Formação Do Professor
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Formação Do Professor

Sabe aquele profissional que “ao se formar não está formado”? Aquele que estuda, estuda e nunca é suficiente?

Semelhança ou coincidência? Não sei, mas isto é a cara do professor!

Isso muito tem a ver com o tipo de trabalho que esse profissional desenvolve. O professor atua na capacitação de pessoas e com a aprendizagem, temas que nunca se esgotam e que se encontram em constante modificação, o que de certa forma faz com que o professor viva num ciclo renovável de informações e conhecimentos.  

Falar da formação do professor na atualidade é algo muito complexo se pensarmos no cenário que ele atua e nas competências que precisa ter, mas não vamos complicar tanto, vamos seguir a linha que gostamos que é a de proporcionar reflexões sobre si mesmo e sobre o mundo que nos cerca.

Piaget, Vigotski, Wallon, Freud, entre outros teóricos estudados nos cursos de formação de professores, oferecem um panorama geral sobre o desenvolvimento e a aprendizagem da criança que é o princípio, mas muitas vezes, sabemos que não é o suficiente para agir e interagir com a diversidade encontrada em sala de aula, seja pelas dificuldades dos alunos ou pelas formas peculiares em que o aprender se mostra.

A falta de conhecimento em lidar com demandas e realidades tão distintas podem se justificar pela má formação do professor. Temos hoje uma formação básica que dedica pouco tempo para falar e discutir questões que envolvam a diversidade de perfil dos alunos.

Há uma distância grande entre as teorias trabalhadas e o que realmente acontece em sala de aula. Muitos cursos têm se preocupado em diminuir esta lacuna e aproximar os futuros profissionais daquele cenário que é real, mas são poucos os que conseguem. Existe sempre um grande problema com o tempo, tantas disciplinas para estudar e pouca reflexão e diálogo sobre o conhecimento adquirido.

Vivemos a política da transmissão de conteúdos o que contribui para que os professores sejam cada vez menos qualificados para a prática pedagógica, gerando mais problemas sociais e mais dificuldades na relação professor-aluno.

Desafiar a capacidade didática do professor é o fator que poderá determinar se esse profissional está ou não pronto para assumir este trabalho.

 Mas espera aí…. Não estar pronto não é um problema, pois na verdade estaremos sempre num processo contínuo de preparação, para sermos cada vez melhores naquilo que fazemos e para dar conta de atender a complexidade que é a aprendizagem humana.

A expectativa que se tem em relação a um professor com uma prática para a diversidade ou também chamada como prática inclusiva é que esse profissional possa enxergar a pessoa e não apenas a deficiência, doença ou dificuldade que às vezes ele não sabe lidar; pois ali existe um aluno que, antes de ter qualquer problema é um ser humano com necessidades como qualquer outro.

Veja alguns pontos importantes para driblarmos as dificuldades nesta perspectiva da diversidade:

  • Conhecer o diagnóstico do aluno com dificuldades para entender a deficiência e situações que podem colocar em risco sua saúde ou mesmo saber dos aspectos que potencializam a aprendizagem são pontos extremamente fundamentais.
  • Cuidado para não deixar de investir e trabalhar com a criança, acreditando que ela não vai aprender devido à dificuldade de aprendizagem ou pelo que é especificado no diagnóstico.
  • Não acreditar na falsa ideia da homogeneidade como base para o aprendizado em salas comuns, isso é uma grande mentira.
  • Não ache que o profissional da área da saúde, é superior a você professor. Na capacitação de professores, não basta conscientizá-los sobre as potencialidades dos alunos, mas também sobre suas próprias condições e potenciais para desenvolver o processo de ensino inclusivo… você é capaz, acredite nisso!
  • A inclusão depende de professores que entendem que o processo de conhecimento é tão importante quanto o seu produto final e que se deve respeitar o ritmo da aprendizagem que cada aluno tem.

Adotar uma nova forma de trabalho, não é abandonar tudo que se sabe e que se construiu ao longo de uma trajetória profissional, mas sim, mostrar a capacidade de se adequar aos novos desafios, aprendendo e se apropriando de novos conhecimentos; procurando acompanhar as tendências da época.

Por exemplo, muitos professores tem dificuldade de fazer registros escolares. Isso porque dá trabalho e precisa de bastante tempo, mas na Eduqa.me seus registros se tornam práticos, rápidos e eficiente.

Gastando menos tempo com essas tarefas lhe sobrará mais tempo para um curso de aperfeiçoamento ou uma nova graduação.

No exemplo abaixo inserimos uma foto em uma atividade de exploração no Jardim da escola. Além de ter essa agilidade de capturar um momento e já salvar e organizar na hora, é possível fazer anotações individuais e essas anotações vão direto para um relatório da criança que foi selecionada, facilitando o trabalho do professor e coordenador e não deixando de registrar detalhes importantes do desenvolvimento das crianças; incrível não é?

Gostou? Então clique aqui agora e teste a plataforma que te ajuda a fazer todas as etapas da documentação pedagógica.

Se a formação que teve lhe deixa inseguro, como lidar com isso?

Como oferecer uma educação de melhor qualidade aos alunos e sanar a angústia que se tem ao não dar conta de fazer o seu melhor?

Parecem perguntas difíceis de responder? Então se acalme, para tudo há uma saída.

A primeira coisa que se deve pensar é se você gosta do que faz e se quer de fato ajudar a mudar pequenos mundos dentro da sua sala de aula.  Se a resposta for sim, ótimo, pense que muitos educadores, assim como você, não tiveram, em sua formação inicial, disciplinas ou conteúdos de educação especial, mas isso, ao contrário de se interpor como obstáculo, o desafia a ir à luta.

É interessante reconhecer que o exercício de olhar para dentro de si, de repensar-se enquanto profissional, expor seus sentimentos, fazer saber que às vezes se sente sozinho, literalmente perdido, revela a condição humana de eterno aprendiz, o que é lindo!

O interesse pela formação profissional é algo que deve ser intrínseco ao professor, pois em condição de aprendizes, sempre haverá a busca de algo para aperfeiçoar a prática docente. No entanto, essa prática dependerá da forma como o professor se vê: se ele se considera um mediador, que está sempre aprendendo através das relações e interação com o outro, ou se ele se considera como aquele que é o dono do saber.

Existem muitas formas de buscar conhecimento. No próximo post falarei sobre Maneiras para viabilizar a formação/capacitação de professores.

Referências:

ARROYO, M. G. Ofício de Mestre: imagens e auto-imagens. Petrópolis: Vozes, 2000. 251 p.

DUQUE, L. F. A aula da xícara: uma experiência sobre a relação professor-aluno. São Paulo: Lura Editorial, 2015.

______. E agora? o que eu faço? conversas sobre inclusão escolar. São Paulo: Lura Editorial, 2015.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 2002. 165 p. (Coleção Leitura).

______. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005, 42.ª edição.

JUNIOR, P. G. e CHIES, F. .Dez elementos para quem quer ter êxito como professora ou ser professor.  Centro de Estudos em Filosofia America. 06/05/2005. Disponível em:  www.filosofia.pro.br. Último acesso em 11/03/2012.

PERRENOUD, Ph. Dez Novas Competências para Ensinar. Porto Alegre : Artmed Editora, 2000. (trad. en portugais de Dix nouvelles compétences pour enseigner. Invitation au voyage.Paris : ESF, 1999).

PERRENOUD, Ph., GATHER THURLER, M., DE MACEDO, L., MACHADO, N.J. e Allessandrini, C.D. As Competências para Ensinar no Século XXI. A Formação dos Professores e o Desafio da Avaliação. Porto Alegre : Artmed Editora, 2002

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno. É responsável pela fanpageLuciana F Duque Psicopedagogia e Inclusão.

Para Que Servem  Meus Registros Pedagógicos?
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Para Que Servem Meus Registros Pedagógicos?

Já reparou que estamos sempre contra o relógio? É uma luta eterna para fazer a chamada, preencher formulários planejar aula, ter uma vida fora da Escola e uma rotina saudável.

Se pararmos para pensar como o tempo escoa pelas nossas mãos acabamos dando prioridades para algumas atividades e deixando de lado outras, não é mesmo?

Estamos sempre lutando para ter tempo suficiente para fazer aquele relatório, escrever sobre o desempenho do aluno do jardim ou do maternal e aí a rotina vai sendo a prática e a reflexão fica sempre para depois, afinal nunca dá para escreve quando planeja escrever.. imagina refletir sobre o que foi escrito!

Pois bem, para sanar esse problema precisamos trabalhar para criar o hábito da escrita. O registro escolar é, por excelência, uma ferramenta ideal para promover reflexão.

Escrever é o momento que você organiza seu pensamento, revive momentos e planeja ações práticas, que funcionaram bem e outras que precisam de ajuste para um próximo momento. Tirando as ideias da cabeça e colocando na Eduqa.me o educador tem em mãos um interessante instrumento para repensar a importância de seu papel em sala de aula.

De que forma suas impressões pessoais e avaliativas poderão contribuir para o sucesso ou para o fracasso de sua prática?

Essa é uma daquelas perguntas capaz de aproximar um sujeito à sua realidade. É uma pergunta que perpassa a vida pessoal, profissional e vai se esticando até falar dos sonhos.

Ora, toda escrita é autobiográfica e como tal traz bastante do professor que está redigindo. Mas isso é um assunto para outro momento. Voltemos na documentação pedagógica…

Toda documentação feita pelo professor de Educação Infantil é um registro pedagógico: o planejamento, a lista de presença, os relatórios e diários de classe. E, de alguma forma, todos eles devem conversar entre si, um afetando o desenvolvimento do próximo. Esse processo permite que o professor trabalhe com intencionalidade, ao invés de ao acaso – é o trabalho de anotar, refletir e tomar decisões com base nesses registros que ajuda a garantir uma aula com foco nas necessidades das crianças.

Uma série de recursos compõe a documentação pedagógica. Para aprofundar o olhar sobre a turma, podem ser usadas:

  • Fotos;
  • Vídeos;
  • Relatos do professor;
  • Produções das crianças;
  • Gravações ou transcrições das falas das crianças.

Para saber mais sobre como usar fotos e vídeos no registro pedagógico, clique aqui!

Com os registros  individuais é hora de analisar essa criança está avançando dentro do esperado e se existe alguma fala que merece ser destacada e que mais tarde poderá ser usada na hora de criar o portfólio de cada criança.

Para ajudar a organizar todo esse processo e economizar o seu precioso tempo e, claro, para que você também tenha tempo de escrever sobre você e para você a Eduqa.me pensou em uma solução.

Por exemplo, aqui embaixo você consegue visualizar como a professora Marisa faz seus registros digitais e um jeito super organizado. Além da organização visual ela também consegue enxergar os registros em uma linha do tempo. Assim é possível para o coordenador pedagógico e para os professores perceberem se existe alguma área do conhecimento sendo mais  estimulada que outras.

Veja:

 

Experimente a Eduqa.me para aperfeiçoar seu trabalho na Educação Infantil, organize seus registros e projetos da maneira mais simples que existe.

Legal, né?

E também é a partir dessas evidências que o professor é capaz de levantar os interesses das crianças, seus potenciais e dificuldades, a forma como agem e interagem quando trabalham em grupo ou individualmente, aspectos emocionais e particularidades de cada uma. Além disso, a reflexão pode incluir um olhar para as ações do próprio educador: como foi o processo de ensino, a organização da classe e como cada decisão tomada influenciou sua sala de aula.

Incluir detalhes da própria prática é uma oportunidade de identificar problemas, repensá-los e corrigi-los, melhorando a qualidade do ensino e o relacionamento com as crianças. Assim, os planejamentos seguintes devem sempre trazem o que foi aprendido com os registros anteriores. Registros de qualidade geram um ciclo: planejamento, realização das atividades, documentação, análise e, por fim, o replanejamento, com base naquilo que foi descoberto e aprendido.

Então, preciso registrar tudo?

Não é possível registrar absolutamente tudo o que acontece na sua sala de aula – e isso nem seria eficiente. Faz parte do papel do educador selecionar os momentos que julga mais significativos e acompanhá-los. Não há ciência para isso: é o professor que conhece a turma e conhece cada criança que saberá eleger os comportamentos e interações mais relevantes, que representam conquistas, desafios ou atitudes fora do comum.

Quando identificar um desses momentos, você pode investigá-los mais a fundo. Caso escolha fazer isso com o auxílio de fotos ou vídeos, ainda pode ter a oportunidade de perceber outros acontecimentos mais tarde, ao acessá-los fora da sala de aula, quando assistir às gravações ou observar as imagens. O distanciamento facilita um olhar mais abrangente e abre espaço para outras reflexões.

Faça perguntas

As crianças estão interessadas em algum assunto? O que fez o grupo trabalhar em equipe? O que deixou a turma curiosa, intrigada ou preocupada? As crianças fizeram sugestões, propuseram brincadeiras, atividades ou temas?

Fazer perguntas é uma etapa essencial dos registros pedagógicos. É através delas que o professor define seus objetivos com aquelas anotações: o que quer descobrir? Antes de começar qualquer atividade, é útil saber o que você quer atingir com ela e orientar seus registros a partir dessa premissa.

As crianças estão interessadas em algum assunto? O que fez o grupo trabalhar em equipe? O que deixou a turma curiosa, intrigada ou preocupada? As crianças fizeram sugestões, propuseram brincadeiras, atividades ou temas? Como se movimentaram pelos espaços da aula? A partir dessas indagações e suas respostas, será possível encontrar:

  • As conquistas de cada criança e da turma;
  • Para quais novos aprendizados elas estão prontas;
  • As dificuldades individuais ou do grupo;
  • Os interesses e curiosidades das crianças e como eles podem ser incluídos nas aulas;
  • O que deve ser discutido com a coordenação;
  • O que deve ser discutido com os pais;
  • O que pode ser exposto em sala, para marcar o aprendizado das crianças;
  • Quais práticas do professor estão funcionando e quais precisam ser mudadas.

Trabalho em equipe

Registrar não deve ser uma tarefa solitária: a ajuda de outros professores, auxiliares e coordenadores traz qualidade e outros pontos de vista à documentação

Normalmente, as escolas veem os registros como uma tarefa solitária do professor. Contudo, ter outras vozes durante o processo de documentação só traz benefícios! Afinal, as anotações, as fotos e as seleções de material são feitas de acordo com as singularidades de cada educador – ele as escolhe de acordo com sua cultura, seus estudos, suas experiências. E, naturalmente, outros detalhes ficam de fora.

Sempre que possível, peça que um colega (coordenador, professor ou auxiliar) junte-se à sua turma e faça os próprios registros que, depois, serão discutidos pela dupla. Além de a atividade proporcionar olhares distintos sobre um mesmo evento, o fato de compartilhar opiniões e discuti-las em voz alta enriquece a reflexão e torna mais fácil encontrar soluções.

As crianças na Educação Infantil também podem ser participantes mais ativas dos registros pedagógicos: fazendo algumas perguntas e guardando suas falas, você pode compreender o que elas aprenderam ou como interpretaram os acontecimentos da sala de aula, quais memórias permaneceram e de que elas sentiram falta.

Não tenho tempo

Para realizar todo esse trabalho, é preciso reservar o tempo adequado. Uma documentação aprofundada não é feita em meia hora e cabe à escola ceder ao professor o tempo e o espaço necessários para refletir. Uma pilha de anotações não significa ter registros bem feitos – o essencial é que eles sejam pensados, usados para melhorar e reorientar a prática pedagógica.

Toda a equipe precisa entender que os registros não servem apenas como burocracia, mas, sim, como um instrumento valioso para a educação das crianças. O coordenador precisa participar: ao acessar esses registros, ele identifica as conquistas e dificuldades enfrentadas em classe e percebe como orientar melhor os professores.

Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?
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Que tipo de Educação você quer dar para as crianças, professor?

que tipo de educação

Esta pergunta é intrigante e pode suscitar a priori duas interpretações: pensar nos métodos e estratégias que vou oferecer aos meus alunos para educa-los de forma que aprendam os conteúdos formais, ou, ir além disso e pensar também em que tipo de pessoas quero formar.

Quando imaginamos uma sala de aula, muitos cenários vêm à tona, principalmente a diversidade que a compõe.

Para muitos, a palavra diversidade parece estar ligada a algo que é visível no outro, ora por aquilo que falta ora pelo que sobra em alguém, mas, neste texto, vamos falar de um assunto que nem sempre é tão explícito pelo que falta ou pelo que sobra, mas pelo que as vezes passa desapercebido pelos olhos do professor.

Vamos falar da inclusão socioeconômica e do contraste social encontrado nas escolas.

Por mais que saibamos que esta realidade existe, quando as diferenças não estão estampadas de forma evidente no rosto das pessoas, parece que elas são ignoradas. Está é uma falsa ilusão e a falsa ideia da homogeneidade que muitos professores ainda insistem em defender.

Somos todos diferentes e únicos, isto por si só derrota a ideia de homogeneidade humana. Aprendemos de formas diferentes, pensamos e gostamos de coisas diferentes e temos também condições socioeconômicas muito distintas.

Estas condições econômicas, em alguns casos, definem e implicam diretamente nos objetivos e propósitos pelos quais a criança frequenta uma escola.

Sabemos que muitas crianças precisam comer, por isso vão a escola; outras ainda quando muito pequeninas, frequentam a escola, pois os pais necessitam trabalhar; e há também aquelas que vão a determinadas escolas para sustentar certos “status” dos grupos sociais do qual os pais fazem parte. Mas há também pais que escolheram as escolas devido aos métodos pedagógicos e pela filosofia do trabalho educacional que oferecem.

Independente do que seja, se desconhecermos os motivos pelo qual cada aluno frequenta a escola, teremos problemas na relação direta com eles e principalmente com suas famílias. Alguns comportamentos dos pais, por mais que sejam estranhos, passam a ser “melhor compreendidos”, uma vez que se conhece os interesses das famílias. Com isso, não quero dizer que a escola deve assumir o papel dos pais, muito pelo contrário, deve partilhar com a família a responsabilidade de educar, mas perceber os limites que envolvem estas relações entre família-escola.

escola

Por conta das desigualdades sociais existentes, há um consenso entre as pessoas ao achar que nas escolas públicas estão os alunos menos favorecidos e nas escolas particulares estão os mais favorecidos financeiramente.

No caso do Brasil, isso tem uma certa verdade pela forma cultural e econômica em que o ensino está organizado, mas na Europa por exemplo, não é bem assim que funciona; as escolas públicas europeias têm grande prestígio e muitas famílias privilegiadas economicamente optam por matricularem os seus filhos nestas instituições.

É bastante curioso e interessante observar esta diversidade socioeconômica dentro de um único espaço. A mãe empregada de mesa e um pai empresário debatendo, nas reuniões de pais, melhorias para a escola dos seus filhos. Existem problemas causados pelas condições econômicas? Sim, como em todo lugar, mas como o objetivo é zelar pela educação de qualidade para os filhos, essas diferenças não são soam como  problema, não nesse cenário.

O preconceito é algo ensinado pelo adulto. As crianças são ensinadas a selecionar seus amigos pela ótica do adulto.

As escolas particulares no Brasil, nem sempre ilustram este cenário separatista que está na mentalidade das pessoas. Muitos pais fazem grandes sacrifícios para dar o melhor para os filhos; e para eles, o melhor, é uma educação de qualidade que supostamente acham que vão encontrar nas escolas particulares.

Digo supostamente, pois classificar se uma escola é boa ou ruim devido ela ser pública ou privada é mais um erro. Há boas escolas públicas e há boas escolas particulares, assim como também há más escolas independente de serem públicas ou particulares.

Isto parece ser óbvio e até redundante, mas você já parou para se perguntar o que é uma boa escola? ou o que faz de uma escola ser boa ou não?

Podemos construir um ótimo livro só com as respostas para estas perguntas, mas a reflexão que se quer aqui vai mais além do que a escola deve ter ou fazer para ser boa, mas sim da sua essência. Por isso, o título deste texto começou por questionar: que tipo de educação você quer dar para as crianças, professor?

Podemos brincar com esta pergunta e criar tantas outras… que tipo de cidadão você quer formar? que tipo de pessoa você quer ajudar a constituir? Não se tem aqui a pretensão de dar respostas, mas pensar em alguns caminhos a partir da diversidade socioeconômica encontrada nas escolas.

Esta diversidade aumenta o desafio do professor em sala de aula, pois os conteúdos não podem ser mais a preocupação exclusiva; valores como respeito ao outro e às diferenças passam a ser tão importantes quanto o aprender formal, aliás, estes são aspectos que propiciam uma melhor interação, comunicação e por fim um melhor aprendizado.

Infelizmente, ouve-se nos corredores das escolas crianças discutindo: “meu pai tem dois helicópteros e o seu não tem nenhum”; “você é pobre, por que estuda nesta escola?”. Estas atitudes incentivam e aumentam a prática do bullying e de outros maus comportamentos que não colaboram com a construção de uma boa escola e também da aprendizagem das crianças.

escola alto nível

As desigualdades sociais encontram-se em níveis variados dentro das escolas, por exemplo: a criança rica e a muito rica, a criança pobre e a extremamente pobre, e outros espaços onde se tem um pouco de tudo. Não é somente pensar nos extremos, mas nestas variações dentro de cada classe social. Estes problemas trazidos pelas dificuldades em lidar com a diversidade socioeconômica dá a oportunidade ao professor de falar e ajudar as crianças na construção da sua identidade e autonomia.

Trazer para dentro da classe as diferenças existentes entre os alunos e potencializa-las para o conhecimento é uma boa estratégia. Uma criança que vende doces no farol, tem com certeza, muita experiência com a matemática e isso pode ser levado para a sala de aula, para a criança ressignificar e protagonizar a sua aprendizagem.

escola brasileiraDesta mesma forma, a criança dos helicópteros tem uma vivência a ser partilhada que vai além do ter mais ou menos um bem material, e isso, com criatividade, pode virar uma rica experiência para todos.

Cada vez mais, as crianças mostram dificuldades em superar o seu egocentrismo inicial, pois são ensinadas a serem egoístas, quando desprezam e julgam uma condição social diferente da sua.

A escola é o espaço mais rico para que estas realidades se cruzem e coloquem a criança numa posição de conflito frente aos seus valores, conhecimentos e personalidade, que a priori é constituída pela família. Isso é saudável para o seu desenvolvimento psíquico, mas se não for bem assistida pode ser um risco para as relações sociais e para o desenvolvimento pessoal das próprias crianças.

A escola precisa se importar com as diferenças sociais e entender que este problema também é seu. A escola representa a população e se julgamos que a sociedade está ruim é porque de alguma forma a escola contribui com isso, quando finge, por exemplo, que não é um problema seu, as crianças se desrespeitarem.

O que quero dizer com isso é que o aluno que está em nossas classes hoje, poderá ser o médico que cuidará de nós amanhã, ou o professor que dará aulas para o nosso filho no futuro, enfim, está em nossas mãos transformar os problemas da desigualdade em oportunidades de construir uma sociedade melhor.

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Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

O coordenador virou o faz-tudo da escola?

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

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O coordenador virou o faz-tudo da escola?

“Existem dois tipos de coordenador: o maestro, que conduz e forma os professores, ou o bombeiro, que passa o dia correndo e apagando incêndios”. Ouvi a frase há algumas semanas durante uma aula da pós-graduação, justamente em um módulo sobre o papel da coordenação na nova configuração da escola. Surpresa: mesmo entre educadores, não houve consenso.

A maioria dos coordenadores são antigos professores que se destacaram em sala de aula e foram convidados a ocupar o cargo – sem que, contudo, recebessem uma formação específica para essa nova tarefa. Cursos de pedagogia abordam muito superficialmente as atribuições desse profissional, portanto, cabe a ele ir atrás de cursos, livros, debates e informação para melhorar sua prática. Afinal, por mais que a experiência em sala seja importante para compreender a rotina da equipe que se quer orientar, há outras competências que se fazem necessárias: a liderança, por exemplo, assim como a gestão de tempo e de pessoas.

Outro percalço é o fato de que, mesmo dentro das escolas, as funções do coordenador ainda se confundem. Quando há a figura de um orientador pedagógico, é possível dividir esforços: o coordenador é encarregado de tudo o que concerne o aprendizado das crianças, o pedagógico, mas cabe ao orientador lidar com relacionamentos familiares e questões socioemocionais dos estudantes. Infelizmente, em um grande número de escolas, um único profissional acumula os dois trabalhos (além de vários outros desafios diários que não estavam nos seus planos).

Então, o que NÃO É função do coordenador?

  • Ser o inspetor – supervisionar a entrada e saída das crianças diariamente ou garantir o uso do uniforme escolar não são tarefas do coordenador pedagógico (ainda que 72% dos coordenadores entrevistados pela Fundação Victor Civita para a pesquisa ‘O Coordenador Pedagógico e a Formação de Professores: Intenções, Tensões e Contradições’ as façam). Verificar se as salas de aula estão limpas e organizadas tampouco deveria estar na sua lista de afazeres (são 55% os que o fazem), nem cuidar da quantidade de material didático ou estado de conservação da escola (35%). No caso da supervisão dos alunos, o mais indicado seria designar outro profissional qualificado para o trabalho. Já se preocupar com a infra-estrutura e recursos da escola cabe ao diretor e ao vice.
  • Tarefas administrativas – organizar tabelas de horários, preencher ou conferir listas de chamadas, arquivar documentos, escrever atas são parte do dia a dia de 22% dos coordenadores, apesar de pertencerem aos deveres da secretaria. Caso a papelada esteja saindo do controle, é hora de pensar sobre os sistemas utilizados pela escola: a que serve tanta burocracia? Há formas de minimizar esses processos e, assim, economizar tempo? Além da Eduqa.me, com foco em documentação pedagógica, outros sites e ferramentas podem tornar essa missão mais fácil.
A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

A papelada aumenta e os processos burocráticos atrasam o trabalho da coordenação? Talvez seja hora de rever os sistemas da escola (foto: Utterly Organized)

  • Substituir professores em sala – idealmente, a escola possui uma lista de professores substitutos que estejam aptos a assumir em caso de imprevistos. Um banco de atividades também pode (e deve) ser criado em parceria com os docentes, para que as substituições sejam rápidas e não prejudiquem a turma. Ainda assim, 19% dos coordenadores entrevistados responderam que substituem colegas faltosos uma ou mais vezes por semana.
  • Eventos e parcerias – 18% dos profissionais disse acreditar ser papel do coordenador se envolver ativamente em festas juninas, apresentações das crianças ou gincanas que acontecem na escola. Na verdade, a responsabilidade da coordenação aqui é orientar, não executar. Ou seja: não é preciso virar noites recortando e colando cartazes, mas sim organizar a equipe e distribuir tarefas. Quando excursões escolares estão programadas, os professores responsáveis pelo passeio podem trabalhar em parceria com a secretaria para agendar datas e enviar comunicados aos pais.

E o que É, MESMO, responsabilidade do coordenador?

Um profissional na coordenação precisa assumir três papéis:

  • Formar – identificar as necessidades de formação dos professores de acordo com o currículo da escola e a realidade dos alunos. A partir disso, dar as condições necessárias e orientar os professores para que eles se aprofundem em suas respectivas áreas de conhecimento. Ou seja: um bom coordenador não precisa ser um grande entendedor de química, física ou língua inglesa, por exemplo, para formar os professores dessas disciplinas; mas deve, sim, ser capaz de contribuir quanto às didáticas, estratégias e metodologias empregadas em sala.
  • Articular – promover diálogos entre professores e, em conjunto, colocar em prática o projeto pedagógico e relacionar o currículo da escola com a realidade da comunidade em que está inserida. Aqui, é essencial desenvolver a escuta e possibilitar o trabalho em equipe, inclusive na orientação de projetos interdisciplinares. Garantir o bom entrosamento do grupo e estimular a união são igualmente relevantes: é preciso dedicar-se aos relacionamentos diretor-coordenador, coordenador-professor, professor-professor.
  • Transformar – questionar, provocar, promover a reflexão. Ao invés de tentar colocar tudo sob suas asas, um bom coordenador deve ajudar os professores a pensarem questões de suas salas de aulas mais a fundo, desenvolvendo um olhar crítico e sendo capazes de resolver problemas por conta própria. Esse exercício não só gera uma equipe mais preparada e segura como permite que o coordenador tenha mais tempo para destinar a outras tarefas que não “apagar incêndios”.
Os três principais papéis do coordenador pedagógico são: o de articulador, formador e transformador (foto: Talking Taylor Schools)

Os três principais papéis do coordenador pedagógico são: o de articulador, formador e transformador (foto: Talking Taylor Schools)

É claro que não existe uma receita de bolo que, seguida passo a passo, tenha garantia de sucesso. Um modelo de coordenação bem sucedido em uma escola não necessariamente atenderá às demandas de outra. Com isso em mente, sempre é preciso levar em conta o repertório de experiências, cultura e informação dos professores, suas formas de comunicação e suas limitações.

Sendo assim, estas são, de fato, algumas das tarefas que pertencem ao coordenador:

  • Conhecer as práticas pedagógicas de cada professor – assistir às aulas dos colegas deve ser uma atividade bem planejada e intencional: o que se busca observar? Se o coordenador traz somente críticas, ele está perdendo seu papel de formador. Pelo contrário, ele deve usar esse momento para conhecer melhor o professor e descobrir como orientá-lo, sem forçar suas próprias opiniões sobre como conduzir a classe.
  • Planejar e conduzir reuniões pedagógicas coletivas, por área e série e individuais – é preciso planejar com antecedência para que cada um desses encontros seja significativo e produtivo. Há questões que exigem a presença de todos os docentes; outras, seriam melhor trabalhadas dentro de determinada série ou área de conhecimento. Existe também a necessidade de se prestar atendimento individual a cada professor; nesse momento, são compartilhados feedback (após acompanhar seu trabalho em sala de aula), estratégias de ensino e reflexões sobre a turma.
  • Acompanhar o desempenho da escola em avaliações internas e externas – o aprendizado das crianças é responsabilidade do coordenador, portanto, é preciso estar atento ao desenvolvimento da classe como um todo e atento a sinais de dificuldade. Conhecer a classificação da escola em índices nacionais, como o Ideb ou a Provinha Brasil, também é essencial. Através dessas informações, o profissional pode identificar falhas, sucessos e reorientar a equipe.
  • Estudar muito – uma parcela do tempo do coordenador precisa estar reservada para sua atualização. O que está acontecendo no universo da educação? Quais boas práticas receberam destaque, quais tecnologias surgiram e podem facilitar seu trabalho, quais autores e pesquisadores vão de encontro à proposta da sua escola e irão contribuir com sua formação? Valorizar a atualização profissional é benéfico de todas as formas, afinal, estabelece também um exemplo dentro da escola, em que toda a equipe se sente estimulada a aprender.

Gaste seu tempo com o que realmente importa - horizontal

Leia mais:

Gestão Escolar (2)

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Revista Educação

6 Passos para a autoavaliação do professor

Fonte: Scuolaazoo

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6 Passos para a autoavaliação do professor

Antes de guardar os cadernos, fechar os armários e correr para a praia, há uma última tarefa que o professor precisa cumprir para garantir a qualidade do seu trabalho: a autoavaliação. Nesse momento, vale fazer um balanço geral dos meses que se passaram, entender o que teve bons resultados, o que falhou e em que pontos melhorar.

A autoavaliação não caminha sozinha: muitas escolas combinam questionários da gestão, dos professores, dos pais e mesmo dos alunos (prática mais comum quando se tratam de crianças maiores) para abranger um cenário mais amplo do que ocorreu no ano letivo. Essa relação entre diferentes opiniões explicita problemas de relacionamento, comunicação, ensino, organização ou administração que, de outra forma, passariam despercebidos e abrem espaço para o diálogo entre setores: como um pode contribuir com o outro?

Porém, ainda que essa não seja uma prática comum na instituição em que você trabalha, é interessante reservar alguns minutos para fazer o exercício por conta própria. Essa é a melhor maneira de reorientar suas práticas pedagógicas com intencionalidade no futuro. Mas cuidado – essa não é uma atividade que deva ser feita às pressas, de qualquer jeito. Separamos 6 dicas para tornar o trabalho mais fácil:

Divida a autoavaliação por áreas

A autoavaliação deve ser feita com tempo e concentração - e, de preferência, por escrito (foto: The New Daily)

A autoavaliação deve ser feita com tempo e concentração – e, de preferência, por escrito (foto: The New Daily)

Educadores sugerem que a autoavaliação seja realizada por áreas, ao invés de se criar uma única pesquisa com dezenas de perguntas. Questionários muito longos são exaustivos e há grandes chances de que, ao chegar na última questão, o professor já esteja cansado demais para responder com calma e profundidade.

Cada profissional pode definir tópicos de acordo com sua rotina e ambiente. Podem estar entre eles:

  • Planejamento de atividades e projetos;
  • Organização de materiais e da sala de aula;
  • Postura em sala de aula;
  • Relacionamento com outros funcionários;
  • Iniciativa, criatividade e originalidade;
  • Relação com as famílias das crianças;
  • Materiais produzidos, avaliações e devolutivas e como elas foram úteis ao aprendizado da turma;
  • Resolução de conflitos.

#1  Escolha um modelo de avaliação

Para ser capaz de olhar atentamente para os resultados do ano que passou, o mais indicado é que a autoavaliação seja feita por escrito. Você pode elaborar perguntas cujas respostas sejam “sempre”, “às vezes” ou “nunca”; “bom”, “regular” ou “ruim”; ou ainda que usem escalas numéricas (1, para péssimo, até 10, para excelente). Por exemplo:

1. Este ano eu soube lidar com brigas e conflitos entre as crianças com calma e fui justa nas minhas reações: (  ) Sempre  (  ) Na maioria das vezes  (  ) Raramente  (  ) Nunca.

Uma alternativa é a produção textual, que permite uma reflexão mais profunda e a descrição de momentos específicos que ilustrem os pontos ressaltados.

#2 Liste projetos, atividades e momentos marcantes do ano

Lembre-se dos momentos mais significativos do ano e pergunte-se: o que aprendi com eles? (foto: Hickman Mills)

Lembre-se dos momentos mais significativos do ano e pergunte-se: o que aprendi com eles? (foto: Hickman Mills)

É mais fácil analisar determinadas cenas, que exprimem exatamente os acertos e erros que o professor pretende destacar, do que tentar resumir o ano inteiro, o que pode resultar em uma avaliação genérica, vaga demais. Liste momentos importantes do ano letivo, sejam eles: excursões da turma, brincadeiras que acabaram em bagunça, apresentações em datas comemorativas, uma atividade de sucesso inesperado, uma reunião de pais em que houve falha de comunicação. Eles não precisam necessariamente ter sido grandes eventos, apenas esclarecer um aprendizado.

#3 Reflita sobre os resultados

Essa é a etapa mais importante de todo o processo. Hora de dividir as práticas do ano anterior entre as que funcionaram, as que exigem melhorias e as que devem ser completamente repensadas. Seja honesto, afinal, o objetivo da autoavaliação não é punir ninguém – pelo contrário, é contribuir com sua experiência profissional.

Pergunte a si mesmo:

  • Em quais momentos você acertou e em quais errou?
  • O que faria diferente?
  • O que gostaria de repetir?
  • Houve comportamentos inapropriados, preguiça, má vontade, falta de iniciativa? Quando?
  • Houve empolgação demais, mas falta de organização e planejamento? Quando?
  • Suas estratégias foram de encontro com as necessidades das crianças?
  • Como você acompanhou o aprendizado delas? O desenvolvimento da turma ficou claro para você?

Caso você trabalhe com mais de uma turma, é melhor fazer esse processo duas vezes, uma para cada grupo. Comparar resultados também pode abrir seus olhos para atitudes e didáticas usadas com cada uma e como influenciaram no desenvolvimento das crianças. Quando houver diferenças marcantes entre as turmas, procure pelos motivos.

#4 Peça opiniões

Gestores, professores e funcionários podem enriquecer a reflexão e sugerir outras formas de melhorar (foto: Understood)

Gestores, professores e funcionários podem enriquecer a reflexão e sugerir outras formas de melhorar (foto: Understood)

Quem trabalha com você diariamente pode contribuir muito para sua reflexão. Convide colegas, sejam eles diretores, professores ou outros funcionários, a fazer críticas construtivas quanto à sua atuação durante o ano letivo. Compartilhar sua autoavaliação pode, inclusive, inspirar a equipe a fazer o mesmo – o que ocasionará mudanças mais significativas na escola.

Procure profissionais que admira para tirar dúvidas, sejam eles educadores ou não. Peça dicas para lidar com situações que ainda lhe causam desconforto, para criar um esquema de organização para suas pastas e cadernos, para se inspirar e trazer novas ideias de atividades à sala de aula. Não tenha vergonha de pedir ajuda.

#5 Trace um plano para o próximo ano

Agora que você identificou sucessos, fracassos e pontos de melhoria, sente-se e escreva suas metas para o ano seguinte. Um por um, enfrente cada problema e estabeleça uma solução. Identifique quais são as mudanças prioritárias, que merecem mais atenção – você pode até mesmo colocar prazos e objetivos para acompanhar seu aprendizado, como faz com as crianças.

Pode acontecer de os problemas apontados dependerem não apenas do professor; a decisão de levar as crianças para mais estudos de campo em parques, museus ou teatros, por exemplo, precisa do aval da coordenação pedagógica. Nessa situação, leve sua autoavaliação para a escola e discuta-a com seus superiores, explicando as necessidades que você observou.

Aproveite a reflexão para pensar ainda em seu trajeto profissional: está na hora de buscar novos cursos e capacitações? Você está investindo o suficiente em sua carreira? Liste suas necessidades e limitações (preços, horários, local) e pesquise novos projetos para o ano seguinte.

#6 Acompanhe seu progresso

A autoavaliação não precisa ser reservada para o final do ano. Nos próximos meses, retorne às metas que definiu e acompanhe seu progresso. Que tal ter um diário em que, a cada semana, você registra o que aprendeu?

Quanto mais frequente for sua reflexão, mais rápida e eficiente será a reorientação e melhores os resultados!

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Tudo o que você precisa saber sobre tecnologia em sala de aula

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Relatórios/Práticas inovadoras
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Tudo o que você precisa saber sobre tecnologia em sala de aula

Crianças e jovens nascidos a partir do fim da década de 90 e início dos anos 2000 são considerados “nativos digitais”. Eles já vieram ao mundo com acesso à internet – e isso influencia seu aprendizado, sua linguagem e seu comportamento de formas que ainda estão sendo estudadas. O nome de nativos é dado em oposição a todos aqueles que nasceram antes da disseminação de computadores, tablets e smartphones: quem foi criado com a tecnologia analógica e precisou aprender e se adaptar às novas formas de trabalho. Estes são os “imigrantes digitais”.

A ruptura em sala de aula acontece, em parte, porque a grande maioria dos professores é um imigrante, enquanto os alunos são nativos. É como se fossem de países diferentes e falassem em idiomas diferentes, um sendo obrigado a se ajustar às expectativas do outro. Quando um professor impede que as crianças usem celulares para pesquisa, insistindo em pesadas enciclopédias para a realização da tarefa, está ignorando o contexto em que esses estudantes foram criados: para eles, os livros técnicos não fazem sentido quando sabem que a informação está a dois cliques (ou um comando de voz) de distância.

O professor será substituído pela tecnologia?

O professor não é a única fonte de conhecimento, é claro, mas é quem deve mediar e orientar os interesses das crianças e apresentar novas ferramentas de aprendizado (foto: Missouri Edu)

O professor não é a única fonte de conhecimento, é claro, mas é quem deve mediar e orientar os interesses das crianças e apresentar novas ferramentas de aprendizado (foto: Missouri Edu)

CLARO QUE NÃO. Assim mesmo, em maiúsculas. Como disse o professor Paulo Blikstein, da escola de educação da Universidade Stanford, em uma entrevista à Revista Educação, isso seria equivalente a “querer substituir o médico na sala de cirurgia”. Afinal, o professor possui, sim, um conhecimento científico maior que as crianças e, em vários momentos, faz sentido que ele exponha informações.

Contudo, é preciso alternar essa prática com diferentes dinâmicas, espaços colaborativos, pesquisa, debate e projetos interdisciplinares, que deem voz a todos os indivíduos em sala. As consideradas “aulas tradicionais” não precisam ser extintas, mas sim ocupar momentos pertinentes.

Qual o papel do professor nesse cenário?

Cada vez mais pesquisadores apontam o professor como um orientador e mediador que observa, identifica as necessidades das crianças e oferece ferramentas para o aprendizado de cada uma. Ele ajuda a construir aprendizados diversos e, conforme as crianças crescem e desenvolvem autonomia, vai permitindo que elas ajam com mais independência dentro da escola: selecionando temas, sugerindo projetos ou formas de pesquisa, organizando suas equipes de trabalho.

A atuação desse educador pode ser dividida em quatro frentes:

  • Orientar os processos intelectuais (conhecimento cognitivo) – ajudar as crianças a selecionar informações relevantes e confiáveis, transformá-las em mensagens significativas e relacionadas à realidade dos alunos, elaborar questões que levem à interpretação e compreensão dos temas, incentivar a autoavaliação.
  • Orientar o desenvolvimento emocional e social – proporcionar um equilíbrio entre trabalhos individuais e de equipe, criar situações de interação entre as crianças, mediar conflitos apresentando formas saudáveis de resolver problemas, estimular canais de expressão (que incluem a tecnologia digital e analógica), cultivar a empatia e motivar a turma.
  • Orientar o senso ético – assumir e vivenciar valores construtivos, individual e socialmente, transmitir noções de colaboração, integração, liberdade.

Como e quando inserir a tecnologia digital na escola?

Sempre faça a pergunta: por que a tecnologia é essencial nesse aprendizado? Se não houver resposta, pode ser que ela só sirva de enfeite, não para potencializar sua aula (foto: Wikimedia)

Sempre faça a pergunta: por que a tecnologia é essencial nesse aprendizado? Se não houver resposta, pode ser que ela só sirva de enfeite, não para potencializar sua aula (foto: Wikimedia)

A pergunta deve ser sempre: qual a melhor maneira de se transmitir esse ensinamento? Não necessariamente uma tela de computador será a melhor saída – e transferir um livro didático para uma apresentação de PowerPoint não representa inovação alguma. O suporte não é o importante, mas sim o conteúdo. É responsabilidade do educador refletir sobre o currículo e identificar em quais situações a tecnologia vai realmente influenciar o aprendizado das crianças.

Beth Almeida, especialista em Novas Tecnologias na Educação, disse à Revista Educar para Crescer: “Sempre pergunto aos que usam a tecnologia em alguma atividade – qual foi a sua contribuição? O que não poderia ser feito sem tecnologia? Se ele não consegue identificar claramente, significa que não houve um ganho efetivo”.

Esses são os pontos fortes de se trabalhar com tecnologia em sala de aula:

  • Trabalhos colaborativos – várias plataformas permitem que os estudantes construam projetos em conjunto ou criem espaços para discussão de ideias;
  • Conexão com o “mundo real” – a internet permite que uma tarefa escolar se transforme em um projeto real, que pode ser colocado em prática e atingir a comunidade;
  • Comunicação – da mesma forma, a internet é uma ferramenta incrível para conectar jovens com outras pessoas que possam acrescentar ao seu conhecimento: pesquisadores, professores, profissionais do mercado de trabalho, crianças e adolescentes de outras partes do mundo, etc., sempre com a supervisão de um adulto;
  • Interdisciplinaridade – ao invés de isolar a tecnologia em uma aula de informática, ela deve ser usada como instrumento de aprendizado em todas as disciplinas;
  • Protagonismo – um mesmo ponto de partida pode levar crianças com olhares distintos por caminhos e projetos completamente diferentes. Trabalhar com o apoio da internet permite essa diversidade.

A inserção da tecnologia na escola deve ajudar a equipe pedagógica, as famílias e os alunos a atuar em conjunto, gerando um ambiente mais democrático e integrado.

Por que a tecnologia não funciona na minha escola?

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Está achando a teoria maravilhosa, mas nunca observou esses resultados na sua rotina? Você não é o único. Apesar de estarmos vivendo um boom de tecnologia educacional (com games educativos, plataformas adaptativas e ensino à distância), o maior desafio para que esses modelos funcionem é a formação dos professores. Em segundo lugar, vem a infraestrutura inadequada das escolas, embora o primeiro fator seja o mais grave: professores capacitados conseguem superar um ambiente despreparado e sugerir soluções inovadoras; já a melhor estrutura possível não vai fazer a menor diferença se não for bem utilizada.

Para Paulo Blikstein, para cada R$1 gasto em equipamento, seriam necessários R$9 em formação. Com esse aprendizado, os professores seriam capazes de potencializar suas ações – não seriam substituídos, mas, sim, teriam recursos para impactar mais crianças de maneira mais eficaz. Isso já começa a ser feito através de:

  • Tecnologias maker, ou “mão na massa”, que funcionam como laboratórios de informática que estimulam a experimentação dos alunos;
  • Softwares de simulação e games educativos;
  • Ferramentas de pesquisa online e mapeamento de informações;
  • Robótica e programação;
  • Laboratórios de ciências computadorizados.

Onde buscar essas capacitações?

As próprias escolas, os diretores e coordenadores pedagógicos, deveriam incentivar a equipe a procurar qualificação em tecnologias educacionais. Mesmo que esse não seja o caso, há muito que o professor pode buscar por conta própria para enriquecer sua prática e compreender o universo das crianças.

Cursos de tecnologia educacional

  • Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação é um curso desenvolvido pela Fundação Lemann e o Instituto Península com a proposta de apresentar aos educadores formas de integrar as tecnologias digitais ao seu currículo escolar. Há várias possibilidades de acessar o conteúdo: como curso aberto, online e gratuito, como curso online com certificação (mais longo que o gratuito) ou em conjunto com outros módulos de extensão. Saiba mais aqui.
  • Novas tecnologias para a aprendizagem: Ensino Médio e Fundamental é um curso online desenvolvido pelo Instituto Phorte em parceria com a Unesco. Os módulos são: aspectos filosóficos, didática aplicada, novas plataformas e políticas educacionais. Saiba mais aqui.
  • Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado) é oferecido pelo MEC para professores e gestores da rede pública. O educador pode escolher diversos cursos que têm entre 40 e 60h de duração. Saiba mais aqui.
  • Escola Digital, criada pelo Instituto Inspirare, Instituto Natura e Fundação Telefônica Vivo, disponibiliza um curso online e gratuito em três módulos: Tecnologia Digital, Plataforma Escola Digital e Planejando com o uso de objetos digitais de aprendizado e ferramentas. A plataforma também oferece matéria gratuito para ser usado em sala de aula – são mais de 4 mil vídeos, animações, jogos, infográficos e planos de aula digitais. Saiba mais aqui.
O professor pode - e deve - buscar capacitações que o aproximem da linguagem dos alunos para aumentar seu impacto em sala de aula (foto: Wikimedia)

O professor pode – e deve – buscar capacitações que o aproximem da linguagem dos alunos para aumentar seu impacto em sala de aula (foto: Wikimedia)

Livros sobre tecnologia na educação (recomendados pelo Portal do Professor)

  • Educação e Novas Tecnologias Glaucia da Silva Brito, Ivonélia da Purificação – Editora Ibpex – Brasil – 2008 – 2ª edição.
  • Multimídia Digital na Escola Elenice Larroza Andersen (Org.) – Editora Paulinas – Brasil – 2013 – 1ª edição.
  • Novas tecnologias e mediação pedagógica José Manuel Moran et al – Editora Papirus – Brasil – 2013 – 21ª edição.
  • Eles Sabem (Quase) TudoBetina Von Staa – Editora Melo – Brasil – 2011 – 1ª edição
  • Computadores em Sala de AulaCarme Barba, Sebastià Capella (Org.) – Editora Penso – Brasil – 2012 – 1ª edição
  • Educação com Tecnologia – Texto, Hipertexto e Leitura Mary Rangel – Editora Wak – Brasil – 2012 – 1ª edição

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Na prática: para que servem meus registros pedagógicos?

Fonte: Background UNA

Registros/Rotina pedagógica
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Na prática: para que servem meus registros pedagógicos?

Toda a documentação feita pelo professor de Educação Infantil é um registro pedagógico: o planejamento, a lista de presença, os relatórios e diários de classe. E, de alguma forma, todos eles devem conversar entre si, um afetando o desenvolvimento do próximo. Esse processo permite que o professor trabalhe com intencionalidade, ao invés de ao acaso – é o trabalho de anotar, refletir e tomar decisões com base nesses registros que ajuda a garantir uma aula com foco nas necessidades das crianças.

Uma série de recursos compõe a documentação pedagógica. Para aprofundar o olhar sobre a turma, podem ser usadas:

  • Fotos;
  • Vídeos;
  • Relatos do professor;
  • Produções das crianças;
  • Gravações ou transcrições das falas das crianças.

Para saber mais sobre como usar fotos e vídeos no registro pedagógico, clique aqui!

A partir dessas evidências, o professor é capaz de levantar os interesses das crianças, seus potenciais e dificuldades, a forma como agem e interagem quando trabalham em grupo ou individualmente, aspectos emocionais e particularidades de cada uma. Além disso, a reflexão pode incluir um olhar para as ações do próprio educador: como foi o processo de ensino, a organização da classe e como cada decisão tomada influenciou sua sala de aula.

Incluir detalhes da própria prática é uma oportunidade de identificar problemas, repensá-los e corrigi-los, melhorando a qualidade do ensino e o relacionamento com as crianças. Assim, os planejamentos seguintes devem sempre trazem o que foi aprendido com os registros anteriores. Registros de qualidade geram um ciclo: planejamento, realização das atividades, documentação, análise e, por fim, o replanejamento, com base naquilo que foi descoberto e aprendido.

Então, preciso registrar tudo?

Há muito acontecendo na sua sala de aula... Então selecione o que registrar e investigue aquele tema a fundo (foto: WV Gazette Mail)

Há muito acontecendo na sua sala de aula… Então selecione o que registrar e investigue aquele tema a fundo (foto: WV Gazette Mail)

Não é possível registrar absolutamente tudo o que acontece na sua sala de aula – e isso nem seria eficiente. Faz parte do papel do educador selecionar os momentos que julga mais significativos e acompanhá-los. Não há ciência para isso: é o professor que conhece a turma e conhece cada criança que saberá eleger os comportamentos e interações mais relevantes, que representam conquistas, desafios ou atitudes fora do comum.

Quando identificar um desses momentos, você pode investigá-los mais a fundo. Caso escolha fazer isso com o auxílio de fotos ou vídeos, ainda pode ter a oportunidade de perceber outros acontecimentos mais tarde, ao acessá-los fora da sala de aula, quando assistir às gravações ou observar as imagens. O distanciamento facilita um olhar mais abrangente e abre espaço para outras reflexões.

Faça perguntas

Os registros devem mostrar as conquistas, os próximos passos e as dificuldades de cada criança, assim como da turma (foto: Bare Feet on the Dashboard)

Os registros devem mostrar as conquistas, os próximos passos e as dificuldades de cada criança, assim como da turma (foto: Bare Feet on the Dashboard)

Fazer perguntas é uma etapa essencial dos registros pedagógicos. É através delas que o professor define seus objetivos com aquelas anotações: o que quer descobrir? Antes de começar qualquer atividade, é útil saber o que você quer atingir com ela e orientar seus registros a partir dessa premissa.

As crianças estão interessadas em algum assunto? O que fez o grupo trabalhar em equipe? O que deixou a turma curiosa, intrigada ou preocupada? As crianças fizeram sugestões, propuseram brincadeiras, atividades ou temas? Como se movimentaram pelos espaços da aula? A partir dessas indagações e suas respostas, será possível encontrar:

  • As conquistas de cada criança e da turma;
  • Para quais novos aprendizados elas estão prontas;
  • As dificuldades individuais ou do grupo;
  • Os interesses e curiosidades das crianças e como eles podem ser incluídos nas aulas;
  • O que deve ser discutido com a coordenação;
  • O que deve ser discutido com os pais;
  • O que pode ser exposto em sala, para marcar o aprendizado das crianças;
  • Quais práticas do professor estão funcionando e quais precisam ser mudadas.

Trabalho em equipe

Registrar não deve ser uma tarefa solitária: a ajuda de outros professores, auxiliares e coordenadores traz qualidade e outros pontos de vista à documentação (foto: A Fine, Fine School)

Registrar não deve ser uma tarefa solitária: a ajuda de outros professores, auxiliares e coordenadores traz qualidade e outros pontos de vista à documentação (foto: A Fine, Fine School)

Normalmente, as escolas veem os registros como uma tarefa solitária do professor. Contudo, ter outras vozes durante o processo de documentação só traz benefícios! Afinal, as anotações, as fotos e as seleções de material são feitas de acordo com as singularidades de cada educador – ele as escolhe de acordo com sua cultura, seus estudos, suas experiências. E, naturalmente, outros detalhes ficam de fora.

Sempre que possível, peça que um colega (coordenador, professor ou auxiliar) junte-se à sua turma e faça os próprios registros que, depois, serão discutidos pela dupla. Além de a atividade proporcionar olhares distintos sobre um mesmo evento, o fato de compartilhar opiniões e discuti-las em voz alta enriquece a reflexão e torna mais fácil encontrar soluções.

As crianças na Educação Infantil também podem ser participantes mais ativas dos registros pedagógicos: fazendo algumas perguntas e guardando suas falas, você pode compreender o que elas aprenderam ou como interpretaram os acontecimentos da sala de aula, quais memórias permaneceram e de que elas sentiram falta.

Não tenho tempo

Para realizar todo esse trabalho, é preciso reservar o tempo adequado. Uma documentação aprofundada não é feita em meia hora e cabe à escola ceder ao professor o tempo e o espaço necessários para refletir. Uma pilha de anotações não significa ter registros bem feitos – o essencial é que eles sejam pensados, usados para melhorar e reorientar a prática pedagógica.

Toda a equipe precisa entender que os registros não servem apenas como burocracia, mas, sim, como um instrumento valioso para a educação das crianças. O coordenador precisa participar: ao acessar esses registros, ele identifica as conquistas e dificuldades enfrentadas em classe e percebe como orientar melhor os professores.

Acesse a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.

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5 atividades criativas de artes para Educação Infantil

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Atividades/Música e artes/Relatórios
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5 atividades criativas de artes para Educação Infantil

Por que ensinamos arte na Educação Infantil? Ao contrário da escrita e da matemática, as aulas de artes não têm uma aplicação objetiva na vida da criança – nem pais nem professores esperam que elas se tornem artistas quando adultas. Ainda assim, a pintura, o desenho e os trabalhos manuais são parte relevante do currículo infantil, inclusive destacado como uma das áreas de conhecimento do Referencial Curricular Nacional.

A pergunta não é retórica, nem uma forma fácil de começar o texto. É preciso ter bem claro qual o objetivo de se ensinar algo, porque é esse objetivo que vai ajudar o professor a traçar seu plano de aula. Por que você ensina arte à sua turma de 3, 4, 5 anos?

É comum que atividades artísticas sejam usadas com preparação para a escrita: o foco não é a arte em si, mas a motricidade fina, a destreza dos dedos para que, mais adiante, a criança consiga criar letras e números. Suas atividades de artes têm essa meta? Pense bem: as crianças são instruídas a copiar, traçar linhas retas, seguir pontilhados, pintar dentro das linhas de um desenho já preparado com antecedência, copiar modelos prontos? Esses exercícios são úteis para que elas sejam alfabetizadas – mas não as estão educando em artes.

Quando sua classe aprende a reproduzir imagens prontas, ela entende a mensagem de que há um certo e um errado no processo criativo, de que há obras de arte boas ou ruins de acordo com uma pequena lista de regras. Ninguém aprende, porém, quais as diferentes técnicas possíveis, a interpretação de acontecimentos ou sentimentos em imagens, a exploração da criatividade ou os vários espaços em que a arte pode se manifestar.

Conhecer ambientes culturais como museus, teatros e galerias, é importante para o repertório tanto do professor quanto das crianças (foto: Ecology of Education)

Conhecer ambientes culturais como museus, teatros e galerias, é importante para o repertório tanto do professor quanto das crianças (foto: Ecology of Education)

Isso significa que as crianças devem ficar soltas para brincar com tinta sem qualquer orientação? Também não – mas estamos chegando mais perto. Sem o professor como guia, é muito provável que a turma vá apenas reproduzir o que já vê em outras fontes: na televisão, nos brinquedos ou na publicidade. É preciso que elas tenham possibilidade de criar o que quiserem, mas sempre estimuladas a conhecer novas perspectivas e novos materiais, sempre encontrando novas formas de expressão.

Esse é o objetivo de ensinar arte às crianças: desenvolver o autoconhecimento, o senso crítico, a sensibilidade e a criatividade, habilidades que serão valiosas durante toda a vida adulta.

Para isso, o professor deve investir na sua própria formação; afinal, é a visão do professor que irá influenciar a visão da turma. É importante interagir com espaços culturais como museus, galerias, teatros, cinemas e praças para encontrar novos conteúdos e selecionar o que é interessante para cada faixa etária. Assim como os planejamentos de Natureza ou Matemática são pensados linearmente, com atividades articuladas entre si, o plano de Artes também deve considerar o desenvolvimento gradual das crianças e introduzir novos desafios com intencionalidade.

Para se inspirar, confira 5 ideias criativas para fazer arte na Educação Infantil.

 

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Explorando texturas 

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Atividades com texturas são ideais para crianças de até 3 anos, quando o aprendizado está muito relacionado ao tato. Apenas tome cuidado com as turmas mais novas, para que elas não coloquem materiais perigosos na boca (para essa faixa etária, uma dica é usar tinta caseira, não tóxica, que não causa problemas caso seja ingerida).

Mesmo com crianças mais velhas, a brincadeira ainda desperta interesse, basta oferecer mais opções de texturas a serem manuseadas. Algumas possibilidades são:

  • Papéis de vários tipos: crepom, cartolina, lenço, celofane,
  • Tecidos: camurça, couro e mesmo retalhos de roupas velhas ou toalhas,
  • Recortes de revistas e jornais,
  • Lixas mais ou menos ásperas,
  • Serragem, grama, folhas diversas, palha,
  • Sobras de lápis ou giz de cera apontados.

O professor pode, por exemplo, deixar que as crianças explorem texturas na sala de aula ou no pátio e, então, reproduzam as mais interessantes em suas obras de arte. Incentive a curiosidade e a descoberta com perguntas e orientação – mostre a elas como, por exemplo, passar a mão por uma superfície e fechar os olhos para sentir. Também estimule o vocabulário apropriado: liso, áspero, macio, seco, úmido, etc..

Autorretrato

As crianças vão desenhar em uma transparência sobre a própria foto: elas podem contornar o rosto, decorar ou alterar suas imagens como quiserem (foto: Meri Cherry)

As crianças vão desenhar em uma transparência sobre a própria foto: elas podem contornar o rosto, decorar ou alterar suas imagens como quiserem (foto: Meri Cherry)

Apesar de dar algum trabalho, essa é uma atividade maravilhosa para estimular o autoconhecimento. É preciso que as crianças tragam uma foto impressa de si mesmas com antecedência – e o professor precisa providenciar transparências, sobre as quais elas irão desenhar.

Depois disso, não há segredo: use uma fita adesiva para colar a foto e a transparência na mesa e disponibilize materiais de pintura. Tinta guache, cola colorida, canetas marca-texto e glitter são algumas opções que podem ser usadas para que as crianças façam seu autorretrato.

Quando as pinturas secarem, outra ideia divertida para a exposição é usar caixas vazias de brinquedo (ou qualquer outra caixa em que a frente é de plástico) como moldura, com a foto original no interior da caixa e a pintura, na frente. Veja o exemplo abaixo:

Carimbos variados 

Outra alternativa para explorar o ambiente e experimentar métodos artísticos é buscar por materiais para fazer carimbos e utensílios de pintura:

  • Talheres de plástico,
  • Rolos de papel higiênico,
  • Botões,
  • Tampinhas de garrafa,
  • Rolhas,
  • Esponjas de cozinha, de banho, de palha de aço (Bombril),
  • Algodão,
  • Plástico bolha.
Rolhas, tampas de garrafa ou bolas de algodão são algumas das opções para fazer carimbos (foto: No Time for Flashcards)

Rolhas, tampas de garrafa ou bolas de algodão são algumas das opções para fazer carimbos (foto: No Time for Flashcards)

Lembre-se de colocar a tinta em um recipiente largo, para que as crianças mergulhem os objetos (foto: No Time for Flashcards)

Lembre-se de colocar a tinta em um recipiente largo, para que as crianças mergulhem os objetos (foto: No Time for Flashcards)

Mais uma vez, enfatizamos: cuidado com objetos pequenos que podem ser engolidos pelas crianças!

Estenda uma folha grande de papel craft ou cartolina branca no chão e despeje as tintas coloridas em pratos rasos de plástico, tigelas ou bacias em que a turma consiga mergulhar os objetos. Então, deixe que experimente cada um deles.

Uma dinâmica bastante rica é sugerir temas abstratos: como elas pintariam sentimentos como alegria, raiva ou medo? Como pintariam o que estão sentindo hoje? Como pintariam a sensação de voar ou mergulhar?

Crianças mais velhas, em torno dos 6 ou 7 anos, podem relutar bastante para trabalhar com ideias tão abertas caso não tenham esse tipo de experiência com frequência – as menores, por outro lado, costumam abraçar a proposta sem questionamentos. Se isso acontecer, frise que não há certo ou errado e que eles podem pintar conforme se sentirem. Evite comentários como “que lindo” e opte por perguntar o que está sendo representado.

Pintura ao ar livre

O giz molhado dá uma cor mais vibrante à pintura (foto: Happy Hooligans)

O giz molhado dá uma cor mais vibrante à pintura (foto: Happy Hooligans)

Há uma calçada ou muro que pode ser usado na sua escola? Leve as crianças para ilustrá-los – além de tentar a pintura em uma posição diferente, em outra textura, elas também têm a oportunidade de expor um trabalho para as outras turmas. É uma oportunidade de falar sobre as mais variadas formas de exposição de artes, desde um teto todo decorado como o da Capela Sistina até as paredes grafitadas da cidade.

O giz de quadro é perfeito para essa atividade, e o efeito é ainda melhor molhando a ponta do giz antes de desenhar. O professor pode levar potinhos pequenos (como os de iogurte ou forminhas de gelo, por exemplo) com água para ajudar na pintura: colocando o giz ali por um ou dois minutos, ele absorve a água, criando cores mais vibrantes e um toque mais macio.


Uma peque dica que pode te ajudar muito!

Desenvolver essas atividades pode proporcionar momentos incríveis com as crianças, você não pode deixar de registrar as falas, comportamentos e os momentos de interação entre os pequenos! Faça isso com anotações, fotos e até vídeos! Eu sei que pode dar um grande trabalho mas é justamente nesse ponto que você está enganada, use a Eduqa.me para registrar esses momentos!

É muito simples, você pode organizar todos os registros de maneira rica em um único lugar, depois de tudo organizado você consegue consultar com poucos cliques! Quer ver? Basta clicar aqui e acessar! Veja esse exemplo:

Que tal aproveitar para criar atividades que favorecem o aprendizado ?

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Espaços negativos 

O professor pode escolher várias atividades para trabalhar a ideia de espaços negativos – quando você pinta em torno da imagem que quer representar. Para as crianças de até 3 anos, é indicado começar com propostas que exijam menos coordenação motora, como pintar em torno da própria mão ou da mão de um colega. Veja o resultado abaixo:

Colorir em torno da própria mão é uma versão mais simples da atividade, para crianças mais novas (foto: Fun-a-Day)

Colorir em torno da própria mão é uma versão mais simples da atividade, para crianças mais novas (foto: Fun-a-Day)

Após o conceito estar mais claro, é hora da experimentação! Uma ideia é usar fita adesiva para criar desenhos em espaço negativo: as crianças podem espalhar a tinta em torno da figura de um objeto ou animal (uma casinha, um sol, um cachorro criado com fita), ou dividir a página em formas geométricas e colorir cada área de uma cor diferente.

Elas ainda podem ser convidadas a buscar outros materiais para suas obras de arte: folhas e flores prensadas funcionam bem para essa atividade.

Alguns desenhos feitos com fita adesiva (foto: Red Ted Art)

Alguns desenhos feitos com fita adesiva (foto: Red Ted Art)

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