Por que escolhi ser professor?
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Por que escolhi ser professor?

Você já se perguntou o que é ser professor?

Muitas vezes, se escuta que ser professor é gostar de criança, é ter paciência, saber desenhar, ter letra bonita, gostar de ler e estudar.

Mas será que isso é suficiente?

NÃO! Ser professor ultrapassa as barreiras do ter ou gostar, é preciso diferentes construções internas; é preciso “SER”.

Os valores, os desejos, a esperança, os anseios, as motivações, a persistência, o respeito, o saber, a honestidade, a perseverança e o comprometimento com o ensinar é que farão a diferença no ato de ser e se constituir professor, e essas habilidades são aprendidas nas complexas relações com o ensino aprendizagem, ou seja, entre o professor e o aluno.

A complexidade em ser professor começa com o processo de escolha da profissão. Muitas pessoas, quando decidem lecionar, não levam em conta o que é ser professor, baseiam-se em preceitos superficiais, como gostar de criança, por exemplo.

Isso é importante, mas não basta! Um professor precisa estudar muito e durante toda a sua carreira, deve se envolver com questões sociais e políticas do país e, mais do que isso, ser um especialista em relações humanas!

A escolha da profissão é uma decisão tomada pelo professor; imagina-se que ninguém o obrigou a fazer isso. Sempre foram de conhecimento público as dificuldades com o educar de modo geral. Então, por que esta escolha?

Responda isso você! Reflita sobre o seu real papel no ato de ensinar, pois ele vai além dos conteúdos programáticos.

professor

É necessário situar o professor naquilo que transcende a sua formação, pois “aprendemos disciplinas sobre que conhecimento da natureza e da sociedade ensinar e com que metodologias, porém não entra nos currículos de formação como ensinar-aprender a sermos humanos” (ARROYO, 2000, p.55), principalmente numa época onde o desrespeito, o bullying e o preconceito se sobressaem tanto.

O professor desempenha um papel tão importante na vida dos alunos, que é incalculável o seu valor. Não importa o quão avançada esteja a tecnologia, o professor nunca será substituído, “já que mais importante do que o conteúdo ensinado é o modo relacional que se vai imprimindo na subjetividade do aprendente”. (FERNÁNDEZ, 2001, p.29).

Ser professor vai muito mais além do que se imaginava, não é?

Reflita sempre sobre a sua escolha.

Sugestão de Leitura: Livro – A aula da xícara: uma experiência sobre a relação professor-aluno. Luciana Fernandes Duque. Lura Editorial: São Paulo, 2015.

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?
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Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?

que tipo de educação

Esta pergunta é intrigante e pode suscitar a priori duas interpretações: pensar nos métodos e estratégias que vou oferecer aos meus alunos para educa-los de forma que aprendam os conteúdos formais, ou, ir além disso e pensar também em que tipo de pessoas quero formar.

Quando imaginamos uma sala de aula, muitos cenários vêm à tona, principalmente a diversidade que a compõe.

Para muitos, a palavra diversidade parece estar ligada a algo que é visível no outro, ora por aquilo que falta ora pelo que sobra em alguém, mas, neste texto, vamos falar de um assunto que nem sempre é tão explícito pelo que falta ou pelo que sobra, mas pelo que as vezes passa desapercebido pelos olhos do professor.

Vamos falar da inclusão socioeconômica e do contraste social encontrado nas escolas.

Por mais que saibamos que esta realidade existe, quando as diferenças não estão estampadas de forma evidente no rosto das pessoas, parece que elas são ignoradas. Está é uma falsa ilusão e a falsa ideia da homogeneidade que muitos professores ainda insistem em defender.

Somos todos diferentes e únicos, isto por si só derrota a ideia de homogeneidade humana. Aprendemos de formas diferentes, pensamos e gostamos de coisas diferentes e temos também condições socioeconômicas muito distintas.

Estas condições econômicas, em alguns casos, definem e implicam diretamente nos objetivos e propósitos pelos quais a criança frequenta uma escola.

Sabemos que muitas crianças precisam comer, por isso vão a escola; outras ainda quando muito pequeninas, frequentam a escola, pois os pais necessitam trabalhar; e há também aquelas que vão a determinadas escolas para sustentar certos “status” dos grupos sociais do qual os pais fazem parte. Mas há também pais que escolheram as escolas devido aos métodos pedagógicos e pela filosofia do trabalho educacional que oferecem.

Independente do que seja, se desconhecermos os motivos pelo qual cada aluno frequenta a escola, teremos problemas na relação direta com eles e principalmente com suas famílias. Alguns comportamentos dos pais, por mais que sejam estranhos, passam a ser “melhor compreendidos”, uma vez que se conhece os interesses das famílias. Com isso, não quero dizer que a escola deve assumir o papel dos pais, muito pelo contrário, deve partilhar com a família a responsabilidade de educar, mas perceber os limites que envolvem estas relações entre família-escola.

escola

Por conta das desigualdades sociais existentes, há um consenso entre as pessoas ao achar que nas escolas públicas estão os alunos menos favorecidos e nas escolas particulares estão os mais favorecidos financeiramente.

No caso do Brasil, isso tem uma certa verdade pela forma cultural e econômica em que o ensino está organizado, mas na Europa por exemplo, não é bem assim que funciona; as escolas públicas europeias têm grande prestígio e muitas famílias privilegiadas economicamente optam por matricularem os seus filhos nestas instituições.

É bastante curioso e interessante observar esta diversidade socioeconômica dentro de um único espaço. A mãe empregada de mesa e um pai empresário debatendo, nas reuniões de pais, melhorias para a escola dos seus filhos. Existem problemas causados pelas condições econômicas? Sim, como em todo lugar, mas como o objetivo é zelar pela educação de qualidade para os filhos, essas diferenças não são soam como  problema, não nesse cenário.

O preconceito é algo ensinado pelo adulto. As crianças são ensinadas a selecionar seus amigos pela ótica do adulto.

As escolas particulares no Brasil, nem sempre ilustram este cenário separatista que está na mentalidade das pessoas. Muitos pais fazem grandes sacrifícios para dar o melhor para os filhos; e para eles, o melhor, é uma educação de qualidade que supostamente acham que vão encontrar nas escolas particulares.

Digo supostamente, pois classificar se uma escola é boa ou ruim devido ela ser pública ou privada é mais um erro. Há boas escolas públicas e há boas escolas particulares, assim como também há más escolas independente de serem públicas ou particulares.

Isto parece ser óbvio e até redundante, mas você já parou para se perguntar o que é uma boa escola? ou o que faz de uma escola ser boa ou não?

Podemos construir um ótimo livro só com as respostas para estas perguntas, mas a reflexão que se quer aqui vai mais além do que a escola deve ter ou fazer para ser boa, mas sim da sua essência. Por isso, o título deste texto começou por questionar: que tipo de educação você quer dar para as crianças, professor?

Podemos brincar com esta pergunta e criar tantas outras… que tipo de cidadão você quer formar? que tipo de pessoa você quer ajudar a constituir? Não se tem aqui a pretensão de dar respostas, mas pensar em alguns caminhos a partir da diversidade socioeconômica encontrada nas escolas.

Esta diversidade aumenta o desafio do professor em sala de aula, pois os conteúdos não podem ser mais a preocupação exclusiva; valores como respeito ao outro e às diferenças passam a ser tão importantes quanto o aprender formal, aliás, estes são aspectos que propiciam uma melhor interação, comunicação e por fim um melhor aprendizado.

Infelizmente, ouve-se nos corredores das escolas crianças discutindo: “meu pai tem dois helicópteros e o seu não tem nenhum”; “você é pobre, por que estuda nesta escola?”. Estas atitudes incentivam e aumentam a prática do bullying e de outros maus comportamentos que não colaboram com a construção de uma boa escola e também da aprendizagem das crianças.

escola alto nível

As desigualdades sociais encontram-se em níveis variados dentro das escolas, por exemplo: a criança rica e a muito rica, a criança pobre e a extremamente pobre, e outros espaços onde se tem um pouco de tudo. Não é somente pensar nos extremos, mas nestas variações dentro de cada classe social. Estes problemas trazidos pelas dificuldades em lidar com a diversidade socioeconômica dá a oportunidade ao professor de falar e ajudar as crianças na construção da sua identidade e autonomia.

Trazer para dentro da classe as diferenças existentes entre os alunos e potencializa-las para o conhecimento é uma boa estratégia. Uma criança que vende doces no farol, tem com certeza, muita experiência com a matemática e isso pode ser levado para a sala de aula, para a criança ressignificar e protagonizar a sua aprendizagem.

escola brasileiraDesta mesma forma, a criança dos helicópteros tem uma vivência a ser partilhada que vai além do ter mais ou menos um bem material, e isso, com criatividade, pode virar uma rica experiência para todos.

Cada vez mais, as crianças mostram dificuldades em superar o seu egocentrismo inicial, pois são ensinadas a serem egoístas, quando desprezam e julgam uma condição social diferente da sua.

A escola é o espaço mais rico para que estas realidades se cruzem e coloquem a criança numa posição de conflito frente aos seus valores, conhecimentos e personalidade, que a priori é constituída pela família. Isso é saudável para o seu desenvolvimento psíquico, mas se não for bem assistida pode ser um risco para as relações sociais e para o desenvolvimento pessoal das próprias crianças.

A escola precisa se importar com as diferenças sociais e entender que este problema também é seu. A escola representa a população e se julgamos que a sociedade está ruim é porque de alguma forma a escola contribui com isso, quando finge, por exemplo, que não é um problema seu, as crianças se desrespeitarem.

O que quero dizer com isso é que o aluno que está em nossas classes hoje, poderá ser o médico que cuidará de nós amanhã, ou o professor que dará aulas para o nosso filho no futuro, enfim, está em nossas mãos transformar os problemas da desigualdade em oportunidades de construir uma sociedade melhor.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

O coordenador virou o faz-tudo da escola?

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

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O coordenador virou o faz-tudo da escola?

“Existem dois tipos de coordenador: o maestro, que conduz e forma os professores, ou o bombeiro, que passa o dia correndo e apagando incêndios”. Ouvi a frase há algumas semanas durante uma aula da pós-graduação, justamente em um módulo sobre o papel da coordenação na nova configuração da escola. Surpresa: mesmo entre educadores, não houve consenso.

A maioria dos coordenadores são antigos professores que se destacaram em sala de aula e foram convidados a ocupar o cargo – sem que, contudo, recebessem uma formação específica para essa nova tarefa. Cursos de pedagogia abordam muito superficialmente as atribuições desse profissional, portanto, cabe a ele ir atrás de cursos, livros, debates e informação para melhorar sua prática. Afinal, por mais que a experiência em sala seja importante para compreender a rotina da equipe que se quer orientar, há outras competências que se fazem necessárias: a liderança, por exemplo, assim como a gestão de tempo e de pessoas.

Outro percalço é o fato de que, mesmo dentro das escolas, as funções do coordenador ainda se confundem. Quando há a figura de um orientador pedagógico, é possível dividir esforços: o coordenador é encarregado de tudo o que concerne o aprendizado das crianças, o pedagógico, mas cabe ao orientador lidar com relacionamentos familiares e questões socioemocionais dos estudantes. Infelizmente, em um grande número de escolas, um único profissional acumula os dois trabalhos (além de vários outros desafios diários que não estavam nos seus planos).

Então, o que NÃO É função do coordenador?

  • Ser o inspetor – supervisionar a entrada e saída das crianças diariamente ou garantir o uso do uniforme escolar não são tarefas do coordenador pedagógico (ainda que 72% dos coordenadores entrevistados pela Fundação Victor Civita para a pesquisa ‘O Coordenador Pedagógico e a Formação de Professores: Intenções, Tensões e Contradições’ as façam). Verificar se as salas de aula estão limpas e organizadas tampouco deveria estar na sua lista de afazeres (são 55% os que o fazem), nem cuidar da quantidade de material didático ou estado de conservação da escola (35%). No caso da supervisão dos alunos, o mais indicado seria designar outro profissional qualificado para o trabalho. Já se preocupar com a infra-estrutura e recursos da escola cabe ao diretor e ao vice.
  • Tarefas administrativas – organizar tabelas de horários, preencher ou conferir listas de chamadas, arquivar documentos, escrever atas são parte do dia a dia de 22% dos coordenadores, apesar de pertencerem aos deveres da secretaria. Caso a papelada esteja saindo do controle, é hora de pensar sobre os sistemas utilizados pela escola: a que serve tanta burocracia? Há formas de minimizar esses processos e, assim, economizar tempo? Além da Eduqa.me, com foco em documentação pedagógica, outros sites e ferramentas podem tornar essa missão mais fácil.
A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

  • Substituir professores em sala – idealmente, a escola possui uma lista de professores substitutos que estejam aptos a assumir em caso de imprevistos. Um banco de atividades também pode (e deve) ser criado em parceria com os docentes, para que as substituições sejam rápidas e não prejudiquem a turma. Ainda assim, 19% dos coordenadores entrevistados responderam que substituem colegas faltosos uma ou mais vezes por semana.
  • Eventos e parcerias – 18% dos profissionais disse acreditar ser papel do coordenador se envolver ativamente em festas juninas, apresentações das crianças ou gincanas que acontecem na escola. Na verdade, a responsabilidade da coordenação aqui é orientar, não executar. Ou seja: não é preciso virar noites recortando e colando cartazes, mas sim organizar a equipe e distribuir tarefas. Quando excursões escolares estão programadas, os professores responsáveis pelo passeio podem trabalhar em parceria com a secretaria para agendar datas e enviar comunicados aos pais.

E o que É, MESMO, responsabilidade do coordenador?

Um profissional na coordenação precisa assumir três papéis:

  • Formar – identificar as necessidades de formação dos professores de acordo com o currículo da escola e a realidade dos alunos. A partir disso, dar as condições necessárias e orientar os professores para que eles se aprofundem em suas respectivas áreas de conhecimento. Ou seja: um bom coordenador não precisa ser um grande entendedor de química, física ou língua inglesa, por exemplo, para formar os professores dessas disciplinas; mas deve, sim, ser capaz de contribuir quanto às didáticas, estratégias e metodologias empregadas em sala.
  • Articular – promover diálogos entre professores e, em conjunto, colocar em prática o projeto pedagógico e relacionar o currículo da escola com a realidade da comunidade em que está inserida. Aqui, é essencial desenvolver a escuta e possibilitar o trabalho em equipe, inclusive na orientação de projetos interdisciplinares. Garantir o bom entrosamento do grupo e estimular a união são igualmente relevantes: é preciso dedicar-se aos relacionamentos diretor-coordenador, coordenador-professor, professor-professor.
  • Transformar – questionar, provocar, promover a reflexão. Ao invés de tentar colocar tudo sob suas asas, um bom coordenador deve ajudar os professores a pensarem questões de suas salas de aulas mais a fundo, desenvolvendo um olhar crítico e sendo capazes de resolver problemas por conta própria. Esse exercício não só gera uma equipe mais preparada e segura como permite que o coordenador tenha mais tempo para destinar a outras tarefas que não “apagar incêndios”.
Os três principais papéis do coordenador pedagógico são: o de articulador, formador e transformador (foto: Talking Taylor Schools)

Os três principais papéis do coordenador pedagógico são: o de articulador, formador e transformador (foto: Talking Taylor Schools)

É claro que não existe uma receita de bolo que, seguida passo a passo, tenha garantia de sucesso. Um modelo de coordenação bem sucedido em uma escola não necessariamente atenderá às demandas de outra. Com isso em mente, sempre é preciso levar em conta o repertório de experiências, cultura e informação dos professores, suas formas de comunicação e suas limitações.

Sendo assim, estas são, de fato, algumas das tarefas que pertencem ao coordenador:

  • Conhecer as práticas pedagógicas de cada professor – assistir às aulas dos colegas deve ser uma atividade bem planejada e intencional: o que se busca observar? Se o coordenador traz somente críticas, ele está perdendo seu papel de formador. Pelo contrário, ele deve usar esse momento para conhecer melhor o professor e descobrir como orientá-lo, sem forçar suas próprias opiniões sobre como conduzir a classe.
  • Planejar e conduzir reuniões pedagógicas coletivas, por área e série e individuais – é preciso planejar com antecedência para que cada um desses encontros seja significativo e produtivo. Há questões que exigem a presença de todos os docentes; outras, seriam melhor trabalhadas dentro de determinada série ou área de conhecimento. Existe também a necessidade de se prestar atendimento individual a cada professor; nesse momento, são compartilhados feedback (após acompanhar seu trabalho em sala de aula), estratégias de ensino e reflexões sobre a turma.
  • Acompanhar o desempenho da escola em avaliações internas e externas – o aprendizado das crianças é responsabilidade do coordenador, portanto, é preciso estar atento ao desenvolvimento da classe como um todo e atento a sinais de dificuldade. Conhecer a classificação da escola em índices nacionais, como o Ideb ou a Provinha Brasil, também é essencial. Através dessas informações, o profissional pode identificar falhas, sucessos e reorientar a equipe.
  • Estudar muito – uma parcela do tempo do coordenador precisa estar reservada para sua atualização. O que está acontecendo no universo da educação? Quais boas práticas receberam destaque, quais tecnologias surgiram e podem facilitar seu trabalho, quais autores e pesquisadores vão de encontro à proposta da sua escola e irão contribuir com sua formação? Valorizar a atualização profissional é benéfico de todas as formas, afinal, estabelece também um exemplo dentro da escola, em que toda a equipe se sente estimulada a aprender.

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6 Passos para a autoavaliação do professor

Fonte: Scuolaazoo

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6 Passos para a autoavaliação do professor

Antes de guardar os cadernos, fechar os armários e correr para a praia, há uma última tarefa que o professor precisa cumprir para garantir a qualidade do seu trabalho: a autoavaliação. Nesse momento, vale fazer um balanço geral dos meses que se passaram, entender o que teve bons resultados, o que falhou e em que pontos melhorar.

A autoavaliação não caminha sozinha: muitas escolas combinam questionários da gestão, dos professores, dos pais e mesmo dos alunos (prática mais comum quando se tratam de crianças maiores) para abranger um cenário mais amplo do que ocorreu no ano letivo. Essa relação entre diferentes opiniões explicita problemas de relacionamento, comunicação, ensino, organização ou administração que, de outra forma, passariam despercebidos e abrem espaço para o diálogo entre setores: como um pode contribuir com o outro?

Porém, ainda que essa não seja uma prática comum na instituição em que você trabalha, é interessante reservar alguns minutos para fazer o exercício por conta própria. Essa é a melhor maneira de reorientar suas práticas pedagógicas com intencionalidade no futuro. Mas cuidado – essa não é uma atividade que deva ser feita às pressas, de qualquer jeito. Separamos 6 dicas para tornar o trabalho mais fácil:

Divida a autoavaliação por áreas

A autoavaliação deve ser feita com tempo e concentração - e, de preferência, por escrito (foto: The New Daily)

A autoavaliação deve ser feita com tempo e concentração – e, de preferência, por escrito (foto: The New Daily)

Educadores sugerem que a autoavaliação seja realizada por áreas, ao invés de se criar uma única pesquisa com dezenas de perguntas. Questionários muito longos são exaustivos e há grandes chances de que, ao chegar na última questão, o professor já esteja cansado demais para responder com calma e profundidade.

Cada profissional pode definir tópicos de acordo com sua rotina e ambiente. Podem estar entre eles:

  • Planejamento de atividades e projetos;
  • Organização de materiais e da sala de aula;
  • Postura em sala de aula;
  • Relacionamento com outros funcionários;
  • Iniciativa, criatividade e originalidade;
  • Relação com as famílias das crianças;
  • Materiais produzidos, avaliações e devolutivas e como elas foram úteis ao aprendizado da turma;
  • Resolução de conflitos.

#1  Escolha um modelo de avaliação

Para ser capaz de olhar atentamente para os resultados do ano que passou, o mais indicado é que a autoavaliação seja feita por escrito. Você pode elaborar perguntas cujas respostas sejam “sempre”, “às vezes” ou “nunca”; “bom”, “regular” ou “ruim”; ou ainda que usem escalas numéricas (1, para péssimo, até 10, para excelente). Por exemplo:

1. Este ano eu soube lidar com brigas e conflitos entre as crianças com calma e fui justa nas minhas reações: (  ) Sempre  (  ) Na maioria das vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca.

Uma alternativa é a produção textual, que permite uma reflexão mais profunda e a descrição de momentos específicos que ilustrem os pontos ressaltados.

#2 Liste projetos, atividades e momentos marcantes do ano

Lembre-se dos momentos mais significativos do ano e pergunte-se: o que aprendi com eles? (foto: Hickman Mills)

Lembre-se dos momentos mais significativos do ano e pergunte-se: o que aprendi com eles? (foto: Hickman Mills)

É mais fácil analisar determinadas cenas, que exprimem exatamente os acertos e erros que o professor pretende destacar, do que tentar resumir o ano inteiro, o que pode resultar em uma avaliação genérica, vaga demais. Liste momentos importantes do ano letivo, sejam eles: excursões da turma, brincadeiras que acabaram em bagunça, apresentações em datas comemorativas, uma atividade de sucesso inesperado, uma reunião de pais em que houve falha de comunicação. Eles não precisam necessariamente ter sido grandes eventos, apenas esclarecer um aprendizado.

#3 Reflita sobre os resultados

Essa é a etapa mais importante de todo o processo. Hora de dividir as práticas do ano anterior entre as que funcionaram, as que exigem melhorias e as que devem ser completamente repensadas. Seja honesto, afinal, o objetivo da autoavaliação não é punir ninguém – pelo contrário, é contribuir com sua experiência profissional.

Pergunte a si mesmo:

  • Em quais momentos você acertou e em quais errou?
  • O que faria diferente?
  • O que gostaria de repetir?
  • Houve comportamentos inapropriados, preguiça, má vontade, falta de iniciativa? Quando?
  • Houve empolgação demais, mas falta de organização e planejamento? Quando?
  • Suas estratégias foram de encontro com as necessidades das crianças?
  • Como você acompanhou o aprendizado delas? O desenvolvimento da turma ficou claro para você?

Caso você trabalhe com mais de uma turma, é melhor fazer esse processo duas vezes, uma para cada grupo. Comparar resultados também pode abrir seus olhos para atitudes e didáticas usadas com cada uma e como influenciaram no desenvolvimento das crianças. Quando houver diferenças marcantes entre as turmas, procure pelos motivos.

#4 Peça opiniões

Gestores, professores e funcionários podem enriquecer a reflexão e sugerir outras formas de melhorar (foto: Understood)

Gestores, professores e funcionários podem enriquecer a reflexão e sugerir outras formas de melhorar (foto: Understood)

Quem trabalha com você diariamente pode contribuir muito para sua reflexão. Convide colegas, sejam eles diretores, professores ou outros funcionários, a fazer críticas construtivas quanto à sua atuação durante o ano letivo. Compartilhar sua autoavaliação pode, inclusive, inspirar a equipe a fazer o mesmo – o que ocasionará mudanças mais significativas na escola.

Procure profissionais que admira para tirar dúvidas, sejam eles educadores ou não. Peça dicas para lidar com situações que ainda lhe causam desconforto, para criar um esquema de organização para suas pastas e cadernos, para se inspirar e trazer novas ideias de atividades à sala de aula. Não tenha vergonha de pedir ajuda.

#5 Trace um plano para o próximo ano

Agora que você identificou sucessos, fracassos e pontos de melhoria, sente-se e escreva suas metas para o ano seguinte. Um por um, enfrente cada problema e estabeleça uma solução. Identifique quais são as mudanças prioritárias, que merecem mais atenção – você pode até mesmo colocar prazos e objetivos para acompanhar seu aprendizado, como faz com as crianças.

Pode acontecer de os problemas apontados dependerem não apenas do professor; a decisão de levar as crianças para mais estudos de campo em parques, museus ou teatros, por exemplo, precisa do aval da coordenação pedagógica. Nessa situação, leve sua autoavaliação para a escola e discuta-a com seus superiores, explicando as necessidades que você observou.

Aproveite a reflexão para pensar ainda em seu trajeto profissional: está na hora de buscar novos cursos e capacitações? Você está investindo o suficiente em sua carreira? Liste suas necessidades e limitações (preços, horários, local) e pesquise novos projetos para o ano seguinte.

#6 Acompanhe seu progresso

A autoavaliação não precisa ser reservada para o final do ano. Nos próximos meses, retorne às metas que definiu e acompanhe seu progresso. Que tal ter um diário em que, a cada semana, você registra o que aprendeu?

Quanto mais frequente for sua reflexão, mais rápida e eficiente será a reorientação e melhores os resultados!

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A sua escola investe na formação cultural dos educadores?

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo - Museu da Língua Portuguesa)

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A sua escola investe na formação cultural dos educadores?

A bagagem cultural do professor não é (ou não deveria ser) uma questão pessoal, que só diz respeito ao lazer, fora do horário de trabalho. Pesquisadores e docentes já comprovaram que, quanto maior o repertório, melhor a prática em sala de aula – e em qualquer área de conhecimento, não apenas as mais lúdicas, como artes.

Conhecer diferentes representações artísticas e manifestações culturais expande a realidade do professor. A partir delas, é possível estabelecer diálogos, propor novas práticas com as crianças, quebrar preconceitos e inserir experiências lúdicas em qualquer temática, tornando o aprendizado mais próximo dos alunos.

Afinal, a premissa é bastante simples: ninguém consegue ensinar aquilo que não conhece. Como cultivar hábitos de leitura, visitas a museus, cinema ou teatro, se o próprio educador não vive esse discurso?

Infelizmente, a falha surge desde o currículo universitário, que prioriza o conteúdo pragmático. São raras as universidades que trazem no planejamento, intencionalmente e ao longo de todo o curso, o estímulo à formação cultural. Um desses poucos exemplos é a UFRJ, aonde os estudantes de pedagogia devem ir a um evento cultural por mês (que pode ser desde um balé até um show popular) e, ao fim, registrar suas impressões da atividade.

A própria escola pode intervir para capacitar os profissionais, contemplando todos os funcionários. Encontros que promovem a discussão e convivência do grupo – incluindo professores, merendeiros, coordenadores, auxiliares de limpeza, estagiários – facilitam o diálogo dentro da escola e o sentimento de valorização da equipe.

Ter o primeiro contato com a cultura formal muitas vezes funciona como despertar para que cada um busque aumentar seu próprio repertório fora da escola. O importante é que todos sejam incluídos e tenham momentos para refletir sobre a experiência, para que ela se reverta em qualidade de vida e de trabalho.

Traga a cultura para a escola

Leve cultura para dentro da escola: planeje oficinas, filmes ou palestras entre os funcionários para dar espaço à criatividade e ao diálogo (foto: Art and Reiki)

Leve cultura para dentro da escola: planeje oficinas, filmes ou palestras entre os funcionários para dar espaço à criatividade e ao debate (foto: Art and Reiki)

Uma alternativa que não pesa no bolso da escola é promover encontros em seu próprio espaço: palestras, sessões de cinema e pequenas apresentações musicais, por exemplo, podem acontecer no pátio, no ginásio ou em uma sala de aula. Projetos da comunidade ou mesmo empresas privadas podem ser contatadas para participar, arcando com parte dos gastos.

Outra possibilidade é organizar oficinas, tanto com convidados especiais (artistas, músicos, escritores, atores) quanto com os próprios membros da equipe da escola, que podem se oferecer para compartilhar algo com os colegas. A gestão deve abrir esse canal de comunicação e incentivar a participação dos funcionários.

Excursões com a turma

Algumas escolas já incluem outros funcionários nos passeios da escola. É claro que não é possível levar grandes grupos de uma vez, mas, criando um rodízio, a participação de todos é garantida sem que os serviços de limpeza, cozinha ou segurança sejam interrompidos. Que tal disponibilizar uma lista para que cada profissional assinale em quais passeios está mais interessado? Além do horário de trabalho e das excursões, a vontade de ir pode ser outro critério na elaboração do cronograma.

A vantagem desse modelo é que, além de apresentar peças teatrais, exposições em museus ou galerias para quem tem poucas oportunidades de aproveitá-los, fortifica-se o vínculo entre a equipe e as crianças. Um dia de cultura ou entretenimento permite que eles passem mais tempo juntos, troquem ideias e conheçam outras perspectivas.

Só para gente grande

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo - Museu da Língua Portuguesa)

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo – Museu da Língua Portuguesa)

Uma vez por semestre ou por ano, conforme a agenda da escola permitir, organize uma saída apenas para os adultos. Reúna diretores e coordenadores, professores e demais funcionários em um final de semana com destino a um evento cultural na cidade.

Antes de sair, organize um momento de encontro para que todos troquem expectativas, informações e curiosidades sobre o que vão assistir. O mesmo pode ser repetido ao fim da experiência, para incentivar o diálogo entre profissionais que, rotineiramente, não trabalham juntos ou têm pouco tempo para conversar. Ainda que alguns pareçam tímidos no começo, faça perguntas a pessoas específicas para que elas ganhem confiança ao participar ativamente do debate. Garanta um ambiente acolhedor e informal, justamente para que a equipe se conheça melhor.

Compartilhem sugestões

Sugira que os funcionários mantenham um caderno cultural – um diário em que podem colar os bilhetes de entrada ou fotos de suas programações culturais, escrever suas impressões ou dar dicas de livros e filmes.

Esse caderno pode ser mantido ao longo de todo o ano letivo ou ser usado apenas nas férias, por exemplo. Se essa for a opção, realize uma dinâmica com o material assim que as aulas voltarem: que tal criar murais, trocar cadernos ou cada um contar qual foi a experiência mais marcante?

Clube do livro

Literatura deve ter um momento na rotina! Ler livros exercita a empatia e o conhecimento, dentre vários outros benefícios (foto: Gwen Hernandez)

Literatura deve ter um momento na rotina! Ler livros exercita a empatia e o conhecimento, dentre vários outros benefícios (foto: Gwen Hernandez)

Infelizmente, pesquisas já mostraram que menos de 50% dos professores brasileiros de Educação Básica têm a leitura de livros como hábito. Ler textos não relacionados à profissão é essencial para a formação do professor, e traz benefícios não só para sua prática pedagógica como para sua vida pessoal. Quem lê literatura desenvolve mais empatia, têm uma mente mais aberta a novas ideias, mais capacidade de concentração e melhor vocabulário, dentre várias outras vantagens.

Além disso, é claro, é preciso um professor leitor para criar novos leitores. As crianças têm chances maiores de se apaixonar pela leitura quando influenciadas positivamente pelos professores!

Sendo assim, proponha reservar uma ou duas horas de hora-atividade para a leitura de literatura. A equipe pode selecionar, mensal ou bimestralmente, um livro em comum, que todos possam terminar e discutir. Outra sugestão: por que cada funcionário não fica responsável por trazer um livro diferente e eles vão trocando de mãos ao longo do ano, até que todos tenham acesso a cada um deles?

Colocando em prática

  • Várias cidades possuem leis que dão descontos a educadores: 20% em livrarias, meia-entrada em cinemas e teatros, etc.. Basta informar-se no site da sua prefeitura.
  • Mesmo que não haja descontos, muitos centros culturais, museus, cinemas e teatros liberam um dia de entrada gratuita ou meia-entrada para todos. Ligue para esses locais para descobrir quando a visita é mais barata.
  • Empresas privadas podem ser parceiras na hora de conseguir ingressos ou transporte mais em conta. A secretaria do município e outros órgãos da prefeitura podem oferecer possibilidades de transporte para a escola.
  • Siga sites de agenda cultural da sua cidade, como a Agenda Cultural Catraca Livre, por exemplo. Além de saber tudo o que está acontecendo, eventos gratuitos sempre são divulgados.
  • Crie um mural ou caixa de sugestões para que os funcionários digam o que gostariam de conhecer e tente colocar pelo menos algumas ideias em prática todo ano.

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O pior erro que um professor pode cometer

Sim, as dificuldades existem (e, às vezes, são muitas), mas o professor sempre tem a possibilidade de transformar a vida das crianças e superar adversidades (foto: The Harbinger)

Carreira/Formação/Rotina pedagógica
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O pior erro que um professor pode cometer

Os pais não se importam. Você trabalha em um bairro difícil. Você não recebe apoio algum da administração.

Seus alunos não têm nenhuma responsabilidade ou limite em casa. O Pedro, a Carla ou o Antônio estão na sua turma esse ano (e toda a escola sabe como eles causam problemas)!

Você é “só” o professor substituto. A sua classe tem crianças demais. E a sala de aula é muito pequena.

Você tem crianças que falam demais, alunos que desafiam, outros com dificuldades de atenção. Há aquelas duas crianças que – você tem certeza – nenhum professor do mundo vai conseguir controlar, quanto mais educar.

Os obstáculos que você enxerga interferindo no sucesso de suas aulas podem parecer muito reais. Podem ser assustadores. Podem até mesmo parecer intransponíveis. Eles parecem ser razões perfeitamente válidas para não atingir a qualidade de ensino que você gostaria.

Mas isso não é verdade.

É claro que eles existem. Porém, de forma alguma, eles devem ser bloqueios para uma aula incrível. Não são barreiras para um comportamento adequado, nem podem impedi-lo de transformar suas crianças em uma turma maravilhosa.

A não ser, é claro, que você acredite que sim. A não ser que você caia na tentação de culpar as circunstâncias externas, de apontar dedos para os outros, de jogas as mãos ao alto e concluir que “não havia nada que eu pudesse fazer” para superá-los.

Veja bem, o pior erro que você pode cometer enquanto professor – um professor que cuida e se preocupa – é criar desculpas para uma aula insatisfatória.

Sim, as dificuldades existem (e, às vezes, são muitas), mas o professor sempre tem a possibilidade de transformar a vida das crianças e superar adversidades (foto: The Harbinger)

Sim, as dificuldades existem (e, às vezes, são muitas), mas o professor sempre tem a possibilidade de transformar a vida das crianças e superar adversidades (foto: The Harbinger)

Porque, assim que você começa a fazer isso, assim que você começa a procurar para além de si mesmo para justificar porque seus alunos são como eles são, você subestima sua capacidade de transformar qualquer coisa.

Subconscientemente, o professor declara que não tem jeito, eles são assim mesmo, fim. E, inevitavelmente, seu comportamento e suas atitudes comunicam às crianças que você já desistiu delas. Elas sabem – cada uma delas, em sua turma, percebe quando o professor entregou os pontos. Não importa o quanto você tente, não há como esconder.

Assumir responsabilidade por tudo o que acontece em sua sala de aula, por outro lado, é um ato de profundo empoderamento. É como um maremoto que vai inundá-lo com uma reserva infinita de confiança, liderança e habilidade para acessar a turma.

Você vai se sentir diferente – e vai agir diferente. E isso transparece, também é algo que não se pode esconder.

Infelizmente, enumerar desculpas e mais desculpas para porque sua classe é incontrolável ou porque aquela criança não se comporta ou uma outra não consegue aprender parece epidêmico entre professores. Em muitas escolas, é comum ouvir professores buscando apoio para suas justificativas, procurando alguém que concorde com suas conclusões para isentá-los de responsabilidade.

Ouvimos queixas sobre salas de aula lotadas, desrespeito descarado e pouquíssimo suporte da coordenação ou administração escolar. Sem dúvida, esses fatores existem – mas não são insuperáveis, de maneira alguma! Na verdade, ainda não encontramos uma única situação difícil enfrentada pelo professor que não pudesse ser drasticamente melhorada.

A verdade é que você pode atingir a experiência de ensino que deseja. É possível se sentir energizado e satisfeito ao invés de desmoralizado ao final do dia.

Você realmente pode ser aquele professor especial do qual seus alunos vão lembrar para sempre, aquele que acreditou que eles eram mais do que as más opiniões alheias, mais do que seu passado, mais do que o ambiente em que cresceram. Mais do que um punhado de desculpas.

Não importa aonde você trabalha, quem entrou na sua classe esse ano ou se sua coordenadora nunca deu um passo para dentro da sala de aula. Você consegue. Você pode ter a turma que sempre quis. E você pode continuar amando sua profissão.

Contudo, você não deve, nunca, desistir ou recuar. Nunca decida o futuro de uma criança por causa do lugar aonde ela é criada, quem são seus pais ou mesmo o quão terrível é o comportamento dela naquele momento. Nunca, nunca, nunca.

Ao invés disso, decida que cada criança com a qual você tiver contato tem a possibilidade de aprender. Todas elas podem se comportar. Cada uma delas pode amar a escola.

Você será a pessoa certa, na hora certa e no lugar certo para mostrar a elas que é possível.

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Esse texto é uma tradução do artigo “The Worst Mistake a Teacher can Make”, do site Smart Classroom Management. Clique aqui para ler o original!

Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Desenvolvimento Infantil/Rotina pedagógica/Semanários/Formação
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Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Todo professor se propõe a planejar o seu dia, as suas atividades – mas como fazê-lo quando este planejamento não se refere apenas a ele mesmo, mas a todas as crianças que estão, por boa parte do dia, sob sua responsabilidade? Cada uma tem uma vontade, um desejo e está em um estado de busca. Quando a proposta é fazer um planejamento que parte destas vontades, desejos e buscas, o educador muitas vezes sente como se estivesse tentando planejar o imprevisível.

Como escolher o que entra no planejamento?

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

O professor que tem a preocupação em orientar sua turma tem que estabelecer um ponto de partida. Se as singularidades de suas crianças são importantes, ótimo: esse ponto de partida já esta estabelecido.

São elas. Tudo começa com observar e escutar sua turma e o que brota nos momentos da rotina: as ações mais procuradas, os interesses, as demandas, as pesquisas e descobertas, os assuntos que estão bombando entre as crianças.

Leia mais sobre esse tema no nosso post Personalização do Ensino na Educação Infantil.

O olhar do professor ao observar seu grupo não é um olhar à toa, à espera de que algo chame sua atenção para, só depois, despertar interesse. É um olhar intencional, preparado. Juntamente com a observação está a pauta do olhar, ou o motivo do olhar, elaborada pelo professor para orientá-lo naquilo em que vai prestar atenção. Afinal, as crianças são muitas e vários são os interesses.

A elaboração da pauta do olhar está intimamente ligada ao planejamento do professor, ao seu modo de trabalhar.  Um jeito possível de trabalhar com a (in)formação começa por perguntar. É provocar o olhar e a escuta para ativar a percepção e despertar a curiosidade.

  • O que as crianças fazem com maior frequência? (que movimentos corporais fazem com maior prazer, em quais encontram dificuldades?)
  • Quais os brinquedos e brincadeiras são mais solicitados?
  • Como elas se articularam? Quem brincou com quem? Quem não quis brincar?

Além disso, é preciso deixar espaço para olhar o olhar individual.

  • Quais as crianças serão observadas com maior atenção neste dia ou durante esta atividade? Quais os seus interesses? Estão buscando um desafio?

Um cuidado especial pode ser garantir um olhar para o uso dos espaços e dos materiais utilizados.

  • Como foi o envolvimento e a participação das crianças nestes espaços (parque, refeitório, quadra, área externa, sala de referência) e quais os materiais explorados?
  • Eles preferem os materiais não estruturados?

A partir das respostas a estas e outras perguntas pertinentes à sua turma, você terá anotações e informações importantes para ampliar os desafios oferecidos para as crianças. Estas respostas são alguns elementos deste seu planejamento.

Quais outras fontes de informação você possui?

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Você fez o registro das propostas anteriores neste ou em outros espaços da creche. Você tem uma fonte preciosa de informações e anotações sobre as pesquisas, descobertas, interesses e hábitos de cada um de sua turma. Alguém vai sempre para o mesmo brinquedo? Você já se perguntou o porquê? Há crianças que nunca usam algum brinquedo ou realizam alguma atividade? Novamente, você sabe por quê?

É claro que ninguém tem memória para guardar tudo o que vê e vivencia nas 10 horas da rotina, multiplicadas pelas 20 ou mais crianças da turma! Por isso a importância dos registros de acordo com a realidade da turma. Os registros contém tudo aquilo que o educador percebe – anotações, fotos, caderno de registros, produções dos alunos. Eles revelam as descobertas, as dificuldades, as conquistas e as possibilidades de cada criança e do grupo, e são sua matéria-prima para o próximo planejamento.

O que essas informações significam?

Com as respostas relacionadas às questões sobre os interesses atuais das crianças, mais os registros das atividades anteriores, mais os desafios identificados, você se pergunta: quais os encaminhamentos que essas informações indicam?

Sua resposta está em refletir e avaliar sobre quais dificuldades foram identificadas no grupo ou em uma criança e, a seguir, quais ajustes deverão ser feitos no tempo e na estrutura das respostas. E aí, bingo! Chegamos ao planejamento interessante, estimulador, adequado e repleto de possibilidades e brincadeiras. Não tem como dar errado!

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Fonte: Tempo de Creche

Por que a inovação não chega nos professores?

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria no palco e na plateia (foto: Friendship Circle)

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Por que a inovação não chega nos professores?

Há poucos meses, fiz minha mudança para São Paulo. Por vários motivos, entre eles estar mais próxima da Eduqa.me e começar uma pós-graduação com foco em tendências para a educação no novo milênio. Mais do que nunca, consegui ver que o nosso cenário de ensino-tradicional-com-todos-sentadinhos-em-silêncio está se transformando: há bate-papos, palestras, debates, seminários, aulas com especialistas de todo país e do exterior explorando metodologias alternativas, sejam elas sustentáveis, tecnológicas, democráticas, lúdicas, de desenvolvimento integral.

É incrível fazer parte dessa mudança, mas algo nunca falha em chamar minha atenção – onde estão os professores?

A maioria desses eventos reúne entusiastas das mais diversas áreas, em especial do terceiro setor. Jornalistas aos montes, empreendedores, alguns gestores e diretores de escolas, integrantes de organizações sociais – esse pessoal está lá. Professores, contudo, são minoria na plateia. Tomo como exemplo alguns dos encontros de que participei desde agosto, dentre eles o Transformar 2015 e o Fala Sampa na Virada Sustentável.

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria no palco e na plateia (foto: Friendship Circle)

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria, tanto no palco quanto na plateia (foto: Friendship Circle)

Não que a educação não seja responsabilidade de todos. Aliás, fico feliz em ver mais grupos se dedicando ao projeto de um ensino de qualidade, mobilizando comunidades e experimentando novos modelos dentro e fora da escola. Mas questiono o poder de uma mudança que não chega à maioria das salas de aula, àqueles adultos que estão de fato com as crianças diariamente e têm a oportunidade de inspirá-las (ou não) com suas atitudes.

Ter empresários e pesquisadores envolvidos na educação nos dá uma lista de hipóteses, testes e teorias; todas, infelizmente, muito pontuais. Tanto que qualquer proposta um pouquinho fora da caixa logo vira notícia: elas não são o comum, a maioria, o que todas as escolas estão fazendo. Quantas Casas Redondas ou Projetos Gente você conhece no seu bairro, na sua cidade? Com certeza, não o suficiente.

Tive um professor na universidade que costumava dizer que nós não mudamos nada pelo lado de fora. Só se muda de dentro para fora. Você tem que estar dentro do sistema e entendê-lo para saber quando e como a mudança faz sentido. Ele disse isso em outro contexto, discutindo o jornalismo e a grande mídia, embora faça todo o sentido aqui. Os professores estão lá dentro. Eles veem, dia sim outro também, as falhas, as virtudes e os desafios do nosso sistema educacional. Percebem o que a turma aprende e deixa de aprender, quais atividades engajam e são um sucesso, quais são tediosas e se tornam obrigatórias só “para passar de ano”.

Por que, então, não há mais professores aprendendo sobre suas possibilidades?

De alguma forma, duvido que seja falta de interesse. Apesar de alguns maus profissionais, a grande, grande maioria dos professores que conheci eram pessoas apaixonadas por seus trabalhos, dedicadas aos seus alunos e a garantir o melhor aprendizado possível.

Uma pesquisa da Fundação Lemann, destinada a traçar um perfil do professor brasileiro, mostrou que suas principais motivações são presenciar um momento em o aluno realmente aprende algo e o senso de responsabilidade social. Esse não me parece o perfil de alguém desinteressado.

Falta de tempo? Falta de incentivo? Ceticismo quanto às novidades que prometem revolucionar a educação – com ou sem tecnologia?

A opinião do professor - justamente aquele que está em sala de aula diariamente - ainda é pouco ouvida por governo e mídia (foto: Education Career Articles)

A opinião do professor – justamente aquele que está em sala de aula diariamente – ainda é pouco ouvida por governo e mídia (foto: Education Career Articles)

Não se sabe – e esse é outro lado do problema. Quem está efetivamente ouvindo os professores? A mídia não está. Uma pesquisa feita pela ONG Observatório da Educação analisou matérias e reportagens por dez anos e concluiu que quem menos fala sobre educação… É o professor. Jornalistas entrevistam governantes, especialistas, acadêmicos, historiadores, pesquisadores, economistas – mas pouquíssimos conteúdos trazem a opinião do professor sobre os temas em questão.

Isso não é uma forma de apontar dedos e culpar a mídia: eu me formei jornalista e entendo que há uma série de motivos que podem explicar esse cenário, e nem todos responsabilidade do repórter que vai para a rua.

A privacidade das escolas, o desconhecimento sobre leis e a autoestima do professor foram fatores que vieram à tona no estudo acima, que você pode conferir aqui. Ainda assim, não exclui o fato de que não sabemos o que justamente esses adultos responsáveis por educar, orientar, influenciar, cuidar (e etc., etc., etc.) novas gerações pensam sobre o trabalho deles. O trabalho deles.

Qual mudança no modelo educacional não passa pelos professores? Conseguiu pensar em alguma? Porque eu, não. E se há algo que a experiência na Eduqa.me me ensinou é que não se pode criar nada sem antes conhecer bem, conhecer a fundo e intimamente o público a quem se destina. A educação só funciona com professores, quaisquer que sejam os papéis definidos para eles.

Portanto, precisamos começar a investir neles.

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Currículo integral: Qual o novo papel do professor de Educação Infantil?

A educação holística não exclui as áreas de conhecimento, mas amplia as experiências (foto: Tom's of Maine)

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Currículo integral: Qual o novo papel do professor de Educação Infantil?

O currículo integral demanda um olhar sobre todos os aspectos do desenvolvimento da criança: não só o aprendizado em determinadas áreas de conhecimento, mas também seu crescimento físico, emocional e social. Para conseguir esse enfoque diferenciado, porém, a escola precisa investir na formação de professores, assim como em na estrutura física – a organização do espaço, os materiais usados e a rotina, por exemplo, podem ajudar ou impedir uma educação integral.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei essa entrevista com a especialista em Educação e Direitos Humanos Janaina Maudonnet para o blog Tempo de Creche, em que ela explica como o professor deve acompanhar essa tendência.

O que é o currículo para a Educação Infantil?

Janaina: Ao tratarmos de currículo na Educação Infantil, estamos falando do modo de organizar as práticas educativas: os espaços, as rotinas, os materiais que disponibilizamos às crianças, as experiências com as linguagens verbais e não verbais que lhes serão proporcionadas e os modos de acolhimento na instituição.

A forma como organizamos essas práticas tem por trás ideias sobre a finalidade da educação, a maneira como os sujeitos aprendem, o que se deseja que eles aprendam, que tipo de homem queremos formar e para qual tipo de sociedade. Trata-se de uma prática complexa, que necessita de permanente reflexão por parte dos adultos que a oferecem.

O que nos dizem as Diretrizes Curriculares Nacionais sobre currículo?

Janaina: As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil apontam a necessidade de considerar os saberes, as curiosidades e as manifestações infantis na organização curricular. Nas bases dessas Diretrizes está uma concepção integral – ou holística – de currículo.

O currículo integral – ou holístico – tem como pressuposto que a aprendizagem se dá ao longo da vida e que o currículo deve apoiar o desenvolvimento e os interesses das crianças. As brincadeiras, as interações e os projetos realizados através da escuta atenta e da consideração das manifestações infantis são os pilares. A criança é um todo: corpo, mente, emoção, criatividade, história e identidade social. As áreas do conhecimento não são excluídas, mas o currículo é aberto e global, trabalha-se a partir de um amplo projeto que abarca múltiplas experiências. Os projetos envolvem três pilares: linguagem, negociação e comunicação e tem como eixo a investigação e a construção de hipóteses.

A educação holística não exclui as áreas de conhecimento, mas amplia as experiências (foto: Tom's of Maine)

A educação holística não exclui as áreas de conhecimento, mas amplia as experiências através de projetos (foto: Tom’s of Maine)

Como o trabalho cooperativo ajuda no desenvolvimento de um currículo integral – ou holístico?

Janaina – O trabalho cooperativo é um forte princípio do currículo holístico. Acredita-se que as crianças aprendem a gostar de trabalhar juntas e partilhar ideias. Por isso, as iniciativas e as produções de significados das crianças são encorajadas.

O trabalho nessa perspectiva exige uma maior complexidade na formação e ação dos professores. Exige o aprendizado de uma escuta atenta das crianças nos diferentes momentos da rotina e uma ampla formação cultural para oferecer experiências que ampliem os conhecimentos infantis. Ampliar nossa formação nas diferentes linguagens expressivas – dança, música, artes visuais, escrita, ciências, matemática, etc. –  ajuda a criar repertório e oferecer propostas mais ricas e plenas de sentido para as crianças, desde que estejam conectadas com os sujeitos concretos com as quais trabalhamos cotidianamente.

Em geral, nos estágios na formação inicial, somos orientadas a observar a didática do professor e as atividades oferecidas, mas pouco refletimos sobre os saberes e manifestações das crianças. Trata-se de uma ampliação de olhar, na qual é preciso observar não só o que é oferecido à criança, mas de que maneira ela se relaciona com essa prática, como recebe as propostas e o que nos revela através de palavras, gestos, empolgação e recusas.

Ouvir as crianças e compreender seus interesses e necessidades é uma das bases para um currículo integral de qualidade (foto: Pittsburgh Mommy)

Ouvir as crianças e compreender seus interesses e necessidades é uma das bases para um currículo integral de qualidade (foto: Pittsburgh Mommy)

No texto: “Aprendendo a ser professora de bebês”, Andressa Celis Souza e Vanilda Weiss descrevem como foram aprendendo a escutar os bebês e transformando suas práticas a partir desse exercício. Uma atividade oferecida às crianças de 8 meses a dois anos foi pintar, com tinta, flores previamente recortadas por elas para enfeitar a instituição por ocasião da primavera. As crianças se interessaram muito mais pela experiência de sentir a tinta, tocar, esparramar, do que pela realização da comanda dada pelas educadoras, o que gerou primeiramente uma sensação de frustração, e em seguida um questionamento sobre as razões da reação das crianças. Essa experiência possibilitou que as educadoras percebessem que outro encaminhamento era necessário.

Em um segundo momento ofereceram novamente a tinta às crianças, mas dessa vez em uma exploração muito mais livre, com um amplo espaço para que pudessem explorar as tintas e materiais de apoio (rolo, pincéis,…). As crianças ficaram por muito tempo nessa atividade, explorando as misturas das cores, sentindo as texturas, observando as reações da tinta no papel, o que revelou às educadoras que as crianças pequenas aprendem a partir da movimentação corporal em espaços amplos e desafiadores.

O que o currículo integral – ou holístico demanda do professor?

Janaina – O trabalho sob a perspectiva de um currículo integral exige que adotemos atitudes de disponibilidade e escuta para o outro, além de um desejo profundo de compreender como as crianças aprendem e se relacionam com o mundo. Nossa formação ainda é muito centrada na atividade e pouco nas crianças, todavia, como afirma Maria Lucia Machado:  (…) o pedagógico não está na atividade em si, mas na postura do educador, uma vez que “não é a atividade em si que ensina, mas a possibilidade de interagir, de trocar experiências e partilhar significados é que possibilita às crianças o acesso a novos conhecimentos”.

Fotografar, filmar a reação das crianças enquanto lhes são oferecidas as propostas educativas e analisar coletivamente – com nossos colegas – essas manifestações, ajuda-nos a sair do senso comum, nos aproximar das teorias estudadas e produzir conhecimento sobre a infância e educação infantil. Essa documentação dos fazeres infantis é um caminho fundamental para qualificarmos nossas práticas e oferecer cada vez melhores experiências para as crianças. Significa assumir que não sabemos tudo e que somos permanentes pesquisadores e experimentadores da nossa prática.

Registre!

Na Eduqa.me você consegue fazer planos da rotina da semana, registro de atividades, perfil das crianças, relatórios e compartilhamento com a família.

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Fonte: Tempo de Creche

5 atitudes positivas para garantir uma reunião de pais e professores de sucesso

Sempre há algo de positivo a ser dito sobre qualquer criança. Procure essa informação e use-a para abrir a reunião (foto: Daily Genius)

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5 atitudes positivas para garantir uma reunião de pais e professores de sucesso

Este artigo é uma tradução de “Tips for Parent Teacher Conferencing”, do Edutopia (clique aqui para ler o original).

Todo outono, eu compareço a uma reunião de pais e professores pelo meu filho. Também gasto um tempo considerável treinando professores e os preparando para essas reuniões com os pais. Tendo essas duas perspectivas opostas sobre o tema, imaginei que poderia dividir algumas reflexões que farão com que o encontro seja significativo e recompensador para todos os envolvidos.

Sempre há algo de positivo a ser dito sobre qualquer criança. Procure essa informação e use-a para abrir a reunião (foto: Daily Genius)

Sempre há algo de positivo a ser dito sobre qualquer criança. Procure essa informação e use-a para abrir a reunião (foto: Daily Genius)

Aproxime-se dos pais com notícias positivas 

Os pais das crianças são seus amigos – eles querem ser parceiros no trabalho. Eles também querem ver seus filhos serem bem sucedidos acima de qualquer outra coisa.

Reuniões com pais podem até ser uma oportunidade para que você confirme suas crenças sobre como o aluno é educado em casa e reflita sobre elas; mas, ainda que você tenha dúvidas quanto aos métodos deles, deixe-as de lado. Faça com que todos os pais se sintam bem-vindos e os acolha como fortes aliados para trabalhar com a criança.

Prepare-se, prepare-se, prepare-se

Qual sua meta ou objetivo para esse tempo passado com os pais? O que exatamente você espera comunicar? Quais resultados você gostaria que a reunião trouxesse?

Aqui está um exemplo: Meu objetivo na reunião da Maria é que a mãe dela perceba o desenvolvimento que ela apresentou na escrita durante o semestre, além de determinar algumas formas para que ela seja mais organizada. Também quero ouvir a perspectiva da mãe quanto aos desafios sociais que Maria está enfrentando.

Então, prepare o material. Carregue anotações, atividades e amostras de trabalho – porém, planeje com antecedência quais quer compartilhar. Não sente-se diante dos pais com uma pasta imensa, transbordando de exercícios. Selecione, com post-its, os itens mais relevantes, que demonstram melhor o crescimento da criança, e escreva suas próprias reflexões para acompanhá-los.

Procure a solução em conjunto

Seja específico ao pedir mudanças. Dizer aos pais que “o Pedro é muito distraído” é inútil. O que o pai ou a mãe (que não estão sentados ao lado da criança o dia inteiro) podem fazer com essa informação? Como podem ajudar o filho ou o professor?

Seja qual for o apoio solicitado aos pais, ele deve ser algo dentro das capacidades deles. Pedir que “falem com o Pedro para que se concentre mais nas aulas” é possível, mas os pais podem falar e falar e, ainda assim, os resultados serão limitados.

O professor poderia dizer: Eu estou preocupada porque seu filho costuma se distrair ao trabalhar individualmente na minha aula. Isso é o que eu estou fazendo para ajudá-lo… Vocês percebem esse comportamento em casa? Têm outras ideias que podemos tentar? O que acham que pode ser feito em casa?

Sempre tenha a evolução da criança em foco. Qualquer comportamento pode mudar caso encontre as condições adequadas. Portanto, se quiser ver mudanças ou tiver preocupações quanto a um aluno, prepare-se para oferecer soluções práticas e específicas àquele problema.

Sempre há algo de positivo a ser dito sobre qualquer criança. Procure essa informação e use-a para abrir a reunião (foto: Skimon)

Dê sugestões práticas para corrigir problemas ou mudar comportamentos. Trabalhe em conjunto com os pais para atingir um objetivo (foto: Skimon)

Use a oportunidade para aprender

O que pode ser perguntado aos pais que vá ajudar o professor a lidar melhor com as crianças? O que você gostaria de saber sobre elas?

Caso essa seja a primeira vez em que você se senta com os pais, essa é a chance de ouvi-los. Você pode descobrir qual a perspectiva deles quanto à experiência escolar dos filhos, o que eles gostam de fazer fora da escola ou as preocupações que têm com relação à criança. Pense com antecedência no que gostaria de perguntar.

Mostre que se importa

Para os pais, a reunião pode ser maravilhosa ou terrível. Como mãe, já me vi sentada diante de professores cujos sentimentos eu não conseguia identificar – e, por isso, perguntei-me se eles se importavam realmente com meu filho, tanto como ser humano quanto como aluno. Por outro lado, também encontrei professores que me fizeram querer pular e abraçá-los, porque a preocupação e envolvimento deles era evidente.

Não subestime o poder de ser positivo e procure orientar toda a reunião com esse tom. Seja específico ao compartilhar informações positivas – conte histórias da sala de aula e apresente atividades. Mostre que está realmente satisfeito com esses resultados (os pais perceberão elogios vazios!).

E lembre-se de que sempre, sempre há algo bom e digno de elogio na trajetória de qualquer criança. Faz parte do trabalho do professor encontrá-lo e dividi-lo com os pais.

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Este artigo é uma tradução de “Tips for Parent Teacher Conferencing”, do Edutopia (clique aqui para ler o original).