Escrita Espelhada 23 dicas de atividades práticas
Atividades/Linguagem/Práticas inovadoras
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Escrita Espelhada 23 dicas de atividades práticas

No texto anterior, Dificuldade de aprendizagem, refletimos um pouco sobre o que leva a criança a espelhar as letras, os principais distúrbios de aprendizagem que são causadores desta dificuldade e também sobre as habilidades que devem ser trabalhadas na educação infantil para subsidiar a escrita da criança. Hoje, vamos falar da prática.

Na prática

Quais atividades podem ser trabalhadas para prevenir ou mesmo apoiar a criança que já apresenta a letra espelhada; dicas e sugestões que esperamos muito que gostem e aproveitem.

Vamos lá!

1 – Brinque com a criança de representarem as letras com as mãos e depois com o corpo.

O livro “Alfabeto Corporal” de Maria Augusta Sanches Rossini é um ótimo material.

alfabeto criança

2 – Letras no ar ou letras no corpo: é uma brincadeira de adivinhar. O professor pode desenhar uma letra no ar e as crianças adivinharem qual é ou pegar na mão da criança e fazer o movimento das letras (todos podem fazer os movimentos juntos depois que descobrirem qual é a letra). Ainda pode escrever nas costas da criança a letra e ela ter que adivinhar qual é.  

3 – Jogos de orientação espacial: “o meu mestre mandou” …  pularem de um pé só; correrem para a direita; levantar o braço esquerdo, etc. “Vivo ou morto” – conceito de em cima e embaixo.

4 – Fazer duplas, pedir que as crianças fiquem uma de frente para a outra e colocar 3 colchonetes entre elas. O objetivo é indicar posições e fazer  que a criança perceba, por exemplo que a direita de uma é diferente da direita da outra.

5- Balões ao ar: tentar manter o balão no ar batendo nele com a mão direita, depois só com a mão esquerda e por último alternar as duas mãos.

pula balão

6 – A criança precisa ter acesso a escrita correta das letras. Às vezes, aqueles alfabetos com as letras trabalhadas em forma de bichos, por exemplo, não são muito adequados. Se possível utilize um alfabeto onde as letras sejam sinalizadas por setas indicando por onde começar a escrita. O mesmo acontece com os números.

7 – A rota das letras: peça para as crianças caminharem sobre letras ou palavras. Desenhe com giz, letras ou palavras bem grandes no chão e peça para que elas imitem o movimento de cada letra, como se estivessem a fazer traçados com o corpo ao caminharem por cima delas.

8 – Quem se lembra do Mister Maker? Tinha um quadro neste programa que as crianças faziam desenhos com o corpo, cada criança representava uma cor. Use a sua criatividade e prepare uma atividade semelhante a esta na quadra da sua escola.

9 – As músicas são excelentes recursos para explorar os deslocamentos e a lateralidade. Brinque com a música cabeça, ombro, joelho e pé. A música chuva vai, cai, cai, também é interessante. Chuva vai  (ir para frente), Chuva vem (ir para trás), Chuva miúda não molha ninguém  (circular batendo palmas). Cai chuva, cai lá do céu (ir para a direita), Cai chuva, no meu chapéu. (ir para a esquerda).

10 –Sabe aquelas formas para biscoito em forma de letras? Utilize-as para cortar uma gelatina (de diferentes cores) e deixe que a criança manuseie e depois coma as letrinhas.

11 – Proporcione a escrita e o desenho em diferentes texturas, aliás, explorar as texturas é um trabalho incrível, por isso, use e abuse destes recursos:  (escrever ou desenhar na areia com as mãos, palitos ou pedras; saco sensorial com gel[1]; escrita com água:  as crianças molham o dedo ou uma esponja de lavar a louça e escrevem na lousa sobre uma letra já grafada ou eles mesmos podem grafar a letra; escrever na argila ou massa de modelar, escrever palavras modelando letra por letra ou fazer uma base com as massas e escrever com o dedo ou palito).

saco gel

12 – Faça um saco surpresa de letras: coloque dentro letras móveis revestidas com diferentes texturas (lixa, tecidos diversos, papel camurça, EVA, plástico, madeira, etc) e peça para a criança adivinhar.

13 – Essa dica é para os pais! O banho pode ser muito mais educativo do que se imagina. Incentive a criança a escrever a letra no box de tomar banho ou no azulejo. Existem muitos produtos interessantíssimos e laváveis para se utilizar no banho como caneta de escrever em azulejo, buchas em formatos de letras e partes do corpo, livros de banho, entre outras coisas.

14 – Use adesivos para colar nas mãos da criança: isso pode incentivar o uso  das duas mãos para determinadas atividades, como montar um quebra-cabeça, blocos, etc.

15 – Esta atividade eu gosto muito e as crianças costumam ficar bastante entusiasmadas. Com os olhos vendados peça para a criança reconhecer a posição correta da letra em questão. Exemplo: já com os olhos fechados a criança toca na letra B (certifique-se que a criança tenha feito o reconhecimento da letra adequadamente), depois disso, o desafio é encontrar todas as letras B que estejam na posição correta. Como grau de dificuldade, num nível mais elevado, você pode utilizar as letras com texturas diversas para incrementar.

16 – Você já ouvir falar do currículo handwriting Whithout Tears[2]?  Baseia-se no uso de ferramentas e estratégias multissensoriais para a criança aprender a escrita e experimentar a caligrafia de forma mais feliz e eficaz, abordando todos os estilos de aprendizagem[3]. No Brasil, a Terapeuta Ocupacional Fabiana Alencar é referência no assunto e utiliza o currículo hwt no desenvolvimento da escrita de crianças com Síndrome de Down.

17 – Para quem gosta dos recursos eletrônicos como o tablet, o jogo “Alfabeto melado” é muito bom e está disponível gratuitamente[4]. O Jogo “Descobre o ABC” é um APP português, onde a criança aprende a escrever as letras do abecedário. Está disponível em Português de Portugal ou também Português do Brasil.

Há duas versões, uma paga e outra gratuita.

18 – Letras embaralhas: misturar as letras para a criança descobrir qual é a palavra e escrevê-la corretamente. Você pode trabalhar com temas. Exemplo: nomes dos colegas da sala.  OOÃJ = JOÃO RAMAI   = MARIA

19 – Palavra ao contrário: escrever uma palavra de trás para frente e pedir a criança que a reescreva corretamente. Exemplo: SARTEL = LETRAS / ORRAC = CARRO

20 – Palavra oculta: encontrar a palavra escondida e pintar. Exemplo: VBNNGOLKJESSDEEEUIYFOCAÇÇEI

21 – Classificar letras: dê para a criança um saco com letras móveis e peça para que de um lado ela organize as letras retas e do outro lado as letras curvas; assim como as letras simétricas das assimétricas. Invente outras classificações.

22 – Complete: fazer metade da letra e pedir para a criança completar.

23 – Contornar: escrever as palavras com letras mais claras e solicitar que a criança as cubra com uma caneta mais escura.

[1] Ler mais em nosso site:  Atividades sensoriais: na educação infantil, explorar é aprender! http://naescola.eduqa.me/atividades/atividades-sensoriais-educacao-infantil-experimentar-e-aprender/

[2] Conheça mais em https://www.hwtears.com/hwt e www.sindromededown.com.br

[3] Leia http://naescola.eduqa.me/atividades/estilos-de-aprendizagem-qual-e-o-seu/

[4] Para ver um vídeo demostrativo sobre o jogo acesse o vídeo  no youtube. https://www.youtube.com/watch?v=oHy2onv2ATY

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Dificuldades de Aprendizagem: Escrita Espelhada
Registros/Rotina pedagógica/Desenvolvimento cognitivo/Formação
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Dificuldades de Aprendizagem: Escrita Espelhada

escrita espelhada

Escrever é um marco na vida das crianças e uma felicidade para os pais. É lindo ver a criança dar significado àqueles traços em forma de letras que até pouco tempo eram algumas garatujas.

A escrita proporciona uma sensação indescritível de alegria, conquista e autonomia. É uma forma diferente de se comunicar e um passaporte para uma maravilhosa viagem para explorar ainda mais o mundo do conhecimento. Através da escrita a criança pode mostrar o que pensa e o que sabe, por isso, todo cuidado é pouco para fazermos desta fase, um momento único, prazeroso e de muita confiança mútua. Se a criança não for bem acolhida, respeitada e motivada nesta etapa, ela pode apresentar insegurança e dificuldades para aprender, pois o medo de expor o que sabe pode constrange-la.

O professor deve conhecer muito bem as fases da escrita de Emília Ferreiro para não interpretar como erro, aquilo que é comum no desenvolvimento da escrita[1].

Conforme a escrita da criança evolui, alguns erros desaparecem e tantos outros surgem. Isso é natural até que ela esteja completamente alfabetizada. É importante perceber que cada criança tem o seu tempo e uma história de vida que vai influenciar diretamente neste ritmo, ou seja, no quando ela será ou não alfabetizada.

Todas as crianças do mundo, passam por um momento de dificuldades em sua alfabetização e os problemas em discriminar letras ou mesmo a escrita espelhada de letras e números são comportamentos bastante normais. (DEHAENE, 2012).

Você sabia que o Leonardo da Vinci tinha escrita espelhada? Pois é, este era o efeito da dislexia em uma pessoa canhota. Curioso, não é?

Mas o que é escrita espelhada?

A escrita espelhada é uma dificuldade de aprendizagem muito comum durante o processo de alfabetização. As letras são giradas em seu próprio eixo como o b pelo d  e o q pelo p, ou ainda as crianças escrevem como se estivessem do outro lado do espelho, ao contrário.

escrita espelhada

Xenografia era o termo grego utilizado para se referir a esta escrita estranha. Alguns autores como Dehaene (2012), Piaget e Inhelder (1980), dizem que as crianças, antes dos 7 anos ainda não adquiriram o auge de sua maturidade neurobiológica, por isso, é provável trocarem a direção de sua escrita, pois noções básicas de lateralidade ainda não estão consolidadas.

Antes de mais nada, como já foi dito acima, espelhar letras e números é normal, por isso, é importante permitir que as crianças experimentem a escrita, façam tentativas, ensaios e tenham erros. A criança precisa se conscientizar sobre as suas dificuldades. Não é simplesmente apontar o erro, mas questioná-la, fazê-la perceber e tomar conhecimento sobre como fez, porque fez e como deveria fazer, conforme já nos alertava o grandioso Piaget. Pais e professores são primordiais nesta etapa.

escrever

Para Emília Ferreiro e Ana Teberosky as crianças começam a construir a língua escrita muito antes de entrarem na escola. Escrever requer maturidade e vivências que passam primeiramente pelo corpo. Por isso, a Educação Infantil, mais uma vez, tem uma função preciosa ao proporcionar para a criança estas experiências, já que tudo aquilo que sentimos e vivenciamos com o corpo, torna a aprendizagem muito mais significativa.

As principais habilidades, que podem ser consideradas como “pré-requisito” para a escrita, iniciam-se logo que o bebê nasce e se aprimora na educação infantil. A lateralidade (direita esquerda), conceitos de noção espacial, simetria, noção corporal, coordenação motora fina, coordenação visomotora, relaxar e contrair o corpo, o tônus muscular, enfim, na educação infantil é o momento de praticar tudo isso.

Escolas de educação infantil que contam com profissionais da educação física, ou mesmo têm professores especialistas ou com muita prática em psicomotricidade, propiciam ótimas condições de aprendizado para as crianças.

Existem crianças que espelham não só algumas palavras, mas frases inteiras e isso pode ser um sintoma da disgrafia.  A disgrafia, dislexia, a síndrome de Irlen, problemas na coordenação motora como a dispraxia, são os grandes distúrbios de aprendizagem causadores da escrita espelhada.

Para quem não lembra, vamos recordar:

Disgrafia:

Conhecida como letra feia. Isso acontece devido a uma incapacidade de recordar a grafia da letra. A disgrafia, porém, não está associada a nenhum tipo de comprometimento intelectual. Apresenta: lentidão na escrita, letra ilegível, escrita desorganizada, desorganização geral na folha por não possuir orientação espacial, letras retocadas, hastes mal feitas, atrofiadas, omissão de letras, palavras, números, formas distorcidas, movimentos contrários à escrita (um S ao invés do 5 por exemplo). Podemos encontrar dois tipos de disgrafia:- disgrafia motora (discaligrafia) e a disgrafia perceptiva. (SAMPAIO, 2016[2]).

Dislexia:

A dislexia é um transtorno específico e persistente da leitura e da escrita, que se caracteriza por um baixo desempenho na capacidade de ler e escrever. É uma condição de base genética, que se manifesta inicialmente durante a fase de alfabetização.[3]

Síndrome de Irlen (Dislexia de leitura): é uma alteração do processamento visual, de ordem hereditária e genética, causada pelo desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz. Isso produz alterações visuo-perceptuais, causando dificuldades principalmente com a leitura[4].

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Dispraxia:

A dispraxia é uma disfunção motora neurológica que impede o cérebro de desempenhar os movimentos corretamente. Isso causa problemas na coordenação motora (lentidão, imprecisão, dificuldades ao recortar), a falta de percepção tridimensional (copiar figuras geométricas, escrever) e o equilíbrio, o que resulta em uma desorganização da apresentação de trabalhos no papel[5].

Se todas as intervenções pedagógicas em prol do entendimento da criança por uma escrita correta, tenha sido feita, e ainda assim, ela apresenta comportamentos preocupantes, vale a pena solicitar uma avaliação com um psicopedagogo e outros profissionais, já que o disgnóstico destes distúrbios é sempre multidisciplinar. Cabe ressaltar que a idade que deve deixar os pais e professores em alerta é entre os 8 e 10 anos de idade (DEHAENE, 2012), antes disso não há maturidade suficiente para classificar as crianças como detentoras de qualquer um destes distúrbios.

Fique atento se a criança que costuma espelhar letras não é canhota, pois estas, tem um pouco mais de desafios para escrever do que as destras, pois o movimento para escrever, em nossa cultura ocidental é da direita para a esquerda, o que obriga os canhotos a fazerem o movimento contrário da sua mão para a escrita.

E claro, registre  o registro sobre essa fase da alfabetização e as atividades que foram aplicadas em sala. Essas anotações serão muito valiosas para o refletir sobre os avanços dos pequenos.

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Referência Bibliográfica: 

BOSSA, Nádia. Dificuldades de Aprendizagem: o que são e como tratá-las. Porto Alegre: ARTMED, 2000.

DEHAENE, Stanislas. Os neurônios da leitura: como a ciência explica a capacidade de ler. Porto Alegre: Penso, 2012.

PIAGET, J.; INHELDER, B. A psicologia da criança. São Paulo: Difel,1980.

[1] Leia mais em FERREIRO, Emilia e TEBEROSKY, Ana. A psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990.

[2] Fonte: http://www.psicopedagogiabrasil.com.br/#!em-branco/c11mv último acesso em agosto/2016.

[3] Saiba mais em Instituto ABCD. http://www.institutoabcd.org.br/perguntaserespostas/

Consulte também: https://dislexia.org.br/

[4] Leia mais sobre Síndrome de Irlen em nossa página da Edqua.me . http://naescola.eduqa.me/desenvolvimento-infantil/sindrome-de-irlen-nunca-ouvi-falar/

[5] Fonte: http://brasil.planetasaber.com/theworld/chronicles/seccions/cards/default.asp?pk=3288&art=94

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

Antes de ler e escrever, há muito o que fazer

Não é preciso adiantar conteúdos do Ensino Fundamental na primeira infância - as brincadeiras guiadas e livres estimulam todas as competências mais necessárias (foto: Beauvoir School)

Desenvolvimento Infantil/Relatórios
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Antes de ler e escrever, há muito o que fazer

Há muito para fazer e descobrir antes de ler, escrever e somar, considera Rita Castanheira Alves, psicóloga clínica especializada na área infantil e juvenil e de aconselhamento parental, autora de um projeto que está no site www.psicologadosmiudos.com, e que acaba de lançar o livro “A Psicóloga dos Miúdos”. Antes de entrar no 1.º ciclo, há competências a desenvolver e a estimular nas crianças. “Nos jardins de infância, seguem-se diretrizes e planos normativos, mas há muito espaço para abordagens e perspetivas diferentes. Em casa, há pais que estimulam desde cedo umas competências em detrimento de outras”. Há muito para descobrir desde a nascença até à matrícula no 1.º ciclo. “Dar os primeiros passos no desafio de descobrir quem é, no aprender a ser pessoa, a distinguir-se dos outros, a criar uma individualidade, a sentir-se gostada e a saber gostar”, especifica.

Assuntos de toda a vida e mais além

Rita Castanheira Alves considera que é tempo de desenvolver competências as quais chama de “assuntos de toda a vida e mais além”, ou seja, capacidades e aprendizagens que serão a base para a vida real, no mundo, com os outros e consigo mesmo. “Esta fase é essencial para os pais e educadores ‘trabalharem’, de forma natural, no dia a dia, em brincadeiras e nas rotinas com a criança, a tolerância, a frustração, a autoestima, a autoconfiança, a persistência, a solidariedade, a partilha, os limites e o saber errar.

Sem nunca esquecer a literacia emocional, dando-lhes a possibilidade de conseguir identificar em si ou nos outros, expressar e regular as emoções – competência transversal para todas as aprendizagens que se seguem, seja na educação formal ou na vida além escola”, refere.

Na primeira infância, é essencial cultivar as "habilidade para a vida", ou socioemocionais: perseverar, conviver em grupo, lidar com emoções (foto: Smart Start of Meck)

Na primeira infância, é essencial cultivar as “habilidades para a vida”, ou socioemocionais: perseverar, conviver em grupo, lidar com emoções (foto: Smart Start of Meck)

Desafios

Antes de se sentar na cadeira da escola, a criança dá os primeiros passos na autonomia e independência para que, desde cedo e de forma natural, se sinta segura, capaz de gerir os desafios que surgirão a qualquer momento. Na escola, também. “Uma criança feliz, tranquila, competente pessoal, social e emocionalmente terá maior probabilidade de ter sucesso acadêmico e estar preparada para os desafios mais formais da educação, porque serão também crianças mais motivadas intrinsecamente”.

Nesta fase, é importante criar desafios e situações adequados às características e fases de crescimento da criança para desenvolverem a sua capacidade de resolução de problemas. “A criança deve saber que pode ser difícil, mas que é possível tentar e, no meio disso, os adultos precisam ajudá-la a saber errar – até porque na escola ela irá errar para aprender. Como tal, saber acima de tudo errar, confrontar-se com o erro e com a nova tentativa e saber que isso faz parte da aprendizagem de todos nós, até dos pais”. Para a psicóloga, faz parte da educação “ajudar a criança a arriscar, a compreender os riscos e a tomar decisões com os riscos que tem, seja numa simples escolha de duas hipóteses de brincadeira”.

Nos primeiros anos de vida, é fundamental experimentar, desenvolver competências artísticas e a agilidade motora. É tempo de se conectar com outras crianças, jovens e adultos, desenvolver a socialização, saber estar e partilhar, ouvir e conversar. É tempo de brincar com meninos e com meninas, com bonecas, carrinhos, animais ou quebra-cabeças. “Nesta fase, a brincadeira com a criança é o maior motor de desenvolvimento de todas estas capacidades essenciais para o que se segue”. A brincadeira é um meio para tornar as aprendizagens naturais, descontraídas, fáceis, e eficazes, e ainda criar vínculos afetivos com a criança.

Se a criatividade e imaginação forem estimuladas, o interesse pela leitura, escrita e matemática vão surgir naturalmente (foto: Feel Good Health)

Se a criatividade e imaginação forem estimuladas, o interesse pela leitura, escrita e matemática vão surgir naturalmente (foto: Feel Good Health)

A criatividade e a imaginação também têm um papel importante. “Ajudar a criar e a imaginar, seja por histórias, teatros caseiros, brincadeiras de tapete ou músicas é fundamental para a preparação da criança para a fase das aprendizagens escolares. Na fase pré-escolar, a criatividade de todas as formas é um grande recurso e um ingrediente que se pode usar bastante, a par com a curiosidade”. Para isso, ajuda-se a olhar para o que a rodeia, estimula-se o questionamento, responde-se quando pergunta, pergunta-se também, procuram-se respostas.

Saber escrever o nome, decorar letras, contar até 20 sem enganos poderá vir noutro tempo, quando o 1.º ciclo chegar. Rita Castanheira Alves considera que há muito para se fazer antes disso. “Com o foco e investimento nestas competências pessoais, sociais e emocionais, gradualmente e antes do 1.º ciclo, a vontade da criança em saber o seu nome, em aprender a contar e a mostrar sinais de que está preparada para a aprendizagem escolar aparecerá espontaneamente. Vale a pena tentar”, diz.

Brincar é como respirar

Não é preciso adiantar conteúdos do Ensino Fundamental na primeira infância - as brincadeiras guiadas e livres estimulam todas as competências mais necessárias (foto: Beauvoir School)

Não é preciso adiantar conteúdos do Ensino Fundamental na primeira infância – as brincadeiras guiadas e livres estimulam todas as competências mais necessárias (foto: Beauvoir School)

Até aos 6 anos, a criança se encontra numa fase de acelerado desenvolvimento em vários níveis: físico, motor, social, cognitivo, emocional e linguístico. Desenvolvimento e aprendizagem andam de mãos dadas. As relações e interações que os  pequenos estabelecem entre si e com os adultos, as experiências proporcionam novas aprendizagens, tudo isso contribui para o desenvolvimento.

Para Cristina Parente, professora auxiliar do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão, do Instituto de Educação da Universidade do Minho, é importante apreender quem é a criança. A criança quer conhecer e compreender o mundo que a rodeia, tem saberes e experiências e, por isso, faz perguntas e envolve-se em projetos para encontrar respostas para as suas curiosidades. A criança coloca desafios aos pais, à creche, ao jardim de infância, à comunidade. “Esta compreensão desafia os pais e os educadores a proporcionar as melhores oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento, desde cedo, às crianças, tendo como referência a necessidade de educar cada um até ao limite das suas possibilidades, procurando, ao mesmo tempo, conseguir a integração de todos”.

A criança cresce, aprende, desenvolve-se através de interações que estabelece com as pessoas que a amam, que cuidam dela, que lhe dão segurança, que estão atentas às suas características e que a desafiam. “De fato, o processo de educação da criança ocorre entre os contextos de educação não formal e os contextos de educação formal, entre os quais se destacam a família e os centros de educação de infância”, refere Cristina Parente.

“Naturalmente, a criança constrói muitas aprendizagens e se desenvolve nos contextos da educação informal através dos processos de socialização nas relações intrafamiliares e extrafamiliares. Mas este tipo de resposta, por si só, parece não ser suficiente, tendo em conta as muitas solicitações das famílias e os limitados apoios na sociedade atual urbanizada, globalizada e multicultural. O contexto da educação de infância emerge como uma alternativa mais consistente e integrada para, em colaboração com as famílias, responder ao desafio da educação das crianças pequenas”, sublinha a professora do Instituto da Criança da Universidade do Minho.

Segundo Maria José Araújo, professora da Escola Superior de Educação do Porto, nos primeiros anos de vida, e não só, é importante brincar e criar condições para que as crianças brinquem. “Brincar é muito importante em todas as fases da vida, mas nesta fase é fundamental. Para a criança é como respirar”, garante. A socialização também tem uma palavra a dizer. “É com o grupo de pares, com outras crianças que criam e recriam as culturas da infância”. “É fundamental conversar com os filhos e garantir uma instituição de pré-escolar que valorize o brincar e o diálogo”, sublinha.

É através de atividades lúdicas e jogos que as crianças aprendem a seguir regras e respeitar o outro (foto: Washington Post)

É através de atividades lúdicas e jogos que as crianças aprendem a seguir regras e respeitar o outro (foto: Washington Post)

Os pais devem, na sua opinião, saber respeitar os tempos e os ritmos das crianças e compreender que brincar garante equilíbrio e bem-estar. Há um erro que convém evitar: há pais e encarregados de educação que procuram no pré-escolar conteúdos do primeiro ano do 1.º ciclo. “A escola é muito importante e é por isso mesmo que, antes de entrar para o 1.º ciclo do Ensino Básico, mas também durante, o mais importante é criar condições para que as crianças brinquem”.

É preciso, sublinha, valorizar as brincadeiras das crianças como elementos essenciais de relação com a natureza e com a cultura do mundo adulto. Ao longo da vida, elas precisam de atividades equilibradas. “As crianças aprendem regras de cooperação e respeito brincando. É essencial que os educadores compreendam isso e valorizem”. Brincar é, afinal de contas, um direito. “O brincar e as brincadeiras, enquanto manifestações coletivas, ajudam a criança a desenvolver relações sociais com o seu grupo de pares e com os adultos, apelando à memória coletiva”, realça Maria José Araújo.

Registre!

Para criar registros completos, tanto para a turma quanto para cada criança, acesse a Eduqa.me e faça seu cadastro. Atualize as atividades realizadas em sala de aula e avalie o desenvolvimento das crianças. Depois, gere linhas do tempo com os textos, fotos e vídeos postados, além de gráficos e relatórios criados automaticamente para ajudá-lo a visualizar o crescimento delas com facilidade.

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Fonte: Educare

5 atividades criativas de artes para Educação Infantil

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Atividades/Música e artes/Relatórios
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5 atividades criativas de artes para Educação Infantil

Por que ensinamos arte na Educação Infantil? Ao contrário da escrita e da matemática, as aulas de artes não têm uma aplicação objetiva na vida da criança – nem pais nem professores esperam que elas se tornem artistas quando adultas. Ainda assim, a pintura, o desenho e os trabalhos manuais são parte relevante do currículo infantil, inclusive destacado como uma das áreas de conhecimento do Referencial Curricular Nacional.

A pergunta não é retórica, nem uma forma fácil de começar o texto. É preciso ter bem claro qual o objetivo de se ensinar algo, porque é esse objetivo que vai ajudar o professor a traçar seu plano de aula. Por que você ensina arte à sua turma de 3, 4, 5 anos?

É comum que atividades artísticas sejam usadas com preparação para a escrita: o foco não é a arte em si, mas a motricidade fina, a destreza dos dedos para que, mais adiante, a criança consiga criar letras e números. Suas atividades de artes têm essa meta? Pense bem: as crianças são instruídas a copiar, traçar linhas retas, seguir pontilhados, pintar dentro das linhas de um desenho já preparado com antecedência, copiar modelos prontos? Esses exercícios são úteis para que elas sejam alfabetizadas – mas não as estão educando em artes.

Quando sua classe aprende a reproduzir imagens prontas, ela entende a mensagem de que há um certo e um errado no processo criativo, de que há obras de arte boas ou ruins de acordo com uma pequena lista de regras. Ninguém aprende, porém, quais as diferentes técnicas possíveis, a interpretação de acontecimentos ou sentimentos em imagens, a exploração da criatividade ou os vários espaços em que a arte pode se manifestar.

Conhecer ambientes culturais como museus, teatros e galerias, é importante para o repertório tanto do professor quanto das crianças (foto: Ecology of Education)

Conhecer ambientes culturais como museus, teatros e galerias, é importante para o repertório tanto do professor quanto das crianças (foto: Ecology of Education)

Isso significa que as crianças devem ficar soltas para brincar com tinta sem qualquer orientação? Também não – mas estamos chegando mais perto. Sem o professor como guia, é muito provável que a turma vá apenas reproduzir o que já vê em outras fontes: na televisão, nos brinquedos ou na publicidade. É preciso que elas tenham possibilidade de criar o que quiserem, mas sempre estimuladas a conhecer novas perspectivas e novos materiais, sempre encontrando novas formas de expressão.

Esse é o objetivo de ensinar arte às crianças: desenvolver o autoconhecimento, o senso crítico, a sensibilidade e a criatividade, habilidades que serão valiosas durante toda a vida adulta.

Para isso, o professor deve investir na sua própria formação; afinal, é a visão do professor que irá influenciar a visão da turma. É importante interagir com espaços culturais como museus, galerias, teatros, cinemas e praças para encontrar novos conteúdos e selecionar o que é interessante para cada faixa etária. Assim como os planejamentos de Natureza ou Matemática são pensados linearmente, com atividades articuladas entre si, o plano de Artes também deve considerar o desenvolvimento gradual das crianças e introduzir novos desafios com intencionalidade.

Para se inspirar, confira 5 ideias criativas para fazer arte na Educação Infantil.

 

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Explorando texturas 

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Atividades com texturas são ideais para crianças de até 3 anos, quando o aprendizado está muito relacionado ao tato. Apenas tome cuidado com as turmas mais novas, para que elas não coloquem materiais perigosos na boca (para essa faixa etária, uma dica é usar tinta caseira, não tóxica, que não causa problemas caso seja ingerida).

Mesmo com crianças mais velhas, a brincadeira ainda desperta interesse, basta oferecer mais opções de texturas a serem manuseadas. Algumas possibilidades são:

  • Papéis de vários tipos: crepom, cartolina, lenço, celofane,
  • Tecidos: camurça, couro e mesmo retalhos de roupas velhas ou toalhas,
  • Recortes de revistas e jornais,
  • Lixas mais ou menos ásperas,
  • Serragem, grama, folhas diversas, palha,
  • Sobras de lápis ou giz de cera apontados.

O professor pode, por exemplo, deixar que as crianças explorem texturas na sala de aula ou no pátio e, então, reproduzam as mais interessantes em suas obras de arte. Incentive a curiosidade e a descoberta com perguntas e orientação – mostre a elas como, por exemplo, passar a mão por uma superfície e fechar os olhos para sentir. Também estimule o vocabulário apropriado: liso, áspero, macio, seco, úmido, etc..

Autorretrato

As crianças vão desenhar em uma transparência sobre a própria foto: elas podem contornar o rosto, decorar ou alterar suas imagens como quiserem (foto: Meri Cherry)

As crianças vão desenhar em uma transparência sobre a própria foto: elas podem contornar o rosto, decorar ou alterar suas imagens como quiserem (foto: Meri Cherry)

Apesar de dar algum trabalho, essa é uma atividade maravilhosa para estimular o autoconhecimento. É preciso que as crianças tragam uma foto impressa de si mesmas com antecedência – e o professor precisa providenciar transparências, sobre as quais elas irão desenhar.

Depois disso, não há segredo: use uma fita adesiva para colar a foto e a transparência na mesa e disponibilize materiais de pintura. Tinta guache, cola colorida, canetas marca-texto e glitter são algumas opções que podem ser usadas para que as crianças façam seu autorretrato.

Quando as pinturas secarem, outra ideia divertida para a exposição é usar caixas vazias de brinquedo (ou qualquer outra caixa em que a frente é de plástico) como moldura, com a foto original no interior da caixa e a pintura, na frente. Veja o exemplo abaixo:

Carimbos variados 

Outra alternativa para explorar o ambiente e experimentar métodos artísticos é buscar por materiais para fazer carimbos e utensílios de pintura:

  • Talheres de plástico,
  • Rolos de papel higiênico,
  • Botões,
  • Tampinhas de garrafa,
  • Rolhas,
  • Esponjas de cozinha, de banho, de palha de aço (Bombril),
  • Algodão,
  • Plástico bolha.
Rolhas, tampas de garrafa ou bolas de algodão são algumas das opções para fazer carimbos (foto: No Time for Flashcards)

Rolhas, tampas de garrafa ou bolas de algodão são algumas das opções para fazer carimbos (foto: No Time for Flashcards)

Lembre-se de colocar a tinta em um recipiente largo, para que as crianças mergulhem os objetos (foto: No Time for Flashcards)

Lembre-se de colocar a tinta em um recipiente largo, para que as crianças mergulhem os objetos (foto: No Time for Flashcards)

Mais uma vez, enfatizamos: cuidado com objetos pequenos que podem ser engolidos pelas crianças!

Estenda uma folha grande de papel craft ou cartolina branca no chão e despeje as tintas coloridas em pratos rasos de plástico, tigelas ou bacias em que a turma consiga mergulhar os objetos. Então, deixe que experimente cada um deles.

Uma dinâmica bastante rica é sugerir temas abstratos: como elas pintariam sentimentos como alegria, raiva ou medo? Como pintariam o que estão sentindo hoje? Como pintariam a sensação de voar ou mergulhar?

Crianças mais velhas, em torno dos 6 ou 7 anos, podem relutar bastante para trabalhar com ideias tão abertas caso não tenham esse tipo de experiência com frequência – as menores, por outro lado, costumam abraçar a proposta sem questionamentos. Se isso acontecer, frise que não há certo ou errado e que eles podem pintar conforme se sentirem. Evite comentários como “que lindo” e opte por perguntar o que está sendo representado.

Pintura ao ar livre

O giz molhado dá uma cor mais vibrante à pintura (foto: Happy Hooligans)

O giz molhado dá uma cor mais vibrante à pintura (foto: Happy Hooligans)

Há uma calçada ou muro que pode ser usado na sua escola? Leve as crianças para ilustrá-los – além de tentar a pintura em uma posição diferente, em outra textura, elas também têm a oportunidade de expor um trabalho para as outras turmas. É uma oportunidade de falar sobre as mais variadas formas de exposição de artes, desde um teto todo decorado como o da Capela Sistina até as paredes grafitadas da cidade.

O giz de quadro é perfeito para essa atividade, e o efeito é ainda melhor molhando a ponta do giz antes de desenhar. O professor pode levar potinhos pequenos (como os de iogurte ou forminhas de gelo, por exemplo) com água para ajudar na pintura: colocando o giz ali por um ou dois minutos, ele absorve a água, criando cores mais vibrantes e um toque mais macio.


Uma peque dica que pode te ajudar muito!

Desenvolver essas atividades pode proporcionar momentos incríveis com as crianças, você não pode deixar de registrar as falas, comportamentos e os momentos de interação entre os pequenos! Faça isso com anotações, fotos e até vídeos! Eu sei que pode dar um grande trabalho mas é justamente nesse ponto que você está enganada, use a Eduqa.me para registrar esses momentos!

É muito simples, você pode organizar todos os registros de maneira rica em um único lugar, depois de tudo organizado você consegue consultar com poucos cliques! Quer ver? Basta clicar aqui e acessar! Veja esse exemplo:

Que tal aproveitar para criar atividades que favorecem o aprendizado ?

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Espaços negativos 

O professor pode escolher várias atividades para trabalhar a ideia de espaços negativos – quando você pinta em torno da imagem que quer representar. Para as crianças de até 3 anos, é indicado começar com propostas que exijam menos coordenação motora, como pintar em torno da própria mão ou da mão de um colega. Veja o resultado abaixo:

Colorir em torno da própria mão é uma versão mais simples da atividade, para crianças mais novas (foto: Fun-a-Day)

Colorir em torno da própria mão é uma versão mais simples da atividade, para crianças mais novas (foto: Fun-a-Day)

Após o conceito estar mais claro, é hora da experimentação! Uma ideia é usar fita adesiva para criar desenhos em espaço negativo: as crianças podem espalhar a tinta em torno da figura de um objeto ou animal (uma casinha, um sol, um cachorro criado com fita), ou dividir a página em formas geométricas e colorir cada área de uma cor diferente.

Elas ainda podem ser convidadas a buscar outros materiais para suas obras de arte: folhas e flores prensadas funcionam bem para essa atividade.

Alguns desenhos feitos com fita adesiva (foto: Red Ted Art)

Alguns desenhos feitos com fita adesiva (foto: Red Ted Art)

Leia mais:

Portal Cultura Infância

Portal Educação

 

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As crianças podem criar os próprios portfólios na Educação Infantil?

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor - pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Registros/Rotina pedagógica
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As crianças podem criar os próprios portfólios na Educação Infantil?

O portfólio deve revelar o crescimento, as formas de aprendizado e as dificuldades de cada criança. Para acompanhar esse desenvolvimento com clareza, é preciso selecionar as produções, falas e atividades mais relevantes durante certo período – aquelas em que um avanço ou desafio são particularmente visíveis, para que pais e equipe pedagógica entendam aquela criança e definam os próximos passos.

Normalmente, o professor de Educação Infantil é encarregado dessa seleção. Ele analisa todos os seus registros (anotações, fotos, vídeos, produções das crianças, falas e gravações, preferências) e decide quais deles explicitam o progresso de cada aluno. As áreas observadas envolvem:

  • Desenvolvimento cognitivo,
  • Habilidades físicas,
  • Desenvolvimento afetivo e sexual,
  • Ética e valores,
  • Socialização e relações intra e interpessoais.

O conteúdo escolhido pelo professor deve mostrar não apenas O QUE foi aprendido, mas também COMO foi aprendido. Ele vai identificar quais abordagens funcionam melhor com cada criança e quais deixam a desejar, pois, assim, pode pensar nas intervenções mais apropriadas de acordo com o aluno.

A seleção é o foco do portfólio. Muitas escolas arquivam todas as atividades realizadas pelas crianças, guardando-as em pastas ou caixas, e então enviam essa pilha de registros sem qualquer análise para a família. Porém, esse conjunto de informações não representa um portfólio – afinal, nenhuma interpretação foi realizada a partir dos materiais. Nesse caso, o documento está apenas cumprindo um papel burocrático, sem qualquer significado

É justamente a intenção de quem organiza o portfólio que lhe atribui valor. Essa intenção pode ser de outro além do professor? Ou melhor – as crianças podem organizar seus próprios portfólios?

Leia também “Portfólio na Educação Infantil: Como organizá-lo e o que usar na avaliação”!

“Veja o quanto você aprendeu”

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor - pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor – pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Na Educação Infantil, as crianças podem participar do processo de montagem do portfólio, mas ainda com orientação dos professores. Esse envolvimento é indicado por estimular a reflexão, a construção do próprio conhecimento e o diálogo. É um momento para o professor enfatizar o progresso dos alunos e ouvir suas opiniões sobre o aprendizado.

Como fazer isso com turmas tão novas? Faça uma seleção prévia dos registros, usando sempre um de uma fase mais inicial e outro, recente. Dois desenhos de uma mesma temática, por exemplo, ou duas tentativas de escrita são ótimos para fazer comparações. Outras possibilidades: dois vídeos em que ela apresenta um comportamento mais engajado, duas gravações em que ela pratica a leitura ou duas atividades manuais feitas durante a aula.

Mostrando o antes e depois para a criança, destaque as diferenças e deixe que ela mesma perceba seu crescimento. Faça perguntas para saber não só o que ela acha melhor, mas sobre o processo de criação em cada atividade, do que ela gosta em cada uma, o que gostaria de mudar, do que mais ou menos gostou em relação àquela aula. Preste atenção às respostas, pois elas podem guiar futuros planejamentos.

Além de elucidar o professor, essa abordagem ainda promove a autoestima infantil e o vínculo entre criança e educador. É também um momento importante da avaliação formativa; afinal, ao invés de avaliar com notas, a criação do portfólio dá um contexto ao aprendizado.

Algumas frases e expressões que podem ser usadas para co-criar o portfólio com as crianças são:

  • Como você fez esse (desenho)? E esse aqui?
  • Do que você mais gostou nesse dia? Do que não gostou?
  • Olha só como sua (escrita) está diferente nessas duas fotos! O que mudou?
  • Qual você acha melhor? Por quê?
  • Que bom que você já consegue (ler essa palavra) sozinho! Qual você quer aprender depois?
  • Você acha que ainda tem algo que poderia melhorar?

Todo esse processo deve ser feito individualmente com cada uma das crianças. Reserve um local tranquilo, com poucas distrações, para que elas se concentrem na seleção.

Escolha por conta própria

Alunos do Ensino Fundamental já podem ser incentivados a analisar suas produções e montar seus portfólios com menos intervenção do professor. Para isso, é preciso que eles tenham acesso a todas as sua atividades – a turma pode ser responsável por guardá-las em escaninhos individuais, pastas ou prateleiras na sala de aula. Ao final do período delimitado (um bimestre, trimestre ou semestre), as crianças podem rever seus trabalhos e reparar no desenvolvimento que apresentaram desde o início.

O professor ainda deve orientar a seleção através de perguntas, reconhecendo o que é mais relevante e apontando melhoras. Entretanto, agora, já pode fazer isso com toda a classe reunida, enquanto cada um trabalha separadamente no próprio material. Ele também pode pedir que as crianças falem ou escrevam sobre as atividades que elegeram, gerando uma reflexão mais profunda sobre o aprendizado.

Conforme elas ficam mais velhas, permita autonomia na hora de escolher - e contar para o resto da turma - os momentos e atividades favoritas (foto: Parent Map)

Conforme elas ficam mais velhas, permita autonomia na hora de escolher – e contar para o resto da turma – os momentos e atividades favoritas (foto: Parent Map)

A participação da família

Os pais ou responsáveis pela criança têm um papel importantíssimo quando se pensa em portfólio – normalmente, eles são o final da linha, os receptores de toda a informação. São eles que devem receber o documento e ouvir a análise do professor para que, juntos, pensem nas melhores intervenções e estímulos. Também é fundamental que a comunicação entre família e escola ajude a criar uma educação que faça sentido para a criança, que os mesmos comportamentos e habilidades exercitados em casa sejam reconhecidos em sala de aula.

Embora seja um papel essencial, ele não é único. Os pais podem, sim, ajudar na elaboração do portfólio e selecionar ativamente as produções mais marcantes de seus filhos. Isso lhes dá a oportunidade não só de ver o recorte da “pior” e “melhor” atividade, mas todos os aprendizados intermediários entre uma e outra.

Convidar os pais para uma reunião particular pode tomar bastante tempo, sim; mas, se possível, pode estreitar o diálogo com a escola, explicar o método de ensino e os processos de aprendizado colocados em prática e encorajar a família a se envolver mais no desenvolvimento da criança.

Ter esse entendimento sobre o crescimento dos filhos será útil sempre que a criança passar de ano, mudar de turma ou de escola, ou mesmo iniciar um curso extracurricular. Cabe também aos pais mostrar esses documentos ao novo professor para que possam procurar nele embasamento e pistas para novos projetos.

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O problema de alfabetizar as crianças cedo demais

Atividades lúdicas que estimulem a concentração e a motricidade fina são indicadas para uma pré-alfabetização saudável, que respeite o ritmo da criança (foto: The Learning Garden Kids)

Atividades/Linguagem/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional/Registros/Relatórios
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O problema de alfabetizar as crianças cedo demais

A Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) foi criada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2013 para identificar os índices de alfabetização e letramento em língua portuguesa e matemática de crianças entre 8 e 9 anos. Segundo o documento básico, disponível no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), o objetivo é “concorrer para a melhoria da qualidade de ensino e redução das desigualdades, em consonância com as metas e políticas estabelecidas pelas diretrizes da educação nacional”.

Testes nacionais para avaliar a alfabetização podem fazer com que pré-escolas comecem o letramento cedo demais para aumentar suas notas (foto: New Castle School)

Testes nacionais para avaliar a alfabetização podem fazer com que pré-escolas comecem o letramento cedo demais para aumentar suas notas (foto: New Castle School)

Porém, esta avaliação está reforçando uma visão que já existe em muitas escolas de educação infantil. Em entrevista para a Revista Educação, a professora Sandra Zákia Sousa, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), argumentou que a ANA faz com que os professores de Educação Infantil antecipem os processos de alfabetização e letramento, pulando etapas importantes no desenvolvimento da criança, como coordenação motora e capacidade de raciocínio e concentração. Na mesma reportagem, Luiz Carlos de Freitas, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), defende que essa avaliação deveria acontecer somente a partir do final do Ensino Fundamental.

O letramento precoce tem sido tema de diversos debates e motivou a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STF) em fevereiro deste ano, que decidiu que crianças menores de 6 anos não podem ser matriculadas no Ensino Fundamental, ainda que tenham capacidade intelectual comprovada por avaliação psicopedagógica. A posição em relação ao tema tem influenciado os diversos formatos de escolas de Educação Infantil: enquanto há escolas infantis que antecipam lições ligadas à leitura, à escrita e à matemática na fase do antigo “pré-primário”, há instituições cuja linha pedagógica defende que a criança precisa priorizar o desenvolvimento de outras habilidades antes de se alfabetizar.

Atividades lúdicas que estimulem a concentração e a motricidade fina são indicadas para uma pré-alfabetização saudável, que respeite o ritmo da criança (foto: The Learning Garden Kids)

Atividades lúdicas que estimulem a concentração e a motricidade fina são indicadas para uma pré-alfabetização saudável, que respeite o ritmo da criança (foto: The Learning Garden Kids)

Esse argumento tem embasamento teórico em filósofos como o austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), um dos introdutores da pedagogia Waldorf, que defende que crianças com até 7 anos de idade devem se preocupar somente em brincar.  Ao participar de jogos e atividades lúdicas, os pequenos desenvolvem a confiança em seu corpo e em suas potencialidades, o que é essencial para encarar a maior parte das atividades da vida, além das habilidades físicas e motoras, que são fundamentais para o desenvolvimento neurológico e sensorial. Se essa fase for vivida de maneira adequada, meninos e meninas terão maior domínio corporal, linguagem oral e, principalmente, capacidade para se adaptar às situações.

Na mesma linha, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky defendia que a alfabetização fosse um processo gradual estimulado desde a primeira infância, mas sem que atividades mecânicas de leitura e escrita atrapalhassem ou forçassem as etapas de desenvolvimento.

Ao estimular precocemente a leitura e a escrita, a criança pode sofrer problemas como deficiências na coordenação motora, apatia, desinteresse, desmotivação e estresse.

Por isso, a educação infantil deve se preocupar em proporcionar atividades condizentes com a fase de desenvolvimento da criança e respeitar as necessidades dessa etapa da vida, que é, sobretudo, brincar. Forçar o avanço na alfabetização antes do tempo pode criar traumas e dificuldades maiores no futuro.

Leia sobre Personalização do Ensino na Educação Infantil e entenda mais sobre o assunto.

Na Eduqa.me é possível fazer esse registro de um jeito simples, individual e  bem rico. Com poucos clique você faz anotações, fotos e vídeos. Com esses indícios organizados é possível compartilhar com seu coordenador e refletir sobre cada aluno percebendo quais habilidades eles possuem e quais precisam ser desenvolvidas.

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Como uma camiseta de super-herói está promovendo a autoestima infantil

Além da comunidade virtual, a marca És Super quer mostrar às crianças que elas são valorizadas pelos adultos (foto: És Super/Sentido de Si)

Carreira/Práticas inovadoras/Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Como uma camiseta de super-herói está promovendo a autoestima infantil

Por que algumas crianças persistem em uma atividade e outras desistem após poucas tentativas? O que leva algumas à experimentar novidades tranquilamente e, outras, a temer mudanças? O desenvolvimento da autoestima infantil tem tudo a ver com essas situações – e, aliás, muitas outras: ter uma autoestima saudável permite que as crianças peçam e ofereçam ajuda quando necessário, deem valor às suas opiniões e vontades e mesmo compreendam a necessidade do esforço para atingir um objetivo.

Com tudo isso, a importância de cultivar a autoestima na infância fica explícita. Por isso, gostamos tanto de conhecer o projeto Sentido de Si, que está promovendo justamente o bem estar e a saúde mental com foco na autoestima, em Portugal. A professora Susana Fernandes, diretora da iniciativa, descobriu a Eduqa.me, começou a usar o site e, na semana passada, conversou conosco sobre como estimular esses valores positivos nas crianças.

És Super

Esse é o nome do programa, dentro do projeto Sentido de Si, que trabalha especificamente com crianças e jovens (há outros, voltados a adultos e idosos). Ele segue dois caminhos: o primeiro é a criação de uma comunidade online, a Comunidade És Super, que conecta pessoas, ONGs e empresas de todo o país que, de alguma forma, dediquem-se à saúde mental infantil.

“Por ser um projeto com pouco tempo de existência, sozinhos, nós ainda não conseguimos atender toda essa população”, explica Susana. “Então, o que fazemos é reunir outras entidades e projetos que já façam esse trabalho em comunidades locais e os levamos para todo o país”.

Essas organizações podem agir diretamente com as crianças ou oferecer capacitações para os adultos que convivem com elas: pais, familiares, professores e diretores. Quem participa da comunidade recebe um cartão És Super, que facilita o acesso a esses serviços, seja através de pesquisa no site, descontos ou eventos especiais.

Outra vertente do projeto é a marca de produtos És Super, que vende roupas com mensagens positivas para as crianças. O objetivo é que elas se tornem uma comunicação espontânea entre adultos e crianças, demonstrando o carinho e a valorização entre eles com a entrega do presente. Susana narra a história de um menino que recebeu uma camiseta com os dizeres “És super corajoso” da professora. Ele havia chamado a atenção dela por estar sofrendo bullying na escola – um colega o empurrava e pregava peças todos os dias.

No dia em que vestiu a camiseta, ele contou à professora que fora empurrado outra vez, mas, quando viu seu reflexo e leu a frase de apoio, lembrou do que a professora tinha dito: que o achava corajoso. E teve mesmo coragem de enfrentar o outro aluno. “Ele virou para o menino e disse ‘você não pode mais fazer isso. Não é gentil'”, conta Susana, “e isso mostra o efeito de um simples objeto, algo que parece tão superficial, de mudar a imagem que alguém tem de si mesmo”.

 

Deixe que a criança ajude os adultos ou os colegas de turma. Isso faz com que ela perceba seu valor e como pode contribuir com o mundo (foto: UCDS Students)

Deixe que a criança ajude os adultos ou os colegas de turma. Isso faz com que ela perceba seu valor e como pode contribuir com o mundo (foto: UCDS Students)

Gostou?

Então não deixe de ler mais sobre autoestima em nosso blog.

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Leia mais:

Educar para Crescer

Guia Infantil

Escola Psicologia

Delas Ig

És Super

Hora da história: as vantagens do faz de conta na Ed. Infantil

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças (foto: Google)

Atividades/Linguagem/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional
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Hora da história: as vantagens do faz de conta na Ed. Infantil

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças (foto: Google)

O contato com livros é crucial, mas inventar histórias oralmente também pode ensinar muito às crianças.

A alfabetização começa com as habilidades de ouvir e falar. A língua falada ajuda crianças a comunicar de que precisam e a entender o mundo. Ainda que seja crucial ler livros desde os primeiros anos de vida, contar histórias via oral também pode ser uma ferramenta útil para desenvolver o letramento.

O faz de conta

Algumas das minhas memórias favoritas de infância são das histórias que meu pai contava a meu irmão e eu antes de irmos para a cama. Quando estava nervosa por usar óculos pela primeira vez, ele inventou uma narrativa divertida sobre uma menina cujos óculos mágicos permitiam que visse as respostas da prova do dia seguinte, na escola. Ouvir um faz de conta sobre o tema me ajudou a manter a calma e até mesmo ficar empolgada em vista da mudança.

Você pode usar essa prática em sala de aula para promover a alfabetização e nutrir o desenvolvimento sócio-emocional.

Durante períodos de atividade em grupo, o professor e a classe podem construir juntos uma história própria. Você pode introduzir o exercício dizendo às crianças que precisa da ajuda delas para contar uma história.

Depois de iniciar o conto, vá incorporando as sugestões da turma como detalhes – por exemplo, você pode começar dizendo “Era uma vez um filhote de leão que estava muito alegre e animado. Por que será que ele estava assim, tão alegre?” e, nesse momento, um dos alunos palpita que o bebê estava feliz porque ganharia um irmãozinho. Continue a narrativa, acrescentando algumas frases próprias e outras, das crianças, e sempre fazendo perguntas para expandir a história.

Retome a história criada pela turma em outras aulas, com fantasias e apetrechos para dramatização (foto: Google)

Retome a história criada pela turma em outras aulas, com fantasias e apetrechos para dramatização!

Prolongue a hora da história por tanto tempo quanto as crianças permanecerem interessadas. Provavelmente, o resultado final será bastante engraçado, já que você permitiu que a imaginação delas guiasse o processo. Com isso, a turma não apenas descobrirá que histórias são fonte de prazer como também estará praticando a participação construtiva e colaborativa quando em equipe.

Mais tarde, você pode anotar o conto inventado para tornar a lê-lo em sala. Os alunos devem adorar ouvir novamente a história que ajudaram a criar! Pense até mesmo em incluir fantoches e fantasias que os levem a interpretar a cena como uma peça de teatro.

Além de promover a linguagem e a leitura, essa atividade é uma oportunidade de as crianças expressarem preocupação, medo ou empolgação a respeito de situações ocorrendo em suas vidas – assim como aconteceu com a história do meu pai, que acalmou meu nervosismo quanto aos óculos!

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Esse texto é uma tradução do artigo “Everyone loves a good story”, do Teaching Strategies. Para ler o original, clique aqui.

 

Qual a melhor idade para alfabetizar?

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Qual a melhor idade para alfabetizar?

Reuniões de pais podem ser verdadeiras competições, com as conquistas de cada criança sendo alardeadas a quem quiser ouvir. Se os filhos têm menos de 6 anos de idade, é provável que a habilidade escrita seja das mais exibidas – “fulaninho já escreve o nome”, “fulaninha já sabe recitar o alfabeto”. A alfabetização precoce, entretanto, não é unanimidade entre educadores.

Enquanto o Ministério da Educação estabelece que todos os alunos devem estar alfabetizados até os 8 anos de idade (ou seja, ao final do terceiro ano do Ensino Fundamental), é prática comum entre pré-escolas particulares que a introdução à palavra grafada comece a partir dos 3 anos. Trata-se de uma tentativa de criar estudantes mais “preparados” em um modelo de educação extremamente competitivo.

Qual seria, então, a idade ideal para começar a alfabetização? Essa não é a pergunta correta. A criança pode, sim, ser apresentada à cultura escrita desde muita nova – mas há maneiras saudáveis e outras, frustrantes, de fazê-lo. O essencial é respeitar o ritmo de desenvolvimento de cada uma.

A curiosidade pela leitura e escrita deve ser estimulada, sim, mas de forma lúdica e que não atropele o desenvolvimento natural da criança (foto: Google)

A curiosidade pela leitura e escrita deve ser estimulada, sim, mas de forma lúdica e que não atropele o desenvolvimento natural da criança (foto: Google)

Até os 3 anos

Muito antes de se iniciar o processo de escrita em si, é preciso que seja construída uma base para que a criança se sinta segura ao aprendê-la. Isso significa estimular a linguagem de formas lúdicas e familiares, sem exigências.

São atividades importantes nessa etapa:

  • Momentos de leitura com pais ou professores, em que ela vai presenciar não apenas uma história em voz alta, como o carinho para com ela e com o livro;
  • Brincadeiras com rimas, cantigas e músicas, que criam consciência fonológica;
  • Filmes e peças de teatro selecionados de acordo com a idade, exercitando a atenção e a linearidade de pensamento;
  • Conversas – não somente fale para a criança, mas fale com ela. Permita que ela se expresse e responda, da forma que puder.

Lembre-se ainda de falar corretamente, para que ela se acostume ao som correto das palavras. Durante esse período, os pequenos estão passando por um desenvolvimento acelerado da linguagem oral – aos 3 anos, estudos mostram que eles conseguem absorver até 20 novas palavras por dia e assimilar naturalmente complexas regras gramaticais. Não fazem sentido, no entanto, exercícios voltados especificamente para a escrita até que essa etapa tenha sido bem assimilada.

Momentos de leitura com a família e na escola são cruciais para transformar a cultura escrita em algo prazeroso (foto: Google)

Momentos de leitura com a família e na escola são cruciais para transformar a cultura escrita em algo prazeroso (foto: Google)

Entre 4 e 5 anos

Algumas crianças mostram sinais de que estão prontas para iniciar o letramento nessa faixa etária. Isso pode ser feito, desde que elas não se sintam obrigadas a se alfabetizar.

Nessa fase, elas memorizam letras e sílabas, reproduzem seus nomes e os nomes de familiares e amigos, e mesmo escrevem palavras inteiras. Isso não significa, porém, que estejam entendendo as regras por trás do que fazem – mas sim que a memória nessa idade é excelente. Ou seja, ao contrário do que possa parecer, as crianças ainda não estão maduras para iniciar um aprendizado formal da escrita.

Não é recomendado utilizar métodos rígidos, como ler e copiar uma palavra repetidas vezes. Ao sentir que suas produções são insuficientes – afinal, ele ainda não possui as habilidades necessárias para escrever como um adulto, de forma convencional – o aluno se frustra e pode estagnar. Vai, por exemplo, decorar palavras, sem compreender sua formação, ou até mesmo desistir de ler e escrever totalmente, por receio de errar.

A escrita nessa idade deve ser encarada como a fala nos anos anteriores: ninguém espera que um bebê já comece a falar corretamente, nem desvaloriza suas tentativas por não estarem dentro da norma. Da mesma forma, quando o assunto é leitura e escrita, as pré-escolas devem garantir o direito de experimentar das crianças; de tentar, errar e tentar novamente até conseguir. Não desqualifique as letras tortas, espelhadas ou “feias”.

Dos 6 aos 7 anos

A maioria dos especialistas concorda que, em torno dos 6 e 7 anos, os alunos já estão neurologicamente prontos para ler e decodificar as palavras. Já é possível aplicar métodos mais formais de letramento com pouco risco de atropelar o desenvolvimento natural e, por consequência, menores chances de fracasso.

Também é nessa faixa etária que a criança percebe que as palavras são divididas em diferentes fonemas e que eles podem ser reproduzidos através da combinação das mesmas letras e sílabas. Ao invés de memorizar e repetir, a partir de então ela é capaz de construir.

Mesmo assim, o processo completo de alfabetização pode durar até mais dois anos. Considera-se que a criança está alfabetizada quando é capaz de ler e escrever com fluência, além de interpretar a mensagem que lhe foi transmitida.

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Especialistas se dividem: enquanto alguns acreditam que o letramento é prejudicial antes dos 7 anos, outros querem adiantar o processo (foto: Google)

Os ciclos de 7 anos

Educadores que seguem a metodologia Waldorf, que cultiva a criatividade e as experiências lúdicas em oposição ao ensino tradicional, defendem que a criança só deve ser apresentada à língua escrita depois dos 7 anos de idade. Antes disso, o aprendizado seria desgastante demais. Para os teóricos dessa linha, o crescimento do indivíduo acontece em ciclos de sete anos (dos 0 aos 7, dos 7 aos 14 e dos 14 aos 21), ou setênios – momentos em que o corpo passa por transformações marcantes. Seria, portanto, função da escola respeitar esses ciclos (leia mais sobre a educação Waldorf aqui).

Enquanto isso, teóricos contrários à ideia acreditam que a meta do governo é flexível demais e que os estudantes deveriam estar alfabetizados até os 6 anos. É o que ocorre em países como Coréia do Sul, Finlândia e Hong Kong, que constam entre os primeiros colocados no teste Pisa pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

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