O mundo da fantasia na criança – Parte I
Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Registros
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O mundo da fantasia na criança – Parte I

 O termo fantasia nas escolas de educação infantil é muito utilizado. Atribui-se a ele a representação do lúdico e dos processos imaginativos na criança. O que vamos ver neste texto, vai um pouquinho além disso.

Falaremos sobre como e para que ocorre o desenvolvimento da fantasia na criança; os amigos imaginários e a fase em que isso acontece; fatores a serem observados, com o que se preocupar e como isso procede nas crianças com deficiência: autismo, deficiência intelectual, por exemplo.

 A Fantasia

A fantasia está presente na vida da criança logo que ela nasce. A partir do momento em que o bebê se relaciona com o mundo externo, dá-se início a esta construção psíquica a partir da figura da mãe: o seu grande “objeto de desejo”.

Para o bebê, não existe separação entre o mundo interno e a realidade, é como se tudo ainda fosse um único corpo – o bebê e sua mãe (princípio do prazer). Através das frustrações que começam a acontecer após o nascimento nas relações estabelecidas com a mãe e o mundo, o bebê passa a utilizar a fantasia como um mecanismo de defesa contra estas sensações ruins, como por exemplo: a ansiedade, a espera para ser alimentado ou acalentado pela mãe, etc.

À medida em que o bebê cresce e se desenvolve, ele começa a se “descolar” da mãe e a perceber a realidade.

Entretanto, é por volta dos 4 e 6 anos de idade, quando a criança está no ápice do desenvolvimento da representação simbólica, que a fantasia é mais evidente.

A dramatização, as brincadeiras lúdicas e de faz-de-conta presentes no dia a dia da criança evidenciam a forte capacidade de trazer à tona o que não é real. Isso é extremamente necessário e importante para o seu desenvolvimento psíquico porque é desta forma que a criança entende a realidade, assimila regras sociais e também desenvolve as suas habilidades para aprender.

Esta faixa-etária, também é muito conhecida por ser a fase do aparecimento dos amigos imaginários. As crianças “criam” amigos imaginários para serem um alicerce nas suas relações com a realidade e uma forma de lidar melhor com ela.

Divertidamente: Bing Bong o amigo Imaginário

Algumas crianças dão vida aos ursos de pelúcia e bonecas; outras fingem ser um super-herói, super-heroína ou outro personagem.

Ou até mesmo cada um tem seu Bing Bong, personagem do filme da Disney Pixar, Divertida Mente. Bing Bong é o amigo imaginário de Riley em sua mente. Ele tem pele de algodão doce e é um híbrido entre um elefante um gato e um golfinho. Riley e tantas outras crianças criam um amigo só seu, dentro da sua cabeça para fazerem o seu jogo simbólico*.

*Jogo simbólico é o termo utilizado por Piaget, para se referir de forma especial às brincadeiras imaginativas da criança.

“A fantasia é o remédio mais saudável para nossa alma“

Priscila Bonvino – arte-educadora

Mais do que entender sobre a criança é preciso entender como estabelecer contato com e ela e propor atividades divertidas que desenvolvem o seu momento na Educação Infantil.

Livros de histórias, poesias e mesmo revistas podem ser prazerosos para mergulhar no mundo do imaginário. Considere, em primeiro lugar, o interesse de cada criança e use a roda de leitura para provocar esses momentos nos seus pequenos.

E não esqueça de fazer os registros eles são fundamentais para  acompanhar o desenvolvimento infantil. Com os registros online é possível compartilhar com  as famílias as informações referente a fantasia e pais e responsáveis podem compreender melhor o trabalho desenvolvido na Escola.

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No próximo post falarei sobre os amigos imaginários em  O mundo da Fantasia na criança II

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Quais são as habilidades do século 21 ? Como ensiná-las na Educação Infantil?

Ajude a turma a praticar a escuta e a empatia, para que possa trabalhar em conjunto (foto: It Starts Here)

Carreira/Práticas inovadoras/Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional/Relatórios
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Quais são as habilidades do século 21 ? Como ensiná-las na Educação Infantil?

O papel da escola está em discussão, e não é de hoje. Pelo menos desde a década de 90 os termos “educação integral” e “habilidades para o século 21” estão por aí, nas bocas de especialistas, professores e pesquisadores. Entretanto, na prática, pouca coisa mudou e a maioria das escolas ainda tem dificuldade em identificar quais seriam essas competências tão relevantes para o futuro das crianças. Acima de tudo, como o professor pode ajudar seus alunos a desenvolvê-las?

Já se sabe, por uma série de pesquisas, que a inteligência sócio-emocional está tão ligada ao sucesso quanto o conhecimento cognitivo. Traços como organização, motivação e colaboração facilitam o aprendizado de disciplinas tradicionais: crianças com essas características aprendem cerca de um terço a mais que suas colegas, em um ano letivo, tanto em matemática quanto em língua portuguesa.

A boa notícia é que essas habilidades não são inatas – elas podem ser ensinadas e estimuladas desde cedo. Esse trabalho deve começar na primeira infância, tanto em casa quanto em sala de aula. Na Educação Infantil, o professor precisa tomar cuidado ao adaptar as atividades para essa faixa etária, sem manter uma cabeça focada em divisão de matérias e avaliações, típicas das séries mais avançadas. Exercícios práticos e lúdicos são fundamentais!

Mas, afinal, quais são essas habilidades para o século 21 e como o professor pode cultivá-las na prática? Elas estão divididas em três grupos:

Competências cognitivas

Muito além de memorizar: as crianças devem aprender a utilizar seus conhecimentos de forma prática, na vida real (foto: Effort Christian Schools)

Muito além de memorizar: as crianças devem aprender a utilizar seus conhecimentos de forma prática, na vida real (foto: Effort Christian Schools)

Essas são as competências tradicionalmente estimuladas na escola: o aprendizado formal, a memória e o pensamento crítico. A diferença é que, cada vez mais, é importante que o professor fuja da decoreba e mostre às crianças como entender, interpretar, filtrar e selecionar informações – afinal, basta um clique no Google para que elas sejam inundadas de conteúdo, nem sempre de qualidade.

Outra necessidade é transferir o conhecimento da sala de aula para situações reais e usá-lo na solução de problemas. Não adianta nada decorar fórmulas se elas não têm uma aplicação na vida dos estudantes – isso torna o ensino irrelevante, distante e chato.

O lado positivo é que a Educação Infantil já costuma realizar esse trabalho, constantemente conectando o conteúdo curricular com a rotina das crianças. Por outro lado, em muitas escolas, essa abordagem vai se perdendo conforme os alunos caminham para o Ensino Fundamental e Médio.

Como aplicar:

  • Sempre faça uso de exemplos práticos, conhecidos pelas crianças. Cite diversos casos e permita que a turma também faça sugestões;
  • Encoraje perguntas e não tenha medo de aprofundar o tema quando a classe se mostrar interessada. Preserve um ambiente em que os alunos se sintam confortáveis para expor seu conhecimento;
  • Reconheça os vários tipos de aprendizado e trabalhe para acolher todos eles. Use imagens, música, movimento de acordo com a necessidade das crianças;
  • Lance desafios: por que não tentar um mutirão de limpeza na escola ao estudar sobre a reciclagem? Ou propor a construção de uma ponte com peças de Lego? Quem sabe um sarau sobre o último livro lido com a turma? Essas situações são uma ótima oportunidade para transferir a teoria para a prática!

Competências interpessoais

Ajude a turma a praticar a escuta e a empatia, para que possa trabalhar em conjunto (foto: It Starts Here)

Ajude a turma a praticar a escuta e a empatia, para que as crianças possam trabalhar em conjunto (foto: It Starts Here)

Nessa categoria estão as capacidades de sentir empatia, compreender os outros (sejam eles colegas, familiares ou professores), relacionar-se e trabalhar em grupo. A colaboração e a solução de problemas em conjunto, compartilhando ideias, é uma exigência do século 21.

A gestão de conflitos também entra aqui. Desde a Educação Infantil, as crianças devem aprender a estabelecer diálogos para resolver seus problemas, ouvindo as opiniões externas e sabendo explicar pontos de vista. Parece complexo para sua turminha de 3 ou 4 anos? Calma – essas habilidades serão aperfeiçoadas ao longo de toda a vida. Mas há maneiras de começar já.

Como aplicar:

  • Proponha atividades em grupo ou dupla, sejam elas jogos, tarefas de casa ou projetos que possibilitem às crianças criar algo em conjunto, discutindo ideias sobre um mesmo assunto;
  • Organize tutorias, em que alunos que se saem melhor em um determinado tema ajudem os colegas (depois, procure valorizar aqueles com dificuldade pedindo que eles também ensinem algo em que são bons);
  • Faça rodas de conversa e pratique ouvir e compreender as falas dos colegas, criando momentos em que as crianças possam elogiar ou sugerir soluções umas às outras;
  • Procure não interferir em pequenos conflitos – enquanto for possível, apenas observe e deixe que os pequenos resolvam suas divergências entre si;
  • Abrace projetos: por que não pedir às crianças que escrevam cartinhas ou façam desenhos para outra classe (ou ainda uma turma de outra escola)?

Competências intrapessoais

Dar às crianças ferramentas para lidar com as próprias emoções é um aprendizado valioso para futuros desafios (foto: Meditate in West Lake)

Dar às crianças ferramentas para lidar com as próprias emoções é um aprendizado valioso para futuros desafios (foto: Meditate in West Lake)

Trata-se de ensinar as crianças a entender e controlar as próprias emoções, lidando com elas de maneira calma e sábia. Com isso, elas saberão se manter motivadas, reconhecerão o valor do esforço para atingir seus objetivos e não terão medo do fracasso, vendo-o como uma parte natural do aprendizado. Além disso, implica na habilidade de autoavaliação, em que os alunos percebem seus pontos fortes e fracos e encontram formas de trabalhá-los a seu favor.

Deu para perceber que são competências importantes? Com certeza. No restante da jornada acadêmica, assim como em toda a vida adulta, ter competências emocionais bem desenvolvidas vai ajudar a superar desafios tranquilamente. Também é fundamental para uma vida saudável, com menos estresse e frustrações.

Como aplicar:

  • Dê oportunidade às crianças para lidar com sua raiva e frustrações, mostrando caminhos não violentos;
  • Estimule um ambiente de livre expressão, em que a turma se sinta confortável e acolhida, sem medo de errar;
  • Valorize tentativas, esforço e dedicação em vez de apenas talento;
  • Ajude a classe a definir metas pessoais – o que querem aprender e como farão isso;
  • Discuta o aprendizado adquirido pedindo que as crianças falem sobre suas experiências, como aprenderam, o que acharam fácil ou difícil na atividade.

Competências da Nova Escola

No vídeo abaixo, feito pelo Instituto Ayrton Senna, educadores conversam sobre as tendências para a escola do século 21. São apenas dois minutinhos!

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Habilidades sociais na Educação Infantil importam mais que notas altas, diz pesquisa

Crianças que demonstram empatia e generosidade tendem a ser adultos bem sucedidos (foto: Linkedin)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Habilidades sociais na Educação Infantil importam mais que notas altas, diz pesquisa

Pesquisadores estudaram o comportamento de crianças pré-escolares e as procuraram 19 anos depois. Aqui está o que eles descobriram.

Todo pai quer ver seus filhos tirando boas notas na escola – mas, agora, nós sabemos que o sucesso social é tão importante quanto elas. Desde cedo, somos levados a acreditar que os resultados de nossas provas são a chave para tudo: ir para a faculdade, conseguir um emprego e encontrar aquele caminho de felicidade e prosperidade para toda a vida.

Esse conceito pode causar muito estresse.

Contudo, um novo estudo (leia a pesquisa completa aqui, em inglês) mostra que, quando crianças aprendem a interagir efetivamente com seus pares e controlar suas emoções, isso tem um impacto enorme em suas vidas adultas. E, ainda segundo a pesquisa, os alunos deveriam gastar mais tempo desenvolvendo essas habilidades na escola.

Pesquisadores mediram as habilidades sociais de 800 crianças em idade pré-escolar em 1991. Duas décadas depois, eles as procuraram para verificar como elas tinham se saído.

Os professores desses alunos os avaliaram com a chamada Escala de Competência Social (ou Social Competence Scale), classificando sentenças como “A criança é boa em entender os sentimentos alheios” com as alternativas “Nem um pouco/Um pouco/Moderadamente bem/Bem/Muito bem”.

A equipe usou essas respostas para atribuir a cada criança uma nota em competência social, e, então, guardaram esses resultados por cerca de 19 anos – ou até cada uma das crianças completar 25 anos. À essa altura, eles já haviam reunido uma série de informações básicas e criado estatísticas para analisar se a desenvoltura social na primeira infância possuía mesmo algum valor que poderia ser previsto.

O que eles descobriram:

Boas notas são relevantes - mas como a criança atingiu a nota (esforço, estudo, concentração) é mais importante (foto: Huffpost)

Boas notas são relevantes – mas como a criança atingiu a nota (esforço, estudo, concentração) é mais importante (foto: Huffpost)

Boas notas em provas? Elas importam, mas não pelas razões em que acreditamos.

A crença tradicional afirma que, se uma criança conquista boas notas em avaliações, ela deve ser muito inteligente. Certo? Afinal, há uma relação comprovada entre ter notas altas no Ensino Médio e receber um salário maior como profissional.

Porém, o que o resultado da prova não explicita é o quanto a criança trabalhou por ele: quantas vezes estudou com um colega para solucionar um problema, quantas vezes foi ao professor para pedir ajuda ou resistiu à vontade de assistir TV para se preparar para a escola. Os pesquisadores por trás do estudo afirmaram que “sucesso na escola envolve ambas as inteligências emocional e cognitiva, porque as interações, a atenção e a força de vontade afetam a disposição para aprender”.

Em outras palavras, enquanto algumas poucas crianças talvez sejam simplesmente brilhantes, a maioria necessita de mais do que apenas inteligência para alcançar o sucesso. Talvez a escola deva se preocupar mais em desenvolver os aspectos sociais do aprendizado.

Crianças que demonstram empatia e generosidade tendem a ser adultos bem sucedidos (foto: Linkedin)

Crianças que demonstram empatia e generosidade tendem a ser adultos bem sucedidos (foto: Linkedin)

Habilidades como dividir e cooperar são vantajosas na vida adulta.

Nós sabemos que é preciso olhar além de notas em provas obrigatórias para compreender quais crianças estão no caminho certo. Por esse motivo, a equipe se voltou completamente para aquela Escala de Competência Social. As conclusões não foram tão surpreendentes: crianças que se relacionavam bem com os colegas, lidavam melhor com emoções e eram capazes de resolver problemas com facilidade apresentaram mais sucesso no futuro.

Realmente inesperada foi a força dessa correlação: o aumento de um único ponto na avaliação de Competência Social mostrou que a criança teria 54% mais chance de conquistar um diploma de Ensino Médio. Ela também teria duas vezes mais probabilidade de se formar na faculdade e 46% mais chance de possuir um emprego estável aos 25 anos.

Crianças que estavam constantemente quebrando e roubando brinquedos ou tendo crises de raiva mostraram maior predisposição a desrespeitar leis e se envolver com substâncias ilícitas. Ainda assim, o estudo não pôde atestar com certeza se habilidades sociais mais ou menos apuradas podem causar diretamente qualquer desses problemas.

Comportamentos podem ser aprendidos ou superados – o que significa que nunca é tarde para mudar.

Os pesquisadores denominaram comportamentos como a cooperação e a generosidade “maleáveis”, ou mutáveis. Embora haja diferenças físicas em nossos cérebros (que tornam o aprendizado mais fácil para algumas pessoas do que outras) qualquer criança ou adulto pode praticar como resolver impasses com seus pares.

Além disso, para muitos alunos, esses comportamentos são herdados dos pais e outros adultos relevantes com quem eles convivam. Quanto mais você for capaz de demonstrar traços positivos como acolhimento e empatia, melhor seus filhos vão se desenvolver – e isso inclui atitudes simples, como parar de gritar no trânsito, por exemplo.

É possível ensinar crianças e adultos a lidar tranquilamente com suas emoções - essas habilidades são maleáveis (foto: Mind Shift)

É possível ensinar crianças e adultos a lidar tranquilamente com suas emoções – essas habilidades são maleáveis (foto: Mind Shift)

Mas o que isso significa?

Os próprios pesquisadores admitem que o estudo tem suas falhas: ainda que eles tenha se esforçado para controlar fatores externos, sua base se apoia no julgamento dos professores pré-escolares, e em como eles analisaram o desempenho social de sua turma.

Ainda assim, a pesquisa de 19 anos mostra claramente que o comportamento social importa desde a infância. Como essas habilidades podem ser aprendidas, devem ser trabalhadas como forma de prevenção e intervenção.

A conclusão é que a escola precisa fazer mais do que apenas despejar conteúdo sobre as crianças – mas sim investir em ensiná-las a se relacionar umas com as outras e a lidar com seus sentimentos. Ignorar habilidades sociais pode ter implicações graves por toda a vida.

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Esse artigo é uma tradução de “Researchers studied kindergartener’s behavior and followed up 19 years later. Here are the findings” do Upworthy. Leia o original aqui.

Por que usar estímulos musicais na primeira infância?

A musicalização infantil ajuda a desenvolver a oralidade e propicia um momento de prazer para as crianças - aula pode ser feita a partir dos 8 meses (foto: Radar da Primeira Infância)

Registros/Música e artes
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Por que usar estímulos musicais na primeira infância?

Entrevistamos a professora de música Débora Munhoz Barboni, que nos falou um pouco sobre a importância dos estímulos musicais na primeira infância. Veja que legal!

Débora, sabemos que a música interessa a todos, inclusive aos bebês. Quais os benefícios dos estímulos musicais na primeira infância?

Pesquisas e estudos científicos nos mostram que crianças que crescem em ambientes ricos em estímulos de qualidade desenvolvem o cérebro mais rapidamente. Hoje, sabemos que atividades estimulantes podem produzir mudanças na estrutura cerebral, principalmente nos primeiros 6 anos de vida. A música interessa à criança desde bem pequena, por isso, deve ser utilizada para estimulá-la. Mas para que o bebê usufrua dos benefícios, é necessário que ele vivencie brincadeiras específicas à faixa etária, além de um espaço seguro e arejado, material sonoro rico e, ao mesmo tempo, próprio para ser manipulado.

A musicalização infantil ajuda a desenvolver a oralidade e propicia um momento de prazer para as crianças - aula pode ser feita a partir dos 8 meses (foto: Radar da Primeira Infância)

A musicalização infantil ajuda a desenvolver a oralidade e propicia um momento de prazer para as crianças – aula pode ser feita a partir dos 8 meses (foto: Radar da Primeira Infância)

Como são as aulas de música para crianças na primeira infância (0 a 5 anos)?

As aulas para esta faixa etária são chamadas de musicalização infantil: elas podem ser iniciadas a partir dos 8 meses de idade, quando a criança já senta sem apoio, e devem ser acompanhadas por um familiar. As crianças são estimuladas por atividades variadas envolvendo sons, canções, histórias, danças, brincadeiras de roda, de mãos, tocando e explorando instrumentos musicais. Tudo em um espaço de sensibilização, onde ela poderá construir seu próprio conhecimento e vivenciar os elementos musicais através de práticas e reflexões musicais. As aulas geralmente duram de 30 a 45 minutos e os pais podem participar – o que é maravilhoso, pois as brincadeiras das aulas poderão ser repetidas e praticadas em casa, contribuindo muito para o desenvolvimento da criança, além de aumentar o vínculo afetivo entre pais e filhos.

Como a música pode ajudar no desenvolvimento da oralidade (fala) nas crianças?

A música é uma das ferramentas mais poderosas para desenvolver a fala, pois existem músicas para todas as faixas etárias e para trabalhar qualquer conteúdo. As crianças geralmente sentem muito prazer com a música, seja cantando, falando, dançando ou tocando instrumentos musicais. Através das canções, a criança melhora a pronúncia e sua percepção auditiva, tanto para escutar como para diferenciar sons, o que auxiliará o desenvolvimento da oralidade.

A música é uma ferramenta poderosa para a socialização de crianças autistas (foto: The Rhythm Tree)

A música é uma ferramenta poderosa para a socialização e aprendizado de crianças autistas (foto: The Rhythm Tree)

Sabemos que técnicas de musicoterapia são muito utilizadas em crianças autistas. Como são estas aulas?

Nas aulas de música para autistas, as atividades são diversificadas e com metas bem definidas. Os exercícios são lúdicos, com diversos objetivos: socializar a criança (através de brincadeiras de roda, brincadeiras em dupla onde o contato visual é estimulado e valorizado), desenvolver sua psicomotricidade (através de jogos psicomotores e pedagógicos, canções utilizando sons do corpo, manuseando instrumentos musicais), a linguagem (através de jogos cênicos, contação e organização de histórias cantadas com figuras associadas, jogos de tabuleiro), dentre outros. Brincando, a criança associa gestos e movimentos a conceitos musicais mais abstratos, aprende regras sociais, aumenta sua expressividade e descobre o mundo de forma agradável. Além disso, descobrimos, através das brincadeiras, os interesses e necessidades individuais da criança; isso é de suma importância pois, através dessas descobertas, as pessoas que interagem com o autista poderão utilizar tais interesses como temas para desenvolver conteúdos específicos.

Quais os benefícios da música a longo prazo para o ser humano?

Quem vivencia música desde pequeno, por meio de experiências de qualidade, torna-se um adulto mais seletivo, com maior discernimento para escolher seu repertório musical. Isso é muito importante porque cada música faz parte de uma cultura que pode influenciar no comportamento e na vida das pessoas. Além disso, ela poderá utilizar essa linguagem de forma saudável para descarregar o estresse do dia a dia. A neurociência traz estudos comprovando o poder da música no desenvolvimento integral da criança. A música faz bem para qualquer idade, então, é bom que comecemos desde cedo, brincando e aprendendo, contribuindo assim para que a criança, além de desenvolver-se globalmente, tenha uma vida mais plena e feliz.

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Prof. Débora Munhoz Barboni – professora, possui formação em Música e Arte e pós-graduação em Psicopedagogia e Educação Infantil. É professora de música no Colégio Visconde de Porto Seguro. Ela também é mãe da Ana Beatriz, de 6 anos, e dá aula de música para ela, desde os 9 meses de idade. Conheça sua página no Facebook, Cantinho Musical!

Fonte: Mamãe na Rede

7 formas de estimular a criatividade na infância

A criatividade não está ligada apenas a atividades artísticas. O pensamento criativo ajuda na ciência, matemática e desenvolvimento social (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Desenvolvimento cognitivo/Socioemocional
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7 formas de estimular a criatividade na infância

Muitas pessoas assumem que a criatividade é um talento inato, que as crianças simplesmente têm ou não têm: assim como nem todas as pessoas são igualmente inteligentes, tampouco são igualmente criativas. Entretanto, na verdade, a criatividade é mais uma habilidade do que um talento imutável, e pode ser desenvolvida com a ajuda de pais e professores.

A criatividade é parte do caminho para o sucesso em praticamente qualquer empreitada e, por isso, um elemento chave para uma vida feliz e saudável – portanto, uma habilidade que precisa ser praticada com as crianças. Criatividade não se limita à expressão artística e musical; ela é essencial para a ciência, a matemática e mesmo para a inteligência social e emocional. Indivíduos criativos são mais flexíveis e demonstram facilidade ao resolver problemas, o que os torna mais aptos a se ajustar, por exemplo, a novas tecnologias, e a lidar com mudanças – assim como a aproveitar ao máximo novas oportunidades!

A criatividade não está ligada apenas a atividades artísticas. O pensamento criativo ajuda na ciência, matemática e desenvolvimento social (foto: Google)

A criatividade não está ligada apenas a atividades artísticas. O pensamento criativo ajuda na ciência, matemática e desenvolvimento social (foto: Google)

Muitos pesquisadores acreditam que nós mudamos a experiência da infância tão profundamente que impedimos o desenvolvimento da criatividade. Empresas de brinquedos e entretenimento alimentam os pequenos com um número sem fim de personagens pré-fabricados, imagens, peças e roteiros que fazem com que a criança deixe a imaginação de lado. Elas não precisam mais imaginar que um cabo de vassoura é uma espada: eles podem brincar de Star Wars com um sabre de luz igual ao dos filmes, vestidos em fantasias específicas para cada papel que estão interpretando.

Aqui estão algumas ideias para cultivar a criatividade nas crianças (seja como família ou na escola):

#1 Disponha os recursos necessários para a expressão criativa

O recurso essencial, aqui, é o tempo. As crianças precisam de muito tempo para brincadeiras desestruturadas, lúdicas e criativas. Permita que elas brinquem sem o direcionamento dos adultos e sem influência de produtos comerciais.

O espaço também é um recurso valioso. A não ser que você não ligue para a bagunça em qualquer lugar da casa (o que, provavelmente, não é o caso), dê a elas um local específico aonde possam bagunçar, explorar fantasias ou construir com Lego – leia mais sobre 12 atividades criativas com Lego.

Da próxima vez que alguém pedir sugestões de presente para seus filhos, peça coisas como material artístico, câmeras baratas, peças de roupa para fantasias, blocos para montar. Organize esse conteúdo em caixas ou prateleiras baixas, que possam ser manuseadas por crianças pequenas sem ajuda.

Defina espaços onde as crianças podem brincar e se expressar livremente - quando elas estiverem lá, tente não se importar muito com a bagunça (foto: Google)

Defina espaços onde as crianças podem brincar e se expressar livremente – quando elas estiverem lá, tente não se importar muito com a bagunça (foto: Google)

#2 Torne sua casa (ou sala de aula) um lugar de cultivo à criatividade

Além do espaço adequado, você precisa de uma atmosfera criativa. Peça sugestões e ideias às crianças sempre que possível, e resista ao impulso de avaliá-las. Ao planejar um passeio, por exemplo, instigue-as a listar coisas que nunca tenham feito antes e que gostariam de fazer. Não corte imediatamente as ideias impossíveis de se realizar, nem decida quais são as melhores. O foco da atividade é o processo de gerar novas ideias.

Encoraje os pequenos a cometer erros e falhar. Crianças com medo de errar ou de serem julgadas vão podando seu pensamento criativo. Compartilhe com eles erros que você mesmo cometeu recentemente para que vejam que não há problema em estar enganado. Rir de si mesmo após um escorregão é um hábito saudável.

Por outro lado, celebre inovação e criatividade. Cubra as paredes com arte e outras evidências de expressão criativa. Conte às crianças sobre seus artistas favoritos, músicos e cientistas de que goste. Divida histórias sobre arquitetura, fotografia ou novas bandas que você descobriu. Abrace novas tecnologias e redes sociais para que elas aprendam a ver a mudança como empolgante, e não assustadora.

#3 Permita que as crianças tenham autonomia e liberdade para explorar ideias e tomar decisões

Pare de viver com medo de que as crianças sejam sequestradas ou não entrem na melhor universidade do país. Estatisticamente, as chances de que seus filhos sejam sequestrados é mínima – e a vida de ninguém é mais feliz apenas por ter frequentado uma universidade de ponta.

Limites muito rígidos (como obrigar um aluno de 3 anos a colorir dentro das linhas o tempo todo) podem reduzir a flexibilidade de pensamento. Ao invés de mostrar à turma como montar um modelo, deixe que ela descubra como executar a tarefa da melhor maneira.

Proponha diálogos, peça opiniões e realmente escute o que as crianças têm a dizer (foto: Google)

Proponha diálogos, peça opiniões e realmente escute o que as crianças têm a dizer (foto: Google)

#4 Encoraje a leitura por prazer e a participação em atividades artísticas

Limite o tempo da televisão. Desligue os aparelhos eletrônicos mais cedo para criar momentos para a criatividade. Elaborem e ensaiem peças de teatro, aprendam a desenhar ou leiam todos os livros de uma coleção divertida.

#5 Aceite que as crianças tenham opiniões divergentes

Deixe-as discordar de você. Estimule a busca por novos caminhos para atingir uma solução, ou várias soluções para um mesmo problema. Quando elas resolverem um desafio, peça que o façam novamente, mas de outra maneira.

#6 Não ofereça prêmios

Esse tipo de incentivo interfere no processo, reduzindo a qualidade das respostas das crianças e sua originalidade. Deixe que os pequenos gastem mais tempo e dominem atividades criativas pelas quais eles realmente se interessam, ao invés de tentar atraí-los com recompensas. Ao invés de comprar um sorvete para a criança por praticar o piano, permita que ela escolha uma tarefa de que goste mais: sentar-se para desenhar, por exemplo, ou entrar em uma aula de ciências na escola.

#7 Valorize o processo e não o produto final

Faça isso mudando o tom da conversa com seus filhos ou alunos. Não pergunte imediatamente pelas notas no boletim – questione-os sobre a atividade. Eles se divertiram? De que mais gostaram durante o exercício? Já terminaram ou ainda há algo por fazer? Como planejam fazer isso?

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(Esse texto é uma tradução do artigo “7 Ways to Foster Creativity in your Kids”, do Greater Good. Leia o original aqui).

Por que tantas crianças estão estressadas?

Cali Farmer, 4, (L) cries as she hugs her mother Netta Farmer at California Institute for Women state prison in Chino, California May 5, 2012. An annual Mother's Day event, Get On The Bus, brings children in California to visit their mothers in prison. Sixty percent of parents in state prison report being held over 100 miles (161 km) from their children. Picture taken May 5, 2012 REUTERS/Lucy Nicholson (UNITED STATES - Tags: CRIME LAW SOCIETY TPX IMAGES OF THE DAY) ATTENTION EDITORS PICTURE 23 28 FOR PACKAGE 'MO R'S BEHIND BARS'

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Por que tantas crianças estão estressadas?

Estresse não é exclusividade dos adultos – a diferença é que, na primeira infância (dos 0 aos 6 anos), ele pode causar danos permanentes ao desenvolvimento. Como o cérebro do bebê está mudando rapidamente, realizando muito mais conexões neuronais que um cérebro adulto, a criança atravessa um período vulnerável. Nessa etapa, experiências traumáticas têm grandes chances de gerar mudanças irreversíveis.

Como isso acontece?

A produção constante de hormônios do estresse afeta o sistema imunológico, reduzindo a resistência do organismo contra infecções e doenças contagiosas.

As áreas sócio-emocionais e de aprendizado também são afetadas, e a criança pode começar a apresentar comportamentos impulsivos (como bater em um colega ou reagir exageradamente a um problema), já que sua capacidade de regular emoções fica alterada.

Crianças estressadas podem ser confundidas com malcriadas ou "birrentas". É melhor prestar atenção no que desencadeia essas crises (foto: Google)

Crianças estressadas podem ser confundidas com malcriadas ou “birrentas”. É melhor prestar atenção no que desencadeia essas crises (foto: Google)

No longo prazo, esses meninos e meninas estressados se tornam adultos com respostas ruins ao estresse diário. O corpo passa a liberar hormônios do estresse (que preparam o organismo para lidar com um obstáculo, acelerando batimentos cardíacos, liberando adrenalina e deixando a pessoa em estado de alerta) muito cedo, em situações inofensivas, ou, ainda, permanecer em alerta por mais tempo do que o necessário.

Os sintomas do estresse infantil podem se manifestar tanto no físico quanto no psicológico da criança:

Sintomas físicos

• dor de barriga

• diarréia

• tique nervoso

• dor de cabeça

• náuseas

• hiperatividade

• enureses noturna

• gagueira

• tensão muscular

• ranger de dentes

• falta de apetite

• mãos frias e suadas

Sintomas psicológicos

• terror noturno

• introversão súbita

• medo ou choro excessivo

• agressividade

• impaciência

• pesadelos

• ansiedade

• dificuldades interpessoais

• desobediência

• insegurança

• hipersensibilidade

Contudo, um sintoma isolado não é garantia de que a criança esteja sofrendo estresse – ele deve servir apenas como aviso para familiares e educadores, que, a partir de então, precisam prestar atenção no comportamento dela em todos os ambientes que frequenta, verificando se outros sinais se manifestam. “Um dos grandes desafios é que os pais, os adultos presentes na vida dessa criança, estão muito ocupados para notas os estágios mais iniciais da mudança de comportamento”, a presidente da International Stress Management Association (ISMA-BR), Ana Maria Rossi, explicou à Revista Educar para Crescer. “Começam a notar quando já existe um problema, e não mais um indicador”.

Ficar atento às mudanças que ocorrem na vida dessa criança ajudam a identificar os momentos de estresse que ela pode estar enfrentando. As principais fontes de estresse na infância são:

Críticas e desaprovações constantes

Quando os adultos ao seu redor não equilibram críticas e reclamações com encorajamento e elogios, a criança se sente incapaz de atingir as expectativas e vive sob pressão. De acordo com uma pesquisa recente da ISMA, que analisou 220 crianças brasileiras entre 7 e 12 anos, essa é a causa de 63% dos casos de estresses infantil.

O ambiente familiar interfere na forma como a criança lida com estresse. Crianças muito criticadas ou que presenciam brigas e violência entre os pais podem ter problemas de desenvolvimento (foto: Google)

O ambiente familiar interfere na forma como a criança lida com estresse. Crianças muito criticadas ou que presenciam brigas e violência entre os pais podem ter problemas de desenvolvimento (foto: Google)

Atividades em excesso

Aulas de inglês, natação, balé, futebol, reforço escolar, piano, xadrez… Crianças sobrecarregadas não têm tempo para descansar e brincar, momentos essenciais no processo de aprendizagem.

Ainda que os pais acreditem estar preparando os filhos para um futuro profissional bem sucedido, atividades extracurriculares em demasia foram citadas por 56% das crianças entrevistadas durante a pesquisa.

Bullying

Atos de violência entre colegas foi apontado por 41% dos entrevistados como fator de estresse. Inclusive, os sintomas físicos listados acima podem surgir como uma fuga para a criança, que busca motivos para evitar seus agressores (faltando aula ou evitando outros ambientes sociais em que esteja sendo alvo de bullying).

Especialistas concordam que casos de bullying se intensificam no Ensino Fundamental e Médio, mas há sinais de alerta que podem ser observados desde a Educação Infantil.

Falta de rotina

Crianças exigem estabilidade para se desenvolver plenamente. Hora de dormir, de fazer as refeições e de tomar banho provém segurança. O mesmo ocorre em sala de aula: professores de creches e pré-escolas são instruídos a seguir rotinas (música na chegada, hora da história, recreio, escovação de dentes e assim por diante) que fazem com que os alunos se sintam confortáveis no ambiente escolar.

É comum que a própria turma cobre a organização do professor se, por acaso, ele inverter a ordem das atividades – isso porque não saber o que irá acontecer durante o dia é gatilho para o estresse.

Superproteção

Apoiar os pequenos em situações de estresse é positivo, mas tentar abolir qualquer evento levemente desafiador cria adultos incapazes de lidar com os próprios problemas. Fora de casa, a criança certamente será exposta a dificuldades e, então, não terá o amparo para enfrentá-las por conta própria.

Traumas e violência casos mais graves, como violência física e explosões de raiva, provocam sentimentos de medo, raiva e estresse. Situações traumáticas como a perda de um amigo ou membro da família também são desgastantes tanto para crianças quanto para gente grande.

A criança precisa de momentos de afeto que a ajudem a sair do momento de estresse: colo e abraços funcionam para acalmá-la (foto: Google)

A criança precisa de momentos de afeto que a ajudem a sair do momento de estresse: colo e abraços funcionam para acalmá-la (foto: Google)

O que fazer?

Não é possível eliminar do universo da criança todas as origens do estresse – e isso tampouco é indicado. Afinal, esse é um momento de aprendizado que irá moldá-la para a vida adulta. O que deve ser evitado é que um momento de estresse seja prolongado, criando efeitos permanentes no organismo.

Pais e professores têm um papel fundamental ao impedir que a reação ao estresse se perpetue. Eles são os “adultos apoiadores”, responsáveis por transmitir uma sensação de segurança e ajudá-la a enfrentar o problema. Manifestações de afeto, como colo, carinho e abraços, fazem parte desse trabalho e são chamados de apego seguro.

A criança que conta com esse sistema de apoio reage melhor ao estresse e é capaz de lidar com eventos difíceis por conta própria quando deixa sua casa. Além disso, desenvolve mais autoconfiança e habilidades de interação social – podendo criar suas próprias redes de suporte no futuro.

É importante que os adultos responsáveis saibam distinguir o estresse negativo do positivo, e compreendam quando sua interferência é necessária. O estresse positivo é uma fase de alerta inicial que ocorre quando a criança é apresentada a um desafio. Ela produz mais adrenalina, que lhe dá ânimo, energia e criatividade para resolver o problema. Esse é um momento altamente produtivo, em que ela sequer sente necessidade de descansar – mas, por isso mesmo, não deve se manter por muitas horas.

Quando a criança ultrapassa seus limites de adaptação, o estresse se tornou excessivo. Esse é o estresse negativo, que a deixa esgotada, desmotivada e prejudica seu desenvolvimento pessoal e escolar – justamente quando família e educadores devem intervir.

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Motricidade: separando sementes

Quando menores as sementes e frutas selecionadas pelo professor, mais complexo será o movimento das crianças para manuseá-las (foto: Google)

Atividades/Movimento/Registros/Rotina pedagógica
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Motricidade: separando sementes

Durante a primeira infância, as crianças desenvolvem dois aspectos da motricidade, a motricidade ampla e a fina. A ampla abrange movimentos “grandes”: engatinhar, andar, pular, correr. Já a fina trabalha com ações menores e mais precisas, envolvendo as mãos e pontas dos dedos. Um exemplo é o famoso movimento de pinça (quando ela consegue segurar um objeto entre os dedos polegar e indicador).

O DESENVOLVIMENTO MOTOR NA PRIMEIRA INFÂNCIA: O QUE É PRECISO SABER.

Ambas essas habilidades vão ser exercitadas simultaneamente durante toda a Educação Infantil e são um preparo para desafios futuros, como segurar lápis e começar a desenhar as primeiras letras. Desenvolver a coordenação motora dá à criança uma sensação de controle sobre o ambiente, já que, a partir de então, ela terá destreza para manusear materiais.

Porém, enquanto atividades de motricidade ampla surgem quase que naturalmente, em jogos, brincadeiras e na rotina diária, trabalhar a fina requer uma diversidade de materiais.

Atividade Separando Sementes

Os professores podem introduzir massa de modelar, argila, peças de Lego ou blocos, livros e revistas para que ela possa folhear as páginas, jogos eletrônicos em iPads ou computadores, bolinhas de gude ou sementes.

Quando menores as sementes e frutas selecionadas pelo professor, mais complexo será o movimento das crianças para manuseá-las (foto: Google)

Quando menores as sementes e frutas selecionadas pelo professor, mais complexo será o movimento das crianças para manuseá-las (foto: Google)

Área de conhecimento

Motricidade fina.

Faixa etária

A partir dos 2-3 anos de idade, dependendo da destreza em realizar outros movimentos com objetos maiores.

Material

  • Sementes e frutinhas de tamanhos variados,
  • Um pote ou vasilha grande para colocar todo o conteúdo, misturado,
  • Potinhos menores (ou uma caixa de ovos vazia – cada tipo de semente pode ser colocada em uma divisória) para separar as sementes.

Preparação

Como essa atividade utiliza peças muito pequenas (sementes), garanta que as crianças já são capazes de segurar objetos maiores com facilidade antes de introduzi-las ao novo desafio. Elas já manuseiam peças de Lego e blocos, por exemplo? Conseguem carregar algo nas mãos para entregar ao professor? Se a resposta for sim, elas estão prontas para exercitar o movimento de pinça.

Atividade

Organize a turma em mesas baixas ou em um círculo no chão, sentando entre elas. Deixe a tigela maior, com todas as sementes, na sua frente. Mostre à classe o conteúdo, deixando que todos espiem, e cite os nomes das sementes e frutas que escolheu, mostrando cada uma delas. Compare algumas com ajuda das crianças: essa é uma amora e esse é um grão de milho. Eles são iguais? Qual deles é maior? Então, explique que elas vão separar as sementes em potinhos.

Distribua as caixas de ovos ou outros recipientes pequenos que decidir usar, e fique com um para você. Vá realizando a atividade em conjunto, assim, elas podem observar a tarefa e aprender espelhando suas ações.

Pegue sempre uma semente por vez de dentro do pote – vá devagar, dando à turma tempo para pensar. Olhe bem para a semente escolhida, compare-a com as outras que já separou para que a diferença fique clara, e, por fim, despeje a semente no potinho correto.

Continue até que a grande tigela do centro esteja vazia.

Quando as sementes estiverem sortidas, aproveite para apresentar seus nomes e contar quantas cada um separou, desenvolvendo linguagem e matemática (foto: Google)

Quando as sementes estiverem sortidas, aproveite para apresentar seus nomes e contar quantas cada um separou, desenvolvendo linguagem e matemática (foto: Google)

Variações

  • Motricidade fina: você também pode realizar atividades semelhantes com apetrechos como pinças, chopsticks e redinhas, ensinando as crianças a segurá-los entre o dedão e o indicador.
  • Linguagem e matemática: estimule outras áreas pedindo para a classe que nomeie as sementes e frutas sortidas ou apresentando o novo vocabulário. Também proponha que cada um conte quantas sementes de cada tipo separou (se necessário, ajude-os a contar em voz alta, em conjunto, retirando as sementes uma por uma do pote).

Para avaliar

  • As crianças conseguem segurar uma semente por vez? Isso demonstra habilidade em manusear objetos pequenos.
  • Elas conseguem fazê-lo usando o movimento de pinça ou ainda precisam do auxílio da mão cheia?
  • Conseguem carregar com destreza as sementes e frutas até o recipiente correto?
  • Se houve erro, ele aconteceu porque a criança ainda precisa desenvolver a motricidade fina ou porque ela não compreendeu a atividade? Se for o segundo caso, faça perguntas e aponte as diferenças de cor e tamanho para que ela perceba o erro e corrija-o por conta própria.
  • Será que é necessário trazer mais exercícios de motricidade com objetos maiores para algumas crianças? Elas podem prosseguir para trabalhar com peças ainda menores?
  • Elas aprenderam novo vocabulário e souberam identificar as frutas e sementes (na variação)?
  • Souberam contar o número de frutas e sementes que continham, seja individualmente ou com ajuda do grupo (na variação)? 

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Como essa atividade não pode ficar guardada em uma pasta para ser exibida aos pais, fotografe ou filme as crianças enquanto elas separam as sementes. Outra possibilidade é disponibilizar uma mesa, em um canto da sala, para expor as caixas de ovos de cada uma delas – não esqueça de pedir que elas coloquem seus nomes (caso elas já saibam escrevê-los), ou de anotá-lo para elas. Ver seu trabalho exposto é motivo de orgulho para as crianças, e lhes dá a oportunidade de narrar a atividade para as colegas ou a família, mostrando o que realizou.

Em seu registro, reflita:

  • As crianças mostraram interesse pela atividade? Se não, foi por ela ser fácil demais ou complexa demais? O que pode ser feito nas aulas seguintes para dar continuidade?
  • Elas compreenderam o objetivo do exercício e tentaram executá-lo?
  • Tiveram dificuldades com a coordenação motora? Quais foram elas? Como elas podem ser desenvolvidas?
  • Houve algum comportamento que se destacou, positiva ou negativamente? Quais os motivos desse comportamento? Como você lidou com isso?
  • As crianças mostraram curiosidade, perguntaram sobre as sementes e frutas, descobriram palavras novas ou sugeriram variações? As sugestões delas podem ser realizadas ou são úteis para o seu aprendizado? Quem sabe você não pode atender algumas delas na próxima aula?

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