Independência ou morte!

Como vamos falar com as crianças sobre este tema histórico sem nos referirmos a esta frase? Impossível não é? Mas um pouco complexo, você não acha?

Para sairmos daquele padrão de atividades para pintar, vamos dar vida aquele  tradicional chapéu de dobradura que costumamos fazer através da voz da criatividade, espontaneidade e sensibilidade. O que você acha de usar os jogos dramáticos? Topa este desafio?

dia da independência

Digo desafio pois trabalhar com os jogos dramáticos em sala de aula é uma experiência muito desafiadora pois proporciona e favorece as relações interpessoais e isto por si só já é bastante complexo. Pensando nisso, você  já ouviu falar em Psicodrama?

O psicodrama é uma técnica psicoterapêutica que visa propiciar uma ação dramática no indivíduo ou num grupo. Trabalha com as relações interpessoais e também com ideologias particulares. Jacob Levy Moreno (1889-1974) foi o psiquiatra romeno, responsável pelo desenvolvimento e criação desta técnica.

Moreno, em seus estudos e técnicas traz a questão da espontaneidade como algo muito importante dentro do Psicodrama; e para explicar a origem de sua ideia, podemos tomar nota de um fato que acontece com Moreno quando ele tinha mais ou menos uns 5 anos de idade; ele estava brincando com outras crianças de ser “deus e anjos”; num momento quando Moreno era o “deus”, um dos anjos pediu que ele voasse e então ele voou, acabando por quebrar o seu braço direito. Neste momento Moreno refere-se bem humorado, dizendo que foi o “embrião de sua ideia de espontaneidade”.

7 de setembro

Quando incorporamos uma ideia e a vivenciamos, fazemos o registro desta experiência no corpo e isto por sua vez passa a ser extremamente significativo e benéfico para a aprendizagem.

Maria Alicia Romaña, por volta de 1963, foi a pessoa que começou a discutir o Psicodrama Pedagógico e a utilizar esta técnica. Os seus pilares básicos também estão centrados na tríade grupo-jogo-teatro, assim como o Psicodrama Terapêutico; mas a intenção de se estabelecer esta técnica foi em desenvolver uma alternativa metodológica para o educador, com características sociais podendo ser trabalhado da pré-escola  ao nível superior; mas não podemos confundi-lo como uma metodologia para os alunos e sim uma metodologia com os alunos; que se faz com eles.

#NaEducação

Como método educacional, o Psicodrama utiliza de atividades grupais, jogos e dramatizações; favorecendo as relações interpessoais, como já foi dito.

Utilizamos o Psicodrama Pedagógico para fixar e exemplificar o conhecimento (como é o caso da temática independência do Brasil); para ajudar alunos ou grupos com problemas disciplinares; para desenvolver novos papéis; para aprofundar e voltar a um tema estudado; para sensibilizar grupos; prevenir situações ansiógenas; elaborar mudanças; avaliar o trabalho em equipe e outras.

O Psicodrama de uma forma geral, traz os conceitos de empatia, espontaneidade e criatividade; que analisando nossa prática como professores, coordenadores, diretores e Psicopedagogos, percebemos a grande importância dos mesmos. A capacidade de se colocar no lugar do outro é algo que deve estar muito presente nas salas de aula.

Para sentirmos o prazer de estarmos vivos é preciso que nos reconheçamos enquanto agentes de nosso próprio destino e para isso devemos conhecer a nossa espontaneidade e nossa criatividade. Assim, nas palavras de Moreno:

“Espontaneidade é a capacidade de agir de modo ´adequado`diante de situações novas, criando uma resposta inédita ou renovadora ou, ainda transformadora de situações preestabelecidas”.

“A possibilidade de modificar uma dada situação ou de estabelecer uma nova situação implica em criar: produzir, a partir de algo que já é dado, alguma coisa nova. A criatividade é indissociável da espontaneidade. A espontaneidade é um fator que permite ao potencial criativo atualizar-se e manifestar-se”.

#NaEscola 

Aproveite a atividade abaixo e depois nos conte como foi a sua experiência!

Dinâmica: vivendo a história

Desenvolvimento: após o professor contar a história sobre o que foi a independência do Brasil de uma forma bem lúdica, divide-se a sala em pequenos grupos e cada aluno é convidado a pensar em qual personagem da história gostaria de ser.  Ao contar a história utilize objetos, música, imagens; inclusive pode-se fazer um chapéu e uma espada do D. Pedro com jornal no decorrer da história. Depois que todos escolherem os seus papéis, distribua desafios diferentes para cada grupo. Um grupo reconta a história da maneira que entendeu; o outro grupo, dependendo da idade das crianças, podem inventar uma forma diferente de recontar a história; para o outro peça para representarem apenas a situação do conflito e avalie como as crianças se inter-relacionam; enfim, use sua criatividade, permita o criar, co-criar, seja espontâneo e sensível, afinal, ninguém conhece melhor a sua turma do que você mesmo!

Recursos: Música, livros com a história da independência, figuras, objetos representativos como a bandeira do Brasil e jornal.

Objetivos: * Fazer um aquecimento grupal através da história interativa de maneira lúdica. * Representar através da dinâmica, um pouco do que as crianças entenderam sobre o conteúdo e a maneira que se relacionam umas com as outras .

Fonte: MORENO, Jacob Levy. Psicodrama. 4.ed.São Paulo: Cultrix, 1987.

Romaña, Maria Alicia. Psicodrama Pedagógico:  método educacional psicodramático. 2 ed. São Paulo: Papirus, 1987.

Aproveite  a data comemorativa para resgatar valores cívicos e incentivar o respeito aos símbolos do Brasil. Recorrer ao mundo da fantasia é sempre uma ideia bem-vinda.

No post anterior falei sobre ” Bandeira do Brasil: como trabalhar?”

E claro, registre as evidências e falas relevantes em sala. Essas anotações serão muito valiosas para o refletir sobre os avanços dos pequenos.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.


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