Você sabe motivar seus alunos?

Valorize a iniciativa e a participação - nem sempre é fácil para uma criança levantar a mão e se expor diante da classe (foto: Google)

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Você sabe motivar seus alunos?

“Pedro é inteligente e tem muito potencial, MAS…” – você já começou dessa forma um bilhete para os pais? Eu, já. É frustrante para qualquer professor observar uma criança que, mesmo sem qualquer deficiência de aprendizado, não consegue atingir seus objetivos escolares. Contudo, esse também é o momento de respirar fundo e repensar suas atitudes em sala de aula: suas práticas pedagógicas fazem emergir o que há de melhor nos alunos? Você sabe como motivá-los?

A motivação é parte essencial do aprendizado e deve ser atingida por meio de reforços positivos, mais do que por ameaças e punições. Altos níveis de estresse e ansiedade têm impacto negativo no desenvolvimento infantil, diminuindo o envolvimento com a lição e com a figura do professor.

Disciplinar a turma através de repreensões, sem procurar a origem do descaso do aluno, gera crianças desmotivadas e com baixa autoestima. Com o tempo, é comum que elas deixem de participar de atividades na escola, repetindo um discurso de incompetência: “Não sei fazer isso, não consigo, não adianta tentar”.

Por outro lado, incentivos como pequenos prêmios e elogios, que reconheçam o esforço ou o trabalho bem feito, funcionam como combustível para a aprendizagem. A partir do momento em que a criança se sente capaz de aprender, ela não irá podar a própria curiosidade nem inibir suas tentativas de solução – e, quanto mais tentativas, mais chances de acerto. A memória e a concentração também operam mais livremente em ambientes com menos julgamento.

Acionar as áreas de recompensa do cérebro tornam a crianças mais motivadas e disposta a aprender coisas novas (foto: Google)

Acionar as áreas de recompensa do cérebro tornam a crianças mais motivadas e disposta a aprender coisas novas (foto: Google)

Isso ocorre porque o cérebro possui um sistema dedicado à motivação e à recompensa. Quando uma criança é afetada positivamente (quando, por exemplo, ela consegue chutar a bola para o gol e sua classe comemora), as áreas de prazer recebem uma dose de dopamina, substância que aumenta o bem-estar e mobiliza a atenção. Ou seja, dali em diante, a ação ou objeto que proporcionou essa sensação alegre será reforçada e a criança vai querer repeti-la.

O efeito não ocorre quando a tarefa a ser cumprida é fácil demais – nesse caso, não há desafio. Portanto, pedir à uma classe de 5 anos que conte até dez muito provavelmente não surtirá o mesmo efeito desse mesmo exercício realizado com uma turma de 3 anos. Atividades muito difíceis, que ultrapassam a base de conhecimento prévio das crianças naquele momento, também serão abandonadas, pois o cérebro não encontra o prazer do sistema de recompensas.

Na primeira infância (dos 0 aos 6 anos), esse ciclo de curiosidade-desafio-solução-recompensa deve ser mais breve, pois a concentração ainda está em desenvolvimento. Os alunos não têm a habilidade de focar por longos períodos em uma única tarefa. Esse tempo, porém, pode se estender gradativamente conforme a pessoa cresce; no Ensino Fundamental ou Médio, já é indicado propor projetos de longa duração e que envolvam uma pesquisa mais aprofundada.

Mesmo realizando atividades apropriadas à faixa etária, seus alunos não demonstram interesse? Confira algumas atitudes positivas que podem motivá-los.

Conheça as crianças

Existem duas formas de motivação. A motivação intrínseca, que se baseia em interesses pessoais, e a extrínseca, que é influenciada por fatores externos. Por exemplo, um aluno que se sai bem nas aulas de Literatura porque gosta de ler estuda por uma motivação intrínseca. Por outro lado, aquele que tira notas igualmente boas com o objetivo de passar no vestibular e entrar em uma boa faculdade (ou seja, ele não gosta particularmente do assunto, mas o faz por recompensas materiais ou sociais), está agindo sob uma motivação extrínseca.

Para ativar essas áreas, o professor precisa conhecer efetivamente sua classe. O que eles querem, de que gostam, como são suas vidas fora do ambiente escolar? Isso permite que ele prepare aulas atrativas de acordo com os interesses do grupo.

É essencial que as crianças entendam como aquele conteúdo se relaciona com a realidade delas. De que forma aquele assunto interfere com sua rotina? Levante questionamentos e desperte a curiosidade delas, deixando claro que aquele conhecimento pode fazer a diferença. Se, pelo contrário, elas não perceberem utilidade para os ensinamentos, tendem a se esforçar cada vez menos.

Crie laços

Ter relacionamentos de afeto e preocupação genuína com as crianças ajuda a criar um ambiente acolhedor. Se os alunos se sentirem respeitados e aceitos uns pelos outros e pelos adultos ao seu redor, sua autoconfiança tende a crescer e eles não terão medo de julgamento. Portanto, estarão mais livres para tentar e propor ideias.

Valorize a iniciativa e a participação - nem sempre é fácil para uma criança levantar a mão e se expor diante da classe (foto: Google)

Valorize a iniciativa e a participação – nem sempre é fácil para uma criança levantar a mão e se expor diante da classe (foto: Google)

Elogie e incentive

Não deixe atos de coragem ou criatividade passarem em branco – mesmo que eles não sejam completamente bem sucedidos. Aquele menino que detesta matemática se voluntariou para resolver uma operação no quadro-negro? Uma menina tímida levantou a mão para ler para a sala? Recompense essas atitudes com algumas palavras de encorajamento, parabenizando o esforço.

Leve em consideração como essa exposição foi difícil para o aluno. Se, diante de seus colegas, ele falhar e for repreendido com severidade, é possível que se sinta inibido quando a próxima oportunidade surgir. As crianças também serão guiadas pelo exemplo: ao ver um amigo ser reconhecido publicamente por sua iniciativa, tendem a participar mais, em busca da mesma afirmação.

Ofereça pequenos prêmios

Nem todos concordam com premiações durante o processo de aprendizado – mas elas não precisam se referir, necessariamente, a pirulitos e brinquedinhos. Use experiências positivas como recompensa para um trabalho bem feito. Isso proporciona novos momentos de aprendizagem associados à diversão.

Experimente organizar eventos como sessão de filme, dia da massinha de modelar, visita a uma biblioteca ou aula de culinária na cozinha da escola. Reforce que a classe pode realizar essas atividades porque mostrou bom comportamento e colaboração.

Porém, mantenha sua palavra: não prometa prêmios e recompensas que não sabe se poderá cumprir. Combine previamente com a coordenação da escola o que pode ser arranjado – assim, você não corre o risco de perder a credibilidade entre os alunos.

Durante as aulas, carimbos e figurinhas adesivas, entregues às crianças que fizeram a tarefa de casa ou se envolveram na lição do dia, também funcionam como um estímulo positivo.

Torne suas aulas divertidas

Um professor desanimado e entediado quase com certeza terá alunos desanimados e entediados. Nem toda aula precisa de fogos de artifício, mas é fundamental que o professor esteja descansado e de bom humor.

Mostre às crianças que você está interessado naquele tema e empolgado em estar ali. Quando possível, insira um jogo ou exercício em grupo para aumentar o envolvimento da classe – todos se sentiram mais inclinados a vir para a escola quando as aulas forem divertidas, e não uma obrigação sem sentido.

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7 formas de estimular a criatividade na infância

A criatividade não está ligada apenas a atividades artísticas. O pensamento criativo ajuda na ciência, matemática e desenvolvimento social (foto: Google)

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7 formas de estimular a criatividade na infância

Muitas pessoas assumem que a criatividade é um talento inato, que as crianças simplesmente têm ou não têm: assim como nem todas as pessoas são igualmente inteligentes, tampouco são igualmente criativas. Entretanto, na verdade, a criatividade é mais uma habilidade do que um talento imutável, e pode ser desenvolvida com a ajuda de pais e professores.

A criatividade é parte do caminho para o sucesso em praticamente qualquer empreitada e, por isso, um elemento chave para uma vida feliz e saudável – portanto, uma habilidade que precisa ser praticada com as crianças. Criatividade não se limita à expressão artística e musical; ela é essencial para a ciência, a matemática e mesmo para a inteligência social e emocional. Indivíduos criativos são mais flexíveis e demonstram facilidade ao resolver problemas, o que os torna mais aptos a se ajustar, por exemplo, a novas tecnologias, e a lidar com mudanças – assim como a aproveitar ao máximo novas oportunidades!

A criatividade não está ligada apenas a atividades artísticas. O pensamento criativo ajuda na ciência, matemática e desenvolvimento social (foto: Google)

A criatividade não está ligada apenas a atividades artísticas. O pensamento criativo ajuda na ciência, matemática e desenvolvimento social (foto: Google)

Muitos pesquisadores acreditam que nós mudamos a experiência da infância tão profundamente que impedimos o desenvolvimento da criatividade. Empresas de brinquedos e entretenimento alimentam os pequenos com um número sem fim de personagens pré-fabricados, imagens, peças e roteiros que fazem com que a criança deixe a imaginação de lado. Elas não precisam mais imaginar que um cabo de vassoura é uma espada: eles podem brincar de Star Wars com um sabre de luz igual ao dos filmes, vestidos em fantasias específicas para cada papel que estão interpretando.

Aqui estão algumas ideias para cultivar a criatividade nas crianças (seja como família ou na escola):

#1 Disponha os recursos necessários para a expressão criativa

O recurso essencial, aqui, é o tempo. As crianças precisam de muito tempo para brincadeiras desestruturadas, lúdicas e criativas. Permita que elas brinquem sem o direcionamento dos adultos e sem influência de produtos comerciais.

O espaço também é um recurso valioso. A não ser que você não ligue para a bagunça em qualquer lugar da casa (o que, provavelmente, não é o caso), dê a elas um local específico aonde possam bagunçar, explorar fantasias ou construir com Lego – leia mais sobre 12 atividades criativas com Lego.

Da próxima vez que alguém pedir sugestões de presente para seus filhos, peça coisas como material artístico, câmeras baratas, peças de roupa para fantasias, blocos para montar. Organize esse conteúdo em caixas ou prateleiras baixas, que possam ser manuseadas por crianças pequenas sem ajuda.

Defina espaços onde as crianças podem brincar e se expressar livremente - quando elas estiverem lá, tente não se importar muito com a bagunça (foto: Google)

Defina espaços onde as crianças podem brincar e se expressar livremente – quando elas estiverem lá, tente não se importar muito com a bagunça (foto: Google)

#2 Torne sua casa (ou sala de aula) um lugar de cultivo à criatividade

Além do espaço adequado, você precisa de uma atmosfera criativa. Peça sugestões e ideias às crianças sempre que possível, e resista ao impulso de avaliá-las. Ao planejar um passeio, por exemplo, instigue-as a listar coisas que nunca tenham feito antes e que gostariam de fazer. Não corte imediatamente as ideias impossíveis de se realizar, nem decida quais são as melhores. O foco da atividade é o processo de gerar novas ideias.

Encoraje os pequenos a cometer erros e falhar. Crianças com medo de errar ou de serem julgadas vão podando seu pensamento criativo. Compartilhe com eles erros que você mesmo cometeu recentemente para que vejam que não há problema em estar enganado. Rir de si mesmo após um escorregão é um hábito saudável.

Por outro lado, celebre inovação e criatividade. Cubra as paredes com arte e outras evidências de expressão criativa. Conte às crianças sobre seus artistas favoritos, músicos e cientistas de que goste. Divida histórias sobre arquitetura, fotografia ou novas bandas que você descobriu. Abrace novas tecnologias e redes sociais para que elas aprendam a ver a mudança como empolgante, e não assustadora.

#3 Permita que as crianças tenham autonomia e liberdade para explorar ideias e tomar decisões

Pare de viver com medo de que as crianças sejam sequestradas ou não entrem na melhor universidade do país. Estatisticamente, as chances de que seus filhos sejam sequestrados é mínima – e a vida de ninguém é mais feliz apenas por ter frequentado uma universidade de ponta.

Limites muito rígidos (como obrigar um aluno de 3 anos a colorir dentro das linhas o tempo todo) podem reduzir a flexibilidade de pensamento. Ao invés de mostrar à turma como montar um modelo, deixe que ela descubra como executar a tarefa da melhor maneira.

Proponha diálogos, peça opiniões e realmente escute o que as crianças têm a dizer (foto: Google)

Proponha diálogos, peça opiniões e realmente escute o que as crianças têm a dizer (foto: Google)

#4 Encoraje a leitura por prazer e a participação em atividades artísticas

Limite o tempo da televisão. Desligue os aparelhos eletrônicos mais cedo para criar momentos para a criatividade. Elaborem e ensaiem peças de teatro, aprendam a desenhar ou leiam todos os livros de uma coleção divertida.

#5 Aceite que as crianças tenham opiniões divergentes

Deixe-as discordar de você. Estimule a busca por novos caminhos para atingir uma solução, ou várias soluções para um mesmo problema. Quando elas resolverem um desafio, peça que o façam novamente, mas de outra maneira.

#6 Não ofereça prêmios

Esse tipo de incentivo interfere no processo, reduzindo a qualidade das respostas das crianças e sua originalidade. Deixe que os pequenos gastem mais tempo e dominem atividades criativas pelas quais eles realmente se interessam, ao invés de tentar atraí-los com recompensas. Ao invés de comprar um sorvete para a criança por praticar o piano, permita que ela escolha uma tarefa de que goste mais: sentar-se para desenhar, por exemplo, ou entrar em uma aula de ciências na escola.

#7 Valorize o processo e não o produto final

Faça isso mudando o tom da conversa com seus filhos ou alunos. Não pergunte imediatamente pelas notas no boletim – questione-os sobre a atividade. Eles se divertiram? De que mais gostaram durante o exercício? Já terminaram ou ainda há algo por fazer? Como planejam fazer isso?

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(Esse texto é uma tradução do artigo “7 Ways to Foster Creativity in your Kids”, do Greater Good. Leia o original aqui).

4 sinais de que seu aluno pode ter dislexia

Por ser um distúrbio de linguagem, a dislexia começa a aparecer durante a alfabetização - mas há sinais observados desde o início da Ed. Infantil (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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4 sinais de que seu aluno pode ter dislexia

A criança olha para o quadro, mas não consegue compreender o que o professor escreveu ali. Esse pode ser um sintoma de dislexia?

A dislexia é um distúrbio que causa dificuldade na linguagem – e é comumente identificado nos últimos anos da Educação Infantil e início do Fundamental I, quando a turma começa a ser alfabetizada. Enquanto o resto da classe acompanha o letramento, a criança disléxica luta para organizar letras e palavras, realizar leituras ou escrever dentro das linhas. A longo prazo, essa defasagem acaba prejudicando o processo de aprendizado em todas as áreas de conhecimento.

Por ser um distúrbio de linguagem, a dislexia começa a aparecer durante a alfabetização - mas há sinais observados desde o início da Ed. Infantil (foto: Google)

Por ser um distúrbio de linguagem, a dislexia começa a aparecer durante a alfabetização – mas há sinais que podem ser observados desde o início da Ed. Infantil (foto: Google)

Para diagnosticar o problema a tempo, professores de Educação Infantil precisam estar atentos ao desenvolvimento de seus alunos, mantendo contato frequente com as famílias para se inteirar do comportamento em casa e possíveis dificuldades que estejam se manifestando fora da sala de aula. Esses são os sinais que devem ser observados:

Atraso no desenvolvimento motor

Mesmo antes de a alfabetização começar, fique atento aos sintomas. É usual que crianças disléxicas apresentem atraso no desenvolvimento da coordenação motora, demorando para engatinhar, sentar e andar, nos primeiros anos de vida. Mais adiante, elas podem demonstrar dificuldade em brincadeiras comuns da infância: não conseguem chutar ou apanhar uma bola, não se equilibram em um pé só ou não andam de triciclo e bicicleta.

Quando a classe é introduzida a lápis, canetas e giz, ferramentas que exigem certa motricidade fina (destreza com as pontas dos dedos), o problema se torna mais claro. Alunos com dislexia podem não conseguir traçar desenhos fluidos ou reproduzir imagens e letras. Na pré-escola e primeiros anos de Ensino Fundamental, a caligrafia é bastante defeituosa, com escrita irregular.

Confusão entre letras e sílabas

Você enxerga facilmente a diferença entre “h” e “n”? E entre “d” e “b”? Provavelmente, sua resposta foi afirmativa. Se tivesse dislexia, porém, poderia ser bem diferente. Essas crianças apresentam confusão ao se deparar com letras com grafias semelhantes, ou, ainda, que possuam sons parecidos (“d” e “t” ou “c” e “q”, por exemplo).

O mesmo ocorre com sílabas: repare se algum dos alunos inverte sílabas de palavras simples, omite ou adiciona sílabas extras à palavra.

Exercícios de soletração são outra maneira de observar dificuldades de linguagem entre as crianças. Com dislexia, a atividade se torna especialmente desafiadora (e, por vezes, inatingível), e ela tende a embaralhar as letras.

Na primeira infância, o desenvolvimento motor atrasado pode ser sintoma de dislexia: repare em falta de equilíbrio, demora para andar ou engatinhar e dificuldade ao andar de bicicleta (foto: Google)

Na primeira infância, o desenvolvimento motor atrasado pode ser sintoma de dislexia: repare em falta de equilíbrio, demora para andar ou engatinhar e dificuldade ao andar de bicicleta (foto: Google)

Dificuldade de raciocínio e memorização

Nem todo sintoma de dislexia se apresenta por escrito. Indivíduos disléxicos podem não conseguir acompanhar raciocínios longos, como histórias e explicações muito extensas. Que tal usar a roda da história para conferir como está a compreensão da classe? A atividade já é comum na rotina da Educação Infantil – basta que o professor peça, ao fim da leitura do livro, que as crianças contem de que se lembram sobre a narrativa ou digam aos colegas o que aprenderam.

Procure perceber também se algum dos alunos está com problemas para memorizar dias da semana, meses do ano, ver as horas no relógio analógico ou identificar direita e esquerda. Quem sofre com dislexia encontra problemas ao realizar operações matemáticas simples, e frequentemente utiliza os dedos para calcular.

Relutância em ir para a escola

Como consequência dessas deficiências, é natural que a criança disléxica tenha sentimentos conflitantes quanto à escola e desenvolva baixa autoestima. Ela passa a se sentir mal em sala de aula, e pode inventar desculpas para não participar de atividades em grupo ou até mesmo para não comparecer.

Muitas vezes, o comportamento é confundido com distração, preguiça ou desinteresse – como não consegue decifrar os exercícios, o aluno desiste e se isola. Como professor, certifique-se de que, quando isso ocorre, ele de fato entendeu o que se espera dele na atividade, e dê tempo o suficiente para que a complete. Aceite respostas orais ao invés de por escrito, caso ele ainda não seja capaz de redigir, para incentivar a participação. Além disso, não destaque as dificuldades da criança para o resto da turma, sempre dando enfoque aos sucessos e esforços.

Mostre aos pais como ajudar o desenvolvimento da escrita e da leitura em casa, com paciência e engajamento (foto: Google)

Mostre aos pais como ajudar o desenvolvimento da escrita e da leitura em casa, com paciência e engajamento (foto: Google)

O que fazer ?

Um dos sinais acima, isolado, não classifica automaticamente uma criança como disléxica – eles devem apenas servir de base para o encaminhamento a um profissional. Psicólogos ou psicopedagogos devem trabalhar em parceria com a escola e a família para fazer o diagnóstico.

É fundamental que essa descoberta seja feita o mais cedo possível, para que o aluno seja tratado de acordo com suas capacidades, sem sofrer danos à sua confiança e socialização. Evite o preconceito em sala de aula explicando abertamente o que é dislexia – que tal citar pessoas famosas e bem sucedidas que possuíam o distúrbio? – e criando um ambiente em que as diferenças sejam incluídas. Não incentive a pena ou vitimize a criança. Pelo contrário, trabalhe para que ela seja inserida de igual para igual pelos colegas.

Quando o preconceito parte dos pais, que com frequência discordam do tratamento especial oferecido ao filho, convide-os à escola e reforce que as portas estão sempre abertas. Explique que o “tratamento especial” nada mais é do que um caminho para atender às necessidades da criança, e não para injustiçá-la ou diminuí-la. Use exemplos de outros alunos, não disléxicos, mas com suas próprias dificuldades, para ilustrar como cada um deve ser atendido de acordo com suas particularidades para atingir todo seu potencial.

Sugira também atividades de leitura e escrita a serem realizadas em casa – frisando que paciência é essencial. Destaque a diferença entre ler para os filhos e de fato envolvê-los no processo de leitura: indo a livrarias e bibliotecas, escolhendo livros e revistas em conjunto, dando espaço para tentativas e erros da criança, conversando sobre o tema após a história. Se houver abertura por parte da família, ofereça material de leitura para que eles entendam a dislexia e como a doença pode ser superada.

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Qual a melhor idade para alfabetizar?

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Qual a melhor idade para alfabetizar?

Reuniões de pais podem ser verdadeiras competições, com as conquistas de cada criança sendo alardeadas a quem quiser ouvir. Se os filhos têm menos de 6 anos de idade, é provável que a habilidade escrita seja das mais exibidas – “fulaninho já escreve o nome”, “fulaninha já sabe recitar o alfabeto”. A alfabetização precoce, entretanto, não é unanimidade entre educadores.

Enquanto o Ministério da Educação estabelece que todos os alunos devem estar alfabetizados até os 8 anos de idade (ou seja, ao final do terceiro ano do Ensino Fundamental), é prática comum entre pré-escolas particulares que a introdução à palavra grafada comece a partir dos 3 anos. Trata-se de uma tentativa de criar estudantes mais “preparados” em um modelo de educação extremamente competitivo.

Qual seria, então, a idade ideal para começar a alfabetização? Essa não é a pergunta correta. A criança pode, sim, ser apresentada à cultura escrita desde muita nova – mas há maneiras saudáveis e outras, frustrantes, de fazê-lo. O essencial é respeitar o ritmo de desenvolvimento de cada uma.

A curiosidade pela leitura e escrita deve ser estimulada, sim, mas de forma lúdica e que não atropele o desenvolvimento natural da criança (foto: Google)

A curiosidade pela leitura e escrita deve ser estimulada, sim, mas de forma lúdica e que não atropele o desenvolvimento natural da criança (foto: Google)

Até os 3 anos

Muito antes de se iniciar o processo de escrita em si, é preciso que seja construída uma base para que a criança se sinta segura ao aprendê-la. Isso significa estimular a linguagem de formas lúdicas e familiares, sem exigências.

São atividades importantes nessa etapa:

  • Momentos de leitura com pais ou professores, em que ela vai presenciar não apenas uma história em voz alta, como o carinho para com ela e com o livro;
  • Brincadeiras com rimas, cantigas e músicas, que criam consciência fonológica;
  • Filmes e peças de teatro selecionados de acordo com a idade, exercitando a atenção e a linearidade de pensamento;
  • Conversas – não somente fale para a criança, mas fale com ela. Permita que ela se expresse e responda, da forma que puder.

Lembre-se ainda de falar corretamente, para que ela se acostume ao som correto das palavras. Durante esse período, os pequenos estão passando por um desenvolvimento acelerado da linguagem oral – aos 3 anos, estudos mostram que eles conseguem absorver até 20 novas palavras por dia e assimilar naturalmente complexas regras gramaticais. Não fazem sentido, no entanto, exercícios voltados especificamente para a escrita até que essa etapa tenha sido bem assimilada.

Momentos de leitura com a família e na escola são cruciais para transformar a cultura escrita em algo prazeroso (foto: Google)

Momentos de leitura com a família e na escola são cruciais para transformar a cultura escrita em algo prazeroso (foto: Google)

Entre 4 e 5 anos

Algumas crianças mostram sinais de que estão prontas para iniciar o letramento nessa faixa etária. Isso pode ser feito, desde que elas não se sintam obrigadas a se alfabetizar.

Nessa fase, elas memorizam letras e sílabas, reproduzem seus nomes e os nomes de familiares e amigos, e mesmo escrevem palavras inteiras. Isso não significa, porém, que estejam entendendo as regras por trás do que fazem – mas sim que a memória nessa idade é excelente. Ou seja, ao contrário do que possa parecer, as crianças ainda não estão maduras para iniciar um aprendizado formal da escrita.

Não é recomendado utilizar métodos rígidos, como ler e copiar uma palavra repetidas vezes. Ao sentir que suas produções são insuficientes – afinal, ele ainda não possui as habilidades necessárias para escrever como um adulto, de forma convencional – o aluno se frustra e pode estagnar. Vai, por exemplo, decorar palavras, sem compreender sua formação, ou até mesmo desistir de ler e escrever totalmente, por receio de errar.

A escrita nessa idade deve ser encarada como a fala nos anos anteriores: ninguém espera que um bebê já comece a falar corretamente, nem desvaloriza suas tentativas por não estarem dentro da norma. Da mesma forma, quando o assunto é leitura e escrita, as pré-escolas devem garantir o direito de experimentar das crianças; de tentar, errar e tentar novamente até conseguir. Não desqualifique as letras tortas, espelhadas ou “feias”.

Dos 6 aos 7 anos

A maioria dos especialistas concorda que, em torno dos 6 e 7 anos, os alunos já estão neurologicamente prontos para ler e decodificar as palavras. Já é possível aplicar métodos mais formais de letramento com pouco risco de atropelar o desenvolvimento natural e, por consequência, menores chances de fracasso.

Também é nessa faixa etária que a criança percebe que as palavras são divididas em diferentes fonemas e que eles podem ser reproduzidos através da combinação das mesmas letras e sílabas. Ao invés de memorizar e repetir, a partir de então ela é capaz de construir.

Mesmo assim, o processo completo de alfabetização pode durar até mais dois anos. Considera-se que a criança está alfabetizada quando é capaz de ler e escrever com fluência, além de interpretar a mensagem que lhe foi transmitida.

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Os ciclos de 7 anos

Educadores que seguem a metodologia Waldorf, que cultiva a criatividade e as experiências lúdicas em oposição ao ensino tradicional, defendem que a criança só deve ser apresentada à língua escrita depois dos 7 anos de idade. Antes disso, o aprendizado seria desgastante demais. Para os teóricos dessa linha, o crescimento do indivíduo acontece em ciclos de sete anos (dos 0 aos 7, dos 7 aos 14 e dos 14 aos 21), ou setênios – momentos em que o corpo passa por transformações marcantes. Seria, portanto, função da escola respeitar esses ciclos (leia mais sobre a educação Waldorf aqui).

Enquanto isso, teóricos contrários à ideia acreditam que a meta do governo é flexível demais e que os estudantes deveriam estar alfabetizados até os 6 anos. É o que ocorre em países como Coréia do Sul, Finlândia e Hong Kong, que constam entre os primeiros colocados no teste Pisa pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

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