Como pais e professores podem facilitar a adaptação escolar?

O ingresso na escola é considerado um dos marcos mais significativos de separação entre as crianças e seus pais. É o espaço onde elas vão se confrontar, conhecer e vivenciar situações, valores e culturas diferentes daquelas em que foram criadas.

A adaptação ao meio escolar é um processo que deve ser tratado com muito cuidado, responsabilidade, confiança e amor. Além disso, vale lembrar que o sucesso da criança nessa fase dependerá muito mais dos adultos envolvidos (pais e professores) do que da própria criança.

É natural que a criança sinta medo do abandono – por isso, o choro é comum nos primeiros meses de experiência. Isso não significa que a escola ou a família estejam fazendo mal à criança, apenas que ela está aprendendo como lidar com novos desafios.

O processo de adaptação pode se manifestar de formas diferentes, dependendo das características individuais e do contexto de cada criança. Porém, ainda que haja crianças mais apegadas aos pais e, outras, claramente extrovertidas e com facilidade de interação, todas, sem exceção, precisam se sentir acolhidas, respeitadas e seguras – não só para que a sua aprendizagem corra bem, mas para que seu desenvolvimento psicossocial seja saudável.

Os pais precisam confiar na escola e ser incluídos no processo de adaptação (foto: Kinderlime)
Os pais precisam confiar na escola e ser incluídos no processo de adaptação (foto: Kinderlime)

Pontos de reflexão para o professor:

  • Prepare bem o ambiente para receber os alunos. Pense num espaço sem muitos estímulos, a priori, já que o objetivo é acalmar a criança e fazê-la sentir-se bem, não confusa e agitada.
  • Apresente as pessoas da escola, o espaço físico e os materiais/jogos/brinquedos.
  • Acalme-se, professor! A única coisa com que você precisa se preocupar neste momento é estabelecer um vínculo de confiança com as crianças. Não idealize um primeiro dia perfeito ou fique frustrado com imprevistos.
  • Nunca coloque um aluno numa situação de conflito; ajude-o e medie situações-problema.
  • Faça um esforço para conhecer todos os seus alunos, e os respectivos pais, pelos nomes. Isso faz diferença, mostrando que cada um é único. Assim que possível, descubra do que seus alunos gostam e interaja com as famílias.
  • Respeite os comportamentos adversos da criança, amparando-a e protejendo-a. Tente ressignificar a agressividade dela oferecendo opções para a mudança de comportamento.
  • Ofereça momentos de atenção individual a criança, mas, gradualmente e com paciência, ensine também que a escola é um espaço coletivo.
  • Entenda que essa fase também não é fácil para os pais, já que, agora, eles passam a partilhar a educação dos filhos para além do núcleo familiar. Eles precisam se sentir confiantes quanto aos métodos da escola – portanto, dedique-se a explicar sua rotina e tirar dúvidas.

As dicas acima são válidas para todo início de ano letivo, mesmo para aquelas crianças que não são novas na escola.

Conversar com a criança antes e durante o processo de adaptação é importante - mas os pais precisam ser honestos e praticar a escuta (foto: Huffington Post)
Conversar com a criança antes e durante o processo de adaptação é importante – mas os pais precisam ser honestos e praticar a escuta (foto: Huffington Post)

Pontos de reflexão para a família:

  • Passe confiança à criança, deixando-a segura de que você vai voltar para buscá-la na escola. Assegura-a de que a ama e do quanto ela é importante para a família.
  • Fale sobre a escola e das coisas que ela irá fazer lá com entusiasmo, mas não crie ilusões dizendo que tudo será da forma como ela deseja. Explique que é um local coletivo e que haverá outras crianças com quem brincar e dividir a atenção.
  • Participe do processo de adaptação do seu filho, sem pressa de que ele acabe logo. Respeite as orientações da escola e busque compreender a estratégia dos professores para que ajam em conjunto.
  • Busque não se atrasar nem na hora da entrada e nem na hora de buscar a criança. Isso fortalece a confiança dela nos pais e diminui qualquer desconforto como a ansiedade.
  • Converse sobre como foi o dia da criança, pergunte e deixe-a falar em seu ritmo. Não responda por ela ou dê opções de resposta – pois, assim, não será um diálogo (por exemplo, ao invés de perguntar “Você comeu arroz? Carne? E batata?”, deixe em aberto: “O que você comeu na escola hoje?”).
  • Explique mudanças de rotina à criança honestamente, mesmo ela sendo pequena – mas, é claro, com uma linguagem adequada para cada faixa etária. As crianças percebem quando os pais mentem e isso costuma afetar a confiança e respeito que têm por eles.

Lembre-se sempre que as crianças, apesar de pequenas, merecem ser escutadas e acolhidas em suas necessidades como qualquer sujeito. Elas são indivíduos completos, com opiniões, preferências e emoções que não devem ser descartadas como menos importantes devido à idade. Estar em um  ambiente seguro irá possibilitar o desenvolvimento pleno de suas habilidades emocionais, sociais e cognitivas.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

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