O que é bullying?

O termo bullying (da expressão “bully”, em inglês, que significa “brigão”) refere-se a comportamentos agressivos e intencionais. Além disso, são atitudes que se repetem com frequência entre as mesmas crianças – ou seja, não se aplica a um desentendimento isolado.

É importante ressaltar que é considerada bullying a agressão entre pares; ou seja, entre alunos da mesma idade ou de idades semelhantes. Brigas entre um estudante e um professor podem caracterizar outros tipos de violência, mas não bullying.

Certamente, o bullying não é uma invenção moderna – porém, apesar a de a prática sempre ter existido, ela vem recebendo mais atenção tanto da mídia quanto dos educadores na última década.

Segundo a organização não-governamental Plan International, que atua em 66 países garantindo a proteção da infância, 70% dos alunos brasileiros já sofreu bullying. A pesquisa foi feita em 2008, com 12 mil crianças de seis estados.

O mais grave é que, dentre as vítimas, quase metade não busca ajuda nem denuncia os agressores. A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), estima que 42% das crianças atingidas não falam sobre o problema nem mesmo com amigos e colegas. 

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying – até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Existe bullying na Ed. Infantil?

Existe, mas somente a partir dos 3 ou 4 anos de idade. Especialistas explicam que, antes disso, é comum que os pequenos utilizem comportamentos agressivos simplesmente por estarem em desenvolvimento e não dominarem outras formas de expressão.

Até os dois anos de idade, os pequenos estão descobrindo o mundo através dos sentidos. Já percebeu como eles levam tudo à boca? Morder um colega, portanto, não é uma atitude violenta, e sim um reflexo natural.

Mesmo que realizados intencionalmente – em uma disputa pela atenção do professor ou dos pais, na tentativa de conseguir um brinquedo, motivos de estresse comuns nessa faixa etária – outros fatores que definem o bullying não se manifestam. Afinal, não há um alvo constante e nem uma discrepância na relação de poder entre as crianças.

É claro que o adulto presente deve desencorajar a briga e mostrar formas de resolver conflitos através da linguagem; ao mesmo tempo, deve-se tomar cuidado para não supervalorizar a agressão e punir muito rigidamente os envolvidos, pois eles não compreendem que estão machucando alguém.

É apenas depois dos 3 anos que as crianças desenvolvem a socialização e o senso de “outros” – as pessoas ao seu redor não são mais todas iguais e elas começam a criar laços de amizade, formar grupos e mostrar afinidade com certos colegas. Consequentemente, é na mesma época que surgem os primeiros casos de discriminação, implicâncias e humilhações. A partir de então, elas já têm noção dos sentimentos alheios e podem ferir outras crianças intencionalmente.

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola - ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola – ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Como identificar o bullying? 

Os apelidos e xingamentos frequentes são a forma mais comum de bullying (mais da metade dos casos entra nessa categoria). Características físicas são reconhecidas e colocadas como rótulos: gordo, magro, baixinho, quatro-olhos, e assim por diante. Outras particularidades, como o atraso no desenvolvimento – quando uma das crianças não consegue realizar certas tarefas tão bem quanto seus pares -, também desencadeiam bullying. É o que acontece quando a turma repara que apenas um dos colegas não sabe comer sozinho, segurar o xixi ou amarrar os sapatos, e resolve lembrá-lo disso com frequência por meio de piadinhas.

Atente-se ainda à exclusão. As panelinhas estão se formando e certos alunos podem ficar de fora, sem chance de entrosamento. Violência física e fofocas são outras formas de bullying, mas menos comuns na Educação Infantil.

Caso as atitudes não sejam pegas em flagrante, há sinais de que uma criança pode estar sofrendo com o bullying: relutância em ir para a escola, queda de desempenho ou até mesmo regressão no aprendizado, ansiedade ou medo de ficar junto aos colegas, se manifestar ou deixar a companhia dos adultos, súbita agressividade e queda da autoestima. É bastante usual que ela não admita o acontecido justamente por se achar de alguma forma merecedora das represálias dos colegas (entenda: ela também identifica em si mesma o “problema” que está causando as implicâncias, e vê isso como justificativa).

Quais os motivos do bullying?

É essencial que o professor preste atenção e identifique essas atitudes o quanto antes. A seguir, é preciso identificar se o comportamento se qualifica mesmo como bullying ou não passa de uma fase, engatilhada por outros acontecimentos na vida pessoal das crianças (leia mais sobre o que pode causar a agressividade infantil aqui). Procure conhecer a dinâmica familiar de cada aluno – as agressões podem ser resultado de:

  • Cobranças e expectativas muito altas dos adultos em sua vida – a criança é exigida demais, colocada em muitas atividades extracurriculares, criticada com frequência e pouco elogiada. Isso pode levá-la a ter baixa autoestima, sentindo sempre ser incapaz de alcançar o que é esperado dela;
  • Falta de limites e mimos em excesso – muitas vezes, pais e mães querem compensar a ausência durante a semana com uma permissividade excessiva ou comprando presentes sempre que a criança manifesta qualquer desejo. Assim, as crianças não aprendem a lidar com limitações, frustrações ou com terem suas ideias contrariadas;
  • Problemas de desenvolvimento cognitivo ou emocional, dificuldades de relacionamento ou experiências traumáticas, como agressão ou abuso (leia sobre quando encaminhar a criança a um psicopedagogo).
Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

O que fazer?

A primeira infância é a fase ideal para ensinar a resolução saudável de conflitos em oposição à violência. A personalidade e o caráter são formados até os 6 anos de idade, portanto, é justamente antes disso que temas como respeito, cooperação e diálogo devem ser inseridos. Isso pode ser feito através de:

  • Rodas de leitura – selecione livros que falem das temáticas acima (confira aqui um projeto sobre leitura contra o bullying, da Editora do Brasil) e, após contar a história, inicie debates com a turma para que elas reflitam sobre seu significado. Faça perguntas que as ajudem a relacionar o que ouviram com situações rotineiras pelas quais passam;
  • Dramatizações – teatros, fantoches e músicas são uma ferramenta para que as crianças se expressem através de outros personagens e outras vozes. Isso lhes dá não só a segurança de falar sem ser julgada como, também, a possibilidade de observar outros pontos de vista;
  • Jogos cooperativos – ao invés de competições, priorize jogos e brincadeiras que estimulem a cooperação. Misture os grupos (evite colocar meninos de um lado e meninas do outro, alimentando a rivalidade entre os gêneros) e incentive o trabalho em equipe, elogiando e apontando os resultados positivos que eles alcançarem;
  • Atividades solidárias – promova dias para compartilhar brinquedos, dividir o lanche ou recolher doações para uma organização próxima da escola. Destaque como a solidariedade melhora a vida de todos e o que cada um fez para ajudar;

Acima de tudo, a escola precisa criar um ambiente saudável e seguro em sala de aula, dando liberdade às crianças para errar, pedir ajuda ou desabafar. Se a classe for alfabetizada, uma experiência interessante pode ser criar uma caixa de correio em que os alunos deixem mensagens sobre as situações que os incomodaram – discuta com eles se querem fazê-lo de forma anônima ou assinada, se preferem que apenas o professor leia ou se podem debater em grupo.

Sempre converse com as crianças envolvidas no bullying sem antagonizá-las. Fazê-lo pode aumentar, ainda que sem querer, a rivalidade entre as duas. É importante explicar o porquê de a atitude ser inaceitável e tentar fazer com que uma entenda a perspectiva da outra.

Gostou?

Fique ligado! Continuaremos a falar mais sobre esse tema no próximo post.

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