Rotina pedagógica
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QUE TIPO DE EDUCAÇÃO VOCÊ QUER DAR PARA AS CRIANÇAS, PROFESSOR?

Esta pergunta é intrigante e pode suscitar a priori duas interpretações:

Pensar nos métodos e estratégias que vou oferecer aos meus alunos para
educa-los de forma que aprendam os conteúdos formais, ou, ir além disso e
pensar também em que tipo de pessoas quero formar. Quando imaginamos uma sala de aula, muitos cenários vêm à tona, principalmente a diversidade que a compõe. Para muitos, a palavra diversidade parece estar ligada a algo que é visível no outro, ora por aquilo que falta ora pelo que sobra em alguém, mas, neste texto, vamos falar de um assunto que nem sempre é tão explícito pelo que falta ou pelo que sobra, mas pelo que as vezes passa desapercebido pelos olhos do professor.

Vamos falar da inclusão socioeconômica e do contraste social encontrado nas escolas.

Por mais que saibamos que esta realidade existe, quando as diferenças
não estão estampadas de forma evidente no rosto das pessoas, parece que
elas são ignoradas. Está é uma falsa ilusão e a falsa ideia da homogeneidade que muitos professores ainda insistem em defender.
Somos todos diferentes e únicos, isto por si só derrota a ideia de
homogeneidade humana. Aprendemos de formas diferentes, pensamos e
gostamos de coisas diferentes e temos também condições socioeconômicas
muito distintas.
Estas condições econômicas, em alguns casos, definem e implicam
diretamente nos objetivos e propósitos pelos quais a criança frequenta uma escola.
Sabemos que muitas crianças precisam comer, por isso vão a escola;
outras ainda quando muito pequeninas, frequentam a escola, pois os pais
necessitam trabalhar; e há também aquelas que vão a determinadas escolas para sustentar certos “status” dos grupos sociais do qual os pais fazem parte.
Mas há também pais que escolheram as escolas devido aos métodos
pedagógicos e pela filosofia do trabalho educacional que oferecem.

imagem do google

Independente do que seja, se desconhecermos os motivos pelo qual cada aluno frequenta a escola, teremos problemas na relação direta com eles e
principalmente com suas famílias. Alguns comportamentos dos pais, por mais que sejam estranhos, passam a ser “melhor compreendidos”, uma vez que se conhece os interesses das famílias. Com isso, não quero dizer que a escola deve assumir o papel dos pais, muito pelo contrário, deve partilhar com a família a responsabilidade de educar, mas perceber os limites que envolvem estas relações entre família-escola.
Por conta das desigualdades sociais existentes, há um consenso entre
as pessoas ao achar que nas escolas públicas estão os alunos menos
favorecidos e nas escolas particulares estão os mais favorecidos
financeiramente.
No caso do Brasil, isso tem uma certa verdade pela forma cultural e
econômica em que o ensino está organizado, mas na europa por exemplo, não é bem assim que funciona; as escolas públicas europeias têm grande prestígio e muitas famílias privilegiadas economicamente optam por matricularem os seus filhos nestas instituições.
É bastante curioso e interessante observar esta diversidade
socioeconômica dentro de um único espaço. A mãe empregada de mesa e um pai empresário debatendo, nas reuniões de pais, melhorias para a escola dos seus filhos. Existem problemas causados pelas condições econômicas? Sim, como em todo lugar, mas como o objetivo é zelar pela educação de qualidade para os filhos, essas diferenças não são um problema.
O preconceito é algo ensinado pelo adulto. As crianças são ensinadas a
selecionar seus amigos pela ótica do adulto.
As escolas particulares no Brasil, nem sempre ilustram este cenário
separatista que está na mentalidade das pessoas. Muitos pais fazem grandes
sacrifícios para dar o melhor para os filhos; e para eles, o melhor, é uma
educação de qualidade que supostamente acham que vão encontrar nas
escolas particulares.
Digo supostamente, pois classificar se uma escola é boa ou ruim devido
ela ser pública ou privada é mais um erro. Há boas escolas públicas e há boas escolas particulares, assim como também há más escolas independente de serem públicas ou particulares.

Isto parece ser óbvio e até redundante, mas você já parou para se
perguntar o que é uma boa escola? ou o que faz de uma escola ser boa ou
não?
Podemos construir um ótimo livro só com as respostas para estas
perguntas, mas a reflexão que se quer aqui vai mais além do que a escola
deve ter ou fazer para ser boa, mas sim da sua essência. Por isso, o título
deste texto começou por questionar: que tipo de educação você quer dar para as crianças, professor?

Podemos brincar com esta pergunta e criar tantas outras… que tipo de
cidadão você quer formar? que tipo de pessoa você quer ajudar a constituir? Não se tem aqui a pretensão de dar respostas, mas pensar em alguns caminhos a partir da diversidade socioeconômica encontrada nas escolas.
Esta diversidade aumenta o desafio do professor em sala de aula, pois
os conteúdos não podem ser mais a preocupação exclusiva; valores como
respeito ao outro e às diferenças passam a ser tão importantes quanto o
aprender formal, aliás, estes são aspectos que propiciam uma melhor
interação, comunicação e por fim um melhor aprendizado.
Infelizmente, ouve-se nos corredores das escolas crianças discutindo:
“meu pai tem dois helicópteros e o seu não tem nenhum”; “você é pobre, por que estuda nesta escola?”. Estas atitudes incentivam e aumentam a prática do builyng e de outros maus comportamentos que não colaboram com a construção de uma boa escola e também da aprendizagem das crianças.
As desigualdades sociais encontram-se em níveis variados dentro das
escolas, por exemplo: a criança rica e a muito rica, a criança pobre e a
extremamente pobre, e outros espaços onde se tem um pouco de tudo. Não é somente pensar nos extremos, mas nestas variações dentro de cada classe social. Estes problemas trazidos pelas dificuldades em lidar com a diversidade socioeconômica dá a oportunidade ao professor de falar e ajudar as crianças na construção da sua identidade e autonomia.
Trazer para dentro da classe as diferenças existentes entre os alunos e potencializa-las para o conhecimento é uma boa estratégia. Uma criança que vende doces no farol, tem com certeza, muita experiência com a matemática e isso pode ser levado para a sala de aula, para a criança ressignificar e protagonizar a sua aprendizagem.

Desta mesma forma, a criança dos helicópteros tem uma vivência a ser
partilhada que vai além do ter mais ou menos um bem material, e isso, com
criatividade, pode virar uma rica experiência para todos.
Cada vez mais, as crianças mostram dificuldades em superar o seu
egocentrismo inicial, pois são ensinadas a serem egoístas, quando desprezam e julgam uma condição social diferente da sua.
A escola é o espaço mais rico para que estas realidades se cruzem e
coloquem a criança numa posição de conflito frente aos seus valores,
conhecimentos e personalidade, que a priori é constituída pela família. Isso é saudável para o seu desenvolvimento psíquico, mas se não for bem assistida pode ser um risco para as relações sociais e para o desenvolvimento pessoal das próprias crianças.
A escola precisa se importar com as diferenças sociais e e entender que
este problema também é seu. A escola representa a população e se julgamos
que a sociedade está ruim é porque de alguma forma a escola contribui com
isso, quando finge, por exemplo, que não é um problema seu, as crianças se
desrespeitarem.
O que quero dizer com isso é que o aluno que está em nossas classes
hoje, poderá ser o médico que cuidará de nós amanhã, ou o professor que dará aulas para o nosso filho no futuro, enfim, está em nossas mãos transformar os problemas da desigualdade em oportunidades de construir uma sociedade melhor.

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pelo canal no YouTube LUDUKE

Prêmio reconhece práticas inovadoras de professores brasileiros
Rotina pedagógica/Práticas inovadoras
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Prêmio reconhece práticas inovadoras de professores brasileiros

Iniciativa da rede Base2Edu, em parceria com a Bett Educar, irá valorizar boas práticas em escolas públicas e privadas de todo o país.

As propostas submetidas receberão parecer pedagógico de especialistas de educação, curadores e embaixadores.

Professor Josias Silva anunciando o prêmio na Bett Educar

O prêmio surge com a proposta de reconhecer, valorizar e divulgar boas práticas desenvolvidas por professores que estão transformando as salas de aula em ambientes criativos. Um dos diferenciais da premiação é que todos os projetos submetidos receberão parecer pedagógico da equipe de pedagogos da rede Base2Edu.

“Esperamos que o compartilhamento de ricas práticas educacionais e o aprendizado em rede ajude a catalisar uma transformação grande e sustentável na educação brasileira”, destaca a Claudia Valério, diretora de conteúdo da Bett Educar.

Podem concorrer ao prêmio, professores transformadores de todo o país, atuantes em escolas públicas e privadas nas seguintes categorias: educação infantil, ensino fundamental 1, ensino fundamental 2 e ensino médio.

Segundo Prof. Alexandre Merofa, co-fundador da rede Base2Edu, que reúne educadores transformadores, o Prêmio Professor Transformador reconhece, inspira e conecta profissionais de todo país, contribuindo para a inovação da educação e o desenvolvimento de uma sociedade mais participativa e criativa.

“É importante que, desde cedo, todos tenham oportunidades de criar, de se expressar e de testar suas ideias. Acreditamos que a escola é um espaço ideal para estes exercícios, e o professor o mais completo facilitador destes experimentos”, afirma.

Para Merofa, o papel do professor hoje em dia mudou bastante, deixando de ser apenas disseminador para facilitador do conhecimento. “Não podemos aceitar que alunos passem o dia imersos em conceitos puramente abstratos, ou seja, a escuta passiva do professor em sala de aula. O mundo já não funciona assim! Fora das escolas, o universo pulsa e reclama de nós educadores, alunos críticos, criativos e prontos para um mundo imperfeito e complexo”, acrescentou.

Embaixadores e curadores de peso

O Prêmio Professor Transformador conta com um Conselho de Curadores de Conteúdo formado por especialistas em educação atuantes em empresas, universidades e órgãos públicos. Entre eles, Valesca Toledo, Subsecretária de Educação do Estado de São Paulo, e Dr. Marcos Garcia Neira, diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Além dos curadores, o prêmio conta com o crivo inspirador de ‘Embaixadores’ como o prof. Jayse Ferreira, de Pernambuco, reconhecido como um dos melhores professores do mundo segundo o Top 50, da Teacher Prize 2019, e a profa. Lília Melo, do Pará, escolhida como a melhor professora do Brasil na categoria Ensino Médio, pelo Ministério da Educação (MEC), em 2018.

Prêmio Professor Transformador

Rede Base2Edu e a Bett Educar 2019
Inscrições gratuitas pelo site www.base2edu.com/premiobett
Central de suporte ao candidato: (11) 4210-1031

Informações à imprensa:

Flávia Domingues
EFEMAIS Comunicação para Negócios Transformadores
(21) 98449-4041 // 96596-2029 // flavia@efemais.com

5 pesquisas científicas que apoiam suas práticas em sala de aula
Atividades/Carreira/Rotina pedagógica
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5 pesquisas científicas que apoiam suas práticas em sala de aula

Ao longo de sua carreira, o professor constantemente se depara com o seguinte desafio: “como apoiar minhas práticas de sala de aula com referenciais teóricos de qualidade?”. Existem alguns caminhos para tanto. O mais indicado é a pesquisa em plataformas de artigos acadêmicos: o Google Acadêmico reúne bases de todo o mundo e Brasil, mas você também pode buscar em instituições reconhecidas, como a USP, PUC ou Unicamp.

Atividade: Tapete Sensorial

Fonte: Canguru Online

Atividades/Movimento
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Atividade: Tapete Sensorial

Objetivo

Estímulos da percepção sensorial

Habilidade a ser Estimulada

  • Sensibilidade de mãos e pés.
  • Interação com outras crianças.
  • Movimento corporal.

Faixa Etária

0 a 5 anos.

Material

Materiais com texturas diferentes colados em EVA que estarão costurados uns aos outros. Há possibilidade de variações conforme a criatividade e disponibilidade de materiais.

Descrição da Atividade

  • O educador deve observar se a postura da criança está adequada. Levar em conta que pode ser um estímulo “forte” para a criança, o que pode causar uma desestabilização na postura.
  • Oferecer o estímulo possibilitando o toque nas texturas estimulando o movimento corporal.
  • Solicitar para descrever  o que sentiu (de acordo com a idade).

Fonte: Pinterest

“Ayres define a integração sensorial como sendo a organização de informações sensoriais, proveniente de diferentes canais sensoriais e a habilidade de relacionar estímulos de um canal a outro, de forma a emitir uma resposta adaptativa”.

Muitas vezes a organização dessas informações sensoriais não são organizadas e podem trazer algum tipo de atraso no desenvolvimento global da criança. É na escola, principalmente na Educação Infantil que se faz necessário a exploração do sistema sensorial (olfato, paladar, tato, visão e audição), que muitas vezes é onde se observa os primeiros atrasos. O ambiente escolar, através de seus espaços, materiais, atividades e docentes deve estar adequado para observar tais dificuldades.

Os seguidores da técnica afirmam que a integração sensorial facilita no desempenho escolar tanto das crianças sem maiores dificuldades quanto das crianças com necessidades especiais, pois é claro que a escola pode proporcionar uma organização sensorial, de modo a gerar respostas adequadas e facilitar a aprendizagem. Seguramente a integração sensorial está presente no dia-a-dia escolar.

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Texto elaborado a partir do material produzido pelo Projeto Pela Primeira Infância. Clique e conheça mais sobre o Projeto Pela Primeira Infância– Programa de Formação em Desenvolvimento Cognitivo Infantil com base nas Neurociências, para profissionais da Educação Infantil