As crianças devem ser obrigadas a dormir na Educação Infantil?

Algumas crianças não têm, em casa, o hábito de dormir durante o dia. Música tranquila, leitura e momentos de silêncio vão ajudá-las a se adaptar (foto: Good Housekeeping)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Registros
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As crianças devem ser obrigadas a dormir na Educação Infantil?

Crianças chegam à escola com suas singularidades e os hábitos que trazem de casa. Forçar um momento de dormir não é natural e nem apropriado se os pequenos não querem ou não têm o hábito.

Quantidade de Sono

A quantidade de sono varia em função da idade das crianças. Bebês até 4 ou 5 meses de vida costumam dormir em torno de 16 horas por dia. Para eles, é importante dispor de berços. Quando começam a engatinhar é hora de ir para o chão! Por meio de uma fase de adaptação, esses pequenos podem começar a experimentar o sono ou descanso no colchonete, porque podem ter a liberdade de sair sozinhos assim que despertam.

Além disso, com menos de um ano, algumas crianças ainda não construíram horários regulares de sono, então é importante organizar um período para descanso pela manhã e outro para a tarde. Gradativamente a necessidade e quantidade do sono muda. Com 2 ou 3 anos, um período de sono já é suficiente. Após o almoço, geralmente no meio do período, os pequenos podem dormir ou descansar, o que favorece a digestão e recarrega as energias para o restante do dia. Aos 3 anos as crianças se satisfazem com 9 horas de sono noturno e 1 ou 2 horas durante o dia.

A partir de 4 anos, diminui a necessidade do sono diurno, mas alguns pequenos ainda sentem necessidade da dormida da tarde. Assim, a escola deve organizar um canto mais tranquilo, com alguns colchonetes para favorecer o descanso ou sono de quem precisa.

Algumas crianças não têm, em casa, o hábito de dormir durante o dia. Música tranquila, leitura e momentos de silêncio vão ajudá-las a se adaptar (foto: Good Housekeeping)

Algumas crianças não têm, em casa, o hábito de dormir durante o dia. Música tranquila, leitura e momentos de silêncio vão ajudá-las a se adaptar (foto: Good Housekeeping)

As crianças são obrigadas a dormir?

Mesmo com todas essas dicas e informações, a singularidade das crianças é o que deve prevalecer. Os hábitos e horários das famílias se refletem nas necessidades de sono e descanso na creche e na escola. Assim, uma parceria entre a família e a instituição possibilita esclarecer e estabelecer as rotinas sincronizadas nos dois espaços.

O que está ratificado por estudos relacionados à saúde e à educação, é garantir momentos tranquilos de descanso para criar um intervalo na agitação do dia. Muitos pequenos acabam sendo embalados pela rotina desses momentos de serenidade e acabam por dormir. Outros podem experimentar a tranquilidade lendo (ou manipulando) livros, montando jogos de construção ou até desenhando. Então, a dica é montar alguns cantos com propostas que não promovam agitação (alterando as propostas semanalmente), além dos famosos colchonetes para os pequenos que querem dormir.

Shiii

Combinar com a turma que esse é um momento em que falamos baixinho e não fazemos barulho para não acordar os amiguinhos também vai construindo o entendimento sobre essa rotina. Em uma creche em que fizemos formação, criamos com as professoras um momento ritual de contação de histórias, onde os pequenos tinham que tirar os sapatos e deitar para ouvir histórias, contadas em tom de voz suave. Deu muito certo!

Algumas crianças, que, antes, não dormiam, passaram a querer a soneca e outros ficaram mais tranquilos para ler seus próprios livrinhos. Talvez, com o passar dos dias, aqueles que não dormem vão se deixar contagiar pela atmosfera sossegada e acabar por experimentar a soneca. Tudo isso sem forçar a natureza de cada indivíduo!

Para dar mais segurança às crianças, é importante que cada uma tenha seus próprios lençóis e travesseiros. Isso também é uma questão de higiene (foto: Help, Love, Teach)

Para dar mais segurança às crianças, é importante que cada uma tenha seus próprios lençóis e travesseiros. Isso também é uma questão de higiene (foto: Help, Love, Teach)


8 Dicas para organizar os momentos de sono e descanso:

#1 Dica

O sono e o descanso são atividades educativas. Portanto, é necessário planejá-las e avaliá-las com frequência;

#2 Dica

Os momentos planejados para sono e descanso devem ser precedidos por atividades tranquilas. Ninguém vai querer descansar logo depois da adrenalina de uma atividade de corrida ou com água no pátio! Vai ser preciso acalmar os pequenos para que entrem em um clima mais sereno;

#3 Dica

Conhecer a forma como cada criança dorme e descansa em casa pode ajudar a trazer segurança e calma. Ainda usam a chupeta? Têm um bichinho para dormir? Um cobertorzinho especial? Vale a pena trazer esses objetos de apoio para a creche, porque carregam cheiros e lembranças afetivas. No caso da chupeta, é aconselhável retirá-la da boca quando a criança adormecer para estimular a respiração pelo nariz e a oclusão da boca;

#4 Dica

O sono e o descanso na creche e na escola acontecem durante o dia, assim, não é necessário escurecer por completo o ambiente. Desse modo, as crianças sentirão que esse momento é distinto do sono da noite e trabalhamos o aprendizado da temporalidade. Lembramos é importante levar em conta a cultura da região e das famílias;

#5 Dica

Os colchonetes devem ser dispostos com certa distância, de modo a evitar o contato direto entre as crianças. Para ampliar essa distância pode-se dispô-los de forma inversa. É recomendável que os lençóis, cobertores e, se utilizados, os travesseiros, sejam de uso individual e personalizados com o nome para prevenir contaminações e favorecer a identidade reconfortante;

# 6 Dica

Outro aspecto importante para tornar o ambiente mais saudável é manter a sala ventilada, favorecendo a circulação do ar;

#7 Dica

Massagem, carinho, cafuné e música tranquila transmitem segurança e bem estar;

# 8 Dica

É fundamental que cada criança saiba que tem um adulto próximo de si durante todo o seu descanso.

Ao relaxar e dormir, descansamos, baixamos a guarda e nos entregamos de corpo e alma ao ambiente, ao tempo e à proximidade das pessoas que compartilham o momento. Essa entrega não é fácil! Por isso, organizar esse tempo, os espaços e os materiais é primordial para que o repouso faça sua  mágica.

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Fonte: Tempo de Creche

Atividades sensoriais: na Educação Infantil, experimentar é aprender

Exercite a escuta com tranquilidade e atenção. Pedir para a turma identificar os sons da natureza pode ser parte de uma atividade (foto: Columbian)

Atividades/Movimento/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Atividades sensoriais: na Educação Infantil, experimentar é aprender

Ensinar e aprender explorando os cinco sentidos não é difícil. Ensinar alguma coisa está, na grande maioria das vezes, ligado à estimulação dos sistemas visuais e auditivos, já que nós somos seres muito audiovisuais.

Não é difícil, mas é raro encontrar atividades que estimulem os sentidos. Este fato pode ser justificado historicamente, pelas teorias tradicionais de educação que colocam o professor numa posição de eterno orador e, o aluno, de eterno ouvinte. Papéis que, ao longo da evolução das práticas educativas, foram se modificando, mas que ainda permanecem enraizadas em certas posturas sem nos darmos conta disso.

Jogos, brincadeiras e outras atividades sensoriais estimulam a inteligência, ajudam na criatividade e permitem que os alunos aprendam mais e melhor. Isso ocorre pois o cérebro tem a oportunidade de acionar diferentes canais para a entrada de conhecimento, contemplando todos os estilos de aprendizagem.

Leia mais sobre quais os estilos de aprendizagem e como identificá-los clicando aqui.

Os sentidos já são desenvolvidos desde a vida intrauterina. O mundo que nos cerca é cheio de informações que chegam até nós através do tato, olfato, visão, audição, gustação, movimentos e posições do corpo.

Fazer uso de todos os sentidos - tato, olfato, paladar, etc. - garante um aprendizado mais completo e duradouro (foto: Learning 4 Kids)

Fazer uso de todos os sentidos – tato, olfato, paladar, etc. – garante um aprendizado mais completo e duradouro (foto: Learning 4 Kids)

Quais os sistemas sensoriais que devem ser observados?

  • Sistema táctil: é o responsável por tudo aquilo que está em contato com a pele. Exemplo: toque (reconhecer um objeto no escuro), preensão, temperatura (sensação de quente e frio), textura (áspero e macio);
  • Sistema auditivo: habilidade de reconhecer sons, discriminar, transformar e reagir a sons;

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  • Sistema oral/gustativo: é o paladar e tudo que é relativo aos estímulos dentro da boca. Exemplo: experimentar sabores doces, salgados, ácidos, azedos ou experimentar alimentos de diferentes consistências;
  • Sistema olfativo: é o cheiro, processamento e discriminação de odores;
  • Sistema visual: todas as habilidades relativas à visão;
  • Sistema vestibular: localizado no ouvido, está relacionado ao movimento e equilíbrio, além de coordenar movimentos, como a conexão entre olho e mão e os dois lados do corpo (coordenação bilateral);
  • Sistema proprioceptivo: relacionado à posição do nosso corpo no espaço, a noções de peso, pressão, alongamento e mudança de posição. É o corpo como um todo, tanto em situações estáticas quanto em situações dinâmicas. É devido a este sistema que conseguimos, por exemplo, escrever sem termos que olhar para cada movimento da nossa mão.

Assim, quando tudo está a funcionar bem, o nosso cérebro organiza as informações recebidas do ambiente através do corpo para reproduzir uma resposta adequada a cada estímulo. A este processo, dá-se o nome de integração sensorial.

Cada pessoa tem uma preferência sensorial (sentidos mais desenvolvidos do que outros), entretanto, é válido oferecer diferentes oportunidades para que os alunos vivenciem os vários sistemas sensoriais e tenha experiências para aprender com todos eles. Que tal olharmos de maneira diferente para os materiais e objetos do dia a dia e proporcionarmos novas oportunidades de aprendizagem para os nossos alunos?

Cada criança terá uma preferência sensorial, ou sentidos que se desenvolvem mais e mais rapidamente que os outros. Cabe ao professor identificá-los e explorar suas possibilidades de aprendizado (foto: SSC Music)

Cada criança terá uma preferência sensorial, ou sentidos que se desenvolvem mais e mais rapidamente que os outros. Cabe ao professor identificá-los e explorar suas possibilidades de aprendizado (foto: SSC Music)

Quais atividades estimulam os sentidos?

Movimentos, texturas, aromas, sabores, são informações que podem ser muito bem integradas ao que ouvimos e vemos, para enriquecermos ainda mais a capacidade de discriminação e aprendizagem do cérebro. Veja algumas sugestões:

  • Modifique o ambiente! Coloque música, altere a luminosidade, use lanternas para contar uma história;
  • Manipule diferentes texturas. Utilize bacias para colocar materiais como areia, pedras, gel de cabelo, creme corporal, farinha, grãos, etc. Incentive a criança a brincar. Uma possibilidade é usar essas texturas para criar cenários e objetos que se relacionem com os conteúdos trabalhados em classe, como animais, meios de transporte, entre outros. Ainda pode ser sugerida uma escavação para encontrar letras dentro das bacias e, com elas, formar palavras, ou fazer uma caça às texturas no pátio, buscando elementos da natureza;
  • Livros com figuras grandes são boas opções. Há livros interativos, com fantoches, texturas ou figuras adesivas para complementar a leitura;
  • Traga papéis de cores e espessuras diferentes, assim como materiais variados para a pintura. Use misturas de cores, tintas caseiras ou comestíveis. Descubra mais atividades de artes criativas aqui;
  • Massinha de modelar tem diversas possibilidades. Você pode convidar as crianças a criar animais e objetos, ou usá-la para contornar letras e números;
  • Grave sons da natureza, de animais e da própria criança falando e reserve um momento para a escuta;
Exercite a escuta com tranquilidade e atenção. Pedir para a turma identificar os sons da natureza pode ser parte de uma atividade (foto: Columbian)

Exercite a escuta com tranquilidade e atenção. Pedir para a turma identificar os sons da natureza pode ser parte de uma atividade (foto: Columbian)

  • Faça caixas sensoriais ou caixas de surpresa: dentro de uma caixa, coloque objetos relacionados a qualquer tema (sólidos geométricos, materiais escolares, brinquedos que remetam a animais ou meios de transporte, etc.) para que as crianças adivinhem o que são apenas com o tato;
  • Explore garrafas sensoriais – veja como fazer uma clicando aqui;
  • Estenda plástico bolha no chão para que as crianças engatinhem ou caminhem sobre ele, estimulando a coordenação motora;
  • Integre novas tecnologias, como tablets, iPads e videogames (como o Kinect, por exemplo). Esses recursos podem ser utilizados em espaços educativos já que, além de trazerem jogos visuais e auditivos, relacionam o movimento do corpo com comandos para as atividades, o que é bastante positivo;
  • Use a criatividade: vão aprender sobre animais marinhos? Use cubos de gelo, gelo colorido ou raspado. Em cada temática, pense em como incluir experiências práticas e que alimentem todos os sentidos das crianças.
(foto: Terra Nova Nature School)

Perceba como as crianças reagem às explorações dos sentidos – caso alguma delas apresente desconforto ou medo, ofereça alternativas que a deixem mais segura ou procure ajuda de um profissional de saúde (foto: Terra Nova Nature School)

O que fazer caso a criança apresente um déficit de aprendizado?

Contudo, há pessoas que possuem déficits nos sistemas sensoriais. Estes problemas podem causar inúmeras complicações no processo de aprendizagem, que vão da falta de atenção e concentração até a baixa confiança em si mesmo. Fique atento se o seu aluno apresentar:

  • Hipersensibilidade a movimentos, sons, odores e ambientes diferentes;
  • Hipersensibilidade ao manipular materiais como cola, areia, tinta ou até mesmo comida, utilizando sempre a ponta dos dedos;
  • Medo ao realizar experiências que envolvam os sistemas sensoriais já citados;
  • Medo de altura e falta de equilíbrio;
  • Coordenação motora empobrecida: dificuldade em correr ou pular, problemas com a escrita e com a preensão do lápis;
  • Problemas com situações de desafio.

Para amenizar estas dificuldades, o professor pode verificar se a quantidade de estímulos trabalhados não está em demasia, já que muita informação sensorial ao mesmo tempo pode estressar e até desorganizar a aprendizagem da criança. Outro ponto importante é não “forçar” a realização de uma atividade na qual o aluno demonstra medo ou outra reação incomum. Permita que ele escolha os materiais que o deixam mais seguro, sendo sempre bastante acolhedor.

Essas anotações são importantíssimas e devem ser feitas individualmente com os relatórios individuais  fica bem mais fácil acompanhar a evolução desse pequenino, não é? Então, minha dica é que você tenha frequência na escrita e indícios com fotos e vídeos em um local seguro de maneira simples.

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Caso perceba que essas situações ocorrem com muita frequência é necessário buscar uma equipe multidisciplinar para a realização de um diagnóstico preciso.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Fontes:

Portal de ajudas técnicas. Recursos pedagógicos adaptados. Ministério da Educação. Brasília, 2002

Dicas de atividades sensoriais

Fundación Procivismo y Desarrollo Social. Integración Sensorial. Autora: Ayola Cuesta Palacios, CD Hilton Perkins, 2001. Tradução português: Shirley Rodrigues Maria, 2006.

Meu Pequeno Autista

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INFOGRÁFICO: 7 sites para se inspirar e encontrar novas atividades
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INFOGRÁFICO: 7 sites para se inspirar e encontrar novas atividades

TESTE 20

O tempo do professor é curto e, sem tempo para pesquisar e se renovar, muitos reclamam de repetir sempre as mesmas atividades. Mas a falta de tempo não precisa ser um problema. Não sabe aonde procurar? A Eduqa.me selecionou 7 sites com um acervo riquíssimo de atividades, planos de aula, inspirações, vídeos e jogos para todas as idades – desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Salve esses endereços nos seus Favoritos e encontre rapidamente uma nova ideia para cada aula!

Todos os conteúdos da Eduqa.me são gratuitos. Para fazer o download, clique na imagem acima ou no link abaixo. Você poderá acessar o infográfico sempre que quiser!

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4 problemas de saúde mais comuns ao professor

Sentir-se desmotivado, irritado ou cansado demais pode ser sinal da Síndrome de Burnout (foto: Flanders Today)

Registros/Rotina pedagógica
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4 problemas de saúde mais comuns ao professor

Falar muito alto, virar noites debruçado sobre planejamentos e atividades, sentar por muitas horas seguidas ou dar colo às crianças que precisam de conforto… A rotina do professor é recompensadora, mas também expõe o profissional a diversos problemas de saúde. Pesquisas mostram que 20% dos educadores brasileiros já pediu afastamento por licença médica. Quando isso ocorre, o professor costuma ficar até três meses fora da sala de aula – uma ruptura que prejudica não só a administração da escola como o desenvolvimento das crianças.

Ainda que essas tarefas sejam inerentes à função, há cuidados que podem ser tomados para prevenir o surgimento de doenças, tanto físicas quanto psicológicas. Veja como evitar as mais comuns aos professores: distúrbios vocais, dores nas costas, esgotamento mental ou físico e problemas respiratórios.

Distúrbios vocais

Você fala o dia todo – algumas vezes, grita para chamar a atenção das crianças. Precisa se sobrepor ao barulho da turma e do ambiente. Por isso, mais da metade dos professores se queixa de rouquidão, perda de voz, tosse, soprosidade ou outros sintomas relacionados durante a carreira. Esses sinais podem levar a diagnósticos mais sérios, como nódulos nas cordas vocais.

O primeiro passo para evitar lesões é manter uma alimentação saudável e beber água com frequência – comidas mais pesadas e gordurosas podem causar refluxo, o que também danifica a garganta. Fumo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas devem ser evitados. Já outros alimentos, como a maçã, são extremamente benéficos por “limpar” as cordas vocais.

Há ainda formas de prevenção que visam diminuir o tempo e a intensidade da fala do professor: fechar janelas e portas que estejam abertas sem necessidade, por exemplo, é algo simples e que vai bloquear o ruído dentro da sala de aula. Dinâmicas de grupo em que as crianças falem, discutam entre si ou realizem outras atividades (como assistir a um vídeo ou desenhar) devem ser intercaladas à rotina da classe para que o professor tenha algum tempo de recuperação. Evite ainda falar de costas para a turma – o que obriga a aumentar o volume – ou enquanto escreve no quadro, já que aspirar o pó de giz prejudica o sistema respiratório.

Além disso, há exercícios de aquecimento vocal que podem ser feitos todas as manhãs: alongamento do pescoço, vibração dos lábios e da língua (fazendo o som de “brrrrrrr”) e sequências de respiração profunda são passos básicos, mas outros exercícios específicos podem ser prescritos por um fonoaudiólogo.

Dores nas costas

Tempo demais na mesma posição - seja sentado em frente ao computador, no chão ou escrevendo no quadro - acabam por causar problemas na coluna (foto: Body Balance, Spinal Care)

Tempo demais na mesma posição – seja sentado em frente ao computador, no chão ou escrevendo no quadro – acabam por causar problemas na coluna (foto: Body Balance, Spinal Care)

Entre professores de Educação Infantil, o mais comum é o surgimento de problemas por se agachar com frequência e segurar as crianças no colo. Passar muito tempo sentado na posição de índio (pernas cruzadas no chão) ou em pé são outras fontes de transtornos. As dores na região lombar, na coluna cervical, no ombro, no punho e no cotovelo são as que mais acometem professores.

Você não vai parar de interagir com as crianças ou segurá-las quando preciso, certo? Porém, é possível fazer isso de forma a agredir menos a coluna. Ao se agachar e levantar uma criança, mantenha sempre os pés afastados, os joelhos flexionados e a coluna reta, sem colocar o peso nas costas. Quando se trabalha em pé por muito tempo, a dica é dividir o peso do corpo em ambas as pernas e contrair o abdômen, protegendo a região lombar. Já para quem escreve no quadro constantemente, atenção: é importante que a mão não ultrapasse a altura dos ombros, para que eles não sejam sobrecarregados.

Escolher o calçado ideal ajuda a diminuir os impactos: chinelos e rasteiras não têm amortecimento – tênis são a escolha ideal, além de mais confortáveis para longas jornadas de trabalho. Fazer séries rápidas de alongamento entre as aulas é recomendado e, caso haja tempo livre, o professor deve considerar realizar alguma atividade física durante a semana. Caminhadas, musculação, ioga, natação ou pilates auxiliam na postura corporal.

Esgotamento mental ou físico (Síndrome de Burnout)

A Síndrome de Burnout é a fadiga causada não só pelo estresse comum a qualquer trabalho – que diz respeito a prazos e exigências – mas também ao envolvimento emocional do profissional. Por isso, é observada principalmente em médicos e professores. Os sintomas são estresse, insatisfação com seu próprio trabalho, dores de cabeça e pelo corpo, irritabilidade, exaustão, perda de empatia, entusiasmo e otimismo… E até mesmo a vontade de desistir da carreira.

Parte do cuidado para evitar esse esgotamento deve partir da escola, com condições adequadas de trabalho e momentos de descanso suficientes (nada de trabalhar o fim de semana inteiro e esquecer de dormir!). Preocupações com salário, ambientes hostis ou perigosos, é claro, tampouco ajudam. Entretanto, o próprio professor pode prestar atenção à sua rotina fora da sala de aula e insistir em hábitos saudáveis: uma boa noite de sono, para um adulto, deve contar com cerca de oito horas ininterruptas.

Manter hobbies pessoais, como ler ou ouvir música, são ótimos para relaxar após dias difíceis e prevenir problemas psicológicos.

Sentir-se desmotivado, irritado ou cansado demais pode ser sinal da Síndrome de Burnout (foto: Flanders Today)

Sentir-se desmotivado, irritado ou cansado demais pode ser sinal da Síndrome de Burnout (foto: Flanders Today)

Problemas respiratórios

Em alguns estudos, os problemas respiratórios aparecem como segunda causa mais frequente de afastamento do professor. As doenças vão desde gripe, resfriado, rinite, bronquite, asma, laringite, sinusite até tuberculose e pneumonia. Apesar de serem mais recorrentes no inverno, o professor deve ficar atento a elas por passar muitas horas dentro de ambientes fechados e, ainda por cima, com grandes grupos de crianças, que costumam ser portadoras destes vírus e bactérias.

A limpeza é fundamental: arejar espaços (deixando as janelas abertas quando a turma sair da sala, por exemplo, para o ar circular), retirar o pó, lavar as mãos (as suas e as das crianças) ao terminar atividades ao ar livre e antes das refeições são atitudes simples que fazem a diferença. Uma criança veio para a aula gripada? Evite manter a boca e o nariz muito próximos do rosto da criança, para evitar a contaminação direta, e garanta a higienização do aluno com lenços de papel, água e sabonete ou álcool gel.

Caso sintomas persistam por mais de uma semana, um ciclo normal de gripe, é indicado que o professor procure um médico especialista.

Saúde na tela

Quer saber mais? Uma série de vídeos do canal Anísio Teixeira, no YouTube, traz sintomas e cuidados para os problemas de saúde mais comuns ao professor em vídeos curtos, com menos de um minuto. Confira:

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Infância acelerada: estimular bem não é estimular muito

Estimular bem não é estimular demais. Aulas e atividades extracurriculares em excesso criam crianças cansadas e estressadas (foto: UH Hospitals)

Desenvolvimento Infantil/Registros
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Infância acelerada: estimular bem não é estimular muito

Você já ouviu falar da importância dos estímulos na primeira infância (período do 0 aos 6 anos em que o cérebro da criança mais cresce, e quando ela desenvolve valores, personalidade, potencial de aprendizagem e tantas outras características que vão acompanhá-la até a vida adulta). Muitos pais, é claro, também conhecem essas pesquisas – o que leva muitos a entender que, apresentando seus filhos a experiências suficientes, eles serão mais espertos, mais talentosos, falarão mais idiomas e ganharão mais dinheiro, no futuro, do que seus coleguinhas da mesma idade.

Daí a tendência de matricular crianças em idade pré-escolar em uma lista de aulas extracurriculares, ocupando todos os dias da semana. É verdade, aprender um novo idioma é facílimo até os 7 anos de idade. Praticar esportes é um hábito que deve ser cultivado desde cedo para uma vida saudável. Mas, acima de tudo, elas precisam de tempo para brincar. Para não fazer nada. E para sentir tédio.

Estimular bem não é estimular demais. Aulas e atividades extracurriculares em excesso criam crianças cansadas e estressadas (foto: UH Hospitals)

Estimular bem não é estimular demais. Aulas e atividades extracurriculares em excesso criam crianças cansadas e estressadas (foto: UH Hospitals)

A sutileza que nem todos compreendem é que estimular adequadamente não é estimular mais que os outros; não é a quantidade de estímulos que influencia positivamente a infância. Muitas vezes, o próprio ambiente seguro, com espaço para descobertas e materiais a serem manuseados sem orientação dos adultos já se mostra um estímulo maravilhoso: incentiva a autonomia, a curiosidade, a tentativa e erro, a adaptação. Conversar com a criança, fazer perguntas sobre seu dia ou ler uma história antes de dormir são estímulos valiosos – mais do que aprender a escrever aos 3 anos para se exibir na reunião de pais.

É possível que um de seus alunos (ou de seus filhos) de fato esteja pronto para ler e escrever mais cedo – isso não significa que todas as outras crianças estejam atrasadas ou recebendo estímulos pobres. Estimular corretamente tem a ver justamente com reconhecer as facilidades e os potenciais de cada criança e ajudá-las a chegar lá em seu próprio ritmo, sem competições.

O excesso de compromissos, aulas e estímulos já se comprovou prejudicial ao desenvolvimento infantil. Tentar encaixar as crianças em um ritmo frenético, que nem mesmo é saudável para os adultos, traz consequências para o desenvolvimento cognitivo, emocional e biológico.

Não tenho nada para fazer

Ótimo! É desses momentos não planejados, sem obrigações, que surgem ideias criativas e originais. O tédio não é um monstro terrível que deve ser evitado – ele é fonte de inspiração. Pesquisas já mostraram que famílias superprotetoras ou que vivem com horários apertados costumam ter crianças mais apáticas. Isso porque elas estão tão acostumadas a ter cada momento do seu dia controlado que não conseguem inventar uma brincadeira espontaneamente.

Some à falta de tempo uma pilha de brinquedos eletrônicos que só exigem o apertar de um botão. São bonecos e jogos que não pedem por uma história, por um faz-de-conta, por qualquer construção. A criança vira espectadora, não interage com a brincadeira (lembrando que há benefícios nos games para tablets e computadores, como desenvolvimento da motricidade fina, raciocínio lógico e solução de problemas… Mas com moderação. Até os dois anos, nenhuma criança precisa ser exposta ao mundo virtual e, após essa idade, o tempo de uso não deveria passar de uma ou duas horas diárias).

Quando o brinquedo eletrônico perde a graça, vem a reclamação de tédio. Resista ao impulso de responder a ela com um novo joguinho ou ligando a televisão. Permita tempo para que a criança pense, busque e crie algo para fazer. Não é rápido, principalmente se ter seus desejos atendidos de imediato já se tornou rotina. Estimule esse comportamento tendo materiais simples como massa de modelar, pincéis ou lápis de cor, uma bola, blocos de montar e outros brinquedos desestruturados à disposição.

Deixar as crianças desocupadas não é sinônimo de colocá-las em frente à TV. Tempo livre é essencial para desenvolver a imaginação e criatividade (foto: Delta Jones)

Deixar as crianças desocupadas não é sinônimo de colocá-las em frente à TV. Tempo livre é essencial para desenvolver a imaginação e criatividade (foto: Delta Jones)

Crianças estressadas

É nos momentos livres, de brincadeira e descanso, que o aprendizado se consolida. Retirando esses períodos do dia a dia da criança, ela não tem tempo de processar as informações às quais é exposta – o que tem o efeito contrário ao desejado pelos pais: ela se torna infeliz, estressada e menos produtiva.

As crianças ficam cansadas, tanto quanto os adultos, mesmo quando vivem uma rotina flexível. Na correria, então, o sentimento de exaustão física e emocional aumenta. Não é por terem 2, 3 ou 4 anos que elas não sentem a pressão posta sobre elas ou deixam de perceber comparações, mesmo sutis, entre seu desempenho e o desempenho dos coleguinhas.

O excesso de atividades planejadas também gera estresse por tirar delas qualquer controle sobre sua vida. É importante que haja momentos em que as crianças possam dar sua opinião, escolher o que fazer e em que tempo fazê-lo. E que possam tomar essas decisões com a certeza do apoio dos adultos em volta, que devem saber se afastar e observar ou participar e ajudar conforme for indicado, nutrindo a sensação de segurança.

Habilidades socioemocionais

Aí estão elas novamente. Como o excesso de estímulo prejudica o desenvolvimento de competências sociais e emocionais?

De várias maneiras bastante óbvias que, às vezes, falhamos em perceber: crianças grudadas na tela da televisão não fazem contato visual, não se engajam em uma conversa, têm dificuldade em reconhecer e lidar com sentimentos. Crianças obrigadas a decorar conteúdos e copiar atividades sem se apropriar do conhecimento dificilmente irão pensar fora da caixa, gerar ideias originais ou construir algo fora do padrão. Crianças cujos desejos são atendidos imediatamente têm menos paciência, motivação, empatia e noção de consumo sustentável. Crianças que possuem horários rígidos e todas as horas do dia programadas desenvolvem menos independência, autonomia e criatividade.

Os eletrônicos podem ser aliados - mas o tempo excessivo em tablets e computadores é prejudicial ao desenvolvimento socioemocional (foto: Gigaom)

Os eletrônicos podem ser aliados – mas o tempo excessivo em tablets e computadores é prejudicial ao desenvolvimento socioemocional (foto: Gigaom)

A longo prazo, a rotina frenética ainda está relacionada a uma série de outros males, como a depressão e a obesidade infantil.

Hora de diminuir o ritmo

A solução não é cancelar todas as matrículas das crianças; algumas horas de atividades extracurriculares por semana podem ser bem aproveitadas. Contudo, garanta que elas estão participando de aulas que as interessam genuinamente (quem gostaria de ser um violinista famoso, o pai ou a filha?). Algumas disciplinas – como o inglês – não são negociáveis? Deixe que a criança escolha o esporte ou instrumento musical que quer praticar.

Acima de tudo, tenha tempo disponível para conversar, brincar ou não fazer nada juntos. Na escola, garanta o tempo no pátio, no parque, na sala sem um exercício pré-definido: deixe as crianças se organizarem, interagirem, inventarem. Em casa, reserve momentos para dormir até mais tarde, cozinhar juntos ou escolher a programação do fim de semana.

Lembre-se de que tempo livre não é falta de estímulo. É saber estimular com respeito pela infância, compreendendo o ritmo e a personalidade da criança em desenvolvimento.

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Antes de ler e escrever, há muito o que fazer

Não é preciso adiantar conteúdos do Ensino Fundamental na primeira infância - as brincadeiras guiadas e livres estimulam todas as competências mais necessárias (foto: Beauvoir School)

Desenvolvimento Infantil/Relatórios
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Antes de ler e escrever, há muito o que fazer

Há muito para fazer e descobrir antes de ler, escrever e somar, considera Rita Castanheira Alves, psicóloga clínica especializada na área infantil e juvenil e de aconselhamento parental, autora de um projeto que está no site www.psicologadosmiudos.com, e que acaba de lançar o livro “A Psicóloga dos Miúdos”. Antes de entrar no 1.º ciclo, há competências a desenvolver e a estimular nas crianças. “Nos jardins de infância, seguem-se diretrizes e planos normativos, mas há muito espaço para abordagens e perspetivas diferentes. Em casa, há pais que estimulam desde cedo umas competências em detrimento de outras”. Há muito para descobrir desde a nascença até à matrícula no 1.º ciclo. “Dar os primeiros passos no desafio de descobrir quem é, no aprender a ser pessoa, a distinguir-se dos outros, a criar uma individualidade, a sentir-se gostada e a saber gostar”, especifica.

Assuntos de toda a vida e mais além

Rita Castanheira Alves considera que é tempo de desenvolver competências as quais chama de “assuntos de toda a vida e mais além”, ou seja, capacidades e aprendizagens que serão a base para a vida real, no mundo, com os outros e consigo mesmo. “Esta fase é essencial para os pais e educadores ‘trabalharem’, de forma natural, no dia a dia, em brincadeiras e nas rotinas com a criança, a tolerância, a frustração, a autoestima, a autoconfiança, a persistência, a solidariedade, a partilha, os limites e o saber errar.

Sem nunca esquecer a literacia emocional, dando-lhes a possibilidade de conseguir identificar em si ou nos outros, expressar e regular as emoções – competência transversal para todas as aprendizagens que se seguem, seja na educação formal ou na vida além escola”, refere.

Na primeira infância, é essencial cultivar as "habilidade para a vida", ou socioemocionais: perseverar, conviver em grupo, lidar com emoções (foto: Smart Start of Meck)

Na primeira infância, é essencial cultivar as “habilidades para a vida”, ou socioemocionais: perseverar, conviver em grupo, lidar com emoções (foto: Smart Start of Meck)

Desafios

Antes de se sentar na cadeira da escola, a criança dá os primeiros passos na autonomia e independência para que, desde cedo e de forma natural, se sinta segura, capaz de gerir os desafios que surgirão a qualquer momento. Na escola, também. “Uma criança feliz, tranquila, competente pessoal, social e emocionalmente terá maior probabilidade de ter sucesso acadêmico e estar preparada para os desafios mais formais da educação, porque serão também crianças mais motivadas intrinsecamente”.

Nesta fase, é importante criar desafios e situações adequados às características e fases de crescimento da criança para desenvolverem a sua capacidade de resolução de problemas. “A criança deve saber que pode ser difícil, mas que é possível tentar e, no meio disso, os adultos precisam ajudá-la a saber errar – até porque na escola ela irá errar para aprender. Como tal, saber acima de tudo errar, confrontar-se com o erro e com a nova tentativa e saber que isso faz parte da aprendizagem de todos nós, até dos pais”. Para a psicóloga, faz parte da educação “ajudar a criança a arriscar, a compreender os riscos e a tomar decisões com os riscos que tem, seja numa simples escolha de duas hipóteses de brincadeira”.

Nos primeiros anos de vida, é fundamental experimentar, desenvolver competências artísticas e a agilidade motora. É tempo de se conectar com outras crianças, jovens e adultos, desenvolver a socialização, saber estar e partilhar, ouvir e conversar. É tempo de brincar com meninos e com meninas, com bonecas, carrinhos, animais ou quebra-cabeças. “Nesta fase, a brincadeira com a criança é o maior motor de desenvolvimento de todas estas capacidades essenciais para o que se segue”. A brincadeira é um meio para tornar as aprendizagens naturais, descontraídas, fáceis, e eficazes, e ainda criar vínculos afetivos com a criança.

Se a criatividade e imaginação forem estimuladas, o interesse pela leitura, escrita e matemática vão surgir naturalmente (foto: Feel Good Health)

Se a criatividade e imaginação forem estimuladas, o interesse pela leitura, escrita e matemática vão surgir naturalmente (foto: Feel Good Health)

A criatividade e a imaginação também têm um papel importante. “Ajudar a criar e a imaginar, seja por histórias, teatros caseiros, brincadeiras de tapete ou músicas é fundamental para a preparação da criança para a fase das aprendizagens escolares. Na fase pré-escolar, a criatividade de todas as formas é um grande recurso e um ingrediente que se pode usar bastante, a par com a curiosidade”. Para isso, ajuda-se a olhar para o que a rodeia, estimula-se o questionamento, responde-se quando pergunta, pergunta-se também, procuram-se respostas.

Saber escrever o nome, decorar letras, contar até 20 sem enganos poderá vir noutro tempo, quando o 1.º ciclo chegar. Rita Castanheira Alves considera que há muito para se fazer antes disso. “Com o foco e investimento nestas competências pessoais, sociais e emocionais, gradualmente e antes do 1.º ciclo, a vontade da criança em saber o seu nome, em aprender a contar e a mostrar sinais de que está preparada para a aprendizagem escolar aparecerá espontaneamente. Vale a pena tentar”, diz.

Brincar é como respirar

Não é preciso adiantar conteúdos do Ensino Fundamental na primeira infância - as brincadeiras guiadas e livres estimulam todas as competências mais necessárias (foto: Beauvoir School)

Não é preciso adiantar conteúdos do Ensino Fundamental na primeira infância – as brincadeiras guiadas e livres estimulam todas as competências mais necessárias (foto: Beauvoir School)

Até aos 6 anos, a criança se encontra numa fase de acelerado desenvolvimento em vários níveis: físico, motor, social, cognitivo, emocional e linguístico. Desenvolvimento e aprendizagem andam de mãos dadas. As relações e interações que os  pequenos estabelecem entre si e com os adultos, as experiências proporcionam novas aprendizagens, tudo isso contribui para o desenvolvimento.

Para Cristina Parente, professora auxiliar do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão, do Instituto de Educação da Universidade do Minho, é importante apreender quem é a criança. A criança quer conhecer e compreender o mundo que a rodeia, tem saberes e experiências e, por isso, faz perguntas e envolve-se em projetos para encontrar respostas para as suas curiosidades. A criança coloca desafios aos pais, à creche, ao jardim de infância, à comunidade. “Esta compreensão desafia os pais e os educadores a proporcionar as melhores oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento, desde cedo, às crianças, tendo como referência a necessidade de educar cada um até ao limite das suas possibilidades, procurando, ao mesmo tempo, conseguir a integração de todos”.

A criança cresce, aprende, desenvolve-se através de interações que estabelece com as pessoas que a amam, que cuidam dela, que lhe dão segurança, que estão atentas às suas características e que a desafiam. “De fato, o processo de educação da criança ocorre entre os contextos de educação não formal e os contextos de educação formal, entre os quais se destacam a família e os centros de educação de infância”, refere Cristina Parente.

“Naturalmente, a criança constrói muitas aprendizagens e se desenvolve nos contextos da educação informal através dos processos de socialização nas relações intrafamiliares e extrafamiliares. Mas este tipo de resposta, por si só, parece não ser suficiente, tendo em conta as muitas solicitações das famílias e os limitados apoios na sociedade atual urbanizada, globalizada e multicultural. O contexto da educação de infância emerge como uma alternativa mais consistente e integrada para, em colaboração com as famílias, responder ao desafio da educação das crianças pequenas”, sublinha a professora do Instituto da Criança da Universidade do Minho.

Segundo Maria José Araújo, professora da Escola Superior de Educação do Porto, nos primeiros anos de vida, e não só, é importante brincar e criar condições para que as crianças brinquem. “Brincar é muito importante em todas as fases da vida, mas nesta fase é fundamental. Para a criança é como respirar”, garante. A socialização também tem uma palavra a dizer. “É com o grupo de pares, com outras crianças que criam e recriam as culturas da infância”. “É fundamental conversar com os filhos e garantir uma instituição de pré-escolar que valorize o brincar e o diálogo”, sublinha.

É através de atividades lúdicas e jogos que as crianças aprendem a seguir regras e respeitar o outro (foto: Washington Post)

É através de atividades lúdicas e jogos que as crianças aprendem a seguir regras e respeitar o outro (foto: Washington Post)

Os pais devem, na sua opinião, saber respeitar os tempos e os ritmos das crianças e compreender que brincar garante equilíbrio e bem-estar. Há um erro que convém evitar: há pais e encarregados de educação que procuram no pré-escolar conteúdos do primeiro ano do 1.º ciclo. “A escola é muito importante e é por isso mesmo que, antes de entrar para o 1.º ciclo do Ensino Básico, mas também durante, o mais importante é criar condições para que as crianças brinquem”.

É preciso, sublinha, valorizar as brincadeiras das crianças como elementos essenciais de relação com a natureza e com a cultura do mundo adulto. Ao longo da vida, elas precisam de atividades equilibradas. “As crianças aprendem regras de cooperação e respeito brincando. É essencial que os educadores compreendam isso e valorizem”. Brincar é, afinal de contas, um direito. “O brincar e as brincadeiras, enquanto manifestações coletivas, ajudam a criança a desenvolver relações sociais com o seu grupo de pares e com os adultos, apelando à memória coletiva”, realça Maria José Araújo.

Registre!

Para criar registros completos, tanto para a turma quanto para cada criança, acesse a Eduqa.me e faça seu cadastro. Atualize as atividades realizadas em sala de aula e avalie o desenvolvimento das crianças. Depois, gere linhas do tempo com os textos, fotos e vídeos postados, além de gráficos e relatórios criados automaticamente para ajudá-lo a visualizar o crescimento delas com facilidade.

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Fonte: Educare

5 atividades criativas de artes para Educação Infantil

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Atividades/Música e artes/Relatórios
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5 atividades criativas de artes para Educação Infantil

Por que ensinamos arte na Educação Infantil? Ao contrário da escrita e da matemática, as aulas de artes não têm uma aplicação objetiva na vida da criança – nem pais nem professores esperam que elas se tornem artistas quando adultas. Ainda assim, a pintura, o desenho e os trabalhos manuais são parte relevante do currículo infantil, inclusive destacado como uma das áreas de conhecimento do Referencial Curricular Nacional.

A pergunta não é retórica, nem uma forma fácil de começar o texto. É preciso ter bem claro qual o objetivo de se ensinar algo, porque é esse objetivo que vai ajudar o professor a traçar seu plano de aula. Por que você ensina arte à sua turma de 3, 4, 5 anos?

É comum que atividades artísticas sejam usadas com preparação para a escrita: o foco não é a arte em si, mas a motricidade fina, a destreza dos dedos para que, mais adiante, a criança consiga criar letras e números. Suas atividades de artes têm essa meta? Pense bem: as crianças são instruídas a copiar, traçar linhas retas, seguir pontilhados, pintar dentro das linhas de um desenho já preparado com antecedência, copiar modelos prontos? Esses exercícios são úteis para que elas sejam alfabetizadas – mas não as estão educando em artes.

Quando sua classe aprende a reproduzir imagens prontas, ela entende a mensagem de que há um certo e um errado no processo criativo, de que há obras de arte boas ou ruins de acordo com uma pequena lista de regras. Ninguém aprende, porém, quais as diferentes técnicas possíveis, a interpretação de acontecimentos ou sentimentos em imagens, a exploração da criatividade ou os vários espaços em que a arte pode se manifestar.

Conhecer ambientes culturais como museus, teatros e galerias, é importante para o repertório tanto do professor quanto das crianças (foto: Ecology of Education)

Conhecer ambientes culturais como museus, teatros e galerias, é importante para o repertório tanto do professor quanto das crianças (foto: Ecology of Education)

Isso significa que as crianças devem ficar soltas para brincar com tinta sem qualquer orientação? Também não – mas estamos chegando mais perto. Sem o professor como guia, é muito provável que a turma vá apenas reproduzir o que já vê em outras fontes: na televisão, nos brinquedos ou na publicidade. É preciso que elas tenham possibilidade de criar o que quiserem, mas sempre estimuladas a conhecer novas perspectivas e novos materiais, sempre encontrando novas formas de expressão.

Esse é o objetivo de ensinar arte às crianças: desenvolver o autoconhecimento, o senso crítico, a sensibilidade e a criatividade, habilidades que serão valiosas durante toda a vida adulta.

Para isso, o professor deve investir na sua própria formação; afinal, é a visão do professor que irá influenciar a visão da turma. É importante interagir com espaços culturais como museus, galerias, teatros, cinemas e praças para encontrar novos conteúdos e selecionar o que é interessante para cada faixa etária. Assim como os planejamentos de Natureza ou Matemática são pensados linearmente, com atividades articuladas entre si, o plano de Artes também deve considerar o desenvolvimento gradual das crianças e introduzir novos desafios com intencionalidade.

Para se inspirar, confira 5 ideias criativas para fazer arte na Educação Infantil.

 

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Explorando texturas 

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Atividades com texturas são ideais para crianças de até 3 anos, quando o aprendizado está muito relacionado ao tato. Apenas tome cuidado com as turmas mais novas, para que elas não coloquem materiais perigosos na boca (para essa faixa etária, uma dica é usar tinta caseira, não tóxica, que não causa problemas caso seja ingerida).

Mesmo com crianças mais velhas, a brincadeira ainda desperta interesse, basta oferecer mais opções de texturas a serem manuseadas. Algumas possibilidades são:

  • Papéis de vários tipos: crepom, cartolina, lenço, celofane,
  • Tecidos: camurça, couro e mesmo retalhos de roupas velhas ou toalhas,
  • Recortes de revistas e jornais,
  • Lixas mais ou menos ásperas,
  • Serragem, grama, folhas diversas, palha,
  • Sobras de lápis ou giz de cera apontados.

O professor pode, por exemplo, deixar que as crianças explorem texturas na sala de aula ou no pátio e, então, reproduzam as mais interessantes em suas obras de arte. Incentive a curiosidade e a descoberta com perguntas e orientação – mostre a elas como, por exemplo, passar a mão por uma superfície e fechar os olhos para sentir. Também estimule o vocabulário apropriado: liso, áspero, macio, seco, úmido, etc..

Autorretrato

As crianças vão desenhar em uma transparência sobre a própria foto: elas podem contornar o rosto, decorar ou alterar suas imagens como quiserem (foto: Meri Cherry)

As crianças vão desenhar em uma transparência sobre a própria foto: elas podem contornar o rosto, decorar ou alterar suas imagens como quiserem (foto: Meri Cherry)

Apesar de dar algum trabalho, essa é uma atividade maravilhosa para estimular o autoconhecimento. É preciso que as crianças tragam uma foto impressa de si mesmas com antecedência – e o professor precisa providenciar transparências, sobre as quais elas irão desenhar.

Depois disso, não há segredo: use uma fita adesiva para colar a foto e a transparência na mesa e disponibilize materiais de pintura. Tinta guache, cola colorida, canetas marca-texto e glitter são algumas opções que podem ser usadas para que as crianças façam seu autorretrato.

Quando as pinturas secarem, outra ideia divertida para a exposição é usar caixas vazias de brinquedo (ou qualquer outra caixa em que a frente é de plástico) como moldura, com a foto original no interior da caixa e a pintura, na frente. Veja o exemplo abaixo:

Carimbos variados 

Outra alternativa para explorar o ambiente e experimentar métodos artísticos é buscar por materiais para fazer carimbos e utensílios de pintura:

  • Talheres de plástico,
  • Rolos de papel higiênico,
  • Botões,
  • Tampinhas de garrafa,
  • Rolhas,
  • Esponjas de cozinha, de banho, de palha de aço (Bombril),
  • Algodão,
  • Plástico bolha.
Rolhas, tampas de garrafa ou bolas de algodão são algumas das opções para fazer carimbos (foto: No Time for Flashcards)

Rolhas, tampas de garrafa ou bolas de algodão são algumas das opções para fazer carimbos (foto: No Time for Flashcards)

Lembre-se de colocar a tinta em um recipiente largo, para que as crianças mergulhem os objetos (foto: No Time for Flashcards)

Lembre-se de colocar a tinta em um recipiente largo, para que as crianças mergulhem os objetos (foto: No Time for Flashcards)

Mais uma vez, enfatizamos: cuidado com objetos pequenos que podem ser engolidos pelas crianças!

Estenda uma folha grande de papel craft ou cartolina branca no chão e despeje as tintas coloridas em pratos rasos de plástico, tigelas ou bacias em que a turma consiga mergulhar os objetos. Então, deixe que experimente cada um deles.

Uma dinâmica bastante rica é sugerir temas abstratos: como elas pintariam sentimentos como alegria, raiva ou medo? Como pintariam o que estão sentindo hoje? Como pintariam a sensação de voar ou mergulhar?

Crianças mais velhas, em torno dos 6 ou 7 anos, podem relutar bastante para trabalhar com ideias tão abertas caso não tenham esse tipo de experiência com frequência – as menores, por outro lado, costumam abraçar a proposta sem questionamentos. Se isso acontecer, frise que não há certo ou errado e que eles podem pintar conforme se sentirem. Evite comentários como “que lindo” e opte por perguntar o que está sendo representado.

Pintura ao ar livre

O giz molhado dá uma cor mais vibrante à pintura (foto: Happy Hooligans)

O giz molhado dá uma cor mais vibrante à pintura (foto: Happy Hooligans)

Há uma calçada ou muro que pode ser usado na sua escola? Leve as crianças para ilustrá-los – além de tentar a pintura em uma posição diferente, em outra textura, elas também têm a oportunidade de expor um trabalho para as outras turmas. É uma oportunidade de falar sobre as mais variadas formas de exposição de artes, desde um teto todo decorado como o da Capela Sistina até as paredes grafitadas da cidade.

O giz de quadro é perfeito para essa atividade, e o efeito é ainda melhor molhando a ponta do giz antes de desenhar. O professor pode levar potinhos pequenos (como os de iogurte ou forminhas de gelo, por exemplo) com água para ajudar na pintura: colocando o giz ali por um ou dois minutos, ele absorve a água, criando cores mais vibrantes e um toque mais macio.


Uma peque dica que pode te ajudar muito!

Desenvolver essas atividades pode proporcionar momentos incríveis com as crianças, você não pode deixar de registrar as falas, comportamentos e os momentos de interação entre os pequenos! Faça isso com anotações, fotos e até vídeos! Eu sei que pode dar um grande trabalho mas é justamente nesse ponto que você está enganada, use a Eduqa.me para registrar esses momentos!

É muito simples, você pode organizar todos os registros de maneira rica em um único lugar, depois de tudo organizado você consegue consultar com poucos cliques! Quer ver? Basta clicar aqui e acessar! Veja esse exemplo:

Que tal aproveitar para criar atividades que favorecem o aprendizado ?

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Experimente a Eduqa.me para aperfeiçoar seu trabalho na Educação Infantil. Visite nosso baú de atividades com mais de 5 mil atividades feitas por outros professores que estão no dia a dia da escola.


Espaços negativos 

O professor pode escolher várias atividades para trabalhar a ideia de espaços negativos – quando você pinta em torno da imagem que quer representar. Para as crianças de até 3 anos, é indicado começar com propostas que exijam menos coordenação motora, como pintar em torno da própria mão ou da mão de um colega. Veja o resultado abaixo:

Colorir em torno da própria mão é uma versão mais simples da atividade, para crianças mais novas (foto: Fun-a-Day)

Colorir em torno da própria mão é uma versão mais simples da atividade, para crianças mais novas (foto: Fun-a-Day)

Após o conceito estar mais claro, é hora da experimentação! Uma ideia é usar fita adesiva para criar desenhos em espaço negativo: as crianças podem espalhar a tinta em torno da figura de um objeto ou animal (uma casinha, um sol, um cachorro criado com fita), ou dividir a página em formas geométricas e colorir cada área de uma cor diferente.

Elas ainda podem ser convidadas a buscar outros materiais para suas obras de arte: folhas e flores prensadas funcionam bem para essa atividade.

Alguns desenhos feitos com fita adesiva (foto: Red Ted Art)

Alguns desenhos feitos com fita adesiva (foto: Red Ted Art)

Leia mais:

Portal Cultura Infância

Portal Educação

 

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As crianças podem criar os próprios portfólios na Educação Infantil?

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor - pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Registros/Rotina pedagógica
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As crianças podem criar os próprios portfólios na Educação Infantil?

O portfólio deve revelar o crescimento, as formas de aprendizado e as dificuldades de cada criança. Para acompanhar esse desenvolvimento com clareza, é preciso selecionar as produções, falas e atividades mais relevantes durante certo período – aquelas em que um avanço ou desafio são particularmente visíveis, para que pais e equipe pedagógica entendam aquela criança e definam os próximos passos.

Normalmente, o professor de Educação Infantil é encarregado dessa seleção. Ele analisa todos os seus registros (anotações, fotos, vídeos, produções das crianças, falas e gravações, preferências) e decide quais deles explicitam o progresso de cada aluno. As áreas observadas envolvem:

  • Desenvolvimento cognitivo,
  • Habilidades físicas,
  • Desenvolvimento afetivo e sexual,
  • Ética e valores,
  • Socialização e relações intra e interpessoais.

O conteúdo escolhido pelo professor deve mostrar não apenas O QUE foi aprendido, mas também COMO foi aprendido. Ele vai identificar quais abordagens funcionam melhor com cada criança e quais deixam a desejar, pois, assim, pode pensar nas intervenções mais apropriadas de acordo com o aluno.

A seleção é o foco do portfólio. Muitas escolas arquivam todas as atividades realizadas pelas crianças, guardando-as em pastas ou caixas, e então enviam essa pilha de registros sem qualquer análise para a família. Porém, esse conjunto de informações não representa um portfólio – afinal, nenhuma interpretação foi realizada a partir dos materiais. Nesse caso, o documento está apenas cumprindo um papel burocrático, sem qualquer significado

É justamente a intenção de quem organiza o portfólio que lhe atribui valor. Essa intenção pode ser de outro além do professor? Ou melhor – as crianças podem organizar seus próprios portfólios?

Leia também “Portfólio na Educação Infantil: Como organizá-lo e o que usar na avaliação”!

“Veja o quanto você aprendeu”

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor - pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor – pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Na Educação Infantil, as crianças podem participar do processo de montagem do portfólio, mas ainda com orientação dos professores. Esse envolvimento é indicado por estimular a reflexão, a construção do próprio conhecimento e o diálogo. É um momento para o professor enfatizar o progresso dos alunos e ouvir suas opiniões sobre o aprendizado.

Como fazer isso com turmas tão novas? Faça uma seleção prévia dos registros, usando sempre um de uma fase mais inicial e outro, recente. Dois desenhos de uma mesma temática, por exemplo, ou duas tentativas de escrita são ótimos para fazer comparações. Outras possibilidades: dois vídeos em que ela apresenta um comportamento mais engajado, duas gravações em que ela pratica a leitura ou duas atividades manuais feitas durante a aula.

Mostrando o antes e depois para a criança, destaque as diferenças e deixe que ela mesma perceba seu crescimento. Faça perguntas para saber não só o que ela acha melhor, mas sobre o processo de criação em cada atividade, do que ela gosta em cada uma, o que gostaria de mudar, do que mais ou menos gostou em relação àquela aula. Preste atenção às respostas, pois elas podem guiar futuros planejamentos.

Além de elucidar o professor, essa abordagem ainda promove a autoestima infantil e o vínculo entre criança e educador. É também um momento importante da avaliação formativa; afinal, ao invés de avaliar com notas, a criação do portfólio dá um contexto ao aprendizado.

Algumas frases e expressões que podem ser usadas para co-criar o portfólio com as crianças são:

  • Como você fez esse (desenho)? E esse aqui?
  • Do que você mais gostou nesse dia? Do que não gostou?
  • Olha só como sua (escrita) está diferente nessas duas fotos! O que mudou?
  • Qual você acha melhor? Por quê?
  • Que bom que você já consegue (ler essa palavra) sozinho! Qual você quer aprender depois?
  • Você acha que ainda tem algo que poderia melhorar?

Todo esse processo deve ser feito individualmente com cada uma das crianças. Reserve um local tranquilo, com poucas distrações, para que elas se concentrem na seleção.

Escolha por conta própria

Alunos do Ensino Fundamental já podem ser incentivados a analisar suas produções e montar seus portfólios com menos intervenção do professor. Para isso, é preciso que eles tenham acesso a todas as sua atividades – a turma pode ser responsável por guardá-las em escaninhos individuais, pastas ou prateleiras na sala de aula. Ao final do período delimitado (um bimestre, trimestre ou semestre), as crianças podem rever seus trabalhos e reparar no desenvolvimento que apresentaram desde o início.

O professor ainda deve orientar a seleção através de perguntas, reconhecendo o que é mais relevante e apontando melhoras. Entretanto, agora, já pode fazer isso com toda a classe reunida, enquanto cada um trabalha separadamente no próprio material. Ele também pode pedir que as crianças falem ou escrevam sobre as atividades que elegeram, gerando uma reflexão mais profunda sobre o aprendizado.

Conforme elas ficam mais velhas, permita autonomia na hora de escolher - e contar para o resto da turma - os momentos e atividades favoritas (foto: Parent Map)

Conforme elas ficam mais velhas, permita autonomia na hora de escolher – e contar para o resto da turma – os momentos e atividades favoritas (foto: Parent Map)

A participação da família

Os pais ou responsáveis pela criança têm um papel importantíssimo quando se pensa em portfólio – normalmente, eles são o final da linha, os receptores de toda a informação. São eles que devem receber o documento e ouvir a análise do professor para que, juntos, pensem nas melhores intervenções e estímulos. Também é fundamental que a comunicação entre família e escola ajude a criar uma educação que faça sentido para a criança, que os mesmos comportamentos e habilidades exercitados em casa sejam reconhecidos em sala de aula.

Embora seja um papel essencial, ele não é único. Os pais podem, sim, ajudar na elaboração do portfólio e selecionar ativamente as produções mais marcantes de seus filhos. Isso lhes dá a oportunidade não só de ver o recorte da “pior” e “melhor” atividade, mas todos os aprendizados intermediários entre uma e outra.

Convidar os pais para uma reunião particular pode tomar bastante tempo, sim; mas, se possível, pode estreitar o diálogo com a escola, explicar o método de ensino e os processos de aprendizado colocados em prática e encorajar a família a se envolver mais no desenvolvimento da criança.

Ter esse entendimento sobre o crescimento dos filhos será útil sempre que a criança passar de ano, mudar de turma ou de escola, ou mesmo iniciar um curso extracurricular. Cabe também aos pais mostrar esses documentos ao novo professor para que possam procurar nele embasamento e pistas para novos projetos.

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O pior erro que um professor pode cometer

Sim, as dificuldades existem (e, às vezes, são muitas), mas o professor sempre tem a possibilidade de transformar a vida das crianças e superar adversidades (foto: The Harbinger)

Carreira/Formação/Rotina pedagógica
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O pior erro que um professor pode cometer

Os pais não se importam. Você trabalha em um bairro difícil. Você não recebe apoio algum da administração.

Seus alunos não têm nenhuma responsabilidade ou limite em casa. O Pedro, a Carla ou o Antônio estão na sua turma esse ano (e toda a escola sabe como eles causam problemas)!

Você é “só” o professor substituto. A sua classe tem crianças demais. E a sala de aula é muito pequena.

Você tem crianças que falam demais, alunos que desafiam, outros com dificuldades de atenção. Há aquelas duas crianças que – você tem certeza – nenhum professor do mundo vai conseguir controlar, quanto mais educar.

Os obstáculos que você enxerga interferindo no sucesso de suas aulas podem parecer muito reais. Podem ser assustadores. Podem até mesmo parecer intransponíveis. Eles parecem ser razões perfeitamente válidas para não atingir a qualidade de ensino que você gostaria.

Mas isso não é verdade.

É claro que eles existem. Porém, de forma alguma, eles devem ser bloqueios para uma aula incrível. Não são barreiras para um comportamento adequado, nem podem impedi-lo de transformar suas crianças em uma turma maravilhosa.

A não ser, é claro, que você acredite que sim. A não ser que você caia na tentação de culpar as circunstâncias externas, de apontar dedos para os outros, de jogas as mãos ao alto e concluir que “não havia nada que eu pudesse fazer” para superá-los.

Veja bem, o pior erro que você pode cometer enquanto professor – um professor que cuida e se preocupa – é criar desculpas para uma aula insatisfatória.

Sim, as dificuldades existem (e, às vezes, são muitas), mas o professor sempre tem a possibilidade de transformar a vida das crianças e superar adversidades (foto: The Harbinger)

Sim, as dificuldades existem (e, às vezes, são muitas), mas o professor sempre tem a possibilidade de transformar a vida das crianças e superar adversidades (foto: The Harbinger)

Porque, assim que você começa a fazer isso, assim que você começa a procurar para além de si mesmo para justificar porque seus alunos são como eles são, você subestima sua capacidade de transformar qualquer coisa.

Subconscientemente, o professor declara que não tem jeito, eles são assim mesmo, fim. E, inevitavelmente, seu comportamento e suas atitudes comunicam às crianças que você já desistiu delas. Elas sabem – cada uma delas, em sua turma, percebe quando o professor entregou os pontos. Não importa o quanto você tente, não há como esconder.

Assumir responsabilidade por tudo o que acontece em sua sala de aula, por outro lado, é um ato de profundo empoderamento. É como um maremoto que vai inundá-lo com uma reserva infinita de confiança, liderança e habilidade para acessar a turma.

Você vai se sentir diferente – e vai agir diferente. E isso transparece, também é algo que não se pode esconder.

Infelizmente, enumerar desculpas e mais desculpas para porque sua classe é incontrolável ou porque aquela criança não se comporta ou uma outra não consegue aprender parece epidêmico entre professores. Em muitas escolas, é comum ouvir professores buscando apoio para suas justificativas, procurando alguém que concorde com suas conclusões para isentá-los de responsabilidade.

Ouvimos queixas sobre salas de aula lotadas, desrespeito descarado e pouquíssimo suporte da coordenação ou administração escolar. Sem dúvida, esses fatores existem – mas não são insuperáveis, de maneira alguma! Na verdade, ainda não encontramos uma única situação difícil enfrentada pelo professor que não pudesse ser drasticamente melhorada.

A verdade é que você pode atingir a experiência de ensino que deseja. É possível se sentir energizado e satisfeito ao invés de desmoralizado ao final do dia.

Você realmente pode ser aquele professor especial do qual seus alunos vão lembrar para sempre, aquele que acreditou que eles eram mais do que as más opiniões alheias, mais do que seu passado, mais do que o ambiente em que cresceram. Mais do que um punhado de desculpas.

Não importa aonde você trabalha, quem entrou na sua classe esse ano ou se sua coordenadora nunca deu um passo para dentro da sala de aula. Você consegue. Você pode ter a turma que sempre quis. E você pode continuar amando sua profissão.

Contudo, você não deve, nunca, desistir ou recuar. Nunca decida o futuro de uma criança por causa do lugar aonde ela é criada, quem são seus pais ou mesmo o quão terrível é o comportamento dela naquele momento. Nunca, nunca, nunca.

Ao invés disso, decida que cada criança com a qual você tiver contato tem a possibilidade de aprender. Todas elas podem se comportar. Cada uma delas pode amar a escola.

Você será a pessoa certa, na hora certa e no lugar certo para mostrar a elas que é possível.

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Esse texto é uma tradução do artigo “The Worst Mistake a Teacher can Make”, do site Smart Classroom Management. Clique aqui para ler o original!

Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Desenvolvimento Infantil/Rotina pedagógica/Semanários/Formação
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Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Todo professor se propõe a planejar o seu dia, as suas atividades – mas como fazê-lo quando este planejamento não se refere apenas a ele mesmo, mas a todas as crianças que estão, por boa parte do dia, sob sua responsabilidade? Cada uma tem uma vontade, um desejo e está em um estado de busca. Quando a proposta é fazer um planejamento que parte destas vontades, desejos e buscas, o educador muitas vezes sente como se estivesse tentando planejar o imprevisível.

Como escolher o que entra no planejamento?

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

O professor que tem a preocupação em orientar sua turma tem que estabelecer um ponto de partida. Se as singularidades de suas crianças são importantes, ótimo: esse ponto de partida já esta estabelecido.

São elas. Tudo começa com observar e escutar sua turma e o que brota nos momentos da rotina: as ações mais procuradas, os interesses, as demandas, as pesquisas e descobertas, os assuntos que estão bombando entre as crianças.

Leia mais sobre esse tema no nosso post Personalização do Ensino na Educação Infantil.

O olhar do professor ao observar seu grupo não é um olhar à toa, à espera de que algo chame sua atenção para, só depois, despertar interesse. É um olhar intencional, preparado. Juntamente com a observação está a pauta do olhar, ou o motivo do olhar, elaborada pelo professor para orientá-lo naquilo em que vai prestar atenção. Afinal, as crianças são muitas e vários são os interesses.

A elaboração da pauta do olhar está intimamente ligada ao planejamento do professor, ao seu modo de trabalhar.  Um jeito possível de trabalhar com a (in)formação começa por perguntar. É provocar o olhar e a escuta para ativar a percepção e despertar a curiosidade.

  • O que as crianças fazem com maior frequência? (que movimentos corporais fazem com maior prazer, em quais encontram dificuldades?)
  • Quais os brinquedos e brincadeiras são mais solicitados?
  • Como elas se articularam? Quem brincou com quem? Quem não quis brincar?

Além disso, é preciso deixar espaço para olhar o olhar individual.

  • Quais as crianças serão observadas com maior atenção neste dia ou durante esta atividade? Quais os seus interesses? Estão buscando um desafio?

Um cuidado especial pode ser garantir um olhar para o uso dos espaços e dos materiais utilizados.

  • Como foi o envolvimento e a participação das crianças nestes espaços (parque, refeitório, quadra, área externa, sala de referência) e quais os materiais explorados?
  • Eles preferem os materiais não estruturados?

A partir das respostas a estas e outras perguntas pertinentes à sua turma, você terá anotações e informações importantes para ampliar os desafios oferecidos para as crianças. Estas respostas são alguns elementos deste seu planejamento.

Quais outras fontes de informação você possui?

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Você fez o registro das propostas anteriores neste ou em outros espaços da creche. Você tem uma fonte preciosa de informações e anotações sobre as pesquisas, descobertas, interesses e hábitos de cada um de sua turma. Alguém vai sempre para o mesmo brinquedo? Você já se perguntou o porquê? Há crianças que nunca usam algum brinquedo ou realizam alguma atividade? Novamente, você sabe por quê?

É claro que ninguém tem memória para guardar tudo o que vê e vivencia nas 10 horas da rotina, multiplicadas pelas 20 ou mais crianças da turma! Por isso a importância dos registros de acordo com a realidade da turma. Os registros contém tudo aquilo que o educador percebe – anotações, fotos, caderno de registros, produções dos alunos. Eles revelam as descobertas, as dificuldades, as conquistas e as possibilidades de cada criança e do grupo, e são sua matéria-prima para o próximo planejamento.

O que essas informações significam?

Com as respostas relacionadas às questões sobre os interesses atuais das crianças, mais os registros das atividades anteriores, mais os desafios identificados, você se pergunta: quais os encaminhamentos que essas informações indicam?

Sua resposta está em refletir e avaliar sobre quais dificuldades foram identificadas no grupo ou em uma criança e, a seguir, quais ajustes deverão ser feitos no tempo e na estrutura das respostas. E aí, bingo! Chegamos ao planejamento interessante, estimulador, adequado e repleto de possibilidades e brincadeiras. Não tem como dar errado!

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Fonte: Tempo de Creche