O portfólio deve revelar o crescimento, as formas de aprendizado e as dificuldades de cada criança. Para acompanhar esse desenvolvimento com clareza, é preciso selecionar as produções, falas e atividades mais relevantes durante certo período – aquelas em que um avanço ou desafio são particularmente visíveis, para que pais e equipe pedagógica entendam aquela criança e definam os próximos passos.

Normalmente, o professor de Educação Infantil é encarregado dessa seleção. Ele analisa todos os seus registros (anotações, fotos, vídeos, produções das crianças, falas e gravações, preferências) e decide quais deles explicitam o progresso de cada aluno. As áreas observadas envolvem:

  • Desenvolvimento cognitivo,
  • Habilidades físicas,
  • Desenvolvimento afetivo e sexual,
  • Ética e valores,
  • Socialização e relações intra e interpessoais.

O conteúdo escolhido pelo professor deve mostrar não apenas O QUE foi aprendido, mas também COMO foi aprendido. Ele vai identificar quais abordagens funcionam melhor com cada criança e quais deixam a desejar, pois, assim, pode pensar nas intervenções mais apropriadas de acordo com o aluno.

A seleção é o foco do portfólio. Muitas escolas arquivam todas as atividades realizadas pelas crianças, guardando-as em pastas ou caixas, e então enviam essa pilha de registros sem qualquer análise para a família. Porém, esse conjunto de informações não representa um portfólio – afinal, nenhuma interpretação foi realizada a partir dos materiais. Nesse caso, o documento está apenas cumprindo um papel burocrático, sem qualquer significado

É justamente a intenção de quem organiza o portfólio que lhe atribui valor. Essa intenção pode ser de outro além do professor? Ou melhor – as crianças podem organizar seus próprios portfólios?

Leia também “Portfólio na Educação Infantil: Como organizá-lo e o que usar na avaliação”!

“Veja o quanto você aprendeu”

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor - pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor – pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Na Educação Infantil, as crianças podem participar do processo de montagem do portfólio, mas ainda com orientação dos professores. Esse envolvimento é indicado por estimular a reflexão, a construção do próprio conhecimento e o diálogo. É um momento para o professor enfatizar o progresso dos alunos e ouvir suas opiniões sobre o aprendizado.

Como fazer isso com turmas tão novas? Faça uma seleção prévia dos registros, usando sempre um de uma fase mais inicial e outro, recente. Dois desenhos de uma mesma temática, por exemplo, ou duas tentativas de escrita são ótimos para fazer comparações. Outras possibilidades: dois vídeos em que ela apresenta um comportamento mais engajado, duas gravações em que ela pratica a leitura ou duas atividades manuais feitas durante a aula.

Mostrando o antes e depois para a criança, destaque as diferenças e deixe que ela mesma perceba seu crescimento. Faça perguntas para saber não só o que ela acha melhor, mas sobre o processo de criação em cada atividade, do que ela gosta em cada uma, o que gostaria de mudar, do que mais ou menos gostou em relação àquela aula. Preste atenção às respostas, pois elas podem guiar futuros planejamentos.

Além de elucidar o professor, essa abordagem ainda promove a autoestima infantil e o vínculo entre criança e educador. É também um momento importante da avaliação formativa; afinal, ao invés de avaliar com notas, a criação do portfólio dá um contexto ao aprendizado.

Algumas frases e expressões que podem ser usadas para co-criar o portfólio com as crianças são:

  • Como você fez esse (desenho)? E esse aqui?
  • Do que você mais gostou nesse dia? Do que não gostou?
  • Olha só como sua (escrita) está diferente nessas duas fotos! O que mudou?
  • Qual você acha melhor? Por quê?
  • Que bom que você já consegue (ler essa palavra) sozinho! Qual você quer aprender depois?
  • Você acha que ainda tem algo que poderia melhorar?

Todo esse processo deve ser feito individualmente com cada uma das crianças. Reserve um local tranquilo, com poucas distrações, para que elas se concentrem na seleção.

Escolha por conta própria

Alunos do Ensino Fundamental já podem ser incentivados a analisar suas produções e montar seus portfólios com menos intervenção do professor. Para isso, é preciso que eles tenham acesso a todas as sua atividades – a turma pode ser responsável por guardá-las em escaninhos individuais, pastas ou prateleiras na sala de aula. Ao final do período delimitado (um bimestre, trimestre ou semestre), as crianças podem rever seus trabalhos e reparar no desenvolvimento que apresentaram desde o início.

O professor ainda deve orientar a seleção através de perguntas, reconhecendo o que é mais relevante e apontando melhoras. Entretanto, agora, já pode fazer isso com toda a classe reunida, enquanto cada um trabalha separadamente no próprio material. Ele também pode pedir que as crianças falem ou escrevam sobre as atividades que elegeram, gerando uma reflexão mais profunda sobre o aprendizado.

Conforme elas ficam mais velhas, permita autonomia na hora de escolher - e contar para o resto da turma - os momentos e atividades favoritas (foto: Parent Map)

Conforme elas ficam mais velhas, permita autonomia na hora de escolher – e contar para o resto da turma – os momentos e atividades favoritas (foto: Parent Map)

A participação da família

Os pais ou responsáveis pela criança têm um papel importantíssimo quando se pensa em portfólio – normalmente, eles são o final da linha, os receptores de toda a informação. São eles que devem receber o documento e ouvir a análise do professor para que, juntos, pensem nas melhores intervenções e estímulos. Também é fundamental que a comunicação entre família e escola ajude a criar uma educação que faça sentido para a criança, que os mesmos comportamentos e habilidades exercitados em casa sejam reconhecidos em sala de aula.

Embora seja um papel essencial, ele não é único. Os pais podem, sim, ajudar na elaboração do portfólio e selecionar ativamente as produções mais marcantes de seus filhos. Isso lhes dá a oportunidade não só de ver o recorte da “pior” e “melhor” atividade, mas todos os aprendizados intermediários entre uma e outra.

Convidar os pais para uma reunião particular pode tomar bastante tempo, sim; mas, se possível, pode estreitar o diálogo com a escola, explicar o método de ensino e os processos de aprendizado colocados em prática e encorajar a família a se envolver mais no desenvolvimento da criança.

Ter esse entendimento sobre o crescimento dos filhos será útil sempre que a criança passar de ano, mudar de turma ou de escola, ou mesmo iniciar um curso extracurricular. Cabe também aos pais mostrar esses documentos ao novo professor para que possam procurar nele embasamento e pistas para novos projetos.

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