comunicação não violenta

Comunicação Não Violenta: como ela pode te ajudar na Escola

– Não seja assim!
– Não chore!
– Deixe de birras!
– Cala a boca e presta atenção!
– Senta lá!
– Vou deixar você de castigo! Pare com isso!
– Eu vou arrancar a sua língua!
– Você é surdo? Já falei um milhão de vezes pra não fazer isso.


O que tem de tão familiar nessas frases?
Todas essas frases foram tiradas do contexto da sala de aula.  Elas são tão comuns que parece que já ouvimos isso em algum momento da nossa vida ou, quem sabe, até pronunciamos de vez em quando.
Elas parecem desconsiderar completamente a violência que estão por trás de cada palavra e também o efeito que terão sobre a criança que está ouvindo.
Costumamos pensar que a violência está intimamente ligada com alguma agressão física, mas peraí, se fizermos um micro esforço lembraremos de situações que são super violentas lexicamente ¹ falando.
Muitas vezes a comunicação pode ser uma das piores violências, pois ela pode marcar eternamente a vida de uma criança. 
Dito isso, quero compartilhar com vocês sobre o conceito de uma Comunicação aposta a essa:  a Comunicação NÃO Violenta!
A Comunicação não Violente (CNV), foi criada pelo americano Marshall Rosenberg, e é um método simples de comunicação.
Uma comunicação que é clara, empática e que almeja encontrar um jeito para que todas as pessoas falem o importante sem culpar o outro, humilhá-lo, envergonhá-lo, coagi-lo ou ameaçá-lo.
É uma comunicação útil para resolver conflitos, conectar-se aos outros, e viver de um jeito consciente, presente e antenado ás necessidades vitais e genuínas de si mesmo e do mundo. Baseada na ideia de que todos os seres humanos têm a capacidade da compaixão e a capacidade de escutar verdadeiramente o outro a CNV cria  uma cultura de expressão que resolva os conflitos, ao invés de criá-los.

cnvPodemos dividir o processo da CNV em 4 componentes:

  1. Observação: Observamos as ações concretas que nos afetam. Sem julgamentos e sem juízo de valores. Apenas uma declaração do que estamos observando que pode (ou não) ter nos agradado;
  2. Sentimento: Identificamos e nomeamos o que estamos sentindo em relação ao que observamos. Ou seja, nos perguntamos: ” como me sinto diante disso? Frustrado? Alegre? Magoado?Irritado? dentre outros…
  3. Necessidades: Informamos para o outro as nossas necessidades, valores e desejos que estão conectados aos sentimentos que identificamos anteriormente. Em outras palavras, quais são as minhas necessidades, desejos ou valores que guiam meus sentimentos?
  4. Pedido: Pedimos para que algumas ações concretas sejam realizadas, de forma a atender nossas necessidades.

#NaEscola

bons professoresO que vimos nas frases acima são exemplos que tentam limar, corrigir o errado e indicar o correto. Apontar o bom e o mau e abafar o aluno e torná-lo cada vez mais passivo e ouvinte.
Pois, afinal de contas, o professor é uma grande autoridade e ele, enquanto mestre e detentor do conhecimento, deve criar condições favoráveis para que cada criança desenvolva sua capacidade de conservar sua integridade pessoal e, por isso, o mestre tenta moldar as crianças.
Caso alguma dessas crianças não se encaixe nesses padrões os educadores investem em técnicas punitivas. É assim que a Escola tem conduzido seus ensinamentos por séculos, não é mesmo?
As perguntas que pairam no ar são:
Nesse contexto há espaço para a empatia?

É nesse modelo educacional que devemos investir ?

O Professor Afetuoso


Como dito no post “Como trabalhar afeto na Educação Infantil” o afeto tem um papel fundamental na aprendizagem.
A relação de qualidade entre o professor e o aluno depende mais de “como” e ” a quem” se ensina, do que o ” o que se ensina”. Para que o professor se torne eficaz na sua tarefa de ensinar é preciso criar um vínculo com o aluno: uma ligação. Essa ponte com o aluno e construída, na maioria das vezes, com a comunicação.

O professor que domina a competência de comunicação, além de afetuoso, têm  ferramentas muito significativas nas mãos.

professor afetuoso
– Respeito pelos interesses dos alunos
– Educa com afeto
– Liberdade para aprender
– Ambiente agradável em sala
– Construção do conhecimento
– Autonomia na aprendizagem


A proposta da Comunicação Não Violenta é sair da lógica do culpado, da punição, do certo e do errado e desconstruir comportamentos pré-estabelecidos. Quebrar todos os paradigmas e apresentar um novo jeito de se comunicar.
O ato de se comunicar é, por si só, uma necessidade fundamental para a qualidade da existência do indivíduo. A CNV nos instrumentaliza para responder essa necessidade e esinar como construir e melhorar a nossa relação com o outro.
Aqui fiz apenas uma resumo sobre o que é e como podemos começar a exercitar dentro de nós mesmo e dentro da Escola.
Se você gostou do conceito e quer entender um pouco mais sobre a comunicação não-violenta deixo algumas sugestões para que você aprofunde no tema e se envolva com esse jeito empático de lidar com os conflitos internos e externos.
Proponho que experimente esse exercício abaixo e percebam a diferença que a CNV faz nas nossas vidas.

“Vejo que ____. Estou me sentindo ____ por precisar de ____. Você gostaria de ___?”. Ou “Vejo que ____. Você está se sentindo ____ por precisar de ____?”, seguido de “Resolveríamos sua necessidade se eu ____?” ou uma declaração de seu próprio sentimento e necessidade seguido por um pedido.


Com o tempo, podemos perceber mais abertura, mais ternura nas relações e as pessoas se sentiram a vontade para se abrir e se expressar diante dos outros, pois o ambiente será de pura confiança e respeito.

Lexicalmente ¹ : Relacionado com a palavra.

Agora que você já está sabendo tudo de Comunicação Não Violenta, que tal aproveitar para fazer relatórios usando essa nova habilidade? Acesse a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.

Aproveite a duração da atividade não apenas para acompanhar e facilitar o aprendizado da turma, como também para registrar esse desenvolvimento. Fotos e vídeos são ferramentas simples que podem ser usadas durante a aula para gravar detalhes na evolução de cada aluno, facilitando o relatório pedagógico que será feito mais adiante!

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Sugestão de leitura:
Livro “Comunicção Não-Violenta” de Marshall Rosenberg

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 


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