Desenvolvimento da identidade, autonomia e autoconfiança na infância
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Desenvolvimento da identidade, autonomia e autoconfiança na infância

As conquistas na primeira infância

A infância é um importante período no qual a criança conhece e explora o mundo. Logo nos primeiros anos de vida, ainda na primeira infância, ela obtém importantes conquistas, que refletem os primeiros marcos de sua independência: aprende a andar sozinha, adquire linguagem, desenvolve habilidades motoras e se torna um ser sociável.  

Tudo é novidade para os pequenos e muitas vezes, isso é encarado como um grande desafio a ser enfrentado. Nesta fase, é essencial a presença e o suporte de um adulto em quem a criança confia, para permitir que ela desenvolva a sua autoconfiança e, assim, conquiste cada vez mais a sua autonomia. A maneira como o adulto reage aos comportamentos da criança tem relação direta com a construção da sua autoconfiança.

Desenvolvendo a autoconfiança

A autoconfiança é um aprendizado que se desenvolve ao longo da nossa vida, à medida que percebemos que podemos conseguir aquilo que queremos, a partir dos nossos próprios atos e esforços e, também, à medida que vamos sendo valorizados ou encorajados, por outras pessoas (e por nós mesmos), em nossas realizações. 

No processo do desenvolvimento infantil, as relações têm um papel essencial e, assim, o afeto é um ingrediente indispensável! Desta forma, é importante que a criança se sinta amada e protegida, da mesma forma que aprenda a lidar com limites e frustrações. Como já dissemos, a criança se depara com muitas novidades, e o adulto irá auxiliá-la, demonstrando o que é esperado dela, fornecendo orientações do que deve fazer e como fazer, além daquilo que não é esperado ou permitido.

Fonte: Ce Projetar

 

A criança pode ou não pode fazer sozinha?

É importante conhecer o desenvolvimento infantil e permitir que a criança faça algumas coisas sozinha, levando em conta o nível de desempenho de cada faixa etária. Além disso, o adulto precisa perceber que nem sempre poderá evitar todos os perigos e frustrações. A criança não só pode, como deve aprender através das experiências e nós como importantes mediadores, temos um papel central neste processo.

Muitas Escolas criam  Projetos de Identidade e Autonomia e essa é uma maneira bem interessante de trazer esse tema para que as crianças exercitem a identidade e a autonomia.

Fonte: Colégio Beka

Na faixa de 0 a 3 anos, explorar o eixo identidade e autonomia envolve ajudar os pequenos a desenvolver o reconhecimento da própria imagem, essas oportunidades de exploração vão ajudá-los a manter o contato com a própria imagem e a identificar a figura do outro. Além disso, você pode trabalhar características diversas como por exemplo:

  • partes do corpo;
  • desenvolver a coordenação motora;
  • identificar limites;
  • identificar potencialidades;
  • fortalecer identidade;
  • respeitar o outro;
  • estimular linguagem oral;
  • estimular cuidado com o corpo.

Aqui na Eduqa.me já falamos sobre a atividade Mesa dos Sentidos  que trabalha o conhecimento de si e de seus próprios corpos e também na atividade Varal das regrasIndependente da atividade, fica a cargo do professor encaixá-la como um exercício de fonte de inspiração para Identidade e Autonomia. Você pode ver essas atividade no Baú de Atividade Eduqa.me.

Analisando a identidade, automonia e autoconfiança

É muito importante desenvolver a atividade com as crianças e perceber como cada pequeno interagiu com a proposta, aproveite a duração da atividade não apenas para acompanhar e facilitar o aprendizado da turma, como também para registrar esse desenvolvimento se possível faça registros individuais, pois como analisar o desenvolvimento das crianças e provar que você fez um bom trabalho se não tem evidências do que aconteceu na sala de aula?

As análises do desenvolvimento são feitas com base na observação e reflexão das suas práticas, mas se não documentar não terá o que analisar! Por isso atente-se e registre o comportamento e desenvolvimento das crianças.

Os registros podem ser feitos com textos, fotos e vídeos que são ferramentas simples que podem ser usadas durante a aula para gravar detalhes na evolução de cada aluno, facilitando o relatório pedagógico que será feito mais adiante mas principalmente sua reorientação da prática pedagógica através da análise!

Para analisar identidade e autonomia é muito importante que você separe e organize suas atividades por área de conhecimento, você precisa saber quais áreas ou eixos está estimulando em meio aos seus registros. Faça isso com fichas ou folhas de fichário e organize em pastas. A ficha é uma boa ideia pois é pequena e fácil de carregar, você pode colar post it, ou adesivos coloridos para marcar qual área de conhecimento cada ficha pertence. Uma outra boa alternativa é ter um caderno de matérias e organizar onde cada matéria é dedicada a uma área de conhecimento, com isso seus registros em textos passam a ficar mais organizados.

As observações individuais

Se estamos falando de identidade, autonomia e autoconfiança cada comportamento individual revela muita coisa e os avanços e dificuldades ficam claros e podem te ajudar ainda mais na intervenção com aquela criança. Por isso em seus registros e anotações lembre-se de escrever uma fala, um comentário ou um comportamento individual dizendo quem foi a criança que o fez. Com a plataforma Eduqa.me essa tarefa é muito simples, as atividades já estão organizadas por área de conhecimento automaticamente, logo você consegue e buscar com poucos cliques quais atividades fez essa semana ou no mês passado que estimulam identidade e autonomia.

Para os registros em texto a facilidade é ainda maior, você pode escrever o que aconteceu com toda a turma e além de ter a opção de fazer anotações individuais na mesma  hora! Essas anotações individuais vão para uma área específica só daquele aluno, então você já consegue imaginar o quão fácil será fazer os relatórios individuais não é? lembre-se muitas vezes a autonomia se confunde com a atitude de deixar a criança sozinha, mas na realidade ela se constrói na capacidade da criança de aprender a modular a necessidade da presença do adulto. Quando se trata de identidade e autonomia os dizeres das crianças mostram muito sobre suas experiências então, passe a  salvá-los em um local seguro de maneira simples, acesse a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.  

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Quer saber mais sobre esse tema? Siga nossos posts, e em breve daremos algumas dicas de como auxiliar na aquisição da autonomia e autoconfiança das crianças.

Juliana Camila do Nascimento Ferreira-Psicóloga, Neuropsicologa,colaboradora do Projeto Pela Primeira Infância. Texto elaborado a partir do material produzido pelo Projeto Pela Primeira Infância. Clique e conheça mais sobre o Projeto Pela Primeira Infância– Programa de Formação em Desenvolvimento Cognitivo Infantil com base nas Neurociências, para profissionais da Educação Infantil.

Como o colégio Jardim Encantado faz semanários e registros muito mais rápido

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

Registros/Rotina pedagógica/Práticas inovadoras
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Como o colégio Jardim Encantado faz semanários e registros muito mais rápido

O que você vai aprender com esse caso?

Se você é professora, coordenadora ou diretor em alguma escola de educação infantil e fundamental, recomendo muito que preste atenção neste artigo. Vamos mostrar como um de nossos clientes, o Centro Educacional Jardim Encantado, trabalhou junto com a Eduqa.me para resolver os problemas na árdua tarefa de organizar e gerenciar os semanários, registros e relatórios escolares, bem como construir um acervo de atividades acessíveis promovendo troca e colaboração entre os professores. Também vamos mostrar como a escola se tornou ágil na comunicação entre coordenadores pedagógicos e professores.

A Escola

O Jardim encantado é uma Escola de Educação Infantil e Berçário que fica no Paraná em uma cidade chamada Meridianeira. A Escola adotou a Eduqa.me no começo do ano e no primeiro mês, teste,  foi um processo de adaptação e reconhecimento dos professores. Como os professores usaram e acharam fácil, o Diretor assinou a Eduqa.me e começou o trabalho. Primeiramente a implementação foi feita com professores e em seguida foi expandindo para a família. Hoje os professores fazem todos os seus semanários na Eduqa.me e também os registros de atividades de cada classe e das crianças, assim a família também faz acompanhamento das atividades que seus filhos fazem na escola. Desde fotos, questionários e anotações pertinentes a cada criança. Como o Jardim Encantado é uma escola aberta às devolutivas, a plataforma também tem contribuído muito nesse aspecto, pois a família chega hoje na Escola desejando obter informações dos seus filhos e o Diretor acessa o sistema e já tem uma resposta pronta, sem ter que chamar o professor na sua sala de aula.

#Na Prática

Os professores acessam a Eduqa.me e criam uma rotina de atividade para desenvolver as crianças semanalmente, isto é, o semanário. Assim a coordenação e a direção ficam cientes do semanário imediatamente. Além desse compartilhamento, tanto o professor, quanto o coordenador, podem fazer comentários nas atividades do semanário, com isso agilizam a troca de informação e esclarecimento de dúvidas. Uma vez que existe essa transparência a responsabilidade passa a ser de todos os atores da Escola. Desta maneira a direção passa a ser responsável e a ter mais propriedade para dialogar direto com a família sem ter que chamar o professor na sua sala de aula. 

“Não tem a necessidade de fazer a pergunta: – vou perguntar para o professor para saber o que está acontecendo, eu simplesmente acesso e pronto. A resposta está ali, pronta. É legal porque ajudando os professores nesse processo as coisas ficam mais fáceis para todos e a Escola tem mais fluidez.”

Alexandre – Diretor do Centro Educacional Jardim Encantado

Hoje a Escola conta com 47 crianças cadastradas na plataforma, 4 professores docentes, 1 coordenador pedagógico e 1 Diretor. A escola usa a Eduqa.me há 4 meses e já tem catalogado em seu baú de atividades mais de 900 atividades mapeadas em 14 áreas do conhecimento.

Números do colégio Jardim Encantado

Números do colégio Jardim Encantado

 

Toda essa informação gerada pela escola antes era perdida pois não havia a possibilidade de resgatá-las para discutir e reorientar as práticas pedagógicas. Além disso, muitas anotações importantes sobre as crianças não eram feitas pois caiam no esquecimento. Agora coordenador e diretor podem fazer diversas buscas sobre uma série de informações pedagógicas na plataforma. Como por exemplo buscar as atividades de linguagem feitas nos últimos 3 meses, visualizar de maneira clara as atividades com os registros em fotos e vídeos, resgatar essas atividades para possíveis relatórios, replicar, co-criar, repensar e decidir o que muda ou não para os próximos meses. Agora o colégio também conta com um acervo de todas as suas atividades feitas. Todas com fácil acesso e salvas em  um local seguro prontas para serem reaproveitadas com apenas um clique.

O Desafio

O principal desafio do Jardim Encantado era:

Organizar e gerenciar a documentação pedagógica.

Como resolver esses dois problemas sem tomar mais tempo da coordenação e dos professores, em um dia a dia tão corrido como o escolar? Com a documentação em ordem seria possível balizar qual área do conhecimento estava defasada e a partir dessa constatação gerar um plano de ação para as atividades certas para o  desenvolvimento infantil de cada classe. 

Apesar da Escola já fazer a documentação usual com planilhas, cadernos e documentos impressos, os semanários eram sempre o grande ponto de atenção, pois na maioria das vezes a rotina da Educação Infantil era puxada e a rotina consumia a maior parte do tempo dos professores.

A Solução

Obviamente que a  qualidade do ensino depende de muitos fatores, em graus diferentes, mas a solução que a Eduqa.me propõe é fazer toda a documentação pedagógica com uma única ferramenta que é acessível do celular, tablet ou computador.

Semanário:

Para o semanário o professor planeja e a coordenação acompanha em tempo real o planejamento de todas as turmas. Sem envio de e-mails e vários outros documentos. Hoje as devolutivas são feitas no própria plataforma, facilitando o diálogo, a busca e a organização.

Registros:

A escola optou por registrar por texto, foto e vídeo. Desta maneira os registros ficam mais completos e ricos e é possível saber o universo das atividades lecionadas, qual área do conhecimento está sendo mais estimulada e quais são os pontos de atenção das demais áreas e, principalmente, das crianças.

Escrever sobre a prática faz pensar e refletir cada decisão tomada, permitindo aprimorar o trabalho diário da sala de aula e adequá-lo com frequência às necessidades dos alunos e trocar os aprendizados com outros professores passa a ser consequência. A Eduqa.me permite que essa tarefa seja feita de forma simples.

Anotações individuais:

Um dos recursos mais importantes da Eduqa.me, aqui na mesma hora que o professor faz um registro para toda a classe ele consegue fazer anotações individuais de cada criança, ou seja, o professor pode anotar uma fala, um comportamento e essa anotação vai direto para o perfil da criança ajudando a compor seu portfólio online.

O Baú de Atividades:

Outro recurso de muito destaque é o Baú de atividades, nele ficam armazenadas todas as atividades que o professor planeja. O Baú também permite que o professor compartilhe suas atividades planejadas com professores de todo o Brasil ou busque novidades de outros professores para a aula da semana. O professor pode criar, pesquisar, co-criar e compartilhar suas atividades. Agora o Jardim Encantado conta com um báu de fácil acesso com mais de 550 atividades até o momento, essas atividades podem ser usadas na própria escola e, até mesmo, se compartilhadas no baú público, podem ser copiadas por qualquer professor do Brasil.

Afinal de contas educação sem troca, não é educação.

Gaste seu tempo com o que realmente importa - horizontal

Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?
Registros/Formação
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Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?

que tipo de educação

Esta pergunta é intrigante e pode suscitar a priori duas interpretações: pensar nos métodos e estratégias que vou oferecer aos meus alunos para educa-los de forma que aprendam os conteúdos formais, ou, ir além disso e pensar também em que tipo de pessoas quero formar.

Quando imaginamos uma sala de aula, muitos cenários vêm à tona, principalmente a diversidade que a compõe.

Para muitos, a palavra diversidade parece estar ligada a algo que é visível no outro, ora por aquilo que falta ora pelo que sobra em alguém, mas, neste texto, vamos falar de um assunto que nem sempre é tão explícito pelo que falta ou pelo que sobra, mas pelo que as vezes passa desapercebido pelos olhos do professor.

Vamos falar da inclusão socioeconômica e do contraste social encontrado nas escolas.

Por mais que saibamos que esta realidade existe, quando as diferenças não estão estampadas de forma evidente no rosto das pessoas, parece que elas são ignoradas. Está é uma falsa ilusão e a falsa ideia da homogeneidade que muitos professores ainda insistem em defender.

Somos todos diferentes e únicos, isto por si só derrota a ideia de homogeneidade humana. Aprendemos de formas diferentes, pensamos e gostamos de coisas diferentes e temos também condições socioeconômicas muito distintas.

Estas condições econômicas, em alguns casos, definem e implicam diretamente nos objetivos e propósitos pelos quais a criança frequenta uma escola.

Sabemos que muitas crianças precisam comer, por isso vão a escola; outras ainda quando muito pequeninas, frequentam a escola, pois os pais necessitam trabalhar; e há também aquelas que vão a determinadas escolas para sustentar certos “status” dos grupos sociais do qual os pais fazem parte. Mas há também pais que escolheram as escolas devido aos métodos pedagógicos e pela filosofia do trabalho educacional que oferecem.

Independente do que seja, se desconhecermos os motivos pelo qual cada aluno frequenta a escola, teremos problemas na relação direta com eles e principalmente com suas famílias. Alguns comportamentos dos pais, por mais que sejam estranhos, passam a ser “melhor compreendidos”, uma vez que se conhece os interesses das famílias. Com isso, não quero dizer que a escola deve assumir o papel dos pais, muito pelo contrário, deve partilhar com a família a responsabilidade de educar, mas perceber os limites que envolvem estas relações entre família-escola.

escola

Por conta das desigualdades sociais existentes, há um consenso entre as pessoas ao achar que nas escolas públicas estão os alunos menos favorecidos e nas escolas particulares estão os mais favorecidos financeiramente.

No caso do Brasil, isso tem uma certa verdade pela forma cultural e econômica em que o ensino está organizado, mas na Europa por exemplo, não é bem assim que funciona; as escolas públicas europeias têm grande prestígio e muitas famílias privilegiadas economicamente optam por matricularem os seus filhos nestas instituições.

É bastante curioso e interessante observar esta diversidade socioeconômica dentro de um único espaço. A mãe empregada de mesa e um pai empresário debatendo, nas reuniões de pais, melhorias para a escola dos seus filhos. Existem problemas causados pelas condições econômicas? Sim, como em todo lugar, mas como o objetivo é zelar pela educação de qualidade para os filhos, essas diferenças não são soam como  problema, não nesse cenário.

O preconceito é algo ensinado pelo adulto. As crianças são ensinadas a selecionar seus amigos pela ótica do adulto.

As escolas particulares no Brasil, nem sempre ilustram este cenário separatista que está na mentalidade das pessoas. Muitos pais fazem grandes sacrifícios para dar o melhor para os filhos; e para eles, o melhor, é uma educação de qualidade que supostamente acham que vão encontrar nas escolas particulares.

Digo supostamente, pois classificar se uma escola é boa ou ruim devido ela ser pública ou privada é mais um erro. Há boas escolas públicas e há boas escolas particulares, assim como também há más escolas independente de serem públicas ou particulares.

Isto parece ser óbvio e até redundante, mas você já parou para se perguntar o que é uma boa escola? ou o que faz de uma escola ser boa ou não?

Podemos construir um ótimo livro só com as respostas para estas perguntas, mas a reflexão que se quer aqui vai mais além do que a escola deve ter ou fazer para ser boa, mas sim da sua essência. Por isso, o título deste texto começou por questionar: que tipo de educação você quer dar para as crianças, professor?

Podemos brincar com esta pergunta e criar tantas outras… que tipo de cidadão você quer formar? que tipo de pessoa você quer ajudar a constituir? Não se tem aqui a pretensão de dar respostas, mas pensar em alguns caminhos a partir da diversidade socioeconômica encontrada nas escolas.

Esta diversidade aumenta o desafio do professor em sala de aula, pois os conteúdos não podem ser mais a preocupação exclusiva; valores como respeito ao outro e às diferenças passam a ser tão importantes quanto o aprender formal, aliás, estes são aspectos que propiciam uma melhor interação, comunicação e por fim um melhor aprendizado.

Infelizmente, ouve-se nos corredores das escolas crianças discutindo: “meu pai tem dois helicópteros e o seu não tem nenhum”; “você é pobre, por que estuda nesta escola?”. Estas atitudes incentivam e aumentam a prática do bullying e de outros maus comportamentos que não colaboram com a construção de uma boa escola e também da aprendizagem das crianças.

escola alto nível

As desigualdades sociais encontram-se em níveis variados dentro das escolas, por exemplo: a criança rica e a muito rica, a criança pobre e a extremamente pobre, e outros espaços onde se tem um pouco de tudo. Não é somente pensar nos extremos, mas nestas variações dentro de cada classe social. Estes problemas trazidos pelas dificuldades em lidar com a diversidade socioeconômica dá a oportunidade ao professor de falar e ajudar as crianças na construção da sua identidade e autonomia.

Trazer para dentro da classe as diferenças existentes entre os alunos e potencializa-las para o conhecimento é uma boa estratégia. Uma criança que vende doces no farol, tem com certeza, muita experiência com a matemática e isso pode ser levado para a sala de aula, para a criança ressignificar e protagonizar a sua aprendizagem.

escola brasileiraDesta mesma forma, a criança dos helicópteros tem uma vivência a ser partilhada que vai além do ter mais ou menos um bem material, e isso, com criatividade, pode virar uma rica experiência para todos.

Cada vez mais, as crianças mostram dificuldades em superar o seu egocentrismo inicial, pois são ensinadas a serem egoístas, quando desprezam e julgam uma condição social diferente da sua.

A escola é o espaço mais rico para que estas realidades se cruzem e coloquem a criança numa posição de conflito frente aos seus valores, conhecimentos e personalidade, que a priori é constituída pela família. Isso é saudável para o seu desenvolvimento psíquico, mas se não for bem assistida pode ser um risco para as relações sociais e para o desenvolvimento pessoal das próprias crianças.

A escola precisa se importar com as diferenças sociais e entender que este problema também é seu. A escola representa a população e se julgamos que a sociedade está ruim é porque de alguma forma a escola contribui com isso, quando finge, por exemplo, que não é um problema seu, as crianças se desrespeitarem.

O que quero dizer com isso é que o aluno que está em nossas classes hoje, poderá ser o médico que cuidará de nós amanhã, ou o professor que dará aulas para o nosso filho no futuro, enfim, está em nossas mãos transformar os problemas da desigualdade em oportunidades de construir uma sociedade melhor.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Como trabalhar o afeto na educação infantil

Fonte: HP

Socioemocional/Socioemocional
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Como trabalhar o afeto na educação infantil

Você é um professor afetuoso?

Afinal de contas o que essa palavra realmente significa e como o afeto ou a falta dele impacta o aprendizado dos seus alunos?

Pergunta difícil. Também acho! Subjetiva demais para elaborar uma resposta, assim, de imediato. Para contextualizar melhor vamos buscar informação com quem realmente entende do assunto. 

Os magos da pedagogia

Do ponto de vista piagetiano, a afetividade seria como a gasolina, que ativa o motor de um carro, mas não modifica sua estrutura. Segundo Wallon, a emoção é o primeiro e mais forte vínculo entre os indivíduos. E é através da observação dos gestos da mímica, do olhar, da expressão facial que percebemos essa atividade emocional. Já no documentário “ O começo da vida” o economista Flávio Cunha faz uma afirmação super importante sobre esse assunto:“O afeto é a fita isolante das ligações entre os neurônios”

Esses três olhares apontam que a afetividade é um elemento fundamental para fazer a máquina da aprendizagem funcionar. A afetividade é um estado psicológico e causa profunda influência no comportamento e no aprendizado das crianças.

Com açúcar com afeto

A criança que recebe afeto dos seus pais e professores, passa a desenvolver seus sentimentos, como: antipatia, simpatia, respeito, desejos, interesses, tendências, valores e emoções, ou seja, a afetividade impacta em todos os campos da vida.

Na escola a criança precisa do amor e do reconhecimento do professor para encontrar o prazer pelo aprender.

Fonte: Zun

Fonte: Zun

Seja naquele professor de fala mansa e afável ou até mesmo aquele professor que não demonstra tanto afeto, mas é tão apaixonado pelo que faz que a afetividade se mostrar em sua  motivação e na vontade de fazer.

Não importa como você demonstra seu afeto, mas importa, e muito, que você o faça.

Nessa relação, professor e aluno, transformações acontecem paralelamente ao desenvolvimento intelectual. Uma relação afetuosa influencia decisivamente a maneira como essa criança se mostra para o mundo.

Sua percepção, a memória, autoestima, empatia e outras habilidades socioemocionais que trazem equilíbrio para a vida emocional são marcadas, profundamente, na primeira infância e por isso precisamos olhar com muito cuidado para esse tema.

Na prática, como trabalhar de maneira mais afetuosa em sala de aula?

A nossa sugestão fica para promover atividades com mais interações sociais. Pois é dessa maneira que se constrói a aprendizagem. O professor, nesse contexto, pode e deve ter uma postura de facilitador, estimulando o processo de aprendizagem.

Instigar a curiosidade e o interesse do aluno a partir das suas paixões e promover o sujeito autônomo é a primeira lição a ser colocada em prática. Permitir o fazer, o  despertar, favorecer situações de aprendizagem, promover situações problemas, valorizar cada aluno e sua forma de pensar, exercitar a ludicidade de cada pequenininho e empoderar o pensar da criança. Se constituir enquanto um professor que aprende e não aquele que ensina.

Deixar sentir, impregnar-se de emoção.

A palavra emoção vem do latim movere, mover-se para fora, externalizar-se. É a máxima intensidade do afeto.

E então, você é um professor afetuoso? Difícil mensurar ou pontuar, mas a nossa proposta é realmente provocar essa reflexão para o professor #NaEscola.

Se gostou desse post e quer me contar como o afeto é importante na sala de aula é só me escrever nesse email: deborahcalacia@eduqa.me

Abraços

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Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

5 atividades para praticar inclusão na festa junina

Fonte: APAE BH

Rotina pedagógica/Movimento
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5 atividades para praticar inclusão na festa junina

No post anterior falamos um pouco sobre a inclusão nas Festas juninas. Agora vamos esticar um pouco mais esse tema e explorar brincadeiras tradicionais para garantir o brincar para todos nessa festa que toda escola ama fazer!

5 Atividades para praticar a inclusão na Festa junina

#1 – Pescaria

pescaria-eduqa-me

Fonte: Pinterest

Esta brincadeira requer o controle da força e muita coordenação motora, por isso, segue abaixo alguns truques para tornar esta pesca mais inclusiva.

A) engrosse o cabo das varas com papel, espuma, EVA e encape com uma fita adesiva. Isso pode facilitar o manuseio das varas.

B) coloque na ponta da vara, onde fica o anzol, um peso (pode ser uma pedra, um pedacinho de tijolo ou madeira), isto evitará que as linhas fiquem a voar e se enrosquem umas nas outras, além da criança poder controlar melhor a sua força e ter uma boa coordenação visomotora. Abaixo do peso cole um velcro largo.

C) modifique também os peixes. Faça-os num tamanho maior e cole na parte de cima do peixe o outro pedaço do velcro para que a criança consiga pesca-lo ao grudar a ponta da linha da vara no peixe.

Se ainda assim a brincadeira não for acessível a todos, temos mais ideias. No caso das crianças com paralisia cerebral, por terem características muito particulares, convém conhecer cada caso. Entretanto, na pescaria pode ser feito o processo inverso, ou seja, ao invés de utilizar uma vara convencional e a criança selecionar um peixe para pescar, pode-se amarrar uma linha/barbante na mão da criança e depois conectá-la diretamente ao peixe.

O desafio aqui será a criança puxar ou fazer algum movimento para que o peixe, já grudado na linha, saia de dentro da “água” ou do recipiente no qual estiver.

#2 – Latas

Fonte: Pinterest

Fonte: Pinterest

Em todos os jogos o principal objetivo não é facilitar ou flexibilizar as regras para que as crianças com dificuldades vençam, mas sim, facilitar no sentido de que tenham acesso e oportunidade de brincar e interagir de fato com o propósito da brincadeira.

No jogo das latas tradicional, deve-se arrumar as latas em formato de pirâmide. A base deve ter quatro latas, em cima dela mais três e assim por diante numa ordem decrescente.

Faça um risco no chão com cerca de um metro de distância das latas e lance a bola, que pode ser de plástico ou de meia. Vence quem conseguir derrubar o maior número de latas. Para adaptar este jogo você pode optar por manter o mesmo tamanho das latas e modificar a distância entre o risco do chão e o alvo, permitindo uma maior aproximação da criança até as latas.

Se quiser, pode aumentar o tamanho das latas e também o tamanho das bolas. Neste caso a criança poderá lançar a bola com a mão ou mesmo chutar. Para as crianças com paralisia cerebral temos uma ideia semelhante à sugestão feita na brincadeira da pesca. Como atirar a bola exige alguns movimentos complexos, o professor poderá amarrar em volta das latas um barbante e pedir para a criança puxar ou fazer algum movimento para derrubar as latas.

A quantidade de latas que cair representará a pontuação da criança. Dependendo da dificuldade apresentada pelo participante, para não facilitar o jogo, diga que ele terá apenas uma chance.

#3 – Boca do Palhaço

Fonte: Pinterest

Fonte: Pinterest

Para a boca do palhaço temos duas sugestões bem simples, ou aumenta-se o diâmetro da boca do palhaço ou muda-se o nome do jogo para a “Barriga do Palhaço” e faz -se então um círculo bem grande para que as crianças com maiores dificuldades na coordenação, equilíbrio e força possam ter a chance de acertar.

O tamanho da bola e o peso da bola também devem ser revisados. Se o buraco para acertarem as bolas serão maiores, as bolas também devem ser. Como desafio pode iniciar a brincadeira com uma bola mais leve e a medida que o participante vai acertando a bola fica mais pesada. Faça esta brincadeira num espaço bem grande para que ninguém seja atingido pelas bolas. Se as crianças com paralisia cerebral não conseguirem jogar, vamos trazer o palhaço até elas. Pegue uma bacia com o diâmetro que achar mais adequado para o seu aluno e enfeite a lateral de forma que o buraco (abertura da bacia) seja a boca do palhaço.

Coloque dentro da bacia bolas de plástico coloridas, bolas de meia, enfim, bolas na espessura e com materiais que forem acessíveis e possíveis de serem manuseados pela criança. Deixe o palhaço posicionado sobre as pernas da criança e peça para ela retirar uma ou duas bolas de dentro, vai depender da regra que for estabelecida.

Como desafio poderá solicitar que ela retire uma bola com uma determinada cor. Pense em outras formas de jogar.

#4 – Argola

Fonte: Pinterest

Fonte: Pinterest

Para este jogo você vai precisar no lugar das argolas, bambolês, e, no lugar das garrafas, aqueles cones de trânsito. A regra continua a mesma, entretanto, o tamanho da argola muda, assim como o do objeto a ser atingido.

Aqui você pode sugerir uma mudança na regra. Exemplo: se a criança conseguir atingir um cone com o bambolê o prêmio é o que está descrito no cone; se conseguir atingir dois cones com o bambolê, poderá escolher o prêmio.

Você ainda pode organizar a brincadeira para que a criança ganhe prêmios a partir de pontos que podem ser somados ou ainda por cores (cada cor representando um tipo de prêmio).

#5 – Tiro ao alvo

tiro-ao-alvo-eduqa-me

Aqui, as crianças precisam além de boa coordenação, força, equilíbrio e uma ótima pontaria. No caso de crianças cegas e com baixa visão, o tiro ao alvo torna-se inviável já que o alvo não é visualizado.

Assim, sugere-se que este alvo possa ser feito de balões/bexigas e o seu tamanho mais ampliado do que o normal.

O primeiro lançamento deverá ser orientado pelo professor que estiver nesta barraca, depois, com o som do estouro dos balões, a referência sonora passa a ser o estímulo para o direcionamento dos lances da criança cega. Se ainda assim for difícil, o professor pode continuar a dar as pistas e orientações sobre o direcionamento dos balões/alvos.

Crianças com dificuldades intelectuais e desenvolvimentais também poderão se beneficiar deste jogo.

Use a sua criatividade e invente novas formas de brincar e jogar e não se esqueça de acessar a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.

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Boa festa!

 

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

5 dicas para criar uma linha do tempo na sua turma de Educação Infantil

(foto: Cantinho da Educação Infantil)

Registros/Rotina pedagógica
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5 dicas para criar uma linha do tempo na sua turma de Educação Infantil

Criar uma linha do tempo com as atividades produzidas pelas crianças ao longo do ano (ou de um período mais breve, como um trimestre ou semestre), serve a várias utilidades.

  • Para começar, é um ótimo artifício em reuniões entre pais e professores, em que o educador consegue mostrar com linearidade a evolução da turma.
  • Também pode ser uma oportunidade de os próprios alunos reconhecerem seu aprendizado, caso a opção seja fazer a linha do tempo manualmente, em um cartaz ou varal.
  • Por fim, possibilita que o professor avalie plenamente o desenvolvimento de cada criança, considerando todas as etapas do seu crescimento.

Trabalho manual

Caso opte por fabricar uma linha do tempo à moda antiga, é interessante pedir que as crianças participem do processo – tanto para visualizarem sua evolução durante aquele período quanto para aliviar a carga de trabalho do professor. A linha do tempo pode ser feita ao longo do semestre: basta reservar uma parede da sala para a atividade. Cubra-a com cartolina ou papel pardo e desenhe, de antemão, uma linha que vá de ponta à ponta, além de divisões (linhas verticais) para separar dias ou semanas.

Faça um acordo com as crianças sobre como será feita a atualização da linha do tempo. Por exemplo, a cada semana, uma delas pode ser responsável por colar algo no cartaz, enquanto o professor ajuda a escrever o acontecimento. No vídeo abaixo, o professor de jardim de infância americano Steve Brostowitz dá algumas sugestões para a linha do tempo feita em sala de aula. O vídeo está em inglês, mas é possível colocar legendas:

O projeto também pode ser feito ao final do ano ou semestre. Nesse caso, organize as fotos ou produções das crianças previamente, na ordem em que ocorreram. Oriente-as a colar as imagens em folhas de papel individuais e a decorar seus cartazes como quiserem. Dessa maneira, elas próprias poderão selecionar os trabalhos que acharam mais importantes e que receberão destaque em suas linhas do tempo – refletindo sobre a construção do aprendizado.

Essas são algumas alternativas para expor a linha do tempo em sala de aula:

(foto: Cantinho da Educação Infantil)

(foto: Cantinho da Educação Infantil)

(foto: Pinterest)

(foto: Pinterest)

Linha do tempo online

O professor que irá montar a linha do tempo sozinho fará melhor uso de um site para ajudá-lo. Há várias opções que podem ser usadas gratuitamente, embora algumas só estejam disponíveis em inglês (ainda assim, escolhemos plataformas bastante autoexplicativas!).

Timetoast

O Timetoast pode ser acessado gratuitamente através de email ou mesmo com sua conta do Facebook. Ele permite a criação e o compartilhamento de linhas do tempo sobre qualquer tema, além de permitir o upload de fotos, vídeos e documentos do seu computador.

Observe o exemplo de linha do tempo do filme Up – Altas Aventuras:

(foto: Timetoast)

(foto: Timetoast)

Ao clicar em um dos acontecimentos registrados, você consegue ler o texto completo e visualizar a imagem em tamanho maior:

Captura de Tela 2015-08-21 às 10.44.26

(foto: Timetoast)

Dipity

O Dipity é uma plataforma semelhante, mas pensada com foco em educação! Alunos mais velhos, do Ensino Fundamental ou Médio, podem usá-la em trabalho escolares e apresentações para a classe – mas, no caso da Educação Infantil, permanece útil para o professor documentar as atividades realizadas.

Além da barra cronológica, os fatos também podem ser organizados em livro digital, lista ou mapa (e ele identifica sua localização através do Google Maps – ideal para passeios e excursões escolares!).

Essa é uma linha do tempo do canal Disney Channel no Dipity:

(foto: Dipity)

(foto: Dipity)

Eduqa.me

Se você acompanha o blog, já conhece um pouco da Eduqa.me. A plataforma é exclusiva para professores de Educação Infantil, e conta com áreas de registro de atividades, perfil de turma e criança, avaliação e relatório de aprendizado. Ela é indicada pela praticidade: o professor não precisa editar a linha do tempo, apenas preencher o campo de data junto com a descrição do exercício. Com isso, a atividade será colocada automaticamente em uma linha do tempo, que pode ser visualizada na página da classe e de todas as crianças participantes.

O educador ainda pode acrescentar fotos, vídeos e documentos às atividades. Elas não aparecem na linha do tempo principal, mas são acessadas ao clicar em um dos quadros.

(foto: Eduqa.me)

(foto: Eduqa.me)

(foto: Eduqa.me)

(foto: Eduqa.me)

Essa é a linha do tempo no perfil de um aluno. Ela apresenta todas as atividades das quais ele participou:

(foto: Eduqa.me)

(foto: Eduqa.me)

Essas atividades são enviadas semanalmente ao email do professor, em um documento com fotos. Ele pode ser compartilhado com a coordenação da escola ou mesmo com os pais das crianças que tenham interesse em acompanhar a rotina da classe!

Você já organizou uma linha do tempo de sua turma? Como foi a experiência? Conte para a gente nos comentários.

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Estilos de aprendizagem: qual é o seu?

Fonte: Happy Code

Atividades/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo
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Estilos de aprendizagem: qual é o seu?

Você com certeza já ouviu, ao menos uma vez, que, para aprendermos algo com êxito, é necessário que o processo de aprendizagem seja significativo e prazeroso. O significado colocado naquilo que se aprende e o prazer sentido nesta conquista fazem com que as experiências vividas sejam gravadas para além da memória – o que permite, então, que determinado conhecimento faça sentido e seja acionado com maior facilidade.

Contudo, aprender requer esforço, estudo, desconforto, desequilíbrio cognitivo, entre outras tarefas árduas. E aí, pergunto: como isso pode ser prazeroso?

Se soubermos como a criança aprende, ou seja, qual é a via de acesso utilizada para entrar em contato com o conhecimento, podemos, sim, transformar essas duras tarefas para aprender em suaves caminhos em busca do saber, com significado e satisfação.

Você conhece os estilos de aprendizagem? Eles podem facilitar este caminho. Qual dos estilos abaixo se assemelha mais ao seu jeito de aprender?

Uma mesma atividade precisa ativar vários sentidos - assim, crianças que aprendem de formas diferentes serão igualmente estimuladas (foto: Health Ideas)

Uma mesma atividade precisa ativar vários sentidos – assim, crianças que aprendem de formas diferentes serão igualmente estimuladas (foto: Health Ideas)

Cinestésico

Como aprendem:

  • Contato físico, movimento, gestos enquanto falam.
  • Aprendem mais facilmente tocando, construindo algo manualmente ou gesticulando enquanto leem (manipulação).
  • Não ficam muito quietos na carteira.

O que fazer:

  • Pense em aulas dinâmicas, altere várias vezes o tom de voz, faça gestos, ande em sala de aula; enfim, movimente-se.
  • Permita a vivência, ou seja, experiências práticas sobre o assunto estudado.

Métodos e autores importantes:

  • Piaget, Vigotski, Wallon: Interacionistas.
  • Abordagem sociocultural: Educador e educando são sujeitos de um processo que constroem juntos. (FREIRE, 2000).
  • Método Gestual (GÓMEZ e TERÁN, 2006, p.366): combinado com a representação espacial e a simbolização gestual.

Visual

Como aprendem:

  • Dificuldades com aulas expositivas. Trabalhar com estímulos visuais é necessário (cartazes, lousa, figuras, textos impressos, etc.).
  • Observadores: fale sempre olhando para os alunos.
  • Costumam fazer leitura da linguagem corporal.
  • Gostam de fazer anotações o tempo todo.
  • Possuem facilidade com mapas.
  • Ficam atentos aos detalhes (concentração).
  • Possuem bom dicionário mental.
  • São metódicos.
  • Visualizam as palavras antes de escrever (boa ortografia).

O que fazer:

  • Ofereça recursos visuais sobre a aula estudada (exemplo vídeo-aula)
  • Aproveite esquemas e gráficos.

Métodos e autores importantes:

  • Leitura com imagens.
  • Método Integral: cores – estrutura da escrita – construído a partir das necessidades dos alunos (OÑIATIVIA, 2000).
  • Emilia Ferreiro (2004), Teberosky e Ferreiro (1991) – construção da escrita (figura – palavra- diagnóstico da escrita).

Perfis de turma e individual na Eduqa.me - horizontal

Auditivo

Como aprendem:

  • Aprendem facilmente ouvindo.
  • Gostam de diferentes estímulos sonoros (música, rádio, televisão, etc).
  • Preferem instruções orais (verbais).
  • Falam e explicam para o outro o que aprenderam, pois a fala organiza o pensamento.
  • Expressam verbalmente emoções.
  • Costumam fazer muitas perguntas e ter falhas ortográficas (escrevem como ouvem).
  • Distraem-se facilmente com sons.

O que fazer:

  • Procure gravar as aulas e peça que o aluno escute as gravações periodicamente.
  • Oriente o aluno para que grave a sua própria voz ao estudar.
  • Leia textos em voz alta e proporcione discussões e conversas em grupo.

Métodos e autores importantes:

  • Método Fônico (CAPOVILLA e CAPOVILLA, 2004). Consciência fonológica – a consciência com relação aos sons que ouvimos e falamos.
  • Método Fônico Computadorizado (CAPOVILLA e CAPOVILLA, 2005).
  • Método Tradicional (Centrado na fala, discurso).

Teórico

Como aprendem:

  • São bastante criativos, organizados e planejam suas tarefas.
  • Seguem instruções e perguntam bastante.
  • Atraem-se por exercícios que trabalhem com memorização, reflexão, atenção, concentração.

O que fazer:

  • Oriente que os alunos façam registros através de anotações.
  • Trabalhe com a repetição, memorização e planejamento dos estudos.

Métodos e autores importantes:

  • Construtivismo – reflexão sobre o erro (WADSWORTH, 1997).
  • Método Tradicional – transmissão de conhecimento, decorar, copiar, repetir (LIBÂNEO, 1990).
  • Cognitivista – organização do conhecimento, processamento de informação, planejamento (Piaget).
  • Cartilhas, apostilas.

Em sala de aula, seria importante que pudéssemos trabalhar com o estilo de aprendizagem de cada um de nossos alunos. Contudo, sei que deve estar pensando que isto é impossível, certo?

Esse desafio pode ser encarado com a diversificação da prática pedagógica.

Lembre-se que o melhor método nem sempre é aquele adotado pela escola, ou mesmo aquele que o professor mais gosta de trabalhar. O melhor método é aquele que funciona para o aluno, seja ele qual for. Para isso, utilize em sua prática pedagógica uma diversidade de materiais e estratégias que possam contemplar os estilos de aprendizagem. É como se, todos os dias, você abrisse uma mochila cheia de métodos e recursos distintos.

Inove suas aulas com pequenas modificações, pensando em diferentes variações para uma mesma atividade. Por exemplo: pense em vários materiais, texturas, cartazes; atividades para ler, ouvir copiar, gravar, encenar; envolva uma música, filme, teatro; pense na frequência dos exercícios; sugira maquetes, vivências, etc.. Faça uso de muitos jogos e materiais concretos.

Confira algumas sugestões de materiais para cada estilo de aprendizagem

Estilo cinestésico – Jogo: Encontrando a quantidade

(foto: The Imagination Tree)

(foto: The Imagination Tree)

Você vai precisar de: 1 tabuleiro com tampas numeradas até 10(você também pode usar copos ou pequenos potes), 55 moedas ou pedrinhas coloridas.

O jogador deve distribuir as moedas pelo tabuleiro fazendo a correspondência entre o número e a quantidade de moedas em cada tampa.

Estilo visual – Jogo: Cadê a letra?

(foto: Oopsey Daisy)

(foto: Oopsey Daisy)

Você vai precisar de: 1 Tabuleiro com o alfabeto , 26 peças com letras móveis do alfabeto e 3 marcadores.

Esse jogo se assemelha ao Lince, mas, no lugar das figuras, temos as letras do alfabeto. O alfabeto móvel deve ficar virado para baixo. Se for jogado individualmente, o jogador deve colocar a letra sorteada sobre a letra igual no tabuleiro até acabarem as peças. Se for jogado por mais pessoas, quem encontrar primeiro a letra sorteada deve colocar o marcador sobre ela, e ficar com esta letra. Ganha o jogo quem tiver mais letras.

Estilo auditivo – Jogo: Rolinho sonoro

(foto: Thrive 360 Living)

(foto: Thrive 360 Living)

Você vai precisar de: 5 rolinhos com sons diferentes para se trabalhar os numerais. Cada um deve conter a respectiva quantidade de peças. Material bem aproveitado por crianças com autismo e transtornos globais do desenvolvimento.

Estilo teórico: Jogo: Treinando a escrita

(foto: Teaching.Au)

(foto: Teaching.Au)

Você vai precisar de: placas plastificadas com  o alfabeto, vogais, o nome da criança e canetas para quadro branco com apagador.

O objetivo é treinar a escrita contornando as letras claras. Isso substitui o pontilhado, que muitas vezes pode ser um problema, principalmente para crianças com Síndrome de Down.

Valorize sempre as diferenças em sala de aula, pois cada um tem o seu talento – só precisamos encontrar formas para que eles apareçam! Comece por descobrir como você mesmo aprende, professor, pois talvez isso te ajude a ensinar ainda melhor!

Acesse a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

 

 

Síndrome de Irlen? Nunca ouvi falar!

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Síndrome de Irlen? Nunca ouvi falar!

Você conhece a Síndrome de Irlen?

Se sua resposta for sim, saiba que é um profissional muito ligado aos novos conhecimentos; mas, se sua resposta for não, fique tranquilo: você pertence ao grupo da maioria!

A maioria das pessoas desconhece o que é a Síndrome de Irlen (S.I.). Isso porque, no Brasil, a S.I é conhecida há apenas 5 anos; portanto, temos muito a desvendar. A Síndrome de Irlen (S.I.), também conhecida como dislexia de leitura, é um problema que passa despercebido aos olhos de muitos profissionais, já que possui características muito semelhantes à dislexia.

É uma alteração do processamento visual, de ordem hereditária e genética, causada pelo desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz. Isso produz alterações visuo-perceptuais, causando dificuldades principalmente com a leitura. Segundo dados do Hospital de olhos de Minas Gerais, de 2015, a prevalência da S.I. é maior do que a dislexia, sendo 4 para cada 10 crianças.

Exemplos de: uma visão distorcida, uma visão com letras embaralhas, e de letras que parecem saltar do papel (foto: Irlen Central England)

Exemplos de: uma visão distorcida, uma visão com letras embaralhadas, e de letras que parecem saltar do papel (foto: Irlen Central England)

Fique atento aos sintomas mais comuns:

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  • Cefaleia (dor de cabeça),
  • Coceira nos olhos,
  • Os olhos lacrimejam,
  • Enjoo,
  • Intolerância à luz/ desconforto causado pela luz solar,
  • Dificuldade visuo-espacial,
  • Dificuldades de aprendizagem,
  • Problemas significativos com a leitura: leitura fragmentada, omissão ou troca de letra, as letras parecem pular ou ficam distorcidas, costumam perder ou pular linhas na leitura de um texto,
  • Muita dificuldade em manter o foco e a concentração num texto lido,
  • Insegurança com esportes de bola e também ao descer e subir uma escada rolante,
  • Sonolência e distração.

A observação em sala de aula é fundamental para o apoio do diagnóstico precoce. Se o seu aluno possui alguma destas características, suspeite e o encaminhe para uma avaliação psicopedagógica (leia mais sobre quando encaminhar a criança a um especialista aqui).

Os profissionais da escola devem saber que crianças com S.I. enxergam bem e não percebem que possuem estas alterações ou distorções na visão – o que significa que, ao serem encaminhadas ao oftalmologista, a avaliação poderá ser “normal”. A S.I. é detectada através de um exame de processamento visual realizado por um profissional da saúde ou de educação devidamente capacitado. Os profissionais que recebem este treinamento são chamados de Screening.

O momento ideal para se identificar a síndrome é por volta dos 6 ou 7 anos de idade, por ser a fase inicial de aquisição da leitura e escrita. E aí, fica o questionamento: quantos alunos são confundidos ou ligados a adjetivos negativos (preguiçoso, desmotivado, entre outros) como consequência de um diagnóstico falho?

Exemplos de Overlays – sobreposições coloridas. Em alguns casos, também são usadas overlays em formato de régua (foto: Upgrade Ape)

Exemplos de Overlays – sobreposições coloridas. Em alguns casos, também são usadas overlays em formato de régua (foto: Upgrade Ape)

Observe os principais sinais da S.I. que podem ser detectados em sala de aula:

  • Por conta da fotofobia (sensibilidade à luz), a criança costuma demonstrar uma percepção de brilho excessivo ao usar as folhas brancas, o que atrapalha o desenvolvimento da leitura escrita,
  • Faz uma leitura fragmentada ou silabada,
  • Na escrita, as letras podem estar grafadas de maneira tremida ou flutuantes, fora das linhas,
  • Costuma pular linhas ou pedaços do texto no momento de uma leitura. É possível perceber este fato quando a criança lê em voz alta ou apresenta problemas com a interpretação de texto,
  • Perda freqüente da atenção em situações de leitura,
  • Estresse visual, ou seja, o aluno pisca muitas vezes, os olhos lacrimejam ou ainda coçam e protegem os olhos.

O tratamento realizado baseia-se no uso de transparências coloridas, também chamadas de “overlays”, para a leitura de textos em papel ou no computador/tablet, que neutralizam o contraste luminoso. Para cada pessoa utiliza-se uma cor diferente após a avaliação do processamento visual.

Existem óculos, por enquanto, produzidos apenas nos Estados Unidos, com a coloração das lentes específica à necessidade do sujeito. Infelizmente, eles continuam sendo inviáveis para boa parte das famílias, não só pelo custo, mas também porque o grau da criança ainda é instável.

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Óculos são feitos com a coloração da lente específica à necessidade da criança (foto: KBMT Images Worldnow)

Como adaptar as atividades em sala de aula? Confira algumas dicas:

  • Primeiro passo: aproxime-se sempre do seu aluno. Muitas vezes eles nos dão pistas sobre o que fazer.
  • Vale ressaltar que a S.I. não tem nenhuma relação com a inteligência. As dificuldades explicitadas são extintas com o uso das transparências ou lentes específicas.
  • Motive o seu aluno o máximo que puder, pois, quando ele se sente acolhido e seguro, consegue driblar melhor algumas dificuldades. É muito comum que estas crianças tenham uma inteligência acima da média, já que precisam o tempo todo de um esforço muito maior que os demais para resolver situações-problema.
  • Cuidado com o contraste da folha e do texto (claro e escuro – preto no branco). Use o texto de cor escura em um fundo claro (não branco). Se você já souber qual é a cor de conforto da criança, utilize-a sempre, seja através da mudança de cor da folha, seja com o apoio das overlays.
  • Se a criança ainda não tem a overlay, as pastas plásticas coloridas, conhecidas como pasta em L no Brasil, também podem ser utilizadas na adaptação das atividades de leitura. Para a escrita, utilize as folhas de sulfite coloridas ou outro tipo de papel, também com alguma cor. Dê preferência a papéis mais espessos e foscos, para evitar que o outro lado fique transparente… nada de brilho!
  • Use e abuse das figuras para explicar novos conteúdos ou reforçar conteúdos antigos.
  • Evite palavras sublinhadas ou em itálico. O negrito é bem-vindo.
  • Aproveite as atividades que envolvam o pensamento e o raciocínio lógico, pois, em grande parte das vezes, crianças com S.I. possuem habilidades nesta área.
  • Utilize jogos como o quebra-cabeça e peças tridimensionais.
  • Explore a criatividade da criança.
  • É necessário, sempre, descobrir como o aluno aprende melhor (tendo ele S.I. ou não). Perceba como ele prefere aprender, se gosta de explorar, sentir, ouvir ou ver. Isso ajuda muito!
Exemplo do Ssoverlay em funcionamento (foto: Ssoverlay)

Exemplo do Ssoverlay em funcionamento (foto: Ssoverlay)

Utilize programas para o computador ou tablet como: Irlen Colored Overlays – para computadores e notebooks (tem um pequeno custo); Irlen Colored Overlay App – para Smartphone android e tablet (tem um pequeno custo); Color Overlay, ferramenta de sobreposição de cor que pode ser adicionada ao Google Chrome através do painel de administração do Google Apps (este recurso é gratuito e muito bom, utilizado apenas em ambiente web); Ssoverlay – semelhante ao Color Overlay, do Google, porém para ser utilizado no Windows. Bem interessante e gratuito.

Chegou a hora de fazer o portfólio das crianças! Mas como organizar todas as informações? Fazer o portfólio não se trata apenas de reunir todas as atividades e produções do aluno, é um trabalho cuidadoso que deve mostrar a trajetória detalhada da evolução das crianças em sala. Dependendo da escola, ele é analisado bimestral, trimestral ou semestralmente, para a avaliação formativa da criança.

Para ajudar você com essa tarefa criamos um ebook com informações valiosas para a criação, organização e avaliação.

Veja o exemplo e perceba como é fácil inserir as anotações individuais na Eduqa.me:

 

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Leia mais:

Fundação Olhos

Irlen Conference Brazil (em português)

Irlen Institute (em inglês)

 

 

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