Adaptar, adequar, diversificar, flexibilizar o currículo e as atividades são ações presentes no discurso educacional, e será discutido agora o que significam estes termos e como utilizá-los na prática. A aprendizagem e o currículo estão intimamente ligados, já que é no currículo que se encontra a seleção de conteúdos, objetivos, e toda orientação necessária aos professores sobre o que ensinar, para quê, quando e como avaliar.

Eis o princípio de tudo: o currículo.

O projeto político pedagógico também é importante e deve ser modificado para atender às necessidades dos alunos; entretanto, não será feito aqui, uma definição de currículo e de projeto político pedagógico, uma vez que estas concepções são bem complexas e estão ligadas a fatores filosóficos, políticos, sociais e culturais. Será feita apenas uma explanação da relevância destes documentos para a aprendizagem na perspectiva da educação inclusiva, com ênfase nas adaptações curriculares e conceitos adjacentes.

Uma escola que “deseja” ser para todos deve ter, como princípio, um currículo ativo, dinâmico “para que se permita ajustar o fazer pedagógico, às necessidades dos alunos” (BRASIL, 1998, p.31). O projeto político pedagógico necessita, como referência, da definição de uma prática que oriente a operacionalização do currículo como algo que proporcione o desenvolvimento e a aprendizagem de todos os alunos, considerando (BRASIL, 1998):

A diversificação e flexibilização do processo de ensino-aprendizagem

Identificar as necessidades dos alunos para a definição de recursos e meios favoráveis.•

Currículo heterogêneo aberto à diversidade; • Possibilidade de incluir profissionais especializados e serviços de apoio para favorecer o processo educacional. (BRASIL, 1998).

Esta concepção dinâmica coloca em evidência a adequação curricular como algo que viabiliza a educação inclusiva para assim “não se fixar no que de especial possa ter a educação dos alunos, mas flexibilizar a prática educacional para atender a todos e propiciar seu progresso em função de suas possibilidades e diferenças individuais” (BRASIL, 1998, p.32).

Pretende-se que os alunos com deficiência/dificuldades possam avançar em relação aos conteúdos e a escola é o espaço sistemático, formal e planejado para que isso aconteça.

Adaptação curricular

A adaptação curricular, com toda certeza, é a boa nova (que na verdade não é tão nova assim) para que a aprendizagem destes alunos se efetive. A adaptação curricular procura estabelecer uma relação harmônica entre as necessidades apresentadas pelos alunos e o currículo, aproximando-os, tornando o currículo dinâmico, ativo, flexível, ampliável e alterável; e não algo novo, apenas modificável, em transformação.

“As adaptações curriculares constituem pois, possibilidades educacionais de atuar frente às dificuldades de aprendizagem dos alunos. Pressupõem que se realize a adaptação do currículo regular, quando necessário, para torná-lo apropriado às particularidades dos alunos com necessidades educativas especiais” . (BRASIL, 1998, p.33)

As adaptações curriculares podem ser de grande porte e de pequeno porte (BRASIL, 1998). Adaptações de grande porte são de natureza política, administrativa, financeira. Por exemplo: a adaptação do ambiente físico; mobiliário específico; equipamentos e recursos materiais específicos; capacitação continuada dos professores e demais profissionais da Educação. As adaptações de pequeno porte, também conhecidas como adaptações não significativas, podem ser realizadas pelos professores, de forma que promovam o acesso dos alunos às atividades. E é desse tipo de adaptação que se evidenciou até então. Não depende da autorização ou da ação de instâncias superiores, nas áreas políticas, administrativas e/ou técnicas. Está ao alcance do professor. Elas podem ser (BRASIL, 1998):

 

ORGANIZATIVAS – tem caráter facilitador da aprendizagem: • Tipo de agrupamento para a realização de atividades; • Disposição física de mobiliários, materiais didáticos, espaços disponíveis para trabalhos diversos; • Organização de períodos – Tempo diversificado para o desenvolvimento dos diferentes elementos do currículo.

RELATIVAS AOS OBJETIVOS E CONTEÚDOS •-Priorização de áreas e conteúdos que garantam aprendizagens posteriores; • Conteúdos levando em consideração o grau de complexidade (do menor para o maior); • Reforço da aprendizagem e a retomada de conteúdos; • Eliminação de conteúdos menos relevantes, secundários.

ADEQUAÇÕES AVALIATIVAS– Visam atender às peculiaridades dos alunos.

É através da adaptação de currículo que se planeja toda a trajetória pedagógica dos alunos com necessidades educativas especiais. O que o aluno deve aprender, como, quando, as estratégias para o aprendizado e as formas de avaliação. Tudo isso deve ser precedido por uma sondagem prévia, que objetiva o conhecimento sobre o aluno que necessita de tais adaptações.

Não se deve prever as adaptações associando-as às deficiências. É preciso conhecer o aluno, saber do que ele gosta e não gosta, como já foi dito; saber sobre a sua compreensão de leitura e escrita, suas habilidades e dificuldades, para aí sim, tendo como base o currículo regular traçar as adequações.

Não se pode ter como pressuposto a eliminação ou anulação de um conteúdo, por conta de uma dificuldade apresentada. A diversificação do currículo, que será tratada ainda neste capítulo, deve acontecer em casos extremos, onde existir esta exigência. A demanda deve vir por parte do aluno, e não das dificuldades enfrentadas pelo professor.

Uma criança com síndrome de down, que não sabe fazer cálculos mais complexos sobre juros, por exemplo, têm condições de aprender a calcular troco numa compra. (NOVA ESCOLA, CASAGRANDE, 2009, p.27). Isso é adaptar.

O desafio está em oferecer caminhos, acesso, dar meios para os estudantes fazerem parte, serem sujeitos da sua aprendizagem, para que assim as aulas tenha sentido.

Numa aula sobre o planisfério e mapa do Brasil, por exemplo, se os livros didáticos adotados pela série se tornam um pouco abstratos para a dificuldade apresentada por um determinado aluno, é possível tornar o conteúdo mais concreto e aproximá-lo através de um quebra-cabeça, ou mesmo de um quadro para montar e organizar os continentes.

As adaptações e as diversificações curriculares contam também com diferentes tipos de sistemas de apoio que viabilizam a sua eficácia. Estes sistemas de apoio podem se estabelecer como grandes recursos e estratégias para o desenvolvimento das pessoas com necessidades pedagógicas diferenciadas, assim como o aprimoramento da autonomia, produtividade, inclusão e a funcionalidade na escola (BRASIL, 1998).

Alguns elementos de apoio que merecem ser citados:

• As pessoas (familiares, o psicopedagogo, o professor titular, professor tutor e outros); • Recursos técnicos e tecnológicos; • Recursos físicos, materiais e ambientais. (BRASIL, 1998).

Procurar novas formas de ensinar um conteúdo, tentando acessar os estilos de aprendizagem, deve fazer parte do planejamento e das intenções do professor. Pensar no espaço, nos conteúdos, no tempo, e nos recursos torna-se primordial para o trabalho de adaptação. Teberosky (2003, p.184) sugere “algumas possíveis variações para uma mesma atividade”. Algumas delas são:

• Materiais: investir em diferentes tipos de materiais e recursos, como lápis, caneta, computador, lousa, papéis diferentes, texturas e etc.; •

Tipo de atividade linguístico-cognitiva: escutar, ler, escrever, ditar, copiar, gravar;

Modalidade: oral (apresentação clássica, teatro, musical, jogral) e escrito (cartaz, colagens, etc.); • Duração e frequência: atividade curta, longa, 1 vez por semana, 3 vezes por semana; • Alguma restrição explícita: sem erros, com pontuação, com letra “caprichada”, colorido, com desenhos. (TEBEROSKI, 2003).

Para adaptar o planejamento de um jeito ainda mais fácil e prático use a plataforma Eduqa.me.

Seus semanários, registros e relatórios ficarão online e prontos para ser compartilhado com professores da sua Escola ou de todo  Brasil.

Os registros das suas atividades de forma rica, com fotos e vídeo e com muito mais indícios para um relatório completíssimo.

Na Eduqa.me essa tarefa é muito simples, com um clique você preserva uma foto, vídeo e também faz anotações individuais das crianças:

CLIQUE AQUI PARA TESTAR AGORA A PLATAFORMA EDUQA.ME

Por exemplo, aqui embaixo você consegue visualizar como a professora Marisa faz seus registros digitais e um jeito super organizado. Além da organização visual ela também consegue enxergar os registros em uma linha do tempo. Assim é possível para o coordenador pedagógico e para os professores perceberem se existe alguma área do conhecimento sendo mais  estimulada que outras.

Veja:

 

Experimente a Eduqa.me para aperfeiçoar seu trabalho na Educação Infantil, organize seus registros e projetos da maneira mais simples que existe.

Estas são apenas algumas variações que podem ser pensadas e organizadas, conforme a realidade de cada grupo. Professor, leia todos os dias para seus alunos textos diferentes, de formas diferentes; procure novos instrumentos e distintas ferramentas de ensino.

Boa aula!

Leia mais em:

Duque, Luciana Fernandes      E agora? O que eu faço? Conversas sobre inclusão escolar. Lura Editorial. São Caetano do Sul: 2015. ISBN:  978-85-917779-2-1

  1. Inclusão Escolar  2. Adaptação de Currículo.  3. Aprendizagem. I. Título.

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpageLuciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 


Comentários no Facebook