Você cumpriu o planejamento, encomendou cartolina colorida e fita adesiva, discutiu os detalhes com a coordenação… E, ainda assim, no dia da aula, a atividade não rendeu os resultados esperados. O que aconteceu?

Há uma série de imprevistos que devem ser levados em consideração, especialmente quando se trabalha com grupos de crianças com menos de 6 anos de idade. Acidentes e machucados, por exemplo, sempre serão pontos fora da curva na rotina – e o professor não irá elaborar cada atividade já prevendo uma interrupção brusca, certo? Entretanto, se aquela sensação de “poderia ter dado uma aula melhor, hoje” já se tornou a regra, pode ser o momento de reavaliar suas práticas pedagógicas.

A Eduqa.me reuniu uma série de fatores que devem ser contemplados para aumentar o aproveitamento das atividades em sala de aula.

A atividade deve ser divertida e respeitar o ritmo da turma. Não adianta apressá-la para cumprir prazos se o tempo necessário para o desenvolvimento não foi acatado (foto: Google)

A atividade deve ser divertida e respeitar o ritmo da turma. Não adianta apressá-la para cumprir prazos se o tempo necessário para o desenvolvimento não foi acatado (foto: Google)

Tempo

Quando eu assumi minha primeira turma de Educação Infantil, a dificuldade em estimar a duração de um exercício me pegou de surpresa. Professores com mais experiência já sabem aquilo que descobri na prática – crianças pequenas demoram muito mais do que imaginamos para executar certas tarefas.

Caso a atividade em questão envolva recortar, colar, desenhar ou colorir, além de qualquer outra variação artística, prepare-se! Destine vários minutos extra a partir do momento em que você avisou “vamos guardar os materiais” até o horário em que realmente quer todos sentados e prontos para sair.

As crianças nessa faixa etária estão desenvolvendo sua motricidade fina (a destreza dos movimentos com mãos e dedos, como segurar uma tesoura), o que exige grande concentração. Elas percebem que seus resultados não são exatamente iguais ao que imaginavam, e isso as frustra – a linha reta tremeu, o que devia ser um tigre ficou parecendo um gato. A única forma de melhorar essas habilidades é lhes dando o tempo necessário para praticar e refazer até estarem satisfeitas.

Portanto, não reserve quinze minutinhos para uma atividade e depois apresse a turma para que encerre antes de estar pronta. Isso interrompe o processo de aprendizado. Ao descobrir que não terá o tempo que julga necessário para uma dinâmica, reflita sobre a possibilidade de remarcá-la para um outro momento (quer dicas para um planejamento perfeito? Clique aqui).

Considere o tempo da bagunça - você está lidando com crianças, não com robôs. Material extra e de limpeza são altamente indicados (foto: Google)

Considere o tempo da bagunça – você está lidando com crianças, não com robôs. Material extra e de limpeza são altamente indicados (foto: Google)

Precauções

Sim, nós concordamos que seu planejamento estava ótimo, mas você levou em conta os materiais sobressalentes? Papéis a mais para o caso de folhas rasgadas e rabiscadas se tornarem inutilizáveis, copos de água para lavar os pincéis – e panos para limpar a água derramada dos copos para lavar os pincéis, é claro.

Todos os utensílios menos óbvios correm o risco de serem esquecidos previamente, causando tumulto na hora da aula. Além disso, quanto mais interativo o projeto, mais peças podem acabar perdidas ou quebradas, e o professor deve ser capaz de substituí-las prontamente. Lembre-se até mesmo dos materiais escolares que os alunos supostamente trazem de casa: alguém provavelmente esquecerá o tubo de cola ou a régua; é mais rápido emprestá-los aos pequenos do que sugerir complicados esquemas de rodízio.

Sair da sala de aula em busca do que está faltando não só rompe a concentração da classe e a distrai – exigindo muito tempo para retomar a atividade, quando o professor finalmente retornar – como implica em vários minutos em que as crianças são deixadas com pouca ou nenhuma supervisão.

Cada aula deve trazer um complemento àquilo que as crianças já sabem - novos conteúdos precisam de conhecimentos prévios como base (foto: Google)

Cada aula deve trazer um complemento àquilo que as crianças já sabem – novos conteúdos precisam de conhecimentos prévios como base (foto: Google)

Repertório

O conhecimento é acumulativo – uma criança não vai aprender a correr antes de engatinhar, assim como um adolescente não entenderá de jeito nenhum o que fazer com a fórmula de bhaskara antes de memorizar a tabuada. A regra vale para qualquer área de conhecimento, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Portanto, antes de propor uma atividade, garanta que a classe já está apta a acompanhá-la com base em seus conhecimentos prévios, ou seu repertório. As crianças conseguem segurar o lápis com firmeza, em exercícios como ligue os pontos ou traçando formas geométricas? Então, elas podem começar a escrever letras do alfabeto.

Do contrário, muitas se sentirão incapazes e experimentarão um sentimento de frustração que pode, inclusive, fazê-las desistir da tarefa. Elas conseguem resolver operações de adição usando blocos e outro objetos? Só assim podem passar para um nível abstrato, solucionando cálculos no papel.

É claro que, na realidade, nem todos os alunos de uma turma se desenvolvem na mesma velocidade, criando ambientes desequilibrados. Quando isso se torna problemático (quando os colegas reparam e a diferença começa a afetar a autoestima das crianças), é fundamental conversar com a coordenação para definir um caminho. Algumas escolas optam por trazer atividades mais fáceis para esses alunos, outras, por agrupá-los com crianças que tenham facilidade no tema, de modo que possam compartilhar o aprendizado.

Ainda é possível aplicar uma atividade mais simples com toda a turma e preparar desafios para aqueles que a concluírem com facilidade – dessa maneira, nenhum dos grupos é negligenciado.

Aulas de reforço não costumam ser empregadas na Educação Infantil, em que o essencial é estimular e respeitar o ritmo de evolução, mas notificar os pais permite que eles gastem mais tempo com isso em casa e dispensem a atenção devida para as tarefas mandadas pela escola. Situações graves, em que há suspeita de deficiência de aprendizagem, requerem o encaminhamento a um psicopedagogo (leia mais sobre quando um tratamento especializado é necessário clicando aqui).

Cenas de mau comportamento podem interromper o processo de aprendizagem para toda a turma (foto: Google)

Cenas de mau comportamento podem interromper o processo de aprendizagem para toda a turma (foto: Google)

Comportamento

Quinze crianças agitadas demais equivalem a uma multidão. Acredite, eu sei. Torna-se particularmente difícil concluir um exercício com crianças gritando, saindo de seus lugares, interrompendo explicações e, no geral, não dando a mínima para o que se passa diante da sala de aula.

Problemas de disciplina não serão resolvidos em um único dia, mas você precisa começar em algum momento – e antes tarde do que nunca. Converse com a classe e ressalte a importância das regras para uma boa convivência. Deixe que eles mesmos sugiram normas a serem cumpridas e expliquem porque as escolheram. Uma boa ideia é anotá-las em um cartaz e pendurá-lo em uma parede bem visível, para que possa recorrer a ele quando o mau comportamento se repetir.

Seja consistente. Após concordarem que certas atitudes são inaceitáveis, não deixe passar apenas por estar com preguiça ou desesperançado.

O que é errado em um dia e para uma criança deve ser errado todos os dias, para todas as crianças. Contudo, não guarde rancor: esforce-se para começar cada dia como uma página em branco, sem ressentimentos, e trate a turma com gentileza sem antecipar os conflitos (quer mais? Leia 4 dicas para lidar com crianças difíceis e Lidando com a agressividade na Educação Infantil).

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