Tudo sobre a alimentação de 0 a 3 anos

O momento da alimentação, para além dos aspectos nutricionais, é uma vivência importante para o estabelecimento da comunicação e de vínculos afetivos entre a criança e seus pais ou cuidadores.

Alimentação com afeto

Estudos revelam as fortes influências da má nutrição sobre o desenvolvimento da criança.
Há uma correlação entre os níveis baixos de inteligência e a subnutrição no útero materno, e a continuidade disto durante a primeira infância. Por outro lado, os efeitos de uma boa nutrição e o desenvolvimento inicial do cérebro acabam levando os pais a pressionarem a criança na hora das refeições. Este comportamento pode desencadear uma fadiga emocional importante na criança, pois para comer é necessário ter fome e prazer. Devido à pressão a que a criança é submetida, ela pode acabar perdendo o prazer de comer, começando a sua resistência para se alimentar.

Os benefícios da boa alimentação

Ao tratarmos da alimentação, é fundamental destacar os seus indiscutíveis benefícios, tanto para a mãe quanto para a criança. Além de contribuir com a melhoria do sistema imunológico do bebê e do desenvolvimento de seus músculos faciais (fundamental para o posterior desenvolvimento da fala), a amamentação é um momento de intimidade, do estreitamento de laços entre mãe e filho e gera uma série e outros benefícios para ambos.

Você sabia que a distância de 30 cm (aproximadamente a distância entre os olhos do bebê e os da mãe durante a amamentação) é a distância em que o bebê melhor enxerga no início da vida? Assim, o primeiro todo organizado e com foco que um bebê enxerga tende a ser o rosto da mãe durante o momento de amamentação.

As crianças devem ser alimentadas exclusivamente com leite materno nos seus seis primeiros meses de vida. Neste período, o bebê não precisa de nada além disso, nem mesmo de água. No entanto, se isso não for possível, obviamente outras estratégias podem ser pensadas junto com o médico sem, necessariamente, trazer prejuízo para a construção do vínculo mãe-bebê.

A partir do sexto mês, os pediatras orientam a introdução gradual de frutas, sucos e papinhas, o que normalmente é bem aceito pelas crianças – embora algumas delas apresentem resistência a determinados sabores. Então começa o grande desafio! Com a recusa a sabores específicos, a criança começa a brincar com o alimento ao invés de comê-lo.

Não desista:Insista!

Nesta ocasião é importante insistir para que a criança experimente várias vezes os novos sabores que ela está descobrindo – os pais e cuidadores devem ser orientados a não desistir de introduzir novos alimentos na dieta da criança após as primeiras recusas.

É importante ressaltar que as papinhas não devem ser temperadas com sal ou com açúcar.

Cada alimento tem o seu sabor, que a criança irá, gradativamente, descobrindo. Os alimentos devem ser introduzidos de acordo com a sua complexidade alimentar. Primeiro os vegetais, frutas, legumes e as verduras que, basicamente, oferecem vitaminas e fibras e, depois, gradativamente, serão introduzidos os cereais, as leguminosas (ervilha, feijão, etc.) e a carne.

Algumas orientações

Durante todo este período o aleitamento materno deverá ser mantido sempre que houver disponibilidade da mãe. Mesmo porque, como sempre é importante lembrar, a Organização Mundial de Saúde preconiza o aleitamento materno até aos dois anos de idade.

A partir de um ano, a criança começa a se alimentar de forma mais semelhante à dos adultos. Não é mais necessário deixar tudo bem cozido e molinho, pois ela precisa aprender a mastigar, exercitando assim os músculos da face. Nesta fase é comum a criança ter a redução do apetite, pois estava acostumada à papinha, ao leite e sucos, e agora a comida ficou mais sólida.

A criança dos 2 aos 3 anos começa a tornar-se mais independente e a construir a sua autoimagem. Algumas querem experimentar tudo o que lhes é apresentado e ainda têm as suas próprias escolhas, mas outras já são mais resistentes. Cabe ao adulto apoiar as atitudes positivas, incentivando-as a cada vez mais a saborear novos alimentos.

A idade pré-escolar é muito importante para o processo de maturação biológica e para o desenvolvimento psicomotor. Nesta fase, a criança começa a ter mais autonomia para criar os seus hábitos alimentares. Em casa começa a experimentar o que antes recusava e a recusar o que antes aceitava, momento que gera muitos conflitos com os pais e os cuidadores.

#Na Escola

Na escola, ela começa a ter contato com os alimentos das outras crianças, alguns dos quais, muitas vezes, ela nunca viu ou experimentou. Então é fundamental que ela seja orientada para experimentar novos alimentos quando ver a oportunidade, levando sempre em consideração a necessidade do estabelecimento de hábitos alimentares saudáveis, que incluam toda a gama de nutrientes necessários para o desenvolvimento global adequado.

A este respeito, por exemplo, podemos destacar alguns estudos recentes, feitos pela Universidade de Oxford, que relacionaram o baixo desempenho escolar com o baixo consumo da gordura ômega 3. Segundo o pediatra e nutrólogo Mário Cícero Falcão, da USP, o DHA (ácido docosahexaenoico) é um nutrientes importante tanto para o desenvolvimento do sistema nervoso, quanto para a retina.

Gostou?

Fique ligado! Continuaremos a falar mais sobre esse tema no próximo post.

Quer saber mais sobre esse tema? Clique aqui e conheça mais sobre o Projeto Pela Primeira Infância.

CLIQUE AQUI PARA TESTAR AGORA A PLATAFORMA EDUQA.ME 

Texto elaborado a partir do material produzido pelo Projeto Pela Primeira Infância. Clique e conheça mais sobre o Projeto Pela Primeira Infância– Programa de Formação em Desenvolvimento Cognitivo Infantil com base nas Neurociências, para profissionais da Educação Infantil

Comentários no Facebook