Ao longo de sua carreira, o professor constantemente se depara com o seguinte desafio: “como apoiar minhas práticas de sala de aula com referenciais teóricos de qualidade?”. Existem alguns caminhos para tanto. O mais indicado é a pesquisa em plataformas de artigos acadêmicos: o Google Acadêmico reúne bases de todo o mundo e Brasil, mas você também pode buscar em instituições reconhecidas, como a USP, PUC ou Unicamp.   

Nesse post, selecionamos algumas pesquisas que apoiam técnicas em salas de aula para professores tanto da Educação Infantil quanto do Ensino Fundamental.

1 – Psicomotricidade em foco

A partir de 2010, o Ensino Fundamental passou a ter duração de nove anos, e começou a ser obrigatório para as crianças a partir dos seis anos de idade. A maioria das crianças que está no Ensino Infantil sofre com uma mudança brusca para o Ensino Fundamental, a começar pelo espaço, que é completamente diferente. No Ensino Infantil, existem parquinhos e locais para atividades, e, no Ensino Fundamental, o espaço tem que atender o público de seis a catorze anos, em média. E como a escola pública trabalha essa questão? Fizemos questão de trazer uma pesquisa que aborda como a psicomotricidade é tratada nessa fase de transição entre etapas tão importante para o desenvolvimento da criança.

Resumo
O objetivo da presente pesquisa foi compreender como está sendo tratada a motricidade das crianças de seis anos no ensino fundamental, considerando que para Wallon – referente teórico para este estudo – motricidade é sinônimo de psicomotricidade, uma vez que a concebe como indissociável do psiquismo. Este estudo apontou que a escola ainda não reconhece a importância do ato motor para o desenvolvimento cognitivo e afetivo, ainda que haja práticas que integrem o movimento às atividades desenvolvidas. Não reconhece que cabe a ela proporcionar oportunidades para que as crianças de seis anos vivenciem o espaço físico, fundamental para a construção do espaço mental, e oferece poucos momentos para brincadeiras de ficção, importantes para o fortalecimento da representação.

Confira aqui a dissertação de Fátima Bissoto Medeiros Cintra, da PUC-SP.

2 – Sexualidade na sala de aula

A abordagem da sexualidade no Ensino Infantil e Ensino Fundamental é trabalho da Biologia como disciplina? Não somente. Todos os alunos estão passando por uma fase de descoberta de si, do corpo e das interações do próprio corpo com os outros. Mas como os professores podem abordar isso na sala de aula? Para ajudar a responder essas perguntas, selecionamos uma tese que busca entender como a sexualidade vem sendo abordada nas práticas de sala de aula das séries iniciais, considerando que a percebemos como uma construção histórica e cultural.

Resumo
Nesta tese, a sexualidade é investiga, especificamente como vem sendo tratada nas salas de aula das séries iniciais do Ensino Fundamental, do município de Rio Grande/RS. Para tanto, narrativas de professoras das séries iniciais que participaram do curso “Discutindo e refletindo sexualidade-AIDS com professoras das séries iniciais do Ensino Fundamental” são analisadas. Nesse estudo, a sexualidade é tomada como uma construção histórica e cultural, que inscreve comportamentos, linguagens, desejos, crenças, identidades, posturas no corpo, através de estratégias de poder/saber sobre os sexos.

Confira aqui a tese de Paula Regina Costa Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

3 – Políticas públicas para o Ensino Infantil

Em 2019, algumas escolas por todo o país já começaram a adotar algumas mudanças da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Infantil, que trouxe diretrizes que devem ser implementadas até 2020. Mas esse não é o primeiro e nem o último documento do governo sobre políticas públicas para o Ensino Infantil. Pensando nesse cenário, selecionamos um breve artigo, parte de uma dissertação de mestrado, que faz uma análise de diversos documentos legais, desde a Constituição Federal de 1988 até a BNCC para a Educação Infantil, com o objetivo de explicar a contribuição de cada documento para as Políticas de Educação Infantil.

Resumo
Neste artigo, que é parte de dissertação de mestrado, vamos expor e discutir os principais pareceres e princípios dos documentos legais desde a Constituição Federal de 1988 até a BNCC para a Educação Infantil, com o intuito de compreender a contribuição de cada documento para as Políticas de Educação Infantil. Os resultados revelam as contradições entre a legislação e a prática educacional, assim como levanta os aspectos históricos constituintes da temática abordada. Entendemos que a análise da BNCC é indispensável quando estudamos as políticas públicas de educação, pois é o documento mais recente da política curricular.

Confira aqui o artigo de Ana Paula Barbieri Mello, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões.


4 – Literatura e matemática: qual a relação?

Na Educação Infantil, o ensino de matemática está atrelado à como cada criança se comunica: é através da fala, do corpo, da música ou dos objetos? Pensando nesses desafios, e em uma sala de aula com crianças que se expressam de formas diferentes, selecionamos uma dissertação que aborda a relação entre literatura e matemática.

Resumo
A pesquisa procurou mostrar como o educador pode trabalhar com a literatura e a matemática, criando momentos na prática de sala de aula que propiciam a compreensão e a familiarização com a linguagem matemática em crianças de 5 e 6 anos da Educação Infantil de uma escola municipal de São Paulo. Entendemos que os educadores da educação infantil, de crianças de 5 e 6 anos de idade, necessitam compreender o desenvolvimento no qual a criança se encontra, percebendo que o raciocínio lógico e a construção de conceitos matemáticos precisam focar atividades práticas, envolvendo movimentos, músicas, desenhos, manipulação e jogos. Entendemos, também, que relações estabelecidas com crianças de 5 e 6 anos de idade necessitam priorizar relações sociais, sempre considerando as vivências da criança, suas necessidades afetivas e sociais, propiciando uma visão de mundo do qual faz parte e compreendendo-se como ser humano.

Confira aqui a dissertação de Regiane Perea Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

5 – Enquanto isso, nos Estados Unidos, no campo de Matemática…

Como diminuir a distância entre teoria e prática, entre o meio acadêmico e a sala de aula? Em 2018, foi lançado o livro “Growing Mathematical Minds” (em inglês), do grupo Early Math Collaborative. O material foi redigido a partir do diálogo entre psicólogos do desenvolvimento e professores do Ensino Infantil, e conectou pesquisas sobre o pensamento matemático com práticas de sala de aula.
Dentre os assuntos abordados no livro, dois deles chamam a atenção. O primeiro é a ansiedade no ensino de matemática. Existe um problema do tipo “a galinha ou o ovo?”: os estudantes se tornam ansiosos por causa da matemática e então não aprendem a matéria, ou a falta de entendimento da matemática, ou habilidades ainda não desenvolvidas, tornam-os ansiosos sobre aprender matemática? Não existem muitas pesquisas sobre o assunto, mesmo sendo um desafio recorrente para a área.
Outro ponto interessante é a potencialização do aprendizado a partir da matemática aplicada em problemas do mundo real. Para utilizar essa técnica, o mais importante é dar contexto aos alunos por meio de situações que contenham significado. Os professores fizeram algumas experiências com os estudantes: primeiro, brincaram com jogos matemáticos na escola e, depois, encorajaram os pais a brincarem também em casa. Isso foi muito bom para dar um contexto às crianças e facilitar o aprendizado.

Leia a entrevista da diretora do Early Math Collaborative no Edutopia clicando aqui.

As traduções presentes neste artigo foram feitas de forma livre. Caso achar algum erro conceitual, favor informar.

Escrito por: Bianca Sonnewend, formada em Marketing e tem foco na produção de conteúdo. É apaixonada pela área da educação e atua nela há 2 anos. Hoje, é analista de Inbound Marketing na Agência Mestre e também freelancer.
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