Resiliência: o que é e por que toda criança deve aprender?

Como educar crianças para que se sintam capazes de lidar com as adversidades? (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Resiliência: o que é e por que toda criança deve aprender?

Essa semana, li um artigo, chamado “Does your classroom cultivate student resilience?” (em português: A sua sala de aula cultiva a resiliência dos alunos?), que causou um grande impacto sobre mim.

Até então, eu ouvira falar muito pouco sobre resiliência, menos ainda sobre sua aplicação na educação – e bastou um pouco mais de pesquisa para eu me convencer da sua importância no desenvolvimento infantil.

Aqui estão algumas das minhas descobertas sobre resiliência:

Como educar crianças para que se sintam capazes de lidar com as adversidades? (foto: Google)

Como educar crianças para que se sintam capazes de lidar com as adversidades? (foto: Google)

O que quer dizer resiliência?

A resiliência é a habilidade de se adaptar às adversidades, superar estresse, falhas ou tragédias e se reconstruir a partir de então. Ou seja, possui resiliência quem é capaz de lidar com os sentimentos de ansiedade ou inaptidão, enfrentar as dificuldades e sair da experiência tão bem quanto (ou ainda melhor) do que entrou. Uma característica essencial para criar indivíduos confiantes e saudáveis.

Além disso, resiliência não é um traço genético – ela pode ser ensinada. Faz-se isso orientando as crianças, desde cedo, a agir tranquilamente diante de obstáculos e alimentando sua autoestima.

Entretanto, não presuma que crianças e adultos resilientes não irão sofrer durante a vida. A dor, a tristeza e mesmo traumas emocionais estão fadados a surgir em determinados momentos para qualquer um. A diferença é que eles estarão mais preparados para enfrentar esses sentimentos com perseverança e senso do próprio valor.

Por vezes, as crianças não conseguem verbalizar o que as está incomodando - preste atenção em outros sinais (foto: Google)

Por vezes, as crianças não conseguem verbalizar o que as está incomodando – preste atenção em outros sinais (foto: Google)

A resiliência entre crianças pequenas

Muita gente imagina que, devido à pouca idade, crianças pequenas não entendem o que ocorre em torno delas. Afinal, durante a primeira infância, elas estão desenvolvendo suas habilidades de linguagem e expressão e, portanto, nem sempre são capazes de comunicar o que estão sentindo claramente. Mas não se engane: mesmo bebês absorvem o impacto de eventos graves, brigas, acidentes, ou mesmo conversas tensas que acabem por entreouvir.

Como perceber, então, se uma criança está ansiosa ou assustada?

Repare em sinais que indiquem o mal estar dela, ainda que ela não consiga explicá-lo: carência (ela recentemente se tornou muito “grudada” aos adultos, exigindo mais colo, beijos e abraços do que de costume?) pode ser um indicativo de que algo não vai bem; regressão em algum comportamento que ela já aprendera anteriormente (de repente, ela parou de ir ao banheiro sozinha, voltou a chupar o dedo, etc.) também mostra que ela está enfrentando uma dificuldade.

Nesses momentos, tanto escola quanto família devem trabalhar para criar um ambiente de segurança para a criança. A rotina é essencial nesse processo – isso faz com que os pequenos se sintam mais em controle, já que entendem o que irá acontecer durante o dia; assim, eles conseguem planejar as próprias ações.

Reserve tempo para conversar e de fato ouvir a criança, desenvolva brincadeiras e leituras que a façam sentir incluída.

A autoestima é primordial para a resiliência: dê tempo e espaço para que as crianças vençam desafios sozinhas (foto: Google)

A autoestima é primordial para a resiliência: dê tempo e espaço para que as crianças vençam desafios sozinhas (foto: Google)

Ensinando resiliência

Além de oferecer seu tempo e carinho, há uma série de maneiras de cultivar a resiliência em uma turma de Educação Infantil:

  • #1 Elogie esforços:

Garanta uma atmosfera em que as crianças sejam reconhecidas por seu trabalho duro e dedicação, não apenas pelo sucesso. Evite a palavra perfeito – diga “que desenho criativo, como você fez esse cachorro? Por que escolheu essas cores? Que bom, dá para ver que você se esforçou bastante”, ao invés de um simples “está lindo”. Reforce que falhar faz parte do aprendizado, ao invés de um motivo de vergonha. Ajude as crianças a refletir sobre suas produções, apontando do que gostaram em suas atividades e o que acreditam que pode ser melhorado.

  • #2 Construa a autoestima:

Não refaça o trabalho das crianças em busca de um resultado “perfeito”. Por exemplo, se um dos alunos está feliz por pentear os cabelos sozinho, não apanhe a escova e o penteie novamente. Elogie a pró-atividade dele e deixe que use o cabelo como quiser! Do contrário, ele se sentirá incapaz de realizar a tarefa e irá, cada vez mais, duvidar de sua capacidade de se cuidar por conta própria.

  • #3 Não entre em pânico:

Se uma criança tropeçou e caiu, se foi empurrada, se tentou subir em uma árvore e acabou no chão – assista, espere e deixe que ela aprenda a se levantar sem ajuda. Auxilie, não tomando controle da situação, mas conversando de modo a diminuir o susto. “Que legal, você estava subindo na árvore! Eu vi que você chegou bem perto, parabéns! Daqui a pouco, você tenta de novo. Agora, vamos limpar a terra e brincar com seus amigos?” é muito melhor do que “Eu avisei para não subir na árvore, não disse que ia se machucar?”.

  • #4 Apresente modelos:

Leve histórias de heróis e heroínas que superaram adversidades e use a narrativa para iniciar discussões com a classe. Qual desafio o protagonista enfrentou? De quais habilidades precisou? Quais forças e fraquezas ele possuía? Outras pessoas ajudaram o herói – e de que maneira? O que ele aprendeu? Você já precisou usar essas habilidades na vida real? Alguém já te ajudou a fazer algo ou você ajudou alguém? Como? Incentive as crianças a dividir suas próprias histórias, tornando-se cientes de sua capacidade em resolver problemas.

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Bullying na Educação Infantil: ele existe e pode ser evitado

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Bullying na Educação Infantil: ele existe e pode ser evitado

O que é bullying?

O termo bullying (da expressão “bully”, em inglês, que significa “brigão”) refere-se a comportamentos agressivos e intencionais. Além disso, são atitudes que se repetem com frequência entre as mesmas crianças – ou seja, não se aplica a um desentendimento isolado.

É importante ressaltar que é considerada bullying a agressão entre pares; ou seja, entre alunos da mesma idade ou de idades semelhantes. Brigas entre um estudante e um professor podem caracterizar outros tipos de violência, mas não bullying.

Certamente, o bullying não é uma invenção moderna – porém, apesar a de a prática sempre ter existido, ela vem recebendo mais atenção tanto da mídia quanto dos educadores na última década.

Segundo a organização não-governamental Plan International, que atua em 66 países garantindo a proteção da infância, 70% dos alunos brasileiros já sofreu bullying. A pesquisa foi feita em 2008, com 12 mil crianças de seis estados.

O mais grave é que, dentre as vítimas, quase metade não busca ajuda nem denuncia os agressores. A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), estima que 42% das crianças atingidas não falam sobre o problema nem mesmo com amigos e colegas. 

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying – até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Existe bullying na Ed. Infantil?

Existe, mas somente a partir dos 3 ou 4 anos de idade. Especialistas explicam que, antes disso, é comum que os pequenos utilizem comportamentos agressivos simplesmente por estarem em desenvolvimento e não dominarem outras formas de expressão.

Até os dois anos de idade, os pequenos estão descobrindo o mundo através dos sentidos. Já percebeu como eles levam tudo à boca? Morder um colega, portanto, não é uma atitude violenta, e sim um reflexo natural.

Mesmo que realizados intencionalmente – em uma disputa pela atenção do professor ou dos pais, na tentativa de conseguir um brinquedo, motivos de estresse comuns nessa faixa etária – outros fatores que definem o bullying não se manifestam. Afinal, não há um alvo constante e nem uma discrepância na relação de poder entre as crianças.

É claro que o adulto presente deve desencorajar a briga e mostrar formas de resolver conflitos através da linguagem; ao mesmo tempo, deve-se tomar cuidado para não supervalorizar a agressão e punir muito rigidamente os envolvidos, pois eles não compreendem que estão machucando alguém.

É apenas depois dos 3 anos que as crianças desenvolvem a socialização e o senso de “outros” – as pessoas ao seu redor não são mais todas iguais e elas começam a criar laços de amizade, formar grupos e mostrar afinidade com certos colegas. Consequentemente, é na mesma época que surgem os primeiros casos de discriminação, implicâncias e humilhações. A partir de então, elas já têm noção dos sentimentos alheios e podem ferir outras crianças intencionalmente.

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola - ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola – ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Como identificar o bullying? 

Os apelidos e xingamentos frequentes são a forma mais comum de bullying (mais da metade dos casos entra nessa categoria). Características físicas são reconhecidas e colocadas como rótulos: gordo, magro, baixinho, quatro-olhos, e assim por diante. Outras particularidades, como o atraso no desenvolvimento – quando uma das crianças não consegue realizar certas tarefas tão bem quanto seus pares -, também desencadeiam bullying. É o que acontece quando a turma repara que apenas um dos colegas não sabe comer sozinho, segurar o xixi ou amarrar os sapatos, e resolve lembrá-lo disso com frequência por meio de piadinhas.

Atente-se ainda à exclusão. As panelinhas estão se formando e certos alunos podem ficar de fora, sem chance de entrosamento. Violência física e fofocas são outras formas de bullying, mas menos comuns na Educação Infantil.

Caso as atitudes não sejam pegas em flagrante, há sinais de que uma criança pode estar sofrendo com o bullying: relutância em ir para a escola, queda de desempenho ou até mesmo regressão no aprendizado, ansiedade ou medo de ficar junto aos colegas, se manifestar ou deixar a companhia dos adultos, súbita agressividade e queda da autoestima. É bastante usual que ela não admita o acontecido justamente por se achar de alguma forma merecedora das represálias dos colegas (entenda: ela também identifica em si mesma o “problema” que está causando as implicâncias, e vê isso como justificativa).

Quais os motivos do bullying?

É essencial que o professor preste atenção e identifique essas atitudes o quanto antes. A seguir, é preciso identificar se o comportamento se qualifica mesmo como bullying ou não passa de uma fase, engatilhada por outros acontecimentos na vida pessoal das crianças (leia mais sobre o que pode causar a agressividade infantil aqui). Procure conhecer a dinâmica familiar de cada aluno – as agressões podem ser resultado de:

  • Cobranças e expectativas muito altas dos adultos em sua vida – a criança é exigida demais, colocada em muitas atividades extracurriculares, criticada com frequência e pouco elogiada. Isso pode levá-la a ter baixa autoestima, sentindo sempre ser incapaz de alcançar o que é esperado dela;
  • Falta de limites e mimos em excesso – muitas vezes, pais e mães querem compensar a ausência durante a semana com uma permissividade excessiva ou comprando presentes sempre que a criança manifesta qualquer desejo. Assim, as crianças não aprendem a lidar com limitações, frustrações ou com terem suas ideias contrariadas;
  • Problemas de desenvolvimento cognitivo ou emocional, dificuldades de relacionamento ou experiências traumáticas, como agressão ou abuso (leia sobre quando encaminhar a criança a um psicopedagogo).
Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

O que fazer?

A primeira infância é a fase ideal para ensinar a resolução saudável de conflitos em oposição à violência. A personalidade e o caráter são formados até os 6 anos de idade, portanto, é justamente antes disso que temas como respeito, cooperação e diálogo devem ser inseridos. Isso pode ser feito através de:

  • Rodas de leitura – selecione livros que falem das temáticas acima (confira aqui um projeto sobre leitura contra o bullying, da Editora do Brasil) e, após contar a história, inicie debates com a turma para que elas reflitam sobre seu significado. Faça perguntas que as ajudem a relacionar o que ouviram com situações rotineiras pelas quais passam;
  • Dramatizações – teatros, fantoches e músicas são uma ferramenta para que as crianças se expressem através de outros personagens e outras vozes. Isso lhes dá não só a segurança de falar sem ser julgada como, também, a possibilidade de observar outros pontos de vista;
  • Jogos cooperativos – ao invés de competições, priorize jogos e brincadeiras que estimulem a cooperação. Misture os grupos (evite colocar meninos de um lado e meninas do outro, alimentando a rivalidade entre os gêneros) e incentive o trabalho em equipe, elogiando e apontando os resultados positivos que eles alcançarem;
  • Atividades solidárias – promova dias para compartilhar brinquedos, dividir o lanche ou recolher doações para uma organização próxima da escola. Destaque como a solidariedade melhora a vida de todos e o que cada um fez para ajudar;

Acima de tudo, a escola precisa criar um ambiente saudável e seguro em sala de aula, dando liberdade às crianças para errar, pedir ajuda ou desabafar. Se a classe for alfabetizada, uma experiência interessante pode ser criar uma caixa de correio em que os alunos deixem mensagens sobre as situações que os incomodaram – discuta com eles se querem fazê-lo de forma anônima ou assinada, se preferem que apenas o professor leia ou se podem debater em grupo.

Sempre converse com as crianças envolvidas no bullying sem antagonizá-las. Fazê-lo pode aumentar, ainda que sem querer, a rivalidade entre as duas. É importante explicar o porquê de a atitude ser inaceitável e tentar fazer com que uma entenda a perspectiva da outra.

Gostou?

Fique ligado! Continuaremos a falar mais sobre esse tema no próximo post.

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Bullying NÃO É brincadeira de criança

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Adaptação na Educação Infantil: quando a criança não quer ficar na escola

Conheça bem a criança, sua personalidade e preferências, para criar um vínculo verdadeiro com ela (foto: Google)

Atividades/Identidade e autonomia/Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Adaptação na Educação Infantil: quando a criança não quer ficar na escola

O início do período letivo ou a transferência de uma criança entre escolas pode ser uma fase estressante, tanto para os pequenos quanto para os adultos envolvidos. Na Educação Infantil, cenas de choro e ataques de raiva são comuns nos primeiros dias de aula – porém, a expectativa é que os alunos já estejam adaptados após cerca de 2 semanas.

Não foi o caso? O tempo passou e a criança continua relutando ao ir para a escola? Cabe aos pais e professores fazer com que essa transição decorra tranquilamente.

Conheça bem a criança, sua personalidade e preferências, para criar um vínculo verdadeiro com ela (foto: Google)

Conheça bem a criança, sua personalidade e preferências, para criar um vínculo verdadeiro com ela (foto: Google)

Conheça bem a criança

Principalmente se essa for a primeira vez que seu aluno deixa a proteção dos pais, a ânsia por ir embora pode ser justamente medo de ficar com desconhecidos. O professor precisa se aproximar, ser afetuoso e respeitar a criança, ganhando sua confiança.

Chamar a criança pelo nome e conhecer alguns de seus interesses ajudam. Isso pode ser conversado com os pais ou responsáveis antes mesmo de o aluno começar a frequentar a escola (ou assim que o problema se manifestar). De que tipo de brinquedos ela gosta? É extrovertida, sociável, ou mais tímida? Gosta de ser beijada e abraçada ou prefere menos contato? Dessa forma, o professor evita ser invasivo e tem grandes chances de acompanhar o ritmo do aluno.

Lembre-se de agir com tranquilidade – não esqueça de que essas reações da criança são normais, então, nada de desespero. Isso fará com que sua turma se sinta ainda mais instável, já que o professor é a figura de autoridade dentro da escola.

Torne a escola um ambiente seguro e amigável

Não deixe que a escola pareça um espaço hostil para a criança. Afinal, é ali que ela passará várias horas do seu dia; portanto, precisa conhecê-lo bem. Mostre cada área da sala de aula (onde eles penduram as mochilas e lancheiras? Onde podem brincar? Onde vão colorir e fazer trabalhos?). Incentive a criança para que ela participe ativamente desses espaços, e aponte como seus colegas também estão ali, realizando as mesmas ações.

Introduza ainda o restante da escola. O aluno deve se sentir confiante ao se locomover por ela, sabendo onde cada coisa está. Onde fica a cozinha, o refeitório, o playground, a secretaria? Quem trabalha lá, com quem ele pode conversar? Apresente os funcionários e inicie diálogos para que a criança se sinta confortável com eles.

Um pedacinho de casa

Se abandonar a casa ainda está difícil demais, sugira à criança trazer um brinquedo favorito para acompanhá-la. Um boneco, bicho de pelúcia, jogo ou livro que costume usar em casa, com os pais, é uma forma de trazer segurança a ela nesse novo ambiente. Outros objetos pessoais podem cumprir o mesmo papel.

Em sala, ajude o aluno a mostrar o objeto escolhido aos seus colegas, contando o que é, se possui nome, por que gosta dele e por que o trouxe (caso a criança ainda não tenha desenvolvido tão bem as habilidades de linguagem, converse previamente com a família para conhecer o objeto e auxilie-a na apresentação). A dinâmica criará um reconhecimento entre os colegas e pode ser ótima para iniciar perguntas e convívio com a turma.

Não iluda: deixe bem claro por quanto tempo ela ficará lá e quais atividades irão fazer. Mas lembre-a de que os pais virão buscá-la no fim (foto: Google)

Não iluda: deixe bem claro por quanto tempo ela ficará lá e quais atividades irão fazer. Mas lembre-a de que os pais virão buscá-la no fim (foto: Google)

Não crie expectativas irreais

Conversando com a criança, evite falar da escola como se fosse um lugar “perfeito”, só de brincadeiras e sem regras. Seja honesto e conte que irão estudar, aprender coisas novas, brincar e comer junto com a classe. Porém, explique também que há regras de convivência que devem ser respeitadas – não permita tudo por estar com pena ou para evitar incômodos.

Você pode estar contornando um acesso de birra, agora, mas trará dificuldades para a educação da classe a longo prazo; ao perceber que os limites são muito flexíveis, é normal que a criança comece a testá-los. Portanto, seja claro desde o princípio.

Parceria com os pais

Muitas vezes, a reação da criança é reflexo do comportamento da família. Em mais de 50% das situações, os motivos do medo e da raiva infantil são causados pela insegurança dos pais. Descubra se esse é o caso e converse com os responsáveis, mostrando que seus filhos estão sendo bem cuidados. Eles devem conhecer a escola, desde o espaço físico até a metodologia e os profissionais que lá atuam.

Ensine-os a desenvolver uma postura segura com a criança ao falar sobre a escola e ao trazê-la diariamente. É comum que os pais tenha um sentimento de culpa ao deixar os filhos com outra pessoa, porém, isso não deve transparecer. Abraços e beijos demais, prolongados, na porta da escola, mostram que os pais estão incertos, que também não querem largá-lo lá – e os pequenos percebem e se aproveitam disso, fazendo ainda mais drama. Também oriente-os a não dar meia volta repetidas vezes, ao ouvir a criança choramingar na hora da partida (ainda que isso parta o coração deles, recorde-os de que é para o melhor!).

Encoraje-os a ter conversas francas com os filhos, explicando que irão à escola todos os dias, o que eles vão aprender, quanto tempo devem ficar por lá e frisando que sempre irão buscá-los ao fim do período. Aconselhe os pais a não usar chantagens e barganhas para comprar o bom comportamento: nada de doces e presentes para descer do carro e ir para a sala. Não aumente as chances de a criança fazer birra esperando por uma recompensa. Contudo, eles devem elogiá-la e se mostrar animados ao buscá-la, no fim do dia, explicitando como estão orgulhosos por ela ter ficado bem por conta própria!

Últimos recursos

Se a convivência não melhorar, converse com família e coordenação e sugira a estadia de um dos pais na escola por um tempo mais longo. Esse recurso, comum nos primeiros anos de Educação Infantil, pode ser estendido se houver real necessidade.

Tracem um plano de algumas semanas, diminuindo o período dos pais em sala de aula (por exemplo, nos primeiros dias, eles ficam por duas horas, depois, uma e meia, depois, uma hora e assim por diante). Instrua-os a serem discretos e não se interporem ao andamento usual da classe. Forneça um canto da sala aonde eles possam se sentar e observar, fornecendo conforto à criança. Entretanto, não permita que a criança passe a aula inteira no colo dos pais! Ela deve saber que eles estão ali para apoiá-la, mas participar das atividades com o grupo e com a professora.

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Lidando com a Agressividade na Educação Infantil

Fonte: Gazeta do povo

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Lidando com a Agressividade na Educação Infantil

Qualquer bebê nasce com impulsos agressivos, tanto quanto com impulsos amorosos. Durante a primeira infância, esses comportamentos vão sendo estimulados ou inibidos de acordo com os relacionamentos entre a criança e os adultos em torno dela, do ambiente que a rodeia e da educação que ela recebe.

Não é incomum que professores experimentem comportamentos violentos por parte de alunos pequenos – por ser uma etapa de adaptação, as crianças em idade pré-escolar ainda estão aprendendo como se organizar socialmente e como lidar com a divisão de atenção (já que, em casa, ela costuma ser o foco dos cuidados e, na escola, passa a compartilhá-lo com todos os colegas). Essa mudança pode ser o gatilho para tapas, mordidas, atitudes de egoísmo ou pequenos furtos.

O uso da força para enfrentar um problema pode ser a única forma de expressão dominada pela criança - por isso a importância de introduzir novas atividades de comunicação e controle de raiva (foto: Google)

O uso da força para enfrentar um problema pode ser a única forma de expressão dominada pela criança – por isso a importância de introduzir novas atividades de comunicação e controle de raiva (foto: Google)

Por que meu aluno está agressivo?

Antes de tomar uma atitude perante o problema, reserve algum tempo para analisar a história e os relacionamentos da criança que está demonstrando agressividade. Geralmente, as crianças repetem comportamentos que foram expostos a elas – o aprendizado nem sempre é positivo, e ela irá absorver igualmente os atos de gentileza ou de violência que presenciar.

Procure descobrir se a criança está atravessando momentos difíceis em casa. A família passou por alguma dificuldade ou frustração, que pode estar afetando os filhos? É possível observar agressividade nos pais ou responsáveis, ou identificá-la através dos relatos da criança? Se este for o caso, converse com a coordenação da escola e, juntos, convoquem a família para discutir soluções.

Há, é claro, outras particularidades que podem estar ocasionando o problema: a falta de limites ou a inconsistência na hora de disciplinar, por exemplo, fazem com que a criança teste seu poder ao máximo. Afinal, ela começa a perceber que não será punida e quer descobrir até onde vai sua autonomia.

A mudança de cidade, escola ou classe, ou uma mudança na estrutura familiar (como a chegada de um irmãozinho) também podem ser o motivo das brigas. A agressividade é uma forma de expressão; embora não seja a mais correta, pode ser a única que o aluno domina naquele momento. Neste caso, cabe aos educadores e aos pais apresentar novas formas de lidar com as dores e frustrações.

Não ameace ou invada o espaço da criança: abaixe-se para que seus olhos fiquem no mesmo nível e guie o diálogo para que ela entenda as consequências de seus atos (foto: Google)

Não ameace ou invada o espaço da criança: abaixe-se para que seus olhos fiquem no mesmo nível e guie o diálogo para que ela entenda as consequências de seus atos (foto: Google)

Como ajudar a criança?

  • Formas de expressar a raiva:

É importante introduzir maneiras alternativas através das quais a criança pode extravasar. Converse com ela em particular, sem causar constrangimentos diante da turma, e proponha atividades que facilitem sua expressão. Elas podem ser: desenhar o que a deixa brava, praticar um esporte que demande muita energia, escrever (se ela já for alfabetizada), ou mesmo chutar uma almofada ou travesseiro até se sentir melhor. O foco é que ela compreenda que pode dar vazão ao seus sentimentos sem prejudicar outros colegas, e que não há vergonha em se sentir zangada.

 

  • A necessidade das regras:

Explique que, por vocês conviverem em grupo, certas regras são exigidas em sala de aula. Ao invés de impô-las, tente fazer com que a criança entenda por si mesma os motivos de cada uma, e as causas e consequências de suas atitudes. Por que você acha que determinada regra existe? O que acontece se nós a seguirmos ou não? Como seria se a classe decidisse solucionar cada impasse com socos e tapas? Quais ações poderiam resolver melhor esse problema? Faça um cartaz com o que é permitido e o que não é dentro da escola (confira o post Autonomia: Nossas regras).

  • Não rotule:

Evite ao máximo usar frases negativas ao se referir à criança que está se comportando mal. Enfatize que sua atitude foi ruim e que ela poderia ter resolvido suas questões por outro caminho, mas não dirija suas críticas à ela especificamente (com sentenças como “você é mau” ou “você não se importa com os outros”). A infância é uma época de descoberta da própria personalidade e, às vezes, de muita insegurança. Por isso, as crianças podem se agarrar a rótulos negativos apenas pelo conforto de ter uma definição de si mesmas – e, portanto, passam a reproduzir aquele mesmo comportamento, com a validação dos adultos de que “elas são assim mesmo”.

  • Punições:

Não há nada de errado em um castigo, caso a criança volte a descumprir o combinado. Certifique-se de que ele seja proporcional à infração e de que o aluno compreenda o porquê de ter sido chamado. É importante que toda a equipe pedagógica tenha uma mesma postura e combine, com antecedência, como lidar com a indisciplina – assim, a lição fica clara, e não há a desculpa de “esse professor não gosta de mim” ou “o outro professor deixa”. As regras devem valer igualmente para todos. Ainda é essencial que não se façam ameaças vazias. Não diga que vai colocar a criança de castigo repetidas vezes se não pretende fazê-lo, pois isso explicita que o educador está blefando e que o comportamento agressivo pode continuar, já que não há consequências. Além disso, não grite, não se descontrole nem humilhe qualquer aluno. Lembre-se de sempre se abaixar ou ajoelhar para conversar com ele do seu nível de visão – uma postura não ameaçadora.

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