Lidando com a Agressividade na Educação Infantil

Fonte: Gazeta do povo

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Lidando com a Agressividade na Educação Infantil

Qualquer bebê nasce com impulsos agressivos, tanto quanto com impulsos amorosos. Durante a primeira infância, esses comportamentos vão sendo estimulados ou inibidos de acordo com os relacionamentos entre a criança e os adultos em torno dela, do ambiente que a rodeia e da educação que ela recebe.

Não é incomum que professores experimentem comportamentos violentos por parte de alunos pequenos – por ser uma etapa de adaptação, as crianças em idade pré-escolar ainda estão aprendendo como se organizar socialmente e como lidar com a divisão de atenção (já que, em casa, ela costuma ser o foco dos cuidados e, na escola, passa a compartilhá-lo com todos os colegas). Essa mudança pode ser o gatilho para tapas, mordidas, atitudes de egoísmo ou pequenos furtos.

O uso da força para enfrentar um problema pode ser a única forma de expressão dominada pela criança - por isso a importância de introduzir novas atividades de comunicação e controle de raiva (foto: Google)

O uso da força para enfrentar um problema pode ser a única forma de expressão dominada pela criança – por isso a importância de introduzir novas atividades de comunicação e controle de raiva (foto: Google)

Por que meu aluno está agressivo?

Antes de tomar uma atitude perante o problema, reserve algum tempo para analisar a história e os relacionamentos da criança que está demonstrando agressividade. Geralmente, as crianças repetem comportamentos que foram expostos a elas – o aprendizado nem sempre é positivo, e ela irá absorver igualmente os atos de gentileza ou de violência que presenciar.

Procure descobrir se a criança está atravessando momentos difíceis em casa. A família passou por alguma dificuldade ou frustração, que pode estar afetando os filhos? É possível observar agressividade nos pais ou responsáveis, ou identificá-la através dos relatos da criança? Se este for o caso, converse com a coordenação da escola e, juntos, convoquem a família para discutir soluções.

Há, é claro, outras particularidades que podem estar ocasionando o problema: a falta de limites ou a inconsistência na hora de disciplinar, por exemplo, fazem com que a criança teste seu poder ao máximo. Afinal, ela começa a perceber que não será punida e quer descobrir até onde vai sua autonomia.

A mudança de cidade, escola ou classe, ou uma mudança na estrutura familiar (como a chegada de um irmãozinho) também podem ser o motivo das brigas. A agressividade é uma forma de expressão; embora não seja a mais correta, pode ser a única que o aluno domina naquele momento. Neste caso, cabe aos educadores e aos pais apresentar novas formas de lidar com as dores e frustrações.

Não ameace ou invada o espaço da criança: abaixe-se para que seus olhos fiquem no mesmo nível e guie o diálogo para que ela entenda as consequências de seus atos (foto: Google)

Não ameace ou invada o espaço da criança: abaixe-se para que seus olhos fiquem no mesmo nível e guie o diálogo para que ela entenda as consequências de seus atos (foto: Google)

Como ajudar a criança?

  • Formas de expressar a raiva:

É importante introduzir maneiras alternativas através das quais a criança pode extravasar. Converse com ela em particular, sem causar constrangimentos diante da turma, e proponha atividades que facilitem sua expressão. Elas podem ser: desenhar o que a deixa brava, praticar um esporte que demande muita energia, escrever (se ela já for alfabetizada), ou mesmo chutar uma almofada ou travesseiro até se sentir melhor. O foco é que ela compreenda que pode dar vazão ao seus sentimentos sem prejudicar outros colegas, e que não há vergonha em se sentir zangada.

 

  • A necessidade das regras:

Explique que, por vocês conviverem em grupo, certas regras são exigidas em sala de aula. Ao invés de impô-las, tente fazer com que a criança entenda por si mesma os motivos de cada uma, e as causas e consequências de suas atitudes. Por que você acha que determinada regra existe? O que acontece se nós a seguirmos ou não? Como seria se a classe decidisse solucionar cada impasse com socos e tapas? Quais ações poderiam resolver melhor esse problema? Faça um cartaz com o que é permitido e o que não é dentro da escola (confira o post Autonomia: Nossas regras).

  • Não rotule:

Evite ao máximo usar frases negativas ao se referir à criança que está se comportando mal. Enfatize que sua atitude foi ruim e que ela poderia ter resolvido suas questões por outro caminho, mas não dirija suas críticas à ela especificamente (com sentenças como “você é mau” ou “você não se importa com os outros”). A infância é uma época de descoberta da própria personalidade e, às vezes, de muita insegurança. Por isso, as crianças podem se agarrar a rótulos negativos apenas pelo conforto de ter uma definição de si mesmas – e, portanto, passam a reproduzir aquele mesmo comportamento, com a validação dos adultos de que “elas são assim mesmo”.

  • Punições:

Não há nada de errado em um castigo, caso a criança volte a descumprir o combinado. Certifique-se de que ele seja proporcional à infração e de que o aluno compreenda o porquê de ter sido chamado. É importante que toda a equipe pedagógica tenha uma mesma postura e combine, com antecedência, como lidar com a indisciplina – assim, a lição fica clara, e não há a desculpa de “esse professor não gosta de mim” ou “o outro professor deixa”. As regras devem valer igualmente para todos. Ainda é essencial que não se façam ameaças vazias. Não diga que vai colocar a criança de castigo repetidas vezes se não pretende fazê-lo, pois isso explicita que o educador está blefando e que o comportamento agressivo pode continuar, já que não há consequências. Além disso, não grite, não se descontrole nem humilhe qualquer aluno. Lembre-se de sempre se abaixar ou ajoelhar para conversar com ele do seu nível de visão – uma postura não ameaçadora.

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