O mundo da fantasia na criança – Parte I
Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Registros
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O mundo da fantasia na criança – Parte I

 O termo fantasia nas escolas de educação infantil é muito utilizado. Atribui-se a ele a representação do lúdico e dos processos imaginativos na criança. O que vamos ver neste texto, vai um pouquinho além disso.

Falaremos sobre como e para que ocorre o desenvolvimento da fantasia na criança; os amigos imaginários e a fase em que isso acontece; fatores a serem observados, com o que se preocupar e como isso procede nas crianças com deficiência: autismo, deficiência intelectual, por exemplo.

 A Fantasia

A fantasia está presente na vida da criança logo que ela nasce. A partir do momento em que o bebê se relaciona com o mundo externo, dá-se início a esta construção psíquica a partir da figura da mãe: o seu grande “objeto de desejo”.

Para o bebê, não existe separação entre o mundo interno e a realidade, é como se tudo ainda fosse um único corpo – o bebê e sua mãe (princípio do prazer). Através das frustrações que começam a acontecer após o nascimento nas relações estabelecidas com a mãe e o mundo, o bebê passa a utilizar a fantasia como um mecanismo de defesa contra estas sensações ruins, como por exemplo: a ansiedade, a espera para ser alimentado ou acalentado pela mãe, etc.

À medida em que o bebê cresce e se desenvolve, ele começa a se “descolar” da mãe e a perceber a realidade.

Entretanto, é por volta dos 4 e 6 anos de idade, quando a criança está no ápice do desenvolvimento da representação simbólica, que a fantasia é mais evidente.

A dramatização, as brincadeiras lúdicas e de faz-de-conta presentes no dia a dia da criança evidenciam a forte capacidade de trazer à tona o que não é real. Isso é extremamente necessário e importante para o seu desenvolvimento psíquico porque é desta forma que a criança entende a realidade, assimila regras sociais e também desenvolve as suas habilidades para aprender.

Esta faixa-etária, também é muito conhecida por ser a fase do aparecimento dos amigos imaginários. As crianças “criam” amigos imaginários para serem um alicerce nas suas relações com a realidade e uma forma de lidar melhor com ela.

Divertidamente: Bing Bong o amigo Imaginário

Algumas crianças dão vida aos ursos de pelúcia e bonecas; outras fingem ser um super-herói, super-heroína ou outro personagem.

Ou até mesmo cada um tem seu Bing Bong, personagem do filme da Disney Pixar, Divertida Mente. Bing Bong é o amigo imaginário de Riley em sua mente. Ele tem pele de algodão doce e é um híbrido entre um elefante um gato e um golfinho. Riley e tantas outras crianças criam um amigo só seu, dentro da sua cabeça para fazerem o seu jogo simbólico*.

*Jogo simbólico é o termo utilizado por Piaget, para se referir de forma especial às brincadeiras imaginativas da criança.

“A fantasia é o remédio mais saudável para nossa alma“

Priscila Bonvino – arte-educadora

Mais do que entender sobre a criança é preciso entender como estabelecer contato com e ela e propor atividades divertidas que desenvolvem o seu momento na Educação Infantil.

Livros de histórias, poesias e mesmo revistas podem ser prazerosos para mergulhar no mundo do imaginário. Considere, em primeiro lugar, o interesse de cada criança e use a roda de leitura para provocar esses momentos nos seus pequenos.

E não esqueça de fazer os registros eles são fundamentais para  acompanhar o desenvolvimento infantil. Com os registros online é possível compartilhar com  as famílias as informações referente a fantasia e pais e responsáveis podem compreender melhor o trabalho desenvolvido na Escola.

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No próximo post falarei sobre os amigos imaginários em  O mundo da Fantasia na criança II

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Autismo: desafios e possibilidades na Educação Infantil

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades - mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Relatórios
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Autismo: desafios e possibilidades na Educação Infantil

por Luciana Fernandes 

Cada vez mais, a comunidade científica nos presenteia com novas descobertas sobre o autismo. Sabe-se, porém, que ao se tratar de diversidade humana, e, neste caso, do autismo, os desafios são muitos; desafios instigantes que nos levam para o caminho das possibilidades.

Numa era em que algumas escolas querem “retroceder”, posicionando-se contra a obrigatoriedade de alunos com deficiência nos espaços escolares, é preciso evoluir. E só é possível evoluir quando se está disposto a aprender mais e mais sobre o tema.

Muitas dúvidas cercam esta temática, vamos esclarecer algumas delas para que o professor possa se sentir confiante em sua prática pedagógica. Começaremos por pensar em como o professor pode atuar ou se relacionar com um aluno que tem autismo. Entretanto, o que segue abaixo está longe de uma receita ou de um passo a passo, já que estamos falando de pessoas: o que funciona para uma pode não dar certo para outra.

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades - mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

A diferença aparece no planejamento e modelo de atividades – mas não no tratamento. Respeite a criança autista e não esqueça de impor limites (foto: Easter Seals)

Como tratar meu aluno com autismo?

  • O aluno com autismo deve ser tratado da mesma maneira que as outras crianças, sem privilégios e com atenção e respeito às suas necessidades;
  • A criança com autismo precisa de rotina e costuma se incomodar com mudanças inesperadas, por isso, informe-a quando possível sobre as alterações ocorridas. Use uma agenda ou um quadro de avisos;
  • Identifique o que causa desconforto no seu aluno com autismo. Por exemplo, se a criança não gosta de um brinquedo, leve-a para escolher outro;
  • Descubra o que faz a criança perder o controle emocional (bater, morder, gritar). Quando episódios deste tipo acontecerem, não tente impedir: preocupe-se em acalmar o aluno mantendo-o seguro e livre de perigos. Não grite ou repreenda o aluno no meio de uma crise; essas atitudes não vão resultar em nada;
  • Muita informação ou estímulo verbal pode ser ruim. Introduza estímulos visuais;
  • A frustração não deve ser evitada, mas mediada. Por isso, sempre que for oportuno, elogie!
Trabalhar com a comunicação através de imagens é um ponto comum na maioria dos métodos. O livro de figuras, por exemplo, permite que a criança se expresse (foto: Special Led Classroom)

Trabalhar com a comunicação através de imagens é um ponto comum na maioria dos métodos. O livro de figuras, por exemplo, permite que a criança se expresse (foto: Special Led Classroom)

Também há aplicativos criados para facilitar a comunicação entre a criança autista e os adultos ao seu redor (foto: YouTube)

Também há aplicativos criados para facilitar a comunicação entre a criança autista e os adultos ao seu redor (foto: YouTube)

Quais os métodos de ensino mais recomendados?

Outra questão muito recorrente é sobre os métodos e atividades pedagógicas adequados às crianças com autismo. Abaixo estão as metodologias mais utilizadas:

  • ABA (Applied Behavior Analysis – Análise do Comportamento Aplicado): É baseada na teoria comportamentalista. Para diminuir os comportamentos indesejados, é adotado o sistema de recompensas (conhecido como reforço positivo). Contudo, há muitas críticas a este sistema no âmbito educacional. Vale pensar em alternar outras estratégias;
  • TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communication Handcapped – Tratamento e Ensino de Crianças Autistas e outras Dificuldades de Comunicação Relacionadas): Apesar de também ser pautado na teoria comportamentalista no ambiente pedagógico, o TEACCH traz cuidados mais específicos em relação à organização visual e estrutura do local. O ambiente deve ser organizado através de rotinas em murais, sem estímulos que possam distrair a criança (barulho, janela, brinquedos à vista, coisas penduradas nas paredes como cartazes e outros objetos). O método fornece técnicas de organização, repetição e treinamento (auxiliares no processo de alfabetização) e pode ser utilizado em casa ou na escola;
  • PECS (Picture Exchange Communication System): É um sistema de comunicação alternativa para aqueles que não falam, possibilitando uma interação através de figuras. Com as figuras, a criança com autismo pode se comunicar e expressar seus desejos.

Há outros métodos a atuação com o autismo, que, apesar de menos conhecidos, apresentam resultados positivos:

Um dos métodos enfatiza que o professor deve ficar no nível da criança, estreitando o contato entre os dois (foto: Purdue Edu)

Um dos métodos enfatiza que o professor deve ficar no nível da criança, estreitando o contato entre os dois (foto: Purdue Edu)

  • Método Floortime (na tradução literal, “tempo no chão”, ou hora de ficar no chão): O foco é o adulto “ir para o chão”, e, assim, interagir com a criança no seu nível;
  • Método Son-rise: Além de também defender um ambiente com menos distrações, esse modelo prioriza o relacionamento interpessoal para aumentar o contato visual, comunicação e atenção. Trabalhando com motivação ao invés de repetição para garantir o aprendizado, o Son-rise tem sido bastante disseminado na Europa e América entre pais e terapeutas;
  • Método Montessoriano: É indicado por ser uma abordagem que propõe o desenvolvimento do sujeito em sua totalidade, além das questões cognitivas. Pode ser bem aproveitado pela riqueza de materiais para exploração.

É importante ressaltar que não existe um único método mais eficaz: o melhor método é sempre aquele que funciona!

O que considerar na hora da preparação das atividades?

  • Estimular os 5 sentidos, principalmente a visão. A informação visual deve vir antes da informação verbal;
  • Valorizar e ressignificar os movimentos repetitivos: alguns professores optam por juntar-se às crianças nesses rituais, mostrando compreensão e criando um vínculo afetivo mais próximo;
  • Trabalhar com exercícios de repetição de conteúdo;
  • Apostar em materiais concretos ou figuras de referência para a criança como a sua própria foto, a foto dos familiares, amigos, etc.;
  • Proporcionar atividades de organização e pareamento de objetos;
  • Adaptar seu tempo: é importante dosar o tempo das atividades para priorizar a atenção e qualidade da aprendizagem. O tempo de planejamento também é outro – prepare objetivos pedagógicos de curto prazo;
  • Usar fichas ou cartões para memorizar ou ensinar conceitos;

Para compreender essas dicas na prática, faça download das atividades que preparei pra você clicando aqui. São oito sugestões de exercícios perfeitos para uma sala de aula de Educação Infantil.

Acima de tudo, não desista dos seus objetivos! Tudo que você faz por um aluno, por mais que pareça ineficaz, deixará uma marca positiva no desenvolvimento de cada um deles.

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Para saber mais sobre o autismo

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpage Luciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.