Mas, afinal, o que é a infância?

Esta e outras perguntas relacionadas à infância normalmente promovem uma grande e profunda refl exão em nós, profi ssionais que lidamos com crianças, nos levando às mais variadas respostas. A infância é uma área de estudo multi disciplinar e extremamente abrangente. Diversas perspecti vas podem ser adotadas para compreender este vasto universo. Portanto, é necessário recorrermos a fontes cuidadosas, baseada em estudos cientí fi cos, que nos auxiliarão a percorrer este fascinante mundo da primeira infância. Durante muitas décadas, o conhecimento sobre o desenvolvimento infanti l foi limitado, gerando uma visão restrita e/ou, enviesada da criança. Por exemplo, na anti guidade, os gregos uti lizavam palavras ambíguas para classifi car qualquer pessoa que esti vesse em um estágio entre a infância e a velhice, não havendo, portanto, uma diferenciação nas etapas do desenvolvimento infanti l. Ainda, na idade mé- dia, as crianças eram consideradas “adultos em miniatura”. Muitos teóricos acreditavam que crianças eram como uma “tábula rasa”, comparando-as a uma folha de papel em branco, que nasce sem “nada escrito” e que é “preenchida” (ou determinada) somente pelas suas experiências pós-nascimento. Essa concepção de desenvolvimento é chamada de “ambientalista”. Há também a chamada concepção “inati sta” que, ao contrário, vai defender que tudo As diferentes concepções do que é ser criança ao longo do tempo Apostila01.indd 4 24/06/16 12:57 Criança, um ser em desenvolvimento | 2016 | 5 } As diferentes concepções do que é ser criança ao longo do tempo Apostila01.indd 5 24/06/16 12:58 { 6 | Criança, um ser em desenvolvimento | 2016 o que o sujeito será é determinado por fatores genéticos e que, ao nascer, todas as potencialidades da criança já estão pré-determinadas. Há ainda uma terceira concepção de desenvolvimento, que hoje tende a ser mais aceita, que é a concepção interacionista ou sócio-interacionista, que considera as influencias (ambientais, sociais e biológicas) na constituição do sujeito e em seu desenvolvimento. Assim, consideramos importantes as tendências genéticas e as características biológicas do bebê ao nascer, mas as experiências que ele viverá e as relações sociais e afetivas que estabelecerá terá um papel fundamental no curso do seu desenvolvimento, em todas as suas dimensões (cognitiva, afetiva, social e física). De acordo com os estudos da Psicologia do Desenvolvimento, a infância é um período de mudanças bio-psico-sociais que vai desde o nascimento até o ingresso na puberdade, por volta dos doze anos de idade. É um período de profundas transformações que serão fortemente influenciadas pelas experiências que as crianças irão viver ao longo desse período. Esta mesma definição é adotada por autoridades no assunto, como a Convenção sobre os Direitos da Criança, aprovada pela ONU em 1989, e também pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). As características da infância mudam com o tempo em função das diferenças sócio-culturais, econômicas e geográficas de um dado contexto histórico. Portanto, a criança de hoje não é exatamente igual à do passado, nem será igual à que virá nos próximos séculos, uma vez que os contextos sócio-histórico e culturais também serão modificados. “O desenvolvimento humano é o conjunto de processos através dos quais as particularidades da pessoa e do ambiente interagem para produzir constância e mudança nas características da pessoa no curso de sua vida”. Urie Bronfenbrenner

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