Déficit de atenção: estratégias de apoio à aprendizagem
Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo
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Déficit de atenção: estratégias de apoio à aprendizagem

O déficit de atenção é um distúrbio neurobiológico que afeta o funcionamento do cérebro em áreas que comandam, por exemplo, a capacidade de planejamento de tarefas e a memória de trabalho, causando sintomas como desatenção, agitação (hiperatividade) e impulsividade.

O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é uma condição de saúde que afeta em maior prevalência crianças em idade escolar menores de 12 anos de idade e se manifesta em taxas mais altas entre meninos. Entretanto, hoje, falaremos apenas dos sintomas que se referem ao déficit de atenção.

Os problemas de aprendizagem têm sido combatidos de forma muito errônea em algumas situações, alimentando os seguintes comportamentos:

  • Medicalização exagerada como “resolução” dos problemas que envolvem o aprender;
  • Diagnósticos sem fundamento: crianças com rótulos de doenças e distúrbios que não possuem;
  • Bullying: criação de papéis indevidos  (“o lerdinho, o bobo, no mundo da lua”, entre outros).

Através de conhecimento e atitudes responsáveis é possível minimizar essas ocorrências que, por consequência, prejudicam a qualidade de vida das crianças e de suas famílias. Assim, é preciso entender como os sintomas de déficit de atenção se manifestam.

Crianças COM diagnóstico de déficit de atenção apresentam os comportamentos abaixo:

Caso a criança apresente mais de seis sintomas da lista - como deixar tarefas incompletas, esquecer seus pertences com muita frequência ou se distrair com facilidade - é indicado encaminhá-la a um psicopedagogo (foto: The Guardian)

Caso a criança apresente mais de seis sintomas da lista – como deixar tarefas incompletas, esquecer seus pertences com muita frequência ou se distrair com facilidade – é indicado encaminhá-la a um psicopedagogo (foto: The Guardian)

  • Freqüentemente deixam de prestar atenção a detalhes;
  • Cometem erros por descuido;
  • Dificuldades em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
  • Parecem não escutar quando lhe dirigem a palavra;
  • Não seguem instruções;
  • Não fazem tarefas escolares ou tarefas domésticas;
  • Apresentam desorganização e tarefas incompletas;
  • Interrompem conversas e brincadeiras;
  • Não se envolvem em tarefas de esforço mental;
  • Distraem-se por estímulos externos à tarefa ( ruídos, conversas…);
  • Esquecem trabalhos e/ou objetos pessoais;
  • Perdem coisas (livros, lápis e etc).

Ou seja: a criança possui fatores neurobiológicos que interferem no funcionamento da aprendizagem, o que se caracteriza por déficit de atenção.

Contudo, é curioso pensar em onde traçar a linha que separa crianças diagnosticadas com o déficit de atenção e crianças sem o diagnóstico, mas que possuem sintomas muito semelhantes. Veja alguns fatores que podem produzir dificuldades na atenção sem que isso signifique um transtorno de aprendizado:

Fatores sociais e afetivos que interferem na aprendizagem:

Fatores externos, como conflitos familiares ou agendas sobrecarregadas, podem atrapalhar a atenção da criança - mesmo que ela não tenha déficit de atenção (foto: Randox)

Fatores externos, como conflitos familiares ou agendas sobrecarregadas, podem atrapalhar a atenção da criança – mesmo que ela não tenha déficit de atenção (foto: Randox)

  • Crianças com agendas de “executivos” vivem cansadas, desatentas, sonolentas e sem vontade de aprender;
  • Famílias em conflito, em separação ou passando por mudanças profundas, como o nascimento de um irmão, podem ocasionar na criança a dificuldade em manter a atenção, em escutar o que lhe dizem ou mesmo fazer com que cometa erros por descuido;
  • Morte na família pode “desligar” a criança do mundo real;
  • Crianças que não dormem direito, seja por dificuldades particulares, seja por falta de rotina, podem esquecer trabalhos escolares, objetos pessoais e não se envolver em atividades de esforço mental (já que estão cansadas);
  • Crianças que trabalham ou não se alimentam de forma adequada possivelmente terão a atenção e a concentração comprometidas;
  • Salas de aula e materiais escolares com muito estímulo visual podem atrapalhar a atenção. Exemplos: lápis de escrever com ponteira de bichinho ou personagem de preferência da criança, borracha com formato de um desenho preferido. Vale lembrar que este item está ligado aos exageros e em como cada criança poderá reagir a eles;
  • A criança quer expressar seus sentimentos, mas não sabe como, então, deixa de fazer os trabalhos escolares, esquece ou perde coisas propositalmente;
  • Interrompem conversas e brincadeiras, pois querem ser ouvidos ou chamar a atenção de alguém.

Nesse caso, a criança exibe sintomas de desatenção sem alteração biológica.

Quando encaminhar uma criança com suspeita déficit de atenção para um psicopedagogo?

É preciso atuar em parceria com a família: a criança demonstra esses sintomas em outros ambientes ou apenas na escola? (foto: Host Madison)

É preciso atuar em parceria com a família: a criança demonstra esses sintomas em outros ambientes ou apenas na escola? (foto: Host Madison)

Se a criança demonstrar seis ou mais dos sintomas listados, o professor deve formalizar um encaminhamento para um psicopedagogo, para que este atue em parceria com outros profissionais (incluindo o próprio professor) na busca pelo diagnóstico preciso. O psicopedagogo ainda pode realizar intervenções para minimizar os sintomas da desatenção e melhorar a aprendizagem da criança. Além disso, os sintomas devem ser observáveis em mais de um contexto (casa, escola, parques, etc).

As dificuldades de uma criança com este distúrbio já aparecem antes mesmo do ingresso à escola, mas ficam, de fato, evidentes quando as crianças experimentam o espaço escolar, devido às exigências cognitivas e atividades dirigidas que lhes são propostas.

Qualquer criança pode apresentar sintomas de desatenção ainda que não tenha o distúrbio. O próprio comportamento dos adultos cultiva certas atitudes infantis: como as pessoas estão cada vez mais apressadas, sem tempo, ansiosas, isso se reflete de alguma forma nas crianças. Por isso, lembre-se que é importante:

Conhecer cada aluno – Fazer parcerias com as famílias – Ter conhecimento sobre problemas que envolvem a aprendizagem.

O diagnóstico de déficit de atenção é feito por um profissional da área médica, com conhecimentos pediátricos de avaliação psicossocial e saúde mental, como, por exemplo, um médico neurologista ou psiquiatra. O professor também é uma figura primordial desde o momento inicial de investigação, até o processo de confirmação do diagnóstico de déficit de atenção, já que um professor com um olhar atento apoia o diagnóstico precoce, contribuindo com o desenvolvimento da criança, extinguindo ou reduzindo incidências de bullying e diagnóstico sem fundamento.

Como facilitar a aprendizagem de crianças com déficit de atenção?

Evite apelidos pejorativos e reações irritadas ("anda logo", "fica quieto", etc.). Ao invés disso, motive (foto: Preschool Matters)

Evite apelidos pejorativos e reações irritadas (“anda logo”, “fica quieto”, etc.). Ao invés disso, motive (foto: Preschool Matters)

Se o seu aluno apresenta déficit de atenção ou mesmo características do distúrbio devido a questões socioafetivas, anote algumas estratégias que lhe poderão ser muito úteis:

1. Crianças com déficit de atenção necessitam da repetição de exercícios, de instruções e também de um tempo maior para reter e processar uma nova informação. Assim, é possível melhorar a capacidade de trabalho da memória.

2. Outra sugestão para aumentar o tempo de atenção e concentração é estruturar uma gama de atividades diferentes com um mesmo objetivo para serem exploradas durante o período escolar. Exemplo: iniciar uma atividade de escrita sobre um determinado conteúdo, depois, utilizar o material concreto sobre o mesmo assunto, ler um livro, introduzir um jogo e atividades no computador ou tablet. Com esta estratégia, a criança em questão é chamada para reiniciar de forma constante o seu processo de atenção e concentração, podendo colaborar para o exercício, estruturação e aprimoramento de tais funções.

3. Dê uma ocupação ou função à criança: ajudar a distribuir uma tarefa para a turma, recolher materiais, buscar um brinquedo que será usado em aula, entre outros.

4. Modifique seus métodos e materiais de trabalho, introduzindo novidades e objetos concretos para melhorar a atenção.

5. Reorganize o ambiente: modifique as carteiras de lugar, faça novos agrupamentos entres os alunos e até sugira grupos de estudos.

6. Tempo para as tarefas: como já foi dito, pode ser dado um tempo maior do que aos demais colegas para a execução das tarefas, ou ainda um tempo menor, mas com variedade de tarefas. É preciso conhecer como cada criança reage melhor e definir o tempo que se adequa às necessidades dela.

7. O mesmo vale para avaliações: elas podem ser feitas de forma oral ou escrita, considerando um tempo maior ou menor para a sua execução, dependendo de cada caso. A quantidade de atividades (muitas atividades curtas ou poucas atividades longas) também deve ser estabelecida de acordo com cada caso específico.

8. Crie rotinas para avisar sobre o limite de tempo. Por exemplo, bata um sino ou apite, quando faltar 5 minutos para o término da atividade. Sinalize sempre o que está acontecendo.

9. Dê pequenos intervalos de descanso a cada 40 minutos de trabalho em que as crianças possam ir ao banheiro, tomar água, movimentar-se.

Cartões com palavras, frases, perguntas e imagens ajudam a criança a organizar os pensamentos (foto: Hollywood Learning Center)

Cartões com palavras, frases, perguntas e imagens ajudam a criança a organizar os pensamentos (foto: Hollywood Learning Center)

10. Use estímulos visuais associados aos auditivos (músicas, vídeos, gravar a voz da criança). Computadores e retroprojetores são bons recursos, use-os quando estiverem disponíveis. Desenhe bastante, use figuras e gráficos.

11. Use calendários em classe e estimule a utilização das agendas pessoais. Avise, quando possível, sobre mudanças na rotina.

12. Use um pouco de arte dramática. Utilize gestos, demonstre o que explicar, ande pela sala, cubra um objeto para, depois, revelá-lo, faça surpresas.

13. Seja sempre que possível motivador. Não utilize frases como: “o tempo está acabando; vai logo!; ande rápido!; ainda não terminou?”.

14. Ao introduzir uma pergunta, use cartões com respostas prontas para que o aluno possa organizar o pensamento. Isso vale também para organização de textos já conhecidos.

15. Prepare atividades com palavras-chave ou banco de palavras para completar um conceito, deixando lacunas no texto para serem preenchidas.

16. Jogos como o Lince são excelentes para aprimorar a atenção. Construa outros tipos de Lince com os temas que lhe forem úteis.

Conheça aplicativos que podem motivar crianças com déficit de atenção

Alguns apps servem como ferramenta para motivarmos e estimularmos as crianças com déficit de atenção em seus estudos. Veja alguns deles:

  • MatrixMatch 2: O objetivo é ordenar e relacionar, numa grande matriz, as formas e linhas que, unidas, dão origem a novas figuras (gratuito);
  • Match it up 3: trabalha a relação entre determinados pares de objetos, animais, ferramentas, meios de transporte e muito mais (gratuito);
  • Series 1: ensina a criança a organizar os objetos por forma, cor, tamanho e quantidade. O jogo desenvolve conceitos matemáticos primários como tamanho e quantidade, habilidades de percepção visual (gratuito);
  • My Mosaic: um jogo que ajuda no desenvolvimento de habilidades nas áreas da percepção visual e coordenação de olho e mão (gratuito).
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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

Tudo o que você precisa saber sobre tecnologia em sala de aula

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Relatórios/Práticas inovadoras
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Tudo o que você precisa saber sobre tecnologia em sala de aula

Crianças e jovens nascidos a partir do fim da década de 90 e início dos anos 2000 são considerados “nativos digitais”. Eles já vieram ao mundo com acesso à internet – e isso influencia seu aprendizado, sua linguagem e seu comportamento de formas que ainda estão sendo estudadas. O nome de nativos é dado em oposição a todos aqueles que nasceram antes da disseminação de computadores, tablets e smartphones: quem foi criado com a tecnologia analógica e precisou aprender e se adaptar às novas formas de trabalho. Estes são os “imigrantes digitais”.

A ruptura em sala de aula acontece, em parte, porque a grande maioria dos professores é um imigrante, enquanto os alunos são nativos. É como se fossem de países diferentes e falassem em idiomas diferentes, um sendo obrigado a se ajustar às expectativas do outro. Quando um professor impede que as crianças usem celulares para pesquisa, insistindo em pesadas enciclopédias para a realização da tarefa, está ignorando o contexto em que esses estudantes foram criados: para eles, os livros técnicos não fazem sentido quando sabem que a informação está a dois cliques (ou um comando de voz) de distância.

O professor será substituído pela tecnologia?

O professor não é a única fonte de conhecimento, é claro, mas é quem deve mediar e orientar os interesses das crianças e apresentar novas ferramentas de aprendizado (foto: Missouri Edu)

O professor não é a única fonte de conhecimento, é claro, mas é quem deve mediar e orientar os interesses das crianças e apresentar novas ferramentas de aprendizado (foto: Missouri Edu)

CLARO QUE NÃO. Assim mesmo, em maiúsculas. Como disse o professor Paulo Blikstein, da escola de educação da Universidade Stanford, em uma entrevista à Revista Educação, isso seria equivalente a “querer substituir o médico na sala de cirurgia”. Afinal, o professor possui, sim, um conhecimento científico maior que as crianças e, em vários momentos, faz sentido que ele exponha informações.

Contudo, é preciso alternar essa prática com diferentes dinâmicas, espaços colaborativos, pesquisa, debate e projetos interdisciplinares, que deem voz a todos os indivíduos em sala. As consideradas “aulas tradicionais” não precisam ser extintas, mas sim ocupar momentos pertinentes.

Qual o papel do professor nesse cenário?

Cada vez mais pesquisadores apontam o professor como um orientador e mediador que observa, identifica as necessidades das crianças e oferece ferramentas para o aprendizado de cada uma. Ele ajuda a construir aprendizados diversos e, conforme as crianças crescem e desenvolvem autonomia, vai permitindo que elas ajam com mais independência dentro da escola: selecionando temas, sugerindo projetos ou formas de pesquisa, organizando suas equipes de trabalho.

A atuação desse educador pode ser dividida em quatro frentes:

  • Orientar os processos intelectuais (conhecimento cognitivo) – ajudar as crianças a selecionar informações relevantes e confiáveis, transformá-las em mensagens significativas e relacionadas à realidade dos alunos, elaborar questões que levem à interpretação e compreensão dos temas, incentivar a autoavaliação.
  • Orientar o desenvolvimento emocional e social – proporcionar um equilíbrio entre trabalhos individuais e de equipe, criar situações de interação entre as crianças, mediar conflitos apresentando formas saudáveis de resolver problemas, estimular canais de expressão (que incluem a tecnologia digital e analógica), cultivar a empatia e motivar a turma.
  • Orientar o senso ético – assumir e vivenciar valores construtivos, individual e socialmente, transmitir noções de colaboração, integração, liberdade.

Como e quando inserir a tecnologia digital na escola?

Sempre faça a pergunta: por que a tecnologia é essencial nesse aprendizado? Se não houver resposta, pode ser que ela só sirva de enfeite, não para potencializar sua aula (foto: Wikimedia)

Sempre faça a pergunta: por que a tecnologia é essencial nesse aprendizado? Se não houver resposta, pode ser que ela só sirva de enfeite, não para potencializar sua aula (foto: Wikimedia)

A pergunta deve ser sempre: qual a melhor maneira de se transmitir esse ensinamento? Não necessariamente uma tela de computador será a melhor saída – e transferir um livro didático para uma apresentação de PowerPoint não representa inovação alguma. O suporte não é o importante, mas sim o conteúdo. É responsabilidade do educador refletir sobre o currículo e identificar em quais situações a tecnologia vai realmente influenciar o aprendizado das crianças.

Beth Almeida, especialista em Novas Tecnologias na Educação, disse à Revista Educar para Crescer: “Sempre pergunto aos que usam a tecnologia em alguma atividade – qual foi a sua contribuição? O que não poderia ser feito sem tecnologia? Se ele não consegue identificar claramente, significa que não houve um ganho efetivo”.

Esses são os pontos fortes de se trabalhar com tecnologia em sala de aula:

  • Trabalhos colaborativos – várias plataformas permitem que os estudantes construam projetos em conjunto ou criem espaços para discussão de ideias;
  • Conexão com o “mundo real” – a internet permite que uma tarefa escolar se transforme em um projeto real, que pode ser colocado em prática e atingir a comunidade;
  • Comunicação – da mesma forma, a internet é uma ferramenta incrível para conectar jovens com outras pessoas que possam acrescentar ao seu conhecimento: pesquisadores, professores, profissionais do mercado de trabalho, crianças e adolescentes de outras partes do mundo, etc., sempre com a supervisão de um adulto;
  • Interdisciplinaridade – ao invés de isolar a tecnologia em uma aula de informática, ela deve ser usada como instrumento de aprendizado em todas as disciplinas;
  • Protagonismo – um mesmo ponto de partida pode levar crianças com olhares distintos por caminhos e projetos completamente diferentes. Trabalhar com o apoio da internet permite essa diversidade.

A inserção da tecnologia na escola deve ajudar a equipe pedagógica, as famílias e os alunos a atuar em conjunto, gerando um ambiente mais democrático e integrado.

Por que a tecnologia não funciona na minha escola?

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Está achando a teoria maravilhosa, mas nunca observou esses resultados na sua rotina? Você não é o único. Apesar de estarmos vivendo um boom de tecnologia educacional (com games educativos, plataformas adaptativas e ensino à distância), o maior desafio para que esses modelos funcionem é a formação dos professores. Em segundo lugar, vem a infraestrutura inadequada das escolas, embora o primeiro fator seja o mais grave: professores capacitados conseguem superar um ambiente despreparado e sugerir soluções inovadoras; já a melhor estrutura possível não vai fazer a menor diferença se não for bem utilizada.

Para Paulo Blikstein, para cada R$1 gasto em equipamento, seriam necessários R$9 em formação. Com esse aprendizado, os professores seriam capazes de potencializar suas ações – não seriam substituídos, mas, sim, teriam recursos para impactar mais crianças de maneira mais eficaz. Isso já começa a ser feito através de:

  • Tecnologias maker, ou “mão na massa”, que funcionam como laboratórios de informática que estimulam a experimentação dos alunos;
  • Softwares de simulação e games educativos;
  • Ferramentas de pesquisa online e mapeamento de informações;
  • Robótica e programação;
  • Laboratórios de ciências computadorizados.

Onde buscar essas capacitações?

As próprias escolas, os diretores e coordenadores pedagógicos, deveriam incentivar a equipe a procurar qualificação em tecnologias educacionais. Mesmo que esse não seja o caso, há muito que o professor pode buscar por conta própria para enriquecer sua prática e compreender o universo das crianças.

Cursos de tecnologia educacional

  • Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação é um curso desenvolvido pela Fundação Lemann e o Instituto Península com a proposta de apresentar aos educadores formas de integrar as tecnologias digitais ao seu currículo escolar. Há várias possibilidades de acessar o conteúdo: como curso aberto, online e gratuito, como curso online com certificação (mais longo que o gratuito) ou em conjunto com outros módulos de extensão. Saiba mais aqui.
  • Novas tecnologias para a aprendizagem: Ensino Médio e Fundamental é um curso online desenvolvido pelo Instituto Phorte em parceria com a Unesco. Os módulos são: aspectos filosóficos, didática aplicada, novas plataformas e políticas educacionais. Saiba mais aqui.
  • Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado) é oferecido pelo MEC para professores e gestores da rede pública. O educador pode escolher diversos cursos que têm entre 40 e 60h de duração. Saiba mais aqui.
  • Escola Digital, criada pelo Instituto Inspirare, Instituto Natura e Fundação Telefônica Vivo, disponibiliza um curso online e gratuito em três módulos: Tecnologia Digital, Plataforma Escola Digital e Planejando com o uso de objetos digitais de aprendizado e ferramentas. A plataforma também oferece matéria gratuito para ser usado em sala de aula – são mais de 4 mil vídeos, animações, jogos, infográficos e planos de aula digitais. Saiba mais aqui.
O professor pode - e deve - buscar capacitações que o aproximem da linguagem dos alunos para aumentar seu impacto em sala de aula (foto: Wikimedia)

O professor pode – e deve – buscar capacitações que o aproximem da linguagem dos alunos para aumentar seu impacto em sala de aula (foto: Wikimedia)

Livros sobre tecnologia na educação (recomendados pelo Portal do Professor)

  • Educação e Novas Tecnologias Glaucia da Silva Brito, Ivonélia da Purificação – Editora Ibpex – Brasil – 2008 – 2ª edição.
  • Multimídia Digital na Escola Elenice Larroza Andersen (Org.) – Editora Paulinas – Brasil – 2013 – 1ª edição.
  • Novas tecnologias e mediação pedagógica José Manuel Moran et al – Editora Papirus – Brasil – 2013 – 21ª edição.
  • Eles Sabem (Quase) TudoBetina Von Staa – Editora Melo – Brasil – 2011 – 1ª edição
  • Computadores em Sala de AulaCarme Barba, Sebastià Capella (Org.) – Editora Penso – Brasil – 2012 – 1ª edição
  • Educação com Tecnologia – Texto, Hipertexto e Leitura Mary Rangel – Editora Wak – Brasil – 2012 – 1ª edição

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Leia mais:

Revista Educação

Educar para Crescer

Portal Brasil

Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso

Desafios da Educação

5 atividades de matemática para fazer em poucos minutos
Atividades/Matemática/Relatórios
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5 atividades de matemática para fazer em poucos minutos

Na Educação Infantil, as crianças estão começando a desenvolver seu pensamento abstrato – apenas entre os seis ou sete anos de idade é que a maioria compreende não apenas objetos concretos, mas começa a fazer sentido de símbolos ou ideias. Portanto, o ensino da matemática nessa fase precisa ser palpável, visível para as crianças.

Atividades com peças para agrupar, formas geométricas, blocos que se encaixam são ideais para trabalhar noções de espaço, tamanho e quantidade. Acima de tudo, esses exercícios são essenciais para que a turma desenvolva as habilidades necessárias para, no futuro, realizar operações mais complexas, como cálculos e equações.

É importante deixar que os pequenos repitam essas atividades quantas vezes acharem preciso. É o desinteresse deles que vai mostrar ao professor que aquela brincadeira já está fácil demais e que a criança pode passar para um próximo aprendizado. Enquanto ela volta para o mesmo jogo de novo e de novo, ele ainda representa um desafio – dê o tempo para que seja superado!

Figuras com blocos

(foto: Soldaeira)

(foto: Soldaeira)

Os únicos materiais que essa atividade pede são blocos de madeira (ou peças de Lego) e cartões com figuras aonde encaixá-los. Os cartões podem ser feitos em uma cartolina, mas você também pode fazer o download de modelos prontos aqui. Caso opte por fazer os desenhos você mesma, lembre-se de usar as peças como medida para garantir que elas se encaixem! Use várias combinações possíveis, mais simples e mais elaboradas, para tornar o jogo interessante.

Além de exercitar noções de tamanho e espaço, posicionar os blocos dentro das linhas corretas ajuda o desenvolvimento da motricidade fina, a destreza com as pontas dos dedos.

Com crianças mais velhas, entre 4 e 6 anos, também é possível trazer novo vocabulário e comparar as figuras planas (quadrado, triângulo, círculo, etc.) com os sólidos geométricos (cubo, pirâmide, esfera, etc.). Para enfatizar as diferenças entre as formas, passe o dedo por cada um dos lados da peça, contando cada um deles: “um, dois, três, quatro lados… É um? Quadrado. E todos os lados são quadrados, olhe só! Então, isso aqui é um cubo”. Incentive a turma a fazer o mesmo por conta própria durante a atividade.

Quebra-cabeça de palitos de picolé

(foto: Powerfull Mothering)

(foto: Powerfull Mothering)

Perfeita para crianças que ainda estão aprendendo a contar e a relacionar a quantidade ao símbolo numérico. A primeira parte da atividade consiste em dar um jogo de dez palitos a cada criança para que elas façam seus desenhos – cole os palitos no topo e na base com fita adesiva para que eles fiquem imóveis durante a pintura, e também para ter aonde escrever os número quando a tinta secar.

Na aula seguinte, remova a fita adesiva e escreva os números de um a dez, em ordem crescente, na base ou no topo de todos os palitos e separe-os. Cada criança terá seu quebra-cabeça para colocar em ordem.

É importante que elas comecem com seus próprios desenhos, porque já uma familiaridade com a imagem (mesmo não se lembrando de todos os números, elas tendem a reconhecer a ordem correta). Quando essa etapa perder a graça, proponha que elas troquem seus jogos entre si.

Mostre a elas como jogar: escolhendo um palito por vez, identificando o número e contando o número de peças. Ao terminar, conte os palitos um por um e confira se a ordem falada está de acordo com os números escritos. Ajude as crianças a repetir o processo por conta própria na hora de jogar.

Números de massinha

(foto: Life Over Cs)

(foto: Life Over Cs)

Mais uma vez, só o que é preciso é imprimir (ou desenhar) os cartões com a imagem de uma árvore e o número a ser preenchido. Na foto acima, também há uma tabela no fim da página, em que as crianças poderiam contar novamente o número de bolinhas utilizadas – mas essa é uma escolha do professor, assim como escrever os números por extenso, caso as crianças estejam em fase de alfabetização.

A árvore pode ser substituída por um ninho (com o número de ovos correspondente), o miolo de uma flor (com o número de pétalas), uma nuvem (com o número de gotas de chuva), uma joaninha (com o número de pintinhas pretas) e assim por diante. É recomendável proteger os cartões com papel contact transparente para que eles possam ser reaproveitados em várias brincadeiras.

Ao jogar, mostre aos pequenos uma ordem a seguir: encontrar o número impresso, falar o número em voz alta, contar o número de bolinhas feitas com massa de modelas, repetir os números novamente ao colocar cada bolinha na árvore. A repetição é essencial nessa idade. Após a demonstração, peça para que eles continuem seguindo esses passos por conta própria.

Trilha de números

(foto: PBS)

(foto: PBS)

Com uma fita adesiva, marque linhas retas no chão, uma mais longa do que a outra. A primeira linha, a mais curta de todas, irá só até o número 1. A segunda, com duas marcas, até o número 2. A terceira, com três marcas, até o 3 e assim por diante. Tente deixar as marcas a uma mesma distância uma da outra (você pode pedir para uma das crianças dar passos e medir o espaço de cada passada. Assim, será mais fácil para elas contarem os números até o final). Ao fim de cada linha, coloque um prato descartável (ou um pedaço de papel) com o número correspondente escrito.

No chão, diante das linhas, distribua cartões com números escritos ou quantidades representadas – vale até mesmo usar cartas de baralho! Deixe todas elas viradas para baixo. O objetivo é que cada criança escolha uma carta, veja o número ou quantidade anotado e escolha a linha correspondente. Então, ela vai contar seus passos até chegar ao fim da trilha: o número de passos deve ser o mesmo que o número da sua carta. Quando chegar ao fim, a carta vai ser colocada no prato descartável.

Para que a brincadeira continue, use várias cartas com cada número.

Amarelinha das formas

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(foto: Housing a Forest)

Essa brincadeira pode ser um pouco mais trabalhosa, mas é diversão garantida. Recorte cinco ou seis formas diferentes em cartolinas coloridas: círculos verdes, quadrados roxos, estrelas amarelas e assim por diante. Use fita adesiva para colá-las no chão da sala de aula ou do pátio, criando um grande tapete de formas.

Peça para que todas as crianças fiquem do mesmo lado do tapete. O jogo consiste em atravessá-lo pisando em apenas uma cor ou forma geométrica. Outros desafios possíveis são: pedir para uma criança guiar outra, dizendo cores e formas para que a colega consiga chegar ao outro lado; trabalhar conceitos de esquerda ou direita dando orientações como “pule na estrela à direita”; fazer um jogo de Twist, em que as crianças precisam colocar pés e mãos na forma sorteada sem cair (o bumbum não pode tocar o chão!); lançar desafios como “você precisa atravessar pisando em quatro círculos” ou “encontre uma figura de três lados”.

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Fim do ano letivo: hora de preparar as crianças para mudança

Mostrar para as crianças como elas cresceram, o que aprenderam e como estão prontas para a mudança vai torná-las mais confiantes (foto: Adat Shalom Preschool)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Registros/Relatórios/Rotina pedagógica
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Fim do ano letivo: hora de preparar as crianças para mudança

Com dezembro chegando, a maioria das creches e pré-escolas passa por uma experiência semelhante (além do fato de estarem todas elaborando lindas lembrancinhas para o Natal, é claro): é hora de preparar as crianças para o período de férias e, depois, a mudança de turma ou mesmo de escola. Tanto a professora quanto a família devem apoiar os pequenos nessa transição.

Mudança de turma na mesma escola

Ainda que alguns colegas sejam os mesmos, prepare as crianças para acolher novos amigos para ajudá-las na socialização (foto: Feed Indiana)

Ainda que alguns colegas sejam os mesmos, prepare as crianças para acolher novos amigos para ajudá-las na socialização (foto: Feed Indiana)

Mesmo quando as crianças permanecem na mesma escola, o fato de ter uma nova professora e novos colegas pode gerar ansiedade e insegurança. A primeira coisa a fazer é explicar com clareza o que vai acontecer: o tempo que passarão afastados da instituição, durante as férias, e seu retorno, no ano seguinte.

Não adianta esconder ou adiar o assunto, mas sim ser honesto com as crianças sobre os colegas que ela vai encontrar. Normalmente, as turmas não são completamente desfeitas, mas é recomendado trocar alguns alunos de sala e acolher novas crianças, justamente para que todas aprendam a acolher novos relacionamentos e fortifiquem seu processo de socialização. Portanto, não apenas tranquilize os pequenos dizendo que seus antigos amigos continuarão lá, mas, sim, que eles conhecerão outras pessoas e farão novos amigos. Enfatize a mudança como algo positivo, não assustador.

Aproveite os eventos de fim de ano da escola para introduzir outros professores e funcionários à sua turma com naturalidade. A socialização com toda a equipe, não apenas com uma professora, facilita a transição dentro de uma mesma escola. Quando as crianças se sentem confortáveis naquele espaço e desenvolvem sua autonomia ao longo do ano (indo ao banheiro sozinhas ou guardando seus materiais, por exemplo), também se sentem mais preparadas e confiantes em seu retorno.

Além disso, organize momentos para que a classe converse sobre o fim deste ano e início do próximo. Deixe que as crianças façam perguntas ou troquem experiências e garanta a elas que todas estão crescendo e, por isso, prontas para a nova etapa. Elas ficarão orgulhosas por serem vistas como “grandes”, aumentando a sensação de segurança. Também as lembre de que todos os funcionários e suas famílias sempre estarão a disposição quando elas experimentarem qualquer problema ou desconforto e incentive o diálogo.

Mudança de escola

Assim que a família avisar definitivamente sobre a mudança, oriente-a a levar a criança para conhecer a nova escola (se possível, mais de uma vez, para que ela comece a se habituar com o novo ambiente e as pessoas que farão parte de sua rotina no ano seguinte).

Em sala, nunca condene a decisão dos pais. Fale da nova escola sob uma luz positiva e transmita confiança na escolha da família, para tranquilizar o aluno. Enumere as coisas boas que ele vai experimentar: novos amigos, uma sala de aula bonita, uma professora querida, etc. – contudo, prepare o terreno para inseguranças. É importante que a criança não se sinta culpada por sentir medo ou tristeza, então, garanta que esses sentimentos são normais e que ela pode conversar sobre eles sempre que quiser.

Por fim, deixe bem claro que ela não vai perder seus antigos amigos e tente programar, em parceria com a família, encontros entre os colegas fora do horário da escola.

Começo do Fundamental

Mostrar para as crianças como elas cresceram, o que aprenderam e como estão prontas para a mudança vai torná-las mais confiantes (foto: Adat Shalom Preschool)

Mostrar para as crianças como elas cresceram, o que aprenderam e como estão prontas para a mudança vai torná-las mais confiantes (foto: Adat Shalom Preschool)

Ao fim da Educação Infantil, as crianças já são um pouco mais velhas e mais preparadas para lidar com mudanças. O conselho inicial permanece: mostrar a elas como estão crescendo e, com essa idade, vão poder aprender mais e ter experiências que os pequenos ainda não podem. Não assuste a turma falando constantemente de provas e regras (“vocês não vão mais poder ficar brincando o tempo todo”), o que pode levá-las a temer a transição. Ao invés disso, apresente as novidades de maneira positiva – muitas ficarão animadas, por exemplo, com a ideia de ler e escrever por conta própria!

Os horários serão diferentes no Ensino Fundamental e as crianças devem ser avisadas sobre isso. Explique que haverá o momento de estudar e de brincar, que elas terão mais liberdade na hora do recreio e que poderão conhecer crianças mais velhas. Se a escola aplicar provas desde o primeiro ano (hoje, muitas adiam essas avaliações formais para o segundo ou mesmo terceiro ano do Fundamental), evite termos como notas ou reprovação. Prefira se referir à prova como apenas outra atividade.

Caso o próximo nível seja na mesma escola, programe visitas da turma às salas ou ao pátio dos mais velhos. Essas excursões podem acontecer uma vez por semana até o encerramento das aulas, para que as crianças conheçam os futuros professores e funcionários, se acostumem com o espaço e tenham os primeiros contatos com os alunos maiores.

Os pais devem ajudar

Nas reuniões com a família, explique a importância de os pais estarem seguros com essa nova fase. Peça que eles não criem grandes expectativas ou dúvidas para as crianças, dizendo que o próximo ano será mais difícil ou cansativo, que ela será avaliada ou que certos comportamentos “de criancinha” ou “de bebê” não devem continuar.

Também deixe claro que comparações com outros alunos são prejudiciais. Cada criança vai se desenvolver de acordo com o próprio ritmo, portanto, não adianta que a família entre em pânico caso o filho ou a filha demore um pouco mais que os colegas para ler, escrever ou fazer operações matemáticas. Prepare-os para essa realidade e enfatize que, apesar de as crianças estarem em alfabetização, elas não vão começar a escrever redações só porque foram matriculadas no Ensino Fundamental.

A família ainda pode ajudar a preparar a criança emocionalmente organizando hábitos saudáveis em casa – ainda na Educação Infantil, ela pode ser responsável por cuidar e guardar seus materiais escolares, lembrar do dever de casa e fazê-lo sem ninguém mandar (embora os pais devam sempre conferir as tarefas no fim do dia).

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4 dicas para elaborar um plano pedagógico inovador
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4 dicas para elaborar um plano pedagógico inovador

Escolher uma escola para os filhos envolve muitas preocupações dos pais, e, entre os fatores levados em consideração para essa tomada de decisão, estão o espaço físico, a segurança, a equipe docente responsável, e, claro, a proposta de ensino. Por isso, um plano pedagógico inovador tem grande potencial para chamar atenção para sua instituição.

Para a pedagoga e assistente social Rosana Buriham, uma boa proposta pedagógica é aquela que leva a criança a aprender como aprender, ou seja, em que a própria criança constrói o seu conhecimento. Ela acredita que é importante buscar o equilíbrio, dosar a duração de atividades individuais e interativas, criar exercícios interessantes e desafiadores que envolvam e estimulem um amplo aprendizado, e sugere que os professores sigam algumas diretrizes para elaborar suas aulas:

Incluir atividades lúdicas que despertem aprendizados sobre atividades do dia a dia

Atividades lúdicas, que estimulem a criatividade e o protagonismo, são sempre bem vindas (foto: Therapeutic Services LLC)

Atividades lúdicas, que estimulem a criatividade e o protagonismo, são sempre bem vindas (foto: Therapeutic Services LLC)

A pedagoga ressalta que a motivação é um dos fatores essenciais para o aprendizado, por isso, os professores devem criar atividades que engajem a participação dos alunos. Ela sugere que, depois de ler uma história ou assistir a um filme sobre alimentação, como o Ratatoille (Walt Diney Pictures, 2007),  por exemplo, a criança pode ser caracterizada de chef de cozinha e aprender a fazer a limpeza de frutas e verduras.

Essa atividade faz com que a criança assuma o papel de cozinheiro, aprenda aspectos que serão úteis para o dia a dia e ganhe noções de responsabilidade. Os alunos mais velhos já podem ter tarefas mais complexas e, com a supervisão de um adulto, podem ficar responsáveis por fazer uma salada de frutas.

A partir dessa experiência, os professores podem abordar assuntos relacionados à grade curricular, como língua portuguesa e matemática, por exemplo, assim como trabalhar a importância de termos uma alimentação saudável, hábitos de higiene com os alimentos e ainda a valorização das pessoas que preparam nossa comida.

Outro bom exemplo disso é o projeto Melancimática, que trabalha conceitos da matemática, como peso e noções de fração, usando uma melancia. Foi idealizado pela professora Maria Salete Altieri Pollezi da Escola Básica Municipal Anita Garibaldi, de Blumenau, com orientação do professor Jovino Luiz Aragão, coordenador da Secretaria Municipal de Educação, também de Blumenau.

Adotar ambientes diferenciados para as aulas

Apesar de a tecnologia ser parte importante do currículo atual, é igualmente importante ter contato com a natureza e praticar atividades ao ar livre (foto: Delaware Valley Association)

Apesar de a tecnologia ser parte importante do currículo atual, é igualmente importante ter contato com a natureza e praticar atividades ao ar livre (foto: Delaware Valley Association)

Hoje, as crianças estão cada vez mais envolvidas com os aparelhos eletrônicos, como televisão, tablete ou computador. Apesar de a tecnologia conseguir manter a atenção do aluno por um bom tempo e ser um elemento chave para essa geração, Rosana Buriham ressalta que é necessário controlar o tempo que a criança gasta envolvida com os jogos eletrônicos. Para ela, um plano pedagógico inovador para a escola é aquele que adota, sim, novas tecnologias, mas que também faz com que a criança tenha diferentes oportunidades de aprendizado. “É super válido que haja um laboratório de informática na escola, assim como é necessário estimular as atividades ao ar livre, o contato com a natureza”, ressalta a pedagoga.

Estimular exercícios individuais e em grupo

Momentos de trabalho individual devem ser intercalados com atividades em grupo (foto: Hema Bhatt's Growing Kids)

Momentos de trabalho individual devem ser intercalados com atividades em grupo (foto: Hema Bhatt’s Growing Kids)

Outra perspectiva de um plano pedagógico inovador é a dosagem entre exercícios individuais e em grupo. Para a pedagoga, é importante que a criança seja estimulada a enfrentar desafios individuais. Já em outros momentos, são recomendadas as atividades que levem à socialização, ao diálogo e à colaboração entre os alunos.

Buscar autoconhecimento e construção de valores

Uma diretriz que muitas escolas estão adotando é desenvolver atividades para a construção de valores éticos. Dessa forma, a escola assume a postura de trabalhar não apenas para a formação acadêmica dos alunos, mas também assume o seu papel social de contribuir para que as crianças reflitam sobre o mundo em que vivem.

Nessa perspectiva, são recomendadas as dinâmicas de grupo, para que cada uma delas se confronte com problemas e contribua com soluções. “É preciso levar em consideração que cada pessoa carrega consigo um contexto histórico e familiar, uma condição socioeconômica. Então, torna-se fundamental que os professores tenham maturidade e jogo de cintura para trabalhar com o confronto de realidades das crianças”, ressalta Rosana.

A partir dessas quatro perspectivas trazidas, é possível montar um plano pedagógico inovador que pode chamar atenção para a sua escola.

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Fonte: PlayTable

Por que as crianças brigam?

Sibling, brother and sister fighting pulling each other faces

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Por que as crianças brigam?

As crianças estão brincando juntas, até que acontece – uma pega o brinquedo da outra, todas querem ser o mesmo personagem no faz-de-conta, alguém é excluído do grupo e o conflito é instaurado. Nesse momento, o professor deve ter bem claro o modo como quer resolver o impasse: ele se intromete, dá uma bronca e exige desculpas ou deixa que as crianças resolvam suas diferenças por conta própria?

Por que as crianças brigam?

Crianças não usam a violência física por maldade, mas sim porque ainda estão aprendendo a se expressar de outras formas (foto: The Intelligent Nest)

Crianças não usam a violência física por maldade, mas sim porque ainda estão aprendendo a se expressar de outras formas (foto: The Intelligent Nest)

Para tomar essa decisão, é preciso entender por que as crianças brigam. Será que elas simplesmente são agressivas, mimadas ou egoístas? É claro que não – elas estão, porém, passando por uma etapa crítica do desenvolvimento social, abandonando aos poucos o autocentrismo (quando ainda não conseguem se colocar no lugar do outro ou compreender outros pontos de vista que não o delas mesmas).

A escola tem um papel essencial nesse crescimento, oferecendo o primeiro ambiente em que os pequenos precisam dividir… Absolutamente tudo. A atenção, o afeto, o espaço, os brinquedos, que, em casa, estão sempre à disposição, agora são comunitários. E isso não é uma mudança fácil de se aceitar. Dessa adaptação, surgem os momentos de agressividade.

Leia mais: Habilidades socioemocionais são mais importantes que notas altas.

Primeiro, porque as crianças querem testar sua autoridade, seu poder. Dar ordens aos colegas, aos irmãos menores e outras crianças é uma forma de testar seus limites e descobrir o quanto suas vontades valem. Conflitos ocorrem quando duas ou mais crianças estão tentando definir seus limites e impor suas opiniões.

Em seguida, vem o fato de que, na Primeira Infância, a linguagem e seus significados ainda estão sendo construídos. Ou seja, empurrar, morder ou bater não são sinais de maldade, mas sim de que a criança ainda não aprendeu outras formas de resolução de problemas. O mesmo vale para choros e acessos de raiva (que vão continuar ocorrendo, caso ela perceba que surtem efeito).

Essas são razões perfeitamente normais e saudáveis para brigas infantis, que fazem parte do processo de desenvolvimento de empatia e da compreensão de regras sociais.  Existem, contudo, sinais que o professor pode observar quando a violência é excessiva.

O que causa problemas socioemocionais?

Nenhuma criança vai atravessar a infância sem pequenos conflitos que a ajudam a crescer. Mas, quando as agressões se tornam muito frequentes, pode haver algo errado (foto: Stanford)

Nenhuma criança vai atravessar a infância sem pequenos conflitos que a ajudam a crescer. Mas, quando as agressões se tornam muito frequentes, pode haver algo errado (foto: Stanford)

Sempre é indicado manter um olhar atento para perceber comportamentos fora do normal. Pesquisas mostram que entre 5 e 10% das crianças enfrentam dificuldades crônicas de relacionamento com seus pares, dentre elas a rejeição ou hostilização. Se não houver intervenção, elas podem causar queda no desempenho acadêmico, problemas de adaptação na adolescência, evasão escolar e mesmo uma probabilidade mais altas de envolvimento com drogas ilícitas ou criminalidade. A saúde é prejudicada: problemas socioemocionais precoces estão relacionados a doenças como depressão e ansiedade.

Identificar crianças que estejam enfrentando dificuldades de relacionamento exige um olhar apurado não só para o comportamento que ela apresenta na escola, mas para suas relações familiares e socioeconômicas, sua saúde, seus potenciais e dificuldades intelectuais.

  • #1 Comportamento:

Quando momentos de agressividade foram muito frequentes, algo pode estar errado. Crianças muito isoladas ou extremamente tímidas também devem ser acompanhadas. Isso porque as falhas na comunicação fazem com que elas sejam mais facilmente excluídas pelos colegas.

  • #2 Saúde:

Para crianças com deficiências físicas, intelectuais ou emocionais, relacionar-se com o resto da turma é um desafio.

  • #3 Família:

As crianças aprendem com os comportamentos que vivenciam. Como os pais ou parentes resolvem conflitos em casa? Como é o ambiente em que ela vive? Será que ela se sente segura? Procure saber quais são os hábitos da criança em casa – exposição a filmes, vídeos e jogos violentos, por exemplo não são indicados na Primeira Infância (quando ainda não se faz distinção do real e do fictício) e podem trazer à tona comportamentos agressivos.

  • #4 Situação econômica:

A situação econômica precária pode influenciar o desenvolvimento da criança, que necessita de um ambiente seguro e acolhedor. Novamente, a sensação de segurança é fundamental, mas também a nutrição, a higiene e o bem-estar.

Prevenir e intervir

Ao invés de resolver o problema e punir as crianças, o professor precisa de tempo para fazer perguntas, conversar e orientá-las para que consigam encontrar uma solução (foto: High Scope)

Ao invés de resolver o problema e punir as crianças, o professor precisa de tempo para fazer perguntas, conversar e orientá-las para que consigam encontrar uma solução (foto: High Scope)

Há duas formas de trabalhar as habilidades de socialização das crianças: através da prevenção e da intervenção. Elas vão se desenrolar ao mesmo tempo, ou seja, não são excludentes.

A prevenção diz respeito a promover as competências necessárias para a solução de conflitos através de brincadeiras, atividades lúdicas e de grupo, antes que um desentendimento aconteça. É quando as crianças aprendem, sob supervisão e com situações planejadas, a reconhecer sentimentos, a dividir, a ceder ou insistir.

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Já a intervenção, por outro lado, vai ocorrer quando crianças ou grupos em particular estiverem com problemas de relacionamento. Nesses casos, são abordados os comportamentos específicos daqueles alunos em uma conversa (sempre privadas, não em frente ao resto da turma ou de maneira que possa humilhá-los). O professor pode sugerir alternativas, apresentar estratégias para lidar com as emoções, fazer perguntas para entender as origens do problema ou convidar a família para que ajam em conjunto.

Confira 5 atitudes positivas para uma reunião de pais e professores de sucesso!

A psicóloga Fernanda Furia, fundadora do Playground Inovação, em Florianópolis, acredita que envolver as crianças no debate seja uma alternativa saudável. Por meio de questionamentos, o professor pode levantar temas de discussão, mas é importante deixar que elas se expressem e expliquem o que causou a mágoa ou irritação. Essas opiniões podem inclusive ser o ponto de partida para projetos com toda a turma.

Você pode assistir ao bate-papo entre a psicóloga e as professoras da Wish School no vídeo abaixo. No último sábado (07/11), as convidadas discutiram dificuldades socioemocionais na escola e responderam perguntas de outros professores:

Dicas para cultivar o bom relacionamento na rotina

Ser constante faz toda a diferença – de nada adianta uma longa palestra sobre tratar bem os colegas se, durante o resto da aula, o professor se exalta ou permite os comportamentos que havia desencorajado. Quando uma regra é dada, ela precisa ser cumprida por todos (inclusive os adultos)!

  • Seja o exemplo:

Pais, professores e familiares devem exibir o comportamento que querem que as crianças repitam. Caso as crianças sejam ensinadas a não dizer palavrões, não gritar ou não agredir fisicamente o colega, os adultos precisam fazer o mesmo.

  • Estabeleça regras com a turma:

Pergunte o que as crianças acham que deveria se tornar uma regra de convivência e o porquê. Explique também as regras que você está impondo, para que todos entendam sua necessidade. Você pode dar uma olhadinha nesse atividade para se inspirar!

  • Trabalhe o vocabulário:

Ajude-as a perceber as emoções dos colegas usando descrições como “Ele está chorando porque está triste” ou “ela está franzindo o rosto porque está irritada”. Também faça perguntas para que as crianças tentem colocar em palavras o que sentem. Pergunte “por que você fez isso?”, “como você se sentiu?” e “o que gostaria que seu colega tivesse feito?”.

  • Ofereça escolhas:

Principalmente para as crianças menores, é importante dizer de que maneiras elas podem agir dando instruções claras. Com um ou dois anos, elas ainda não conseguem separar emoções e costumam ser levados por suas próprias cenas de raiva ou choro. Diga: “você chorou e isso não fez o Lucas devolver o brinquedo. Você pode se acalmar e dividir o brinquedo ou pode escolher outra coisa para fazer”. Isso as ajuda a parar, recuperar a calma e superar o problema.

  • Não resolva tudo sozinho:

Ao invés disso, oriente as crianças para que elas mesmas encontrem soluções para seu conflitos. Quando elas acharem uma resposta, ofereça elogios e reconhecimento pelo bom comportamento.

Não é somente a agressão física que pode prejudicar o desenvolvimento saudável: preste atenção na palavras (foto: Huffington Post)

Não é somente a agressão física que pode prejudicar o desenvolvimento saudável: preste atenção nas palavras (foto: Huffington Post)

  • Saiba que palavras podem ser tão ruins quanto agressões físicas: adultos tendem a se mobilizar mais quando duas crianças brigam fisicamente do que quando o conflito é verbal. Isso é um erro – frequentemente, excluir alguém do grupo, dar apelidos ou fazer comentários humilhantes é mais prejudicial ao desenvolvimento da criança, e tem um efeito direto na autoestima. Não dispense essas ocorrências como “coisa de menina”, o que normaliza a atitude negativa.
  • Organize os espaços para incentivar atividades em equipe: repare se a sala de aula permite que as crianças trabalhem juntas. Escolha brinquedos e jogos que envolvam cooperação e diálogo.
  • Mantenha a calma: lembre-se de que nem toda briga é o fim do mundo. Não exagere. As crianças vão reagir de acordo com a reação dos adultos; ou seja, se você transformar um pequeno conflito em algo feio, grave ou perigoso, é assim que elas vão encará-lo. Reflita sobre a gravidade da situação e deixe que pequenos incidentes sejam logo esquecidos.

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A sua escola investe na formação cultural dos educadores?

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo - Museu da Língua Portuguesa)

Carreira/Formação/Semanários
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A sua escola investe na formação cultural dos educadores?

A bagagem cultural do professor não é (ou não deveria ser) uma questão pessoal, que só diz respeito ao lazer, fora do horário de trabalho. Pesquisadores e docentes já comprovaram que, quanto maior o repertório, melhor a prática em sala de aula – e em qualquer área de conhecimento, não apenas as mais lúdicas, como artes.

Conhecer diferentes representações artísticas e manifestações culturais expande a realidade do professor. A partir delas, é possível estabelecer diálogos, propor novas práticas com as crianças, quebrar preconceitos e inserir experiências lúdicas em qualquer temática, tornando o aprendizado mais próximo dos alunos.

Afinal, a premissa é bastante simples: ninguém consegue ensinar aquilo que não conhece. Como cultivar hábitos de leitura, visitas a museus, cinema ou teatro, se o próprio educador não vive esse discurso?

Infelizmente, a falha surge desde o currículo universitário, que prioriza o conteúdo pragmático. São raras as universidades que trazem no planejamento, intencionalmente e ao longo de todo o curso, o estímulo à formação cultural. Um desses poucos exemplos é a UFRJ, aonde os estudantes de pedagogia devem ir a um evento cultural por mês (que pode ser desde um balé até um show popular) e, ao fim, registrar suas impressões da atividade.

A própria escola pode intervir para capacitar os profissionais, contemplando todos os funcionários. Encontros que promovem a discussão e convivência do grupo – incluindo professores, merendeiros, coordenadores, auxiliares de limpeza, estagiários – facilitam o diálogo dentro da escola e o sentimento de valorização da equipe.

Ter o primeiro contato com a cultura formal muitas vezes funciona como despertar para que cada um busque aumentar seu próprio repertório fora da escola. O importante é que todos sejam incluídos e tenham momentos para refletir sobre a experiência, para que ela se reverta em qualidade de vida e de trabalho.

Traga a cultura para a escola

Leve cultura para dentro da escola: planeje oficinas, filmes ou palestras entre os funcionários para dar espaço à criatividade e ao diálogo (foto: Art and Reiki)

Leve cultura para dentro da escola: planeje oficinas, filmes ou palestras entre os funcionários para dar espaço à criatividade e ao debate (foto: Art and Reiki)

Uma alternativa que não pesa no bolso da escola é promover encontros em seu próprio espaço: palestras, sessões de cinema e pequenas apresentações musicais, por exemplo, podem acontecer no pátio, no ginásio ou em uma sala de aula. Projetos da comunidade ou mesmo empresas privadas podem ser contatadas para participar, arcando com parte dos gastos.

Outra possibilidade é organizar oficinas, tanto com convidados especiais (artistas, músicos, escritores, atores) quanto com os próprios membros da equipe da escola, que podem se oferecer para compartilhar algo com os colegas. A gestão deve abrir esse canal de comunicação e incentivar a participação dos funcionários.

Excursões com a turma

Algumas escolas já incluem outros funcionários nos passeios da escola. É claro que não é possível levar grandes grupos de uma vez, mas, criando um rodízio, a participação de todos é garantida sem que os serviços de limpeza, cozinha ou segurança sejam interrompidos. Que tal disponibilizar uma lista para que cada profissional assinale em quais passeios está mais interessado? Além do horário de trabalho e das excursões, a vontade de ir pode ser outro critério na elaboração do cronograma.

A vantagem desse modelo é que, além de apresentar peças teatrais, exposições em museus ou galerias para quem tem poucas oportunidades de aproveitá-los, fortifica-se o vínculo entre a equipe e as crianças. Um dia de cultura ou entretenimento permite que eles passem mais tempo juntos, troquem ideias e conheçam outras perspectivas.

Só para gente grande

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo - Museu da Língua Portuguesa)

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo – Museu da Língua Portuguesa)

Uma vez por semestre ou por ano, conforme a agenda da escola permitir, organize uma saída apenas para os adultos. Reúna diretores e coordenadores, professores e demais funcionários em um final de semana com destino a um evento cultural na cidade.

Antes de sair, organize um momento de encontro para que todos troquem expectativas, informações e curiosidades sobre o que vão assistir. O mesmo pode ser repetido ao fim da experiência, para incentivar o diálogo entre profissionais que, rotineiramente, não trabalham juntos ou têm pouco tempo para conversar. Ainda que alguns pareçam tímidos no começo, faça perguntas a pessoas específicas para que elas ganhem confiança ao participar ativamente do debate. Garanta um ambiente acolhedor e informal, justamente para que a equipe se conheça melhor.

Compartilhem sugestões

Sugira que os funcionários mantenham um caderno cultural – um diário em que podem colar os bilhetes de entrada ou fotos de suas programações culturais, escrever suas impressões ou dar dicas de livros e filmes.

Esse caderno pode ser mantido ao longo de todo o ano letivo ou ser usado apenas nas férias, por exemplo. Se essa for a opção, realize uma dinâmica com o material assim que as aulas voltarem: que tal criar murais, trocar cadernos ou cada um contar qual foi a experiência mais marcante?

Clube do livro

Literatura deve ter um momento na rotina! Ler livros exercita a empatia e o conhecimento, dentre vários outros benefícios (foto: Gwen Hernandez)

Literatura deve ter um momento na rotina! Ler livros exercita a empatia e o conhecimento, dentre vários outros benefícios (foto: Gwen Hernandez)

Infelizmente, pesquisas já mostraram que menos de 50% dos professores brasileiros de Educação Básica têm a leitura de livros como hábito. Ler textos não relacionados à profissão é essencial para a formação do professor, e traz benefícios não só para sua prática pedagógica como para sua vida pessoal. Quem lê literatura desenvolve mais empatia, têm uma mente mais aberta a novas ideias, mais capacidade de concentração e melhor vocabulário, dentre várias outras vantagens.

Além disso, é claro, é preciso um professor leitor para criar novos leitores. As crianças têm chances maiores de se apaixonar pela leitura quando influenciadas positivamente pelos professores!

Sendo assim, proponha reservar uma ou duas horas de hora-atividade para a leitura de literatura. A equipe pode selecionar, mensal ou bimestralmente, um livro em comum, que todos possam terminar e discutir. Outra sugestão: por que cada funcionário não fica responsável por trazer um livro diferente e eles vão trocando de mãos ao longo do ano, até que todos tenham acesso a cada um deles?

Colocando em prática

  • Várias cidades possuem leis que dão descontos a educadores: 20% em livrarias, meia-entrada em cinemas e teatros, etc.. Basta informar-se no site da sua prefeitura.
  • Mesmo que não haja descontos, muitos centros culturais, museus, cinemas e teatros liberam um dia de entrada gratuita ou meia-entrada para todos. Ligue para esses locais para descobrir quando a visita é mais barata.
  • Empresas privadas podem ser parceiras na hora de conseguir ingressos ou transporte mais em conta. A secretaria do município e outros órgãos da prefeitura podem oferecer possibilidades de transporte para a escola.
  • Siga sites de agenda cultural da sua cidade, como a Agenda Cultural Catraca Livre, por exemplo. Além de saber tudo o que está acontecendo, eventos gratuitos sempre são divulgados.
  • Crie um mural ou caixa de sugestões para que os funcionários digam o que gostariam de conhecer e tente colocar pelo menos algumas ideias em prática todo ano.

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Gazeta do Povo

Revista Educação

Como lidar com imprevistos na Educação Infantil?

(Lifetime Moms)

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Como lidar com imprevistos na Educação Infantil?

Hoje, eu encontrei um artigo fantástico que gostaria de dividir com vocês! Ele está no site Edutopia e fala sobre um problema raramente mencionado, mas frequente, da Educação Infantil – como administrar uma turma de crianças constantemente:

  • pedindo para ir ao banheiro,
  • com um machucado,
  • com um lápis a ser apontado,
  • denunciando um coleguinha que o “machucou” ou
  • todas as alternativas acima.

Após alguns anos em sala de aula, eu posso confirmar que a dificuldade é real. Com tempo e experiência, cada professor desenvolve suas próprias estratégias para lidar com ela, é claro. Ainda assim, as dicas do autor teriam me poupado alguns dilemas na época – e, provavelmente, serão úteis para qualquer educador que está começando na profissão!

As perguntas

“Minha cabeça está doendo, posso ir à enfermaria?”

“Você pode apontar o meu lápis?”

“Posso ir ao banheiro?”

“Posso tomar água?”

“Já terminei! O que eu faço agora?”

“Preciso de um band-aid.”

Essas perguntas podem parecer triviais à primeira vista, mas as respostas para elas exigem reflexão, além de decisões imediatas que podem confundir um professor novato. Eu vejo isso o tempo todo: o professor se dedica aos planos de aula, organização ou avaliações e, naturalmente, vai encontrando um bom ritmo de trabalho. Entretanto, quando uma criança pede por um band-aid, ele hesita. Não tem certeza. Ele tem certeza, sim, sobre suas instruções, sobre as atividades do dia. Mas um band-aid? Não sabe ao certo.

Por quê? Bem, eu não tenho todas as respostas, mas consegui reunir uma lista bastante flexível de técnicas que já usei para contornar essas perguntas fora de hora – sem criar regras autoritárias que façam a escola se assemelhar à uma prisão.

Ir ou não para a enfermaria

(Lifetime Moms)

(Lifetime Moms)

Decidir se uma criança de fato precisa ir para a enfermaria é mais árduo do que se pensa. Obviamente, você não quer negar cuidados médicos a nenhum de seus alunos quando eles os necessitam; porém, ao mesmo tempo, você quer ensiná-los a superar pequenos tropeções. E, enquanto você está ponderando sobre quem precisa de ajuda de verdade e quem apenas quer atenção, outra criança surge, aproveitando a oportunidade de dar uma volta (e interrompendo seus pensamentos).

Nesse momento, o que você faz? Aqui estão alguns critérios para distinguir seus pequenos pacientes:

Sangue

  • Arranhão sangrando? Uma ida ao banheiro para lavar o machucado e um band-aid para cobri-lo.
  • Nenhum sangue ou sangue seco? Não precisa de band-aid, apenas uma ida… De volta para o seu lugar.
  • Cortes com papel? Não precisa de band-aid (ainda que eles doam, mesmo) e pode voltar para o seu lugar.
  • Machucado cicatrizando (com a “casquinha”)? Dê um band-aid. Se você não o der, as crianças tendem a ficar puxando e cutucando a ferida até volte a sangrar. Engula seu orgulho e busque o curativo.

Vômito

  • A criança está pálida e com dor de estômago? Envie-a para a enfermaria com um coleguinha para acompanhar. Se estiver ao seu alcance, providencie também um balde ou sacola para evitar “acidentes” pelo caminho.
  • Dor de estômago imediatamente antes ou depois da refeição – e nenhum outro sintoma? “Você só está com fome” ou “Você correu muito de barriga cheia, já vai passar”. Pronto.
  • Dor de estômago longe dos horários de refeição, mas a criança parece saudável? Mantenha o balde por perto. Em dez anos, eu nunca vi uma criança de fato vomitar no balde em sala de aula.

Dor

  • Dor no pescoço? Vá direto para a enfermaria. Dor no pescoço pode ser um sinal de meningite ou de uma concussão.
  • Dor de cabeça? Espere um pouco e me avise se piorar. Caso a criança pareça doente e reclame novamente, deixe-a ir para a enfermaria.
  • Dor nos pés, nas pernas ou nos braços? “Não vão doer se você ficar parado”.

Ocorreu um acidente mais sério? Saiba como agir.

Terminei! O que eu faço agora?

(foto: The Conversation)

(foto: The Conversation)

Que pergunta temida, especialmente por novos professores que estão ocupados manejando quatro ou cinco aulas por dia! Caso não esteja preparado para essa pergunta simples, mas tão complexa, você provavelmente vai enfrentar caos e mau comportamento.

Sei o que você está pensando – só entregue outra folha de atividades. No entanto, além de minimizar o uso de papel, é importante que as crianças tenham uma escolha. Escolha = autonomia = aprendizado eficiente. No início do ano, introduza à turma algumas opções para quando alguém terminar o exercício mais cedo. Elas devem ser atividades silenciosas (enfatize que aquilo não é tempo livre ou recreio). Elas podem escolher um tema para explorar enquanto seus colegas concluem a primeira atividade. Essa é uma experiência enriquecedora para as crianças e funciona de acordo com os interesses delas. A ideia é simples:

  1. Terminar o trabalho.
  2. Escolha:
  • Ler (qualquer livro de sua escolha). Folhear um livro ou gibi também pode ser oferecido às crianças ainda não alfabetizadas;
  • Desenhar (com materiais fáceis de acessar, guardar e limpar – nada de tinta, por exemplo);
  • Um jogo eletrônico educativo, caso sua sala de aula tenha um computador ou tablet;
  • Um jogo individual (construir com blocos, encaixar peças, quebra-cabeças, etc.);
  • Escrever uma história.

Pronto! Após um mês de prática, a pergunta “o que eu faço agora” vai desaparecer e as crianças vão começar a se organizar por conta própria.

O lápis sem ponta

(foto: Just a Night Owl)

(foto: Just a Night Owl)

Crianças na Educação Infantil querem apontar os lápis o tempo todo. Quando você está falando, ensinando, tentando ler uma história. Quando deveriam estar escrevendo ou quando só querem uma desculpa para levantar. O apontador atrai os pequenos como uma lâmpada atrai insetos. Se você tem um apontador para todas as crianças, guardado pelo professor, ou se elas caminham constantemente até a lixeira, a sua aula será interrompida.

Alguns professores tentam designar um horário específico em que toda a turma possa apontar seus lápis: no início da aula, antes do lanche, etc.. Infelizmente, esse modelo é dificílimo de ser implementado, porque sempre há exceções. As pontas dos lápis quebram (muitas vezes, propositadamente, convenhamos) e as crianças não podem ser paradas. O professor deve aceitar essa epidemia – sempre sendo firme, justo e de acordo com as regras.

Avise a classe que todos podem apontar os lápis sempre que precisarem, mas:

  • Não podem apontar o lápis a não ser que a ponta esteja totalmente quebrada. Não só um pouco gasta ou “esquisita”. Vocês só podem usar o apontador quando a ponta anterior houver desaparecido!
  • Vocês não podem quebrar as pontas intencionalmente – e quem o fizer, sinto muito, vai ficar sem lápis.
  • Não podem se levantar quando alguém estiver falando, ensinando ou lendo em voz alta.

Entendido? Depois disso, pense em permitir que as crianças usem outros materiais, como canetas – que dispensam apontadores!

No mais, lembre-se de confiar nos seus instintos sempre que novas perguntas surgirem (porque elas vão surgir). E sempre ajude os professores a sua volta a desenvolver essas habilidades cotidianas compartilhando o que você faz, com sucesso, em sua sala de aula. Quais as suas ideias?

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Esse artigo é uma tradução do texto “Classroom-Management Strategies for Elementary Teachers”, do Edutopia. Clique aqui para ler o original.

7 atividades para acalmar crianças pequenas

Abrace a criança por trás, segurando seus braços com firmeza, e fale com a voz calma até que ela se tranquilize (foto: Huffington Post)

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7 atividades para acalmar crianças pequenas

Como reagir a crianças irritadas, nervosas ou mesmo agressivas dentro da escola? O assunto veio à tona na semana passada, quando o vídeo de um garotinho “destruindo” a sala se espalhou pela internet. As opiniões se dividiram entre culpar os professores, a família e o próprio aluno.

Esse tipo de polêmica ressurge de tempos em tempos e serve para mostrar o despreparo de alguns adultos para lidar com as dificuldades socioemocionais das crianças, que refletem os comportamentos aos quais são expostas: como são tratadas, como veem os pais se relacionando, o quanto se sentem seguras. A jornalista Cinthia Rodrigues escreveu um artigo muito sensato sobre o acontecimento: confira aqui.

É claro que expor os pequenos nunca é a resposta. Mas não é fácil amenizar a birra, os surtos de violência ou choro, ainda mais quando se é responsável por uma turma de dezenas de crianças. Cada professor tem suas técnicas – e a Eduqa.me selecionou sete atividades que funcionam na Educação Infantil.

Vidro da Calma

Mostrar o brilho flutuando dentro do vidro atrai as crianças pequenas, dando tempo para que elas se acalmem (foto: Chez Titie)

Mostrar o brilho flutuando dentro do vidro atrai as crianças pequenas, dando tempo para que elas se acalmem (foto: Chez Titie)

O Vidro da Calma (ou calming jar, em inglês), é usado para acalmar crianças pequenas após uma briga ou choro. Inspirado no método Montessori, o objetivo é distrair e tranquilizar os pequenos com a tinta e glitter colorido se movendo dentro do recipiente. Assim, eles têm tempo de respirar e conseguem prestar atenção na conversa com o professor.

Isso os ensina a respirar fundo e se acalmar por conta própria, além de proporcionar um momento para que se expressem e tentem explicar os motivos da tristeza, raiva ou frustração.

É preciso preparar o vidro com antecedência – mas, após criar o seu, ele pode ser utilizado sempre que necessário. Também é possível fazer uma série de potes com cores e efeitos variados.

Para criar o Vidro da Calma, você precisa de:

  • Água quente;
  • Glitter e purpurina;
  • Corante;
  • 1 pote ou garrafa de vidro com tampa.

Despeje a água quente no vidro deixando espaço para movimentar o conteúdo (a intenção é que a criança chacoalhe o vidro, certo?). Depois, acrescente uma ou duas colheres de sopa de glitter e mexa bem, até a cola se diluir na água. Adicione a purpurina e algumas gotas de corante – recomendamos o corante alimentar, que não causa problemas caso seja engolido.

Você também pode misturar sabonete líquido ao seu vidro da calma: ele faz com que o glitter se mova mais rapidamente! Feche bem a tampa e balance o recipiente para cima e para baixo para ter certeza de que não há vazamentos antes de entregá-lo à uma criança.

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Ioga

A ioga traz vários benefícios ao desenvolvimento infantil, e é uma atividade que promove a calma e o equilíbrio do corpo, tanto físico quanto mental. Também é um exercício de disciplina, concentração e coordenação motora. Já foram comprovados os efeitos positivos da ioga em crianças estressadas, desmotivadas ou de mau humor – e a prática frequente pode inclusive melhorar o desempenho escolar!

Para as crianças, a ioga é ainda uma diversão, já que elas têm a oportunidade de se movimentar e imitar posições divertidas.

Para tornar a atividade atrativa para o pequenos, o truque é usar histórias cujos personagens são animais que as crianças possam imitar. As posições são adaptadas para se adequarem ao desenvolvimento infantil. Confira algumas das poses (todas foram retiradas do site Style Craze, no artigo Fun and Interesting Yoga Poses for Kindergarten Kids):

A posição do bebê feliz: deite de costas, respire fundo, traga os joelhos para perto do corpo e balance lentamente de uma lado para o outro.

A posição do bebê feliz: deite de costas, respire fundo, traga os joelhos para perto do corpo e balance lentamente de uma lado para o outro.

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Pose da cobra: deite de barriga para baixo, respire fundo e solte o ar devagar enquanto sobe a cabeça e o tronco. Mantenha a posição com a cabeça erguida fazendo algumas respirações profundas.

Pose da borboleta: sentado no chão, junte as plantas dos pés e segure-os com as duas mãos. Mantenha as costas retas e, então, balance as pernas para cima e para baixo, como as asas de uma borboleta.

Pose da borboleta: sentado no chão, junte as plantas dos pés e segure-os com as duas mãos. Mantenha as costas retas e, então, balance as pernas para cima e para baixo, como as asas de uma borboleta.

Pose do sapo: equilibrando-se nas pontas dos pés, agache-se e mantenha os joelhos bem abertos. Então, respire fundo e solte o ar enquanto coloca os pés inteiros no chão até se sentar.

Pose do sapo: equilibrando-se nas pontas dos pés, agache-se e mantenha os joelhos bem abertos. Então, respire fundo e solte o ar enquanto coloca os pés inteiros no chão até se sentar.

Pose da lua crescente: Em pé, junte as duas mãos acima da cabeça e estique bem a coluna. Respirando fundo, curve-se para um lado e depois para o outro, alongando-se.

Pose da lua crescente: Em pé, junte as duas mãos acima da cabeça e estique bem a coluna. Respirando fundo, curve-se para um lado e depois para o outro, alongando-se.

Pau de Chuva

Eu lembro de como o som do Pau de Chuva era hipnótico quando era criança: era irresistível passar vários minutos virando o brinquedo para cima e para baixo para escutar o barulhinho que ele fazia. Esse é outro instrumento que pode ser apresentado no momento da raiva para acalmar um aluno chateado – primeiro, para distraí-lo, depois, para que ele o manuseie, acalme-se e escute.

Para criar um Pau de Chuva, você precisa de:

  • Um tubo de papelão espesso ou outro material resistente (tubos de papel higiênico são muito finos) de qualquer tamanho;
  • Um martelo;
  • Pregos, pinos ou alfinetes;
  • Algo para preencher o tubo e fazer barulho: miçangas, feijões, milho ou outros grãos, pedrinhas ou contas.
É assim que o interior o tubo vai ficar depois de você colocar os pregos (foto: The Imagination Tree)

É assim que o interior o tubo vai ficar depois de você colocar os pregos (foto: The Imagination Tree)

Coloque os pregos ao longo do tubo com pequenos intervalos entre eles. É o choque entre os grãos e os pregos que criará o som característico, parecido com a chuva. Quanto mais pregos você inserir, mais vai demorar para que todos os grãos caiam, então, o barulho vai durar mais tempo!

Então, coloque todo o conteúdo (sejam feijões, miçangas ou o que você escolheu) lá dentro e tampe bem ambos os lados do tubo. Pronto! Basta decorar seu Pau de Chuva com papel colorido, adesivos, tecido e ele estará pronto para ir para sua sala de aula.

Após fechar bem o tubo, ele pode ser decorado - por você ou pelas crianças (foto: The Imagination Tree)

Após fechar bem o tubo, ele pode ser decorado – por você ou pelas crianças (foto: The Imagination Tree)

Bolhas de Sabão

Bolhas de sabão são especialmente calmantes para bebês, mas alunos de 3 ou 4 anos ainda podem ser envolvidos na brincadeira. Quando a criança magoada tiver menos de um ano, apenas o professor soprando bolhas na sua direção já suficiente para entretê-la e tranquilizá-la. Ela vai assistir a mudança de cores, as bolinhas flutuando e desaparecendo, tentar apanhá-las… E esquecer o choro. Apenas lembre-se de não soprar as bolhas diretamente no rosto do bebê, porque o sabão pode irritar os olhos. Sopre ao redor dele.

Já os maiores devem ser convidados para soprar as bolhas. Além de divertido, o ato de inspirar fundo e assoprar faz com que eles se acalmem e seja possível conversar.

Massa de modelar de lavanda ou camomila

Atividades manuais são uma forma excelente de liberar o estresse. A massinha de modelar, por si só, já pode ser usada para trabalhar sentimentos de raiva, frustração e descarregar a agressividade infantil. Lembre-se: sentir raiva não é errado, as crianças apenas precisam ser ensinadas a lidar com essas emoções de maneira saudável, sem culpa e sem ferir os colegas.

Para complementar a atividade, experimente fazer uma massinha de modelar caseira com lavanda ou camomila, ambas com aromas calmantes. Você vai precisar de:

  • 2 xícaras de farinha de trigo;
  • Meia xícara de sal;
  • 2 colheres de sopa de óleo;
  • 1 xícara e meia de água quente com chá de camomila ou lavanda (você pode comprar uma caixinha no mercado ou usar as próprias flores – é só mergulhá-las na água fervente por alguns minutos);
  • Corante.
Uma alternativa a comprar uma caixinha de chá e usar as flores de verdade na mistura (foto: Clare's Little Tots)

Uma alternativa a comprar uma caixinha de chá e usar as flores de verdade na mistura (foto: Clare’s Little Tots)

Misture todos os ingredientes em uma tigela até que a massa fique parecida com massa de pão. Se necessário, você pode adicionar mais farinha ou mais água, dependendo da consistência desejada. Pingue algumas gotas de corante (lilás ou azul são cores calmantes) e, se quiser, coloque algumas flores secas na massa, para aumentar o perfume.

A mansinha vai ficar perfumada! Ela pode ser usada na cor natural ou você pode acrescentar corante de alimentos (foto: The Joy of Five)

A mansinha vai ficar perfumada! Ela pode ser usada na cor natural ou você pode acrescentar corante de alimentos (foto: The Joy of Five)

Música clássica ou sons da natureza

Apagar as luzes, deitar nos colchonetes e ouvir uma música relaxante: isso basta para alterar o humor da sua turma. Além de música clássica, procure por coletâneas de sons da natureza, como o barulho de ondas do mar ou de folhas na floresta.

Massagem e carinho

Abrace a criança por trás, segurando seus braços com firmeza, e fale com a voz calma até que ela se tranquilize (foto: Huffington Post)

Abrace a criança por trás, segurando seus braços com firmeza, e fale com a voz calma até que ela se tranquilize (foto: Huffington Post)

Caso a criança tenha um surto de raiva, tentando bater nos outros ou atirando objetos, tente tranquilizá-la, primeiro, com um abraço forte: passe os braços em torno dos ombros dela, segurando firme, mas sem machucar. Espere até que ela pare de se debater.

Então, massageie seus ombros, braços e costas, pressionando com gentileza. Se a criança quiser, ela pode deitar a cabeça em seu colo. Use uma voz calma e baixa até que a situação esteja sob controle – e, durante todo o tempo, converse com a criança para que ela saiba que está segura.

Leia sobre o desenvolvimento da identidade, autonomia e autoconfiança.

Além disso, procure remover qualquer objeto que possa machucá-la de dentro da sala ou, ainda, retire a criança do local e a leve para um lugar mais silencioso até que se sinta melhor.

Crie relatórios de desenvolvimento na Eduqa.me - horizontal

Leia mais:

Montessori Rocks (vidro da calma)

Style Craze (ioga infantil)

The Imagination Tree (pau de chuva e massa de modelar)

How to Calm Down an Autistic Person

 

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Na prática: para que servem meus registros pedagógicos?

Fonte: Background UNA

Registros/Rotina pedagógica
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Na prática: para que servem meus registros pedagógicos?

Toda a documentação feita pelo professor de Educação Infantil é um registro pedagógico: o planejamento, a lista de presença, os relatórios e diários de classe. E, de alguma forma, todos eles devem conversar entre si, um afetando o desenvolvimento do próximo. Esse processo permite que o professor trabalhe com intencionalidade, ao invés de ao acaso – é o trabalho de anotar, refletir e tomar decisões com base nesses registros que ajuda a garantir uma aula com foco nas necessidades das crianças.

Uma série de recursos compõe a documentação pedagógica. Para aprofundar o olhar sobre a turma, podem ser usadas:

  • Fotos;
  • Vídeos;
  • Relatos do professor;
  • Produções das crianças;
  • Gravações ou transcrições das falas das crianças.

Para saber mais sobre como usar fotos e vídeos no registro pedagógico, clique aqui!

A partir dessas evidências, o professor é capaz de levantar os interesses das crianças, seus potenciais e dificuldades, a forma como agem e interagem quando trabalham em grupo ou individualmente, aspectos emocionais e particularidades de cada uma. Além disso, a reflexão pode incluir um olhar para as ações do próprio educador: como foi o processo de ensino, a organização da classe e como cada decisão tomada influenciou sua sala de aula.

Incluir detalhes da própria prática é uma oportunidade de identificar problemas, repensá-los e corrigi-los, melhorando a qualidade do ensino e o relacionamento com as crianças. Assim, os planejamentos seguintes devem sempre trazem o que foi aprendido com os registros anteriores. Registros de qualidade geram um ciclo: planejamento, realização das atividades, documentação, análise e, por fim, o replanejamento, com base naquilo que foi descoberto e aprendido.

Então, preciso registrar tudo?

Há muito acontecendo na sua sala de aula... Então selecione o que registrar e investigue aquele tema a fundo (foto: WV Gazette Mail)

Há muito acontecendo na sua sala de aula… Então selecione o que registrar e investigue aquele tema a fundo (foto: WV Gazette Mail)

Não é possível registrar absolutamente tudo o que acontece na sua sala de aula – e isso nem seria eficiente. Faz parte do papel do educador selecionar os momentos que julga mais significativos e acompanhá-los. Não há ciência para isso: é o professor que conhece a turma e conhece cada criança que saberá eleger os comportamentos e interações mais relevantes, que representam conquistas, desafios ou atitudes fora do comum.

Quando identificar um desses momentos, você pode investigá-los mais a fundo. Caso escolha fazer isso com o auxílio de fotos ou vídeos, ainda pode ter a oportunidade de perceber outros acontecimentos mais tarde, ao acessá-los fora da sala de aula, quando assistir às gravações ou observar as imagens. O distanciamento facilita um olhar mais abrangente e abre espaço para outras reflexões.

Faça perguntas

Os registros devem mostrar as conquistas, os próximos passos e as dificuldades de cada criança, assim como da turma (foto: Bare Feet on the Dashboard)

Os registros devem mostrar as conquistas, os próximos passos e as dificuldades de cada criança, assim como da turma (foto: Bare Feet on the Dashboard)

Fazer perguntas é uma etapa essencial dos registros pedagógicos. É através delas que o professor define seus objetivos com aquelas anotações: o que quer descobrir? Antes de começar qualquer atividade, é útil saber o que você quer atingir com ela e orientar seus registros a partir dessa premissa.

As crianças estão interessadas em algum assunto? O que fez o grupo trabalhar em equipe? O que deixou a turma curiosa, intrigada ou preocupada? As crianças fizeram sugestões, propuseram brincadeiras, atividades ou temas? Como se movimentaram pelos espaços da aula? A partir dessas indagações e suas respostas, será possível encontrar:

  • As conquistas de cada criança e da turma;
  • Para quais novos aprendizados elas estão prontas;
  • As dificuldades individuais ou do grupo;
  • Os interesses e curiosidades das crianças e como eles podem ser incluídos nas aulas;
  • O que deve ser discutido com a coordenação;
  • O que deve ser discutido com os pais;
  • O que pode ser exposto em sala, para marcar o aprendizado das crianças;
  • Quais práticas do professor estão funcionando e quais precisam ser mudadas.

Trabalho em equipe

Registrar não deve ser uma tarefa solitária: a ajuda de outros professores, auxiliares e coordenadores traz qualidade e outros pontos de vista à documentação (foto: A Fine, Fine School)

Registrar não deve ser uma tarefa solitária: a ajuda de outros professores, auxiliares e coordenadores traz qualidade e outros pontos de vista à documentação (foto: A Fine, Fine School)

Normalmente, as escolas veem os registros como uma tarefa solitária do professor. Contudo, ter outras vozes durante o processo de documentação só traz benefícios! Afinal, as anotações, as fotos e as seleções de material são feitas de acordo com as singularidades de cada educador – ele as escolhe de acordo com sua cultura, seus estudos, suas experiências. E, naturalmente, outros detalhes ficam de fora.

Sempre que possível, peça que um colega (coordenador, professor ou auxiliar) junte-se à sua turma e faça os próprios registros que, depois, serão discutidos pela dupla. Além de a atividade proporcionar olhares distintos sobre um mesmo evento, o fato de compartilhar opiniões e discuti-las em voz alta enriquece a reflexão e torna mais fácil encontrar soluções.

As crianças na Educação Infantil também podem ser participantes mais ativas dos registros pedagógicos: fazendo algumas perguntas e guardando suas falas, você pode compreender o que elas aprenderam ou como interpretaram os acontecimentos da sala de aula, quais memórias permaneceram e de que elas sentiram falta.

Não tenho tempo

Para realizar todo esse trabalho, é preciso reservar o tempo adequado. Uma documentação aprofundada não é feita em meia hora e cabe à escola ceder ao professor o tempo e o espaço necessários para refletir. Uma pilha de anotações não significa ter registros bem feitos – o essencial é que eles sejam pensados, usados para melhorar e reorientar a prática pedagógica.

Toda a equipe precisa entender que os registros não servem apenas como burocracia, mas, sim, como um instrumento valioso para a educação das crianças. O coordenador precisa participar: ao acessar esses registros, ele identifica as conquistas e dificuldades enfrentadas em classe e percebe como orientar melhor os professores.

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