Comemorações de dia dos pais, dia das mães.. e aí bugou?!

Com as novas atualizações de família como que a Escola fica? Está cada dia mais comum os alunos venham de diversas situações além do tradicional pai-e-mãe-casados.

Com certeza turmas de Educação Infantil em toda parte passaram as últimas semanas colorindo cartões, carimbando mãos e pés com tinta guache e assinando seus nomes em letrinhas tortas para homenageá-los ou homenageá-las.

Não que os presentes não sejam válidos – mas por que não aproveitar a data para trazer conteúdo às crianças, discutindo os vários modelos familiares existentes?

Como o número de divórcios no país já ultrapassa os 243 mil por ano (IBGE, 2010), e, dentre eles, 43% envolve filhos menores de idade, é de se esperar que sua classe seja composta por crianças que vivem apenas com um dos pais – ou em novos núcleos familiares, como pai e madrasta ou mãe e padrasto (sem contar os meios-irmãos de casamentos anteriores!). Casais homoafetivos, por sua vez, conquistaram direitos nos últimos anos, inclusive (ainda que com alguns obstáculos por superar) o da adoção. Isso resulta em cerca de 60 mil casais gays em união estável; destes, 20% declararam ter filhos no último censo.

E agora?

Lidar com essas mudanças em sala de aula é desafiador, mas extremamente necessário. Engana-se quem pensa que o assunto é complexo demais para os pequenos: a primeira infância é, justamente, quando os conceitos de certo e errado estão se formando e, portanto, a idade perfeita para apresentar estilos de vida distintos com uma conotação respeitosa e positiva. Iluminar realidades sem estranhamento, como mais uma alternativa, é um passo importante para criar crianças livres de preconceito, já que elas tendem a aceitar bem as diferenças.

Faça uso de atividades em grupo e que incentivem o diálogo tanto em casa quanto entre colegas para abordar o tema. A Eduqa.me reuniu uma série de atividades sugeridas pelo MEC para trabalhar organizações familiares.

A árvore da família

A partir dos 3 anos: Pedir que as crianças tragam fotografias de seus familiares mais próximos dá início à discussão coletiva. Peça que cada um converse com seus pais ou responsáveis e saiba contar, em sala, algo sobre os membros da famílias (os adultos podem escrever a história ou curiosidade no verso da imagem, como apoio – dessa forma, o professor saberá quais perguntas fazer para estimular a fala dos alunos).

Enquanto a classe se apresenta, explique que cada um tem sua família e que cada família tem particularidades. Aponte como alguns moram com os avós, só com a mãe ou com dois pais, sempre com naturalidade. Incentive mesmo aqueles que não tenham trazido o material a falar, citando quem compõe sua família, com quem moram, se têm irmãos.

Ao invés de usar fotografias, as crianças também podem desenhar os membros de sua família (foto: Triquiteiros de S. João)

Ao invés de usar fotografias, as crianças também podem desenhar os membros de sua família (foto: Triquiteiros de S. João)

(foto: Triquiteiros de S. João)

(foto: Triquiteiros de S. João)

A partir dos 4 anos: Ao terminar a roda de conversa, as crianças vão criar sua árvore genealógica, que pode ser montada com fotos ou desenhos. É recomendável levar sua própria árvore genealógica pronta ou montá-la diante deles – com um molde já completo, compreenderão a tarefa mais facilmente.

Veja essa atividade no Baú de Atividades Eduqa.me

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Rodas de leitura

Entre 0 e 3 anos: O Livro da Família, de Todd Parr, traz ilustrações coloridas e frases curtas para introduzir as diferenças entre famílias. Elas vão desde “algumas famílias gostam de se lavar… Outras de se sujar”, mostrando um grupo de porquinhos na lama, até outras, mais explícitas, como a que diz “Algumas famílias têm duas mães ou dois pais… Algumas, têm só pai ou só mãe”. A história é uma graça e estabelece desde cedo que o que importa é o carinho entre as pessoas.

(foto: Editora Saraiva)

(foto: Editora Saraiva)

Até os 6 anos: Outra opção é O Grande e Maravilhoso Livro das Famílias, de Mary Hoffman e Ros Asquith que, inclusive, faz parte dos livros destinados ao PNAIC (Programa Nacional para a Alfabetização na Idade Certa). O livro pode ser lido para as crianças mais novas (afinal, também é composto, no geral, por sentenças breves), ou lido pelas que estão em fase de alfabetização, pois apresenta letras grandes e muitas imagens explicativas.

Dos 4 aos 6 anos: De Miriam Leitão, Flávia e o Bolo de Chocolate é uma opção lúdica e sensível de introduzir a ideia de adoção entre os pequenos. O livro – como indicado pelo título – trabalha questões raciais com muita leveza ao mostrar uma menina sempre questionada por ter a pele tão diferente da de sua mãe. Aliás, no Portal da Adoção há uma lista imensa de livros para abordar a temática, todo com conteúdo específico para essa faixa etária. Vale a pena conferir!

(foto: Editora Rocco)

(foto: Editora Rocco)

Liste algumas questões a serem lançadas após o momento de leitura. Quem tem família que mora longe? Quem mora com muita gente da família? Quem tem muitos irmãos e irmãs? Quem é filho único? As pessoas em sua casa são todas parecidas com você? Em quais aspectos? Pergunte se eles observaram famílias parecidas ou opostas à sua entre os colegas. Por quê? O que elas têm em comum e o que é diferente? Destaque que nenhuma delas é melhor ou pior.

Música

Entre 5 e 6 anos: Reúna as crianças para ouvir a canção “Eu”, do grupo Palavra Cantada. A letra narra como os bisavós do personagem se conheceram e, a partir daí, conta a história de toda a família – sempre lembrando, no refrão, que, sem aqueles acontecimentos, “eu não teria bisavô, nem bisavó, nem avô, nem avó…” e assim por diante.

Pergunte o que acharam da música e qual foi a história que acabaram de ouvir. Ressalte como cada membro da família veio de uma cidade diferente e tinha trabalhos e costumes distintos, mas, ainda assim, formaram uma família.

Mas atenção – antes de pedir que cada criança interrogue os pais sobre como se conheceram, garanta que não haja situações complicadas que possam constrangê-las (como casos fora do casamento, por exemplo). Uma alternativa mais segura é que a turma pergunte aos pais ou responsáveis de onde seus antepassados vieram e, de preferência, identifique esses locais no mapa. Também podem reparar em costumes que ainda tenham por causa dessa história: como beber chimarrão ou comer determinados doces, celebrar festas diferentes, etc.. Na aula seguinte, eles podem mostrar para a classe suas descobertas.

Acima de tudo, respeite a privacidade das crianças. Caso alguma delas já tenha experimentado uma situação de preconceito, como deboche dos colegas, xingamentos ou isolamento, ela tenderá a ficar calada e dividir pouco com a turma. Procure campos mais neutros para estimular a conversa diante a classe e aguarde para se aprofundar no assunto a sós.

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