Os papel dos personagens maus no desenvolvimento infantil
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Os papel dos personagens maus no desenvolvimento infantil

É impressionante como as crianças ficam entusiasmadas pelo fato de poderem se transformar em personagens maus.

Todo o mistério, todo o lado sombrio destes personagens mexem com o imaginário infantil.

O medo, a coragem, o fantasiar-se de Bruxa, Vampiro ou Fantasma que estão em busca de doces é o que faz a alegria dos pequenos; mas, para nós, profissionais da área da Saúde e da Educação, toda essa história tem um pano de fundo, não é só a festa ou o fantasiar-se que merece a nossa atenção, mas sim, todo o aspecto simbólico da coisa.

A importância de experimentar papeis dos personagens maus para o desenvolvimento da criança

Os contos de fadas e as histórias infantis são considerados como referências simbólicas às muitas questões inconscientes da criança, e constituem-se como um instrumento importantíssimo no espaço psicopedagógico, seja ele para o diagnóstico ou para a intervenção no tratamento das dificuldades de aprendizagem.

O sonho, a fantasia, a diferenciação mãe-criança, as rivalidades, a angústia da castração, entre outras questões inconscientes são contempladas nos contos infantis, mesmo que “disfarçadas” através dos personagens.

Além destes conflitos inconscientes, há outros conflitos que algumas crianças vivenciam. Sabe-se que é crescente no mundo, o número de pais divorciados e famílias desestruturadas não só por condições socioeconômicas, mas principalmente por questões afetivas. Estes fatos, na maioria das vezes, trazem muitos problemas para as crianças, interferindo, por consequência, na sua aprendizagem.

O Papel dos personagens maus como o Ogro, o Gigante, a Bruxa e o Lobo no desenvolvimento da criança: uma visão psicopedagógica.

Dito isso, é fácil perceber que as crianças convivem com a ambiguidade da figura materna; o pai omisso, o pai idealizado e pai real; a rivalidade fraterna; o ciúmes e etc.

E é nos contos de fadas, através de todo o simbolismo, que a criança elabora suas questões inconscientes, ou seja, a sua realidade interna.

O OGRO

O ogro e o gigante representam a luta imaginária do homem contra as forças estranhas que o contrariam.

gigante

Na história de João e o pé de feijão, o gigante proporciona o conflito com a maturidade, autonomia e o reencontro com o pai.

 A BRUXA

As bruxas podem trazer a representação da figura materna como rival – questões edípicas- como na história da Branca de Neve. A mãe que dá carinho, acolhe e alimenta, precisa deixar seus “filhos” na floresta – João e Maria / Hansel e Gretel, pois é necessário para o desenvolvimento deles, já que o encontro com a bruxa possibilita o entrar em contato com a maturidade, autonomia e independência.

a bruxa

As bruxas podem trazer a representação da figura materna como rival

O LOBO

o lobo

O lobo tem várias representações simbólicas. Na história dos 3 porquinhos pode representar o pai que obriga as crianças a crescerem (maturidade).

Com medo de serem devorados pelo lobo, os porquinhos que só queriam brincar pensam na importância de se construir uma casa mais segura – responsabilidade – para se protegerem e o conto aborda que aprender exige esforço.

Já na história da Chapeuzinho Vermelho, o Lobo remete às questões edípicas.

Ao trazer tudo isso para o campo da aprendizagem, o que podemos inferir? Não se deve esquecer que o aprender evolui por etapas, que sempre recorrem a conhecimentos anteriores.

Fernández (1991) diz que para se construir conhecimento toda a estrutura lógica, simbólica, corpo e organismo devem estar articuladas, já que não se deve olhar para a criança de forma dividida, ou seja, a parte emocional e cognitiva estão associadas.

Como profissionais precisamos manter viva na criança a possibilidade de sonhar como dizia Freud (1900): no sonho o desejo se realiza, mas o faz disfarçando-se. ´

“Se esperamos viver não só cada momento, mas ter uma verdadeira consciência de nossa existência, nossa maior necessidade e mais difícil realização será encontrar um significado em nossas vidas” (BETTELHEIN, 2003, p.11).

As dificuldades com a alfabetização, por exemplo, podem ser reconhecidas e percebidas como algo a ser superado com a ajuda dos contos de fadas. À medida em que a criança ouve as histórias ou ela mesma as lê, surgem conflitos que automaticamente procedem de soluções, e da mesma forma, isso pode ocorrer com o processo de leitura e escrita. Ao aprender a lidar com a angústia da castração por meio dos contos, a criança aprende a lidar com a falta, o que pode facilitar o trabalho com a segmentação, divisão e união de letras.

halloween na escola

Que os contos de fadas possam sempre fazer parte de nossas vidas.

Quer fazer uma semanário prático e eficaz?

Agora que você entendeu tudo sobre os personagens maus e como criar uma proposta bem interessante explorando esses personagens, que tal usar a Eduqa.me para planejar a sua rotina da semana?

Na imagem abaixo você pode ver como os registro de atividades são feitos e como fica bem fácil fazer uma anotação individual pelo rostinho de cada criança.

Além da rápida identificação sobre área do conhecimento estimulada e quantidade de mídias por sala, os perfil das crianças e  relatórios podem ser compartilhados com a família.
Tudo em um único lugar!

Boa reflexão!

Referências Bibliográficas:

  • Apostila disciplina de Intervenção Psicopedagógica – Taís Aparecida Costa Lima. UNISA, 2004.
  • BETTELHEIM, B. A psicanálise dos contos de fadas. 17.ª edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003.
  • FERNÁNDEZ, Alicia. A inteligência aprisionada:  abordagem psicopedagógica clínica da criança e de sua família. 2 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991.
  • FREUD, S. A interpretação dos sonhos (primeira parte). 1900. Ed.  eletrônica brasileira das obras psicológicas  completas  de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago/Z movie, 1998, V.IX.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpageLuciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.