Como pais e professores podem facilitar a adaptação escolar?

Mother with daughter (8-10) looking at one another

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Como pais e professores podem facilitar a adaptação escolar?

O ingresso na escola é considerado um dos marcos mais significativos de separação entre as crianças e seus pais. É o espaço onde elas vão se confrontar, conhecer e vivenciar situações, valores e culturas diferentes daquelas em que foram criadas.

A adaptação ao meio escolar é um processo que deve ser tratado com muito cuidado, responsabilidade, confiança e amor. Além disso, vale lembrar que o sucesso da criança nessa fase dependerá muito mais dos adultos envolvidos (pais e professores) do que da própria criança.

É natural que a criança sinta medo do abandono – por isso, o choro é comum nos primeiros meses de experiência. Isso não significa que a escola ou a família estejam fazendo mal à criança, apenas que ela está aprendendo como lidar com novos desafios.

O processo de adaptação pode se manifestar de formas diferentes, dependendo das características individuais e do contexto de cada criança. Porém, ainda que haja crianças mais apegadas aos pais e, outras, claramente extrovertidas e com facilidade de interação, todas, sem exceção, precisam se sentir acolhidas, respeitadas e seguras – não só para que a sua aprendizagem corra bem, mas para que seu desenvolvimento psicossocial seja saudável.

Os pais precisam confiar na escola e ser incluídos no processo de adaptação (foto: Kinderlime)

Os pais precisam confiar na escola e ser incluídos no processo de adaptação (foto: Kinderlime)

Pontos de reflexão para o professor:

  • Prepare bem o ambiente para receber os alunos. Pense num espaço sem muitos estímulos, a priori, já que o objetivo é acalmar a criança e fazê-la sentir-se bem, não confusa e agitada.
  • Apresente as pessoas da escola, o espaço físico e os materiais/jogos/brinquedos.
  • Acalme-se, professor! A única coisa com que você precisa se preocupar neste momento é estabelecer um vínculo de confiança com as crianças. Não idealize um primeiro dia perfeito ou fique frustrado com imprevistos.
  • Nunca coloque um aluno numa situação de conflito; ajude-o e medie situações-problema.
  • Faça um esforço para conhecer todos os seus alunos, e os respectivos pais, pelos nomes. Isso faz diferença, mostrando que cada um é único. Assim que possível, descubra do que seus alunos gostam e interaja com as famílias.
  • Respeite os comportamentos adversos da criança, amparando-a e protejendo-a. Tente ressignificar a agressividade dela oferecendo opções para a mudança de comportamento.
  • Ofereça momentos de atenção individual a criança, mas, gradualmente e com paciência, ensine também que a escola é um espaço coletivo.
  • Entenda que essa fase também não é fácil para os pais, já que, agora, eles passam a partilhar a educação dos filhos para além do núcleo familiar. Eles precisam se sentir confiantes quanto aos métodos da escola – portanto, dedique-se a explicar sua rotina e tirar dúvidas.

As dicas acima são válidas para todo início de ano letivo, mesmo para aquelas crianças que não são novas na escola.

Conversar com a criança antes e durante o processo de adaptação é importante - mas os pais precisam ser honestos e praticar a escuta (foto: Huffington Post)

Conversar com a criança antes e durante o processo de adaptação é importante – mas os pais precisam ser honestos e praticar a escuta (foto: Huffington Post)

Pontos de reflexão para a família:

  • Passe confiança à criança, deixando-a segura de que você vai voltar para buscá-la na escola. Assegura-a de que a ama e do quanto ela é importante para a família.
  • Fale sobre a escola e das coisas que ela irá fazer lá com entusiasmo, mas não crie ilusões dizendo que tudo será da forma como ela deseja. Explique que é um local coletivo e que haverá outras crianças com quem brincar e dividir a atenção.
  • Participe do processo de adaptação do seu filho, sem pressa de que ele acabe logo. Respeite as orientações da escola e busque compreender a estratégia dos professores para que ajam em conjunto.
  • Busque não se atrasar nem na hora da entrada e nem na hora de buscar a criança. Isso fortalece a confiança dela nos pais e diminui qualquer desconforto como a ansiedade.
  • Converse sobre como foi o dia da criança, pergunte e deixe-a falar em seu ritmo. Não responda por ela ou dê opções de resposta – pois, assim, não será um diálogo (por exemplo, ao invés de perguntar “Você comeu arroz? Carne? E batata?”, deixe em aberto: “O que você comeu na escola hoje?”).
  • Explique mudanças de rotina à criança honestamente, mesmo ela sendo pequena – mas, é claro, com uma linguagem adequada para cada faixa etária. As crianças percebem quando os pais mentem e isso costuma afetar a confiança e respeito que têm por eles.

Lembre-se sempre que as crianças, apesar de pequenas, merecem ser escutadas e acolhidas em suas necessidades como qualquer sujeito. Elas são indivíduos completos, com opiniões, preferências e emoções que não devem ser descartadas como menos importantes devido à idade. Estar em um  ambiente seguro irá possibilitar o desenvolvimento pleno de suas habilidades emocionais, sociais e cognitivas.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

O coordenador virou o faz-tudo da escola?

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

Carreira/Formação/Registros/Rotina pedagógica
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O coordenador virou o faz-tudo da escola?

“Existem dois tipos de coordenador: o maestro, que conduz e forma os professores, ou o bombeiro, que passa o dia correndo e apagando incêndios”. Ouvi a frase há algumas semanas durante uma aula da pós-graduação, justamente em um módulo sobre o papel da coordenação na nova configuração da escola. Surpresa: mesmo entre educadores, não houve consenso.

A maioria dos coordenadores são antigos professores que se destacaram em sala de aula e foram convidados a ocupar o cargo – sem que, contudo, recebessem uma formação específica para essa nova tarefa. Cursos de pedagogia abordam muito superficialmente as atribuições desse profissional, portanto, cabe a ele ir atrás de cursos, livros, debates e informação para melhorar sua prática. Afinal, por mais que a experiência em sala seja importante para compreender a rotina da equipe que se quer orientar, há outras competências que se fazem necessárias: a liderança, por exemplo, assim como a gestão de tempo e de pessoas.

Outro percalço é o fato de que, mesmo dentro das escolas, as funções do coordenador ainda se confundem. Quando há a figura de um orientador pedagógico, é possível dividir esforços: o coordenador é encarregado de tudo o que concerne o aprendizado das crianças, o pedagógico, mas cabe ao orientador lidar com relacionamentos familiares e questões socioemocionais dos estudantes. Infelizmente, em um grande número de escolas, um único profissional acumula os dois trabalhos (além de vários outros desafios diários que não estavam nos seus planos).

Então, o que NÃO É função do coordenador?

  • Ser o inspetor – supervisionar a entrada e saída das crianças diariamente ou garantir o uso do uniforme escolar não são tarefas do coordenador pedagógico (ainda que 72% dos coordenadores entrevistados pela Fundação Victor Civita para a pesquisa ‘O Coordenador Pedagógico e a Formação de Professores: Intenções, Tensões e Contradições’ as façam). Verificar se as salas de aula estão limpas e organizadas tampouco deveria estar na sua lista de afazeres (são 55% os que o fazem), nem cuidar da quantidade de material didático ou estado de conservação da escola (35%). No caso da supervisão dos alunos, o mais indicado seria designar outro profissional qualificado para o trabalho. Já se preocupar com a infra-estrutura e recursos da escola cabe ao diretor e ao vice.
  • Tarefas administrativas – organizar tabelas de horários, preencher ou conferir listas de chamadas, arquivar documentos, escrever atas são parte do dia a dia de 22% dos coordenadores, apesar de pertencerem aos deveres da secretaria. Caso a papelada esteja saindo do controle, é hora de pensar sobre os sistemas utilizados pela escola: a que serve tanta burocracia? Há formas de minimizar esses processos e, assim, economizar tempo? Além da Eduqa.me, com foco em documentação pedagógica, outros sites e ferramentas podem tornar essa missão mais fácil.
A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

  • Substituir professores em sala – idealmente, a escola possui uma lista de professores substitutos que estejam aptos a assumir em caso de imprevistos. Um banco de atividades também pode (e deve) ser criado em parceria com os docentes, para que as substituições sejam rápidas e não prejudiquem a turma. Ainda assim, 19% dos coordenadores entrevistados responderam que substituem colegas faltosos uma ou mais vezes por semana.
  • Eventos e parcerias – 18% dos profissionais disse acreditar ser papel do coordenador se envolver ativamente em festas juninas, apresentações das crianças ou gincanas que acontecem na escola. Na verdade, a responsabilidade da coordenação aqui é orientar, não executar. Ou seja: não é preciso virar noites recortando e colando cartazes, mas sim organizar a equipe e distribuir tarefas. Quando excursões escolares estão programadas, os professores responsáveis pelo passeio podem trabalhar em parceria com a secretaria para agendar datas e enviar comunicados aos pais.

E o que É, MESMO, responsabilidade do coordenador?

Um profissional na coordenação precisa assumir três papéis:

  • Formar – identificar as necessidades de formação dos professores de acordo com o currículo da escola e a realidade dos alunos. A partir disso, dar as condições necessárias e orientar os professores para que eles se aprofundem em suas respectivas áreas de conhecimento. Ou seja: um bom coordenador não precisa ser um grande entendedor de química, física ou língua inglesa, por exemplo, para formar os professores dessas disciplinas; mas deve, sim, ser capaz de contribuir quanto às didáticas, estratégias e metodologias empregadas em sala.
  • Articular – promover diálogos entre professores e, em conjunto, colocar em prática o projeto pedagógico e relacionar o currículo da escola com a realidade da comunidade em que está inserida. Aqui, é essencial desenvolver a escuta e possibilitar o trabalho em equipe, inclusive na orientação de projetos interdisciplinares. Garantir o bom entrosamento do grupo e estimular a união são igualmente relevantes: é preciso dedicar-se aos relacionamentos diretor-coordenador, coordenador-professor, professor-professor.
  • Transformar – questionar, provocar, promover a reflexão. Ao invés de tentar colocar tudo sob suas asas, um bom coordenador deve ajudar os professores a pensarem questões de suas salas de aulas mais a fundo, desenvolvendo um olhar crítico e sendo capazes de resolver problemas por conta própria. Esse exercício não só gera uma equipe mais preparada e segura como permite que o coordenador tenha mais tempo para destinar a outras tarefas que não “apagar incêndios”.
Os três principais papéis do coordenador pedagógico são: o de articulador, formador e transformador (foto: Talking Taylor Schools)

Os três principais papéis do coordenador pedagógico são: o de articulador, formador e transformador (foto: Talking Taylor Schools)

É claro que não existe uma receita de bolo que, seguida passo a passo, tenha garantia de sucesso. Um modelo de coordenação bem sucedido em uma escola não necessariamente atenderá às demandas de outra. Com isso em mente, sempre é preciso levar em conta o repertório de experiências, cultura e informação dos professores, suas formas de comunicação e suas limitações.

Sendo assim, estas são, de fato, algumas das tarefas que pertencem ao coordenador:

  • Conhecer as práticas pedagógicas de cada professor – assistir às aulas dos colegas deve ser uma atividade bem planejada e intencional: o que se busca observar? Se o coordenador traz somente críticas, ele está perdendo seu papel de formador. Pelo contrário, ele deve usar esse momento para conhecer melhor o professor e descobrir como orientá-lo, sem forçar suas próprias opiniões sobre como conduzir a classe.
  • Planejar e conduzir reuniões pedagógicas coletivas, por área e série e individuais – é preciso planejar com antecedência para que cada um desses encontros seja significativo e produtivo. Há questões que exigem a presença de todos os docentes; outras, seriam melhor trabalhadas dentro de determinada série ou área de conhecimento. Existe também a necessidade de se prestar atendimento individual a cada professor; nesse momento, são compartilhados feedback (após acompanhar seu trabalho em sala de aula), estratégias de ensino e reflexões sobre a turma.
  • Acompanhar o desempenho da escola em avaliações internas e externas – o aprendizado das crianças é responsabilidade do coordenador, portanto, é preciso estar atento ao desenvolvimento da classe como um todo e atento a sinais de dificuldade. Conhecer a classificação da escola em índices nacionais, como o Ideb ou a Provinha Brasil, também é essencial. Através dessas informações, o profissional pode identificar falhas, sucessos e reorientar a equipe.
  • Estudar muito – uma parcela do tempo do coordenador precisa estar reservada para sua atualização. O que está acontecendo no universo da educação? Quais boas práticas receberam destaque, quais tecnologias surgiram e podem facilitar seu trabalho, quais autores e pesquisadores vão de encontro à proposta da sua escola e irão contribuir com sua formação? Valorizar a atualização profissional é benéfico de todas as formas, afinal, estabelece também um exemplo dentro da escola, em que toda a equipe se sente estimulada a aprender.

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Professor, qual a diferença entre “ver” e “olhar”?

Estudar e conhecer metodologias não faz um professor. Empatia é fundamental (foto: The Pixel Project)

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Professor, qual a diferença entre “ver” e “olhar”?

Fevereiro é um mês de recomeços dentro da escola. Para o professor, além do planejamento das aulas, esse também é o momento ideal para revisar e refletir sobre as práticas do ano anterior – e o que se pretende mudar no próximo período letivo. 

A psicopedagoga Luciana Fernandes Duque, que colabora mensalmente com o Na Escola, inaugura 2016 com um texto sobre a diferença entre o “ver” e o “olhar”. Qual dos dois você exercita ao observar sua classe? Sua resposta faz toda a diferença: Afinal, um olhar atento e empático pode contribuir profundamente para o desenvolvimento das crianças e com sua realização profissional.

Em meio à rotina corrida, o professor consegue olhar para cada aluno individualmente? (foto: Framepool)

Em meio à rotina corrida, o professor consegue olhar para cada aluno individualmente? (foto: Framepool)

Meu primeiro texto do ano propõe o pensar sobre o “ver” e o “olhar”. A princípio, as pessoas acreditam que essas palavras sejam sinônimas, mas, ao nos aproximarmos do que cada uma delas nos diz, as diferenças são notáveis.

É interessante pensar que o “ver” e o “olhar” se completam, já que, para olhar, antes, é preciso ver. Contudo, há pessoas que, por exemplo, “veem com as mãos” ou “olham com o coração” – o que é justamente sobre o que se trata essa reflexão: Encontrar uma forma diferente de olhar.

Ver está ligado às habilidades fisiológicas da visão.

Olhar está ligado às habilidades sensitivas, afetivas e sociais.

O ver é rápido, ágil, desatento. Já o olhar é devagar, profundo, reflexivo e até empático.

Quantas vezes em nosso cotidiano olhamos para os nossos alunos, suas famílias e, principalmente, para nós mesmos? Se estamos sempre com pressa, atrasados, atarefados, acabamos tendo pouco tempo para essa pausa. Resumindo: Vemos muita coisa, mas olhamos para poucas.

É preciso despertar para o que realmente importa. Claro, há uma série de âmbitos importantes na sua vida, e nem todos dizem respeito à sala de aula: Família, saúde, amizades, valores. Nesse texto, porém, o foco é o próprio professor.

Estudar e conhecer metodologias não faz um professor. Empatia é fundamental (foto: The Pixel Project)

Estudar e conhecer metodologias não faz um professor. Empatia é fundamental (foto: The Pixel Project)

Não basta cumprir uma lista de pré-requisitos: Gostar de crianças, ter paciência, ler e estudar muito. Ser professor ultrapassa as barreiras do ter ou do gostar. São necessárias diferentes construções internas, é preciso ser. Muitas pessoas, quando escolhem a profissão de docente, não levam em conta o que é ser professor, baseando-se apenas em preceitos superficiais, mas deixando de analisar a complexidade do papel de educar.

Ser professor está, além de em realizar as tarefas que já conhecemos, em ser um especialista em relações humanas. É mais do que o conteúdo programático ou método de ensino, é saber olhar para os alunos e para as relações estabelecidas através do processo de ensino-aprendizagem. Como digo no meu livro A aula da xícara: uma experiência sobre a relação professor-aluno:

“A rotina faz parte do dia-a-dia em sala de aula, mas a monotonia não! […] transforme momentos simples em grandiosos,  pequenas atividades em grandes eventos simbólicos, tendo a atenção e o olhar para o outro como um princípio”.

Portanto, o professor deve se reconhecer como protagonista fundamental da educação e praticar o que tem de melhor: o olhar para o aluno e para si mesmo. Para isso, é preciso um despertar: “Não sei como preparar o educador. Talvez porque isso não seja nem necessário, nem possível… É necessário acordá-lo […], pois eles não se extinguiram […] Basta que os chamemos de seu sono, por um ato de amor e coragem… e talvez acordados, repetirão o milagre da instauração de novos mundos”. Essa é a mensagem da contracapa do livro Conversas com quem gosta de ensinar, de Rubem Alves.

Não são críticas ou verdades absolutas, mais, sim, chamados. Chamados para o princípio. Chamados para que você relembre: Por que começou essa jornada? Ter essa missão clara auxilia o professor em sua rotina. Somente assim ele consegue desempenhar o papel que lhe cabe, importante tanto na vida dos alunos quanto para a sociedade. Quando o professor é capaz de perceber, conviver, incluir, seu valor é incalculável.

O olhar é também prender a atenção, pensar sobre o outro e valorizá-lo. Pratique-o. Afinal, fazer a diferença positivamente na vida de alguém, através da profissão que se escolheu, torna o trabalho ainda mais prazeroso. Boa reflexão!

Perfis de turma e individual na Eduqa.me - horizontal

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

6 Passos para a autoavaliação do professor

Fonte: Scuolaazoo

Carreira/Formação/Práticas inovadoras/Relatórios
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6 Passos para a autoavaliação do professor

Antes de guardar os cadernos, fechar os armários e correr para a praia, há uma última tarefa que o professor precisa cumprir para garantir a qualidade do seu trabalho: a autoavaliação. Nesse momento, vale fazer um balanço geral dos meses que se passaram, entender o que teve bons resultados, o que falhou e em que pontos melhorar.

A autoavaliação não caminha sozinha: muitas escolas combinam questionários da gestão, dos professores, dos pais e mesmo dos alunos (prática mais comum quando se tratam de crianças maiores) para abranger um cenário mais amplo do que ocorreu no ano letivo. Essa relação entre diferentes opiniões explicita problemas de relacionamento, comunicação, ensino, organização ou administração que, de outra forma, passariam despercebidos e abrem espaço para o diálogo entre setores: como um pode contribuir com o outro?

Porém, ainda que essa não seja uma prática comum na instituição em que você trabalha, é interessante reservar alguns minutos para fazer o exercício por conta própria. Essa é a melhor maneira de reorientar suas práticas pedagógicas com intencionalidade no futuro. Mas cuidado – essa não é uma atividade que deva ser feita às pressas, de qualquer jeito. Separamos 6 dicas para tornar o trabalho mais fácil:

Divida a autoavaliação por áreas

A autoavaliação deve ser feita com tempo e concentração - e, de preferência, por escrito (foto: The New Daily)

A autoavaliação deve ser feita com tempo e concentração – e, de preferência, por escrito (foto: The New Daily)

Educadores sugerem que a autoavaliação seja realizada por áreas, ao invés de se criar uma única pesquisa com dezenas de perguntas. Questionários muito longos são exaustivos e há grandes chances de que, ao chegar na última questão, o professor já esteja cansado demais para responder com calma e profundidade.

Cada profissional pode definir tópicos de acordo com sua rotina e ambiente. Podem estar entre eles:

  • Planejamento de atividades e projetos;
  • Organização de materiais e da sala de aula;
  • Postura em sala de aula;
  • Relacionamento com outros funcionários;
  • Iniciativa, criatividade e originalidade;
  • Relação com as famílias das crianças;
  • Materiais produzidos, avaliações e devolutivas e como elas foram úteis ao aprendizado da turma;
  • Resolução de conflitos.

#1  Escolha um modelo de avaliação

Para ser capaz de olhar atentamente para os resultados do ano que passou, o mais indicado é que a autoavaliação seja feita por escrito. Você pode elaborar perguntas cujas respostas sejam “sempre”, “às vezes” ou “nunca”; “bom”, “regular” ou “ruim”; ou ainda que usem escalas numéricas (1, para péssimo, até 10, para excelente). Por exemplo:

1. Este ano eu soube lidar com brigas e conflitos entre as crianças com calma e fui justa nas minhas reações: (  ) Sempre  (  ) Na maioria das vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca.

Uma alternativa é a produção textual, que permite uma reflexão mais profunda e a descrição de momentos específicos que ilustrem os pontos ressaltados.

#2 Liste projetos, atividades e momentos marcantes do ano

Lembre-se dos momentos mais significativos do ano e pergunte-se: o que aprendi com eles? (foto: Hickman Mills)

Lembre-se dos momentos mais significativos do ano e pergunte-se: o que aprendi com eles? (foto: Hickman Mills)

É mais fácil analisar determinadas cenas, que exprimem exatamente os acertos e erros que o professor pretende destacar, do que tentar resumir o ano inteiro, o que pode resultar em uma avaliação genérica, vaga demais. Liste momentos importantes do ano letivo, sejam eles: excursões da turma, brincadeiras que acabaram em bagunça, apresentações em datas comemorativas, uma atividade de sucesso inesperado, uma reunião de pais em que houve falha de comunicação. Eles não precisam necessariamente ter sido grandes eventos, apenas esclarecer um aprendizado.

#3 Reflita sobre os resultados

Essa é a etapa mais importante de todo o processo. Hora de dividir as práticas do ano anterior entre as que funcionaram, as que exigem melhorias e as que devem ser completamente repensadas. Seja honesto, afinal, o objetivo da autoavaliação não é punir ninguém – pelo contrário, é contribuir com sua experiência profissional.

Pergunte a si mesmo:

  • Em quais momentos você acertou e em quais errou?
  • O que faria diferente?
  • O que gostaria de repetir?
  • Houve comportamentos inapropriados, preguiça, má vontade, falta de iniciativa? Quando?
  • Houve empolgação demais, mas falta de organização e planejamento? Quando?
  • Suas estratégias foram de encontro com as necessidades das crianças?
  • Como você acompanhou o aprendizado delas? O desenvolvimento da turma ficou claro para você?

Caso você trabalhe com mais de uma turma, é melhor fazer esse processo duas vezes, uma para cada grupo. Comparar resultados também pode abrir seus olhos para atitudes e didáticas usadas com cada uma e como influenciaram no desenvolvimento das crianças. Quando houver diferenças marcantes entre as turmas, procure pelos motivos.

#4 Peça opiniões

Gestores, professores e funcionários podem enriquecer a reflexão e sugerir outras formas de melhorar (foto: Understood)

Gestores, professores e funcionários podem enriquecer a reflexão e sugerir outras formas de melhorar (foto: Understood)

Quem trabalha com você diariamente pode contribuir muito para sua reflexão. Convide colegas, sejam eles diretores, professores ou outros funcionários, a fazer críticas construtivas quanto à sua atuação durante o ano letivo. Compartilhar sua autoavaliação pode, inclusive, inspirar a equipe a fazer o mesmo – o que ocasionará mudanças mais significativas na escola.

Procure profissionais que admira para tirar dúvidas, sejam eles educadores ou não. Peça dicas para lidar com situações que ainda lhe causam desconforto, para criar um esquema de organização para suas pastas e cadernos, para se inspirar e trazer novas ideias de atividades à sala de aula. Não tenha vergonha de pedir ajuda.

#5 Trace um plano para o próximo ano

Agora que você identificou sucessos, fracassos e pontos de melhoria, sente-se e escreva suas metas para o ano seguinte. Um por um, enfrente cada problema e estabeleça uma solução. Identifique quais são as mudanças prioritárias, que merecem mais atenção – você pode até mesmo colocar prazos e objetivos para acompanhar seu aprendizado, como faz com as crianças.

Pode acontecer de os problemas apontados dependerem não apenas do professor; a decisão de levar as crianças para mais estudos de campo em parques, museus ou teatros, por exemplo, precisa do aval da coordenação pedagógica. Nessa situação, leve sua autoavaliação para a escola e discuta-a com seus superiores, explicando as necessidades que você observou.

Aproveite a reflexão para pensar ainda em seu trajeto profissional: está na hora de buscar novos cursos e capacitações? Você está investindo o suficiente em sua carreira? Liste suas necessidades e limitações (preços, horários, local) e pesquise novos projetos para o ano seguinte.

#6 Acompanhe seu progresso

A autoavaliação não precisa ser reservada para o final do ano. Nos próximos meses, retorne às metas que definiu e acompanhe seu progresso. Que tal ter um diário em que, a cada semana, você registra o que aprendeu?

Quanto mais frequente for sua reflexão, mais rápida e eficiente será a reorientação e melhores os resultados!

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Como o professor pode ajudar crianças tímidas?

Fonte: Baby center

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Registros/Relatórios
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Como o professor pode ajudar crianças tímidas?

Toda sala de aula conta com um punhado de crianças agitadas, algumas desobedientes, que apresentam relutância em seguir as regras. Toda sala contém, também, outras crianças, essas pertencentes a um segundo grupo, o dos “quietinhos”. Os quietinhos falam menos e em voz mais baixa, obedecem sem pestanejar e costumam ser elogiados nas reuniões com os pais.

Muito bom, certo? Dentre eles, porém, é possível que haja crianças com sérios problemas relacionados à timidez e que podem acabar negligenciadas. Afinal, quem demanda mais atenção do professor? Normalmente, os bagunceiros recebem intervenções frequentes, em detrimento daqueles que “não dão trabalho”.

O que é a timidez – e como identificá-la?

Rear view of a child wearing a hooded top, sitting on his own in a playground.

A timidez é um traço de personalidade, não uma doença – ela só requer atenção extra quando é fonte de sofrimento para a criança (foto: Huffpost)

A timidez é um traço de personalidade como qualquer outro e, em doses moderadas, não prejudica o desenvolvimento da criança nem é considerada doença. É o caso de crianças que possuem amigos e conseguem se adaptar ao ambiente escolar (ou festas infantis, eventos familiares, etc.), mesmo sendo discretas, retraídas.

Já quando a introspecção traz sofrimento para a criança, é necessário observar e intervir. Esses são sinais aos quais se deve ficar atento:

  • Ela evita passeios, excursões e outras situações de interação social que deveriam ser prazerosas?
  • Procura se manter isolada e brinca sozinha constantemente?
  • Sai correndo ou esconde-se diante de estranhos ou grandes grupos de pessoas?
  • Tem baixo rendimento escolar por não conseguir interagir com colegas ou professores (realizar atividades em grupo, participar de rodas de conversa)?

Crianças tímidas têm baixa autoestima e acreditam que estão sendo avaliadas o tempo todo. Seu medo é de não atingir as expectativas dos colegas, por isso, elas se preocupam excessivamente com o que dizer, como agir, o que vestir, como se comportar.

Quando se sentem expostas, essas crianças apresentam alguns sintomas:

  • Suor;
  • Palmas das mãos geladas;
  • Frio na barriga ou enjoo;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Gagueira ou inabilidade de falar;
  • Angústia e nervosismo.

O que causa (ou agrava) a timidez?

Pais superprotetores são um dos fatores que causam a timidez excessiva e a insegurança (foto: Baby Center)

Pais superprotetores são um dos fatores que causam a timidez excessiva e a insegurança (foto: Baby Center)

A princípio, a timidez, assim como a extroversão, é um traço genético – mas o ambiente tem um papel relevante em apaziguá-la ou estimulá-la. O meio familiar influencia muito no comportamento da criança: pais tímidos, que evitam situações sociais ou são pouco comunicativos, transmitem essa inibição para os filhos (além de proporcionarem menos oportunidades para que eles a superem, afinal, também querem evitar grandes grupos).

O mesmo acontece quando a família age de forma superprotetora, privando a criança de experiências e relacionamentos externos. Adultos que agem como se o mundo fosse um perigo constante para a criança acabam deixando-a insegura e retraída.

Ambientes agressivos ou instáveis também pode ocasionar uma timidez excessiva.

Como o professor pode ajudar?

Descubra quais os interesses da criança tímida e tente inseri-los em sala de aula, para que ela queira participar (foto: Baby State Parent)

Descubra quais os interesses da criança tímida e tente inseri-los em sala de aula para que ela queira participar (foto: Baby State Parent)

Em primeiro lugar, é importante que o professor não exponha a criança a situações que causem constrangimento para ela. Obrigar uma criança tímida a escrever no quadro-negro ou ler um texto, sozinha, diante dos colegas, pode ser traumático.

O acompanhamento deve ser feito gradualmente, inserindo-a em contextos amigáveis em que ela se sinta segura para colaborar.

  • #1 Fortaleça o laço entre o professor e a criança tímida:

Converse com ela em particular para descobrir seus interesses e incentivar o diálogo. Ela precisa de ajuda para aprender a se expressar, portanto, demonstre interesse, elogie e faça perguntas. Em sala de aula, o aluno inibido pode se sentar perto do professor, para que consiga falar sem precisar gritar ou se levantar (e, consequentemente, sem atrair muita atenção para si).

  • #2 Ensine sobre convivência e interação social 

Projetos que trabalhem o respeito, a colaboração e o diálogo vão criar um ambiente seguro na escola. Comece do básico, praticando pequenos gestos que gostaria de inserir na rotina – olhar nos olhos do outro ao falar, sorrir, pedir “por favor” e “com licença”, agradecer, oferecer ajuda aos colegas e professores.

  • #3 Crie situações de trabalho em pequenos grupos

Organize a turma em duplas ou trios para criar situações de interação entre as crianças. O mais indicado é que o professor defina os grupos com antecedência, assim, não há risco de uma criança não ser escolhida pelos seus pares.

Colocar duas crianças tímidas juntas pode ser uma forma não ameaçadora de começar, afinal, nenhuma das duas terá todo o protagonismo durante a atividade. Contudo, uma criança tímida e outra, extrovertida, com certeza também vão se beneficiar muito do relacionamento (nesse caso, procure pensar em assuntos que interessam ao tímido, para que ele sinta que pode contribuir com a equipe).

  • #4 Descubra os interesses da criança tímida e explore-os em sala 

Ela gosta de insetos? Aviões? Construir castelos com blocos de montar? Pintura com tinta guache? Falar sobre dinossauros? Encontre tópicos que sejam do interesse da criança tímida para que ela tenha um incentivo a mais para participar da aula.

  • #5 Faça combinados

Quando a criança não quiser participar de uma atividade, tente chegar a um meio termo. Talvez ela não esteja preparada para cantar no palco em uma apresentação, mas será que não gostaria de tocar um pandeiro para acompanhar a canção? Ler para os colegas, em pé, em frente à classe, não pode ser substituído por ler apenas algumas linhas sem se levantar?

  • #6 Oriente a família da criança

Se for o caso, marque reuniões com os pais e ajude-os a traçar um plano para superar a timidez. Encoraje-os a participar de eventos da escola (como festa junina ou apresentação de Natal) e sugira que convidem alguns coleguinhas do filho para brincar nos finais de semana.

Os primeiros encontros podem ser breves, de apenas algumas horas – assistir a um desenho animado, cozinhar algo gostoso, passar a tarde na piscina, ir ao parque – e uma só criança pode ser convidada. Mais adiante, eles podem experimentar visitas mais longas, como dormir na casa do amigo ou viajar por alguns dias.

Outras atividades, como teatro, coral, dança e esportes em equipe também são excelentes para fortalecer os vínculos entre as crianças e cultivar a autoestima da criança tímida.

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Dá para adaptar a abordagem Reggio Emilia na sua sala de aula?

Fonte: che-fare

Carreira/Práticas inovadoras/Semanários
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Dá para adaptar a abordagem Reggio Emilia na sua sala de aula?

Imagine só: oito crianças entram em uma sala de artes recheada de todo tipo de material artístico. Elas escolhem seus lugares nas mesas designadas e, felizes, ajudam uma à outra a vestir o avental. Não encostam em nada. Um aluno repara em um espelho sobre a mesa e deduz – “ah, vamos fazer autorretratos, hoje?”. Então, cada um se senta e trabalha com canetas marca texto e tinta acrílica sem sujar as roupas.

É o sonho de todo professor, certo?

Bem, na verdade, eu presenciei exatamente essa cena alguns meses atrás. Contudo, talvez você não acredite quanto contar aonde ela aconteceu. Não foi em uma classe de Ensino Médio, nem mesmo de Fundamental. A aula ocorreu em uma pré-escola.

Dizer que me senti surpresa é um eufemismo. Fiquei boquiaberta. Chocada!

Como você com certeza pode deduzir, esta não era uma pré-escola convencional ou uma aula de artes comum. Estava observando um programa chamado Preschool of Arts, localizado em Madison, Wisconsin (Estados Unidos) e inspirado na metodologia Reggio Emilia. O que aprendi pode ajudar qualquer professor a atingir um pouco mais de harmonia em sua sala de artes – por isso, gostaria de dividir algumas observações e lições práticas que podem ser usadas no ensino de bebês a adolescentes.

A escola: espaço de criatividade e empoderamento

Reserve um espaço para conversas e atividades em equipe (foto: The Art of Ed)

Reserve um espaço para conversas e atividades em equipe (foto: The Art of Ed)

Caso não esteja familiarizado com o método Reggio de educação, eu indico que você pesquise mais a respeito. Em suma, as crianças são vistas como participantes capazes em seu próprio aprendizado. Elas são encorajadas a se expressar através de diversas linguagens, incluindo a arte, ao longo do dia.

Embora apenas escolas italianas possam ser escolas Reggio, fica claro que outras instituições se inspiram em seus ensinamentos. Desde cartazes e placas criados pelos estudantes até quadros e esculturas adornando as paredes, toda essa sala de aula parece gritar: “crianças e criatividade são valorizadas aqui!”.

O estúdio de arte e o “terceiro professor”

As crianças têm muitas oportunidades para criar em suas salas de aula regulares, entretanto, o estúdio de artes baseado no Reggio Emilia é um espaço especial que elas visitam uma vez por semana. Em uma escola Reggio, a organização da sala de aula é conhecida como “o terceiro professor”. O termo significa que os materiais e objetos dispostos lá estão organizados intencionalmente. Com frequência, espelhos são incorporados ao local para refletir a luz e estantes de livros são colocadas perto das portas, criando um ambiente confortável.

Espelhos no teto e nas paredes refletem a luz pela sala (foto: The Art of Ed)

Espelhos no teto e nas paredes refletem a luz pela sala (foto: The Art of Ed)

Outras provocações são inseridas a cada dia para estimular a exploração: durante a minha experiência lá, assisti três turmas diferentes usarem o espaço, cada uma com arranjos próprios para trabalhar. Uma delas recebeu os itens abaixo:

Um objeto encoberto estimula a curiosidade e imaginação das crianças (foto: The Art of Ed)

Um objeto encoberto estimula a curiosidade e imaginação das crianças (foto: The Art of Ed)

Achei interessante o fato de um dos objetos sobre a mesa estar coberto. Certamente, as crianças ficaram curiosas para descobrir o que havia embaixo! Repare também nas tintas coloridas prontas para serem usadas.

Adapte sua sala:

  • Pendure um espelho para refletir a luz (ou, como sugeriu uma das crianças, para produzir autorretratos!);
  • Prepare pelo menos um ambiente para trabalhos em equipe;
  • Arrume materiais bonitos, atrativos;
  • Crie uma estante para livros ou desenhos;
  • Pinte uma das paredes de uma cor tranquila.

Materiais: inspiradores, permanentes e de qualidade

Conforme mencionei, um componente chave da metodologia Reggio é a noção de que as crianças são capazes.  Enquanto, para mim, ver uma criança de três anos usar tinta acrílica foi motivo de choque, para a professora, era completamente normal. A turma aprende qual a maneira correta de se manusear cada utensílio e começa a praticar com eles quando todos ainda são muito novos.

Perguntei à Kristin Sobol, uma das especialistas em arte da escola, se algum pai já havia reclamado por causa de roupas manchadas ou estragadas. Ela pensou por alguns segundos e respondeu: “Não. Isso nunca aconteceu comigo!”. Incrível, não?

Como o método foca na construção de uma comunidade, a família é uma parte essencial na educação das crianças. Portanto, os professores preparam os pais para entender essas experiências artísticas como momentos valiosos – assim, a maioria manda uma troca de roupas para os filhos nos dias de estúdio. Tudo depende da comunicação.

Kristin também me disse que, além dos marca textos e da tinta acrílica, os alunos dela geralmente aproveitam outros materiais de alta qualidade como lápis de cor da marca Prismacolor (uma marca de materiais de pintura profissionais). A ideia é que materiais de alta qualidade são mais fáceis de ser utilizados. Se você parar para pensar no assunto, é verdade! Você não preferiria usar tintas cremosas e pincéis macios do que um que arranha o papel ou produz marcas falhas?

Materiais tradicionais misturados a elementos da natureza dão origem a novas descobertas e experiências (foto: The Art of Ed)

Materiais tradicionais misturados a elementos da natureza dão origem a novas descobertas e experiências (foto: The Art of Ed)

Outro aspecto importante é incorporar a natureza ao aprendizado. Esse conceito é levado para a sala de artes, onde há uma variedade de elementos naturais com os quais o grupo pode trabalhar. Perguntei como a professora fazia para que as crianças deixassem os materiais em paz na hora da atividade. “Bem, eles são parte constante do ambiente, então, ninguém presta muita atenção”. Genial.

Este é um exemplo de como a natureza é introduzida à sala de aula. Recentemente, alunos de dois anos criaram seus primeiros autorretratos. Primeiro, eles praticaram desenhar um círculo. Então, adicionaram pedrinhas para representar os olhos. Aqueles prontos para avançar em seus projetos adicionaram ainda cabelos, narizes e bocas.

Adapte sua sala:

  • Introduza materiais permanentes às crianças;
  • Misture elementos naturais com outros, tradicionais, na sala de artes;
  • Promova suas atividades para que a família entenda (e aprove) a bagunça;
  • Invista em pelo menos um material de alta qualidade.
Exemplo de autorretrato feito por crianças de dois anos, utilizando canetinhas e pedras (foto: The Art of Ed)

Exemplo de autorretrato feito por crianças de dois anos, utilizando canetinhas e pedras (foto: The Art of Ed)

O processo: documentar e exibir

A documentação é uma parte imprescindível do método Reggio Emilia. Ao longo da aula de artes, pude observar Kristin tirando fotos e fazendo anotações. Diariamente, elas são compiladas e enviadas aos pais. Imagens e roteiros de discussão também são expostos nos corredores e espaços coletivos – em alturas diferentes para que crianças e adultos possam apreciar o trabalho dos colegas.

Para complementar, as obras são escolhidas para mostrar a evolução. De acordo com a professora, “é comum que as crianças queiram destruir ou encobrir partes da atividade que fizeram no começo do projeto”. Professores Reggio devem pensar sobre quais materiais vão prevenir essa tendência para que seja possível acompanhar o progresso de cada criança. Combinar materiais opacos e transparentes, por exemplo, pode surtir efeito. Que tal alternar tinta óleo com canetinhas coloridas e aquarela, permitindo que professores e estudantes observem o desenvolvimento da atividade?

Outro truque de Kristin é usar transparências sobre o desenho original. Dessa forma, as crianças podem pintar sobre a imagem e, quando a tinta secar, retirar a segunda camada para comparar com a primeira tentativa. Se há caixas de antigas transparências juntando poeira na sua escola, experimente colocá-las em uso nesse projeto.

Trabalhar com transparências permite analisar as várias etapas do projeto e o desenvolvimento da criança (foto: The Art of Ed)

Trabalhar com transparências permite analisar as várias etapas do projeto e o desenvolvimento da criança (foto: The Art of Ed)

Adapte sua sala:

  • Use materiais opacos e transparentes em uma mesma atividade;
  • Faça perguntas às crianças e grave suas respostas;
  • Anote os comentários dos artistas ao lado de suas produções;
  • Pendure obras de arte das crianças dentro da sala de aula;
  • Crie uma página no Facebook, Instagram ou Twitter para a comunidade escolar.

Eu agradeço muito a oportunidade de observar um dia no estúdio de artes – consegui entender como pequenas mudanças em uma escola tradicional podem trazer imensos benefícios.

Agora, tente escolher uma dica desse artigo e colocá-la em prática com sua classe e aproveite para fazer isso coma  Eduqa.me!

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Esse artigo é uma tradução do texto “A surprising in depth look at the Reggio Approach”, do The Art of Ed. Para ler o original, clique aqui.

Como preparar sequências didáticas na Educação Infantil
Registros/Rotina pedagógica
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Como preparar sequências didáticas na Educação Infantil

Escolas diferentes seguem currículos diferentes: enquanto algumas enfatizam o ensino de idiomas e conhecimentos cognitivos, outras optam por desenvolver competências sociais; umas empregam atividades lúdicas, outras prezam pelo contato com a natureza e criam consciência ecológica ou apostam na tecnologia. Qualquer que seja o método aplicado, há espaço para sequências didáticas no planejamento.

Sequências didáticas são um conjunto de aulas pensadas para ensinar um conteúdo de forma acumulativa. Ao longo dos dias (ou mesmo semanas, para projetos mais extensos), as crianças vão construindo o conhecimento, sempre passando de desafios mais simples para mais complexos.

Como escolher o tema da minha sequência didática?

Introduzir o tema através de imagens, vídeos ou brinquedos ajuda o professor a identificar os conhecimentos prévios das crianças (foto: A Star Kids)

Introduzir o tema através de imagens, vídeos ou brinquedos ajuda o professor a identificar os conhecimentos prévios das crianças (foto: A Star Kids)

Qualquer assunto pode dar origem a uma sequência didática. Para começar, é bom se perguntar o que você pretende que as crianças aprendam sobre determinado tema. Qual o propósito desse conteúdo? É fazer com que a turma aprenda a ler? Que se familiarize com a cultura e tradições da região? Que entenda a importância da alimentação saudável? Que desenvolva certos movimentos?

Deixe dois pontos bem claros – qual o conteúdo e qual o objetivo da sequência. O conteúdo é aquilo que será ensinado, o objetivo, o que você espera que a classe aprenda.

O próximo passo é observar o que as crianças já sabem sobre esse tema, qual o repertório que trazem de outras vivências. Essa sondagem pode ser realizada de várias maneiras (como simplesmente perguntar a elas sobre o assunto), mas a mais esclarecedora é, com certeza, colocá-las em contato com o tema na prática. Se a sequência didática for abordar insetos, por exemplo, livros, revistas, bichinhos de plástico ou quebra-cabeças podem ser distribuídos, enquanto o professor caminha pela sala e repara em como as crianças interagem com eles ou sobre o que conversam entre si.

A partir desses questionamentos, o professor será capaz de traçar uma sequência de atividades. As atividades são como ferramentas escolhidas cuidadosamente para proporcionar experiências significativas à turma, nas quais ela vai adquirir as habilidades e aprendizados necessários – ou seja, a escolha está longe de ser aleatória!

Cada atividade, cada experimento, jogo ou brincadeira deve acrescentar algo ao desenvolvimento das crianças, para que elas consigam evoluir. É como criar um passo a passo – de quais conhecimentos elas precisam para passar de uma atividade para a seguinte?

Trabalhe a interdisciplinaridade

Um tema inicial pode levar a vários caminhos, de acordo com os interesses das crianças. Trabalhar com interdisciplinaridade gera aprendizados mais amplos (foto: Fair Bank Museum)

Um tema inicial pode levar a vários caminhos, de acordo com os interesses das crianças. Trabalhar com interdisciplinaridade gera aprendizados mais amplos (foto: Fair Bank Museum)

Sequências didáticas são uma oportunidade para se trabalhar um mesmo conteúdo sob diversos olhares. Ainda usando o exemplo do tema “insetos”, imagine que a turma está abordando um tema de Natureza e Sociedade, mas também irá desenvolver novo vocabulário, quando aprender nomes de animais, suas partes, o que comem, etc.; motricidade, ao desenhá-los, procurar por insetos no pátio, construir um inseto com massa de modelar ou argila, criar um formigueiro em um aquário; matemática, identificando o número de pernas, asas, antenas; e assim por diante.

Busque não dividir as aulas por disciplina, fragmentando o conteúdo (não anuncie, por exemplo, “agora, vamos aprender matemática”). Apenas relacione os aprendizados como partes de um todo. Isso leva as crianças a perceberem o assunto mais amplamente, através de múltiplas linguagens.

Outra vantagem é valorizar os potenciais de cada aluno, já que a sequência permite que eles sejam expostos a diferentes formas de trabalho em que podem se sobressair.

Na Educação Infantil, algumas etapas devem estar presentes na sequência didática:

  • #Dica 1 Explorar as habilidades socioemocionais:

São atividades que permitem que as crianças identifiquem sentimentos, emoções e organizações sociais. O foco é o autoconhecimento e a socialização e interação com os colegas.

  • #Dica 2 Explorar os sentidos:

Nessas atividades, o foco é a descoberta da visão, audição, tato, olfato e paladar.

  • #Dica 3 Explorar linguagens:

Aqui, entram as atividades em que a turma trabalha a linguagem oral e escrita, a música, o desenho e outras mídias (como vídeos, jogos online, etc.).

  • #Dica 4 Explorar conceitos matemáticos:

Ocorre quando são apresentadas noções de maior e menor, perto ou longe, formas geométricas, números, somas ou subtrações.

  • #Dica 5 Explorar conteúdos específicos:

Finalmente, há espaço para o aprendizado de temas específicos como natureza, literatura ou arte, entre outros.

Durante a sequência, garanta que haja um equilíbrio entre atividades individuais, em duplas e coletivas. Cada uma delas vai gerar interações e aprendizado distintos. Enquanto um exercício individual foca nos conhecimentos adquiridos por cada criança e exige mais concentração, duplas são excelentes para que cada um exponha pontos de vista e, juntas, elas discutam hipóteses. Já grandes grupos proporcionam trabalho em equipe, respeito às regras e troca de aprendizados.

Quanto tempo reservar para uma sequência didática?

Caso as crianças apresentem outros interesses, procure explorá-los. Se tiverem dificuldade, permita que tenham tempo de se desenvolver. Ou seja: prepare-se para mudar ao longo do projeto! (foto: Understood.Org)

Caso as crianças apresentem outros interesses, procure explorá-los. Se tiverem dificuldade, permita que tenham tempo de se desenvolver. Ou seja: prepare-se para mudar ao longo do projeto! (foto: Understood.Org)

Essa resposta depende não do número de atividades, mas da complexidade do que você espera que as crianças aprendam. Enquanto algumas brincadeiras e dinâmicas podem ser concluídas em poucos minutos, outras levarão aulas inteiras para serem completas. Alternar atividades longas com outras, mais breves, é uma boa forma de garantir o interesse.

Além disso, leve em consideração como cada criança aprende e o tempo que costumam levar para finalizar cada tipo de exercício. Pense ainda em como serão feitas as avaliações e o acompanhamento do aprendizado durante a sequência didática: em quais circunstâncias os alunos mostrarão o que sabem? Eles vão montar um portfólio, fazer uma prova, apresentar algo para os colegas, participar de uma gincana?

Por fim, reserve sempre algumas aulas livres ao fim da sequência, para o caso de atrasos ou mudanças de percurso. Afinal, é comum que algumas das hipóteses do professor não se confirmem em sala de aula e as crianças apresentem mais interesse em um assunto que não estava previsto ou mais dificuldade em uma etapa que você julgou que seria fácil. Sinta-se livre para ir adaptando o projeto ao longo do caminho, adotando estratégias diferentes para que a turma atinja os resultados desejados.

Se uma atividade não está funcionando, substitua-a por outra! Se uma curiosidade veio à tona, explore-a. Porém, mantenha sempre em mente aqueles objetivos traçados no início da sequência didática.

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Sequência Didática na Educação Infantil (SlideShare)

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Explorando sons com água na Educação Infantil

Fonte: Midiorama

Atividades/Música e artes/Registros
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Explorando sons com água na Educação Infantil

A música ajuda a desenvolver habilidades de linguagem e raciocínio. Que tal produzir estímulos musicais com água em um dia de verão? (foto: Little Pandas Preschool)

A música ajuda a desenvolver habilidades de linguagem e raciocínio. Que tal produzir estímulos musicais com água em um dia de verão? (foto: Little Pandas Preschool)

Estímulos musicais na primeira infância são chave para estimular a linguagem, o ritmo, a capacidade de concentração e o raciocínio. Crianças com uma iniciação musical tendem, inclusive, a apresentar um aprendizado maior em outras áreas, como a matemática – afinal, os exercícios ativam partes do cérebro que não são desenvolvidas por outras formas de comunicação, como a oral ou escrita.

Acompanhar os sons com movimentos, pulando e dançando, ou criá-los com variados instrumentos, também são caminhos para se explorar a motricidade, a expressão e a criatividade.

Atividades Musicais

Agora, imagine unir uma atividade de música com brincadeiras na água. A combinação é garantia de interesse por parte das crianças e ideal para dias de calor.

Com uma bacia cheia d’água no pátio, a turma pode explorar os diferentes barulhos produzidos pelos materiais – secos, submersos, contendo diferentes quantidades de água. A meta não é necessariamente fazer uma canção ou apresentação, mas, sim, descobrir as várias formas de se criar sons. Usando somente objetos comuns, ainda é possível identificar:

  • Ritmo;
  • Padrões;
  • Tempos;
  • Afinação;
  • Timbre.

Material

Quase tudo pode ser encaixado na atividade, mas estes são alguns dos materiais que geram sons interessantes:

(foto: Child's Music Play)

(foto: Child’s Play Music)

  • Tigelas de aço inoxidável e de alumínio de diversos tamanhos;
  • Tampas de panelas de diversos tamanhos;
  • Colheres de pau ou plástico, chopsticks (palitos de comida japonesa), e outros instrumentos que sirvam para a percussão;
  • Um pedaço curto de mangueira (para que as crianças possam soprar), canudinhos;
  • Garrafas plásticas ;
  • Canos de PVC de diversos tamanhos;
  • Baldes e pequenos recipientes de plástico (potes e fôrmas usados na praia, por exemplo);
  • Uma garrafa spray.

Não introduza todos os objetos ao mesmo tempo – pelo contrário, deixe que elas explorem um por vez e pelo tempo que quiserem. Com a lista acima, o professor pode organizar mais de uma sessão de música com água, dependendo do interesse das crianças.

Hora de explorar

No vídeo abaixo, o professor australiano Alec Duncan mostra como cada peça pode ser trabalhada. Apesar de as legendas não estarem disponíveis, a gravação é fácil de compreender apenas observando os movimentos.

Contudo, essas são orientações para os professores e as crianças não precisam decorar todos os passos. Aliás, o mais interessante é que os adultos apenas ofereçam os materiais, a princípio, e deem espaço para que elas os explorem da forma como quiserem – ou seja, com o mínimo de orientação possível. As crianças aprendem mais e melhor com a mão na massa, brincando livremente.

Portanto, prepare o ambiente, introduza diferentes objetos e afaste-se, supervisionando a atividade. Faça perguntas como “de que outro jeito nós podemos usar as tampas de panela para fazer barulho?” e “o que será que acontece quando assopramos a água pelo canudo?” para incentivar a curiosidade natural da turma.

Conforme as crianças forem fazendo novas descobertas, narre o que está acontecendo: “vejam, a tigela produz um som mais grave quando colocamos água dentro dela”! Além disso, esteja preparado para responder perguntas sobre o porquê de os barulhos mudarem.

Mas por que os sons mudam na água?

Ao perceberem que o som muda com a água, as crianças podem perguntar os motivos da diferença. Esteja pronto para explicar o que causa esses efeitos sonoros (foto: Nature Explore)

Ao perceberem que o som muda com a água, as crianças podem perguntar os motivos da diferença. Esteja pronto para explicar o que causa esses efeitos sonoros (foto: Nature Explore)

  • Por que o som fica mais grave quando mergulhamos tampas ou tigelas na água? Porque a água é bem mais densa que o ar – e, portanto, mais difícil de mover. Assim, a água é mais resistente às vibrações que criam o som. Quanto mais rápidas as vibrações, mais agudo é o som; quando mais lentas as vibrações, mais grave é o som.
  • Por que consigo sons diferentes soprando pelo gargalo de uma garrafa com diferentes quantidades de água? Novamente, depende da quantidade de ar disponível dentro da garrafa. Aonde há mais ar (e menos água), o som sairá mais grave.
  • Por que minha voz muda quando eu canto através do canudo ou da mangueira dentro da água? Primeiro, porque o som da voz é sobreposto pelas bolhas. Outro motivo é que a água funciona como um filtro que remove as frequências mais altas da voz, tornando o som abafado. Como as bolhas não são uniformes, todas do mesmo tamanho, esse filtro muda o tempo todo – fazendo com que o tom da canção também oscile.
  • Por que eu produzo música quando bato um cano de PVC contra a água? Isso ocorre quando um dos lados do cano é fechado pela água, enviando uma onda de choque pelas paredes do cano. Essa onda faz o ar vibrar, produzindo música.

Sugira experimentos

Após o tempo livre de experimentação, prepare atividades guiadas para potencializar o aprendizado (foto: Little Pandas Preschool)

Após o tempo livre de experimentação, prepare atividades guiadas para potencializar o aprendizado (foto: Little Pandas Preschool)

Nesse momento, o professor vai apresentar às crianças possibilidades que elas não consideraram durante suas brincadeiras ou coordenar os sons que elas já geraram para criar padrões que possam ser repetidos. O essencial é levar em conta o interesse natural da turma e partir daí, em vez de anular a curiosidade para seguir uma atividade planejada.

Para crianças com menos de três anos, alguns materiais, como canos e canudos, podem ser difíceis de manusear; para elas, prefira gastar mais tempo com tigelas e tampas de panela, que exigem apenas a percussão. A partir dos quatro anos, instrumentos de sopro serão aprendidos (mas ainda requerem bastante prática). Essas são algumas atividades que o professor pode propor:

  • Repetir padrões, como “tigela grande, tigela média, tigela pequena”;
  • Introduzir conceitos como “rápido e devagar”, “grave e agudo”, “alto e baixo”;
  • Usar um mesmo instrumento para produzir sons diferentes;
  • Descrever os movimentos e sons para aumentar o vocabulário e convidar as crianças a fazer o mesmo;
  • Fazer perguntas para promover o debate e a reflexão sobre a música e os sons.

 

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Fonte:

Child’s Play Music