Personalização do Ensino na Educação Infantil
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Personalização do Ensino na Educação Infantil

Nós já conversamos sobre a importância do ócio criativo e também de como se estabelece o lúdico e a imaginação no especial Mundo da Fantasia na Criança.

Entendemos brevemente como acontece o lúdico e os processos imaginativos na criança e agora vamos refletir um pouquinho mais, na prática, sobre como o professor pode direcionar ou não o brincar ou a brincadeira ideal para cada criança na sua sala de aula.

Imagina a cena: Sala cheia, alunos agitados, cada aluno uma história, um mundo, uma realidade. Uns mais disposto que os outros. Alguns sonolentos, outros com fome, outros carinhosos e carentes.

E agora?

Como lidar com essas crianças?

Na cabeça do professor a tempestade mental : Tenho um planejamento > Fiz uma atividade> Preciso ensinar o que está no PCN > Preciso explicar a atividade e garantir que tenha material para o portfólio > O aluno X se recusou a fazer a atividade. E agora?

Calma, professor!

Sabemos que planejar uma aula é praticamente planejar com plano A, B, C e até o imprevisível, não é mesmo?

Temos um leque de possibilidades, de crianças diferentes e abordagens, métodos e técnicas que não sabemos para onde vão nos levar.

Como preparar atividades personalizadas na Educação Infantil?

Personalizar o ensino envolve muito mais que criar atividades para tipos diferentes de crianças, principalmente, na Educação infantil.

Conhecer seu aluno, ter Afeto e empatia por ele vai te ajudar muito na hora de preparar seu planejamento.

A Escuta Ativa é a melhor ferramenta para que você crie atividades que de fato serão interessantes e que vão propiciar a descoberta nesse universo infantil que é sua sala de aula.

  1. Ouça sua turminha
  2. Saiba dos interesses de cada aluno
  3. Perceba como cada criança se sente desafiada
  4. Observe como e quando cada aluno está mergulhado no aprender
  5. Converse com outros professores sobre abordagens, métodos e técnicas

Para guardar toda essa informação faça o registro do que você percebe em sala de aula.

Afinal de contas brincar não requer prática nem habilidade.

Na Eduqa.me é possível fazer esse registro de um jeito simples e  bem rico. Com poucos clique você faz anotações, fotos e vídeos. Com esses indícios organizados é possível compartilhar com seu coordenador e refletir sobre cada aluno percebendo quais habilidades eles possuem e quais precisam ser desenvolvidas.

Que tal aproveitar para criar atividades personalizadas que favorecem o aprendizado ?

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Experimente a Eduqa.me para aperfeiçoar seu trabalho na Educação Infantil. Visite nosso baú de atividades com mais de 5 mil atividades feitas por outros professores que estão no dia a dia da escola.

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 

 

 

 

 

Habilidades sociais na Educação Infantil importam mais que notas altas, diz pesquisa

Crianças que demonstram empatia e generosidade tendem a ser adultos bem sucedidos (foto: Linkedin)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Habilidades sociais na Educação Infantil importam mais que notas altas, diz pesquisa

Pesquisadores estudaram o comportamento de crianças pré-escolares e as procuraram 19 anos depois. Aqui está o que eles descobriram.

Todo pai quer ver seus filhos tirando boas notas na escola – mas, agora, nós sabemos que o sucesso social é tão importante quanto elas. Desde cedo, somos levados a acreditar que os resultados de nossas provas são a chave para tudo: ir para a faculdade, conseguir um emprego e encontrar aquele caminho de felicidade e prosperidade para toda a vida.

Esse conceito pode causar muito estresse.

Contudo, um novo estudo (leia a pesquisa completa aqui, em inglês) mostra que, quando crianças aprendem a interagir efetivamente com seus pares e controlar suas emoções, isso tem um impacto enorme em suas vidas adultas. E, ainda segundo a pesquisa, os alunos deveriam gastar mais tempo desenvolvendo essas habilidades na escola.

Pesquisadores mediram as habilidades sociais de 800 crianças em idade pré-escolar em 1991. Duas décadas depois, eles as procuraram para verificar como elas tinham se saído.

Os professores desses alunos os avaliaram com a chamada Escala de Competência Social (ou Social Competence Scale), classificando sentenças como “A criança é boa em entender os sentimentos alheios” com as alternativas “Nem um pouco/Um pouco/Moderadamente bem/Bem/Muito bem”.

A equipe usou essas respostas para atribuir a cada criança uma nota em competência social, e, então, guardaram esses resultados por cerca de 19 anos – ou até cada uma das crianças completar 25 anos. À essa altura, eles já haviam reunido uma série de informações básicas e criado estatísticas para analisar se a desenvoltura social na primeira infância possuía mesmo algum valor que poderia ser previsto.

O que eles descobriram:

Boas notas são relevantes - mas como a criança atingiu a nota (esforço, estudo, concentração) é mais importante (foto: Huffpost)

Boas notas são relevantes – mas como a criança atingiu a nota (esforço, estudo, concentração) é mais importante (foto: Huffpost)

Boas notas em provas? Elas importam, mas não pelas razões em que acreditamos.

A crença tradicional afirma que, se uma criança conquista boas notas em avaliações, ela deve ser muito inteligente. Certo? Afinal, há uma relação comprovada entre ter notas altas no Ensino Médio e receber um salário maior como profissional.

Porém, o que o resultado da prova não explicita é o quanto a criança trabalhou por ele: quantas vezes estudou com um colega para solucionar um problema, quantas vezes foi ao professor para pedir ajuda ou resistiu à vontade de assistir TV para se preparar para a escola. Os pesquisadores por trás do estudo afirmaram que “sucesso na escola envolve ambas as inteligências emocional e cognitiva, porque as interações, a atenção e a força de vontade afetam a disposição para aprender”.

Em outras palavras, enquanto algumas poucas crianças talvez sejam simplesmente brilhantes, a maioria necessita de mais do que apenas inteligência para alcançar o sucesso. Talvez a escola deva se preocupar mais em desenvolver os aspectos sociais do aprendizado.

Crianças que demonstram empatia e generosidade tendem a ser adultos bem sucedidos (foto: Linkedin)

Crianças que demonstram empatia e generosidade tendem a ser adultos bem sucedidos (foto: Linkedin)

Habilidades como dividir e cooperar são vantajosas na vida adulta.

Nós sabemos que é preciso olhar além de notas em provas obrigatórias para compreender quais crianças estão no caminho certo. Por esse motivo, a equipe se voltou completamente para aquela Escala de Competência Social. As conclusões não foram tão surpreendentes: crianças que se relacionavam bem com os colegas, lidavam melhor com emoções e eram capazes de resolver problemas com facilidade apresentaram mais sucesso no futuro.

Realmente inesperada foi a força dessa correlação: o aumento de um único ponto na avaliação de Competência Social mostrou que a criança teria 54% mais chance de conquistar um diploma de Ensino Médio. Ela também teria duas vezes mais probabilidade de se formar na faculdade e 46% mais chance de possuir um emprego estável aos 25 anos.

Crianças que estavam constantemente quebrando e roubando brinquedos ou tendo crises de raiva mostraram maior predisposição a desrespeitar leis e se envolver com substâncias ilícitas. Ainda assim, o estudo não pôde atestar com certeza se habilidades sociais mais ou menos apuradas podem causar diretamente qualquer desses problemas.

Comportamentos podem ser aprendidos ou superados – o que significa que nunca é tarde para mudar.

Os pesquisadores denominaram comportamentos como a cooperação e a generosidade “maleáveis”, ou mutáveis. Embora haja diferenças físicas em nossos cérebros (que tornam o aprendizado mais fácil para algumas pessoas do que outras) qualquer criança ou adulto pode praticar como resolver impasses com seus pares.

Além disso, para muitos alunos, esses comportamentos são herdados dos pais e outros adultos relevantes com quem eles convivam. Quanto mais você for capaz de demonstrar traços positivos como acolhimento e empatia, melhor seus filhos vão se desenvolver – e isso inclui atitudes simples, como parar de gritar no trânsito, por exemplo.

É possível ensinar crianças e adultos a lidar tranquilamente com suas emoções - essas habilidades são maleáveis (foto: Mind Shift)

É possível ensinar crianças e adultos a lidar tranquilamente com suas emoções – essas habilidades são maleáveis (foto: Mind Shift)

Mas o que isso significa?

Os próprios pesquisadores admitem que o estudo tem suas falhas: ainda que eles tenha se esforçado para controlar fatores externos, sua base se apoia no julgamento dos professores pré-escolares, e em como eles analisaram o desempenho social de sua turma.

Ainda assim, a pesquisa de 19 anos mostra claramente que o comportamento social importa desde a infância. Como essas habilidades podem ser aprendidas, devem ser trabalhadas como forma de prevenção e intervenção.

A conclusão é que a escola precisa fazer mais do que apenas despejar conteúdo sobre as crianças – mas sim investir em ensiná-las a se relacionar umas com as outras e a lidar com seus sentimentos. Ignorar habilidades sociais pode ter implicações graves por toda a vida.

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Esse artigo é uma tradução de “Researchers studied kindergartener’s behavior and followed up 19 years later. Here are the findings” do Upworthy. Leia o original aqui.

5 ideias para falar de cultura na Educação Infantil

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

Atividades/Identidade e autonomia/Linguagem/Música e artes
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5 ideias para falar de cultura na Educação Infantil

Conhecer outras culturas e costumes não é exclusividade do Dia do Índio e outras datas assinaladas no calendário acadêmico. Crianças são naturalmente curiosas – e, como um bônus, possuem uma capacidade de memorização impressionante, resultado de um desenvolvimento cerebral acelerado nessa faixa etária. Projetos que lhes introduzam novas lendas, músicas ou mesmo comidas prometem ser não só educativos, como também fascinantes.

Mas por que desperdiçar tempo e energia ensinando o que parece ser geografia a turmas de Educação Infantil? Elas não são muito novas para esse conteúdo? Não, se as aulas forem adaptadas com o intuito de formar, ao invés de avaliar.

A ênfase está em apresentar o diferente e levantar discussões. No Brasil, uma lei federal garante que as culturas indígenas e afro-brasileiras sejam ensinadas – porém, curiosidades vindas do outro lado do globo também são bem vindas.

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Contato com tradições tem lá suas vantagens: primeiro, o desenvolvimento de identidade e pertencimento. Uma criança que conhece sua cultura cria um senso mais aguçado de sua própria história – o que outras pessoas fizeram antes dela influencia o que ela faz hoje.

Há uma série de hábitos que herdamos de diferentes ancestrais: índios, portugueses e africanos ara dizer o mínimo, mas a lista se expande dependendo da região do país.

Quais partes da rotina dela se atribuem a cada um desses grupos?

Além disso, elas tendem a se tornar pessoas mais tolerantes e livres de preconceito – aqui, eu faço desse jeito, mas lá é diferente. Isso vale para tudo, desde vestimentas até comportamento ou religião. A lição é valiosa inclusive no combate à homofobia ou racismo, uma vez que a turma aprende desde cedo que não deve rejeitar imediatamente o que não lhe é familiar.

E finalmente, o próprio aprendizado será útil nos anos escolares seguintes. Não que se deva nutrir expectativas de ver alunos de 5 anos recitando países e suas respectivas capitais. Entretanto, eles são perfeitamente capazes de identificar alguns locais no mapa ou de lembrar das cores de suas bandeiras preferidas. Acima de tudo, o caminho é aberto para que eles possam seguir seus interesses – e, com certeza, eles terão dezenas de perguntas ao fim de um desses projetos.

Sugestão de leitura: Na Terra do Nunca-Jamais traz 60 contos de várias partes do mundo (foto: Martins Editora)

Sugestão de leitura: Na Terra do Nunca-Jamais traz 60 contos de várias partes do mundo (foto: Martins Editora)

Lendas

Livros de histórias fantásticas são garantia de envolvimento. Escolha contos de diversas partes do mundo, se possível com a mesma temática, para exibir como cada indivíduo pode ver a mesma situação através de uma perspectiva única. Como cada cultura explica a chuva ou as trovoadas?

Os mitos também revelam bastante sobre a realidade de quem os inventou. As crianças podem observar quais animais aparecem na narrativa (por que temos bichos estranhos em uma história japonesa, e não iguais aos que vemos no Brasil?), quais problemas os personagens enfrentam, como a família e os amigos se relacionam – são todas pistas sobre a sociedade da qual fazem parte.

Essa é a deixa para que a classe dê opiniões e sugestões para resolver os desafios apresentados, divida explicações e debata sobre o que ouviram. Crianças menores não relutam ao se deparar com soluções surreais, embora, a partir dos 5 anos, seja comum que elas reclamem ao se sentirem “enganadas” com desfechos impossíveis. Use isso como oportunidade para conversar sobre como as crenças eram usadas para explicar o que as pessoas ainda não entendiam, mas que permanecem como parte da história de um povo (mesmo que, agora, já saibamos que o trovão não vem da martelada de um deus furioso).

Para trazer o tema para a sala de aula, o livro Na Terra do Nunca-Jamais é uma boa pedida. O livro traz 60 contos folclóricos de várias partes do globo, com ilustrações belíssimas para acompanhar.

Festivais

Não se prenda a hábitos antigos: festivais famosos, que ocorrem até hoje, são ótimos para despertar o interesse das crianças. Vídeos (que você pode procurar e baixar inclusive no YouTube) trazem essas celebrações para ainda mais perto delas.

Será que sua turma de Educação Infantil já imaginou uma festa de ano novo no meio do ano, como acontece na China e grande parte da Ásia? E comemorações em que amigos se encontram para jogar tinta colorida uns nos outros, como o Holi, comum na Índia? Que tal ver todos na rua em uma enorme guerra de tomates, de acordo com a Tomatina, festival espanhol? São inúmeras possibilidades que abrirão espaço para que as crianças contem sobre as festas das quais participam, o que celebram e porque.

Dependendo do tamanho da bagunça do festival escolhido, a classe pode até mesmo se preparar para encenar alguma das comemorações na escola – com direito a roupas típicas e todos os aparatos que puderem improvisar.

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

A música e a dança são formas excelentes de se contar a história de um povo, mesmo que os pequenos ainda não compreendam a letra (foto: Pauta Extra)

Música e dança

Quando dei aula fora do Brasil, o que os alunos (e os professores) mais me pediam era que os ensinasse a sambar. Eles podiam não ter certeza de qual a capital do país ou qual idioma nós falávamos por aqui, porém todos lembravam-se do samba quase imediatamente.

A música é um traço forte da cultura de qualquer país, e capaz de comunicar sentimentos até para quem não compreende uma palavra da letra. As crianças entenderão se tratar de uma história feliz ou triste, de celebração ou perda, apenas pela melodia, o ritmo ou a coreografia. Permita que elas copiem os passos e tentem cantar junto – e, de preferência, encontre traduções caso opte por canções em outras línguas, para contar a elas do que diz respeito.

Selecione receitas simples e que possam ser feitas majoritariamente pelas crianças (foto: Criança na Cozinha)

Selecione receitas simples e que possam ser feitas majoritariamente pelas crianças (foto: Criança na Cozinha)

Culinária

Não se conhece o brigadeiro nem a paçoca fora do Brasil. De onde vieram esses alimentos? Quais comidas frequentes em nosso prato são, na verdade, de outros países? E quais petiscos curiosos são servidos em outros lugares, mas as crianças brasileiras desconhecem?

Apenas uma das questões acima já é suficiente para desencadear um projeto culinário inesquecível. Há diversos pratos estrangeiros fáceis de serem preparados sem necessidade de muitos eletrodomésticos: o pão sírio, a pizza, o bolinho de arroz japonês, fritada ou salada de frutas. Opções de regiões brasileiras (do chimarrão à tapioca, passando pelo pão de queijo e o pinhão) também são válidas!

Descobrir brincadeiras e, então, manufaturar os brinquedos, dá às crianças a chance de entrar em contato com sua cultura (foto: Instituto Eurofarma)

Descobrir brincadeiras e, então, manufaturar os brinquedos, dá às crianças a chance de entrar em contato com sua cultura (foto: Instituto Eurofarma)

Brincadeiras

Crianças do mundo inteiro brincam. Que tal resgatar algumas dessas brincadeiras e trazê-las para a sala de aula? A revista Nova Escola lançou este ano uma série chamada Brincadeiras Regionais, em que você pode se inspirar para começar um projeto lúdico entre as crianças. Retomar brincadeiras antigas, conhecidas por seus pais e avós, é outra maneira de fortalecer a cultura e identidade, além de propor um diálogo valioso dentro de casa.

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Por que tantas crianças estão estressadas?

Cali Farmer, 4, (L) cries as she hugs her mother Netta Farmer at California Institute for Women state prison in Chino, California May 5, 2012. An annual Mother's Day event, Get On The Bus, brings children in California to visit their mothers in prison. Sixty percent of parents in state prison report being held over 100 miles (161 km) from their children. Picture taken May 5, 2012 REUTERS/Lucy Nicholson (UNITED STATES - Tags: CRIME LAW SOCIETY TPX IMAGES OF THE DAY) ATTENTION EDITORS PICTURE 23 28 FOR PACKAGE 'MO R'S BEHIND BARS'

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Por que tantas crianças estão estressadas?

Estresse não é exclusividade dos adultos – a diferença é que, na primeira infância (dos 0 aos 6 anos), ele pode causar danos permanentes ao desenvolvimento. Como o cérebro do bebê está mudando rapidamente, realizando muito mais conexões neuronais que um cérebro adulto, a criança atravessa um período vulnerável. Nessa etapa, experiências traumáticas têm grandes chances de gerar mudanças irreversíveis.

Como isso acontece?

A produção constante de hormônios do estresse afeta o sistema imunológico, reduzindo a resistência do organismo contra infecções e doenças contagiosas.

As áreas sócio-emocionais e de aprendizado também são afetadas, e a criança pode começar a apresentar comportamentos impulsivos (como bater em um colega ou reagir exageradamente a um problema), já que sua capacidade de regular emoções fica alterada.

Crianças estressadas podem ser confundidas com malcriadas ou "birrentas". É melhor prestar atenção no que desencadeia essas crises (foto: Google)

Crianças estressadas podem ser confundidas com malcriadas ou “birrentas”. É melhor prestar atenção no que desencadeia essas crises (foto: Google)

No longo prazo, esses meninos e meninas estressados se tornam adultos com respostas ruins ao estresse diário. O corpo passa a liberar hormônios do estresse (que preparam o organismo para lidar com um obstáculo, acelerando batimentos cardíacos, liberando adrenalina e deixando a pessoa em estado de alerta) muito cedo, em situações inofensivas, ou, ainda, permanecer em alerta por mais tempo do que o necessário.

Os sintomas do estresse infantil podem se manifestar tanto no físico quanto no psicológico da criança:

Sintomas físicos

• dor de barriga

• diarréia

• tique nervoso

• dor de cabeça

• náuseas

• hiperatividade

• enureses noturna

• gagueira

• tensão muscular

• ranger de dentes

• falta de apetite

• mãos frias e suadas

Sintomas psicológicos

• terror noturno

• introversão súbita

• medo ou choro excessivo

• agressividade

• impaciência

• pesadelos

• ansiedade

• dificuldades interpessoais

• desobediência

• insegurança

• hipersensibilidade

Contudo, um sintoma isolado não é garantia de que a criança esteja sofrendo estresse – ele deve servir apenas como aviso para familiares e educadores, que, a partir de então, precisam prestar atenção no comportamento dela em todos os ambientes que frequenta, verificando se outros sinais se manifestam. “Um dos grandes desafios é que os pais, os adultos presentes na vida dessa criança, estão muito ocupados para notas os estágios mais iniciais da mudança de comportamento”, a presidente da International Stress Management Association (ISMA-BR), Ana Maria Rossi, explicou à Revista Educar para Crescer. “Começam a notar quando já existe um problema, e não mais um indicador”.

Ficar atento às mudanças que ocorrem na vida dessa criança ajudam a identificar os momentos de estresse que ela pode estar enfrentando. As principais fontes de estresse na infância são:

Críticas e desaprovações constantes

Quando os adultos ao seu redor não equilibram críticas e reclamações com encorajamento e elogios, a criança se sente incapaz de atingir as expectativas e vive sob pressão. De acordo com uma pesquisa recente da ISMA, que analisou 220 crianças brasileiras entre 7 e 12 anos, essa é a causa de 63% dos casos de estresses infantil.

O ambiente familiar interfere na forma como a criança lida com estresse. Crianças muito criticadas ou que presenciam brigas e violência entre os pais podem ter problemas de desenvolvimento (foto: Google)

O ambiente familiar interfere na forma como a criança lida com estresse. Crianças muito criticadas ou que presenciam brigas e violência entre os pais podem ter problemas de desenvolvimento (foto: Google)

Atividades em excesso

Aulas de inglês, natação, balé, futebol, reforço escolar, piano, xadrez… Crianças sobrecarregadas não têm tempo para descansar e brincar, momentos essenciais no processo de aprendizagem.

Ainda que os pais acreditem estar preparando os filhos para um futuro profissional bem sucedido, atividades extracurriculares em demasia foram citadas por 56% das crianças entrevistadas durante a pesquisa.

Bullying

Atos de violência entre colegas foi apontado por 41% dos entrevistados como fator de estresse. Inclusive, os sintomas físicos listados acima podem surgir como uma fuga para a criança, que busca motivos para evitar seus agressores (faltando aula ou evitando outros ambientes sociais em que esteja sendo alvo de bullying).

Especialistas concordam que casos de bullying se intensificam no Ensino Fundamental e Médio, mas há sinais de alerta que podem ser observados desde a Educação Infantil.

Falta de rotina

Crianças exigem estabilidade para se desenvolver plenamente. Hora de dormir, de fazer as refeições e de tomar banho provém segurança. O mesmo ocorre em sala de aula: professores de creches e pré-escolas são instruídos a seguir rotinas (música na chegada, hora da história, recreio, escovação de dentes e assim por diante) que fazem com que os alunos se sintam confortáveis no ambiente escolar.

É comum que a própria turma cobre a organização do professor se, por acaso, ele inverter a ordem das atividades – isso porque não saber o que irá acontecer durante o dia é gatilho para o estresse.

Superproteção

Apoiar os pequenos em situações de estresse é positivo, mas tentar abolir qualquer evento levemente desafiador cria adultos incapazes de lidar com os próprios problemas. Fora de casa, a criança certamente será exposta a dificuldades e, então, não terá o amparo para enfrentá-las por conta própria.

Traumas e violência casos mais graves, como violência física e explosões de raiva, provocam sentimentos de medo, raiva e estresse. Situações traumáticas como a perda de um amigo ou membro da família também são desgastantes tanto para crianças quanto para gente grande.

A criança precisa de momentos de afeto que a ajudem a sair do momento de estresse: colo e abraços funcionam para acalmá-la (foto: Google)

A criança precisa de momentos de afeto que a ajudem a sair do momento de estresse: colo e abraços funcionam para acalmá-la (foto: Google)

O que fazer?

Não é possível eliminar do universo da criança todas as origens do estresse – e isso tampouco é indicado. Afinal, esse é um momento de aprendizado que irá moldá-la para a vida adulta. O que deve ser evitado é que um momento de estresse seja prolongado, criando efeitos permanentes no organismo.

Pais e professores têm um papel fundamental ao impedir que a reação ao estresse se perpetue. Eles são os “adultos apoiadores”, responsáveis por transmitir uma sensação de segurança e ajudá-la a enfrentar o problema. Manifestações de afeto, como colo, carinho e abraços, fazem parte desse trabalho e são chamados de apego seguro.

A criança que conta com esse sistema de apoio reage melhor ao estresse e é capaz de lidar com eventos difíceis por conta própria quando deixa sua casa. Além disso, desenvolve mais autoconfiança e habilidades de interação social – podendo criar suas próprias redes de suporte no futuro.

É importante que os adultos responsáveis saibam distinguir o estresse negativo do positivo, e compreendam quando sua interferência é necessária. O estresse positivo é uma fase de alerta inicial que ocorre quando a criança é apresentada a um desafio. Ela produz mais adrenalina, que lhe dá ânimo, energia e criatividade para resolver o problema. Esse é um momento altamente produtivo, em que ela sequer sente necessidade de descansar – mas, por isso mesmo, não deve se manter por muitas horas.

Quando a criança ultrapassa seus limites de adaptação, o estresse se tornou excessivo. Esse é o estresse negativo, que a deixa esgotada, desmotivada e prejudica seu desenvolvimento pessoal e escolar – justamente quando família e educadores devem intervir.

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Saiba mais:

Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

GNT Mães

Pediatria em foco

Educar para Crescer

 

 

Você rotula as crianças em sala?

Lembre-se de que crianças diferentes aprendem de formas diferentes. Quando um aluno não está acompanhando o ritmo da turma, pense em outras formas de ensinar antes de taxá-lo de "fracassado" (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Registros
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Você rotula as crianças em sala?

Você rotula as crianças em sua sala de aula? Basta pensar um pouco sobre seu comportamento para com os alunos para descobrir – tente se lembrar: com que frequência a classe escuta que “a Gabi é comportada”, “o Matheus nunca faz tarefa” ou “a Juju é bagunceira”?

Esse tipo de sentença cria um estigma em torno da criança e pode desestimular seu desenvolvimento escolar e pessoal. Isso porque, especialmente na primeira infância, os pequenos ainda estão em processo de construção de caráter e personalidade. Ou seja, eles não sabem quem são e, por isso, irão facilmente se agarrar a qualquer definição oferecida. Afinal, é mais seguro repetir um comportamento, ainda que desagradável, do que viver com insegurança.

Portanto, ao ouvir de uma figura relevante – pais ou professores –que é inteligente ou irresponsável, a criança passa inconscientemente a repetir esses padrões. Isso impede que ela explore diferentes posturas e atitudes e, por consequência, construa uma imagem positiva e independente de si.

Esse tipo de comportamento costuma ser involuntário, com o professor sequer ciente da mensagem que está transmitindo para a turma. Mas é hora de prestar atenção. Confira uma lista de ações que devem ser evitadas em sala de aula.

Crianças reproduzem os comportamentos atribuídos a elas. Se você disser que "Maria é bagunceira", as chances de que ela continue se comportando mal aumentam (foto: Google)

Crianças reproduzem os comportamentos atribuídos a elas. Se você disser que “Maria é bagunceira”, as chances de que ela continue se comportando mal aumentam (foto: Google)

Apelidos

Para você, pode ser apenas uma forma engraçadinha de tratar a criança, mas apelidos baseados em comportamentos ou características físicas são uma maneira de diagnosticá-la perante o resto da classe. As crianças já inventam nomes umas para as outras espontaneamente – se isso for facilitado pelo professor, o peso aumenta ainda mais.

Se o apelido em questão vem de casa (“ele é desligado como o pai”, “ela não aprende nada”), aproveite o espaço da escola para desconstruí-lo. Não assuma que o veredicto da família está correto antes de fazer um esforço genuíno para conhecer a criança. Atente-se às causas desse rótulo para, então, combatê-lo, transformando a aula em uma oportunidade para que a criança descubra novas formas de expressão.

Tratamento diferenciado

Esperar sempre o melhor de um aluno e o pior de outro é garantia de fracasso para ambos os lados. Aquele que é visto constantemente como um sucesso tende a parar de se desafiar e testar novas atividades, com medo de falhar e perder sua imagem positiva. Enquanto isso, os que são tratados com descaso ou irritação antes mesmo de abrirem a boca, com base em conflitos anteriores, perdem a autoestima e confiança em suas habilidades.

Pelo contrário, o professor deve se esforçar por manter uma mente limpa a cada novo dia de aula, sem carregar ofensas e frustrações das lições anteriores – sim, é difícil! Procure valorizar o desenvolvimento individual, no ritmo de cada criança, sempre salientando suas conquistas. Busque elogios pertinentes, tendo em mente que há formas distintas de aprender e se relacionar, e encare as dificuldades de aprendizado como uma dessas particularidades – seu aluno não consegue aprender da forma como está sendo ensinado, porém isso não significa que seja incapaz de aprender através de outros métodos. Cabe aos adultos em torno dele ter dedicação para descobrir quais são eles.

Usar “ser” ao invés de “estar”

Relatórios e avaliações estão recheados desses julgamentos. Muitos professores recorrem a estereótipos para preencher lacunas em seus registros. Com turmas grandes e heterogêneas, nem sempre é possível fazer um acompanhamento próximo de cada criança, necessário para diagnosticar a origem de suas atitudes – daí o grande número de conclusões precipitadas nesses documentos.

Alegar que o aluno “é problemático” é diferente de explicar que ele “teve dificuldade na aprendizagem de matemática no último bimestre”. Substitua o verbo ser (determinante), pelo estar (pontual e mutável).

É usual que comportamentos agressivos, agitados, introspectivos sejam gerados pelo ambiente externo. Eles são formas de comunicação as quais às crianças recorrem quando não são capazes de lidar com a situação, e não um traço definitivo de sua personalidade.

Lembre-se de que crianças diferentes aprendem de formas diferentes. Quando um aluno não está acompanhando o ritmo da turma, pense em outras formas de ensinar antes de taxá-lo de "fracassado" (foto: Google)

Lembre-se de que crianças diferentes aprendem de formas diferentes. Quando um aluno não está acompanhando o ritmo da turma, pense em outras formas de ensinar antes de taxá-lo de “fracassado” (foto: Google)

Então, TUDO é rotular?

Não. Identificar diferenças entre as crianças é saudável e pode ser um gatilho para trabalhar a inclusão na escola. Apontar diversas maneiras de realizar uma tarefa abre os olhos dos pequenos às suas alternativas. Entretanto, isso deve ser feito com ênfase no positivo, deixando as críticas e repreensões para momentos particulares entre professor e aluno, ao invés de em público, diante dos colegas.

Isso é particularmente desafiador para o educador quando a criança em questão o desafia, questiona sua autoridade e desperta a insegurança com relação ao seu trabalho. Nessas situações, rotular parece uma saída fácil para “colocar o aluno em seu devido lugar”, erguendo o professor automaticamente a uma posição de respeito.

Afinal, rótulos são justamente usados como proteção contra o desconhecido – não somente na escola, mas em toda a sociedade. É mais simples encontrar uma categoria onde encaixar pessoas e ações de acordo com nossos próprios padrões do que conhecê-los a fundo antes de qualquer julgamento. É necessário de afastar dessas predefinições para de fato compreender o que está por trás da diversidade.

Em sala, isso se traduz em oferecer liberdade para o crescimento e para a mudança. Em não presumir que uma criança vá sempre agir de tal forma porque o fez uma vez. E, principalmente, em valorizar pontos fortes e encontrar maneiras de ensinar que desenvolvam ao máximo o potencial de cada um.

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Criança em foco

Desenvolvimento infantil

Bullying na Educação Infantil: ele existe e pode ser evitado

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Relatórios
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Bullying na Educação Infantil: ele existe e pode ser evitado

O que é bullying?

O termo bullying (da expressão “bully”, em inglês, que significa “brigão”) refere-se a comportamentos agressivos e intencionais. Além disso, são atitudes que se repetem com frequência entre as mesmas crianças – ou seja, não se aplica a um desentendimento isolado.

É importante ressaltar que é considerada bullying a agressão entre pares; ou seja, entre alunos da mesma idade ou de idades semelhantes. Brigas entre um estudante e um professor podem caracterizar outros tipos de violência, mas não bullying.

Certamente, o bullying não é uma invenção moderna – porém, apesar a de a prática sempre ter existido, ela vem recebendo mais atenção tanto da mídia quanto dos educadores na última década.

Segundo a organização não-governamental Plan International, que atua em 66 países garantindo a proteção da infância, 70% dos alunos brasileiros já sofreu bullying. A pesquisa foi feita em 2008, com 12 mil crianças de seis estados.

O mais grave é que, dentre as vítimas, quase metade não busca ajuda nem denuncia os agressores. A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia), estima que 42% das crianças atingidas não falam sobre o problema nem mesmo com amigos e colegas. 

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying - até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Nem todo comportamento agressivo na infância se qualifica como bullying – até os 3 anos, elas não dominam outras formas de expressão (foto: Google)

Existe bullying na Ed. Infantil?

Existe, mas somente a partir dos 3 ou 4 anos de idade. Especialistas explicam que, antes disso, é comum que os pequenos utilizem comportamentos agressivos simplesmente por estarem em desenvolvimento e não dominarem outras formas de expressão.

Até os dois anos de idade, os pequenos estão descobrindo o mundo através dos sentidos. Já percebeu como eles levam tudo à boca? Morder um colega, portanto, não é uma atitude violenta, e sim um reflexo natural.

Mesmo que realizados intencionalmente – em uma disputa pela atenção do professor ou dos pais, na tentativa de conseguir um brinquedo, motivos de estresse comuns nessa faixa etária – outros fatores que definem o bullying não se manifestam. Afinal, não há um alvo constante e nem uma discrepância na relação de poder entre as crianças.

É claro que o adulto presente deve desencorajar a briga e mostrar formas de resolver conflitos através da linguagem; ao mesmo tempo, deve-se tomar cuidado para não supervalorizar a agressão e punir muito rigidamente os envolvidos, pois eles não compreendem que estão machucando alguém.

É apenas depois dos 3 anos que as crianças desenvolvem a socialização e o senso de “outros” – as pessoas ao seu redor não são mais todas iguais e elas começam a criar laços de amizade, formar grupos e mostrar afinidade com certos colegas. Consequentemente, é na mesma época que surgem os primeiros casos de discriminação, implicâncias e humilhações. A partir de então, elas já têm noção dos sentimentos alheios e podem ferir outras crianças intencionalmente.

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola - ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Repare se a criança está muito isolada ou reluta em vir para a escola – ela pode estar sendo vítima de bullying (foto: Google)

Como identificar o bullying? 

Os apelidos e xingamentos frequentes são a forma mais comum de bullying (mais da metade dos casos entra nessa categoria). Características físicas são reconhecidas e colocadas como rótulos: gordo, magro, baixinho, quatro-olhos, e assim por diante. Outras particularidades, como o atraso no desenvolvimento – quando uma das crianças não consegue realizar certas tarefas tão bem quanto seus pares -, também desencadeiam bullying. É o que acontece quando a turma repara que apenas um dos colegas não sabe comer sozinho, segurar o xixi ou amarrar os sapatos, e resolve lembrá-lo disso com frequência por meio de piadinhas.

Atente-se ainda à exclusão. As panelinhas estão se formando e certos alunos podem ficar de fora, sem chance de entrosamento. Violência física e fofocas são outras formas de bullying, mas menos comuns na Educação Infantil.

Caso as atitudes não sejam pegas em flagrante, há sinais de que uma criança pode estar sofrendo com o bullying: relutância em ir para a escola, queda de desempenho ou até mesmo regressão no aprendizado, ansiedade ou medo de ficar junto aos colegas, se manifestar ou deixar a companhia dos adultos, súbita agressividade e queda da autoestima. É bastante usual que ela não admita o acontecido justamente por se achar de alguma forma merecedora das represálias dos colegas (entenda: ela também identifica em si mesma o “problema” que está causando as implicâncias, e vê isso como justificativa).

Quais os motivos do bullying?

É essencial que o professor preste atenção e identifique essas atitudes o quanto antes. A seguir, é preciso identificar se o comportamento se qualifica mesmo como bullying ou não passa de uma fase, engatilhada por outros acontecimentos na vida pessoal das crianças (leia mais sobre o que pode causar a agressividade infantil aqui). Procure conhecer a dinâmica familiar de cada aluno – as agressões podem ser resultado de:

  • Cobranças e expectativas muito altas dos adultos em sua vida – a criança é exigida demais, colocada em muitas atividades extracurriculares, criticada com frequência e pouco elogiada. Isso pode levá-la a ter baixa autoestima, sentindo sempre ser incapaz de alcançar o que é esperado dela;
  • Falta de limites e mimos em excesso – muitas vezes, pais e mães querem compensar a ausência durante a semana com uma permissividade excessiva ou comprando presentes sempre que a criança manifesta qualquer desejo. Assim, as crianças não aprendem a lidar com limitações, frustrações ou com terem suas ideias contrariadas;
  • Problemas de desenvolvimento cognitivo ou emocional, dificuldades de relacionamento ou experiências traumáticas, como agressão ou abuso (leia sobre quando encaminhar a criança a um psicopedagogo).
Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

Atividades que promovam a cooperação e o trabalho em equipe são eficazes no combate ao bullying (foto: Google)

O que fazer?

A primeira infância é a fase ideal para ensinar a resolução saudável de conflitos em oposição à violência. A personalidade e o caráter são formados até os 6 anos de idade, portanto, é justamente antes disso que temas como respeito, cooperação e diálogo devem ser inseridos. Isso pode ser feito através de:

  • Rodas de leitura – selecione livros que falem das temáticas acima (confira aqui um projeto sobre leitura contra o bullying, da Editora do Brasil) e, após contar a história, inicie debates com a turma para que elas reflitam sobre seu significado. Faça perguntas que as ajudem a relacionar o que ouviram com situações rotineiras pelas quais passam;
  • Dramatizações – teatros, fantoches e músicas são uma ferramenta para que as crianças se expressem através de outros personagens e outras vozes. Isso lhes dá não só a segurança de falar sem ser julgada como, também, a possibilidade de observar outros pontos de vista;
  • Jogos cooperativos – ao invés de competições, priorize jogos e brincadeiras que estimulem a cooperação. Misture os grupos (evite colocar meninos de um lado e meninas do outro, alimentando a rivalidade entre os gêneros) e incentive o trabalho em equipe, elogiando e apontando os resultados positivos que eles alcançarem;
  • Atividades solidárias – promova dias para compartilhar brinquedos, dividir o lanche ou recolher doações para uma organização próxima da escola. Destaque como a solidariedade melhora a vida de todos e o que cada um fez para ajudar;

Acima de tudo, a escola precisa criar um ambiente saudável e seguro em sala de aula, dando liberdade às crianças para errar, pedir ajuda ou desabafar. Se a classe for alfabetizada, uma experiência interessante pode ser criar uma caixa de correio em que os alunos deixem mensagens sobre as situações que os incomodaram – discuta com eles se querem fazê-lo de forma anônima ou assinada, se preferem que apenas o professor leia ou se podem debater em grupo.

Sempre converse com as crianças envolvidas no bullying sem antagonizá-las. Fazê-lo pode aumentar, ainda que sem querer, a rivalidade entre as duas. É importante explicar o porquê de a atitude ser inaceitável e tentar fazer com que uma entenda a perspectiva da outra.

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Fique ligado! Continuaremos a falar mais sobre esse tema no próximo post.

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