O papel da escola está em discussão, e não é de hoje. Pelo menos desde a década de 90 os termos “educação integral” e “habilidades para o século 21” estão por aí, nas bocas de especialistas, professores e pesquisadores. Entretanto, na prática, pouca coisa mudou e a maioria das escolas ainda tem dificuldade em identificar quais seriam essas competências tão relevantes para o futuro das crianças. Acima de tudo, como o professor pode ajudar seus alunos a desenvolvê-las?

Já se sabe, por uma série de pesquisas, que a inteligência sócio-emocional está tão ligada ao sucesso quanto o conhecimento cognitivo. Traços como organização, motivação e colaboração facilitam o aprendizado de disciplinas tradicionais: crianças com essas características aprendem cerca de um terço a mais que suas colegas, em um ano letivo, tanto em matemática quanto em língua portuguesa.

A boa notícia é que essas habilidades não são inatas – elas podem ser ensinadas e estimuladas desde cedo. Esse trabalho deve começar na primeira infância, tanto em casa quanto em sala de aula. Na Educação Infantil, o professor precisa tomar cuidado ao adaptar as atividades para essa faixa etária, sem manter uma cabeça focada em divisão de matérias e avaliações, típicas das séries mais avançadas. Exercícios práticos e lúdicos são fundamentais!

Mas, afinal, quais são essas habilidades para o século 21 e como o professor pode cultivá-las na prática? Elas estão divididas em três grupos:

Competências cognitivas

Muito além de memorizar: as crianças devem aprender a utilizar seus conhecimentos de forma prática, na vida real (foto: Effort Christian Schools)

Muito além de memorizar: as crianças devem aprender a utilizar seus conhecimentos de forma prática, na vida real (foto: Effort Christian Schools)

Essas são as competências tradicionalmente estimuladas na escola: o aprendizado formal, a memória e o pensamento crítico. A diferença é que, cada vez mais, é importante que o professor fuja da decoreba e mostre às crianças como entender, interpretar, filtrar e selecionar informações – afinal, basta um clique no Google para que elas sejam inundadas de conteúdo, nem sempre de qualidade.

Outra necessidade é transferir o conhecimento da sala de aula para situações reais e usá-lo na solução de problemas. Não adianta nada decorar fórmulas se elas não têm uma aplicação na vida dos estudantes – isso torna o ensino irrelevante, distante e chato.

O lado positivo é que a Educação Infantil já costuma realizar esse trabalho, constantemente conectando o conteúdo curricular com a rotina das crianças. Por outro lado, em muitas escolas, essa abordagem vai se perdendo conforme os alunos caminham para o Ensino Fundamental e Médio.

Como aplicar:

  • Sempre faça uso de exemplos práticos, conhecidos pelas crianças. Cite diversos casos e permita que a turma também faça sugestões;
  • Encoraje perguntas e não tenha medo de aprofundar o tema quando a classe se mostrar interessada. Preserve um ambiente em que os alunos se sintam confortáveis para expor seu conhecimento;
  • Reconheça os vários tipos de aprendizado e trabalhe para acolher todos eles. Use imagens, música, movimento de acordo com a necessidade das crianças;
  • Lance desafios: por que não tentar um mutirão de limpeza na escola ao estudar sobre a reciclagem? Ou propor a construção de uma ponte com peças de Lego? Quem sabe um sarau sobre o último livro lido com a turma? Essas situações são uma ótima oportunidade para transferir a teoria para a prática!

Competências interpessoais

Ajude a turma a praticar a escuta e a empatia, para que possa trabalhar em conjunto (foto: It Starts Here)

Ajude a turma a praticar a escuta e a empatia, para que as crianças possam trabalhar em conjunto (foto: It Starts Here)

Nessa categoria estão as capacidades de sentir empatia, compreender os outros (sejam eles colegas, familiares ou professores), relacionar-se e trabalhar em grupo. A colaboração e a solução de problemas em conjunto, compartilhando ideias, é uma exigência do século 21.

A gestão de conflitos também entra aqui. Desde a Educação Infantil, as crianças devem aprender a estabelecer diálogos para resolver seus problemas, ouvindo as opiniões externas e sabendo explicar pontos de vista. Parece complexo para sua turminha de 3 ou 4 anos? Calma – essas habilidades serão aperfeiçoadas ao longo de toda a vida. Mas há maneiras de começar já.

Como aplicar:

  • Proponha atividades em grupo ou dupla, sejam elas jogos, tarefas de casa ou projetos que possibilitem às crianças criar algo em conjunto, discutindo ideias sobre um mesmo assunto;
  • Organize tutorias, em que alunos que se saem melhor em um determinado tema ajudem os colegas (depois, procure valorizar aqueles com dificuldade pedindo que eles também ensinem algo em que são bons);
  • Faça rodas de conversa e pratique ouvir e compreender as falas dos colegas, criando momentos em que as crianças possam elogiar ou sugerir soluções umas às outras;
  • Procure não interferir em pequenos conflitos – enquanto for possível, apenas observe e deixe que os pequenos resolvam suas divergências entre si;
  • Abrace projetos: por que não pedir às crianças que escrevam cartinhas ou façam desenhos para outra classe (ou ainda uma turma de outra escola)?

Competências intrapessoais

Dar às crianças ferramentas para lidar com as próprias emoções é um aprendizado valioso para futuros desafios (foto: Meditate in West Lake)

Dar às crianças ferramentas para lidar com as próprias emoções é um aprendizado valioso para futuros desafios (foto: Meditate in West Lake)

Trata-se de ensinar as crianças a entender e controlar as próprias emoções, lidando com elas de maneira calma e sábia. Com isso, elas saberão se manter motivadas, reconhecerão o valor do esforço para atingir seus objetivos e não terão medo do fracasso, vendo-o como uma parte natural do aprendizado. Além disso, implica na habilidade de autoavaliação, em que os alunos percebem seus pontos fortes e fracos e encontram formas de trabalhá-los a seu favor.

Deu para perceber que são competências importantes? Com certeza. No restante da jornada acadêmica, assim como em toda a vida adulta, ter competências emocionais bem desenvolvidas vai ajudar a superar desafios tranquilamente. Também é fundamental para uma vida saudável, com menos estresse e frustrações.

Como aplicar:

  • Dê oportunidade às crianças para lidar com sua raiva e frustrações, mostrando caminhos não violentos;
  • Estimule um ambiente de livre expressão, em que a turma se sinta confortável e acolhida, sem medo de errar;
  • Valorize tentativas, esforço e dedicação em vez de apenas talento;
  • Ajude a classe a definir metas pessoais – o que querem aprender e como farão isso;
  • Discuta o aprendizado adquirido pedindo que as crianças falem sobre suas experiências, como aprenderam, o que acharam fácil ou difícil na atividade.

Competências da Nova Escola

No vídeo abaixo, feito pelo Instituto Ayrton Senna, educadores conversam sobre as tendências para a escola do século 21. São apenas dois minutinhos!

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