A avaliação na Educação Infantil possui algumas particularidades – dentre elas, a ausência de notas e a política de não reprovação. Empregar conceitos e comentários descritivos na hora de avaliar, ao invés de pontuar as tarefas realizadas, faz com que os educadores deem mais relevância aos processos de aprendizado e a evolução das crianças do que aos resultados finais obtidos.

Esse modelo, de avaliação formativa, é baseado na teoria construtivista e considerado, atualmente, o melhor para creches e pré-escolas (justamente por proporcionar um ambiente sem julgamento e classificação, respeitando o ritmo de desenvolvimento de cada um). Para professores, contudo, exige uma reflexão que demanda muito tempo – já que é preciso pensar não apenas na turma, mas na trajetória individual de cada aluno – e pode parecer abstrato demais à primeira vista.

O blog Na Escola reuniu algumas dicas para realizar uma avaliação formativa de qualidade.

Foto: Google (reprodução)

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1. Planeje: quais são os objetivos de aprendizagem?

A avaliação formativa pressupões um trabalho focado no aprendizado infantil, e não no cumprimento de metas; porém, isso não significa que vale tudo dentro da sala de aula. Sim, é aceitável que as crianças nem sempre consigam concluir uma atividade por conta própria, como o professor desejaria – mas ela deve estar aprendendo alguma coisa.

Tenha esses objetivos bem definidos antes de propor qualquer jogo ou projeto:

  • O que eu quero que as crianças aprendam com esse exercício?
  • Como eu espero que elas desenvolvam essas habilidades?
  • Vou precisar de materiais de suporte (livros, cartolina, tinta, brinquedos)? Se sim, as crianças estão prontas – fisicamente e psico-emocionalmente – para trabalhar com essa ferramenta? Como esse aparato vai ajudá-las a aprender?
  • O que elas já sabem, qual o repertório dessas crianças? E como isso vai ter continuidade na atividade?

2. Oriente, não faça

Durante a atividade, o professor deve assumir um papel secundário: ainda que haja vontade de esmiuçar tudo para os alunos, até mesmo para agilizar o processo, o aprendizado deles se constrói precisamente por tentar, errar, repetir. Ou seja, mostre às crianças como operar o material e explique o que é esperado delas, mas, depois, interfira o menos possível, somente quando elas apresentarem problemas que não conseguem solucionar por conta própria.

Nunca faça o trabalho por elas, por mais que isso teste sua paciência. Caso uma criança mostre dificuldades “insuperáveis” (naquele momento, é claro), isso significa que ela ainda não desenvolveu suficientemente algumas habilidades prévias – por exemplo, se ela não consegue colorir dentro das linhas, ainda está praticando segurar o lápis corretamente e ampliando sua motricidade. Segurar a mão dela para pintar não fará diferença.

3. Escute – de verdade, com atenção

Isso não significa que o professor ficará mudo e estático, vendo a cena se desenrolar. Estimule. Faça perguntas à turma e ouça suas respostas com atenção, respondendo aos interesses e ideias que elas expressarem. Esteja disposto a mudar os rumos de um projeto caso ele não desperte o interesse da classe como você havia planejado, adaptando as tarefas de acordo com os objetivos de aprendizado estabelecidos. Sempre há mais de uma maneira de se aprender uma mesma habilidade, e nem todas funcionam para todas as crianças.

Conheça os alunos a fundo. Isso é uma vantagem incrível da Educação Infantil – os educadores de fato conhecem cada criança, suas famílias, as etapas de crescimento pelas quais ela está passando. Isso é fundamental para compreender os potenciais delas e, também, suas limitações. Considere os problemas no convívio familiar ou as fases de adaptação; o momento emocional e social interfere no cognitivo.

Foto: Google (reprodução)

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4. Registre e reflita

A Eduqa.me defende o registro pedagógico como uma das principais ferramentas para o professor refletir e melhorar sua prática.

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Vários recursos, como fotos, vídeos e gravações, portfólios com desenhos e obras feitas pelas crianças, podem complementar as anotações – escreva, inclusive, falas dos alunos que lhe chamaram atenção durante a atividade. Nossos recursos online permitem criar linhas do tempo com esse material e acompanhar o desenvolvimento das crianças através de gráficos e relatórios descritivos, tornando mais simples visualizar a evolução das classes e de cada criança.

Todos esses registros devem ser uma base para a avaliação. Considere:

  • As crianças conseguiram realizar as tarefas propostas? Quais habilidades elas desenvolveram enquanto isso?
  • Em quais aspectos elas mostraram dificuldades? Como isso pode ser mais estimulado na próxima aula?
  • Em quais aspectos elas mostraram mais facilidade? Qual o próximo passo, como refinar essas habilidades?
  • Elas demonstraram interesse pelo projeto? Opinaram e deram sugestões? Como as próximas atividades podem incluir essas ideias?
  • O que as crianças querem aprender pode ser inserido nos objetivos de aprendizado (o que elas devem aprender, de acordo com o currículo da escola)?
  • Houve ressalvas quanto a comportamento, convívio social ou trabalho em grupo? Como melhorar essas dinâmicas?
  • Compare com trabalhos anteriores: é possível observar um crescimento ou declínio? Quais fatores influenciaram essa mudança?

5. Agora que você já sabe, responda.

 O feedback é uma etapa essencial da avaliação formativa – e não apenas com os pais, mas com as próprias crianças. Afinal, são elas que estão envolvidas no processo.

É lógico que uma reunião com pais tem um funcionamento muito diferente de um feedback com meninos e meninas de três anos de idade. Enquanto, no primeiro, o professor vai expor claramente suas reflexões e dividir opiniões quanto aos próximos passos que devem ser tomados, em sala de aula, o retorno deve vir em forma de ações.

As crianças devem perceber sua evolução. Exponha e comente os trabalhos completos, elogie e faça críticas construtivas, ofereça momentos de roda e conversa em que tanto você quanto elas possam dividir suas impressões. Esse feedback irá ajudá-las a crescer e redirecionar seu comportamento nas próximas atividades.

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Leia mais (bibliografia):

Pedagogo Brasil

Pedagogia.com.br 


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