4 Dicas Imperdíveis para Estabelecer Limites e Regras

“Quanto maior for a formação de vínculo emocional positivo dos adultos com as crianças, mas fácil elas aceitarão as regras e os limites deles.”

Richard E. Tremblay

Objetivo

  • Para que a criança possa seguir as regras e entender os limites, ela precisa desenvolver o autocontrole.
  • Atividades e estratégia simples que podem fazer a diferença na vida da criança.

#Dica 1: Seja Claro

Explique o que a criança deve fazer, quando, como e por quê. Nunca deixe de elucidar as consequências do não cumprimento da regra, mas seja breve com as crianças mais novas. Até os 3 anos de idade, a criança ainda não é capaz de entender instruções muito longas.

Além disso, ameaças do tipo: “Se você não fizer isso, eu vou chamar o homem do saco!” ou “Me dá isso agora, se não torço seu pescoço!” só irão desencadear emoções negativas na criança e não lhe informarão sobre as reais consequências de não obedecer àquela regra. Outra situação que devemos evitar é dar comandos ou orientações com falta de clareza (sem exemplificar o que esperamos), por exemplo, “arrume a mesa!” Este comando sozinho não é suficiente para a criança entender o passo-a-passo do que queremos, ou seja, que ela deve empurrar as cadeira espera debaixo da mesa, juntar os papéis em uma pilha, arrumar os lápis e as canetas dentro do estojo, etc. É necessário especificar cada ação e dizer claramente o que você espera dela.

Exemplo: 

“Depois de brincar, vocês devem juntar os brinquedos, colocá-los dentro da caixa e guardá-los naquele armário, ok? Com cada um fazendo sua parte conseguimos terminar tudo muito mais rápido e podemos aproveitar melhor o dia!” A ilustração abaixo pode ser fixada na aula nesse momento.

 

Fonte: Gazeta online

#Dica 2: Seja Coerente

Para colocar regras não use explicações exageradas ou falsas. Seu conteúdo deve estar de acordo com a realidade, com o nível de entendimento da criança e deve fazer sentido para ela.

Levar a criança para fazer um trabalho de puntura com tinta e dizer que ela não deve sujar a roupa não é um comando possível. Da mesma forma, pedir que ela cale a boca e coma o almoço todo em dois minutos, não está de acordo com a realidade.

“Limites sem sentidos, fazem com que as crianças não os levem a sério”.

Werber, L., 2014.

#Dica 3: Seja Consistente

Mantenha os combinados até o fim, exceto em situações de imprevistos em que haja necessidade de uma negociação ou de mudanças de regra. Crianças e professores devem seguir os combinados. A regra não pode depender do humor ou da vontade do adulto, nem pode deixar de ser exigida por “pena”.

“…[as regras] não devem depender do seu estado de espírito, isto é, se você está bem humorado, você deixa passar, e se você está de mal humor (…), você aplica as regras e as consequências ainda com mais dureza. Um “não”  não pode virar um “sim”depois de muita insistência (…). Se você disse não, mantenha o não até o final, mesmo que os olhinhos marejados de lágrimas amoleçam seu coração”.

Werber, L., 2014.

#Dica 4: Monitore

Supervisione o cumprimento das regras até que elas já tenham sido automatizadas pela criança.

Observações importantes:

  • Na hora de explicar o que a criança deve ou não fazer, ao invés de só fazer previsões do tipo: “você vai cair” ou “você pode se machucar e machucar alguém” diga a regra: “a escada está molhada, desça devagar, segure no corrimão, para não escorregar”, não ande com a tesoura aberta na mão desse jeito, para não se machucar”.
  • Na regra deve especificar bem o que a criança deve fazer. Melhor dizer: “cumprimente seu coleguinha”do que “seja bonzinho”.
  • Provavelmente as regras precisarão ser repetidas algumas vezes até todas as crianças aprenderem. Uma alternativa à repetição é questionar a criança o porquê de ela não poder fazer aquilo, como por exemplo: “o que pode acontecer se você correr no chão molhado?”.
  • As regras devem respeitar as limitações relativas à idade da criança.
  • Até os 4 anos de idade, as crianças pensam o mundo de maneira concreta, portanto usar frases com duplo sentido, ironia, sarcasmos ou de significado muito vago não ajuda.
  • Até os 5 anos de idade, elas ainda não são capazes de permanecer em uma mesma atividade por muito tempo, por isso, em aulas expositivas, procurar criar tarefas curtas ou dinâmicas, que mudem o foco da criança de tempos em tempos (por exemplo, a cada 10-20 minutos). Isto as auxiliam a se manterem atentas por mais tempo.
  • Muito cuidado com o que promete, pois consequências não cumpridas fazem você perder o crédito.
  • Não imponha uma regra sem ter certeza de que você será consistente ao aplicá-la. Geralmente crianças tentam a testar a consistência de situações que não querem cumprir. Seja paciente e persistente.
  • Crie regras com o grupo e selecione as mais relevantes para fazer cartazes pintados pelas próprias crianças e fixar na sala de forma ilustrativa.

Registre!

  • Como está a disciplina das crianças? As crianças conseguiram entender os comandos?
  • Quanto a ser claro com os comandos, o que deu errado?
  • Houve algum comportamento marcante, bom ou ruim? Como foi o relacionamento entre as crianças durante a atividade?

Registre como a criança está se comportando e anote exemplos e como anvançou. Isso enriquecerá o portfólio delas e será uma ferramenta útil para a avaliação!

Texto elaborado a partir do material produzido pelo Projeto Pela Primeira Infância. Clique e conheça mais sobre o Projeto Pela Primeira Infância– Programa de Formação em Desenvolvimento Cognitivo Infantil com base nas Neurociências, para profissionais da Educação Infantil

 

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