O brincar e sobre o brincar

Entendemos que para aprender e se desenvolver precisamos da troca e da interação com as pessoas que estão a nossa volta e com aquelas que já se apropriaram de conhecimentos específicos e podem partilhá-los conosco. Para que este conhecimento faça sentido devemos utilizá-lo nas estratégias de convívio com a criança considerando cada fase de seu desenvolvimento.

E uma das melhores formas disso acontecer é pelo processo lúdico, portanto, brincando.

Diversas pesquisas em Educação e Saúde já indicam que o brincar é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, motor, afetivo e social da criança. Além disto, este comportamento tem três grandes objetivos: o prazer, a expressão dos sentimentos e a aprendizagem. É por meio do faz de conta, da exploração dos sentidos e da relação com o outro, que a criança desenvolve sua personalidade, como veremos em outros posts do Projeto Pela Primeira Infância- PPI.

A criança, a brincadeira e o mundo

Fonte: apostila PPI

Considerando esse caráter de protagonismo infantil, entendemos que a criança possui sua própria maneira de agir no mundo, compreendê-lo e transformá-lo, de buscar apropriar-se de sua cultura e transformá-la. Dentre outras maneiras, isso acontece por meio do brincar.

Como já dizia Vygotsky, por meio da brincadeira a criança é capaz de apropriar-se, transformar e resignificar a sua realidade. O brincar tem um papel de grande relevância também na inserção social da criança. Por meio do brincar ela também aprende sobre valores e papeis dos seus grupos sociais quando, por exemplo, brinca de escolinha ou de família com seus amigos. Ao fazê-lo, ela busca se reproduzir das regras de conduta características desses diferentes atores sociais, apropriando-se delas.

Assim, a brincadeira tem múltiplas funções e importância no desenvolvimento infantil, sendo concebida como um dos princípios fundamentais da infância, defendida como um direito da criança, uma forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação, tal como consta no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998).

Além disso, trata-se também de um direito garantido por lei na Declaração dos Direitos da criança (1959), em seus artigos 4 e 7, confere aos meninos e meninas o “direito à alimentação, à recreação, à assistência médica” e a “ampla oportunidade de brincar e se divertir” e, mais recentemente, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu ar go 16, estabelece o direito a “brincar, pra car esportes e divertir-se”

Do ponto de vista neurocientífico, são também diversas as evidências que mostram que o brincar contribui positivamente para o desenvolvimento neurológico, a exemplo das pesquisas realizadas pela equipe do prof. Sergio Pellis, da Universidade de Lehbridge, no Canadá.

Vamos conversar sobre esse assunto

Na infância, brincando, a criança satisfaz a sua curiosidade, podendo construir o seu próprio conhecimento através das brincadeiras, sozinha e com seus pares.

No mundo atual, vemos que, a cada dia e por vários motivos, as brincadeiras mudam, e os processos de aquisição de conhecimento por meio das brincadeiras, consequentemente, também se modificam. Algumas crianças, em função de uma hiperes mulação, quando são submetidas ao exercício de múltiplas atividades, têm, muitas vezes, diminuído seu tempo de brincar.

A redução do espaço físico onde a criança vive (principalmente quando falamos de crianças que moram em regiões urbanas, em residências pequenas) também é outro fator que interfere ou na falta do brincar ou na mudança dos modos de brincar. Além disso, o sedentarismo aliado às atividades de jogos e brincadeiras mediados por telas de televisão e computador, muitas vezes, podem gerar a diminuição das brincadeiras importantes que exigem uma maior interação sica com o outro.

A importância do brinquedo para o desenvolvimento da criança é fato. Longe de ser um objeto qualquer para ocupar as crianças nos seus momentos livres, os brinquedos são fundamentais para o estabelecimento de relações de simbólicas e de constituição da personalidade, além de poderem ser mediadores de funções pedagógicas. Daí a necessidade de que a escolha do brinquedo, pelo adulto, seja criteriosa e leve em conta, além de aspectos ligados à segurança e ao interesse da criança, a faixa etária de quem irá brincar com ele.

A apresentação das brincadeiras (em escolas, creches, em casa) às crianças de diferentes idades e a aprendizagem dessas brincadeiras, do mesmo modo, também dever ser estabelecida a partir de um critério mediado por adultos. Afinal, algumas brincadeiras exigirão das crianças habilidades específicas, só adquiridas em fases específicas do seu processo de desenvolvimento.

Para que o processo lúdico, nas atividades escolares ocorra de forma harmoniosa considera- mos três fatores importantes:

  • O plano de aula
  • Análise da atividade
  • Avaliação de Resultado

“A brincadeira cria para as crianças uma zona de desenvolvimento proximal, que não é outra coisa senão a distância entre o nível atual de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível atual de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orientação de um adulto ou com a colaboração de um companheiro mais capaz.”

Vygotsky (1984, p.97)

Sabemos que a criança é um ser em desenvolvimento e que o seu aprendizado depende da sua capacidade para fazer as coisas. É im- portante entendermos esta dinâmica do desenvolvimento, não exigindo, mas propiciando caminhos para que ela se sinta motivada a buscar esse conhecimento.

Quando uma criança de quatro meses acompanha com o olhar o movimento das pessoas, podemos dizer que ela já está pronta para brincar de esconde-esconde, por exemplo. Mas ela só vai perceber que a ação desenvolvida pelo adulto no esconde-esconde é uma brincadeira (e só vai interagir, rindo, nesta brincadeira), a partir da repetição do ato de esconder e achar estabelecido pelo adulto e pela recorrência da palavra “achou” ao longo da brincadeira. Em dado momento neste jogo de esconder e achar, a criança ri e adquire este conheci- mento (ou passa a estabelecer uma relação de prazer e de sentido na brincadeira).

Ao mudar a brincadeira ou ao repe -la, por mais alguns meses, estabelece-se na crian- ça o conceito, descrito por Piaget e in tu- lado por ele como “permanência do objeto” – a noção de permanência do objeto se es- tabelece por volta dos 8 meses, momento em que a brincadeira de esconder e achar “perde a graça”, pois a criança compreende que o objeto não desapareceu, mas foi es- condido e ela pode achá-lo.

Segundo Piaget, de uma forma rudimentar, a criança aos dois meses já demonstra surpresa ao ter um objeto escondido e revelado. Entre os seis e os oito meses isto começa a mudar, e ela passa a procurar um objeto caído do berço ou um alimento derrubado. É nesta época que a criança consistentemente inicia a experimentação da permanência do objeto, o que se consolidará ao redor dos dois anos de idade, embora com 12 meses a maioria dos bebês compreenda que os objetos continuam a existir, mesmo quando não estão presentes.

Segundo Jean Piaget (1896-1980 )as brincadeiras estão presentes ao longo do desenvolvimento humano, em particular na infância. No entanto, vale ressaltar que as especificidades de cada brincadeira bem como as idades nas quais ocorrerão será particular para cada criança ou grupo de crianças, considerando, inclusive, o tipo de experiências que ela viverá bem como os materiais e atividades que serão disponibilizados.

É muito importante utilizarmos a brincadeira não como o único recurso para estimular o aprendizado, mas como mais um, entre outros, como as artes, o movimento e a música. Para tanto, devemos considerar que: brincar deve acontecer num espaço seguro, sempre com um adulto por perto.

Os ambientes fechados devem ter es mulos adequados, sem exageros visuais e com mobiliários adequados, levando em conta as faixas etárias.

Ao ar livre as atividades devem acontecer nos horários de sol saudável. Deve ser observado se a areia é tratada e se não há objetos como lascas, pregos, vidros e outros objetos perigosos.

 Espaços Lúdicos:

  •  A brinquedoteca
  • O cantinho da leitura
  • A sala de música
  • A hora do lanche

Além de tudo isso, brincar é bom demais, não é mesmo? Há algo mais agradável do que o sorriso de prazer de uma criança que está se divertindo?

Texto elaborado a partir do material produzido pelo Projeto Pela Primeira Infância. Clique e conheça mais sobre o Projeto Pela Primeira Infância– Programa de Formação em Desenvolvimento Cognitivo Infantil com base nas Neurociências, para profissionais da Educação Infantil

CLIQUE AQUI PARA TESTAR AGORA A PLATAFORMA EDUQA.ME 

Registre atividades na Eduqa.me - horizontal

Comentários no Facebook