DANÇOTERAPIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Fonte: A crítica

Atividades/Movimento/Semanários/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional
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DANÇOTERAPIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Se tem uma coisa que aprendi a observar nos últimos anos é a maneira como as pessoas se movem. E isso aconteceu a partir da minha evolução nos estudos de psicologia, educação, pedagogia, literatura e todas as demais leituras sobre autoconhecimento.

O que acontece é simples: o nosso corpo reage às nossas emoções e pensamentos!

Isso mesmo. A nossa mente produz todos os dias cerca de milhares de pensamentos diferentes e esses pensamentos estão carregados de emoções e sensações.

Agora vamos pensar sobre isso na Educação Infantil. Bom, é na Educação Infantil que as crianças estão aprendendo a se movimentar e a sentir, certo? Então imagina como entender essa combinação pode ser potente na hora de ajudar a criança a entender e expressar suas emoções.

Mas peraí, agora fiquei na dúvida…emoções ou sentimentos?

Qual a diferença entre emoção e sentimento?

Fonte: Google

Para tudo!

Escrevendo esse texto realmente fiquei na dúvida sobre qual palavra escolher. Então abri uma aba rapidinho e googlei as palavras. A diferença tá aqui ó:

Emoção é uma experiência subjetiva, associada ao temperamento, personalidade e motivação. A palavra deriva do latim emovere, onde o e- (variante de ex-) significa ‘fora’ e movere significa ‘movimento’.

Sentimento e a ação de sentir, de perceber através dos sentidos, de ser sensível. Capacidade de se deixar impressionar, de se comover; emoção. Expressão de afeição, de amizade, de amor, de carinho, de admiração.

Trocando em miúdos a emoção, geralmente, é desencadeada por algum pensamento, já o sentimento é o resultado do entendimento que fazemos dessa emoção.

Durante os últimos anos a Educação tem passado por um processo de transformação e um dos temas que todas as Escolas, pais e professores tem colocado bastante ênfase é a Educação emocional. Ora, educando as emoções e os sentimentos das crianças é muito provável que essas crianças terão êxito nas suas vidas pessoais e consequentemente oportunidades e sucesso em suas vidas profissionais.

Você ja ouviu falar de dançoterapia?

Agora vem aquela perguntinha clássica: como ajudar meu aluno a lidar com as suas emoções e sentimentos?

Fiquei intrigada com o assunto e fui entender sobre o que as Escolas tem feito para explorar corpo e mente. E foi então que descobri a Dançoterapia.

Dançaterapia é uma disciplina pedagógico-terapêutica relacionada ao movimento corporal da dança. É uma técnica que une dois campos: a dança e a psicologia.

Dançarino, coreógrafo, considerado como o maior teórico da dança do século XX e como o “pai da dança-teatro”

Nessa área destaca-se Rudolf Laban, um coreográfo que nasceu em 79 em Bratislava Hungria, e morreu em 1958.

Laban desenvolveu uma forma de Dança expressiva, tendo por principal objectivo a expressão das emoções. Ele foi um grande impulsionador do chamado movimento criativo em que o ser pode expressar na dança o que quiser sem nenhuma regra pré- estabelecida.

Sistema de análise, categorização  e notação de movimento

O sistema permite o acesso a uma linguagem  que é descrita pelos movimentos das pessoas. Esse sistema de análise e notação de movimentos baseado em quatro fatores: espaço, peso, tempo e fluxo  e também observa quais são as partes do corpo do indivíduo que move e se pergunta:

Quando se move?

Onde se move?

Como se move?

A metodologia e o seu estudos sobre o corpo tem nos ajudado a nos perceber e perceber o outro através do movimento nos mais variados setores das nossas vidas: artes, educação, psicologia, etc.

Para Laban, existe uma relação muito próxima entre corpo e mente e a forma como nos movimentamos reflete a nossa personalidade.

4 Elementos fundamentais

Fonte: Google

Para que possamos ter uma imagem visual do movimento:

Corpo: como este se organiza, suas conexões e isolamentos ou fragmentações, seus esquemas motores, seus gestos e posturas.
Esforço: enfatiza as qualidades do movimento, o ritmo dinâmico, a motivação interna/externa que aparece na escolha do movimento. Nesta categoria experimenta-se e reflete-se sobre “como” o indivíduo se move em relação a 4 fatores básicos: fluxo, peso, tempo e espaço, isoladamente e em suas múltiplas combinações.
Forma: refere-se ao corpo em suas dimensões plásticas: suas mudanças de volume, o contínuo processo de aparecimento e desaparecimento de novas formas e como este se adapta às suas necessidades internas e externas.
Espaço: situa a pessoa no mundo relacional. Esta categoria inclui explorações da esfera pessoal de movimento, explorações das tensões dimensionais, planares, diagonais ou transversas e das formas cristalinas representativas dessas articulações espaciais.

Estamos ensinando dança ou ensinando pessoas?


Esse vídeo é uma parte do Documentário sobre Rudolf Laban. O Documentário foi realizado pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação — FDE.

Para Laban,  o papel da educação é ensinar pessoas , é ajudar o ser humano, por meio da dança, a achar uma relação corporal com a totalidade da existência.

O professor deve encontrar sua própria maneira de estimular os movimentos e, posteriormente, a dança (Laban 1990)

O corpo descreve como e que aspectos do corpo (como por exemplo que partes do corpo são usadas e trabalham em conjunto ou separadamente) são usadas para executar as acções, as posturas, os gestos, ou a sequência de movimentos. Podemos observar e concluir que a gente se movimenta para satisfazer alguma necessidade, retirar prazer e satisfação de algum desejo ou algo que tenha representatividade para gente. O corpo quando dança fala sem usar palavras.

A Dança na escola contempla uma nova proposta de ensino que explora o O papel do corpo e do movimento na Educação Infantil. Diferentemente das técnicas tradicionais e passos marcados e firmes e moldados esteticamente a dança proporcionar ao aluno um contato mais íntimo e efetivo com seus sentimentos, mais ainda… a possibilidade de se expressar criativamente através do movimento.

Essa proposta se resume na busca de uma prática pedagógica mais coerente com a realidade escolar e da personalização do ensino.

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Referências:

LABAN, R. Dança Educativa Moderna São Paulo: Ícone, 1990.

LABAN, Rudolf. “Domínio do Movimento.” São Paulo: Summus Editorial, 1978.

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 

 

 

 

 

O Papel do Corpo e do Movimento para a Aprendizagem
Semanários/Movimento/Música e artes/Socioemocional
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O Papel do Corpo e do Movimento para a Aprendizagem

Quem já ouviu ou leu a seguinte frase: “Quem dança é mais feliz”??

Pois é a mais pura verdade. A dança tem uma grande contribuição no desenvolvimento cognitivo do ser humano, trazendo uma carga de sociabilidade e relacionamento enquanto pessoa no meio ambiente. Isso é muito importante quando aplicado como ferramenta da educação.

Agora vamos parar para pensar o papel da dança #NaEscola. 

Independente de ser uma instituição pública ou privada, sabe-se que muitas Escolas, contam com metodologias de ensino inovadoras, recursos e tecnologias acessíveis às crianças, projetos pedagógicos com bases internacionais de modelos produtivos em educação, enfim, a Escola evoluiu.

Mas, quando o assunto é o corpo e o movimento dentro da sala de aula, a modernidade volta à moda antiga.

É muito mais confortável para o professor quando as crianças estão imóveis e em silêncio, produzindo algo que ele supostamente acredita ser o conhecimento.

Ao falar de um corpo em movimento, automaticamente os professores de educação física são acionados. Afinal, lugar de bagunça é na quadra. Professores de educação física, não se zanguem, mas por muitos anos trabalhei com vocês e sei que a educação física é uma das disciplinas mais fantásticas e completas para o desenvolvimento da criança. Digo isso, sobre a bagunça, pois é o que muitos dos outros professores acham, por serem tomados por uma ignorância que não os permite ver o corpo como peça chave para o aprender. Por isso, nunca permita que uma criança fique sem as aulas de educação física “como um castigo” por ela não ter feito uma tarefa de matemática, por exemplo. A educação física é tão necessária quanto a matemática, e cada conflito deve ser resolvido dentro dos respectivos espaços; mas isso é outro assunto.

Voltando para o corpo, embora na educação infantil o movimento seja valorizado, há muitas práticas que colaboram com a importante crítica feita por Henri Wallon, psicólogo francês, ainda na transição do século XIX para o século XX: “Para a escola, a aprendizagem deve ser baseada naquilo que é imóvel. O movimento é visto como algo que atrapalha!”.

Wallon foi o primeiro teórico da Psicologia Genética a considerar não só o corpo da criança, mas também suas emoções como aspectos fundamentais para a aprendizagem. Sistematizou suas ideias em quatro elementos básicos que se comunicam entre si: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu. A base teórica deste autor chama a atenção para olhar a criança como um todo, um ser que é completo e não dividido por partes.

criança dançando

Ainda para Wallon o MOVIMENTO é o primeiro sinal de vida psíquica na criança. Antes mesmo de falar, ela apropria-se do seu corpo para mostrar o que quer com gestos ou outros movimentos que ilustram o que ela esta pensando naquele momento. 

Veja se você se identifica com as falas abaixo:

-Professor: Não é para tirar o brinquedo da mão do seu amigo.

– Aluno: eu só queria ver.

-Professor: Eu não te pedi para fazer o desenho por ele, mas para mostrar o seu.

-Aluno: mas é isso que estou fazendo.

As crianças pequenas tem uma dificuldade muito grande de comunicar o que pensam de uma forma diferente do gesto. Para explicar este fenômeno, Wallon diz que o  ato mental se desenvolve a partir do ato motor, isto é, gestos. A criança não consegue ver o brinquedo com os olhos, é preciso tocar para ver. A criança não consegue mostrar o seu desenho para aquele amigo que ainda não sabe desenhar,  é preciso fazer por ele.

O toque, o gesto, os movimentos e todo o afeto presente nestas relações de aprendizagem devem ser permitidos e viabilizados dentro de sala de aula.

A escola ao manter a criança imobilizada numa carteira, o que  representa a disciplina,  limita fatores  importantes para o desenvolvimento completo da pessoa, como por exemplo, a impossibilidade da articulação entre a  emoção e a inteligência.

Algumas vezes, a escola limita certas posturas corporais e gestos dos alunos, pois encara o movimento como algo que atrapalha e que não pode estar presente dentro da sala de aula, já que aprender é baseado naquilo que é imóvel, segundo a crítica feita por Henri Wallon.

A escola apela para o uso exclusivo do cérebro e isso precisa ser erradicado de vez. Não podemos nos contentar com crianças de braços atados em si mesmas como se fossem contentores dos seus próprios corpos.

A inteligência não se desprende do movimento. Quando mexemos as mãos para falar em público, quando a criança levanta da carteira ou mesmo quando copia as coisas da lousa em pé, é uma forma de libertar o movimento para que se possa pensar e se comunicar bem.

Infelizmente, muitas crianças tem sido rotuladas inadequadamente como hiperativas ou com déficits de atenção por conta da falta de formação e conhecimento da importância do movimento para a aprendizagem.

O movimento tem um papel muito significativo para todas as fases do desenvolvimento humano, mas principalmente para as crianças em idade pré-escolar que é onde tudo começa.

Vamos afastar as carteiras e deixar o movimento entrar em nossas classes?

crianças dançando

Se conseguirmos proporcionar um bom começo, ou seja, inserir a criança num mundo de aprendizagens significativas, as experiências posteriores terão chances de sucesso também.

Falar de aprendizagem significativa é falar de um aprender que foi registrado pelo corpo.  O corpo é o gravador das nossas experiências com o mundo, ele acumula estas experiências e é capaz de revivê-las a qualquer momento dependendo das situações que for exposto.

O corpo tem um papel fundamental para aprender, pois do princípio ao fim a aprendizagem passa pelo corpo. É o tal gravador que já falamos. Entretanto, vale ressaltar que não é importante apenas que o seu aluno faça bem as letras ou os números, mas que sinta prazer nas respostas que dá, pois isso é corporizar o conhecimento.

Existem muitas formas de possibilitar isso. A psicomotricidade, a dança, a música e as brincadeiras em si, são excelentes recursos adorados pelos pequenos.  A dança por exemplo é a livre expressão da criança; é a oportunidade de encontrar em si mesma as respostas para a construção de um ser humano mais seguro, autoconfiante e com uma excelente imagem de si mesmo. Colabora com a melhoria da criatividade, imaginação, autonomia e socialização.

Quando se estuda as competências do professor para ensinar no século XXI, Pilippe Perrenoud, encontramos a necessidade de serem criativos, se comunicarem melhor, saber ouvir, saber usar novas tecnologias, ter um pensamento crítico, ser colaborativo e etc. Mas, é impossível colocar estes princípios em prática quando se desconsidera o valor do corpo em sala de aula.

Vamos promover o movimento em sala? Preparei uma atividade bem divertida para você e seus alunos e deixei no Baú de Atividades Eduqa.me.

Olha só: 

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Sugestão de leitura:

  • Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento infantil. Isabel Galvão. Ed. Vozes, 1995.

A importância do Movimento no desenvolvimento psicológico da criança in Psicologia e educação da infância – antologia. Henri Wallon. Ed. Estampa.

  • DANTAS, Heloysa. A infância da razão. Uma introdução à psicologia da inteligência de Henri Wallon. São Paulo, Manole, 1990
  • GALVÃO, Izabel. Uma reflexão sobre o pensamento pedagógico de Henri Wallon. In: Cadernos Idéias, construtivismo em revista. São Paulo, F.D.E., 1993.WALLON, Henri. Psicologia. Maria José Soraia Weber e Jaqueline Nadel Brulfert (org.). São Paulo, Ática, 1986.
  • Philippe Perrenoud e Monica Gather Thurler. As competÊncias para ensinar no século XXI: formação dos professores e o desafio da avaliação. Editora Penso, 2002.

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.