Déficit de atenção: estratégias de apoio à aprendizagem
Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo
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Déficit de atenção: estratégias de apoio à aprendizagem

O déficit de atenção é um distúrbio neurobiológico que afeta o funcionamento do cérebro em áreas que comandam, por exemplo, a capacidade de planejamento de tarefas e a memória de trabalho, causando sintomas como desatenção, agitação (hiperatividade) e impulsividade.

O TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) é uma condição de saúde que afeta em maior prevalência crianças em idade escolar menores de 12 anos de idade e se manifesta em taxas mais altas entre meninos. Entretanto, hoje, falaremos apenas dos sintomas que se referem ao déficit de atenção.

Os problemas de aprendizagem têm sido combatidos de forma muito errônea em algumas situações, alimentando os seguintes comportamentos:

  • Medicalização exagerada como “resolução” dos problemas que envolvem o aprender;
  • Diagnósticos sem fundamento: crianças com rótulos de doenças e distúrbios que não possuem;
  • Bullying: criação de papéis indevidos  (“o lerdinho, o bobo, no mundo da lua”, entre outros).

Através de conhecimento e atitudes responsáveis é possível minimizar essas ocorrências que, por consequência, prejudicam a qualidade de vida das crianças e de suas famílias. Assim, é preciso entender como os sintomas de déficit de atenção se manifestam.

Crianças COM diagnóstico de déficit de atenção apresentam os comportamentos abaixo:

Caso a criança apresente mais de seis sintomas da lista - como deixar tarefas incompletas, esquecer seus pertences com muita frequência ou se distrair com facilidade - é indicado encaminhá-la a um psicopedagogo (foto: The Guardian)

Caso a criança apresente mais de seis sintomas da lista – como deixar tarefas incompletas, esquecer seus pertences com muita frequência ou se distrair com facilidade – é indicado encaminhá-la a um psicopedagogo (foto: The Guardian)

  • Freqüentemente deixam de prestar atenção a detalhes;
  • Cometem erros por descuido;
  • Dificuldades em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
  • Parecem não escutar quando lhe dirigem a palavra;
  • Não seguem instruções;
  • Não fazem tarefas escolares ou tarefas domésticas;
  • Apresentam desorganização e tarefas incompletas;
  • Interrompem conversas e brincadeiras;
  • Não se envolvem em tarefas de esforço mental;
  • Distraem-se por estímulos externos à tarefa ( ruídos, conversas…);
  • Esquecem trabalhos e/ou objetos pessoais;
  • Perdem coisas (livros, lápis e etc).

Ou seja: a criança possui fatores neurobiológicos que interferem no funcionamento da aprendizagem, o que se caracteriza por déficit de atenção.

Contudo, é curioso pensar em onde traçar a linha que separa crianças diagnosticadas com o déficit de atenção e crianças sem o diagnóstico, mas que possuem sintomas muito semelhantes. Veja alguns fatores que podem produzir dificuldades na atenção sem que isso signifique um transtorno de aprendizado:

Fatores sociais e afetivos que interferem na aprendizagem:

Fatores externos, como conflitos familiares ou agendas sobrecarregadas, podem atrapalhar a atenção da criança - mesmo que ela não tenha déficit de atenção (foto: Randox)

Fatores externos, como conflitos familiares ou agendas sobrecarregadas, podem atrapalhar a atenção da criança – mesmo que ela não tenha déficit de atenção (foto: Randox)

  • Crianças com agendas de “executivos” vivem cansadas, desatentas, sonolentas e sem vontade de aprender;
  • Famílias em conflito, em separação ou passando por mudanças profundas, como o nascimento de um irmão, podem ocasionar na criança a dificuldade em manter a atenção, em escutar o que lhe dizem ou mesmo fazer com que cometa erros por descuido;
  • Morte na família pode “desligar” a criança do mundo real;
  • Crianças que não dormem direito, seja por dificuldades particulares, seja por falta de rotina, podem esquecer trabalhos escolares, objetos pessoais e não se envolver em atividades de esforço mental (já que estão cansadas);
  • Crianças que trabalham ou não se alimentam de forma adequada possivelmente terão a atenção e a concentração comprometidas;
  • Salas de aula e materiais escolares com muito estímulo visual podem atrapalhar a atenção. Exemplos: lápis de escrever com ponteira de bichinho ou personagem de preferência da criança, borracha com formato de um desenho preferido. Vale lembrar que este item está ligado aos exageros e em como cada criança poderá reagir a eles;
  • A criança quer expressar seus sentimentos, mas não sabe como, então, deixa de fazer os trabalhos escolares, esquece ou perde coisas propositalmente;
  • Interrompem conversas e brincadeiras, pois querem ser ouvidos ou chamar a atenção de alguém.

Nesse caso, a criança exibe sintomas de desatenção sem alteração biológica.

Quando encaminhar uma criança com suspeita déficit de atenção para um psicopedagogo?

É preciso atuar em parceria com a família: a criança demonstra esses sintomas em outros ambientes ou apenas na escola? (foto: Host Madison)

É preciso atuar em parceria com a família: a criança demonstra esses sintomas em outros ambientes ou apenas na escola? (foto: Host Madison)

Se a criança demonstrar seis ou mais dos sintomas listados, o professor deve formalizar um encaminhamento para um psicopedagogo, para que este atue em parceria com outros profissionais (incluindo o próprio professor) na busca pelo diagnóstico preciso. O psicopedagogo ainda pode realizar intervenções para minimizar os sintomas da desatenção e melhorar a aprendizagem da criança. Além disso, os sintomas devem ser observáveis em mais de um contexto (casa, escola, parques, etc).

As dificuldades de uma criança com este distúrbio já aparecem antes mesmo do ingresso à escola, mas ficam, de fato, evidentes quando as crianças experimentam o espaço escolar, devido às exigências cognitivas e atividades dirigidas que lhes são propostas.

Qualquer criança pode apresentar sintomas de desatenção ainda que não tenha o distúrbio. O próprio comportamento dos adultos cultiva certas atitudes infantis: como as pessoas estão cada vez mais apressadas, sem tempo, ansiosas, isso se reflete de alguma forma nas crianças. Por isso, lembre-se que é importante:

Conhecer cada aluno – Fazer parcerias com as famílias – Ter conhecimento sobre problemas que envolvem a aprendizagem.

O diagnóstico de déficit de atenção é feito por um profissional da área médica, com conhecimentos pediátricos de avaliação psicossocial e saúde mental, como, por exemplo, um médico neurologista ou psiquiatra. O professor também é uma figura primordial desde o momento inicial de investigação, até o processo de confirmação do diagnóstico de déficit de atenção, já que um professor com um olhar atento apoia o diagnóstico precoce, contribuindo com o desenvolvimento da criança, extinguindo ou reduzindo incidências de bullying e diagnóstico sem fundamento.

Como facilitar a aprendizagem de crianças com déficit de atenção?

Evite apelidos pejorativos e reações irritadas ("anda logo", "fica quieto", etc.). Ao invés disso, motive (foto: Preschool Matters)

Evite apelidos pejorativos e reações irritadas (“anda logo”, “fica quieto”, etc.). Ao invés disso, motive (foto: Preschool Matters)

Se o seu aluno apresenta déficit de atenção ou mesmo características do distúrbio devido a questões socioafetivas, anote algumas estratégias que lhe poderão ser muito úteis:

1. Crianças com déficit de atenção necessitam da repetição de exercícios, de instruções e também de um tempo maior para reter e processar uma nova informação. Assim, é possível melhorar a capacidade de trabalho da memória.

2. Outra sugestão para aumentar o tempo de atenção e concentração é estruturar uma gama de atividades diferentes com um mesmo objetivo para serem exploradas durante o período escolar. Exemplo: iniciar uma atividade de escrita sobre um determinado conteúdo, depois, utilizar o material concreto sobre o mesmo assunto, ler um livro, introduzir um jogo e atividades no computador ou tablet. Com esta estratégia, a criança em questão é chamada para reiniciar de forma constante o seu processo de atenção e concentração, podendo colaborar para o exercício, estruturação e aprimoramento de tais funções.

3. Dê uma ocupação ou função à criança: ajudar a distribuir uma tarefa para a turma, recolher materiais, buscar um brinquedo que será usado em aula, entre outros.

4. Modifique seus métodos e materiais de trabalho, introduzindo novidades e objetos concretos para melhorar a atenção.

5. Reorganize o ambiente: modifique as carteiras de lugar, faça novos agrupamentos entres os alunos e até sugira grupos de estudos.

6. Tempo para as tarefas: como já foi dito, pode ser dado um tempo maior do que aos demais colegas para a execução das tarefas, ou ainda um tempo menor, mas com variedade de tarefas. É preciso conhecer como cada criança reage melhor e definir o tempo que se adequa às necessidades dela.

7. O mesmo vale para avaliações: elas podem ser feitas de forma oral ou escrita, considerando um tempo maior ou menor para a sua execução, dependendo de cada caso. A quantidade de atividades (muitas atividades curtas ou poucas atividades longas) também deve ser estabelecida de acordo com cada caso específico.

8. Crie rotinas para avisar sobre o limite de tempo. Por exemplo, bata um sino ou apite, quando faltar 5 minutos para o término da atividade. Sinalize sempre o que está acontecendo.

9. Dê pequenos intervalos de descanso a cada 40 minutos de trabalho em que as crianças possam ir ao banheiro, tomar água, movimentar-se.

Cartões com palavras, frases, perguntas e imagens ajudam a criança a organizar os pensamentos (foto: Hollywood Learning Center)

Cartões com palavras, frases, perguntas e imagens ajudam a criança a organizar os pensamentos (foto: Hollywood Learning Center)

10. Use estímulos visuais associados aos auditivos (músicas, vídeos, gravar a voz da criança). Computadores e retroprojetores são bons recursos, use-os quando estiverem disponíveis. Desenhe bastante, use figuras e gráficos.

11. Use calendários em classe e estimule a utilização das agendas pessoais. Avise, quando possível, sobre mudanças na rotina.

12. Use um pouco de arte dramática. Utilize gestos, demonstre o que explicar, ande pela sala, cubra um objeto para, depois, revelá-lo, faça surpresas.

13. Seja sempre que possível motivador. Não utilize frases como: “o tempo está acabando; vai logo!; ande rápido!; ainda não terminou?”.

14. Ao introduzir uma pergunta, use cartões com respostas prontas para que o aluno possa organizar o pensamento. Isso vale também para organização de textos já conhecidos.

15. Prepare atividades com palavras-chave ou banco de palavras para completar um conceito, deixando lacunas no texto para serem preenchidas.

16. Jogos como o Lince são excelentes para aprimorar a atenção. Construa outros tipos de Lince com os temas que lhe forem úteis.

Conheça aplicativos que podem motivar crianças com déficit de atenção

Alguns apps servem como ferramenta para motivarmos e estimularmos as crianças com déficit de atenção em seus estudos. Veja alguns deles:

  • MatrixMatch 2: O objetivo é ordenar e relacionar, numa grande matriz, as formas e linhas que, unidas, dão origem a novas figuras (gratuito);
  • Match it up 3: trabalha a relação entre determinados pares de objetos, animais, ferramentas, meios de transporte e muito mais (gratuito);
  • Series 1: ensina a criança a organizar os objetos por forma, cor, tamanho e quantidade. O jogo desenvolve conceitos matemáticos primários como tamanho e quantidade, habilidades de percepção visual (gratuito);
  • My Mosaic: um jogo que ajuda no desenvolvimento de habilidades nas áreas da percepção visual e coordenação de olho e mão (gratuito).
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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

Atividades sensoriais: na Educação Infantil, experimentar é aprender

Exercite a escuta com tranquilidade e atenção. Pedir para a turma identificar os sons da natureza pode ser parte de uma atividade (foto: Columbian)

Atividades/Movimento/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Atividades sensoriais: na Educação Infantil, experimentar é aprender

Ensinar e aprender explorando os cinco sentidos não é difícil. Ensinar alguma coisa está, na grande maioria das vezes, ligado à estimulação dos sistemas visuais e auditivos, já que nós somos seres muito audiovisuais.

Não é difícil, mas é raro encontrar atividades que estimulem os sentidos. Este fato pode ser justificado historicamente, pelas teorias tradicionais de educação que colocam o professor numa posição de eterno orador e, o aluno, de eterno ouvinte. Papéis que, ao longo da evolução das práticas educativas, foram se modificando, mas que ainda permanecem enraizadas em certas posturas sem nos darmos conta disso.

Jogos, brincadeiras e outras atividades sensoriais estimulam a inteligência, ajudam na criatividade e permitem que os alunos aprendam mais e melhor. Isso ocorre pois o cérebro tem a oportunidade de acionar diferentes canais para a entrada de conhecimento, contemplando todos os estilos de aprendizagem.

Leia mais sobre quais os estilos de aprendizagem e como identificá-los clicando aqui.

Os sentidos já são desenvolvidos desde a vida intrauterina. O mundo que nos cerca é cheio de informações que chegam até nós através do tato, olfato, visão, audição, gustação, movimentos e posições do corpo.

Fazer uso de todos os sentidos - tato, olfato, paladar, etc. - garante um aprendizado mais completo e duradouro (foto: Learning 4 Kids)

Fazer uso de todos os sentidos – tato, olfato, paladar, etc. – garante um aprendizado mais completo e duradouro (foto: Learning 4 Kids)

Quais os sistemas sensoriais que devem ser observados?

  • Sistema táctil: é o responsável por tudo aquilo que está em contato com a pele. Exemplo: toque (reconhecer um objeto no escuro), preensão, temperatura (sensação de quente e frio), textura (áspero e macio);
  • Sistema auditivo: habilidade de reconhecer sons, discriminar, transformar e reagir a sons;

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  • Sistema oral/gustativo: é o paladar e tudo que é relativo aos estímulos dentro da boca. Exemplo: experimentar sabores doces, salgados, ácidos, azedos ou experimentar alimentos de diferentes consistências;
  • Sistema olfativo: é o cheiro, processamento e discriminação de odores;
  • Sistema visual: todas as habilidades relativas à visão;
  • Sistema vestibular: localizado no ouvido, está relacionado ao movimento e equilíbrio, além de coordenar movimentos, como a conexão entre olho e mão e os dois lados do corpo (coordenação bilateral);
  • Sistema proprioceptivo: relacionado à posição do nosso corpo no espaço, a noções de peso, pressão, alongamento e mudança de posição. É o corpo como um todo, tanto em situações estáticas quanto em situações dinâmicas. É devido a este sistema que conseguimos, por exemplo, escrever sem termos que olhar para cada movimento da nossa mão.

Assim, quando tudo está a funcionar bem, o nosso cérebro organiza as informações recebidas do ambiente através do corpo para reproduzir uma resposta adequada a cada estímulo. A este processo, dá-se o nome de integração sensorial.

Cada pessoa tem uma preferência sensorial (sentidos mais desenvolvidos do que outros), entretanto, é válido oferecer diferentes oportunidades para que os alunos vivenciem os vários sistemas sensoriais e tenha experiências para aprender com todos eles. Que tal olharmos de maneira diferente para os materiais e objetos do dia a dia e proporcionarmos novas oportunidades de aprendizagem para os nossos alunos?

Cada criança terá uma preferência sensorial, ou sentidos que se desenvolvem mais e mais rapidamente que os outros. Cabe ao professor identificá-los e explorar suas possibilidades de aprendizado (foto: SSC Music)

Cada criança terá uma preferência sensorial, ou sentidos que se desenvolvem mais e mais rapidamente que os outros. Cabe ao professor identificá-los e explorar suas possibilidades de aprendizado (foto: SSC Music)

Quais atividades estimulam os sentidos?

Movimentos, texturas, aromas, sabores, são informações que podem ser muito bem integradas ao que ouvimos e vemos, para enriquecermos ainda mais a capacidade de discriminação e aprendizagem do cérebro. Veja algumas sugestões:

  • Modifique o ambiente! Coloque música, altere a luminosidade, use lanternas para contar uma história;
  • Manipule diferentes texturas. Utilize bacias para colocar materiais como areia, pedras, gel de cabelo, creme corporal, farinha, grãos, etc. Incentive a criança a brincar. Uma possibilidade é usar essas texturas para criar cenários e objetos que se relacionem com os conteúdos trabalhados em classe, como animais, meios de transporte, entre outros. Ainda pode ser sugerida uma escavação para encontrar letras dentro das bacias e, com elas, formar palavras, ou fazer uma caça às texturas no pátio, buscando elementos da natureza;
  • Livros com figuras grandes são boas opções. Há livros interativos, com fantoches, texturas ou figuras adesivas para complementar a leitura;
  • Traga papéis de cores e espessuras diferentes, assim como materiais variados para a pintura. Use misturas de cores, tintas caseiras ou comestíveis. Descubra mais atividades de artes criativas aqui;
  • Massinha de modelar tem diversas possibilidades. Você pode convidar as crianças a criar animais e objetos, ou usá-la para contornar letras e números;
  • Grave sons da natureza, de animais e da própria criança falando e reserve um momento para a escuta;
Exercite a escuta com tranquilidade e atenção. Pedir para a turma identificar os sons da natureza pode ser parte de uma atividade (foto: Columbian)

Exercite a escuta com tranquilidade e atenção. Pedir para a turma identificar os sons da natureza pode ser parte de uma atividade (foto: Columbian)

  • Faça caixas sensoriais ou caixas de surpresa: dentro de uma caixa, coloque objetos relacionados a qualquer tema (sólidos geométricos, materiais escolares, brinquedos que remetam a animais ou meios de transporte, etc.) para que as crianças adivinhem o que são apenas com o tato;
  • Explore garrafas sensoriais – veja como fazer uma clicando aqui;
  • Estenda plástico bolha no chão para que as crianças engatinhem ou caminhem sobre ele, estimulando a coordenação motora;
  • Integre novas tecnologias, como tablets, iPads e videogames (como o Kinect, por exemplo). Esses recursos podem ser utilizados em espaços educativos já que, além de trazerem jogos visuais e auditivos, relacionam o movimento do corpo com comandos para as atividades, o que é bastante positivo;
  • Use a criatividade: vão aprender sobre animais marinhos? Use cubos de gelo, gelo colorido ou raspado. Em cada temática, pense em como incluir experiências práticas e que alimentem todos os sentidos das crianças.
(foto: Terra Nova Nature School)

Perceba como as crianças reagem às explorações dos sentidos – caso alguma delas apresente desconforto ou medo, ofereça alternativas que a deixem mais segura ou procure ajuda de um profissional de saúde (foto: Terra Nova Nature School)

O que fazer caso a criança apresente um déficit de aprendizado?

Contudo, há pessoas que possuem déficits nos sistemas sensoriais. Estes problemas podem causar inúmeras complicações no processo de aprendizagem, que vão da falta de atenção e concentração até a baixa confiança em si mesmo. Fique atento se o seu aluno apresentar:

  • Hipersensibilidade a movimentos, sons, odores e ambientes diferentes;
  • Hipersensibilidade ao manipular materiais como cola, areia, tinta ou até mesmo comida, utilizando sempre a ponta dos dedos;
  • Medo ao realizar experiências que envolvam os sistemas sensoriais já citados;
  • Medo de altura e falta de equilíbrio;
  • Coordenação motora empobrecida: dificuldade em correr ou pular, problemas com a escrita e com a preensão do lápis;
  • Problemas com situações de desafio.

Para amenizar estas dificuldades, o professor pode verificar se a quantidade de estímulos trabalhados não está em demasia, já que muita informação sensorial ao mesmo tempo pode estressar e até desorganizar a aprendizagem da criança. Outro ponto importante é não “forçar” a realização de uma atividade na qual o aluno demonstra medo ou outra reação incomum. Permita que ele escolha os materiais que o deixam mais seguro, sendo sempre bastante acolhedor.

Essas anotações são importantíssimas e devem ser feitas individualmente com os relatórios individuais  fica bem mais fácil acompanhar a evolução desse pequenino, não é? Então, minha dica é que você tenha frequência na escrita e indícios com fotos e vídeos em um local seguro de maneira simples.

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Caso perceba que essas situações ocorrem com muita frequência é necessário buscar uma equipe multidisciplinar para a realização de um diagnóstico preciso.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Fontes:

Portal de ajudas técnicas. Recursos pedagógicos adaptados. Ministério da Educação. Brasília, 2002

Dicas de atividades sensoriais

Fundación Procivismo y Desarrollo Social. Integración Sensorial. Autora: Ayola Cuesta Palacios, CD Hilton Perkins, 2001. Tradução português: Shirley Rodrigues Maria, 2006.

Meu Pequeno Autista

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O problema de alfabetizar as crianças cedo demais

Atividades lúdicas que estimulem a concentração e a motricidade fina são indicadas para uma pré-alfabetização saudável, que respeite o ritmo da criança (foto: The Learning Garden Kids)

Atividades/Linguagem/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional/Registros/Relatórios
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O problema de alfabetizar as crianças cedo demais

A Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) foi criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2013 para identificar os índices de alfabetização e letramento em língua portuguesa e matemática de crianças entre 8 e 9 anos. Segundo o documento básico, disponível no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o objetivo é “concorrer para a melhoria da qualidade de ensino e redução das desigualdades, em consonância com as metas e políticas estabelecidas pelas diretrizes da educação nacional”.

Testes nacionais para avaliar a alfabetização podem fazer com que pré-escolas comecem o letramento cedo demais para aumentar suas notas (foto: New Castle School)

Testes nacionais para avaliar a alfabetização podem fazer com que pré-escolas comecem o letramento cedo demais para aumentar suas notas (foto: New Castle School)

Porém, esta avaliação está reforçando uma visão que já existe em muitas escolas de educação infantil. Em entrevista para a Revista Educação, a professora Sandra Zákia Sousa, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), argumentou que a ANA faz com que os professores de Educação Infantil antecipem os processos de alfabetização e letramento, pulando etapas importantes no desenvolvimento da criança, como coordenação motora e capacidade de raciocínio e concentração. Na mesma reportagem, Luiz Carlos de Freitas, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), defende que essa avaliação deveria acontecer somente a partir do final do Ensino Fundamental.

O letramento precoce tem sido tema de diversos debates e motivou a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STF) em fevereiro deste ano, que decidiu que crianças menores de 6 anos não podem ser matriculadas no Ensino Fundamental, ainda que tenham capacidade intelectual comprovada por avaliação psicopedagógica. A posição em relação ao tema tem influenciado os diversos formatos de escolas de Educação Infantil: enquanto há escolas infantis que antecipam lições ligadas à leitura, à escrita e à matemática na fase do antigo “pré-primário”, há instituições cuja linha pedagógica defende que a criança precisa priorizar o desenvolvimento de outras habilidades antes de se alfabetizar.

Atividades lúdicas que estimulem a concentração e a motricidade fina são indicadas para uma pré-alfabetização saudável, que respeite o ritmo da criança (foto: The Learning Garden Kids)

Atividades lúdicas que estimulem a concentração e a motricidade fina são indicadas para uma pré-alfabetização saudável, que respeite o ritmo da criança (foto: The Learning Garden Kids)

Esse argumento tem embasamento teórico em filósofos como o austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), um dos introdutores da pedagogia Waldorf, que defende que crianças com até 7 anos de idade devem se preocupar somente em brincar.  Ao participar de jogos e atividades lúdicas, os pequenos desenvolvem a confiança em seu corpo e em suas potencialidades, o que é essencial para encarar a maior parte das atividades da vida, além das habilidades físicas e motoras, que são fundamentais para o desenvolvimento neurológico e sensorial. Se essa fase for vivida de maneira adequada, meninos e meninas terão maior domínio corporal, linguagem oral e, principalmente, capacidade para se adaptar às situações.

Na mesma linha, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky defendia que a alfabetização fosse um processo gradual estimulado desde a primeira infância, mas sem que atividades mecânicas de leitura e escrita atrapalhassem ou forçassem as etapas de desenvolvimento.

Ao estimular precocemente a leitura e a escrita, a criança pode sofrer problemas como deficiências na coordenação motora, apatia, desinteresse, desmotivação e estresse.

Por isso, a educação infantil deve se preocupar em proporcionar atividades condizentes com a fase de desenvolvimento da criança e respeitar as necessidades dessa etapa da vida, que é, sobretudo, brincar. Forçar o avanço na alfabetização antes do tempo pode criar traumas e dificuldades maiores no futuro.

Leia sobre Personalização do Ensino na Educação Infantil e entenda mais sobre o assunto.

Na Eduqa.me é possível fazer esse registro de um jeito simples, individual e  bem rico. Com poucos clique você faz anotações, fotos e vídeos. Com esses indícios organizados é possível compartilhar com seu coordenador e refletir sobre cada aluno percebendo quais habilidades eles possuem e quais precisam ser desenvolvidas.

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Autismo: desafios e possibilidades na Educação Infantil

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades - mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Autismo: desafios e possibilidades na Educação Infantil

por Luciana Fernandes 

Cada vez mais, a comunidade científica nos presenteia com novas descobertas sobre o autismo. Sabe-se, porém, que ao se tratar de diversidade humana, e, neste caso, do autismo, os desafios são muitos; desafios instigantes que nos levam para o caminho das possibilidades.

Numa era em que algumas escolas querem “retroceder”, posicionando-se contra a obrigatoriedade de alunos com deficiência nos espaços escolares, é preciso evoluir. E só é possível evoluir quando se está disposto a aprender mais e mais sobre o tema.

Muitas dúvidas cercam esta temática, vamos esclarecer algumas delas para que o professor possa se sentir confiante em sua prática pedagógica. Começaremos por pensar em como o professor pode atuar ou se relacionar com um aluno que tem autismo. Entretanto, o que segue abaixo está longe de uma receita ou de um passo a passo, já que estamos falando de pessoas: o que funciona para uma pode não dar certo para outra.

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades - mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades – mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

Como tratar meu aluno com autismo?

  • O aluno com autismo deve ser tratado da mesma maneira que as outras crianças, sem privilégios e com atenção e respeito às suas necessidades;
  • A criança com autismo precisa de rotina e costuma se incomodar com mudanças inesperadas, por isso, informe-a quando possível sobre as alterações ocorridas. Use uma agenda ou um quadro de avisos;
  • Identifique o que causa desconforto no seu aluno com autismo. Por exemplo, se a criança não gosta de um brinquedo, leve-a para escolher outro;
  • Descubra o que faz a criança perder o controle emocional (bater, morder, gritar). Quando episódios deste tipo acontecerem, não tente impedir: preocupe-se em acalmar o aluno mantendo-o seguro e livre de perigos. Não grite ou repreenda o aluno no meio de uma crise; essas atitudes não vão resultar em nada;
  • Muita informação ou estímulo verbal pode ser ruim. Introduza estímulos visuais;
  • A frustração não deve ser evitada, mas mediada. Por isso, sempre que for oportuno, elogie!
Trabalhar com a comunicação através de imagens é um ponto comum na maioria dos métodos. O livro de figuras, por exemplo, permite que a criança se expresse (foto: Special Led Classroom)

Trabalhar com a comunicação através de imagens é um ponto comum na maioria dos métodos. O livro de figuras, por exemplo, permite que a criança se expresse (foto: Special Led Classroom)

Também há aplicativos criados para facilitar a comunicação entre a criança autista e os adultos ao seu redor (foto: YouTube)

Também há aplicativos criados para facilitar a comunicação entre a criança autista e os adultos ao seu redor (foto: YouTube)

Quais os métodos de ensino mais recomendados?

Outra questão muito recorrente é sobre os métodos e atividades pedagógicas adequados às crianças com autismo. Abaixo estão as metodologias mais utilizadas:

  • ABA (Applied Behavior Analysis – Análise do Comportamento Aplicado): É baseada na teoria comportamentalista. Para diminuir os comportamentos indesejados, é adotado o sistema de recompensas (conhecido como reforço positivo). Contudo, há muitas críticas a este sistema no âmbito educacional. Vale pensar em alternar outras estratégias;
  • TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handcapped – Tratamento e Ensino de Crianças Autistas e outras Dificuldades de Comunicação Relacionadas): Apesar de também ser pautado na teoria comportamentalista no ambiente pedagógico, o TEACCH traz cuidados mais específicos em relação à organização visual e estrutura do local. O ambiente deve ser organizado através de rotinas em murais, sem estímulos que possam distrair a criança (barulho, janela, brinquedos à vista, coisas penduradas nas paredes como cartazes e outros objetos). O método fornece técnicas de organização, repetição e treinamento (auxiliares no processo de alfabetização) e pode ser utilizado em casa ou na escola;
  • PECS (Picture Exchange Communication System): É um sistema de comunicação alternativa para aqueles que não falam, possibilitando uma interação através de figuras. Com as figuras, a criança com autismo pode se comunicar e expressar seus desejos.

Há outros métodos a atuação com o autismo, que, apesar de menos conhecidos, apresentam resultados positivos:

Um dos métodos enfatiza que o professor deve ficar no nível da criança, estreitando o contato entre os dois (foto: Purdue Edu)

Um dos métodos enfatiza que o professor deve ficar no nível da criança, estreitando o contato entre os dois (foto: Purdue Edu)

  • Método Floortime (na tradução literal, “tempo no chão”, ou hora de ficar no chão): O foco é o adulto “ir para o chão”, e, assim, interagir com a criança no seu nível;
  • Método Son-rise: Além de também defender um ambiente com menos distrações, esse modelo prioriza o relacionamento interpessoal para aumentar o contato visual, comunicação e atenção. Trabalhando com motivação ao invés de repetição para garantir o aprendizado, o Son-rise tem sido bastante disseminado na Europa e América entre pais e terapeutas;
  • Método Montessoriano: É indicado por ser uma abordagem que propõe o desenvolvimento do sujeito em sua totalidade, além das questões cognitivas. Pode ser bem aproveitado pela riqueza de materiais para exploração.

É importante ressaltar que não existe um único método mais eficaz: o melhor método é sempre aquele que funciona!

O que considerar na hora da preparação das atividades?

  • Estimular os 5 sentidos, principalmente a visão. A informação visual deve vir antes da informação verbal;
  • Valorizar e ressignificar os movimentos repetitivos: alguns professores optam por juntar-se às crianças nesses rituais, mostrando compreensão e criando um vínculo afetivo mais próximo;
  • Trabalhar com exercícios de repetição de conteúdo;
  • Apostar em materiais concretos ou figuras de referência para a criança como a sua própria foto, a foto dos familiares, amigos, etc.;
  • Proporcionar atividades de organização e pareamento de objetos;
  • Adaptar seu tempo: é importante dosar o tempo das atividades para priorizar a atenção e qualidade da aprendizagem. O tempo de planejamento também é outro – prepare objetivos pedagógicos de curto prazo;
  • Usar fichas ou cartões para memorizar ou ensinar conceitos;

Para compreender essas dicas na prática, faça download das atividades que preparei pra você clicando aqui. São oito sugestões de exercícios perfeitos para uma sala de aula de Educação Infantil.

Acima de tudo, não desista dos seus objetivos! Tudo que você faz por um aluno, por mais que pareça ineficaz, deixará uma marca positiva no desenvolvimento de cada um deles.

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Para saber mais sobre o autismo

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

A importância de brincar ao ar livre – e o que cada brincadeira pode ensinar às crianças

Pesquisas mostram que brincar ao ar livre melhora desde a saúde até o aprendizado (foto: Huff Post)

Atividades/Movimento/Natureza e Sociedade/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo
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A importância de brincar ao ar livre – e o que cada brincadeira pode ensinar às crianças

Já trabalhei em uma escola onde tudo era motivo para manter as crianças dentro do prédio: a lama nos tênis sujaria o piso, as gargalhadas muito altas perturbariam outras turmas, alguém poderia se machucar, “acho que vai chover”. Realmente, o trabalho de toda a equipe, desde professores até funcionários que cuidam da limpeza, se torna mais fácil uma vez que os alunos estão sempre entre quatro paredes. O desenvolvimento infantil, porém, é prejudicado – e não apenas nas habilidades físicas, como você poderia imaginar.

Sim, as crianças ficarão sujas no pátio. Algumas provavelmente voltarão com arranhões e podem acontecer pequenos conflitos entre colegas. Respire fundo. Tudo isso é positivo (até mesmo as brigas) e está estimulando o cérebro. Como? Vamos aos fatos.

Pesquisas mostram que brincar ao ar livre melhora desde a saúde até o aprendizado (foto: Huff Post)

Pesquisas mostram que brincar ao ar livre melhora desde a saúde até o aprendizado (foto: Huff Post)

O que dizem as pesquisas

Há inúmeros estudos sobre o tema que comprovam os benefícios de se deixar as crianças brincarem ao ar livre. Uma pesquisa da Universidade de Regina, no Canadá, acompanhou 306 crianças e jovens para medir o tempo que cada um deles passava brincando do lado de fora. Concluíram que aqueles que gastavam mais horas ao ar livre não só estavam em melhor forma física como eram 3 vezes mais propensos a atender às diretrizes de atividades físicas diárias.

Outra pesquisa, chamada de Teoria da Higiene, afirma que estar em contato com a natureza – e com a sujeira, as bactérias e tudo o mais que preocupa pais e cuidadores – é, na verdade, positivo e ajuda na criação de anticorpos. Crianças acostumadas a ambientes esterilizados, por outro lado, têm maior tendência a ficar doentes e desenvolver alergias.

A coletividade e o trabalho em equipe são algumas das competências estimuladas nas brincadeiras ao ar livre (NPR)

A coletividade e o trabalho em equipe são algumas das competências estimuladas nas brincadeiras ao ar livre (NPR)

Quais as vantagens de brincar lá fora

A lista é longa. De acordo com pediatras, psicólogos e educadores, brincadeiras ao ar livre estimulam:

  • A atividade física – ter espaços abertos para correr torna as crianças mais ativas e elas passam a ter mais energia para realizar qualquer tarefa;
  • O aprendizado – quanto mais a criança se move nos primeiros anos de vida (dos 0 aos 6), maior é o estímulo cerebral. Isso ocorre especialmente no cerebelo, região responsável pela organização espacial e equilíbrio. O desempenho em sala de aula também melhora: há uma relação positiva entre os exercícios físicos e brincadeiras coletivas com o rendimento intelectual;
  • A criatividade – levar as crianças para o pátio sem brinquedos pré-fabricados permite que elas inventem as próprias brincadeiras e coloquem a imaginação para funcionar. Por estarem em um ambiente em que nem tudo é controlado, elas aprendem a lidar com imprevistos e elaborar soluções;
  • A autonomia – crianças que brincam ao ar livre com maior frequência costumam ser mais independentes. Mas, atenção: para isso, é preciso que os adultos se afastem e permitam espaço para que elas mesmas tentem resolver seus problemas;
  • A coletividade (ou as relações sociais) – nada de deixar cada um brincando em um tablet ou celular. Desenvolva atividades em grupo, que ensinam os pequenos a criar laços entre si, lidar com discordâncias e comportamentos alheios. Se possível, permita que turmas de idades diferentes passem tempo juntas; dessa forma, elas aprenderão mais umas com as outras;
  • A saúde – a princípio, brincar do lado de fora faz com que as crianças desenvolvam anticorpos e se tornem mais resistentes a doenças. A luz do sol também é necessária para o crescimento saudável. Contudo, outro ponto positivo é que elas passem a conhecer seus corpos e saibam quando estão bem (ao arranhar um joelho, por exemplo), ou quando de fato precisam de ajuda (quando sofrem um ferimento mais sério).
  • O contato com a natureza – esses são os momentos em que elas podem interagir com o espaço natural. É brincando ao ar livre que as crianças vão reconhecer diferentes texturas (areia, barro, água, grama), experimentar e identificar horas do dia (manhã, tarde ou noite) por causa da luz, encontrar cheiros e sensações desconhecidas.
Os espaços devem ser verdes, com gramado, plantas e playground, para atrair as crianças (foto: G2G Outside)

Os espaços devem ser verdes, com gramado, plantas e playground, para atrair as crianças (foto: G2G Outside)

Qualquer lugar vale?

Não. Pátios e parques devem ser espaços verdes, com gramado e, de preferência árvores e plantas. O playground, com balanços e escorregador, é outro atrativo para os pequenos.

Por outro lado, áreas de chão batido, cimentadas, sem aparatos para brincar não são convidativas. Cientistas na Dinamarca analisaram o comportamento de meninos e meninas em diversos pátios e descobriram que, quando essa é a opção apresentada, as crianças tendem a ficar mais tempo paradas, o que contribui para o sedentarismo.

As brincadeiras antigas têm espaço garantido e trabalham habilidades como ritmo, agilidade e força (foto: Online Athens)

As brincadeiras antigas têm espaço garantido e trabalham habilidades como ritmo, agilidade e força (foto: Online Athens)

Resgate brincadeiras da sua infância

Ao levar sua classe para fora, por que não relembrar algumas de suas brincadeiras favoritas? A Revista Crescer listou algumas brincadeiras tradicionais e quais habilidades elas desenvolvem:

  • Amarelinha, peteca ou pião – combinam visão e coordenação motora, além de desenvolver força, destreza e senso de distância;
  • Corrida de saco, pular corda ou elástisco, pula-sela – estimulam a força física e o ritmo, já que os participantes precisam coordenar movimentos;
  • Morto-vivo, cabra-cega, esconde-esconde, pega-pega, caça ao tesouro – além da coordenação motora e agilidade, esses jogos promovem o pensamento estratégico e o trabalho em equipe;
  • Cabo de guerra – ensina a unir forças e trabalhar em conjunto por um objetivo;
  • Catavento, pipa ou pé-de-lata – ótimas opções para as crianças construírem os próprios brinquedos, usando a motricidade fina e a criatividade;
  • Bambolê, batata-quente, dança das cadeiras, queimada – combinam motricidade fina, agilidade e ritmo;
  • Roda, ciranda-cirandinha, escravos de Jó – boas alternativas não só para trabalhar a coletividade, como também para ampliar o conhecimento cultural das crianças, com músicas populares de diferentes épocas e regiões.

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Leia mais:

Revista Crescer – Brincar ao ar livre faz bem

Revista Crescer – Brincadeiras que atravessam gerações

Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

Guia Infantil

Hype Science

Mais Equilíbrio

 

Quais são as habilidades do século 21 ? Como ensiná-las na Educação Infantil?

Ajude a turma a praticar a escuta e a empatia, para que possa trabalhar em conjunto (foto: It Starts Here)

Carreira/Práticas inovadoras/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional/Relatórios
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Quais são as habilidades do século 21 ? Como ensiná-las na Educação Infantil?

O papel da escola está em discussão, e não é de hoje. Pelo menos desde a década de 90 os termos “educação integral” e “habilidades para o século 21” estão por aí, nas bocas de especialistas, professores e pesquisadores. Entretanto, na prática, pouca coisa mudou e a maioria das escolas ainda tem dificuldade em identificar quais seriam essas competências tão relevantes para o futuro das crianças. Acima de tudo, como o professor pode ajudar seus alunos a desenvolvê-las?

Já se sabe, por uma série de pesquisas, que a inteligência sócio-emocional está tão ligada ao sucesso quanto o conhecimento cognitivo. Traços como organização, motivação e colaboração facilitam o aprendizado de disciplinas tradicionais: crianças com essas características aprendem cerca de um terço a mais que suas colegas, em um ano letivo, tanto em matemática quanto em língua portuguesa.

A boa notícia é que essas habilidades não são inatas – elas podem ser ensinadas e estimuladas desde cedo. Esse trabalho deve começar na primeira infância, tanto em casa quanto em sala de aula. Na Educação Infantil, o professor precisa tomar cuidado ao adaptar as atividades para essa faixa etária, sem manter uma cabeça focada em divisão de matérias e avaliações, típicas das séries mais avançadas. Exercícios práticos e lúdicos são fundamentais!

Mas, afinal, quais são essas habilidades para o século 21 e como o professor pode cultivá-las na prática? Elas estão divididas em três grupos:

Competências cognitivas

Muito além de memorizar: as crianças devem aprender a utilizar seus conhecimentos de forma prática, na vida real (foto: Effort Christian Schools)

Muito além de memorizar: as crianças devem aprender a utilizar seus conhecimentos de forma prática, na vida real (foto: Effort Christian Schools)

Essas são as competências tradicionalmente estimuladas na escola: o aprendizado formal, a memória e o pensamento crítico. A diferença é que, cada vez mais, é importante que o professor fuja da decoreba e mostre às crianças como entender, interpretar, filtrar e selecionar informações – afinal, basta um clique no Google para que elas sejam inundadas de conteúdo, nem sempre de qualidade.

Outra necessidade é transferir o conhecimento da sala de aula para situações reais e usá-lo na solução de problemas. Não adianta nada decorar fórmulas se elas não têm uma aplicação na vida dos estudantes – isso torna o ensino irrelevante, distante e chato.

O lado positivo é que a Educação Infantil já costuma realizar esse trabalho, constantemente conectando o conteúdo curricular com a rotina das crianças. Por outro lado, em muitas escolas, essa abordagem vai se perdendo conforme os alunos caminham para o Ensino Fundamental e Médio.

Como aplicar:

  • Sempre faça uso de exemplos práticos, conhecidos pelas crianças. Cite diversos casos e permita que a turma também faça sugestões;
  • Encoraje perguntas e não tenha medo de aprofundar o tema quando a classe se mostrar interessada. Preserve um ambiente em que os alunos se sintam confortáveis para expor seu conhecimento;
  • Reconheça os vários tipos de aprendizado e trabalhe para acolher todos eles. Use imagens, música, movimento de acordo com a necessidade das crianças;
  • Lance desafios: por que não tentar um mutirão de limpeza na escola ao estudar sobre a reciclagem? Ou propor a construção de uma ponte com peças de Lego? Quem sabe um sarau sobre o último livro lido com a turma? Essas situações são uma ótima oportunidade para transferir a teoria para a prática!

Competências interpessoais

Ajude a turma a praticar a escuta e a empatia, para que possa trabalhar em conjunto (foto: It Starts Here)

Ajude a turma a praticar a escuta e a empatia, para que as crianças possam trabalhar em conjunto (foto: It Starts Here)

Nessa categoria estão as capacidades de sentir empatia, compreender os outros (sejam eles colegas, familiares ou professores), relacionar-se e trabalhar em grupo. A colaboração e a solução de problemas em conjunto, compartilhando ideias, é uma exigência do século 21.

A gestão de conflitos também entra aqui. Desde a Educação Infantil, as crianças devem aprender a estabelecer diálogos para resolver seus problemas, ouvindo as opiniões externas e sabendo explicar pontos de vista. Parece complexo para sua turminha de 3 ou 4 anos? Calma – essas habilidades serão aperfeiçoadas ao longo de toda a vida. Mas há maneiras de começar já.

Como aplicar:

  • Proponha atividades em grupo ou dupla, sejam elas jogos, tarefas de casa ou projetos que possibilitem às crianças criar algo em conjunto, discutindo ideias sobre um mesmo assunto;
  • Organize tutorias, em que alunos que se saem melhor em um determinado tema ajudem os colegas (depois, procure valorizar aqueles com dificuldade pedindo que eles também ensinem algo em que são bons);
  • Faça rodas de conversa e pratique ouvir e compreender as falas dos colegas, criando momentos em que as crianças possam elogiar ou sugerir soluções umas às outras;
  • Procure não interferir em pequenos conflitos – enquanto for possível, apenas observe e deixe que os pequenos resolvam suas divergências entre si;
  • Abrace projetos: por que não pedir às crianças que escrevam cartinhas ou façam desenhos para outra classe (ou ainda uma turma de outra escola)?

Competências intrapessoais

Dar às crianças ferramentas para lidar com as próprias emoções é um aprendizado valioso para futuros desafios (foto: Meditate in West Lake)

Dar às crianças ferramentas para lidar com as próprias emoções é um aprendizado valioso para futuros desafios (foto: Meditate in West Lake)

Trata-se de ensinar as crianças a entender e controlar as próprias emoções, lidando com elas de maneira calma e sábia. Com isso, elas saberão se manter motivadas, reconhecerão o valor do esforço para atingir seus objetivos e não terão medo do fracasso, vendo-o como uma parte natural do aprendizado. Além disso, implica na habilidade de autoavaliação, em que os alunos percebem seus pontos fortes e fracos e encontram formas de trabalhá-los a seu favor.

Deu para perceber que são competências importantes? Com certeza. No restante da jornada acadêmica, assim como em toda a vida adulta, ter competências emocionais bem desenvolvidas vai ajudar a superar desafios tranquilamente. Também é fundamental para uma vida saudável, com menos estresse e frustrações.

Como aplicar:

  • Dê oportunidade às crianças para lidar com sua raiva e frustrações, mostrando caminhos não violentos;
  • Estimule um ambiente de livre expressão, em que a turma se sinta confortável e acolhida, sem medo de errar;
  • Valorize tentativas, esforço e dedicação em vez de apenas talento;
  • Ajude a classe a definir metas pessoais – o que querem aprender e como farão isso;
  • Discuta o aprendizado adquirido pedindo que as crianças falem sobre suas experiências, como aprenderam, o que acharam fácil ou difícil na atividade.

Competências da Nova Escola

No vídeo abaixo, feito pelo Instituto Ayrton Senna, educadores conversam sobre as tendências para a escola do século 21. São apenas dois minutinhos!

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Leia mais:

Porvir

Educação Integral

Educare

 

Estilos de aprendizagem: qual é o seu?

Fonte: Happy Code

Atividades/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo
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Estilos de aprendizagem: qual é o seu?

Você com certeza já ouviu, ao menos uma vez, que, para aprendermos algo com êxito, é necessário que o processo de aprendizagem seja significativo e prazeroso. O significado colocado naquilo que se aprende e o prazer sentido nesta conquista fazem com que as experiências vividas sejam gravadas para além da memória – o que permite, então, que determinado conhecimento faça sentido e seja acionado com maior facilidade.

Contudo, aprender requer esforço, estudo, desconforto, desequilíbrio cognitivo, entre outras tarefas árduas. E aí, pergunto: como isso pode ser prazeroso?

Se soubermos como a criança aprende, ou seja, qual é a via de acesso utilizada para entrar em contato com o conhecimento, podemos, sim, transformar essas duras tarefas para aprender em suaves caminhos em busca do saber, com significado e satisfação.

Você conhece os estilos de aprendizagem? Eles podem facilitar este caminho. Qual dos estilos abaixo se assemelha mais ao seu jeito de aprender?

Uma mesma atividade precisa ativar vários sentidos - assim, crianças que aprendem de formas diferentes serão igualmente estimuladas (foto: Health Ideas)

Uma mesma atividade precisa ativar vários sentidos – assim, crianças que aprendem de formas diferentes serão igualmente estimuladas (foto: Health Ideas)

Cinestésico

Como aprendem:

  • Contato físico, movimento, gestos enquanto falam.
  • Aprendem mais facilmente tocando, construindo algo manualmente ou gesticulando enquanto leem (manipulação).
  • Não ficam muito quietos na carteira.

O que fazer:

  • Pense em aulas dinâmicas, altere várias vezes o tom de voz, faça gestos, ande em sala de aula; enfim, movimente-se.
  • Permita a vivência, ou seja, experiências práticas sobre o assunto estudado.

Métodos e autores importantes:

  • Piaget, Vigotski, Wallon: Interacionistas.
  • Abordagem sociocultural: Educador e educando são sujeitos de um processo que constroem juntos. (FREIRE, 2000).
  • Método Gestual (GÓMEZ e TERÁN, 2006, p.366): combinado com a representação espacial e a simbolização gestual.

Visual

Como aprendem:

  • Dificuldades com aulas expositivas. Trabalhar com estímulos visuais é necessário (cartazes, lousa, figuras, textos impressos, etc.).
  • Observadores: fale sempre olhando para os alunos.
  • Costumam fazer leitura da linguagem corporal.
  • Gostam de fazer anotações o tempo todo.
  • Possuem facilidade com mapas.
  • Ficam atentos aos detalhes (concentração).
  • Possuem bom dicionário mental.
  • São metódicos.
  • Visualizam as palavras antes de escrever (boa ortografia).

O que fazer:

  • Ofereça recursos visuais sobre a aula estudada (exemplo vídeo-aula)
  • Aproveite esquemas e gráficos.

Métodos e autores importantes:

  • Leitura com imagens.
  • Método Integral: cores – estrutura da escrita – construído a partir das necessidades dos alunos (OÑIATIVIA, 2000).
  • Emilia Ferreiro (2004), Teberosky e Ferreiro (1991) – construção da escrita (figura – palavra- diagnóstico da escrita).

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Auditivo

Como aprendem:

  • Aprendem facilmente ouvindo.
  • Gostam de diferentes estímulos sonoros (música, rádio, televisão, etc).
  • Preferem instruções orais (verbais).
  • Falam e explicam para o outro o que aprenderam, pois a fala organiza o pensamento.
  • Expressam verbalmente emoções.
  • Costumam fazer muitas perguntas e ter falhas ortográficas (escrevem como ouvem).
  • Distraem-se facilmente com sons.

O que fazer:

  • Procure gravar as aulas e peça que o aluno escute as gravações periodicamente.
  • Oriente o aluno para que grave a sua própria voz ao estudar.
  • Leia textos em voz alta e proporcione discussões e conversas em grupo.

Métodos e autores importantes:

  • Método Fônico (CAPOVILLA e CAPOVILLA, 2004). Consciência fonológica – a consciência com relação aos sons que ouvimos e falamos.
  • Método Fônico Computadorizado (CAPOVILLA e CAPOVILLA, 2005).
  • Método Tradicional (Centrado na fala, discurso).

Teórico

Como aprendem:

  • São bastante criativos, organizados e planejam suas tarefas.
  • Seguem instruções e perguntam bastante.
  • Atraem-se por exercícios que trabalhem com memorização, reflexão, atenção, concentração.

O que fazer:

  • Oriente que os alunos façam registros através de anotações.
  • Trabalhe com a repetição, memorização e planejamento dos estudos.

Métodos e autores importantes:

  • Construtivismo – reflexão sobre o erro (WADSWORTH, 1997).
  • Método Tradicional – transmissão de conhecimento, decorar, copiar, repetir (LIBÂNEO, 1990).
  • Cognitivista – organização do conhecimento, processamento de informação, planejamento (Piaget).
  • Cartilhas, apostilas.

Em sala de aula, seria importante que pudéssemos trabalhar com o estilo de aprendizagem de cada um de nossos alunos. Contudo, sei que deve estar pensando que isto é impossível, certo?

Esse desafio pode ser encarado com a diversificação da prática pedagógica.

Lembre-se que o melhor método nem sempre é aquele adotado pela escola, ou mesmo aquele que o professor mais gosta de trabalhar. O melhor método é aquele que funciona para o aluno, seja ele qual for. Para isso, utilize em sua prática pedagógica uma diversidade de materiais e estratégias que possam contemplar os estilos de aprendizagem. É como se, todos os dias, você abrisse uma mochila cheia de métodos e recursos distintos.

Inove suas aulas com pequenas modificações, pensando em diferentes variações para uma mesma atividade. Por exemplo: pense em vários materiais, texturas, cartazes; atividades para ler, ouvir copiar, gravar, encenar; envolva uma música, filme, teatro; pense na frequência dos exercícios; sugira maquetes, vivências, etc.. Faça uso de muitos jogos e materiais concretos.

Confira algumas sugestões de materiais para cada estilo de aprendizagem

Estilo cinestésico – Jogo: Encontrando a quantidade

(foto: The Imagination Tree)

(foto: The Imagination Tree)

Você vai precisar de: 1 tabuleiro com tampas numeradas até 10(você também pode usar copos ou pequenos potes), 55 moedas ou pedrinhas coloridas.

O jogador deve distribuir as moedas pelo tabuleiro fazendo a correspondência entre o número e a quantidade de moedas em cada tampa.

Estilo visual – Jogo: Cadê a letra?

(foto: Oopsey Daisy)

(foto: Oopsey Daisy)

Você vai precisar de: 1 Tabuleiro com o alfabeto , 26 peças com letras móveis do alfabeto e 3 marcadores.

Esse jogo se assemelha ao Lince, mas, no lugar das figuras, temos as letras do alfabeto. O alfabeto móvel deve ficar virado para baixo. Se for jogado individualmente, o jogador deve colocar a letra sorteada sobre a letra igual no tabuleiro até acabarem as peças. Se for jogado por mais pessoas, quem encontrar primeiro a letra sorteada deve colocar o marcador sobre ela, e ficar com esta letra. Ganha o jogo quem tiver mais letras.

Estilo auditivo – Jogo: Rolinho sonoro

(foto: Thrive 360 Living)

(foto: Thrive 360 Living)

Você vai precisar de: 5 rolinhos com sons diferentes para se trabalhar os numerais. Cada um deve conter a respectiva quantidade de peças. Material bem aproveitado por crianças com autismo e transtornos globais do desenvolvimento.

Estilo teórico: Jogo: Treinando a escrita

(foto: Teaching.Au)

(foto: Teaching.Au)

Você vai precisar de: placas plastificadas com  o alfabeto, vogais, o nome da criança e canetas para quadro branco com apagador.

O objetivo é treinar a escrita contornando as letras claras. Isso substitui o pontilhado, que muitas vezes pode ser um problema, principalmente para crianças com Síndrome de Down.

Valorize sempre as diferenças em sala de aula, pois cada um tem o seu talento – só precisamos encontrar formas para que eles apareçam! Comece por descobrir como você mesmo aprende, professor, pois talvez isso te ajude a ensinar ainda melhor!

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Gaste seu tempo com o que realmente importa - horizontal

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

 

3 gerações respondem: Qual era sua brincadeira preferida na infância?

A natureza sempre fez parte da infância - e isso precisa continuar (foto: reprodução/Nature Valley)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional/Relatórios
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3 gerações respondem: Qual era sua brincadeira preferida na infância?

O que é melhor: brincar do lado de fora, em contato com a natureza, ou dentro de casa, com um tablet ou computador? A resposta varia de acordo com a idade do entrevistado. Apesar de a tecnologia ser uma ferramenta que oferece, comprovadamente, diversas possibilidades de aprendizado (entre elas, o raciocínio lógico e a motricidade fina), quem convive com crianças pode observar claramente uma falta de limites no uso desses aparelhos.

Para incentivar o redescobrimento da natureza, uma campanha lançada no Canadá entrevistou pessoas de três gerações diferentes com a pergunta: o que você fazia para se divertir na infância? As respostas dos primeiros grupos são um contraste chocante com as do último, quando as crianças conversam sobre longas horas gastas em frente a telas.

O vídeo da empresa Nature Valley (e traduzido pela Eduqa.me) faz parte da campanha #RediscoverNature. Ele levanta um debate sobre o que a geração atual realmente ganhou e perdeu com o advento da tecnologia. Ao mesmo tempo, é um convite para que pais, familiares e educadores desenvolvam mais atividades prazerosas do lado de fora e cultivem nos pequenos o contato com o meio ambiente.

A natureza sempre fez parte da infância - e isso precisa continuar (foto: reprodução/Nature Valley)

A natureza sempre fez parte da infância – e isso precisa continuar (foto: reprodução/Nature Valley)

Na campanha, adultos e idosos contam o que faziam para se divertir quando pequenos - e temem que as novas gerações nunca experimentem aquelas brincadeiras (foto: reprodução/Nature Valley)

Na campanha, adultos e idosos contam o que faziam para se divertir quando pequenos – e temem que as novas gerações nunca experimentem aquelas brincadeiras (foto: reprodução/Nature Valley)

Para entender melhor as vantagens e cuidados necessários no uso de aparelhos eletrônicos na infância, confira Computadores, tablets e celulares – eles têm vez na sala de aula?, em que uma consultora em tecnologia educacional explica formas positivas de se trabalhar com os alunos no mundo virtual.

Entender qual a brincadeira preferida e perceber como a criança se comporta diante dessa e de outras brincadeiras vai te ajudar a fazer os registros mais específicos do seu aluno no processo ensino-aprendizagem.

Essas anotações são importantíssimas e devem ser feitas individualmente com os relatórios individuais  fica bem mais fácil acompanhar a evolução desse pequenino, não é? Então, minha dica é que você tenha frequência na escrita e indícios com fotos e vídeos em um local seguro de maneira simples.

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Síndrome de Irlen? Nunca ouvi falar!

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Síndrome de Irlen? Nunca ouvi falar!

Você conhece a Síndrome de Irlen?

Se sua resposta for sim, saiba que é um profissional muito ligado aos novos conhecimentos; mas, se sua resposta for não, fique tranquilo: você pertence ao grupo da maioria!

A maioria das pessoas desconhece o que é a Síndrome de Irlen (S.I.). Isso porque, no Brasil, a S.I é conhecida há apenas 5 anos; portanto, temos muito a desvendar. A Síndrome de Irlen (S.I.), também conhecida como dislexia de leitura, é um problema que passa despercebido aos olhos de muitos profissionais, já que possui características muito semelhantes à dislexia.

É uma alteração do processamento visual, de ordem hereditária e genética, causada pelo desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz. Isso produz alterações visuo-perceptuais, causando dificuldades principalmente com a leitura. Segundo dados do Hospital de olhos de Minas Gerais, de 2015, a prevalência da S.I. é maior do que a dislexia, sendo 4 para cada 10 crianças.

Exemplos de: uma visão distorcida, uma visão com letras embaralhas, e de letras que parecem saltar do papel (foto: Irlen Central England)

Exemplos de: uma visão distorcida, uma visão com letras embaralhadas, e de letras que parecem saltar do papel (foto: Irlen Central England)

Fique atento aos sintomas mais comuns:

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  • Cefaleia (dor de cabeça),
  • Coceira nos olhos,
  • Os olhos lacrimejam,
  • Enjoo,
  • Intolerância à luz/ desconforto causado pela luz solar,
  • Dificuldade visuo-espacial,
  • Dificuldades de aprendizagem,
  • Problemas significativos com a leitura: leitura fragmentada, omissão ou troca de letra, as letras parecem pular ou ficam distorcidas, costumam perder ou pular linhas na leitura de um texto,
  • Muita dificuldade em manter o foco e a concentração num texto lido,
  • Insegurança com esportes de bola e também ao descer e subir uma escada rolante,
  • Sonolência e distração.

A observação em sala de aula é fundamental para o apoio do diagnóstico precoce. Se o seu aluno possui alguma destas características, suspeite e o encaminhe para uma avaliação psicopedagógica (leia mais sobre quando encaminhar a criança a um especialista aqui).

Os profissionais da escola devem saber que crianças com S.I. enxergam bem e não percebem que possuem estas alterações ou distorções na visão – o que significa que, ao serem encaminhadas ao oftalmologista, a avaliação poderá ser “normal”. A S.I. é detectada através de um exame de processamento visual realizado por um profissional da saúde ou de educação devidamente capacitado. Os profissionais que recebem este treinamento são chamados de Screening.

O momento ideal para se identificar a síndrome é por volta dos 6 ou 7 anos de idade, por ser a fase inicial de aquisição da leitura e escrita. E aí, fica o questionamento: quantos alunos são confundidos ou ligados a adjetivos negativos (preguiçoso, desmotivado, entre outros) como consequência de um diagnóstico falho?

Exemplos de Overlays – sobreposições coloridas. Em alguns casos, também são usadas overlays em formato de régua (foto: Upgrade Ape)

Exemplos de Overlays – sobreposições coloridas. Em alguns casos, também são usadas overlays em formato de régua (foto: Upgrade Ape)

Observe os principais sinais da S.I. que podem ser detectados em sala de aula:

  • Por conta da fotofobia (sensibilidade à luz), a criança costuma demonstrar uma percepção de brilho excessivo ao usar as folhas brancas, o que atrapalha o desenvolvimento da leitura escrita,
  • Faz uma leitura fragmentada ou silabada,
  • Na escrita, as letras podem estar grafadas de maneira tremida ou flutuantes, fora das linhas,
  • Costuma pular linhas ou pedaços do texto no momento de uma leitura. É possível perceber este fato quando a criança lê em voz alta ou apresenta problemas com a interpretação de texto,
  • Perda freqüente da atenção em situações de leitura,
  • Estresse visual, ou seja, o aluno pisca muitas vezes, os olhos lacrimejam ou ainda coçam e protegem os olhos.

O tratamento realizado baseia-se no uso de transparências coloridas, também chamadas de “overlays”, para a leitura de textos em papel ou no computador/tablet, que neutralizam o contraste luminoso. Para cada pessoa utiliza-se uma cor diferente após a avaliação do processamento visual.

Existem óculos, por enquanto, produzidos apenas nos Estados Unidos, com a coloração das lentes específica à necessidade do sujeito. Infelizmente, eles continuam sendo inviáveis para boa parte das famílias, não só pelo custo, mas também porque o grau da criança ainda é instável.

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Como adaptar as atividades em sala de aula? Confira algumas dicas:

  • Primeiro passo: aproxime-se sempre do seu aluno. Muitas vezes eles nos dão pistas sobre o que fazer.
  • Vale ressaltar que a S.I. não tem nenhuma relação com a inteligência. As dificuldades explicitadas são extintas com o uso das transparências ou lentes específicas.
  • Motive o seu aluno o máximo que puder, pois, quando ele se sente acolhido e seguro, consegue driblar melhor algumas dificuldades. É muito comum que estas crianças tenham uma inteligência acima da média, já que precisam o tempo todo de um esforço muito maior que os demais para resolver situações-problema.
  • Cuidado com o contraste da folha e do texto (claro e escuro – preto no branco). Use o texto de cor escura em um fundo claro (não branco). Se você já souber qual é a cor de conforto da criança, utilize-a sempre, seja através da mudança de cor da folha, seja com o apoio das overlays.
  • Se a criança ainda não tem a overlay, as pastas plásticas coloridas, conhecidas como pasta em L no Brasil, também podem ser utilizadas na adaptação das atividades de leitura. Para a escrita, utilize as folhas de sulfite coloridas ou outro tipo de papel, também com alguma cor. Dê preferência a papéis mais espessos e foscos, para evitar que o outro lado fique transparente… nada de brilho!
  • Use e abuse das figuras para explicar novos conteúdos ou reforçar conteúdos antigos.
  • Evite palavras sublinhadas ou em itálico. O negrito é bem-vindo.
  • Aproveite as atividades que envolvam o pensamento e o raciocínio lógico, pois, em grande parte das vezes, crianças com S.I. possuem habilidades nesta área.
  • Utilize jogos como o quebra-cabeça e peças tridimensionais.
  • Explore a criatividade da criança.
  • É necessário, sempre, descobrir como o aluno aprende melhor (tendo ele S.I. ou não). Perceba como ele prefere aprender, se gosta de explorar, sentir, ouvir ou ver. Isso ajuda muito!
Exemplo do Ssoverlay em funcionamento (foto: Ssoverlay)

Exemplo do Ssoverlay em funcionamento (foto: Ssoverlay)

Utilize programas para o computador ou tablet como: Irlen Colored Overlays – para computadores e notebooks (tem um pequeno custo); Irlen Colored Overlay App – para Smartphone android e tablet (tem um pequeno custo); Color Overlay, ferramenta de sobreposição de cor que pode ser adicionada ao Google Chrome através do painel de administração do Google Apps (este recurso é gratuito e muito bom, utilizado apenas em ambiente web); Ssoverlay – semelhante ao Color Overlay, do Google, porém para ser utilizado no Windows. Bem interessante e gratuito.

Chegou a hora de fazer o portfólio das crianças! Mas como organizar todas as informações? Fazer o portfólio não se trata apenas de reunir todas as atividades e produções do aluno, é um trabalho cuidadoso que deve mostrar a trajetória detalhada da evolução das crianças em sala. Dependendo da escola, ele é analisado bimestral, trimestral ou semestralmente, para a avaliação formativa da criança.

Para ajudar você com essa tarefa criamos um ebook com informações valiosas para a criação, organização e avaliação.

Veja o exemplo e perceba como é fácil inserir as anotações individuais na Eduqa.me:

 

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Leia mais:

Fundação Olhos

Irlen Conference Brazil (em português)

Irlen Institute (em inglês)

 

 

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Hora da história: as vantagens do faz de conta na Ed. Infantil

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças (foto: Google)

Atividades/Linguagem/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional
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Hora da história: as vantagens do faz de conta na Ed. Infantil

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças (foto: Google)

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças.

A alfabetização começa com as habilidades de ouvir e falar. A língua falada ajuda crianças a comunicar de que precisam e a entender o mundo. Ainda que seja crucial ler livros desde os primeiros anos de vida, contar histórias via oral também pode ser uma ferramenta útil para desenvolver o letramento.

O faz de conta

Algumas das minhas memórias favoritas de infância são das histórias que meu pai contava a meu irmão e eu antes de irmos para a cama. Quando estava nervosa por usar óculos pela primeira vez, ele inventou uma narrativa divertida sobre uma menina cujos óculos mágicos permitiam que visse as respostas da prova do dia seguinte, na escola. Ouvir um faz de conta sobre o tema me ajudou a manter a calma e até mesmo ficar empolgada em vista da mudança.

Você pode usar essa prática em sala de aula para promover a alfabetização e nutrir o desenvolvimento sócio-emocional.

Durante períodos de atividade em grupo, o professor e a classe podem construir juntos uma história própria. Você pode introduzir o exercício dizendo às crianças que precisa da ajuda delas para contar uma história.

Depois de iniciar o conto, vá incorporando as sugestões da turma como detalhes – por exemplo, você pode começar dizendo “Era uma vez um filhote de leão que estava muito alegre e animado. Por que será que ele estava assim, tão alegre?” e, nesse momento, um dos alunos palpita que o bebê estava feliz porque ganharia um irmãozinho. Continue a narrativa, acrescentando algumas frases próprias e outras, das crianças, e sempre fazendo perguntas para expandir a história.

Retome a história criada pela turma em outras aulas, com fantasias e apetrechos para dramatização (foto: Google)

Retome a história criada pela turma em outras aulas, com fantasias e apetrechos para dramatização!

Prolongue a hora da história por tanto tempo quanto as crianças permanecerem interessadas. Provavelmente, o resultado final será bastante engraçado, já que você permitiu que a imaginação delas guiasse o processo. Com isso, a turma não apenas descobrirá que histórias são fonte de prazer como também estará praticando a participação construtiva e colaborativa quando em equipe.

Mais tarde, você pode anotar o conto inventado para tornar a lê-lo em sala. Os alunos devem adorar ouvir novamente a história que ajudaram a criar! Pense até mesmo em incluir fantoches e fantasias que os levem a interpretar a cena como uma peça de teatro.

Além de promover a linguagem e a leitura, essa atividade é uma oportunidade de as crianças expressarem preocupação, medo ou empolgação a respeito de situações ocorrendo em suas vidas – assim como aconteceu com a história do meu pai, que acalmou meu nervosismo quanto aos óculos!

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Esse texto é uma tradução do artigo “Everyone loves a good story”, do Teaching Strategies. Para ler o original, clique aqui.