Tudo o que você precisa saber sobre tecnologia em sala de aula

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Relatórios/Práticas inovadoras
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Tudo o que você precisa saber sobre tecnologia em sala de aula

Crianças e jovens nascidos a partir do fim da década de 90 e início dos anos 2000 são considerados “nativos digitais”. Eles já vieram ao mundo com acesso à internet – e isso influencia seu aprendizado, sua linguagem e seu comportamento de formas que ainda estão sendo estudadas. O nome de nativos é dado em oposição a todos aqueles que nasceram antes da disseminação de computadores, tablets e smartphones: quem foi criado com a tecnologia analógica e precisou aprender e se adaptar às novas formas de trabalho. Estes são os “imigrantes digitais”.

A ruptura em sala de aula acontece, em parte, porque a grande maioria dos professores é um imigrante, enquanto os alunos são nativos. É como se fossem de países diferentes e falassem em idiomas diferentes, um sendo obrigado a se ajustar às expectativas do outro. Quando um professor impede que as crianças usem celulares para pesquisa, insistindo em pesadas enciclopédias para a realização da tarefa, está ignorando o contexto em que esses estudantes foram criados: para eles, os livros técnicos não fazem sentido quando sabem que a informação está a dois cliques (ou um comando de voz) de distância.

O professor será substituído pela tecnologia?

O professor não é a única fonte de conhecimento, é claro, mas é quem deve mediar e orientar os interesses das crianças e apresentar novas ferramentas de aprendizado (foto: Missouri Edu)

O professor não é a única fonte de conhecimento, é claro, mas é quem deve mediar e orientar os interesses das crianças e apresentar novas ferramentas de aprendizado (foto: Missouri Edu)

CLARO QUE NÃO. Assim mesmo, em maiúsculas. Como disse o professor Paulo Blikstein, da escola de educação da Universidade Stanford, em uma entrevista à Revista Educação, isso seria equivalente a “querer substituir o médico na sala de cirurgia”. Afinal, o professor possui, sim, um conhecimento científico maior que as crianças e, em vários momentos, faz sentido que ele exponha informações.

Contudo, é preciso alternar essa prática com diferentes dinâmicas, espaços colaborativos, pesquisa, debate e projetos interdisciplinares, que deem voz a todos os indivíduos em sala. As consideradas “aulas tradicionais” não precisam ser extintas, mas sim ocupar momentos pertinentes.

Qual o papel do professor nesse cenário?

Cada vez mais pesquisadores apontam o professor como um orientador e mediador que observa, identifica as necessidades das crianças e oferece ferramentas para o aprendizado de cada uma. Ele ajuda a construir aprendizados diversos e, conforme as crianças crescem e desenvolvem autonomia, vai permitindo que elas ajam com mais independência dentro da escola: selecionando temas, sugerindo projetos ou formas de pesquisa, organizando suas equipes de trabalho.

A atuação desse educador pode ser dividida em quatro frentes:

  • Orientar os processos intelectuais (conhecimento cognitivo) – ajudar as crianças a selecionar informações relevantes e confiáveis, transformá-las em mensagens significativas e relacionadas à realidade dos alunos, elaborar questões que levem à interpretação e compreensão dos temas, incentivar a autoavaliação.
  • Orientar o desenvolvimento emocional e social – proporcionar um equilíbrio entre trabalhos individuais e de equipe, criar situações de interação entre as crianças, mediar conflitos apresentando formas saudáveis de resolver problemas, estimular canais de expressão (que incluem a tecnologia digital e analógica), cultivar a empatia e motivar a turma.
  • Orientar o senso ético – assumir e vivenciar valores construtivos, individual e socialmente, transmitir noções de colaboração, integração, liberdade.

Como e quando inserir a tecnologia digital na escola?

Sempre faça a pergunta: por que a tecnologia é essencial nesse aprendizado? Se não houver resposta, pode ser que ela só sirva de enfeite, não para potencializar sua aula (foto: Wikimedia)

Sempre faça a pergunta: por que a tecnologia é essencial nesse aprendizado? Se não houver resposta, pode ser que ela só sirva de enfeite, não para potencializar sua aula (foto: Wikimedia)

A pergunta deve ser sempre: qual a melhor maneira de se transmitir esse ensinamento? Não necessariamente uma tela de computador será a melhor saída – e transferir um livro didático para uma apresentação de PowerPoint não representa inovação alguma. O suporte não é o importante, mas sim o conteúdo. É responsabilidade do educador refletir sobre o currículo e identificar em quais situações a tecnologia vai realmente influenciar o aprendizado das crianças.

Beth Almeida, especialista em Novas Tecnologias na Educação, disse à Revista Educar para Crescer: “Sempre pergunto aos que usam a tecnologia em alguma atividade – qual foi a sua contribuição? O que não poderia ser feito sem tecnologia? Se ele não consegue identificar claramente, significa que não houve um ganho efetivo”.

Esses são os pontos fortes de se trabalhar com tecnologia em sala de aula:

  • Trabalhos colaborativos – várias plataformas permitem que os estudantes construam projetos em conjunto ou criem espaços para discussão de ideias;
  • Conexão com o “mundo real” – a internet permite que uma tarefa escolar se transforme em um projeto real, que pode ser colocado em prática e atingir a comunidade;
  • Comunicação – da mesma forma, a internet é uma ferramenta incrível para conectar jovens com outras pessoas que possam acrescentar ao seu conhecimento: pesquisadores, professores, profissionais do mercado de trabalho, crianças e adolescentes de outras partes do mundo, etc., sempre com a supervisão de um adulto;
  • Interdisciplinaridade – ao invés de isolar a tecnologia em uma aula de informática, ela deve ser usada como instrumento de aprendizado em todas as disciplinas;
  • Protagonismo – um mesmo ponto de partida pode levar crianças com olhares distintos por caminhos e projetos completamente diferentes. Trabalhar com o apoio da internet permite essa diversidade.

A inserção da tecnologia na escola deve ajudar a equipe pedagógica, as famílias e os alunos a atuar em conjunto, gerando um ambiente mais democrático e integrado.

Por que a tecnologia não funciona na minha escola?

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Laboratórios de ciências, robótica ou maker são tendências que incentivam a participação e criação tecnológica dentro da escola (foto: Transmitter)

Está achando a teoria maravilhosa, mas nunca observou esses resultados na sua rotina? Você não é o único. Apesar de estarmos vivendo um boom de tecnologia educacional (com games educativos, plataformas adaptativas e ensino à distância), o maior desafio para que esses modelos funcionem é a formação dos professores. Em segundo lugar, vem a infraestrutura inadequada das escolas, embora o primeiro fator seja o mais grave: professores capacitados conseguem superar um ambiente despreparado e sugerir soluções inovadoras; já a melhor estrutura possível não vai fazer a menor diferença se não for bem utilizada.

Para Paulo Blikstein, para cada R$1 gasto em equipamento, seriam necessários R$9 em formação. Com esse aprendizado, os professores seriam capazes de potencializar suas ações – não seriam substituídos, mas, sim, teriam recursos para impactar mais crianças de maneira mais eficaz. Isso já começa a ser feito através de:

  • Tecnologias maker, ou “mão na massa”, que funcionam como laboratórios de informática que estimulam a experimentação dos alunos;
  • Softwares de simulação e games educativos;
  • Ferramentas de pesquisa online e mapeamento de informações;
  • Robótica e programação;
  • Laboratórios de ciências computadorizados.

Onde buscar essas capacitações?

As próprias escolas, os diretores e coordenadores pedagógicos, deveriam incentivar a equipe a procurar qualificação em tecnologias educacionais. Mesmo que esse não seja o caso, há muito que o professor pode buscar por conta própria para enriquecer sua prática e compreender o universo das crianças.

Cursos de tecnologia educacional

  • Ensino Híbrido: personalização e tecnologia na educação é um curso desenvolvido pela Fundação Lemann e o Instituto Península com a proposta de apresentar aos educadores formas de integrar as tecnologias digitais ao seu currículo escolar. Há várias possibilidades de acessar o conteúdo: como curso aberto, online e gratuito, como curso online com certificação (mais longo que o gratuito) ou em conjunto com outros módulos de extensão. Saiba mais aqui.
  • Novas tecnologias para a aprendizagem: Ensino Médio e Fundamental é um curso online desenvolvido pelo Instituto Phorte em parceria com a Unesco. Os módulos são: aspectos filosóficos, didática aplicada, novas plataformas e políticas educacionais. Saiba mais aqui.
  • Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado) é oferecido pelo MEC para professores e gestores da rede pública. O educador pode escolher diversos cursos que têm entre 40 e 60h de duração. Saiba mais aqui.
  • Escola Digital, criada pelo Instituto Inspirare, Instituto Natura e Fundação Telefônica Vivo, disponibiliza um curso online e gratuito em três módulos: Tecnologia Digital, Plataforma Escola Digital e Planejando com o uso de objetos digitais de aprendizado e ferramentas. A plataforma também oferece matéria gratuito para ser usado em sala de aula – são mais de 4 mil vídeos, animações, jogos, infográficos e planos de aula digitais. Saiba mais aqui.
O professor pode - e deve - buscar capacitações que o aproximem da linguagem dos alunos para aumentar seu impacto em sala de aula (foto: Wikimedia)

O professor pode – e deve – buscar capacitações que o aproximem da linguagem dos alunos para aumentar seu impacto em sala de aula (foto: Wikimedia)

Livros sobre tecnologia na educação (recomendados pelo Portal do Professor)

  • Educação e Novas Tecnologias Glaucia da Silva Brito, Ivonélia da Purificação – Editora Ibpex – Brasil – 2008 – 2ª edição.
  • Multimídia Digital na Escola Elenice Larroza Andersen (Org.) – Editora Paulinas – Brasil – 2013 – 1ª edição.
  • Novas tecnologias e mediação pedagógica José Manuel Moran et al – Editora Papirus – Brasil – 2013 – 21ª edição.
  • Eles Sabem (Quase) TudoBetina Von Staa – Editora Melo – Brasil – 2011 – 1ª edição
  • Computadores em Sala de AulaCarme Barba, Sebastià Capella (Org.) – Editora Penso – Brasil – 2012 – 1ª edição
  • Educação com Tecnologia – Texto, Hipertexto e Leitura Mary Rangel – Editora Wak – Brasil – 2012 – 1ª edição

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Leia mais:

Revista Educação

Educar para Crescer

Portal Brasil

Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso

Desafios da Educação

O que o professor espera da coordenação?
Carreira/Formação/Materiais para Download/Rotina pedagógica
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O que o professor espera da coordenação?

Ao assumir o posto, o coordenador logo percebe que é complicado lidar com as pessoas, respeitar as diferentes opiniões e sugerir mudanças sem ser mandão.
A Eduqa.me perguntou e os professores responderam: o que eles gostariam que seus coordenadores fizessem?

Confira dicas para melhorar 4 habilidades essenciais:

  • Comunicação: assuntos pessoais e amizades na escola,
  • Presença: o quanto o coordenador deve estar em sala de aula,
  • Reconhecimento: porque elogios fazem a diferença,
  • Inovação: você tem medo de aceitar novas ideias?
Assista ao vídeo e descubra como melhorar a comunicação entre educadores e melhorar o trabalho da escola!

O que o professor espera da coordenação?

Postado por Eduqa.me on Sábado, 18 de julho de 2015

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