Você rotula as crianças em sua sala de aula? Basta pensar um pouco sobre seu comportamento para com os alunos para descobrir – tente se lembrar: com que frequência a classe escuta que “a Gabi é comportada”, “o Matheus nunca faz tarefa” ou “a Juju é bagunceira”?

Esse tipo de sentença cria um estigma em torno da criança e pode desestimular seu desenvolvimento escolar e pessoal. Isso porque, especialmente na primeira infância, os pequenos ainda estão em processo de construção de caráter e personalidade. Ou seja, eles não sabem quem são e, por isso, irão facilmente se agarrar a qualquer definição oferecida. Afinal, é mais seguro repetir um comportamento, ainda que desagradável, do que viver com insegurança.

Portanto, ao ouvir de uma figura relevante – pais ou professores –que é inteligente ou irresponsável, a criança passa inconscientemente a repetir esses padrões. Isso impede que ela explore diferentes posturas e atitudes e, por consequência, construa uma imagem positiva e independente de si.

Esse tipo de comportamento costuma ser involuntário, com o professor sequer ciente da mensagem que está transmitindo para a turma. Mas é hora de prestar atenção. Confira uma lista de ações que devem ser evitadas em sala de aula.

Crianças reproduzem os comportamentos atribuídos a elas. Se você disser que "Maria é bagunceira", as chances de que ela continue se comportando mal aumentam (foto: Google)

Crianças reproduzem os comportamentos atribuídos a elas. Se você disser que “Maria é bagunceira”, as chances de que ela continue se comportando mal aumentam (foto: Google)

Apelidos

Para você, pode ser apenas uma forma engraçadinha de tratar a criança, mas apelidos baseados em comportamentos ou características físicas são uma maneira de diagnosticá-la perante o resto da classe. As crianças já inventam nomes umas para as outras espontaneamente – se isso for facilitado pelo professor, o peso aumenta ainda mais.

Se o apelido em questão vem de casa (“ele é desligado como o pai”, “ela não aprende nada”), aproveite o espaço da escola para desconstruí-lo. Não assuma que o veredicto da família está correto antes de fazer um esforço genuíno para conhecer a criança. Atente-se às causas desse rótulo para, então, combatê-lo, transformando a aula em uma oportunidade para que a criança descubra novas formas de expressão.

Tratamento diferenciado

Esperar sempre o melhor de um aluno e o pior de outro é garantia de fracasso para ambos os lados. Aquele que é visto constantemente como um sucesso tende a parar de se desafiar e testar novas atividades, com medo de falhar e perder sua imagem positiva. Enquanto isso, os que são tratados com descaso ou irritação antes mesmo de abrirem a boca, com base em conflitos anteriores, perdem a autoestima e confiança em suas habilidades.

Pelo contrário, o professor deve se esforçar por manter uma mente limpa a cada novo dia de aula, sem carregar ofensas e frustrações das lições anteriores – sim, é difícil! Procure valorizar o desenvolvimento individual, no ritmo de cada criança, sempre salientando suas conquistas. Busque elogios pertinentes, tendo em mente que há formas distintas de aprender e se relacionar, e encare as dificuldades de aprendizado como uma dessas particularidades – seu aluno não consegue aprender da forma como está sendo ensinado, porém isso não significa que seja incapaz de aprender através de outros métodos. Cabe aos adultos em torno dele ter dedicação para descobrir quais são eles.

Usar “ser” ao invés de “estar”

Relatórios e avaliações estão recheados desses julgamentos. Muitos professores recorrem a estereótipos para preencher lacunas em seus registros. Com turmas grandes e heterogêneas, nem sempre é possível fazer um acompanhamento próximo de cada criança, necessário para diagnosticar a origem de suas atitudes – daí o grande número de conclusões precipitadas nesses documentos.

Alegar que o aluno “é problemático” é diferente de explicar que ele “teve dificuldade na aprendizagem de matemática no último bimestre”. Substitua o verbo ser (determinante), pelo estar (pontual e mutável).

É usual que comportamentos agressivos, agitados, introspectivos sejam gerados pelo ambiente externo. Eles são formas de comunicação as quais às crianças recorrem quando não são capazes de lidar com a situação, e não um traço definitivo de sua personalidade.

Lembre-se de que crianças diferentes aprendem de formas diferentes. Quando um aluno não está acompanhando o ritmo da turma, pense em outras formas de ensinar antes de taxá-lo de "fracassado" (foto: Google)

Lembre-se de que crianças diferentes aprendem de formas diferentes. Quando um aluno não está acompanhando o ritmo da turma, pense em outras formas de ensinar antes de taxá-lo de “fracassado” (foto: Google)

Então, TUDO é rotular?

Não. Identificar diferenças entre as crianças é saudável e pode ser um gatilho para trabalhar a inclusão na escola. Apontar diversas maneiras de realizar uma tarefa abre os olhos dos pequenos às suas alternativas. Entretanto, isso deve ser feito com ênfase no positivo, deixando as críticas e repreensões para momentos particulares entre professor e aluno, ao invés de em público, diante dos colegas.

Isso é particularmente desafiador para o educador quando a criança em questão o desafia, questiona sua autoridade e desperta a insegurança com relação ao seu trabalho. Nessas situações, rotular parece uma saída fácil para “colocar o aluno em seu devido lugar”, erguendo o professor automaticamente a uma posição de respeito.

Afinal, rótulos são justamente usados como proteção contra o desconhecido – não somente na escola, mas em toda a sociedade. É mais simples encontrar uma categoria onde encaixar pessoas e ações de acordo com nossos próprios padrões do que conhecê-los a fundo antes de qualquer julgamento. É necessário de afastar dessas predefinições para de fato compreender o que está por trás da diversidade.

Em sala, isso se traduz em oferecer liberdade para o crescimento e para a mudança. Em não presumir que uma criança vá sempre agir de tal forma porque o fez uma vez. E, principalmente, em valorizar pontos fortes e encontrar maneiras de ensinar que desenvolvam ao máximo o potencial de cada um.

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