Você com certeza já ouviu, ao menos uma vez, que, para aprendermos algo com êxito, é necessário que o processo de aprendizagem seja significativo e prazeroso. O significado colocado naquilo que se aprende e o prazer sentido nesta conquista fazem com que as experiências vividas sejam gravadas para além da memória – o que permite, então, que determinado conhecimento faça sentido e seja acionado com maior facilidade.

Contudo, aprender requer esforço, estudo, desconforto, desequilíbrio cognitivo, entre outras tarefas árduas. E aí, pergunto: como isso pode ser prazeroso?

Se soubermos como a criança aprende, ou seja, qual é a via de acesso utilizada para entrar em contato com o conhecimento, podemos, sim, transformar essas duras tarefas para aprender em suaves caminhos em busca do saber, com significado e satisfação.

Você conhece os estilos de aprendizagem? Eles podem facilitar este caminho. Qual dos estilos abaixo se assemelha mais ao seu jeito de aprender?

Uma mesma atividade precisa ativar vários sentidos - assim, crianças que aprendem de formas diferentes serão igualmente estimuladas (foto: Health Ideas)

Uma mesma atividade precisa ativar vários sentidos – assim, crianças que aprendem de formas diferentes serão igualmente estimuladas (foto: Health Ideas)

Cinestésico

Como aprendem:

  • Contato físico, movimento, gestos enquanto falam.
  • Aprendem mais facilmente tocando, construindo algo manualmente ou gesticulando enquanto leem (manipulação).
  • Não ficam muito quietos na carteira.

O que fazer:

  • Pense em aulas dinâmicas, altere várias vezes o tom de voz, faça gestos, ande em sala de aula; enfim, movimente-se.
  • Permita a vivência, ou seja, experiências práticas sobre o assunto estudado.

Métodos e autores importantes:

  • Piaget, Vigotski, Wallon: Interacionistas.
  • Abordagem sociocultural: Educador e educando são sujeitos de um processo que constroem juntos. (FREIRE, 2000).
  • Método Gestual (GÓMEZ e TERÁN, 2006, p.366): combinado com a representação espacial e a simbolização gestual.

Visual

Como aprendem:

  • Dificuldades com aulas expositivas. Trabalhar com estímulos visuais é necessário (cartazes, lousa, figuras, textos impressos, etc.).
  • Observadores: fale sempre olhando para os alunos.
  • Costumam fazer leitura da linguagem corporal.
  • Gostam de fazer anotações o tempo todo.
  • Possuem facilidade com mapas.
  • Ficam atentos aos detalhes (concentração).
  • Possuem bom dicionário mental.
  • São metódicos.
  • Visualizam as palavras antes de escrever (boa ortografia).

O que fazer:

  • Ofereça recursos visuais sobre a aula estudada (exemplo vídeo-aula)
  • Aproveite esquemas e gráficos.

Métodos e autores importantes:

  • Leitura com imagens.
  • Método Integral: cores – estrutura da escrita – construído a partir das necessidades dos alunos (OÑIATIVIA, 2000).
  • Emilia Ferreiro (2004), Teberosky e Ferreiro (1991) – construção da escrita (figura – palavra- diagnóstico da escrita).

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Auditivo

Como aprendem:

  • Aprendem facilmente ouvindo.
  • Gostam de diferentes estímulos sonoros (música, rádio, televisão, etc).
  • Preferem instruções orais (verbais).
  • Falam e explicam para o outro o que aprenderam, pois a fala organiza o pensamento.
  • Expressam verbalmente emoções.
  • Costumam fazer muitas perguntas e ter falhas ortográficas (escrevem como ouvem).
  • Distraem-se facilmente com sons.

O que fazer:

  • Procure gravar as aulas e peça que o aluno escute as gravações periodicamente.
  • Oriente o aluno para que grave a sua própria voz ao estudar.
  • Leia textos em voz alta e proporcione discussões e conversas em grupo.

Métodos e autores importantes:

  • Método Fônico (CAPOVILLA e CAPOVILLA, 2004). Consciência fonológica – a consciência com relação aos sons que ouvimos e falamos.
  • Método Fônico Computadorizado (CAPOVILLA e CAPOVILLA, 2005).
  • Método Tradicional (Centrado na fala, discurso).

Teórico

Como aprendem:

  • São bastante criativos, organizados e planejam suas tarefas.
  • Seguem instruções e perguntam bastante.
  • Atraem-se por exercícios que trabalhem com memorização, reflexão, atenção, concentração.

O que fazer:

  • Oriente que os alunos façam registros através de anotações.
  • Trabalhe com a repetição, memorização e planejamento dos estudos.

Métodos e autores importantes:

  • Construtivismo – reflexão sobre o erro (WADSWORTH, 1997).
  • Método Tradicional – transmissão de conhecimento, decorar, copiar, repetir (LIBÂNEO, 1990).
  • Cognitivista – organização do conhecimento, processamento de informação, planejamento (Piaget).
  • Cartilhas, apostilas.

Em sala de aula, seria importante que pudéssemos trabalhar com o estilo de aprendizagem de cada um de nossos alunos. Contudo, sei que deve estar pensando que isto é impossível, certo?

Esse desafio pode ser encarado com a diversificação da prática pedagógica.

Lembre-se que o melhor método nem sempre é aquele adotado pela escola, ou mesmo aquele que o professor mais gosta de trabalhar. O melhor método é aquele que funciona para o aluno, seja ele qual for. Para isso, utilize em sua prática pedagógica uma diversidade de materiais e estratégias que possam contemplar os estilos de aprendizagem. É como se, todos os dias, você abrisse uma mochila cheia de métodos e recursos distintos.

Inove suas aulas com pequenas modificações, pensando em diferentes variações para uma mesma atividade. Por exemplo: pense em vários materiais, texturas, cartazes; atividades para ler, ouvir copiar, gravar, encenar; envolva uma música, filme, teatro; pense na frequência dos exercícios; sugira maquetes, vivências, etc.. Faça uso de muitos jogos e materiais concretos.

Confira algumas sugestões de materiais para cada estilo de aprendizagem

Estilo cinestésico – Jogo: Encontrando a quantidade

(foto: The Imagination Tree)

(foto: The Imagination Tree)

Você vai precisar de: 1 tabuleiro com tampas numeradas até 10(você também pode usar copos ou pequenos potes), 55 moedas ou pedrinhas coloridas.

O jogador deve distribuir as moedas pelo tabuleiro fazendo a correspondência entre o número e a quantidade de moedas em cada tampa.

Estilo visual – Jogo: Cadê a letra?

(foto: Oopsey Daisy)

(foto: Oopsey Daisy)

Você vai precisar de: 1 Tabuleiro com o alfabeto , 26 peças com letras móveis do alfabeto e 3 marcadores.

Esse jogo se assemelha ao Lince, mas, no lugar das figuras, temos as letras do alfabeto. O alfabeto móvel deve ficar virado para baixo. Se for jogado individualmente, o jogador deve colocar a letra sorteada sobre a letra igual no tabuleiro até acabarem as peças. Se for jogado por mais pessoas, quem encontrar primeiro a letra sorteada deve colocar o marcador sobre ela, e ficar com esta letra. Ganha o jogo quem tiver mais letras.

Estilo auditivo – Jogo: Rolinho sonoro

(foto: Thrive 360 Living)

(foto: Thrive 360 Living)

Você vai precisar de: 5 rolinhos com sons diferentes para se trabalhar os numerais. Cada um deve conter a respectiva quantidade de peças. Material bem aproveitado por crianças com autismo e transtornos globais do desenvolvimento.

Estilo teórico: Jogo: Treinando a escrita

(foto: Teaching.Au)

(foto: Teaching.Au)

Você vai precisar de: placas plastificadas com  o alfabeto, vogais, o nome da criança e canetas para quadro branco com apagador.

O objetivo é treinar a escrita contornando as letras claras. Isso substitui o pontilhado, que muitas vezes pode ser um problema, principalmente para crianças com Síndrome de Down.

Valorize sempre as diferenças em sala de aula, pois cada um tem o seu talento – só precisamos encontrar formas para que eles apareçam! Comece por descobrir como você mesmo aprende, professor, pois talvez isso te ajude a ensinar ainda melhor!

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

 


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