Inclusão de competências não cognitivas no currículo brasileiro

Nos dias 16 e 17 de março de 2017, a União dos Dirigentes Municipais de Educação do Estado de São Paulo (UNDIME-SP) promoveu o 27° Fórum Estadual com o tema: “UNDIME+30: Superar, inovar, transformar!”.

Ao todo, mais de 433 pessoas entre dirigentes, técnicos e parceiros de 275 cidades do Estado participaram do evento.

 

Dentre os participantes conversamos com a Cláudia Costin que participou da mesa PRIMEIRA INFÂNCIA: “CUMPRINDO AS METAS DO PLANO NACIONAL (PNE) E DO PLANO MUNICIPAL (PME)”

A gestora explanou sobre os desafios de trabalhar  a Educação Infantil  no Brasil e apresentou razões sobre essas afirmativas nesse contexto.

“A pobreza afeta negativamente tanto a aprendizagem quanto o desenvolvimento da criança. A educação infantil é um direito da criança e condição para o exercício de outros direitos. A criança pobre é a que tem menos acesso à creche e pré-escola e a que mais poderia beneficiar-se. Por meio da Educação Infantil as famílias podem ter acesso organizado a outros serviços que beneficiam a Primeira Infância”

Claudia também ressaltou que dentre os 25% mais pobres, apenas 22,4% de crianças estão em creches. Já na faixa dos 25% mais ricos são 51,2% de crianças com acesso à Educação infantil. “Esse número revela a profunda desigualdade de acesso”, completou.

Nos, da Eduqa.me, estivemos presentes e fomos entrevistar a Cláudia para entender um pouquinho mais sobre os desafios da primeira infância dentro do contexto socioemocional.

Eduqa.me: Claudia, em 2011 o Banco Mundial fez um levantamento em 3 estados brasileiros e mostrou o tempo gasto  em sala de aula com atividades não pedagógicas. Diante desse exposto, você acredita que existe um tempo ideal para ser gasto com atividades socioemocionais?

Claudia: O professor tem que trabalhar as competências socioemocionais no seu processo de aula. Quando um professor acredita que todo mundo pode aprender, ele está passando uma mensagem muito importante pros seus alunos – que vale a pena ter persistência. Quando um aluno erra e o professor ao invés de humilhar o aluno por conta desse erro ele, simplesmente,  transforma o erro em uma oportunidade de aprendizagem, o professor, está trabalhando a  resiliência. E isso é trabalhar  competências socioemocionais. O professor não tem que dar aula de competências socioemocionais, mas sim, no seu processo normal de aula, trabalhar diferentes competências socioemocionais.

Existem competências socioemocionais que também se conectam com as competências cognitivas. Como por exemplo: criatividade e solução de problemas. Assim como essas citadas, existem outras mais e elas devem ser inseridas no processo de ensinar o tema da aula em questão.

O que nós temos que fazer é minimizar o tempo do professor de cuidar de atividades que são gestão de sala de aula – Chamar a atenção do aluno, fazer uma chamada longa, ir até a diretoria porque o Diretor chamou enquanto ele estava dando aula, preencher formulários ou ainda limpar o quadro são  ações que não contribuem em nada no processo pedagógico.

O professor se vira de costas e as crianças perdem a concentração, quer dizer, nós precisamos ter uma forma de ensinar em que o menino, a criança é chamada a participar muito mais e possa ter a sua participação na forma de fala em cima do objeto de aprendizagem. Hoje existem inúmeras técnicas que dá pra acelerar isso e esse tempo gasto com essas tarefas administrativas deve ser revertido em tarefas pedagógicas.

Eduqa.me: Na Educação Infantil, como você acredita que o professor gasta seu tempo com essas tarefas não pedagógicas?

O professor da Educação o infantil deve ser um profissional muito bem preparado para o socioemocional. Isso porque a criança tem um tempo de atenção limitado. Imagina que é a primeira vez que está deixando seu lar por tanto tempo e indo para escola para dividir o tempo e atenção com outras crianças e, naturalmente, ainda não tem  prática para trabalhar em grupo.
Será o professor que fará o papel importantíssimo de introduzindo o hábito de trabalhar em grupo com essa crianças.  Algumas técnicas podem facilitar esse trabalho e  precisam ser dominadas pelos professores. Como por exemplo: ficar sentado a altura do olhar da criança para que haja uma conexão rápida.

Mesmo ao trabalhar as competências linguísticas e cognitivas, que fazem parte do programa de uma educação infantil de qualidade, o socioemocional é embutindo. É preciso que o professor trabalhe competência socioemocionais de autocontrole, empatia com os colegas, trabalho em grupo e respeito para que cada vez mais essa interação social seja efetiva.

Eduqa.me: E para os gestores, o que pode ser feito para que haja uma rede bem organizada e coerente com a proposta pedagógica?

Claudia: Numa rede bem organizada a creche e a pré-escola tendem a estar no mesmo prédio. Essa simples ação garante que a criança já tenha visitado algumas vezes a sala, conhecido o novo professor e os espaços da Escola. Mais tarde, quando chegado a hora, será muito natural o processo de alfabetização que será trabalhado em conjunto entre as equipes da pré-escola e as equipes dos 3 primeiros anos do ensino fundamental.

Porque embora a pré-escola não alfabetize de uma forma mais estruturada, uma série de trabalhos desenvolvidos de consciência da fala, do sons e até do próprio enriquecimento do vocabulário da criança vão influenciar o quanto essa criança vai se desenvolver bem no processo de afabetização. Para que isso acontece cada vez mais e melhor o professor precisa receber uma formação especifica de educação infantil. Ele deve também participar das formações sobre o processo de afabetização e entender como a criança aprende. Ele tendo noção sobre o como o processo de alfabetização e introdução da matemática no ensino fundamental acontece ele se apropria disso e trabalha melhor com o campus de experiência na educação infantil.

Tem uma série de conceitos matemáticos que se aprende  na educação infantil, conceito de grande e pequeno, de como eu conto os objetos e como isso vai se associar a uma certa expressão escrita do número, as formas rudimentares de adição e etc…

Essa série de conceitos, mais tarde, será desenvolvido de uma forma mais aprofundada. Lembrando que na Educação Infantil a aprendizagem é feita sempre por meio do lúdico.

Eu insisto muito na intencionalidade. O brincar com a intencionalidade. ..porquê isso vai orientar a compra de brinquedos pedagógicos, a organização do espaço da sala para que a criança seja exposta a materiais adequados para que essas experiências aconteça.

Claudia Costin é gestora pública e também professora universitária da Fundação Getúlio Vargas (FGV),ex secretária municipal de Educação do RJ, ex diretora do banco mundial.

UNDIME que tem como objetivo Articular, mobilizar e integrar os dirigentes municipais de educação para construir e defender a educação pública com qualidade social.

Acreditamos também que professor deve gastar seu tempo com tarefas cada vez mais pedagógicas, pois é a partir dessa perspectiva que a prática educativa e reflexiva tem muito a colaborar no processo de ensino/aprendizagem. E é por isso que gastar tempo com registros no papel já não faz mais sentido.

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Tudo que é bom deve ser compartilhado.

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Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.


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