As férias são sempre um bom momento para relaxar, refletir e para renovar os sonhos e os desejos. Literalmente tirar férias significa parar; sair da rotina, do ciclo que nos faz ficar exclusivamente focados no que acontece ao nosso redor.

Como foram suas férias? 

O professor é muito tendenciosos a focar nos outros, ou seja, ele está sempre tão preocupado com os alunos, os pais, os coordenadores, os diretores e as outras tarefas do cotidiano escolar que acaba por distanciar de si mesmo.

Isso, sem falar naqueles professor que são pais ou principalmente mães, aí é que podemos dizer que ele perde aos poucos o contato com o seu eu interior e vai desligando-se de si mesmo cada vez mais.

Isso parece um exagero, não é? Mas a rotina é tão sorrateira e silenciosa, que quando nos damos conta, passaram-se anos e não fizemos nada por nós mesmos.

Os alunos evoluem, os filhos crescem, o tempo passa e às vezes a frustração vem a tona e o sentimento de ingratidão também. Ingratidão a quem? Aos alunos que se formaram? Aos filhos que cresceram? Ou a nós mesmos, que deixamos escapar a vida?

Para que isso não aconteça ou para que você possa mudar este cenário, comece já a pensar em você! Pensar em si mesmo não é ser egoísta, mas se amar para amar o outro, conhecer-se para conhecer o outro, saber do seu melhor, para dar o melhor para o outro.

Por isso, pare e pense o quanto é importante ajudar os outros, mas sem esquecer-se do principal, que é VOCÊ!!!

O que você fez por você?

Faça uma autorreflexão, exercite a observação e contemple a si mesmo. Mexa o corpo, a mente, a alma, faça o que mais gosta ou não faça nada, mas seja você! Decida, escolha, fale, não cale, seja você!

Renove as energias e as esperanças e nunca se esqueça que o melhor investimento que podemos fazer na vida além de amar o outro é amar a nós mesmos!

Fica aqui a indicação do belíssimo poema de Fernando Pessoa sobre a “Liberdade”. Liberte-se hoje mesmo.

O que você fez por você nessas férias?! Deixa a sua criança interior se libertar ; )

 

Liberdade

Ai que prazer 

Não cumprir um dever, 

Ter um livro para ler 

E não fazer! 

Ler é maçada, 

Estudar é nada. 

Sol doira 

Sem literatura 

O rio corre, bem ou mal, 

Sem edição original. 

E a brisa, essa, 

De tão naturalmente matinal, 

Como o tempo não tem pressa… 

Livros são papéis pintados com tinta. 

Estudar é uma coisa em que está indistinta 

A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto é melhor, quanto há bruma, 

Esperar por D.Sebastião, 

Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças… 

Mas o melhor do mundo são as crianças, 

Flores, música, o luar, e o sol, que peca 

Só quando, em vez de criar, seca. 

Mais que isto 

É Jesus Cristo, 

Que não sabia nada de finanças 

Nem consta que tivesse biblioteca… 

Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.


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