Pra que servem os amigos imaginários?

imaginação

No post anterior abordei o tema “O Mundo da fantasia na criança” de uma forma mais teórica. Uma breve explicação de como acontece o lúdico e os processos imaginativos na criança.

Agora vamos entender um pouquinho mais, na prática, pra que serve os amigos imaginários e como pais e professores podem entender melhor e lidar com esse momento da criança.

5 funções importantes dos amigos imaginários

  1. Para a criança entender os seus próprios sentimentos; poder brigar e dar vez ao que ela gostaria de dizer aos outros.
  2. Apoiar na comunicação.
  3. Ganhar autoestima, segurança e confiança em si mesmo, arriscando-se e expondo-se mais através do amigo invisível.
  4. Compreender uma situação de conflito que esteja vivendo, como por exemplo: a chegada de um irmão, a separação dos pais, etc.
  5. Para testar os limites em relação aos pais, fazem com que o amigo imaginário leve a culpa por coisas erradas que fez e espera uma reação tolerante dos pais sobre ela mesma.

Geralmente, estes amigos invisíveis são inofensivos e não há com o que se preocupar. Da mesma maneira que eles chegam na vida da criança, também desaparecem, já que o objetivo principal de existirem é para ajudar a criança a lidar melhor com a sua própria realidade.

Mas, é preciso prestar atenção com alguns pontos, pois esses sim não são saudáveis.

 Atenção!

  • Com a intensidade da brincadeira: o amigo imaginário não pode afastar a criança da sua vida social.
  • O isolamento: a criança não pode se afastar de outros colegas e isolar-se com o amigo imaginário. Ela não pode “preferir” isolar-se com o amigo invisível ao invés de estar com outras crianças ou mesmo interagir com os seus brinquedos.
  • Não pode ser dominada: a criança não pode ser dominada pelo amigo invisível, ou seja, ao demonstrar falas e comportamentos que indiquem que a criança não está mais no comando da brincadeira, é importante buscar uma ajuda mais específica.
  • Pais e Professores: tomem cuidado com atitudes que reforcem exageradamente a presença do amigo imaginário. Não as lembre de chamar o amigo para jantar, dormir, tomar banho, aprender. Respeite a presença deste “novo membro da família” e acolha, mas não reforce a sua existência; isso é com as crianças e não com os adultos.
  • Para os responsáveis pela criança cabe sempre a observação atenta e cuidadosa sobre qualquer comportamento que não pareça adequado e, sendo assim, buscar orientação.

menina atenção

Hora de dar Tchau

As crianças acabam se despedindo dos amigos imaginários por volta dos 7 ou 8 anos, pois esse é o período em que a criança atinge e completa a sua maturação neurofisiológica.

Nesta idade, a criança tem capacidades psíquicas, cognitivas e sociais de encontrar outros caminhos para lidar com a sua realidade. Ela estará menos egocêntrica, mais suscetível às interações sociais e as leis morais, ou seja, tem um domínio mais ampliado do mundo e o interesse por diferentes atividades multiplicam-se. Começa uma nova fase que é um dos melhores momentos para a aquisição da aprendizagem formal.

Quando aparecem os amigos imaginários para crianças com deficiências?

No caso das crianças com deficiência intelectual* a idade do aparecimento dos amigos imaginários pode acontecer mais tarde, devido ao atraso que possuem no desenvolvimento biopsicossocial se comparadas às crianças sem deficiência.

Entretanto, isto não é uma regra! Dependerá das condições socioculturais em que a criança está inserida, ou seja, o meio em que ela vive, a estimulação social em que é submetida, como por exemplo se convive com crianças da mesma idade ou não e etc. O importante é que todas as considerações feitas aqui são válidas da mesma forma para as crianças com DID.

O que merece um pouco mais de atenção é o jogo simbólico, que pode e deve ser estimulado por pais e professores.

Muitas crianças com deficiências NÃO SABEM BRINCAR! Parece um pouco estranho isso, mas se observarmos mais atentamente, nem sempre que uma criança está manuseando um brinquedo, está de fato a interagir com ele. Às vezes é apenas um objeto para estimulação oral, como nos bebês. Em situações deste tipo a presença de um adulto de referência e de crianças da mesma idade tornam-se primordiais para esta aprendizagem.

Para as crianças com autismo, este processo é mais complexo, pois há uma redução importante da capacidade imaginativa nestas crianças. Esta habilidade é o que permite a criança criar, inventar, dramatizar e brincar de faz de conta.

Contudo, o principal para entendermos a questão da fantasia na criança com autismo é o fato dos grandes problemas que ela tem com a interação social e a realidade. Se a criança com autismo vive o drama e a perturbação de não “sair de si mesma”, para explorar o mundo externo, consequentemente não fará a construção da fantasia da mesma forma que as crianças fora desta condição fazem. Como a criança autista, pouco tem acesso “ao nosso mundo”, desenvolve um mundo a parte, como se ela criasse um muro contra os medos e frustrações que existem dentro dela mesma e não na sua relação com a realidade. Por isso, não é comum criarem amigos imaginários, já que a conexão com a realidade é prejudicada.

Para Professores e Pais atuarem de forma colaborativa e desafiadora, nestes casos, precisam ao máximo estimular  a criança com autismo a sentir-se mais autoconfiante e segura, para assim, poder “sair de si mesma” e interagir com o mundo de uma forma mais ativa.

*Atualmente usa-se o termo dificuldades intelectuais e desenvolvimentais {DID} para se referir as deficiências de ordem cognitiva.

E não esqueça de fazer os registros sobre os amigos imaginários e sobre as crianças.

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Na última série do ” O mundo da fantasia na criança Parte III” preparei uma lista de desenhos e filmes para abordar o tema.

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.


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