4 MITOS SOBRE O FUNCIONAMENTO DO CÉREBRO

Fonte: Revista ISTMO

Desenvolvimento cognitivo/Desenvolvimento cognitivo
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4 MITOS SOBRE O FUNCIONAMENTO DO CÉREBRO

O que é um neuromito?

Os neuromitos são ideias equivocadas sobre o funcionamento cerebral.

Como sabemos, nos dias atuais muito se tem falado sobre o cérebro, seu funcionamento e importância em nossas vidas. No entanto, nem sempre tais conhecimentos, amplamente difundidos pelos meios de comunicação, tem embasamento científico, mas terminam se espalhando e sendo dos como verdades. Estamos chamando esses conhecimentos de “neuromitos”.

A seguir, apresentaremos alguns deles, com o objetivo de esclarecer alguns aspectos que julgamos relevantes.

Como em qualquer área do saber, devemos ser críticos com relação às informações que buscamos, para evitar concepções enviesadas ou errôneas.

#MITO 1

É preciso estimular a criança ao máximo até aos 3 anos de idade, que é quando o cérebro humano está no auge da quantidade de conexões sinápticas e de neurônios.

Fonte: mãe me quer

Não há nenhuma comprovação científica que ateste a eficácia de submeter uma criança pequena a uma quantidade muito elevada de estímulos e á informações complexas demais para a sua faixa etária. Além disto, a queda da quantidade de sinapses já é vista pelos neurocientistas como uma forma natural de eliminar gastos desnecessários de energia do corpo e de lapidar as funções cerebrais.

#MITO 2

Usamos somente 10% da capacidade do nosso cérebro.

Fonte: Biosom

As diversas técnicas de medição da atividade cerebral empregadas pela neurociência, como, por exemplo, a tomografia e a ressonância magnética, mostram que não existem áreas inativas no cérebro.

#MITO 3

Há períodos críticos para a aprendizagem.

Fonte: jbcnews.net

As pesquisas mostram que NÃO existem períodos específicos para a aprendizagem, de forma que se algo não for aprendido até certa idade, poderá ser absorvido posteriormente. O que existem, na verdade, são períodos sensíveis para os processos que precisamos aprender, que ocorrem devido à plasticidade cerebral.

#MITO 4

As crianças poderiam aprender melhor se fossem ensinadas de acordo com o seu es lo de aprendizagem preferido.

Fonte: muathuoctot.com

Esta concepção está baseada no fato de que as informações sinestésicas, visuais e auditivas, são processadas em áreas diferentes do cérebro. Contudo, estas estão conectadas entre si e transferem informações através das modalidades sensoriais.

É incorreto afirmar que apenas uma habilidade sensorial está envolvida no processamento das informações. As pesquisas mostram que a criança não processa as informações de maneira mais e ciente quando é ensinada por intermédio do estilo de aprendizagem preferido.

Por essas e outras razões é que as neurociências da educação estão emergindo como um novo campo que, juntamente as outras áreas do saber como a psicologia do desenvolvimento e a educação, pode contribuir com a busca da promoção de um desenvolvimento pleno e saudável para as crianças na primeira infância.

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A criança de ontem
Desenvolvimento Infantil/Registros/Formação
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A criança de ontem

Será que a criança de hoje e igual a criança de ontem?

Fazendo um exercício bem rápido… a sua criança se parece com a criança que sua mamãe foi?

É, parece que as infâncias estão cada vez mais distintas e essa é uma discussão que dá pano pra manga e mexe fundo com as nossas emoções, não é verdade?

Leia: Uma viagem no tempo: as lembranças do aluno que fui

O Ser Criança

De acordo com uma importante autora da área da infância, Clarice Cohn, para que possamos nos aprofundar nesta discussão, precisamos nos desvencilhar de antigos conceitos (como a ideia da “tabula rasa”, da inocência fundante da criança, de que elas são “o futuro” e não o presente, tornando-as “pequenos adultos”) e abordar o universo da infância, compreendendo o que é ser criança e como podemos contribuir de modo a favorecer e potencializar o seu desenvolvimento nesses primeiros anos de vida.

A mudança de paradigma se dá, uma vez que passamos a invés nos anos iniciais, evitando esperar pelo que ela virá a ser. Sabemos que os primeiros anos de vida se constituem como um período de grande relevância, sendo concebidos como “janelas de oportunidade” para o desenvolvimento de todas as áreas (cognitiva, física, afetiva e socioemocional).

As experiências vividas pela criança, nesse período, marcarão para sempre a sua vida. Por tudo isto, resolvemos discutir melhor alguns aspectos relevantes sobre o “ser criança”.

Na Idade Média, a criança era vista como diferente do adulto apenas por atributos físicos, como pelo seu tamanho e/ou força, sendo concebidas como ”adultos em miniatura”.

Tão logo terminavam de mamar e começavam a andar de modo mais independente, as crianças eram inseridas no universo adulto sem qualquer distinção. Participavam do cotidiano dos adultos, de seus assuntos e, muitas vezes, de suas responsabilidades. Até suas roupas assemelhavam-se às dos adultos. Nessa época, não havia o que os autores chamam de “sentimento de infância”, caracterizado pela consciência das particularidades dessa etapa do desenvolvimento, com diferentes modos de pensar e sentir e com diferentes necessidades, que se distinguem essencialmente do universo adulto.

Rosa e Azul (alternativamente intitulada As Meninas Cahen d’Anvers) é uma célebre pintura a óleo sobre tela do artista impressionista francês Pierre-Auguste Renoir. Produzida em Paris no ano de 1881, a obra retrata as irmãs Alice e Elisabeth, filhas do banqueiro judeu Louis Raphael Cahen d’Anvers. É considerada um dos mais populares ícones da coleção do Museu de Arte de São Paulo, onde se encontra conservada desde 1952

Nesse momento sócio-histórico, a criança era vista como um contraponto do adulto, considerando o seu papel na sociedade, suas ocupações, participações e responsabilidades que eram pautadas nas responsabilidades da vida adulta.

A partir do século XVIII, com as reformas religiosas, o “sentimento de infância” começa a ser desenvolvido. A afetividade no contexto familiar ganha um maior destaque. A criança passa a ser concebida como um ser social e assume uma participação maior nas relações familiares e na sociedade, passando a ser vista como um indivíduo com características e necessidades próprias, diferenciadas do adulto.

É reconhecida como inocente, ingênua e graciosa, e ao mesmo tempo como imperfeita e incompleta. O trabalho foi gradativamente substituído pela educação escolar, que também assume um importante papel, o de “formar para o futuro”. Assim, a criança passa também a ser concebida como “um investimento futuro”, de maneira que, mais uma vez não é valorizada em suas características e necessidades atuais.

A partir de então, surgem, cada vez mais, estudiosos preocupados em compreender diferentes aspectos do desenvolvimento infantil, considerando ações pedagógicas, de saúde, privilegiando aspectos emocionais, da dinâmica familiar, bem como seu papel na sociedade.

Leia também: Mas, afinal, o que é infância?

Usar todo esse conhecimento na hora de fazer os registros vai ajudar você e seu aluno no processo ensino-aprendizagem.

Essas anotações são importantíssimas e devem ser feitas individualmente com os relatórios individuais  fica bem mais fácil acompanhar a evolução desse pequenino, não é? Então, minha dica é que você tenha frequência na escrita e indícios com fotos e vídeos em um local seguro de maneira simples.

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Mas, afinal, o que é a infância?
Registros/Identidade e autonomia
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Mas, afinal, o que é a infância?

Esta e outras perguntas relacionadas à infância normalmente promovem uma grande e profunda reflexão em nós, profissionais que lidamos com crianças, nos levando às mais variadas respostas.

O que é infância?

A infância é uma área de estudo multi disciplinar e extremamente abrangente. Diversas perspectivas podem ser adotadas para compreender este vasto universo. Portanto, é necessário recorrermos a fontes cuidadosas, baseada em estudos científicos, que nos auxiliarão a percorrer este fascinante mundo da primeira infância.

Durante muitas décadas, o conhecimento sobre o desenvolvimento infantil foi limitado, gerando uma visão restrita e/ou, enviesada da criança.

Adultos em miniatura

Por exemplo, na antiguidade, os gregos utilizavam palavras ambíguas para classificar qualquer pessoa que estivesse em um estágio entre a infância e a velhice, não havendo, portanto, uma diferenciação nas etapas do desenvolvimento infantil. Ainda, na idade média, as crianças eram consideradas “adultos em miniatura”.

Muitos teóricos acreditavam que crianças eram como uma “tábula rasa”, comparando-as a uma folha de papel em branco, que nasce sem “nada escrito” e que é “preenchida” (ou determinada) somente pelas suas experiências pós-nascimento. Essa concepção de desenvolvimento é chamada de “ambientalista”.

Há também a chamada concepção “inatista” que, ao contrário, vai defender que tudo As diferentes concepções do que é ser criança ao longo do tempo e de como o sujeito será é determinado por fatores genéticos e que, ao nascer, todas as potencialidades da criança já estão pré-determinadas. Há ainda uma terceira concepção de desenvolvimento, que hoje tende a ser mais aceita, que é a concepção interacionista ou sócio-interacionista, que considera as influencias (ambientais, sociais e biológicas) na constituição do sujeito e em seu desenvolvimento.

Assim, consideramos importantes as tendências genéticas e as características biológicas do bebê ao nascer, mas as experiências que ele viverá e as relações sociais e afetivas que estabelecerá terá um papel fundamental no curso do seu desenvolvimento, em todas as suas dimensões (cognitiva, afetiva, social e física). De acordo com os estudos da Psicologia do Desenvolvimento, a infância é um período de mudanças bio-psico-sociais que vai desde o nascimento até o ingresso na puberdade, por volta dos doze anos de idade.

É um período de profundas transformações que serão fortemente influenciadas pelas experiências que as crianças irão viver ao longo desse período. Esta mesma definição é adotada por autoridades no assunto, como a Convenção sobre os Direitos da Criança, aprovada pela ONU em 1989, e também pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A criança de ontem e o que é ser criança hoje?

As características da infância mudam com o tempo em função das diferenças sócio-culturais, econômicas e geográficas de um dado contexto histórico.

 

Portanto, a criança de hoje não é exatamente igual à do passado, nem será igual à que virá nos próximos séculos, uma vez que os contextos sócio-histórico e culturais também serão modificados.

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6 Coisas que só quem é professor de Educação Infantil entende
Carreira/Registros
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6 Coisas que só quem é professor de Educação Infantil entende

A imagem que a maioria das pessoas tem dos professores de Educação Infantil, provavelmente é bem diferente da realidade.

Nem todo mundo é  a professora Helena. Nós, professores, também erramos, somos feitos de carne e osso e muitas vezes nos irritamos com o barulho ensurdecedor das dezenas de crianças gritando e falando ao mesmo tempo e da rotina estressante, daquela bagunça da sala de aula e também podemos não nos identificar o coordenador pedagógico ou diretor da escola.

Enfim, somos humanos, mas.. acima de tudo isso nos divertimos, muito, durante o trabalho e passamos semanas planejando uma atividade e dando amor, afeto e muitos abraços nos pequenos. Independente de dias bons ou ruins o importante é que NUNCA desistimos.

Somos todos iguais!

Mesmo com diferentes tipos de professoras e professores, idades e estilos há algumas coisas que nunca mudam e para mostrar que TODO professor de Educação Infantil é igual, separei uma listinha com situações que só quem tem uma sala de aula entende.

É impossível não se identificar!

 #1- A escola não termina quando toca o sino

Isso mesmo. Segundo pesquisa do Banco Mundial gastamos, praticamente, dois meses com tarefas administrativas.

#2- Domingo é dia útil

Ora, mas é claro.. como estamos em sala de segunda a sexta, o planejamento e o semanário sempre ficam para o Domingo.

Que tal aproveitar o seu domingo para curtir com sua família? Tenho uma dica incrível para você economizar tempo. Na Eduqa.me é possível fazer um planejamento de forma bem simples e fácil. Experimente a Eduqa.me para aperfeiçoar seu trabalho na Educação Infantil.

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#3-Férias duas vezes ao ano

E quando a gente acha que a sanidade mental está correndo risco… ufa! Férias \0/ Oxigenamos a nossa cabeça, relaxamos e curtimos a família.

#4- Vivemos gliterizados e purpurinados mesmo quando não é carnaval

Mais que gliter e pupurina…vivemos fantasiados de índio, bruxas, coelhinhos, vovós, mamães e até de árvore se for preciso. E que nunca nos falte cola, tesoura e cartolina.

#5- Amamos papelaria

Como não amar?! Essa paixão é antiga e vem desde o papel de cartas.

Quem lembra?

#6- Falamos pausadamente e cantarolando “O Feliiiiiipeeeeeee, eu  já falei com você…não pedi para sentar?”

Quem nunca? Parece que quando mudamos o tom de voz e fazemos a canção a criançada escuta. Será que é impressão minha?

Esses foram alguns dos itens que consegui me lembrar, mas há muitos outros sobre nossa classe, não é verdade?

Que tal compartilhar os seus?

Referências:

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/06/professores-perdem-equivalente-2-meses-de-aulas-com-tarefas-administrativas.html

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 

 

 

Por que a Primeira Infância influencia a vida adulta (de mais formas do que você imagina)

O investimento na primeira infância gera um ciclo de desenvolvimento: se essas crianças, agora adultas, tiverem filhos, eles também terão acesso a um bom ensino, a um bom emprego, a uma remuneração alta e a uma vida mais saudável (foto: Picrolls)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Por que a Primeira Infância influencia a vida adulta (de mais formas do que você imagina)

Quem convive com crianças pequenas, como professores de Educação Infantil, sabe que, nessa fase, elas parecem aprender muito rápido. Há quem faça analogias com esponjas, dizendo que as crianças na primeira infância absorvem tudo à sua volta – e, através de pesquisas, hoje sabemos que isso não está tão longe da verdade!

O cérebro infantil não nasce pronto, idêntico ao do adulto. Até os 3 anos de idade, ele cresce e se desenvolve a uma velocidade surpreendente: é quando a criança aprende a enxergar, detectar sons, andar, falar, identificar quantidades e construir uma série de outras habilidades. Esse processo, não tão acelerado, continua até os 6 anos, época crucial para o desenvolvimento da personalidade, do caráter e das capacidades fundamentais (a “base” que permitirá que a criança, quando crescer adquira habilidades mais específicas e refinadas).

Ou seja, toda criança ou adulto é capaz de aprender algo novo e o processo sempre vai exigir repetição, tentativa e erro. A diferença é que, na primeira infância, não é necessário repetir tantas vezes – o cérebro compreende mais rápido como deve reagir a cada estímulo e logo cria uma reação padrão.

Acontece que as crianças vão aprender tanto com estímulos positivos quanto negativos. Passar por situações de carinho e acolhimento ou por momentos de estresse vão ambos influenciar a vida adulta. Ir à uma creche ou pré-escola de qualidade vai beneficiá-la, enquanto uma de baixa qualidade pode trazer prejuízos ao desenvolvimento futuro.

O vídeo abaixo, produzido pelo Center on the Developing Child (CDC) da Universidade de Harvard, tem apenas 3 minutos e explica como as experiências na infância influenciam a vida adulta – e até mesmo toda a sociedade:

Educação

Ter experiências de qualidade entre os 0 e 6 anos está relacionado ao sucesso durante toda a vida escolar. Faz sentido: os aprendizados são acumulativos, certo? Basta pensar que nenhum aluno vai conseguir resolver equações de segundo grau se ainda não aprendeu a multiplicar e dividir.

O caminho inverso também vale: os déficits que forem surgindo pelo caminho tendem a crescer e se tornar mais difíceis de superar nos anos seguintes (o que vemos com tanta frequência na educação brasileira, em que jovens entram na universidade sem conseguir interpretar textos simples ou realizar operações básicas de matemática). Corrigir essas deficiências é muito mais trabalhoso – e mais caro – do que investir em um ensino consistente desde a infância.

O aprendizado é acumulativo: as crianças precisam de uma base sólida na primeira infância para continuar aprendendo durante a vida escolar (foto: Baker.Edu)

O aprendizado é acumulativo: as crianças precisam de uma base sólida na primeira infância para continuar aprendendo durante a vida escolar (foto: Baker.Edu)

Isso vale para outras áreas, como linguagem ou mesmo competências emocionais. Funções cognitivas como a atenção, a memória, o pensamento crítico e o planejamento já estão se desenvolvendo na primeira infância, ainda que continuem se refinando na adolescência. Essas habilidades surgem quando a criança precisa controlar seus impulsos, prestar atenção ou cumprir regras. Já foi comprovado que crianças que, desde cedo, são orientadas a persistir, lidar com o fracasso e resolver problemas têm mais chances de se formar no Ensino Médio e na faculdade. O índice de evasão escolar também diminui.

Por consequência, as crianças que passam por essa educação de qualidade vão, mais provavelmente, conseguir um emprego estável e com salário mais alto do que aquelas que não tiveram a mesma oportunidade. Isso gera um ciclo de desenvolvimento: se essas crianças, agora adultas, tiverem filhos, eles também terão acesso a um bom ensino, a um bom emprego, a uma remuneração alta… E assim por diante.

Mas atenção: não basta apenas que a criança esteja matriculada em uma creche ou pré-escola. Os impactos positivos estão ligados à qualidade da educação oferecida!

Comportamento e habilidades socioemocionais

As crianças vão reagir conforme os adultos em volta: se os pais e educadores se descontrolam, elas aprendem que essa é a forma de se lidar com problemas (foto: Love, play and learn)

As crianças vão reagir conforme os adultos em volta: se os pais e educadores se descontrolam, elas aprendem que essa é a forma de se lidar com problemas (foto: Love, play and learn)

As principais características da personalidade da criança vão se formar entre os 0 e os 3 anos de idade – e as experiências mais marcantes partem dos relacionamentos que a envolvem, seja com pais, parentes, cuidadores ou professores.

Esse é o momento para apresentar valores como respeito, ética, cidadania e paz. Afinal, a criança tende a absorver essas experiências sem questionar: ao presenciar cenas de preconceito, por exemplo, ela não consegue refletir sobre a ação ser certa ou errada, simplesmente passará a repetir o que aprendeu. É muito mais difícil desconstruir preconceitos em um adolescente ou adulto do que educar a criança, desde a primeira infância, para tratar todos igualmente.

Da mesma forma, é através da interação com os adultos que ela vai aprender a lidar com conflitos e imprevistos. Quando os pais ou professores reagem com exagero ou se desesperam diante de qualquer arranhão, a criança passa também a responder com estresse a qualquer acontecimento. Ambientes em que os adultos gritam demais ou agridem um ao outro mostram que essa é a maneira correta de se conseguir o que quer.

Criar espaços de segurança, tranquilidade e afeto; tratar o fracasso como parte natural do aprendizado e apoiar as tentativas de independência da criança são determinantes para que ela aprenda a lidar de forma saudável com desafios, situações estressantes ou frustrantes. Assim, ela terá facilidade em se adaptar a diferentes ambientes.

Saúde

Crianças que crescem em ambientes seguros e saudáveis têm menos chances de desenvolver doenças crônicas como obesidade, diabetes ou depressão (foto: YMCA Calgary)

Crianças que crescem em ambientes seguros e saudáveis têm menos chances de desenvolver doenças crônicas como obesidade, diabetes ou depressão (foto: YMCA Calgary)

Os benefícios não param por aí. Crianças que recebem cuidados de qualidade desde o nascimento, seja com a família, seja na escola, ainda têm menos chances de desenvolver problemas de saúde. Esses cuidados envolvem não somente o ensino, mas a nutrição, o acompanhamento médico adequado, o afeto e a sensação de segurança.

Tendo essas oportunidades quando pequenas, elas, quando adultas, têm menor propensão a apresentar obesidade, diabetes, depressão e problemas cardíacos. As chances de se envolver com tabagismo, alcoolismo e uso de drogas pesadas também diminuem. Essas crianças tendem a viver mais e com mais qualidade de vida!

Economia, política e segurança

O ciclo “vida saudável – boas oportunidades – aumento de renda” continua trazendo benefícios. Uma primeira infância de qualidade faz com que os índices de violência e criminalidade durante a adolescência e a vida adulta despenquem. Também diminuem os casos de suicídios e homicídios, especificamente.

Além disso, crianças que têm mais oportunidades irão precisar de menos ajuda do governo para sobreviverem quando adultas (através de programas de transferência de renda como o Bolsa Família, por exemplo).

O investimento na primeira infância gera um ciclo de desenvolvimento: se essas crianças, agora adultas, tiverem filhos, eles também terão acesso a um bom ensino, a um bom emprego, a uma remuneração alta e a uma vida mais saudável (foto: Picrolls)

O investimento na primeira infância gera um ciclo de desenvolvimento: se essas crianças, agora adultas, tiverem filhos, eles também terão acesso a um bom ensino, a um bom emprego, a uma remuneração alta e a uma vida mais saudável (foto: Picrolls)

Tudo isso comprova que investir em programas de primeira infância de qualidade, em capacitação de professores, em creches e pré-escolas com a estrutura adequada não é, na verdade, um gasto extra para o governo – é uma economia.

Pesquisas americanas já provaram que, a cada dólar investido em crianças de 0 a 6 anos, o país economiza 7 dólares em assistência social, atendimento a doenças mentais, manutenção de presídios, repetência e evasão escolar. Esse mesmo um dólar investido na primeira infância economiza 15 dólares por pessoa no tratamento de doenças crônicas (como a depressão ou o vício).

Os estímulos dos pais, familiares e educadores são essenciais ao bom desenvolvimento. Contudo, não são suficientes sem um olhar cuidadoso dos nossos governantes.

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4 dicas para lidar com crianças difíceis

Crianças agressivas ou defensivas costumam estar encobrindo alguma insegurança (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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4 dicas para lidar com crianças difíceis

Este texto é uma tradução do artigo “Fresh starts for hard-to-like students”, do Edutopia. Clique aqui para conferir o original!

Ainda que alunos difíceis sejam apenas crianças reagindo a emoções que elas próprias não entendem e não conseguem controlar, permanecer calmo e não levar o mau comportamento como uma ofensa pessoal podem ser tarefas árduas para o professor. Meu conselho: é hora de recomeçar do zero.

Crianças agressivas ou defensivas costumam estar encobrindo alguma insegurança (foto: Google)

Crianças agressivas ou defensivas costumam estar encobrindo alguma insegurança (foto: Google)

 

Crianças “duronas” estão, normalmente, encobrindo algum tipo de sofrimento. Elas se defendem dessa dor erguendo paredes de proteção para evitar se sentirem rejeitadas. Entretanto, os esforços dos adultos para penetrar essas paredes costumam ser rejeitados através de linguagem, ações ou gestos ofensivos. Essas crianças são como bebês, incapazes de verbalizar a causa de seu desconforto – e que precisam desesperadamente de paciência, determinação e afeto, de professores ou familiares que se recusem a recuar. Aqui estão algumas formas de se conectar (ou reconectar) com estudantes que se fazem difíceis de gostar.

Expresse gratidão aos seus alunos difíceis

Por semanas seguidas, tente expressar algo de positivo para seus alunos difíceis todos os dias. Por mais desafiador que pareça, garanta que sua primeira interação com eles seja sempre acolhedora. Por exemplo, quando uma criança que chega constantemente atrasada e desinteressada aparecer, evite o impulso de ignorá-la ou repreendê-la. Ao invés disso, faça um comentário feliz por ela ter vindo. Por exemplo: “Eu estava esperando você chegar, que bom que veio! Bem vindo. Nós estamos corrigindo a tarefa de casa”.

Espere até que o resto da turma esteja ausente para então comentar sobre suas preocupações ou estipular consequências pelo mau comportamento. Mas faça-o de modo a demonstrar que se importa com o aluno, perguntando sobre o motivo do atraso, e não com irritação.

Use palavras de encorajamento todos os dias

Palavras de encorajamento mantém as crianças conectadas e motivadas em sala de aula. Abaixo estão dez exemplos. Encontre situações para introduzir ao menos alguns deles diariamente:

  • Isso foi muito bom!
  • Hoje, você se superou ao fazer _____________!
  • Eu fiquei muito impressionada quando você _____________.
  • Foi incrível ver você fazendo _________________.
  • Uau, você se esforçou muito nisso!
  • Você deve se orgulhar disso.
  • Essa tarefa não era fácil, mas você conseguiu.
  • Obrigada por cooperar.
  • Você me deixou muito feliz ao fazer ____________.
  • Parabéns!
Fale com seus alunos difíceis da mesma forma com que conversa com os mais comportados (foto: Google)

Fale com seus alunos difíceis da mesma forma com que conversa com os mais comportados (foto: Google)

 

Aja com seus alunos difíceis como age com seus melhores alunos

Quem é a criança mais comportada e motivada da classe? Quando você pensa nela, quais adjetivos lhe vêm em mente? Quando vocês interagem, quais comentários surgem naturalmente? Quando essa criança comete um erro, qual a sua reação? Por uma semana, tente agir da mesma forma com seus alunos mais difíceis e menos comportados.

Mande anotações positivas aos pais

Prepare um e-mail ou anotação em caderno que registre comportamentos positivos e outras conquistas da criança que você observou recentemente. Mostre o recado a ela antes de enviá-lo.

Mesmo se você não reparou em nenhum comportamento marcante, escreva uma mensagem positiva – como se a atitude que você está esperando já houvesse acontecido. Então, mostre o texto para a criança e pergunte a ela se acha que aquele é um bom momento para mandá-lo aos pais.

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Bullying na Educação Infantil: ele existe e pode ser evitado

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Bullying na Educação Infantil: ele existe e pode ser evitado

O que é bullying?

O termo bullying (da expressão “bully”, em inglês, que significa “brigão”) refere-se a comportamentos agressivos e intencionais. Além disso, são atitudes que se repetem com frequência entre as mesmas crianças – ou seja, não se aplica a um desentendimento isolado.

É importante ressaltar que é considerada bullying a agressão entre pares; ou seja, entre alunos da mesma idade ou de idades semelhantes. Brigas entre um estudante e um professor podem caracterizar outros tipos de violência, mas não bullying.

Certamente, o bullying não é uma invenção moderna – porém, apesar a de a prática sempre ter existido, ela vem recebendo mais atenção tanto da mídia quanto dos educadores na última década.

Segundo a organização não-governamental Plan International, que atua em 66 países garantindo a proteção da infância, 70% dos alunos brasileiros já sofreu bullying. A pesquisa foi feita em 2008, com 12 mil crianças de seis estados.

O mais grave é que, dentre as vítimas, quase metade não busca ajuda nem denuncia os agressores. A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), estima que 42% das crianças atingidas não falam sobre o problema nem mesmo com amigos e colegas. 

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying – até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Existe bullying na Ed. Infantil?

Existe, mas somente a partir dos 3 ou 4 anos de idade. Especialistas explicam que, antes disso, é comum que os pequenos utilizem comportamentos agressivos simplesmente por estarem em desenvolvimento e não dominarem outras formas de expressão.

Até os dois anos de idade, os pequenos estão descobrindo o mundo através dos sentidos. Já percebeu como eles levam tudo à boca? Morder um colega, portanto, não é uma atitude violenta, e sim um reflexo natural.

Mesmo que realizados intencionalmente – em uma disputa pela atenção do professor ou dos pais, na tentativa de conseguir um brinquedo, motivos de estresse comuns nessa faixa etária – outros fatores que definem o bullying não se manifestam. Afinal, não há um alvo constante e nem uma discrepância na relação de poder entre as crianças.

É claro que o adulto presente deve desencorajar a briga e mostrar formas de resolver conflitos através da linguagem; ao mesmo tempo, deve-se tomar cuidado para não supervalorizar a agressão e punir muito rigidamente os envolvidos, pois eles não compreendem que estão machucando alguém.

É apenas depois dos 3 anos que as crianças desenvolvem a socialização e o senso de “outros” – as pessoas ao seu redor não são mais todas iguais e elas começam a criar laços de amizade, formar grupos e mostrar afinidade com certos colegas. Consequentemente, é na mesma época que surgem os primeiros casos de discriminação, implicâncias e humilhações. A partir de então, elas já têm noção dos sentimentos alheios e podem ferir outras crianças intencionalmente.

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola - ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola – ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Como identificar o bullying? 

Os apelidos e xingamentos frequentes são a forma mais comum de bullying (mais da metade dos casos entra nessa categoria). Características físicas são reconhecidas e colocadas como rótulos: gordo, magro, baixinho, quatro-olhos, e assim por diante. Outras particularidades, como o atraso no desenvolvimento – quando uma das crianças não consegue realizar certas tarefas tão bem quanto seus pares -, também desencadeiam bullying. É o que acontece quando a turma repara que apenas um dos colegas não sabe comer sozinho, segurar o xixi ou amarrar os sapatos, e resolve lembrá-lo disso com frequência por meio de piadinhas.

Atente-se ainda à exclusão. As panelinhas estão se formando e certos alunos podem ficar de fora, sem chance de entrosamento. Violência física e fofocas são outras formas de bullying, mas menos comuns na Educação Infantil.

Caso as atitudes não sejam pegas em flagrante, há sinais de que uma criança pode estar sofrendo com o bullying: relutância em ir para a escola, queda de desempenho ou até mesmo regressão no aprendizado, ansiedade ou medo de ficar junto aos colegas, se manifestar ou deixar a companhia dos adultos, súbita agressividade e queda da autoestima. É bastante usual que ela não admita o acontecido justamente por se achar de alguma forma merecedora das represálias dos colegas (entenda: ela também identifica em si mesma o “problema” que está causando as implicâncias, e vê isso como justificativa).

Quais os motivos do bullying?

É essencial que o professor preste atenção e identifique essas atitudes o quanto antes. A seguir, é preciso identificar se o comportamento se qualifica mesmo como bullying ou não passa de uma fase, engatilhada por outros acontecimentos na vida pessoal das crianças (leia mais sobre o que pode causar a agressividade infantil aqui). Procure conhecer a dinâmica familiar de cada aluno – as agressões podem ser resultado de:

  • Cobranças e expectativas muito altas dos adultos em sua vida – a criança é exigida demais, colocada em muitas atividades extracurriculares, criticada com frequência e pouco elogiada. Isso pode levá-la a ter baixa autoestima, sentindo sempre ser incapaz de alcançar o que é esperado dela;
  • Falta de limites e mimos em excesso – muitas vezes, pais e mães querem compensar a ausência durante a semana com uma permissividade excessiva ou comprando presentes sempre que a criança manifesta qualquer desejo. Assim, as crianças não aprendem a lidar com limitações, frustrações ou com terem suas ideias contrariadas;
  • Problemas de desenvolvimento cognitivo ou emocional, dificuldades de relacionamento ou experiências traumáticas, como agressão ou abuso (leia sobre quando encaminhar a criança a um psicopedagogo).
Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

O que fazer?

A primeira infância é a fase ideal para ensinar a resolução saudável de conflitos em oposição à violência. A personalidade e o caráter são formados até os 6 anos de idade, portanto, é justamente antes disso que temas como respeito, cooperação e diálogo devem ser inseridos. Isso pode ser feito através de:

  • Rodas de leitura – selecione livros que falem das temáticas acima (confira aqui um projeto sobre leitura contra o bullying, da Editora do Brasil) e, após contar a história, inicie debates com a turma para que elas reflitam sobre seu significado. Faça perguntas que as ajudem a relacionar o que ouviram com situações rotineiras pelas quais passam;
  • Dramatizações – teatros, fantoches e músicas são uma ferramenta para que as crianças se expressem através de outros personagens e outras vozes. Isso lhes dá não só a segurança de falar sem ser julgada como, também, a possibilidade de observar outros pontos de vista;
  • Jogos cooperativos – ao invés de competições, priorize jogos e brincadeiras que estimulem a cooperação. Misture os grupos (evite colocar meninos de um lado e meninas do outro, alimentando a rivalidade entre os gêneros) e incentive o trabalho em equipe, elogiando e apontando os resultados positivos que eles alcançarem;
  • Atividades solidárias – promova dias para compartilhar brinquedos, dividir o lanche ou recolher doações para uma organização próxima da escola. Destaque como a solidariedade melhora a vida de todos e o que cada um fez para ajudar;

Acima de tudo, a escola precisa criar um ambiente saudável e seguro em sala de aula, dando liberdade às crianças para errar, pedir ajuda ou desabafar. Se a classe for alfabetizada, uma experiência interessante pode ser criar uma caixa de correio em que os alunos deixem mensagens sobre as situações que os incomodaram – discuta com eles se querem fazê-lo de forma anônima ou assinada, se preferem que apenas o professor leia ou se podem debater em grupo.

Sempre converse com as crianças envolvidas no bullying sem antagonizá-las. Fazê-lo pode aumentar, ainda que sem querer, a rivalidade entre as duas. É importante explicar o porquê de a atitude ser inaceitável e tentar fazer com que uma entenda a perspectiva da outra.

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Fique ligado! Continuaremos a falar mais sobre esse tema no próximo post.

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