Você sabe o que eles sabem? Como fazer uma sondagem nessa época do ano
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Você sabe o que eles sabem? Como fazer uma sondagem nessa época do ano

sondagem

As sondagens são as investigações que os professores fazem sobre a aprendizagem dos alunos. Elas são muito comuns e, geralmente, acontecem no início do ano letivo para se conhecer um pouco mais sobre a hipótese que os pequenos possuem sobre um determinado assunto e, também, para, se necessário, reorientar a prática pedagógica.

Algumas sondagens são mais rotineiras que outras, isso porque a modificação do estado de conhecimento da criança transforma-se rapidamente. É o caso das sondagens relacionadas a aprendizagem da leitura e principalmente da escrita.

Mas você sabe o que eles sabem? Esta pergunta parece oportuna para esta época do ano, pois estamos a nos preparar para o fim do calendário letivo e muitas aprendizagens ainda precisam ser conquistadas. As sondagens podem ser feitas a todo momento e não apenas como diagnóstico inicial do grupo ou para questões específicas da escrita. O ideal seria fazermos sondagens durante o ano todo, para observarmos as diversas áreas do desenvolvimento infantil, de um jeito que não seja apenas com papel e lápis.

Realizar com constância as sondagens permite ao professor não só avaliar, mas, acompanhar o desenvolvimento da criança, sugerir agrupamentos entre os alunos para aprimorar conhecimentos e também planejar. 

Mas espera aí!! Quando sugiro a constância das sondagens não quero que vejam isso como mais uma tarefa a ser “executada” pelo professor, dentre tantas obrigações que ele já tem. Não é isso! Na verdade, a sondagem deve ser previamente organizada e fazer parte rotina do professor, para NÃO ser o “algo mais a se fazer” que todos esquecem ou deixam de lado. 

Especificamente nesta época do ano, as sondagens transformam-se em ricos instrumentos que possibilitam ao professor ter recursos para desafiar a aprendizagem das crianças, fazê-las irem além e consolidar novos conhecimentos.

Uma sondagem para desafiar a aprendizagem pode ser a organização de uma atividade experimental sobre um assunto, a escolha do professor, que tenha relação com o currículo a ser trabalhado.

giz de cera

Um exemplo disso é a sondagem do desenho, pois ela pode se transformar numa atividade experimental. Utilize materiais reciclados, peças de jogos, vários tipos de desenhos (revista, gibi, obras de arte) e siga os passos abaixo:

– Organiza-se todo material concreto que for possível sobre o assunto abordado e monte alguns quites.

– Distribua-os nos pequenos grupos e ofereça um momento para as crianças explorarem o material.

– Solicite que elas observem e façam sugestões sobre possibilidades de transformar aquele material.

–  Por último apresente uma situação problema na qual as crianças tenha que pensar, interagir e resolver.

Para fazer uma boa sondagem você deve se preocupar com a avaliação, observação e acompanhamento da aprendizagem da criança em sua totalidade, o que implica então, na utilização de recursos práticos e com a possibilidade da interação do corpo e do movimento, do saber e do fazer, do ouvir e do falar, do tocar e do sentir, do ler e escrever, do pensar, do ver. E as produções da criança podem ser registradas não só pelo papel, mas por meio de um pequeno filme e fotografias; material excelente para o portfólio da criança ou do professor. 

E para ficar ainda mais fácil fazer a sondagem experimente guardá-las na Eduqa.me!

 Clique AQUI para acessar a plataforma e descobrir como você pode fazer seus registros de um jeito que não consuma todo o seu tempo fora da Escola.

Lembra daquela anotação específica de uma única criança? Uma fala, um comportamento que você percebeu? Você pode acrescentar essa anotação no mesmo lugar e essa anotação vai compondo os registros apenas dessa criança, não é incrível!?

Anotações individuais na Eduqa.me

Anotações individuais na Eduqa.me

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Comunicação Não Violenta: como ela pode te ajudar na Escola
Registros/Semanários/Linguagem/Socioemocional
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Comunicação Não Violenta: como ela pode te ajudar na Escola

– Não seja assim!
– Não chore!
– Deixe de birras!
– Cala a boca e presta atenção!
– Senta lá!
– Vou deixar você de castigo! Pare com isso!
– Eu vou arrancar a sua língua!
– Você é surdo? Já falei um milhão de vezes pra não fazer isso.


O que tem de tão familiar nessas frases?
Todas essas frases foram tiradas do contexto da sala de aula.  Elas são tão comuns que parece que já ouvimos isso em algum momento da nossa vida ou, quem sabe, até pronunciamos de vez em quando.
Elas parecem desconsiderar completamente a violência que estão por trás de cada palavra e também o efeito que terão sobre a criança que está ouvindo.
Costumamos pensar que a violência está intimamente ligada com alguma agressão física, mas peraí, se fizermos um micro esforço lembraremos de situações que são super violentas lexicamente ¹ falando.
Muitas vezes a comunicação pode ser uma das piores violências, pois ela pode marcar eternamente a vida de uma criança. 
Dito isso, quero compartilhar com vocês sobre o conceito de uma Comunicação aposta a essa:  a Comunicação NÃO Violenta!
A Comunicação não Violente (CNV), foi criada pelo americano Marshall Rosenberg, e é um método simples de comunicação.
Uma comunicação que é clara, empática e que almeja encontrar um jeito para que todas as pessoas falem o importante sem culpar o outro, humilhá-lo, envergonhá-lo, coagi-lo ou ameaçá-lo.
É uma comunicação útil para resolver conflitos, conectar-se aos outros, e viver de um jeito consciente, presente e antenado ás necessidades vitais e genuínas de si mesmo e do mundo. Baseada na ideia de que todos os seres humanos têm a capacidade da compaixão e a capacidade de escutar verdadeiramente o outro a CNV cria  uma cultura de expressão que resolva os conflitos, ao invés de criá-los.

cnvPodemos dividir o processo da CNV em 4 componentes:

  1. Observação: Observamos as ações concretas que nos afetam. Sem julgamentos e sem juízo de valores. Apenas uma declaração do que estamos observando que pode (ou não) ter nos agradado;
  2. Sentimento: Identificamos e nomeamos o que estamos sentindo em relação ao que observamos. Ou seja, nos perguntamos: ” como me sinto diante disso? Frustrado? Alegre? Magoado?Irritado? dentre outros…
  3. Necessidades: Informamos para o outro as nossas necessidades, valores e desejos que estão conectados aos sentimentos que identificamos anteriormente. Em outras palavras, quais são as minhas necessidades, desejos ou valores que guiam meus sentimentos?
  4. Pedido: Pedimos para que algumas ações concretas sejam realizadas, de forma a atender nossas necessidades.

#NaEscola

bons professoresO que vimos nas frases acima são exemplos que tentam limar, corrigir o errado e indicar o correto. Apontar o bom e o mau e abafar o aluno e torná-lo cada vez mais passivo e ouvinte.
Pois, afinal de contas, o professor é uma grande autoridade e ele, enquanto mestre e detentor do conhecimento, deve criar condições favoráveis para que cada criança desenvolva sua capacidade de conservar sua integridade pessoal e, por isso, o mestre tenta moldar as crianças.
Caso alguma dessas crianças não se encaixe nesses padrões os educadores investem em técnicas punitivas. É assim que a Escola tem conduzido seus ensinamentos por séculos, não é mesmo?
As perguntas que pairam no ar são:
Nesse contexto há espaço para a empatia?

É nesse modelo educacional que devemos investir ?

O Professor Afetuoso


Como dito no post “Como trabalhar afeto na Educação Infantil” o afeto tem um papel fundamental na aprendizagem.
A relação de qualidade entre o professor e o aluno depende mais de “como” e ” a quem” se ensina, do que o ” o que se ensina”. Para que o professor se torne eficaz na sua tarefa de ensinar é preciso criar um vínculo com o aluno: uma ligação. Essa ponte com o aluno e construída, na maioria das vezes, com a comunicação.

O professor que domina a competência de comunicação, além de afetuoso, têm  ferramentas muito significativas nas mãos.

professor afetuoso
– Respeito pelos interesses dos alunos
– Educa com afeto
– Liberdade para aprender
– Ambiente agradável em sala
– Construção do conhecimento
– Autonomia na aprendizagem


A proposta da Comunicação Não Violenta é sair da lógica do culpado, da punição, do certo e do errado e desconstruir comportamentos pré-estabelecidos. Quebrar todos os paradigmas e apresentar um novo jeito de se comunicar.
O ato de se comunicar é, por si só, uma necessidade fundamental para a qualidade da existência do indivíduo. A CNV nos instrumentaliza para responder essa necessidade e esinar como construir e melhorar a nossa relação com o outro.
Aqui fiz apenas uma resumo sobre o que é e como podemos começar a exercitar dentro de nós mesmo e dentro da Escola.
Se você gostou do conceito e quer entender um pouco mais sobre a comunicação não-violenta deixo algumas sugestões para que você aprofunde no tema e se envolva com esse jeito empático de lidar com os conflitos internos e externos.
Proponho que experimente esse exercício abaixo e percebam a diferença que a CNV faz nas nossas vidas.

“Vejo que ____. Estou me sentindo ____ por precisar de ____. Você gostaria de ___?”. Ou “Vejo que ____. Você está se sentindo ____ por precisar de ____?”, seguido de “Resolveríamos sua necessidade se eu ____?” ou uma declaração de seu próprio sentimento e necessidade seguido por um pedido.


Com o tempo, podemos perceber mais abertura, mais ternura nas relações e as pessoas se sentiram a vontade para se abrir e se expressar diante dos outros, pois o ambiente será de pura confiança e respeito.

Lexicalmente ¹ : Relacionado com a palavra.

Agora que você já está sabendo tudo de Comunicação Não Violenta, que tal aproveitar para fazer relatórios usando essa nova habilidade? Acesse a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.

Aproveite a duração da atividade não apenas para acompanhar e facilitar o aprendizado da turma, como também para registrar esse desenvolvimento. Fotos e vídeos são ferramentas simples que podem ser usadas durante a aula para gravar detalhes na evolução de cada aluno, facilitando o relatório pedagógico que será feito mais adiante!

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Registre atividades na Eduqa.me - horizontal

Sugestão de leitura:
Livro “Comunicção Não-Violenta” de Marshall Rosenberg

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 


O Papel do Corpo e do Movimento para a Aprendizagem
Semanários/Movimento/Música e artes/Socioemocional
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O Papel do Corpo e do Movimento para a Aprendizagem

Quem já ouviu ou leu a seguinte frase: “Quem dança é mais feliz”??

Pois é a mais pura verdade. A dança tem uma grande contribuição no desenvolvimento cognitivo do ser humano, trazendo uma carga de sociabilidade e relacionamento enquanto pessoa no meio ambiente. Isso é muito importante quando aplicado como ferramenta da educação.

Agora vamos parar para pensar o papel da dança #NaEscola. 

Independente de ser uma instituição pública ou privada, sabe-se que muitas Escolas, contam com metodologias de ensino inovadoras, recursos e tecnologias acessíveis às crianças, projetos pedagógicos com bases internacionais de modelos produtivos em educação, enfim, a Escola evoluiu.

Mas, quando o assunto é o corpo e o movimento dentro da sala de aula, a modernidade volta à moda antiga.

É muito mais confortável para o professor quando as crianças estão imóveis e em silêncio, produzindo algo que ele supostamente acredita ser o conhecimento.

Ao falar de um corpo em movimento, automaticamente os professores de educação física são acionados. Afinal, lugar de bagunça é na quadra. Professores de educação física, não se zanguem, mas por muitos anos trabalhei com vocês e sei que a educação física é uma das disciplinas mais fantásticas e completas para o desenvolvimento da criança. Digo isso, sobre a bagunça, pois é o que muitos dos outros professores acham, por serem tomados por uma ignorância que não os permite ver o corpo como peça chave para o aprender. Por isso, nunca permita que uma criança fique sem as aulas de educação física “como um castigo” por ela não ter feito uma tarefa de matemática, por exemplo. A educação física é tão necessária quanto a matemática, e cada conflito deve ser resolvido dentro dos respectivos espaços; mas isso é outro assunto.

Voltando para o corpo, embora na educação infantil o movimento seja valorizado, há muitas práticas que colaboram com a importante crítica feita por Henri Wallon, psicólogo francês, ainda na transição do século XIX para o século XX: “Para a escola, a aprendizagem deve ser baseada naquilo que é imóvel. O movimento é visto como algo que atrapalha!”.

Wallon foi o primeiro teórico da Psicologia Genética a considerar não só o corpo da criança, mas também suas emoções como aspectos fundamentais para a aprendizagem. Sistematizou suas ideias em quatro elementos básicos que se comunicam entre si: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu. A base teórica deste autor chama a atenção para olhar a criança como um todo, um ser que é completo e não dividido por partes.

criança dançando

Ainda para Wallon o MOVIMENTO é o primeiro sinal de vida psíquica na criança. Antes mesmo de falar, ela apropria-se do seu corpo para mostrar o que quer com gestos ou outros movimentos que ilustram o que ela esta pensando naquele momento. 

Veja se você se identifica com as falas abaixo:

-Professor: Não é para tirar o brinquedo da mão do seu amigo.

– Aluno: eu só queria ver.

-Professor: Eu não te pedi para fazer o desenho por ele, mas para mostrar o seu.

-Aluno: mas é isso que estou fazendo.

As crianças pequenas tem uma dificuldade muito grande de comunicar o que pensam de uma forma diferente do gesto. Para explicar este fenômeno, Wallon diz que o  ato mental se desenvolve a partir do ato motor, isto é, gestos. A criança não consegue ver o brinquedo com os olhos, é preciso tocar para ver. A criança não consegue mostrar o seu desenho para aquele amigo que ainda não sabe desenhar,  é preciso fazer por ele.

O toque, o gesto, os movimentos e todo o afeto presente nestas relações de aprendizagem devem ser permitidos e viabilizados dentro de sala de aula.

A escola ao manter a criança imobilizada numa carteira, o que  representa a disciplina,  limita fatores  importantes para o desenvolvimento completo da pessoa, como por exemplo, a impossibilidade da articulação entre a  emoção e a inteligência.

Algumas vezes, a escola limita certas posturas corporais e gestos dos alunos, pois encara o movimento como algo que atrapalha e que não pode estar presente dentro da sala de aula, já que aprender é baseado naquilo que é imóvel, segundo a crítica feita por Henri Wallon.

A escola apela para o uso exclusivo do cérebro e isso precisa ser erradicado de vez. Não podemos nos contentar com crianças de braços atados em si mesmas como se fossem contentores dos seus próprios corpos.

A inteligência não se desprende do movimento. Quando mexemos as mãos para falar em público, quando a criança levanta da carteira ou mesmo quando copia as coisas da lousa em pé, é uma forma de libertar o movimento para que se possa pensar e se comunicar bem.

Infelizmente, muitas crianças tem sido rotuladas inadequadamente como hiperativas ou com déficits de atenção por conta da falta de formação e conhecimento da importância do movimento para a aprendizagem.

O movimento tem um papel muito significativo para todas as fases do desenvolvimento humano, mas principalmente para as crianças em idade pré-escolar que é onde tudo começa.

Vamos afastar as carteiras e deixar o movimento entrar em nossas classes?

crianças dançando

Se conseguirmos proporcionar um bom começo, ou seja, inserir a criança num mundo de aprendizagens significativas, as experiências posteriores terão chances de sucesso também.

Falar de aprendizagem significativa é falar de um aprender que foi registrado pelo corpo.  O corpo é o gravador das nossas experiências com o mundo, ele acumula estas experiências e é capaz de revivê-las a qualquer momento dependendo das situações que for exposto.

O corpo tem um papel fundamental para aprender, pois do princípio ao fim a aprendizagem passa pelo corpo. É o tal gravador que já falamos. Entretanto, vale ressaltar que não é importante apenas que o seu aluno faça bem as letras ou os números, mas que sinta prazer nas respostas que dá, pois isso é corporizar o conhecimento.

Existem muitas formas de possibilitar isso. A psicomotricidade, a dança, a música e as brincadeiras em si, são excelentes recursos adorados pelos pequenos.  A dança por exemplo é a livre expressão da criança; é a oportunidade de encontrar em si mesma as respostas para a construção de um ser humano mais seguro, autoconfiante e com uma excelente imagem de si mesmo. Colabora com a melhoria da criatividade, imaginação, autonomia e socialização.

Quando se estuda as competências do professor para ensinar no século XXI, Pilippe Perrenoud, encontramos a necessidade de serem criativos, se comunicarem melhor, saber ouvir, saber usar novas tecnologias, ter um pensamento crítico, ser colaborativo e etc. Mas, é impossível colocar estes princípios em prática quando se desconsidera o valor do corpo em sala de aula.

Vamos promover o movimento em sala? Preparei uma atividade bem divertida para você e seus alunos e deixei no Baú de Atividades Eduqa.me.

Olha só: 

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Experimente a Eduqa.me para aperfeiçoar seu trabalho na Educação Infantil. Visite nosso baú de atividades com mais de 5 mil atividades feitas por outros professores que estão no dia a dia da escola.

Sugestão de leitura:

  • Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Isabel Galvão. Ed. Vozes, 1995.

A importância do Movimento no desenvolvimento psicológico da criança in Psicologia e educação da infância – antologia. Henri Wallon. Ed. Estampa.

  • DANTAS, Heloysa. A infância da razão. Uma introdução à psicologia da inteligência de Henri Wallon. São Paulo, Manole, 1990
  • GALVÃO, Izabel. Uma reflexão sobre o pensamento pedagógico de Henri Wallon. In: Cadernos Idéias, construtivismo em revista. São Paulo, F.D.E., 1993.WALLON, Henri. Psicologia. Maria José Soraia Weber e Jaqueline Nadel Brulfert (org.). São Paulo, Ática, 1986.
  • Philippe Perrenoud e Monica Gather Thurler. As competÊncias para ensinar no século XXI: formação dos professores e o desafio da avaliação. Editora Penso, 2002.

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Tudo sobre a FESTA JUNINA!

Festa Junina Significado e Símbolismo

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Tudo sobre a FESTA JUNINA!

Você já parou para se perguntar como surgiu a Festa Junina e quais são seus significados e simbolismos?

Nesse post você irá conhecer tudo a respeito dessa festa especial do mês de Junho. Com essas informações poderemos embasar e trabalhar a cultura, dança, comidas e as brincadeiras de um jeito mais pedagógico na escola.

Vamos compreender o que, de fato, as crianças podem aprender com essa festa e como podemos explorar cada vez mais esse tema e potencializar o aprendizado dos pequenos.

Vamos lá?

Como  surgiu a Festa Junina?

A festa junina é uma comemoração que acontece no Brasil desde o Brasil Colônia. A história nos conta que essa festa chegou por aqui pelos europeus e a ideia inicial  era reproduzir uma comemoração que já existia em diversos países da Europa.

Qual a origem do nome?

Na Europa a festa se chama Midsummer¹.  No Brasil há duas hipóteses para o nome Junino:
A primeira é que o  nome é oriundo do mês, Junho, que é o mês que a festa é comemorada. A segunda hipótese diz que junino veio de joanino que fazia referencia ao Santo homenageado – São João.

1- celebração do meio do verão

Brasil – Terra de todos os Santos

Embora predominantemente influenciada por portugueses outros povos europeus, como franceses e espanhóis, também contribuíram para essa festa. E claro que os povos africanos e indígenas não ficaram de fora da roda! Cada um colaborou com seus costumes e comidas. Esse mix cultural acabou transformando e resignificando a festa junina brasileira nesse evento tão singular que é hoje.

O espaço da festa

Arraial ou arraiá é o local onde a festa Junina acontece.  Geralmente é um espaço amplo, ao ar livre e com barracas delimitando um espaço circular.

A Decoração

As famosas  banderinhas de papel colorido que hoje são espalhadas por todo o arraial, antigamente eram apenas três grandes bandeiras que estampavam os rostos dos santos. 

Hoje além da abundância das  bandeirolas enfileiradas e espalhadas como varais, os balões de papel e os fitilhos também marcam presença e dão o tom colorido e divertido da festa. As barraquinhas armadas, justamente para esse evento, são feitas, na maioria dos casos, por madeirites ou bambus.  

Já a cobertura fica por conta das palhas secas dos coqueiros, lonas ou de um tecido chamado chita.

A Fogueira

Sabia que cada santo junino tem um tipo de fogueira diferente?

Pois é.. a mais comum é a quadrada que é a de Santo Antonio. Há também a redonda que representa São João e a triangular de São Pedro. A fogueira é um símbolo purificador nas culturas agrárias e é acesa para afastar os maus espíritos e  manifestar a gratidão pela fertilização da terra e das fartas colheitas. Também serve para aquecer e unir as pessoas ao seu redor para brincadeiras, conversas e até para compartilhar alimentos assados na brasa.

Fonte: Google

Fonte: Google

A Música

A música e os instrumentos usados, como a sanfona, triângulo, reco-reco, estão na base da música popular folclórica portuguesa e foram trazidos ao Brasil lá no início. O Brasileiro, com sua criatividade, foi incrementando e somando novos instrumentos e ritmos.

Separamos uma lista de músicas para você aqui, mas você só consegue acessar se estiver conectada com a internet e usando e ou usando o spotify.

As Comidas Típicas

As comidas da Festa junina estão relacionadas, principalmente, à cultura campestre. Boa parte das comidas são feitas de grãos e raízes.

Já contou quantas delícias fazemos com esses ingredientes? Podemos fazer muitos pratos juninos como milho, arroz, amendoim, batata-doce e mandioca e etc… 

Fonte: Google

Fonte: Google

A Quadrilha

Essa atividade lúdica, teatral e festiva é um dos momentos mais aguardados da festa junina. A preparação é feita semanas antes e é o momento em que todos participam. Essa dança, que originou de uma dança de salão francesa, também é uma forma de agradecimento pela boa colheita.

Fonte: Google

Fonte: Google

Figuras da Sociedade rural

O padre, o noivo, a noiva, pais do noivo, pais da noiva, madrinhas, padrinhos, delegado, sacristão, entre outros são essenciais para movimentar essa festa.

As Brincadeiras

Sabemos que é nas brincadeiras que os pequenos aprendem e crescem. Por isso, para garantir o aprendizado e o sucesso do arraial as brincadeiras merecem ser diversas e divertidas. Os leilões, bingos, casamento, correio elegante, pau de sebo, simpatias, corrida do saco, pescaria e outras são algumas das mais tradicionais, mas não deixe de explorar algumas brincadeiras regionais e deixar espaço para as crianças criarem suas próprias brincadeiras.  O mais importante dessa festa é mesmo se divertir e difundir esta cultura brasileira que é tão rica.

No próximo post falaremos desse assunto na prática: Como aproveitar os jogos da festa Junina para o desenvolvimento e aprendizagem?

Aproveita para divulgar as fotos da festinha junina da sua Escola e marcar a gente com a Hashtag #FestaJuninaNaEscola

Agora que você sabe tudo sobre a festa junina, que tal entrar na Eduqa.me para fazer seu planejamento digital?

Legal, né?

Então que tal clicar AQUI e começar a fazer seus semanários na plataforma Eduqa.me? Tenha mais facilidade e dê visibilidade ao trabalho que faz em sala para que a coordenação pedagógica tome decisões pautadas em dados e fatos.

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Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

7 atividades para acalmar, criar vínculo e exercitar a concentração das crianças
Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Rotina pedagógica/Semanários
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7 atividades para acalmar, criar vínculo e exercitar a concentração das crianças

Todas as crianças, independente de apresentarem necessidades educativas especiais (NEE) ou não, precisam sentir-se seguras, confiantes e concentradas para que a aprendizagem aconteça. Assim, segue uma sessão com 7 atividades que te ajudarão a criar vínculos, acalmar e exercitar a concentração das crianças em sala de aula.

CRIAR VÍNCULOS

CRIAR VÍNCULOS

Aprender requer confiança e segurança! (foto: getty images)

Aprender requer confiança e segurança!

O professor desempenha um papel muito importante além de ensinar os conteúdos. É nele que o aluno investe a maior parte da sua confiança. O professor é quem acolhe o aluno nos seus primeiros desafios na escola, como o medo e a insegurança no período de adaptação; é ele quem faz a gestão do grupo em sala; enfim, é a partir da construção de um vínculo saudável entre professor-aluno que a aprendizagem vai se desenvolver de forma segura e com mais confiança, motivando sempre a criança a demonstrar o que sabe sem medo ou vergonha de errar. Veja algumas atividades que podem ajudar nesta questão:

1. ESTEJA JUNTO COM OS ALUNOS:  Estar próximo dos alunos é uma boa maneira de criar vínculos, e na educação infantil, a melhor forma de fazer isso é brincar ou jogar com as crianças. Tente brincar com todos os alunos individualmente, mesmo que isto te custe um tempo, é um tempo que vale a pena investir.  As brincadeiras de faz de conta e os jogos de tabuleiro ou da memória são boas opções. No caso de crianças com NEE como o autismo, observe a atividade que ela gosta de fazer e faça junto e não tente guiar ou direcionar, apenas siga a criança.

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2. ATIVIDADES COM DESENHOS: Crianças geralmente adoram desenhar, por isso, pedir que elas façam um desenho daquilo que mais gostam é um bom exercício. As crianças podem desenhar coisas que gostem de brincar, de comer, de fazer, enfim, deixe-as livres para realmente expressar esta particularidade. Os desenhos podem acontecer de formas diferentes, ou seja, se você tiver um aluno que não sabe usar ainda os traçados para se expressar, solicite que ele recorte de uma revista imagens que represente a solicitação da tarefa. Após todos terem terminado os seus desenhos, faça uma roda de conversa para falarem a respeito disso. Surpreenda as crianças com um desenho seu também! Será muito interessante para elas saberem do que o professor mais gosta. Isso aproxima o professor do aluno e permite com que todos se respeitem e se conheçam melhor.

ACALMAR A CRIANÇA

acalmar criança

Aprender precisa ser divertido, mas necessita de tranquilidade e organização!

Aprender precisa ser divertido, mas necessita de tranquilidade e organização!

Quando me refiro a organização não estou a falar apenas do ambiente de aprendizagem, mas também de uma organização interna do próprio aluno. Há crianças que são agitadas por terem de fato um quadro de TDAH; mas, há crianças que são agitadas por viverem em ambientes desorganizados, imprevisíveis e sem rotina; ou ainda, crianças que se atrasam para chegar a aula e não conseguiram tomar café da manhã. Enfim; por mais diferentes que sejam os motivos e independente de suas causas, esta agitação interna não permite que a criança se acalme para prestar atenção no professor e nas atividades que deverá executar. Assim, o professor tem mais um desafio em sala de aula que é tentar acalmar seus alunos, para que assim possam entrar em contato com as propostas de aprendizagem de forma mais tranquila e divertida. Dicas de atividades para acalmar os alunos:

3. TÉCNICAS DE RELAXAMENTO COM MÚSICA: incentivar a criatividade das crianças é uma tarefa constante dos educadores. Você sabia que atividades de relaxamento são ótimos recursos para isso? Antes de iniciar suas atividades, escolha um tema que combine com a sua turma e defina uma música (músicas com sons da natureza, músicas instrumentais clássicas ou até de melodias conhecidas pelas crianças, mas que sejam apenas tocadas e não cantadas, para não interferir na atenção).

Explique para os alunos que farão uma viagem, e para isso devem ficar com os olhos fechados. Se possível, diminua a luminosidade da sala, e se tiver lenços ou vendas utilize nas crianças já que elas comumente possuem dificuldades para fechar os olhos por conta própria. Quando tudo estiver preparado, solte a música de fundo e inicie bem calmamente uma história. 10 ou 15 minutos, se conseguir, são suficientes para acalmar a turma.

Antes de iniciar a sua história, faça um aquecimento, peça para que eles pensem nas partes de seu corpo:  onde está a sua cabeça, olhos, orelhas, boca até chegar aos dedinhos dos pés, sem mexer ou tocar, apenas devem mentalizar o que o professor disser. Inicie a história e sempre use falas para que eles consigam se transportar para o mundo da imaginação. Exemplo: […] agora começou a chover e vocês entraram num castelo […] pensem no que tinha dentro deste castelo?  Lá estava bem quente e aconchegante…

Outra dica: dependendo da sua disponibilidade de tempo e de materiais, combine elementos sensoriais ao longo da história. Use texturas, aromas e a sua criatividade.

4. ARGILA, MASSA DE MODELAR OU MASSA CASEIRA: as atividades de modelagem são geralmente, atividades que promovem a descontração e o relaxamento; por isso, nas intervenções psicopedagógicas são bastante usadas com crianças muito agitadas ou mesmo agressivas.

A modelagem favorece o jogo simbólico, pois as crianças dão significados às formas que constroem e podem modifica-las ao tempo que quiserem. A argila e as massas de modelar proporcionam um contato ativo com os sentidos, desenvolvendo a coordenação e a percepção; questões extremamente importantes para o desenvolvimento. Proponha o uso das massas ou argila de forma criativa. Desenhe com macarrão, use lantejoulas ou outros objetos decorativos para enfeitar suas peças. Aproveite a combinação das massas com elementos da natureza (galhos, pedrinhas, folhas). Utilize carimbos. Se quiser, também pode colocar uma música de fundo para inspirar as crianças. Crie e invente!

EXERCITAR A CONCENTRAÇÃO

CONCENTRAcao

Para aprender é preciso atenção e concentração. (foto: google)

Para aprender é preciso atenção e concentração.

Atenção e concentração são duas funções cognitivas que caminham juntas para o sucesso da aprendizagem das crianças.

Sabe-se que o quão mais pequenina for a criança, maior serão as estratégias usadas para conseguir um bom nível de atenção e concentração. Crianças costumam ser muito curiosas e gostam de explorar várias coisas ao mesmo tempo, por isso, exercitar a concentração desde cedo (respeitando o desenvolvimento de cada uma) ajuda no enfrentamento das futuras exigências pedagógicas que elas serão submetidas, como a aprendizagem da leitura e escrita, por exemplo. Veja alguns exemplos de atividades que apoiam o treino da concentração:

5. JOGOS NO COMPUTADOR: Jogos no computador que trabalham com a memória, o pareamento e a seriação auxiliam no exercício da atenção e da concentração dos alunos. O estímulo com as cores, figuras e sons, são desafios positivos para este treino, mas devem ser usados na medida certa dependendo da forma que cada criança aprende. Clique aqui para baixar um jogo em power point, ele só vai funcionar se você tem o power point instalado no seu computador.

6. FAÇA EXERCÍCIOS COMBINADOS: O contorno do Corpo, das mãos, de outros Objetos e também complementar partes que faltam numa figura. Exercícios como estes que envolvem o corpo e a coordenação viso motora de forma ativa no processo de aprendizagem são muito importantes para o treino da atenção e concentração, pois quando não estão bem desenvolvidos podem ser aspectos causadores da desatenção na criança. O movimento de transcrever coisas que estão na lousa para o caderno, no período de alfabetização, é um exemplo recorrente dos problemas enfrentados pelas crianças nesta fase, já que a inabilidade viso motora causa desatenção. 

7. JOGOS DE TABULEIRO COMO O CARA A CARA: Os jogos e as brincadeiras são tão importantes e necessários para as crianças, como o trabalho é para um adulto, por isso, brincar e jogar são primordiais para o desenvolvimento do aprender de modo global. O jogo cara a cara ou advinha quem é?, em especial, é um excelente material para exercitar a concentração. Ele exige que os jogadores observem detalhes dos rostos dos personagens como cor de cabelo, olhos, acessórios, entre outras particularidades. É preciso também, fazer perguntas, e a concentração é primordial para quem deseja vencer, ou seja, fazer as perguntas adequadas e não repetitivas. Experimente este jogo é muito divertido e aprimora a atenção e concentração.


Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

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Dá para adaptar a abordagem Reggio Emilia na sua sala de aula?

Fonte: che-fare

Carreira/Práticas inovadoras/Semanários
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Dá para adaptar a abordagem Reggio Emilia na sua sala de aula?

Imagine só: oito crianças entram em uma sala de artes recheada de todo tipo de material artístico. Elas escolhem seus lugares nas mesas designadas e, felizes, ajudam uma à outra a vestir o avental. Não encostam em nada. Um aluno repara em um espelho sobre a mesa e deduz – “ah, vamos fazer autorretratos, hoje?”. Então, cada um se senta e trabalha com canetas marca texto e tinta acrílica sem sujar as roupas.

É o sonho de todo professor, certo?

Bem, na verdade, eu presenciei exatamente essa cena alguns meses atrás. Contudo, talvez você não acredite quanto contar aonde ela aconteceu. Não foi em uma classe de Ensino Médio, nem mesmo de Fundamental. A aula ocorreu em uma pré-escola.

Dizer que me senti surpresa é um eufemismo. Fiquei boquiaberta. Chocada!

Como você com certeza pode deduzir, esta não era uma pré-escola convencional ou uma aula de artes comum. Estava observando um programa chamado Preschool of Arts, localizado em Madison, Wisconsin (Estados Unidos) e inspirado na metodologia Reggio Emilia. O que aprendi pode ajudar qualquer professor a atingir um pouco mais de harmonia em sua sala de artes – por isso, gostaria de dividir algumas observações e lições práticas que podem ser usadas no ensino de bebês a adolescentes.

A escola: espaço de criatividade e empoderamento

Reserve um espaço para conversas e atividades em equipe (foto: The Art of Ed)

Reserve um espaço para conversas e atividades em equipe (foto: The Art of Ed)

Caso não esteja familiarizado com o método Reggio de educação, eu indico que você pesquise mais a respeito. Em suma, as crianças são vistas como participantes capazes em seu próprio aprendizado. Elas são encorajadas a se expressar através de diversas linguagens, incluindo a arte, ao longo do dia.

Embora apenas escolas italianas possam ser escolas Reggio, fica claro que outras instituições se inspiram em seus ensinamentos. Desde cartazes e placas criados pelos estudantes até quadros e esculturas adornando as paredes, toda essa sala de aula parece gritar: “crianças e criatividade são valorizadas aqui!”.

O estúdio de arte e o “terceiro professor”

As crianças têm muitas oportunidades para criar em suas salas de aula regulares, entretanto, o estúdio de artes baseado no Reggio Emilia é um espaço especial que elas visitam uma vez por semana. Em uma escola Reggio, a organização da sala de aula é conhecida como “o terceiro professor”. O termo significa que os materiais e objetos dispostos lá estão organizados intencionalmente. Com frequência, espelhos são incorporados ao local para refletir a luz e estantes de livros são colocadas perto das portas, criando um ambiente confortável.

Espelhos no teto e nas paredes refletem a luz pela sala (foto: The Art of Ed)

Espelhos no teto e nas paredes refletem a luz pela sala (foto: The Art of Ed)

Outras provocações são inseridas a cada dia para estimular a exploração: durante a minha experiência lá, assisti três turmas diferentes usarem o espaço, cada uma com arranjos próprios para trabalhar. Uma delas recebeu os itens abaixo:

Um objeto encoberto estimula a curiosidade e imaginação das crianças (foto: The Art of Ed)

Um objeto encoberto estimula a curiosidade e imaginação das crianças (foto: The Art of Ed)

Achei interessante o fato de um dos objetos sobre a mesa estar coberto. Certamente, as crianças ficaram curiosas para descobrir o que havia embaixo! Repare também nas tintas coloridas prontas para serem usadas.

Adapte sua sala:

  • Pendure um espelho para refletir a luz (ou, como sugeriu uma das crianças, para produzir autorretratos!);
  • Prepare pelo menos um ambiente para trabalhos em equipe;
  • Arrume materiais bonitos, atrativos;
  • Crie uma estante para livros ou desenhos;
  • Pinte uma das paredes de uma cor tranquila.

Materiais: inspiradores, permanentes e de qualidade

Conforme mencionei, um componente chave da metodologia Reggio é a noção de que as crianças são capazes.  Enquanto, para mim, ver uma criança de três anos usar tinta acrílica foi motivo de choque, para a professora, era completamente normal. A turma aprende qual a maneira correta de se manusear cada utensílio e começa a praticar com eles quando todos ainda são muito novos.

Perguntei à Kristin Sobol, uma das especialistas em arte da escola, se algum pai já havia reclamado por causa de roupas manchadas ou estragadas. Ela pensou por alguns segundos e respondeu: “Não. Isso nunca aconteceu comigo!”. Incrível, não?

Como o método foca na construção de uma comunidade, a família é uma parte essencial na educação das crianças. Portanto, os professores preparam os pais para entender essas experiências artísticas como momentos valiosos – assim, a maioria manda uma troca de roupas para os filhos nos dias de estúdio. Tudo depende da comunicação.

Kristin também me disse que, além dos marca textos e da tinta acrílica, os alunos dela geralmente aproveitam outros materiais de alta qualidade como lápis de cor da marca Prismacolor (uma marca de materiais de pintura profissionais). A ideia é que materiais de alta qualidade são mais fáceis de ser utilizados. Se você parar para pensar no assunto, é verdade! Você não preferiria usar tintas cremosas e pincéis macios do que um que arranha o papel ou produz marcas falhas?

Materiais tradicionais misturados a elementos da natureza dão origem a novas descobertas e experiências (foto: The Art of Ed)

Materiais tradicionais misturados a elementos da natureza dão origem a novas descobertas e experiências (foto: The Art of Ed)

Outro aspecto importante é incorporar a natureza ao aprendizado. Esse conceito é levado para a sala de artes, onde há uma variedade de elementos naturais com os quais o grupo pode trabalhar. Perguntei como a professora fazia para que as crianças deixassem os materiais em paz na hora da atividade. “Bem, eles são parte constante do ambiente, então, ninguém presta muita atenção”. Genial.

Este é um exemplo de como a natureza é introduzida à sala de aula. Recentemente, alunos de dois anos criaram seus primeiros autorretratos. Primeiro, eles praticaram desenhar um círculo. Então, adicionaram pedrinhas para representar os olhos. Aqueles prontos para avançar em seus projetos adicionaram ainda cabelos, narizes e bocas.

Adapte sua sala:

  • Introduza materiais permanentes às crianças;
  • Misture elementos naturais com outros, tradicionais, na sala de artes;
  • Promova suas atividades para que a família entenda (e aprove) a bagunça;
  • Invista em pelo menos um material de alta qualidade.
Exemplo de autorretrato feito por crianças de dois anos, utilizando canetinhas e pedras (foto: The Art of Ed)

Exemplo de autorretrato feito por crianças de dois anos, utilizando canetinhas e pedras (foto: The Art of Ed)

O processo: documentar e exibir

A documentação é uma parte imprescindível do método Reggio Emilia. Ao longo da aula de artes, pude observar Kristin tirando fotos e fazendo anotações. Diariamente, elas são compiladas e enviadas aos pais. Imagens e roteiros de discussão também são expostos nos corredores e espaços coletivos – em alturas diferentes para que crianças e adultos possam apreciar o trabalho dos colegas.

Para complementar, as obras são escolhidas para mostrar a evolução. De acordo com a professora, “é comum que as crianças queiram destruir ou encobrir partes da atividade que fizeram no começo do projeto”. Professores Reggio devem pensar sobre quais materiais vão prevenir essa tendência para que seja possível acompanhar o progresso de cada criança. Combinar materiais opacos e transparentes, por exemplo, pode surtir efeito. Que tal alternar tinta óleo com canetinhas coloridas e aquarela, permitindo que professores e estudantes observem o desenvolvimento da atividade?

Outro truque de Kristin é usar transparências sobre o desenho original. Dessa forma, as crianças podem pintar sobre a imagem e, quando a tinta secar, retirar a segunda camada para comparar com a primeira tentativa. Se há caixas de antigas transparências juntando poeira na sua escola, experimente colocá-las em uso nesse projeto.

Trabalhar com transparências permite analisar as várias etapas do projeto e o desenvolvimento da criança (foto: The Art of Ed)

Trabalhar com transparências permite analisar as várias etapas do projeto e o desenvolvimento da criança (foto: The Art of Ed)

Adapte sua sala:

  • Use materiais opacos e transparentes em uma mesma atividade;
  • Faça perguntas às crianças e grave suas respostas;
  • Anote os comentários dos artistas ao lado de suas produções;
  • Pendure obras de arte das crianças dentro da sala de aula;
  • Crie uma página no Facebook, Instagram ou Twitter para a comunidade escolar.

Eu agradeço muito a oportunidade de observar um dia no estúdio de artes – consegui entender como pequenas mudanças em uma escola tradicional podem trazer imensos benefícios.

Agora, tente escolher uma dica desse artigo e colocá-la em prática com sua classe e aproveite para fazer isso coma  Eduqa.me!

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Esse artigo é uma tradução do texto “A surprising in depth look at the Reggio Approach”, do The Art of Ed. Para ler o original, clique aqui.

A sua escola investe na formação cultural dos educadores?

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo - Museu da Língua Portuguesa)

Carreira/Formação/Semanários
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A sua escola investe na formação cultural dos educadores?

A bagagem cultural do professor não é (ou não deveria ser) uma questão pessoal, que só diz respeito ao lazer, fora do horário de trabalho. Pesquisadores e docentes já comprovaram que, quanto maior o repertório, melhor a prática em sala de aula – e em qualquer área de conhecimento, não apenas as mais lúdicas, como artes.

Conhecer diferentes representações artísticas e manifestações culturais expande a realidade do professor. A partir delas, é possível estabelecer diálogos, propor novas práticas com as crianças, quebrar preconceitos e inserir experiências lúdicas em qualquer temática, tornando o aprendizado mais próximo dos alunos.

Afinal, a premissa é bastante simples: ninguém consegue ensinar aquilo que não conhece. Como cultivar hábitos de leitura, visitas a museus, cinema ou teatro, se o próprio educador não vive esse discurso?

Infelizmente, a falha surge desde o currículo universitário, que prioriza o conteúdo pragmático. São raras as universidades que trazem no planejamento, intencionalmente e ao longo de todo o curso, o estímulo à formação cultural. Um desses poucos exemplos é a UFRJ, aonde os estudantes de pedagogia devem ir a um evento cultural por mês (que pode ser desde um balé até um show popular) e, ao fim, registrar suas impressões da atividade.

A própria escola pode intervir para capacitar os profissionais, contemplando todos os funcionários. Encontros que promovem a discussão e convivência do grupo – incluindo professores, merendeiros, coordenadores, auxiliares de limpeza, estagiários – facilitam o diálogo dentro da escola e o sentimento de valorização da equipe.

Ter o primeiro contato com a cultura formal muitas vezes funciona como despertar para que cada um busque aumentar seu próprio repertório fora da escola. O importante é que todos sejam incluídos e tenham momentos para refletir sobre a experiência, para que ela se reverta em qualidade de vida e de trabalho.

Traga a cultura para a escola

Leve cultura para dentro da escola: planeje oficinas, filmes ou palestras entre os funcionários para dar espaço à criatividade e ao diálogo (foto: Art and Reiki)

Leve cultura para dentro da escola: planeje oficinas, filmes ou palestras entre os funcionários para dar espaço à criatividade e ao debate (foto: Art and Reiki)

Uma alternativa que não pesa no bolso da escola é promover encontros em seu próprio espaço: palestras, sessões de cinema e pequenas apresentações musicais, por exemplo, podem acontecer no pátio, no ginásio ou em uma sala de aula. Projetos da comunidade ou mesmo empresas privadas podem ser contatadas para participar, arcando com parte dos gastos.

Outra possibilidade é organizar oficinas, tanto com convidados especiais (artistas, músicos, escritores, atores) quanto com os próprios membros da equipe da escola, que podem se oferecer para compartilhar algo com os colegas. A gestão deve abrir esse canal de comunicação e incentivar a participação dos funcionários.

Excursões com a turma

Algumas escolas já incluem outros funcionários nos passeios da escola. É claro que não é possível levar grandes grupos de uma vez, mas, criando um rodízio, a participação de todos é garantida sem que os serviços de limpeza, cozinha ou segurança sejam interrompidos. Que tal disponibilizar uma lista para que cada profissional assinale em quais passeios está mais interessado? Além do horário de trabalho e das excursões, a vontade de ir pode ser outro critério na elaboração do cronograma.

A vantagem desse modelo é que, além de apresentar peças teatrais, exposições em museus ou galerias para quem tem poucas oportunidades de aproveitá-los, fortifica-se o vínculo entre a equipe e as crianças. Um dia de cultura ou entretenimento permite que eles passem mais tempo juntos, troquem ideias e conheçam outras perspectivas.

Só para gente grande

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo - Museu da Língua Portuguesa)

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo – Museu da Língua Portuguesa)

Uma vez por semestre ou por ano, conforme a agenda da escola permitir, organize uma saída apenas para os adultos. Reúna diretores e coordenadores, professores e demais funcionários em um final de semana com destino a um evento cultural na cidade.

Antes de sair, organize um momento de encontro para que todos troquem expectativas, informações e curiosidades sobre o que vão assistir. O mesmo pode ser repetido ao fim da experiência, para incentivar o diálogo entre profissionais que, rotineiramente, não trabalham juntos ou têm pouco tempo para conversar. Ainda que alguns pareçam tímidos no começo, faça perguntas a pessoas específicas para que elas ganhem confiança ao participar ativamente do debate. Garanta um ambiente acolhedor e informal, justamente para que a equipe se conheça melhor.

Compartilhem sugestões

Sugira que os funcionários mantenham um caderno cultural – um diário em que podem colar os bilhetes de entrada ou fotos de suas programações culturais, escrever suas impressões ou dar dicas de livros e filmes.

Esse caderno pode ser mantido ao longo de todo o ano letivo ou ser usado apenas nas férias, por exemplo. Se essa for a opção, realize uma dinâmica com o material assim que as aulas voltarem: que tal criar murais, trocar cadernos ou cada um contar qual foi a experiência mais marcante?

Clube do livro

Literatura deve ter um momento na rotina! Ler livros exercita a empatia e o conhecimento, dentre vários outros benefícios (foto: Gwen Hernandez)

Literatura deve ter um momento na rotina! Ler livros exercita a empatia e o conhecimento, dentre vários outros benefícios (foto: Gwen Hernandez)

Infelizmente, pesquisas já mostraram que menos de 50% dos professores brasileiros de Educação Básica têm a leitura de livros como hábito. Ler textos não relacionados à profissão é essencial para a formação do professor, e traz benefícios não só para sua prática pedagógica como para sua vida pessoal. Quem lê literatura desenvolve mais empatia, têm uma mente mais aberta a novas ideias, mais capacidade de concentração e melhor vocabulário, dentre várias outras vantagens.

Além disso, é claro, é preciso um professor leitor para criar novos leitores. As crianças têm chances maiores de se apaixonar pela leitura quando influenciadas positivamente pelos professores!

Sendo assim, proponha reservar uma ou duas horas de hora-atividade para a leitura de literatura. A equipe pode selecionar, mensal ou bimestralmente, um livro em comum, que todos possam terminar e discutir. Outra sugestão: por que cada funcionário não fica responsável por trazer um livro diferente e eles vão trocando de mãos ao longo do ano, até que todos tenham acesso a cada um deles?

Colocando em prática

  • Várias cidades possuem leis que dão descontos a educadores: 20% em livrarias, meia-entrada em cinemas e teatros, etc.. Basta informar-se no site da sua prefeitura.
  • Mesmo que não haja descontos, muitos centros culturais, museus, cinemas e teatros liberam um dia de entrada gratuita ou meia-entrada para todos. Ligue para esses locais para descobrir quando a visita é mais barata.
  • Empresas privadas podem ser parceiras na hora de conseguir ingressos ou transporte mais em conta. A secretaria do município e outros órgãos da prefeitura podem oferecer possibilidades de transporte para a escola.
  • Siga sites de agenda cultural da sua cidade, como a Agenda Cultural Catraca Livre, por exemplo. Além de saber tudo o que está acontecendo, eventos gratuitos sempre são divulgados.
  • Crie um mural ou caixa de sugestões para que os funcionários digam o que gostariam de conhecer e tente colocar pelo menos algumas ideias em prática todo ano.

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Leia mais:

Gestão Escolar

Gazeta do Povo

Revista Educação

7 atividades para acalmar crianças pequenas

Abrace a criança por trás, segurando seus braços com firmeza, e fale com a voz calma até que ela se tranquilize (foto: Huffington Post)

Atividades/Identidade e autonomia/Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios/Semanários
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7 atividades para acalmar crianças pequenas

Como reagir a crianças irritadas, nervosas ou mesmo agressivas dentro da escola? O assunto veio à tona na semana passada, quando o vídeo de um garotinho “destruindo” a sala se espalhou pela internet. As opiniões se dividiram entre culpar os professores, a família e o próprio aluno.

Esse tipo de polêmica ressurge de tempos em tempos e serve para mostrar o despreparo de alguns adultos para lidar com as dificuldades socioemocionais das crianças, que refletem os comportamentos aos quais são expostas: como são tratadas, como veem os pais se relacionando, o quanto se sentem seguras. A jornalista Cinthia Rodrigues escreveu um artigo muito sensato sobre o acontecimento: confira aqui.

É claro que expor os pequenos nunca é a resposta. Mas não é fácil amenizar a birra, os surtos de violência ou choro, ainda mais quando se é responsável por uma turma de dezenas de crianças. Cada professor tem suas técnicas – e a Eduqa.me selecionou sete atividades que funcionam na Educação Infantil.

Vidro da Calma

Mostrar o brilho flutuando dentro do vidro atrai as crianças pequenas, dando tempo para que elas se acalmem (foto: Chez Titie)

Mostrar o brilho flutuando dentro do vidro atrai as crianças pequenas, dando tempo para que elas se acalmem (foto: Chez Titie)

O Vidro da Calma (ou calming jar, em inglês), é usado para acalmar crianças pequenas após uma briga ou choro. Inspirado no método Montessori, o objetivo é distrair e tranquilizar os pequenos com a tinta e glitter colorido se movendo dentro do recipiente. Assim, eles têm tempo de respirar e conseguem prestar atenção na conversa com o professor.

Isso os ensina a respirar fundo e se acalmar por conta própria, além de proporcionar um momento para que se expressem e tentem explicar os motivos da tristeza, raiva ou frustração.

É preciso preparar o vidro com antecedência – mas, após criar o seu, ele pode ser utilizado sempre que necessário. Também é possível fazer uma série de potes com cores e efeitos variados.

Para criar o Vidro da Calma, você precisa de:

  • Água quente;
  • Glitter e purpurina;
  • Corante;
  • 1 pote ou garrafa de vidro com tampa.

Despeje a água quente no vidro deixando espaço para movimentar o conteúdo (a intenção é que a criança chacoalhe o vidro, certo?). Depois, acrescente uma ou duas colheres de sopa de glitter e mexa bem, até a cola se diluir na água. Adicione a purpurina e algumas gotas de corante – recomendamos o corante alimentar, que não causa problemas caso seja engolido.

Você também pode misturar sabonete líquido ao seu vidro da calma: ele faz com que o glitter se mova mais rapidamente! Feche bem a tampa e balance o recipiente para cima e para baixo para ter certeza de que não há vazamentos antes de entregá-lo à uma criança.

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Ioga

A ioga traz vários benefícios ao desenvolvimento infantil, e é uma atividade que promove a calma e o equilíbrio do corpo, tanto físico quanto mental. Também é um exercício de disciplina, concentração e coordenação motora. Já foram comprovados os efeitos positivos da ioga em crianças estressadas, desmotivadas ou de mau humor – e a prática frequente pode inclusive melhorar o desempenho escolar!

Para as crianças, a ioga é ainda uma diversão, já que elas têm a oportunidade de se movimentar e imitar posições divertidas.

Para tornar a atividade atrativa para o pequenos, o truque é usar histórias cujos personagens são animais que as crianças possam imitar. As posições são adaptadas para se adequarem ao desenvolvimento infantil. Confira algumas das poses (todas foram retiradas do site Style Craze, no artigo Fun and Interesting Yoga Poses for Kindergarten Kids):

A posição do bebê feliz: deite de costas, respire fundo, traga os joelhos para perto do corpo e balance lentamente de uma lado para o outro.

A posição do bebê feliz: deite de costas, respire fundo, traga os joelhos para perto do corpo e balance lentamente de uma lado para o outro.

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Pose da cobra: deite de barriga para baixo, respire fundo e solte o ar devagar enquanto sobe a cabeça e o tronco. Mantenha a posição com a cabeça erguida fazendo algumas respirações profundas.

Pose da borboleta: sentado no chão, junte as plantas dos pés e segure-os com as duas mãos. Mantenha as costas retas e, então, balance as pernas para cima e para baixo, como as asas de uma borboleta.

Pose da borboleta: sentado no chão, junte as plantas dos pés e segure-os com as duas mãos. Mantenha as costas retas e, então, balance as pernas para cima e para baixo, como as asas de uma borboleta.

Pose do sapo: equilibrando-se nas pontas dos pés, agache-se e mantenha os joelhos bem abertos. Então, respire fundo e solte o ar enquanto coloca os pés inteiros no chão até se sentar.

Pose do sapo: equilibrando-se nas pontas dos pés, agache-se e mantenha os joelhos bem abertos. Então, respire fundo e solte o ar enquanto coloca os pés inteiros no chão até se sentar.

Pose da lua crescente: Em pé, junte as duas mãos acima da cabeça e estique bem a coluna. Respirando fundo, curve-se para um lado e depois para o outro, alongando-se.

Pose da lua crescente: Em pé, junte as duas mãos acima da cabeça e estique bem a coluna. Respirando fundo, curve-se para um lado e depois para o outro, alongando-se.

Pau de Chuva

Eu lembro de como o som do Pau de Chuva era hipnótico quando era criança: era irresistível passar vários minutos virando o brinquedo para cima e para baixo para escutar o barulhinho que ele fazia. Esse é outro instrumento que pode ser apresentado no momento da raiva para acalmar um aluno chateado – primeiro, para distraí-lo, depois, para que ele o manuseie, acalme-se e escute.

Para criar um Pau de Chuva, você precisa de:

  • Um tubo de papelão espesso ou outro material resistente (tubos de papel higiênico são muito finos) de qualquer tamanho;
  • Um martelo;
  • Pregos, pinos ou alfinetes;
  • Algo para preencher o tubo e fazer barulho: miçangas, feijões, milho ou outros grãos, pedrinhas ou contas.
É assim que o interior o tubo vai ficar depois de você colocar os pregos (foto: The Imagination Tree)

É assim que o interior o tubo vai ficar depois de você colocar os pregos (foto: The Imagination Tree)

Coloque os pregos ao longo do tubo com pequenos intervalos entre eles. É o choque entre os grãos e os pregos que criará o som característico, parecido com a chuva. Quanto mais pregos você inserir, mais vai demorar para que todos os grãos caiam, então, o barulho vai durar mais tempo!

Então, coloque todo o conteúdo (sejam feijões, miçangas ou o que você escolheu) lá dentro e tampe bem ambos os lados do tubo. Pronto! Basta decorar seu Pau de Chuva com papel colorido, adesivos, tecido e ele estará pronto para ir para sua sala de aula.

Após fechar bem o tubo, ele pode ser decorado - por você ou pelas crianças (foto: The Imagination Tree)

Após fechar bem o tubo, ele pode ser decorado – por você ou pelas crianças (foto: The Imagination Tree)

Bolhas de Sabão

Bolhas de sabão são especialmente calmantes para bebês, mas alunos de 3 ou 4 anos ainda podem ser envolvidos na brincadeira. Quando a criança magoada tiver menos de um ano, apenas o professor soprando bolhas na sua direção já suficiente para entretê-la e tranquilizá-la. Ela vai assistir a mudança de cores, as bolinhas flutuando e desaparecendo, tentar apanhá-las… E esquecer o choro. Apenas lembre-se de não soprar as bolhas diretamente no rosto do bebê, porque o sabão pode irritar os olhos. Sopre ao redor dele.

Já os maiores devem ser convidados para soprar as bolhas. Além de divertido, o ato de inspirar fundo e assoprar faz com que eles se acalmem e seja possível conversar.

Massa de modelar de lavanda ou camomila

Atividades manuais são uma forma excelente de liberar o estresse. A massinha de modelar, por si só, já pode ser usada para trabalhar sentimentos de raiva, frustração e descarregar a agressividade infantil. Lembre-se: sentir raiva não é errado, as crianças apenas precisam ser ensinadas a lidar com essas emoções de maneira saudável, sem culpa e sem ferir os colegas.

Para complementar a atividade, experimente fazer uma massinha de modelar caseira com lavanda ou camomila, ambas com aromas calmantes. Você vai precisar de:

  • 2 xícaras de farinha de trigo;
  • Meia xícara de sal;
  • 2 colheres de sopa de óleo;
  • 1 xícara e meia de água quente com chá de camomila ou lavanda (você pode comprar uma caixinha no mercado ou usar as próprias flores – é só mergulhá-las na água fervente por alguns minutos);
  • Corante.
Uma alternativa a comprar uma caixinha de chá e usar as flores de verdade na mistura (foto: Clare's Little Tots)

Uma alternativa a comprar uma caixinha de chá e usar as flores de verdade na mistura (foto: Clare’s Little Tots)

Misture todos os ingredientes em uma tigela até que a massa fique parecida com massa de pão. Se necessário, você pode adicionar mais farinha ou mais água, dependendo da consistência desejada. Pingue algumas gotas de corante (lilás ou azul são cores calmantes) e, se quiser, coloque algumas flores secas na massa, para aumentar o perfume.

A mansinha vai ficar perfumada! Ela pode ser usada na cor natural ou você pode acrescentar corante de alimentos (foto: The Joy of Five)

A mansinha vai ficar perfumada! Ela pode ser usada na cor natural ou você pode acrescentar corante de alimentos (foto: The Joy of Five)

Música clássica ou sons da natureza

Apagar as luzes, deitar nos colchonetes e ouvir uma música relaxante: isso basta para alterar o humor da sua turma. Além de música clássica, procure por coletâneas de sons da natureza, como o barulho de ondas do mar ou de folhas na floresta.

Massagem e carinho

Abrace a criança por trás, segurando seus braços com firmeza, e fale com a voz calma até que ela se tranquilize (foto: Huffington Post)

Abrace a criança por trás, segurando seus braços com firmeza, e fale com a voz calma até que ela se tranquilize (foto: Huffington Post)

Caso a criança tenha um surto de raiva, tentando bater nos outros ou atirando objetos, tente tranquilizá-la, primeiro, com um abraço forte: passe os braços em torno dos ombros dela, segurando firme, mas sem machucar. Espere até que ela pare de se debater.

Então, massageie seus ombros, braços e costas, pressionando com gentileza. Se a criança quiser, ela pode deitar a cabeça em seu colo. Use uma voz calma e baixa até que a situação esteja sob controle – e, durante todo o tempo, converse com a criança para que ela saiba que está segura.

Leia sobre o desenvolvimento da identidade, autonomia e autoconfiança.

Além disso, procure remover qualquer objeto que possa machucá-la de dentro da sala ou, ainda, retire a criança do local e a leve para um lugar mais silencioso até que se sinta melhor.

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Leia mais:

Montessori Rocks (vidro da calma)

Style Craze (ioga infantil)

The Imagination Tree (pau de chuva e massa de modelar)

How to Calm Down an Autistic Person

 

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Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Desenvolvimento Infantil/Rotina pedagógica/Semanários/Formação
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Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Todo professor se propõe a planejar o seu dia, as suas atividades – mas como fazê-lo quando este planejamento não se refere apenas a ele mesmo, mas a todas as crianças que estão, por boa parte do dia, sob sua responsabilidade? Cada uma tem uma vontade, um desejo e está em um estado de busca. Quando a proposta é fazer um planejamento que parte destas vontades, desejos e buscas, o educador muitas vezes sente como se estivesse tentando planejar o imprevisível.

Como escolher o que entra no planejamento?

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

O professor que tem a preocupação em orientar sua turma tem que estabelecer um ponto de partida. Se as singularidades de suas crianças são importantes, ótimo: esse ponto de partida já esta estabelecido.

São elas. Tudo começa com observar e escutar sua turma e o que brota nos momentos da rotina: as ações mais procuradas, os interesses, as demandas, as pesquisas e descobertas, os assuntos que estão bombando entre as crianças.

Leia mais sobre esse tema no nosso post Personalização do Ensino na Educação Infantil.

O olhar do professor ao observar seu grupo não é um olhar à toa, à espera de que algo chame sua atenção para, só depois, despertar interesse. É um olhar intencional, preparado. Juntamente com a observação está a pauta do olhar, ou o motivo do olhar, elaborada pelo professor para orientá-lo naquilo em que vai prestar atenção. Afinal, as crianças são muitas e vários são os interesses.

A elaboração da pauta do olhar está intimamente ligada ao planejamento do professor, ao seu modo de trabalhar.  Um jeito possível de trabalhar com a (in)formação começa por perguntar. É provocar o olhar e a escuta para ativar a percepção e despertar a curiosidade.

  • O que as crianças fazem com maior frequência? (que movimentos corporais fazem com maior prazer, em quais encontram dificuldades?)
  • Quais os brinquedos e brincadeiras são mais solicitados?
  • Como elas se articularam? Quem brincou com quem? Quem não quis brincar?

Além disso, é preciso deixar espaço para olhar o olhar individual.

  • Quais as crianças serão observadas com maior atenção neste dia ou durante esta atividade? Quais os seus interesses? Estão buscando um desafio?

Um cuidado especial pode ser garantir um olhar para o uso dos espaços e dos materiais utilizados.

  • Como foi o envolvimento e a participação das crianças nestes espaços (parque, refeitório, quadra, área externa, sala de referência) e quais os materiais explorados?
  • Eles preferem os materiais não estruturados?

A partir das respostas a estas e outras perguntas pertinentes à sua turma, você terá anotações e informações importantes para ampliar os desafios oferecidos para as crianças. Estas respostas são alguns elementos deste seu planejamento.

Quais outras fontes de informação você possui?

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Você fez o registro das propostas anteriores neste ou em outros espaços da creche. Você tem uma fonte preciosa de informações e anotações sobre as pesquisas, descobertas, interesses e hábitos de cada um de sua turma. Alguém vai sempre para o mesmo brinquedo? Você já se perguntou o porquê? Há crianças que nunca usam algum brinquedo ou realizam alguma atividade? Novamente, você sabe por quê?

É claro que ninguém tem memória para guardar tudo o que vê e vivencia nas 10 horas da rotina, multiplicadas pelas 20 ou mais crianças da turma! Por isso a importância dos registros de acordo com a realidade da turma. Os registros contém tudo aquilo que o educador percebe – anotações, fotos, caderno de registros, produções dos alunos. Eles revelam as descobertas, as dificuldades, as conquistas e as possibilidades de cada criança e do grupo, e são sua matéria-prima para o próximo planejamento.

O que essas informações significam?

Com as respostas relacionadas às questões sobre os interesses atuais das crianças, mais os registros das atividades anteriores, mais os desafios identificados, você se pergunta: quais os encaminhamentos que essas informações indicam?

Sua resposta está em refletir e avaliar sobre quais dificuldades foram identificadas no grupo ou em uma criança e, a seguir, quais ajustes deverão ser feitos no tempo e na estrutura das respostas. E aí, bingo! Chegamos ao planejamento interessante, estimulador, adequado e repleto de possibilidades e brincadeiras. Não tem como dar errado!

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Fonte: Tempo de Creche

A diferença entre professor e educador

Fonte: Google

Carreira/Semanários
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A diferença entre professor e educador

Há muito romantismo na definição de educador. Se você já leu Conversas com quem gosta de ensinar, de Rubem Alves, sabe do que estou falando. Nele, o autor diferencia professores e educadores da mesma forma que eucaliptos (plantados, enfileirados, comerciais e descartáveis) e jequitibás (belos e raros, que crescem espontaneamente).

Ou seja: professor seria “apenas” uma profissão, algo que se pode aprender a ser com uma série de cursos e treinamentos. Educador, por outro lado, é aquele com vocação, apaixonado pelo que faz.

A opinião não é exclusiva de Rubem Alves. Vários outros autores e pedagogos escreveram sobre o tema para enfatizar essas divergências. O professor despeja informações, enquanto o educador constrói o conhecimento em conjunto com a turma. O professor repete a mesma rotina incansavelmente, já o educador se adapta para acessar cada criança. A função do professor é acadêmica e profissionalizante, o educador, porém, ensina para a vida em sociedade e se preocupa com o desenvolvimento integral do indivíduo.

(foto: Parent Dish)

(foto: Parent Dish)

Grande parte dos professores acredita ser – ou ambiciona ser – um educador, com toda a idolatria acerca do título. Atingir esse objetivo esbarra em contratempos desde o número alto de alunos por classe (como dar foco ao crescimento pessoal de cada criança, quando mal se consegue terminar o conteúdo dentro do prazo?) até falta de estrutura ou suporte de outros agentes: pais, coordenadores e comunidade desinteressados no trabalho escolar são queixa frequente.

Claro, sempre há exceções. Sempre existem exemplos daquele professor que superou todas as adversidades e conseguiu erguer uma aula incrível a partir de pouquíssimos recursos. Seriam apenas esses os verdadeiros educadores?

Assim como nós defendemos a necessidade de um ambiente positivo e estimulante durante a infância, para que as crianças atinjam plenamente seu potencial, a proposta é a mesma para profissionais de educação. Quem é classificado como “somente” professor, por não exibir um envolvimento profundo com os alunos, normalmente reconhece que suas aulas poderiam melhorar – e quer dar aulas melhores, embora não encontre os meios para fazê-lo. Porém, não é justo exigir que a equipe abra mão de todo o resto, vida pessoal no pacote, para se dedicar à escola com exclusividade. Levar tarefas para casa e passar finais de semana trabalhando não são exemplo de dedicação, e sim de mau funcionamento (além de resultarem em problemas graves de saúde).

É preciso um espaço fértil para que cada um se torne o melhor educador que pode ser – afinal, alcançar o topo da pirâmide sem uma base sólida é uma tarefa bastante improvável. E a base é composta justamente pelas necessidades primárias para sobrevivência, pelas condições mínimas de trabalho e remuneração, pelo acesso ao material da aula (sejam livros didáticos, blocos de Lego ou anilina para um experimento na aula de ciências) e, principalmente, por uma rede de apoio ativa.

Um jequitibá sozinho não salva a educação de uma escola, que dirá de um país. Mas, dentro de cada professor frustrado, há a semente de um educador que precisa ser cultivada para crescer.

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