com a matemática e isso pode ser levado para a sala de aula, para a criança ressignificar e protagonizar a sua aprendizagem.

escola brasileiraDesta mesma forma, a criança dos helicópteros tem uma vivência a ser partilhada que vai além do ter mais ou menos um bem material, e isso, com criatividade, pode virar uma rica experiência para todos.

Cada vez mais, as crianças mostram dificuldades em superar o seu egocentrismo inicial, pois são ensinadas a serem egoístas, quando desprezam e julgam uma condição social diferente da sua.

A escola é o espaço mais rico para que estas realidades se cruzem e coloquem a criança numa posição de conflito frente aos seus valores, conhecimentos e personalidade, que a priori é constituída pela família. Isso é saudável para o seu desenvolvimento psíquico, mas se não for bem assistida pode ser um risco para as relações sociais e para o desenvolvimento pessoal das próprias crianças.

A escola precisa se importar com as diferenças sociais e entender que este problema também é seu. A escola representa a população e se julgamos que a sociedade está ruim é porque de alguma forma a escola contribui com isso, quando finge, por exemplo, que não é um problema seu, as crianças se desrespeitarem.

O que quero dizer com isso é que o aluno que está em nossas classes hoje, poderá ser o médico que cuidará de nós amanhã, ou o professor que dará aulas para o nosso filho no futuro, enfim, está em nossas mãos transformar os problemas da desigualdade em oportunidades de construir uma sociedade melhor.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Você sabe o que eles sabem? Como fazer uma sondagem nessa época do ano
Desenvolvimento Infantil/Rotina pedagógica/Semanários
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Você sabe o que eles sabem? Como fazer uma sondagem nessa época do ano

sondagem

As sondagens são as investigações que os professores fazem sobre a aprendizagem dos alunos. Elas são muito comuns e, geralmente, acontecem no início do ano letivo para se conhecer um pouco mais sobre a hipótese que os pequenos possuem sobre um determinado assunto e, também, para, se necessário, reorientar a prática pedagógica.

Algumas sondagens são mais rotineiras que outras, isso porque a modificação do estado de conhecimento da criança transforma-se rapidamente. É o caso das sondagens relacionadas a aprendizagem da leitura e principalmente da escrita.

Mas você sabe o que eles sabem? Esta pergunta parece oportuna para esta época do ano, pois estamos a nos preparar para o fim do calendário letivo e muitas aprendizagens ainda precisam ser conquistadas. As sondagens podem ser feitas a todo momento e não apenas como diagnóstico inicial do grupo ou para questões específicas da escrita. O ideal seria fazermos sondagens durante o ano todo, para observarmos as diversas áreas do desenvolvimento infantil, de um jeito que não seja apenas com papel e lápis.

Realizar com constância as sondagens permite ao professor não só avaliar, mas, acompanhar o desenvolvimento da criança, sugerir agrupamentos entre os alunos para aprimorar conhecimentos e também planejar. 

Mas espera aí!! Quando sugiro a constância das sondagens não quero que vejam isso como mais uma tarefa a ser “executada” pelo professor, dentre tantas obrigações que ele já tem. Não é isso! Na verdade, a sondagem deve ser previamente organizada e fazer parte rotina do professor, para NÃO ser o “algo mais a se fazer” que todos esquecem ou deixam de lado. 

Especificamente nesta época do ano, as sondagens transformam-se em ricos instrumentos que possibilitam ao professor ter recursos para desafiar a aprendizagem das crianças, fazê-las irem além e consolidar novos conhecimentos.

Uma sondagem para desafiar a aprendizagem pode ser a organização de uma atividade experimental sobre um assunto, a escolha do professor, que tenha relação com o currículo a ser trabalhado.

giz de cera

Um exemplo disso é a sondagem do desenho, pois ela pode se transformar numa atividade experimental. Utilize materiais reciclados, peças de jogos, vários tipos de desenhos (revista, gibi, obras de arte) e siga os passos abaixo:

– Organiza-se todo material concreto que for possível sobre o assunto abordado e monte alguns quites.

– Distribua-os nos pequenos grupos e ofereça um momento para as crianças explorarem o material.

– Solicite que elas observem e façam sugestões sobre possibilidades de transformar aquele material.

–  Por último apresente uma situação problema na qual as crianças tenha que pensar, interagir e resolver.

Para fazer uma boa sondagem você deve se preocupar com a avaliação, observação e acompanhamento da aprendizagem da criança em sua totalidade, o que implica então, na utilização de recursos práticos e com a possibilidade da interação do corpo e do movimento, do saber e do fazer, do ouvir e do falar, do tocar e do sentir, do ler e escrever, do pensar, do ver. E as produções da criança podem ser registradas não só pelo papel, mas por meio de um pequeno filme e fotografias; material excelente para o portfólio da criança ou do professor. 

E para ficar ainda mais fácil fazer a sondagem experimente guardá-las na Eduqa.me!

 Clique AQUI para acessar a plataforma e descobrir como você pode fazer seus registros de um jeito que não consuma todo o seu tempo fora da Escola.

Lembra daquela anotação específica de uma única criança? Uma fala, um comportamento que você percebeu? Você pode acrescentar essa anotação no mesmo lugar e essa anotação vai compondo os registros apenas dessa criança, não é incrível!?

Anotações individuais na Eduqa.me

Anotações individuais na Eduqa.me

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Readaptação e acolhimento na Educação Infantil: como agir?
Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Readaptação e acolhimento na Educação Infantil: como agir?

Quando as crianças já são veteranas na escola, tanto os pais quanto os professores podem entender que não há muito com o que se preocupar, pois eles já conhecem o espaço, os colegas e os professores. São com os calouros, ou melhor, com os pequenos ingressantes que se deve ter um maior cuidado, atenção e acolhimento.

Na verdade, não é bem assim! A readaptação na Educação Infantil é tão importante quanto a adaptação, e é carregada de sentimentos e mudanças, pois sair do ambiente da sua casa e ter que superar novos desafios não é tão simples quanto parece.

Para os pequenos, as férias são na maioria das vezes, muito agradáveis só pelo fato de saírem da rotina, estarem mais perto dos pais, brincarem livremente e curtirem a sua própria casa e os seus brinquedos. Ter que sair deste espaço tão conveniente e agradável é o que torna necessário, uma postura acolhedora por parte das escolas e também dos pais neste processo de readaptação.

Voltar para a escola, depois destes momentos tão agradáveis de prazer e liberdade, faz vir à tona na criança o sentimento de separação e de ruptura, e isso às vezes mostra-se um pouco doloroso para ela. As impressões e sensações sobre a escola, podem apresentar-se um tanto quanto desorganizadas, pois ao mesmo tempo que há lembranças positivas da escola e das coisas boas que acontecem lá, há também as lembranças afáveis e alegres de estar em casa. A criança vive um dilema, como se tivesse que escolher “a escola ou a casa”, por isso, o sofrimento que a deixa insegura para voltar a rotina.

criança de mochila dando tchau Veja agora, algumas dicas sobre como agir neste processo de readaptação da criança e que envolve não só a escola, mas também os pais:

 Para os pais:

  1. A criança pode chorar e dizer que não quer ir à escola. Isso é normal! Ajude-a a lembrar o quanto a escola é um espaço divertido e alegre. Tenha calma e transmita sempre confiança e segurança ao seu filho.
  2. Procure não se atrasar para chegar à escola e para buscar a criança de volta para casa. O atraso pode colocar a criança em evidência e a expor de alguma forma e a espera pode ser terrível e despertar sentimentos ruins como ansiedade, abandono e medo.
  3. Incentive que seu filho partilhe a experiência das férias com os amigos. Isso pode ser motivador e reaproximá-los ainda mais.
  4. Converse com o seu filho sobre a escola. Mostre interesse pelo dia dele e conte como foi o seu dia também.
  5. Expresse os seus sentimentos! Diga que os ama e que voltar ao trabalho também é difícil para você, mas recorde das coisas boas de voltar a rotina, assim como fazê-lo perceber que virão outras férias e outras readaptações a escola.

Para os professores:

  1. A criança necessita se RECONHECER novamente no espaço escolar. Ajude-a a sentir-se à vontade, lembrando-a dos bons momentos que já passaram ali.
  2. Dê colo! Os pequenos vão chorar e precisam de toque, carinho, acolhimento e  a compreensão dos seus sentimentos.
  3. Permita que as crianças entrem no ritmo gradativamente. Não é 8 e nem 80, mas é um misto de atividades livres e dirigidas.
  4. Proporcione momentos para ouvir a criança! Organizar rodas de conversa é uma boa estratégia.
  5. Preocupe-se em reforçar os vínculos e construir uma relação harmoniosa e respeitosa entre todos.

Nas primeiras semanas só veremos turbulências e dificuldades, mas logo tudo se ajusta e a rotina volta a funcionar como antes. Dependerá da nossa persistência, paciência e da quantidade de confiança e segurança que investiremos na interação com as crianças.

Não podemos nos precipitar e ignorar este momento tão importante e que carece dos nossos melhores cuidados, já que para a criança, readaptar-se à escola está intimamente relacionado a forma em que ela é acolhida. Readaptar e acolher ajuda a construir um ambiente saudável para que os pequenos se sintam felizes, seguros e dispostos a aprender.

Vale a pena observar e registrar como a criança tem se sentido durante as aulas. Uma anotação específica da criança, uma fala, um comportamento diferente que você percebeu. Você também pode inserir fotos e vídeos para tornar o registro ainda mais rico.

Registros de atividades na Eduqa.me

Anotações individuais na Eduqa.me

Anotações individuais na Eduqa.me

Clique AQUI para acessar a plataforma e descobrir como você pode fazer seus registros de um jeito que não consuma todo o seu tempo fora da Escola.

 

 Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Relatórios/Desenvolvimento cognitivo/Identidade e autonomia/Socioemocional
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Os cinco sentidos ou os dois sentidos?

cinco sentidos, paladar

As crianças possuem uma natureza singular e genuína que as caracteriza como seres que sentem, pensam e experimentam o mundo de um jeito próprio. Vamos refletir um pouquinho sobre esse jeito de ver o mundo?

Mas antes vou contar uma história para vocês: a história sobre a escola dos animais.

“Era uma vez uma escola para animais. Os professores tinham certeza que possuíam um programa de estudos inclusivos, mas, por algum motivo, todos os animais estavam indo mal. O pato era a estrela da classe de natação, porém, não conseguia subir em árvores. O macaco era excelente subindo em árvores, mas era reprovado na natação. […] os coelhos eram sensacionais nas corridas, mas precisavam de aulas particulares de natação. O mais triste de tudo era ver as tartarugas, que, depois de vários exames e testes foram diagnosticadas como tendo «atraso de desenvolvimento». De fato, foram enviadas para uma classe de educação especial numa distante toca de esquilos.[…]”.

(GÓMEZ, Ana Maria Salgado; TERÁN, Nora Espinosa. Dificuldades de aprendizagem. Brasil: Grupo Cultural, 2006. Página 81.).

Fazendo uma analogia com as crianças, fica claro nesta história como cada sujeito é único; possui habilidades e também dificuldades.

Temos diferentes talentos e formas distintas de aprender. Para que os alunos se apropriem dos objetos de conhecimento é importante que os professores não só valorizem estes aspectos, mas também possibilitem situações em classe para que os diferentes estilos de aprendizagem sejam acessados.

Muitas vezes, os professores não se dão conta de que os métodos ou estratégias utilizadas por eles, não estão ao alcance de todas as crianças. “Os professores tinham certeza que possuíam um programa inclusivo, mas ainda assim, os animais não conseguiam aprender”.

Este ponto da história remete uma atitude muito conhecida nas relações de aprendizagem: achar um culpado ou algo que justifique a dificuldade de aprendizagem dos alunos, o que na maioria das vezes não está associado ao professor ou aos métodos por ele e pela escola adotados.

pintura

A mudança deste esteriótipo começa quando se passa a refletir sobre: o que mais podemos fazer enquanto professores, para estimular as crianças além da visão e da audição para o benefício da sua aprendizagem?

Muitas coisas! Uma delas é desconstruir a ideia de que temos apenas dois sentidos (visão e audição). A escola sem perceber, acaba por superestimular a capacidade de ver e ouvir deixando de explorar tantos outros pontos de extrema necessidade.

Explorar os sentidos na criança é de grande valia para a aprendizagem e para o processo de desenvolvimento como um todo.

Como já vimos em textos anteriores, o corpo é o nosso veículo de aprendizagem, é o gravador que registra tudo do começo ao fim.

Assim, através do sistema sensorial, a criança percebe o seu corpo e tudo que está a sua volta. As experiências sensoriais fazem bem ao desenvolvimento do cérebro e permitem que a criança use o seu corpo de forma mais eficiente no meio em que vive.

Quando trabalhamos com a visão, a audição, o paladar, o tato e o olfato, a cinestesia também é estimulada e as sensações proprioceptivas (percepção dos movimentos de cada parte do corpo, equilíbrio e atenção) são aprimoradas para ajudar as crianças a realizarem as suas tarefas e atividades de vida diária. Além disso, futuramente são grandes alicerces para a aquisição da escrita, aperfeiçoamento do desenho e da pintura.

Envolver os sentidos e a cinestesia¹ nas atividades de sala de aula pode ser um forte aliado para o controle da indisciplina das crianças. Quando se estimula o tato e o olfato por exemplo, o nível de atenção da criança eleva, ela se concentra e automaticamente se acalma, envolvendo-se mais com a tarefa proposta.

Além disso, estimulam também a inteligência, ajudam na criatividade e permitem que os alunos aprendam mais e melhor. Tudo isso acontece, pois o cérebro tem a oportunidade de acionar diferentes canais para a entrada de conhecimento, contemplando todos os estilos de aprendizagem.

atividades sensoriais

Imaginem dar esta oportunidade às crianças com deficiências? Elas seriam muito mais beneficiadas com a estimulação e presença dos sentidos e da cenestesia em suas atividades pedagógicas.

O professor só deve tomar cuidado com a quantidade de estímulos trabalhados. Muita informação sensorial ao mesmo tempo pode desorganizar a aprendizagem da criança.

Outro ponto importante é não “forçar” a criança a realizar uma atividade que ela demonstre medo ou alguma reação incomum. Existem algumas síndromes ou certos tipos de deficiências que provocam uma hipersensibilidade na criança em relação a alguns sons, como  se aplica às crianças com autismo. Não podemos transformar um recurso positivo em um problema nas nossas aulas.

Permitir a escolha e oferecer opções sensoriais diferentes deixa o aluno mais seguro para fazer as atividades e construir um ambiente bastante acolhedor. Além de ser uma forma diferente de conhecer o mundo e aprender, desenvolver as sensações auxilia todas as crianças a se tornarem sujeitos mais sensíveis nas suas relações com o mundo e principalmente com as pessoas.

Nos tempos atuais, precisamos de pessoas menos calculistas, que possam olhar para o outro com cuidado, respeito e solidariedade. Ter a capacidade de praticar a empatia e reinventar as relações sociais é um desafio para a humanidade. 

Vale a pena observar e registrar o que a criança mais gosta ou tem mais habilidade de fazer em termos sensoriais. Você pode registrar o que aconteceu em suas atividades de maneira rica com fotos, vídeos e suas anotações:

Registros de atividades na Eduqa.me

Registros de atividades na Eduqa.me

Não acabou por aí! Lembra daquela anotação específica de uma única criança? Uma fala, um comportamento que você percebeu? Você pode acrescentar essa anotação no mesmo lugar e essa anotação vai compondo os registros apenas dessa criança, não é incrível!?

Anotações individuais na Eduqa.me

Anotações individuais na Eduqa.me

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Cinestesia¹: diz respeito à senso-percepção dos movimentos corporais e em relação ao ambiente. Está ligado a manipulação dos objetos para aprender. Seja pelo toque, o contato, o movimento, o cheiro, o sabor.

 Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Comunicação Não Violenta: como ela pode te ajudar na Escola
Registros/Semanários/Linguagem/Socioemocional
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Comunicação Não Violenta: como ela pode te ajudar na Escola

– Não seja assim!
– Não chore!
– Deixe de birras!
– Cala a boca e presta atenção!
– Senta lá!
– Vou deixar você de castigo! Pare com isso!
– Eu vou arrancar a sua língua!
– Você é surdo? Já falei um milhão de vezes pra não fazer isso.


O que tem de tão familiar nessas frases?
Todas essas frases foram tiradas do contexto da sala de aula.  Elas são tão comuns que parece que já ouvimos isso em algum momento da nossa vida ou, quem sabe, até pronunciamos de vez em quando.
Elas parecem desconsiderar completamente a violência que estão por trás de cada palavra e também o efeito que terão sobre a criança que está ouvindo.
Costumamos pensar que a violência está intimamente ligada com alguma agressão física, mas peraí, se fizermos um micro esforço lembraremos de situações que são super violentas lexicamente ¹ falando.
Muitas vezes a comunicação pode ser uma das piores violências, pois ela pode marcar eternamente a vida de uma criança. 
Dito isso, quero compartilhar com vocês sobre o conceito de uma Comunicação aposta a essa:  a Comunicação NÃO Violenta!
A Comunicação não Violente (CNV), foi criada pelo americano Marshall Rosenberg, e é um método simples de comunicação.
Uma comunicação que é clara, empática e que almeja encontrar um jeito para que todas as pessoas falem o importante sem culpar o outro, humilhá-lo, envergonhá-lo, coagi-lo ou ameaçá-lo.
É uma comunicação útil para resolver conflitos, conectar-se aos outros, e viver de um jeito consciente, presente e antenado ás necessidades vitais e genuínas de si mesmo e do mundo. Baseada na ideia de que todos os seres humanos têm a capacidade da compaixão e a capacidade de escutar verdadeiramente o outro a CNV cria  uma cultura de expressão que resolva os conflitos, ao invés de criá-los.

cnvPodemos dividir o processo da CNV em 4 componentes:

  1. Observação: Observamos as ações concretas que nos afetam. Sem julgamentos e sem juízo de valores. Apenas uma declaração do que estamos observando que pode (ou não) ter nos agradado;
  2. Sentimento: Identificamos e nomeamos o que estamos sentindo em relação ao que observamos. Ou seja, nos perguntamos: ” como me sinto diante disso? Frustrado? Alegre? Magoado?Irritado? dentre outros…
  3. Necessidades: Informamos para o outro as nossas necessidades, valores e desejos que estão conectados aos sentimentos que identificamos anteriormente. Em outras palavras, quais são as minhas necessidades, desejos ou valores que guiam meus sentimentos?
  4. Pedido: Pedimos para que algumas ações concretas sejam realizadas, de forma a atender nossas necessidades.

#NaEscola

bons professoresO que vimos nas frases acima são exemplos que tentam limar, corrigir o errado e indicar o correto. Apontar o bom e o mau e abafar o aluno e torná-lo cada vez mais passivo e ouvinte.
Pois, afinal de contas, o professor é uma grande autoridade e ele, enquanto mestre e detentor do conhecimento, deve criar condições favoráveis para que cada criança desenvolva sua capacidade de conservar sua integridade pessoal e, por isso, o mestre tenta moldar as crianças.
Caso alguma dessas crianças não se encaixe nesses padrões os educadores investem em técnicas punitivas. É assim que a Escola tem conduzido seus ensinamentos por séculos, não é mesmo?
As perguntas que pairam no ar são:
Nesse contexto há espaço para a empatia?

É nesse modelo educacional que devemos investir ?

O Professor Afetuoso


Como dito no post “Como trabalhar afeto na Educação Infantil” o afeto tem um papel fundamental na aprendizagem.
A relação de qualidade entre o professor e o aluno depende mais de “como” e ” a quem” se ensina, do que o ” o que se ensina”. Para que o professor se torne eficaz na sua tarefa de ensinar é preciso criar um vínculo com o aluno: uma ligação. Essa ponte com o aluno e construída, na maioria das vezes, com a comunicação.

O professor que domina a competência de comunicação, além de afetuoso, têm  ferramentas muito significativas nas mãos.

professor afetuoso
– Respeito pelos interesses dos alunos
– Educa com afeto
– Liberdade para aprender
– Ambiente agradável em sala
– Construção do conhecimento
– Autonomia na aprendizagem


A proposta da Comunicação Não Violenta é sair da lógica do culpado, da punição, do certo e do errado e desconstruir comportamentos pré-estabelecidos. Quebrar todos os paradigmas e apresentar um novo jeito de se comunicar.
O ato de se comunicar é, por si só, uma necessidade fundamental para a qualidade da existência do indivíduo. A CNV nos instrumentaliza para responder essa necessidade e esinar como construir e melhorar a nossa relação com o outro.
Aqui fiz apenas uma resumo sobre o que é e como podemos começar a exercitar dentro de nós mesmo e dentro da Escola.
Se você gostou do conceito e quer entender um pouco mais sobre a comunicação não-violenta deixo algumas sugestões para que você aprofunde no tema e se envolva com esse jeito empático de lidar com os conflitos internos e externos.
Proponho que experimente esse exercício abaixo e percebam a diferença que a CNV faz nas nossas vidas.

“Vejo que ____. Estou me sentindo ____ por precisar de ____. Você gostaria de ___?”. Ou “Vejo que ____. Você está se sentindo ____ por precisar de ____?”, seguido de “Resolveríamos sua necessidade se eu ____?” ou uma declaração de seu próprio sentimento e necessidade seguido por um pedido.


Com o tempo, podemos perceber mais abertura, mais ternura nas relações e as pessoas se sentiram a vontade para se abrir e se expressar diante dos outros, pois o ambiente será de pura confiança e respeito.

Lexicalmente ¹ : Relacionado com a palavra.

Agora que você já está sabendo tudo de Comunicação Não Violenta, que tal aproveitar para fazer relatórios usando essa nova habilidade? Acesse a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.

Aproveite a duração da atividade não apenas para acompanhar e facilitar o aprendizado da turma, como também para registrar esse desenvolvimento. Fotos e vídeos são ferramentas simples que podem ser usadas durante a aula para gravar detalhes na evolução de cada aluno, facilitando o relatório pedagógico que será feito mais adiante!

CLIQUE AQUI PARA TESTAR AGORA A PLATAFORMA EDUQA.ME 

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Sugestão de leitura:
Livro “Comunicção Não-Violenta” de Marshall Rosenberg

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.