Como preparar sequências didáticas na Educação Infantil
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Como preparar sequências didáticas na Educação Infantil

Escolas diferentes seguem currículos diferentes: enquanto algumas enfatizam o ensino de idiomas e conhecimentos cognitivos, outras optam por desenvolver competências sociais; umas empregam atividades lúdicas, outras prezam pelo contato com a natureza e criam consciência ecológica ou apostam na tecnologia. Qualquer que seja o método aplicado, há espaço para sequências didáticas no planejamento.

Sequências didáticas são um conjunto de aulas pensadas para ensinar um conteúdo de forma acumulativa. Ao longo dos dias (ou mesmo semanas, para projetos mais extensos), as crianças vão construindo o conhecimento, sempre passando de desafios mais simples para mais complexos.

Como escolher o tema da minha sequência didática?

Introduzir o tema através de imagens, vídeos ou brinquedos ajuda o professor a identificar os conhecimentos prévios das crianças (foto: A Star Kids)

Introduzir o tema através de imagens, vídeos ou brinquedos ajuda o professor a identificar os conhecimentos prévios das crianças (foto: A Star Kids)

Qualquer assunto pode dar origem a uma sequência didática. Para começar, é bom se perguntar o que você pretende que as crianças aprendam sobre determinado tema. Qual o propósito desse conteúdo? É fazer com que a turma aprenda a ler? Que se familiarize com a cultura e tradições da região? Que entenda a importância da alimentação saudável? Que desenvolva certos movimentos?

Deixe dois pontos bem claros – qual o conteúdo e qual o objetivo da sequência. O conteúdo é aquilo que será ensinado, o objetivo, o que você espera que a classe aprenda.

O próximo passo é observar o que as crianças já sabem sobre esse tema, qual o repertório que trazem de outras vivências. Essa sondagem pode ser realizada de várias maneiras (como simplesmente perguntar a elas sobre o assunto), mas a mais esclarecedora é, com certeza, colocá-las em contato com o tema na prática. Se a sequência didática for abordar insetos, por exemplo, livros, revistas, bichinhos de plástico ou quebra-cabeças podem ser distribuídos, enquanto o professor caminha pela sala e repara em como as crianças interagem com eles ou sobre o que conversam entre si.

A partir desses questionamentos, o professor será capaz de traçar uma sequência de atividades. As atividades são como ferramentas escolhidas cuidadosamente para proporcionar experiências significativas à turma, nas quais ela vai adquirir as habilidades e aprendizados necessários – ou seja, a escolha está longe de ser aleatória!

Cada atividade, cada experimento, jogo ou brincadeira deve acrescentar algo ao desenvolvimento das crianças, para que elas consigam evoluir. É como criar um passo a passo – de quais conhecimentos elas precisam para passar de uma atividade para a seguinte?

Trabalhe a interdisciplinaridade

Um tema inicial pode levar a vários caminhos, de acordo com os interesses das crianças. Trabalhar com interdisciplinaridade gera aprendizados mais amplos (foto: Fair Bank Museum)

Um tema inicial pode levar a vários caminhos, de acordo com os interesses das crianças. Trabalhar com interdisciplinaridade gera aprendizados mais amplos (foto: Fair Bank Museum)

Sequências didáticas são uma oportunidade para se trabalhar um mesmo conteúdo sob diversos olhares. Ainda usando o exemplo do tema “insetos”, imagine que a turma está abordando um tema de Natureza e Sociedade, mas também irá desenvolver novo vocabulário, quando aprender nomes de animais, suas partes, o que comem, etc.; motricidade, ao desenhá-los, procurar por insetos no pátio, construir um inseto com massa de modelar ou argila, criar um formigueiro em um aquário; matemática, identificando o número de pernas, asas, antenas; e assim por diante.

Busque não dividir as aulas por disciplina, fragmentando o conteúdo (não anuncie, por exemplo, “agora, vamos aprender matemática”). Apenas relacione os aprendizados como partes de um todo. Isso leva as crianças a perceberem o assunto mais amplamente, através de múltiplas linguagens.

Outra vantagem é valorizar os potenciais de cada aluno, já que a sequência permite que eles sejam expostos a diferentes formas de trabalho em que podem se sobressair.

Na Educação Infantil, algumas etapas devem estar presentes na sequência didática:

  • #Dica 1 Explorar as habilidades socioemocionais:

São atividades que permitem que as crianças identifiquem sentimentos, emoções e organizações sociais. O foco é o autoconhecimento e a socialização e interação com os colegas.

  • #Dica 2 Explorar os sentidos:

Nessas atividades, o foco é a descoberta da visão, audição, tato, olfato e paladar.

  • #Dica 3 Explorar linguagens:

Aqui, entram as atividades em que a turma trabalha a linguagem oral e escrita, a música, o desenho e outras mídias (como vídeos, jogos online, etc.).

  • #Dica 4 Explorar conceitos matemáticos:

Ocorre quando são apresentadas noções de maior e menor, perto ou longe, formas geométricas, números, somas ou subtrações.

  • #Dica 5 Explorar conteúdos específicos:

Finalmente, há espaço para o aprendizado de temas específicos como natureza, literatura ou arte, entre outros.

Durante a sequência, garanta que haja um equilíbrio entre atividades individuais, em duplas e coletivas. Cada uma delas vai gerar interações e aprendizado distintos. Enquanto um exercício individual foca nos conhecimentos adquiridos por cada criança e exige mais concentração, duplas são excelentes para que cada um exponha pontos de vista e, juntas, elas discutam hipóteses. Já grandes grupos proporcionam trabalho em equipe, respeito às regras e troca de aprendizados.

Quanto tempo reservar para uma sequência didática?

Caso as crianças apresentem outros interesses, procure explorá-los. Se tiverem dificuldade, permita que tenham tempo de se desenvolver. Ou seja: prepare-se para mudar ao longo do projeto! (foto: Understood.Org)

Caso as crianças apresentem outros interesses, procure explorá-los. Se tiverem dificuldade, permita que tenham tempo de se desenvolver. Ou seja: prepare-se para mudar ao longo do projeto! (foto: Understood.Org)

Essa resposta depende não do número de atividades, mas da complexidade do que você espera que as crianças aprendam. Enquanto algumas brincadeiras e dinâmicas podem ser concluídas em poucos minutos, outras levarão aulas inteiras para serem completas. Alternar atividades longas com outras, mais breves, é uma boa forma de garantir o interesse.

Além disso, leve em consideração como cada criança aprende e o tempo que costumam levar para finalizar cada tipo de exercício. Pense ainda em como serão feitas as avaliações e o acompanhamento do aprendizado durante a sequência didática: em quais circunstâncias os alunos mostrarão o que sabem? Eles vão montar um portfólio, fazer uma prova, apresentar algo para os colegas, participar de uma gincana?

Por fim, reserve sempre algumas aulas livres ao fim da sequência, para o caso de atrasos ou mudanças de percurso. Afinal, é comum que algumas das hipóteses do professor não se confirmem em sala de aula e as crianças apresentem mais interesse em um assunto que não estava previsto ou mais dificuldade em uma etapa que você julgou que seria fácil. Sinta-se livre para ir adaptando o projeto ao longo do caminho, adotando estratégias diferentes para que a turma atinja os resultados desejados.

Se uma atividade não está funcionando, substitua-a por outra! Se uma curiosidade veio à tona, explore-a. Porém, mantenha sempre em mente aqueles objetivos traçados no início da sequência didática.

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Sequência Didática na Educação Infantil (SlideShare)

Projetos Pedagógicos Dinâmicos

A sua escola investe na formação cultural dos educadores?

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo - Museu da Língua Portuguesa)

Carreira/Formação/Semanários
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A sua escola investe na formação cultural dos educadores?

A bagagem cultural do professor não é (ou não deveria ser) uma questão pessoal, que só diz respeito ao lazer, fora do horário de trabalho. Pesquisadores e docentes já comprovaram que, quanto maior o repertório, melhor a prática em sala de aula – e em qualquer área de conhecimento, não apenas as mais lúdicas, como artes.

Conhecer diferentes representações artísticas e manifestações culturais expande a realidade do professor. A partir delas, é possível estabelecer diálogos, propor novas práticas com as crianças, quebrar preconceitos e inserir experiências lúdicas em qualquer temática, tornando o aprendizado mais próximo dos alunos.

Afinal, a premissa é bastante simples: ninguém consegue ensinar aquilo que não conhece. Como cultivar hábitos de leitura, visitas a museus, cinema ou teatro, se o próprio educador não vive esse discurso?

Infelizmente, a falha surge desde o currículo universitário, que prioriza o conteúdo pragmático. São raras as universidades que trazem no planejamento, intencionalmente e ao longo de todo o curso, o estímulo à formação cultural. Um desses poucos exemplos é a UFRJ, aonde os estudantes de pedagogia devem ir a um evento cultural por mês (que pode ser desde um balé até um show popular) e, ao fim, registrar suas impressões da atividade.

A própria escola pode intervir para capacitar os profissionais, contemplando todos os funcionários. Encontros que promovem a discussão e convivência do grupo – incluindo professores, merendeiros, coordenadores, auxiliares de limpeza, estagiários – facilitam o diálogo dentro da escola e o sentimento de valorização da equipe.

Ter o primeiro contato com a cultura formal muitas vezes funciona como despertar para que cada um busque aumentar seu próprio repertório fora da escola. O importante é que todos sejam incluídos e tenham momentos para refletir sobre a experiência, para que ela se reverta em qualidade de vida e de trabalho.

Traga a cultura para a escola

Leve cultura para dentro da escola: planeje oficinas, filmes ou palestras entre os funcionários para dar espaço à criatividade e ao diálogo (foto: Art and Reiki)

Leve cultura para dentro da escola: planeje oficinas, filmes ou palestras entre os funcionários para dar espaço à criatividade e ao debate (foto: Art and Reiki)

Uma alternativa que não pesa no bolso da escola é promover encontros em seu próprio espaço: palestras, sessões de cinema e pequenas apresentações musicais, por exemplo, podem acontecer no pátio, no ginásio ou em uma sala de aula. Projetos da comunidade ou mesmo empresas privadas podem ser contatadas para participar, arcando com parte dos gastos.

Outra possibilidade é organizar oficinas, tanto com convidados especiais (artistas, músicos, escritores, atores) quanto com os próprios membros da equipe da escola, que podem se oferecer para compartilhar algo com os colegas. A gestão deve abrir esse canal de comunicação e incentivar a participação dos funcionários.

Excursões com a turma

Algumas escolas já incluem outros funcionários nos passeios da escola. É claro que não é possível levar grandes grupos de uma vez, mas, criando um rodízio, a participação de todos é garantida sem que os serviços de limpeza, cozinha ou segurança sejam interrompidos. Que tal disponibilizar uma lista para que cada profissional assinale em quais passeios está mais interessado? Além do horário de trabalho e das excursões, a vontade de ir pode ser outro critério na elaboração do cronograma.

A vantagem desse modelo é que, além de apresentar peças teatrais, exposições em museus ou galerias para quem tem poucas oportunidades de aproveitá-los, fortifica-se o vínculo entre a equipe e as crianças. Um dia de cultura ou entretenimento permite que eles passem mais tempo juntos, troquem ideias e conheçam outras perspectivas.

Só para gente grande

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo - Museu da Língua Portuguesa)

Ao menos uma vez por ano, organize um passeio cultural com todos os funcionários. Proponha discussões antes e depois da visita (foto: Vou Contigo – Museu da Língua Portuguesa)

Uma vez por semestre ou por ano, conforme a agenda da escola permitir, organize uma saída apenas para os adultos. Reúna diretores e coordenadores, professores e demais funcionários em um final de semana com destino a um evento cultural na cidade.

Antes de sair, organize um momento de encontro para que todos troquem expectativas, informações e curiosidades sobre o que vão assistir. O mesmo pode ser repetido ao fim da experiência, para incentivar o diálogo entre profissionais que, rotineiramente, não trabalham juntos ou têm pouco tempo para conversar. Ainda que alguns pareçam tímidos no começo, faça perguntas a pessoas específicas para que elas ganhem confiança ao participar ativamente do debate. Garanta um ambiente acolhedor e informal, justamente para que a equipe se conheça melhor.

Compartilhem sugestões

Sugira que os funcionários mantenham um caderno cultural – um diário em que podem colar os bilhetes de entrada ou fotos de suas programações culturais, escrever suas impressões ou dar dicas de livros e filmes.

Esse caderno pode ser mantido ao longo de todo o ano letivo ou ser usado apenas nas férias, por exemplo. Se essa for a opção, realize uma dinâmica com o material assim que as aulas voltarem: que tal criar murais, trocar cadernos ou cada um contar qual foi a experiência mais marcante?

Clube do livro

Literatura deve ter um momento na rotina! Ler livros exercita a empatia e o conhecimento, dentre vários outros benefícios (foto: Gwen Hernandez)

Literatura deve ter um momento na rotina! Ler livros exercita a empatia e o conhecimento, dentre vários outros benefícios (foto: Gwen Hernandez)

Infelizmente, pesquisas já mostraram que menos de 50% dos professores brasileiros de Educação Básica têm a leitura de livros como hábito. Ler textos não relacionados à profissão é essencial para a formação do professor, e traz benefícios não só para sua prática pedagógica como para sua vida pessoal. Quem lê literatura desenvolve mais empatia, têm uma mente mais aberta a novas ideias, mais capacidade de concentração e melhor vocabulário, dentre várias outras vantagens.

Além disso, é claro, é preciso um professor leitor para criar novos leitores. As crianças têm chances maiores de se apaixonar pela leitura quando influenciadas positivamente pelos professores!

Sendo assim, proponha reservar uma ou duas horas de hora-atividade para a leitura de literatura. A equipe pode selecionar, mensal ou bimestralmente, um livro em comum, que todos possam terminar e discutir. Outra sugestão: por que cada funcionário não fica responsável por trazer um livro diferente e eles vão trocando de mãos ao longo do ano, até que todos tenham acesso a cada um deles?

Colocando em prática

  • Várias cidades possuem leis que dão descontos a educadores: 20% em livrarias, meia-entrada em cinemas e teatros, etc.. Basta informar-se no site da sua prefeitura.
  • Mesmo que não haja descontos, muitos centros culturais, museus, cinemas e teatros liberam um dia de entrada gratuita ou meia-entrada para todos. Ligue para esses locais para descobrir quando a visita é mais barata.
  • Empresas privadas podem ser parceiras na hora de conseguir ingressos ou transporte mais em conta. A secretaria do município e outros órgãos da prefeitura podem oferecer possibilidades de transporte para a escola.
  • Siga sites de agenda cultural da sua cidade, como a Agenda Cultural Catraca Livre, por exemplo. Além de saber tudo o que está acontecendo, eventos gratuitos sempre são divulgados.
  • Crie um mural ou caixa de sugestões para que os funcionários digam o que gostariam de conhecer e tente colocar pelo menos algumas ideias em prática todo ano.

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Gestão Escolar

Gazeta do Povo

Revista Educação

Como lidar com imprevistos na Educação Infantil?

(Lifetime Moms)

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Como lidar com imprevistos na Educação Infantil?

Hoje, eu encontrei um artigo fantástico que gostaria de dividir com vocês! Ele está no site Edutopia e fala sobre um problema raramente mencionado, mas frequente, da Educação Infantil – como administrar uma turma de crianças constantemente:

  • pedindo para ir ao banheiro,
  • com um machucado,
  • com um lápis a ser apontado,
  • denunciando um coleguinha que o “machucou” ou
  • todas as alternativas acima.

Após alguns anos em sala de aula, eu posso confirmar que a dificuldade é real. Com tempo e experiência, cada professor desenvolve suas próprias estratégias para lidar com ela, é claro. Ainda assim, as dicas do autor teriam me poupado alguns dilemas na época – e, provavelmente, serão úteis para qualquer educador que está começando na profissão!

As perguntas

“Minha cabeça está doendo, posso ir à enfermaria?”

“Você pode apontar o meu lápis?”

“Posso ir ao banheiro?”

“Posso tomar água?”

“Já terminei! O que eu faço agora?”

“Preciso de um band-aid.”

Essas perguntas podem parecer triviais à primeira vista, mas as respostas para elas exigem reflexão, além de decisões imediatas que podem confundir um professor novato. Eu vejo isso o tempo todo: o professor se dedica aos planos de aula, organização ou avaliações e, naturalmente, vai encontrando um bom ritmo de trabalho. Entretanto, quando uma criança pede por um band-aid, ele hesita. Não tem certeza. Ele tem certeza, sim, sobre suas instruções, sobre as atividades do dia. Mas um band-aid? Não sabe ao certo.

Por quê? Bem, eu não tenho todas as respostas, mas consegui reunir uma lista bastante flexível de técnicas que já usei para contornar essas perguntas fora de hora – sem criar regras autoritárias que façam a escola se assemelhar à uma prisão.

Ir ou não para a enfermaria

(Lifetime Moms)

(Lifetime Moms)

Decidir se uma criança de fato precisa ir para a enfermaria é mais árduo do que se pensa. Obviamente, você não quer negar cuidados médicos a nenhum de seus alunos quando eles os necessitam; porém, ao mesmo tempo, você quer ensiná-los a superar pequenos tropeções. E, enquanto você está ponderando sobre quem precisa de ajuda de verdade e quem apenas quer atenção, outra criança surge, aproveitando a oportunidade de dar uma volta (e interrompendo seus pensamentos).

Nesse momento, o que você faz? Aqui estão alguns critérios para distinguir seus pequenos pacientes:

Sangue

  • Arranhão sangrando? Uma ida ao banheiro para lavar o machucado e um band-aid para cobri-lo.
  • Nenhum sangue ou sangue seco? Não precisa de band-aid, apenas uma ida… De volta para o seu lugar.
  • Cortes com papel? Não precisa de band-aid (ainda que eles doam, mesmo) e pode voltar para o seu lugar.
  • Machucado cicatrizando (com a “casquinha”)? Dê um band-aid. Se você não o der, as crianças tendem a ficar puxando e cutucando a ferida até volte a sangrar. Engula seu orgulho e busque o curativo.

Vômito

  • A criança está pálida e com dor de estômago? Envie-a para a enfermaria com um coleguinha para acompanhar. Se estiver ao seu alcance, providencie também um balde ou sacola para evitar “acidentes” pelo caminho.
  • Dor de estômago imediatamente antes ou depois da refeição – e nenhum outro sintoma? “Você só está com fome” ou “Você correu muito de barriga cheia, já vai passar”. Pronto.
  • Dor de estômago longe dos horários de refeição, mas a criança parece saudável? Mantenha o balde por perto. Em dez anos, eu nunca vi uma criança de fato vomitar no balde em sala de aula.

Dor

  • Dor no pescoço? Vá direto para a enfermaria. Dor no pescoço pode ser um sinal de meningite ou de uma concussão.
  • Dor de cabeça? Espere um pouco e me avise se piorar. Caso a criança pareça doente e reclame novamente, deixe-a ir para a enfermaria.
  • Dor nos pés, nas pernas ou nos braços? “Não vão doer se você ficar parado”.

Ocorreu um acidente mais sério? Saiba como agir.

Terminei! O que eu faço agora?

(foto: The Conversation)

(foto: The Conversation)

Que pergunta temida, especialmente por novos professores que estão ocupados manejando quatro ou cinco aulas por dia! Caso não esteja preparado para essa pergunta simples, mas tão complexa, você provavelmente vai enfrentar caos e mau comportamento.

Sei o que você está pensando – só entregue outra folha de atividades. No entanto, além de minimizar o uso de papel, é importante que as crianças tenham uma escolha. Escolha = autonomia = aprendizado eficiente. No início do ano, introduza à turma algumas opções para quando alguém terminar o exercício mais cedo. Elas devem ser atividades silenciosas (enfatize que aquilo não é tempo livre ou recreio). Elas podem escolher um tema para explorar enquanto seus colegas concluem a primeira atividade. Essa é uma experiência enriquecedora para as crianças e funciona de acordo com os interesses delas. A ideia é simples:

  1. Terminar o trabalho.
  2. Escolha:
  • Ler (qualquer livro de sua escolha). Folhear um livro ou gibi também pode ser oferecido às crianças ainda não alfabetizadas;
  • Desenhar (com materiais fáceis de acessar, guardar e limpar – nada de tinta, por exemplo);
  • Um jogo eletrônico educativo, caso sua sala de aula tenha um computador ou tablet;
  • Um jogo individual (construir com blocos, encaixar peças, quebra-cabeças, etc.);
  • Escrever uma história.

Pronto! Após um mês de prática, a pergunta “o que eu faço agora” vai desaparecer e as crianças vão começar a se organizar por conta própria.

O lápis sem ponta

(foto: Just a Night Owl)

(foto: Just a Night Owl)

Crianças na Educação Infantil querem apontar os lápis o tempo todo. Quando você está falando, ensinando, tentando ler uma história. Quando deveriam estar escrevendo ou quando só querem uma desculpa para levantar. O apontador atrai os pequenos como uma lâmpada atrai insetos. Se você tem um apontador para todas as crianças, guardado pelo professor, ou se elas caminham constantemente até a lixeira, a sua aula será interrompida.

Alguns professores tentam designar um horário específico em que toda a turma possa apontar seus lápis: no início da aula, antes do lanche, etc.. Infelizmente, esse modelo é dificílimo de ser implementado, porque sempre há exceções. As pontas dos lápis quebram (muitas vezes, propositadamente, convenhamos) e as crianças não podem ser paradas. O professor deve aceitar essa epidemia – sempre sendo firme, justo e de acordo com as regras.

Avise a classe que todos podem apontar os lápis sempre que precisarem, mas:

  • Não podem apontar o lápis a não ser que a ponta esteja totalmente quebrada. Não só um pouco gasta ou “esquisita”. Vocês só podem usar o apontador quando a ponta anterior houver desaparecido!
  • Vocês não podem quebrar as pontas intencionalmente – e quem o fizer, sinto muito, vai ficar sem lápis.
  • Não podem se levantar quando alguém estiver falando, ensinando ou lendo em voz alta.

Entendido? Depois disso, pense em permitir que as crianças usem outros materiais, como canetas – que dispensam apontadores!

No mais, lembre-se de confiar nos seus instintos sempre que novas perguntas surgirem (porque elas vão surgir). E sempre ajude os professores a sua volta a desenvolver essas habilidades cotidianas compartilhando o que você faz, com sucesso, em sua sala de aula. Quais as suas ideias?

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Esse artigo é uma tradução do texto “Classroom-Management Strategies for Elementary Teachers”, do Edutopia. Clique aqui para ler o original.

INFOGRÁFICO: 7 sites para se inspirar e encontrar novas atividades
Atividades/Identidade e autonomia/Linguagem/Matemática/Movimento/Música e artes/Natureza e Sociedade/Materiais para Download/Rotina pedagógica
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INFOGRÁFICO: 7 sites para se inspirar e encontrar novas atividades

TESTE 20

O tempo do professor é curto e, sem tempo para pesquisar e se renovar, muitos reclamam de repetir sempre as mesmas atividades. Mas a falta de tempo não precisa ser um problema. Não sabe aonde procurar? A Eduqa.me selecionou 7 sites com um acervo riquíssimo de atividades, planos de aula, inspirações, vídeos e jogos para todas as idades – desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. Salve esses endereços nos seus Favoritos e encontre rapidamente uma nova ideia para cada aula!

Todos os conteúdos da Eduqa.me são gratuitos. Para fazer o download, clique na imagem acima ou no link abaixo. Você poderá acessar o infográfico sempre que quiser!

BAIXAR INFOGRÁFICO: 7 sites para se inspirar e encontrar atividades!

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5 atividades criativas de artes para Educação Infantil

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Atividades/Música e artes/Relatórios
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5 atividades criativas de artes para Educação Infantil

Por que ensinamos arte na Educação Infantil? Ao contrário da escrita e da matemática, as aulas de artes não têm uma aplicação objetiva na vida da criança – nem pais nem professores esperam que elas se tornem artistas quando adultas. Ainda assim, a pintura, o desenho e os trabalhos manuais são parte relevante do currículo infantil, inclusive destacado como uma das áreas de conhecimento do Referencial Curricular Nacional.

A pergunta não é retórica, nem uma forma fácil de começar o texto. É preciso ter bem claro qual o objetivo de se ensinar algo, porque é esse objetivo que vai ajudar o professor a traçar seu plano de aula. Por que você ensina arte à sua turma de 3, 4, 5 anos?

É comum que atividades artísticas sejam usadas com preparação para a escrita: o foco não é a arte em si, mas a motricidade fina, a destreza dos dedos para que, mais adiante, a criança consiga criar letras e números. Suas atividades de artes têm essa meta? Pense bem: as crianças são instruídas a copiar, traçar linhas retas, seguir pontilhados, pintar dentro das linhas de um desenho já preparado com antecedência, copiar modelos prontos? Esses exercícios são úteis para que elas sejam alfabetizadas – mas não as estão educando em artes.

Quando sua classe aprende a reproduzir imagens prontas, ela entende a mensagem de que há um certo e um errado no processo criativo, de que há obras de arte boas ou ruins de acordo com uma pequena lista de regras. Ninguém aprende, porém, quais as diferentes técnicas possíveis, a interpretação de acontecimentos ou sentimentos em imagens, a exploração da criatividade ou os vários espaços em que a arte pode se manifestar.

Conhecer ambientes culturais como museus, teatros e galerias, é importante para o repertório tanto do professor quanto das crianças (foto: Ecology of Education)

Conhecer ambientes culturais como museus, teatros e galerias, é importante para o repertório tanto do professor quanto das crianças (foto: Ecology of Education)

Isso significa que as crianças devem ficar soltas para brincar com tinta sem qualquer orientação? Também não – mas estamos chegando mais perto. Sem o professor como guia, é muito provável que a turma vá apenas reproduzir o que já vê em outras fontes: na televisão, nos brinquedos ou na publicidade. É preciso que elas tenham possibilidade de criar o que quiserem, mas sempre estimuladas a conhecer novas perspectivas e novos materiais, sempre encontrando novas formas de expressão.

Esse é o objetivo de ensinar arte às crianças: desenvolver o autoconhecimento, o senso crítico, a sensibilidade e a criatividade, habilidades que serão valiosas durante toda a vida adulta.

Para isso, o professor deve investir na sua própria formação; afinal, é a visão do professor que irá influenciar a visão da turma. É importante interagir com espaços culturais como museus, galerias, teatros, cinemas e praças para encontrar novos conteúdos e selecionar o que é interessante para cada faixa etária. Assim como os planejamentos de Natureza ou Matemática são pensados linearmente, com atividades articuladas entre si, o plano de Artes também deve considerar o desenvolvimento gradual das crianças e introduzir novos desafios com intencionalidade.

Para se inspirar, confira 5 ideias criativas para fazer arte na Educação Infantil.

 

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Explorando texturas 

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Conforme a idade das crianças, novas texturas podem ser adicionadas para tornar a atividade mais interessante (foto: Casa Marias)

Atividades com texturas são ideais para crianças de até 3 anos, quando o aprendizado está muito relacionado ao tato. Apenas tome cuidado com as turmas mais novas, para que elas não coloquem materiais perigosos na boca (para essa faixa etária, uma dica é usar tinta caseira, não tóxica, que não causa problemas caso seja ingerida).

Mesmo com crianças mais velhas, a brincadeira ainda desperta interesse, basta oferecer mais opções de texturas a serem manuseadas. Algumas possibilidades são:

  • Papéis de vários tipos: crepom, cartolina, lenço, celofane,
  • Tecidos: camurça, couro e mesmo retalhos de roupas velhas ou toalhas,
  • Recortes de revistas e jornais,
  • Lixas mais ou menos ásperas,
  • Serragem, grama, folhas diversas, palha,
  • Sobras de lápis ou giz de cera apontados.

O professor pode, por exemplo, deixar que as crianças explorem texturas na sala de aula ou no pátio e, então, reproduzam as mais interessantes em suas obras de arte. Incentive a curiosidade e a descoberta com perguntas e orientação – mostre a elas como, por exemplo, passar a mão por uma superfície e fechar os olhos para sentir. Também estimule o vocabulário apropriado: liso, áspero, macio, seco, úmido, etc..

Autorretrato

As crianças vão desenhar em uma transparência sobre a própria foto: elas podem contornar o rosto, decorar ou alterar suas imagens como quiserem (foto: Meri Cherry)

As crianças vão desenhar em uma transparência sobre a própria foto: elas podem contornar o rosto, decorar ou alterar suas imagens como quiserem (foto: Meri Cherry)

Apesar de dar algum trabalho, essa é uma atividade maravilhosa para estimular o autoconhecimento. É preciso que as crianças tragam uma foto impressa de si mesmas com antecedência – e o professor precisa providenciar transparências, sobre as quais elas irão desenhar.

Depois disso, não há segredo: use uma fita adesiva para colar a foto e a transparência na mesa e disponibilize materiais de pintura. Tinta guache, cola colorida, canetas marca-texto e glitter são algumas opções que podem ser usadas para que as crianças façam seu autorretrato.

Quando as pinturas secarem, outra ideia divertida para a exposição é usar caixas vazias de brinquedo (ou qualquer outra caixa em que a frente é de plástico) como moldura, com a foto original no interior da caixa e a pintura, na frente. Veja o exemplo abaixo:

Carimbos variados 

Outra alternativa para explorar o ambiente e experimentar métodos artísticos é buscar por materiais para fazer carimbos e utensílios de pintura:

  • Talheres de plástico,
  • Rolos de papel higiênico,
  • Botões,
  • Tampinhas de garrafa,
  • Rolhas,
  • Esponjas de cozinha, de banho, de palha de aço (Bombril),
  • Algodão,
  • Plástico bolha.
Rolhas, tampas de garrafa ou bolas de algodão são algumas das opções para fazer carimbos (foto: No Time for Flashcards)

Rolhas, tampas de garrafa ou bolas de algodão são algumas das opções para fazer carimbos (foto: No Time for Flashcards)

Lembre-se de colocar a tinta em um recipiente largo, para que as crianças mergulhem os objetos (foto: No Time for Flashcards)

Lembre-se de colocar a tinta em um recipiente largo, para que as crianças mergulhem os objetos (foto: No Time for Flashcards)

Mais uma vez, enfatizamos: cuidado com objetos pequenos que podem ser engolidos pelas crianças!

Estenda uma folha grande de papel craft ou cartolina branca no chão e despeje as tintas coloridas em pratos rasos de plástico, tigelas ou bacias em que a turma consiga mergulhar os objetos. Então, deixe que experimente cada um deles.

Uma dinâmica bastante rica é sugerir temas abstratos: como elas pintariam sentimentos como alegria, raiva ou medo? Como pintariam o que estão sentindo hoje? Como pintariam a sensação de voar ou mergulhar?

Crianças mais velhas, em torno dos 6 ou 7 anos, podem relutar bastante para trabalhar com ideias tão abertas caso não tenham esse tipo de experiência com frequência – as menores, por outro lado, costumam abraçar a proposta sem questionamentos. Se isso acontecer, frise que não há certo ou errado e que eles podem pintar conforme se sentirem. Evite comentários como “que lindo” e opte por perguntar o que está sendo representado.

Pintura ao ar livre

O giz molhado dá uma cor mais vibrante à pintura (foto: Happy Hooligans)

O giz molhado dá uma cor mais vibrante à pintura (foto: Happy Hooligans)

Há uma calçada ou muro que pode ser usado na sua escola? Leve as crianças para ilustrá-los – além de tentar a pintura em uma posição diferente, em outra textura, elas também têm a oportunidade de expor um trabalho para as outras turmas. É uma oportunidade de falar sobre as mais variadas formas de exposição de artes, desde um teto todo decorado como o da Capela Sistina até as paredes grafitadas da cidade.

O giz de quadro é perfeito para essa atividade, e o efeito é ainda melhor molhando a ponta do giz antes de desenhar. O professor pode levar potinhos pequenos (como os de iogurte ou forminhas de gelo, por exemplo) com água para ajudar na pintura: colocando o giz ali por um ou dois minutos, ele absorve a água, criando cores mais vibrantes e um toque mais macio.


Uma peque dica que pode te ajudar muito!

Desenvolver essas atividades pode proporcionar momentos incríveis com as crianças, você não pode deixar de registrar as falas, comportamentos e os momentos de interação entre os pequenos! Faça isso com anotações, fotos e até vídeos! Eu sei que pode dar um grande trabalho mas é justamente nesse ponto que você está enganada, use a Eduqa.me para registrar esses momentos!

É muito simples, você pode organizar todos os registros de maneira rica em um único lugar, depois de tudo organizado você consegue consultar com poucos cliques! Quer ver? Basta clicar aqui e acessar! Veja esse exemplo:

Que tal aproveitar para criar atividades que favorecem o aprendizado ?

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Espaços negativos 

O professor pode escolher várias atividades para trabalhar a ideia de espaços negativos – quando você pinta em torno da imagem que quer representar. Para as crianças de até 3 anos, é indicado começar com propostas que exijam menos coordenação motora, como pintar em torno da própria mão ou da mão de um colega. Veja o resultado abaixo:

Colorir em torno da própria mão é uma versão mais simples da atividade, para crianças mais novas (foto: Fun-a-Day)

Colorir em torno da própria mão é uma versão mais simples da atividade, para crianças mais novas (foto: Fun-a-Day)

Após o conceito estar mais claro, é hora da experimentação! Uma ideia é usar fita adesiva para criar desenhos em espaço negativo: as crianças podem espalhar a tinta em torno da figura de um objeto ou animal (uma casinha, um sol, um cachorro criado com fita), ou dividir a página em formas geométricas e colorir cada área de uma cor diferente.

Elas ainda podem ser convidadas a buscar outros materiais para suas obras de arte: folhas e flores prensadas funcionam bem para essa atividade.

Alguns desenhos feitos com fita adesiva (foto: Red Ted Art)

Alguns desenhos feitos com fita adesiva (foto: Red Ted Art)

Leia mais:

Portal Cultura Infância

Portal Educação

 

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As crianças podem criar os próprios portfólios na Educação Infantil?

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor - pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Registros/Rotina pedagógica
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As crianças podem criar os próprios portfólios na Educação Infantil?

O portfólio deve revelar o crescimento, as formas de aprendizado e as dificuldades de cada criança. Para acompanhar esse desenvolvimento com clareza, é preciso selecionar as produções, falas e atividades mais relevantes durante certo período – aquelas em que um avanço ou desafio são particularmente visíveis, para que pais e equipe pedagógica entendam aquela criança e definam os próximos passos.

Normalmente, o professor de Educação Infantil é encarregado dessa seleção. Ele analisa todos os seus registros (anotações, fotos, vídeos, produções das crianças, falas e gravações, preferências) e decide quais deles explicitam o progresso de cada aluno. As áreas observadas envolvem:

  • Desenvolvimento cognitivo,
  • Habilidades físicas,
  • Desenvolvimento afetivo e sexual,
  • Ética e valores,
  • Socialização e relações intra e interpessoais.

O conteúdo escolhido pelo professor deve mostrar não apenas O QUE foi aprendido, mas também COMO foi aprendido. Ele vai identificar quais abordagens funcionam melhor com cada criança e quais deixam a desejar, pois, assim, pode pensar nas intervenções mais apropriadas de acordo com o aluno.

A seleção é o foco do portfólio. Muitas escolas arquivam todas as atividades realizadas pelas crianças, guardando-as em pastas ou caixas, e então enviam essa pilha de registros sem qualquer análise para a família. Porém, esse conjunto de informações não representa um portfólio – afinal, nenhuma interpretação foi realizada a partir dos materiais. Nesse caso, o documento está apenas cumprindo um papel burocrático, sem qualquer significado

É justamente a intenção de quem organiza o portfólio que lhe atribui valor. Essa intenção pode ser de outro além do professor? Ou melhor – as crianças podem organizar seus próprios portfólios?

Leia também “Portfólio na Educação Infantil: Como organizá-lo e o que usar na avaliação”!

“Veja o quanto você aprendeu”

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor - pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Na Educação Infantil esse processo deve ser feito individualmente e com muita orientação do professor – pré-selecione as atividades (foto: Youth Forum)

Na Educação Infantil, as crianças podem participar do processo de montagem do portfólio, mas ainda com orientação dos professores. Esse envolvimento é indicado por estimular a reflexão, a construção do próprio conhecimento e o diálogo. É um momento para o professor enfatizar o progresso dos alunos e ouvir suas opiniões sobre o aprendizado.

Como fazer isso com turmas tão novas? Faça uma seleção prévia dos registros, usando sempre um de uma fase mais inicial e outro, recente. Dois desenhos de uma mesma temática, por exemplo, ou duas tentativas de escrita são ótimos para fazer comparações. Outras possibilidades: dois vídeos em que ela apresenta um comportamento mais engajado, duas gravações em que ela pratica a leitura ou duas atividades manuais feitas durante a aula.

Mostrando o antes e depois para a criança, destaque as diferenças e deixe que ela mesma perceba seu crescimento. Faça perguntas para saber não só o que ela acha melhor, mas sobre o processo de criação em cada atividade, do que ela gosta em cada uma, o que gostaria de mudar, do que mais ou menos gostou em relação àquela aula. Preste atenção às respostas, pois elas podem guiar futuros planejamentos.

Além de elucidar o professor, essa abordagem ainda promove a autoestima infantil e o vínculo entre criança e educador. É também um momento importante da avaliação formativa; afinal, ao invés de avaliar com notas, a criação do portfólio dá um contexto ao aprendizado.

Algumas frases e expressões que podem ser usadas para co-criar o portfólio com as crianças são:

  • Como você fez esse (desenho)? E esse aqui?
  • Do que você mais gostou nesse dia? Do que não gostou?
  • Olha só como sua (escrita) está diferente nessas duas fotos! O que mudou?
  • Qual você acha melhor? Por quê?
  • Que bom que você já consegue (ler essa palavra) sozinho! Qual você quer aprender depois?
  • Você acha que ainda tem algo que poderia melhorar?

Todo esse processo deve ser feito individualmente com cada uma das crianças. Reserve um local tranquilo, com poucas distrações, para que elas se concentrem na seleção.

Escolha por conta própria

Alunos do Ensino Fundamental já podem ser incentivados a analisar suas produções e montar seus portfólios com menos intervenção do professor. Para isso, é preciso que eles tenham acesso a todas as sua atividades – a turma pode ser responsável por guardá-las em escaninhos individuais, pastas ou prateleiras na sala de aula. Ao final do período delimitado (um bimestre, trimestre ou semestre), as crianças podem rever seus trabalhos e reparar no desenvolvimento que apresentaram desde o início.

O professor ainda deve orientar a seleção através de perguntas, reconhecendo o que é mais relevante e apontando melhoras. Entretanto, agora, já pode fazer isso com toda a classe reunida, enquanto cada um trabalha separadamente no próprio material. Ele também pode pedir que as crianças falem ou escrevam sobre as atividades que elegeram, gerando uma reflexão mais profunda sobre o aprendizado.

Conforme elas ficam mais velhas, permita autonomia na hora de escolher - e contar para o resto da turma - os momentos e atividades favoritas (foto: Parent Map)

Conforme elas ficam mais velhas, permita autonomia na hora de escolher – e contar para o resto da turma – os momentos e atividades favoritas (foto: Parent Map)

A participação da família

Os pais ou responsáveis pela criança têm um papel importantíssimo quando se pensa em portfólio – normalmente, eles são o final da linha, os receptores de toda a informação. São eles que devem receber o documento e ouvir a análise do professor para que, juntos, pensem nas melhores intervenções e estímulos. Também é fundamental que a comunicação entre família e escola ajude a criar uma educação que faça sentido para a criança, que os mesmos comportamentos e habilidades exercitados em casa sejam reconhecidos em sala de aula.

Embora seja um papel essencial, ele não é único. Os pais podem, sim, ajudar na elaboração do portfólio e selecionar ativamente as produções mais marcantes de seus filhos. Isso lhes dá a oportunidade não só de ver o recorte da “pior” e “melhor” atividade, mas todos os aprendizados intermediários entre uma e outra.

Convidar os pais para uma reunião particular pode tomar bastante tempo, sim; mas, se possível, pode estreitar o diálogo com a escola, explicar o método de ensino e os processos de aprendizado colocados em prática e encorajar a família a se envolver mais no desenvolvimento da criança.

Ter esse entendimento sobre o crescimento dos filhos será útil sempre que a criança passar de ano, mudar de turma ou de escola, ou mesmo iniciar um curso extracurricular. Cabe também aos pais mostrar esses documentos ao novo professor para que possam procurar nele embasamento e pistas para novos projetos.

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Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Desenvolvimento Infantil/Rotina pedagógica/Semanários/Formação
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Como elaborar um planejamento com foco nas crianças

Todo professor se propõe a planejar o seu dia, as suas atividades – mas como fazê-lo quando este planejamento não se refere apenas a ele mesmo, mas a todas as crianças que estão, por boa parte do dia, sob sua responsabilidade? Cada uma tem uma vontade, um desejo e está em um estado de busca. Quando a proposta é fazer um planejamento que parte destas vontades, desejos e buscas, o educador muitas vezes sente como se estivesse tentando planejar o imprevisível.

Como escolher o que entra no planejamento?

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

Ouça o que as crianças têm a dizer: quais assuntos interessam, quais seus questionamentos e curiosidades? As respostas podem ser chave para o planejamento engajador (foto: Beck 4 Congress)

O professor que tem a preocupação em orientar sua turma tem que estabelecer um ponto de partida. Se as singularidades de suas crianças são importantes, ótimo: esse ponto de partida já esta estabelecido.

São elas. Tudo começa com observar e escutar sua turma e o que brota nos momentos da rotina: as ações mais procuradas, os interesses, as demandas, as pesquisas e descobertas, os assuntos que estão bombando entre as crianças.

Leia mais sobre esse tema no nosso post Personalização do Ensino na Educação Infantil.

O olhar do professor ao observar seu grupo não é um olhar à toa, à espera de que algo chame sua atenção para, só depois, despertar interesse. É um olhar intencional, preparado. Juntamente com a observação está a pauta do olhar, ou o motivo do olhar, elaborada pelo professor para orientá-lo naquilo em que vai prestar atenção. Afinal, as crianças são muitas e vários são os interesses.

A elaboração da pauta do olhar está intimamente ligada ao planejamento do professor, ao seu modo de trabalhar.  Um jeito possível de trabalhar com a (in)formação começa por perguntar. É provocar o olhar e a escuta para ativar a percepção e despertar a curiosidade.

  • O que as crianças fazem com maior frequência? (que movimentos corporais fazem com maior prazer, em quais encontram dificuldades?)
  • Quais os brinquedos e brincadeiras são mais solicitados?
  • Como elas se articularam? Quem brincou com quem? Quem não quis brincar?

Além disso, é preciso deixar espaço para olhar o olhar individual.

  • Quais as crianças serão observadas com maior atenção neste dia ou durante esta atividade? Quais os seus interesses? Estão buscando um desafio?

Um cuidado especial pode ser garantir um olhar para o uso dos espaços e dos materiais utilizados.

  • Como foi o envolvimento e a participação das crianças nestes espaços (parque, refeitório, quadra, área externa, sala de referência) e quais os materiais explorados?
  • Eles preferem os materiais não estruturados?

A partir das respostas a estas e outras perguntas pertinentes à sua turma, você terá anotações e informações importantes para ampliar os desafios oferecidos para as crianças. Estas respostas são alguns elementos deste seu planejamento.

Quais outras fontes de informação você possui?

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Observe quais os brinquedos, livros e outros materiais mais procurados pelas crianças. Qual o motivo desse interesse? Que desafios e possibilidades eles representam? (foto: The Guardian)

Você fez o registro das propostas anteriores neste ou em outros espaços da creche. Você tem uma fonte preciosa de informações e anotações sobre as pesquisas, descobertas, interesses e hábitos de cada um de sua turma. Alguém vai sempre para o mesmo brinquedo? Você já se perguntou o porquê? Há crianças que nunca usam algum brinquedo ou realizam alguma atividade? Novamente, você sabe por quê?

É claro que ninguém tem memória para guardar tudo o que vê e vivencia nas 10 horas da rotina, multiplicadas pelas 20 ou mais crianças da turma! Por isso a importância dos registros de acordo com a realidade da turma. Os registros contém tudo aquilo que o educador percebe – anotações, fotos, caderno de registros, produções dos alunos. Eles revelam as descobertas, as dificuldades, as conquistas e as possibilidades de cada criança e do grupo, e são sua matéria-prima para o próximo planejamento.

O que essas informações significam?

Com as respostas relacionadas às questões sobre os interesses atuais das crianças, mais os registros das atividades anteriores, mais os desafios identificados, você se pergunta: quais os encaminhamentos que essas informações indicam?

Sua resposta está em refletir e avaliar sobre quais dificuldades foram identificadas no grupo ou em uma criança e, a seguir, quais ajustes deverão ser feitos no tempo e na estrutura das respostas. E aí, bingo! Chegamos ao planejamento interessante, estimulador, adequado e repleto de possibilidades e brincadeiras. Não tem como dar errado!

Gaste seu tempo com o que realmente importa - horizontal

Fonte: Tempo de Creche

7 áreas que toda sala de Educação Infantil deve ter

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Rotina pedagógica
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7 áreas que toda sala de Educação Infantil deve ter

Há vários elementos que precisam ser considerados ao se planejar o ano escolar. A equipe pedagógica costuma revisar as normas, o currículo, o desenvolvimento de atividades e testes – mas também é preciso pensar sobre o espaço da sala de aula: como organizar carteiras ou mesas, quadros de avisos e guardar materiais. Você pode reunir todos esses objetos, que aparentemente não têm conexão, e dividi-los em sete áreas de aprendizado. Elas são: as áreas de descoberta, de notícias, de materiais, comunitária, do silêncio, do professor e do conhecimento.

Área da descoberta

É ali que devem ficar todos os itens que estimulam a imaginação. Inclui materiais de artes e artesanato, gravadores, câmeras, instrumentos e tudo o que produza música, jogos, quebra-cabeças e livros ou revistas divertidos. Compartilhe também ideias e amostras de diferentes projetos que elas podem realizar, assim as crianças terão um ponto de partida.

Você pode aproveitar essa criatividade dando aos alunos uma ideia central a ser explorada. Proponha que eles desenhem o que veem, façam observações ou bolem perguntas (por escrito ou oralmente). Use essas manifestações como informação para reformular sua estratégia de organização e seus planos de aula.

Junto aos brinquedos e materiais para explorar a criatividade, deixe sugestões de projetos e brincadeiras que as crianças possam usar como ponto de partida (foto:)

Junto aos brinquedos e materiais para explorar a criatividade, deixe sugestões de projetos e brincadeiras que as crianças possam usar como ponto de partida (foto: Gluesticks, Games and Giggles)

Área de notícias 

A área das notícias vai ajudar a coordenar o calendário escolar, datas de avaliações e projetos, eventos escolares, feriados, festivais, clima, temperatura ou mesmo notícias regionais, nacionais ou internacionais interessantes para discussão. Esse espaço também pode ser usado para listar seus objetivos diários de aprendizado, expor trabalhos da classe e anotar tarefas de casa.

Área de materiais

Com certeza, ter uma área de materiais vai deixá-la mais tranquila! Aqui são guardados lápis, canetas, marcadores, apontadores, grampeadores, tesouras, réguas, papel, cola, fita adesiva, clipes de papel, lenços umedecidos, toalhas de papel, álcool gel, uma lixeira e outras ferramentas necessárias à sala de aula.

Para turmas mais velhas, esse também pode ser o local para tabelas com fórmulas e vocabulário, guias de estudo, manuais ou apostilas, pranchetas e cadernos. Além disso, o professor pode combinar com as crianças para que sempre entreguem ali suas atividades e tarefas de casa e guardem seus portfólios e livros de exercícios.

Uma caixa de achados e perdidos é outra adição que vai ajudar a turma a organizar a sala e ainda praticar a gentileza e responsabilidade.

Área comunitária

Um tapete é ideal para definir qual a área para trabalhos e discussões em grupo (foto: New Morning Nursery School)

Um tapete é ideal para definir qual a área para trabalhos e discussões em grupo (foto: New Morning Nursery School)

Uma área comunitária serve a vários propósitos. Ela lembra as crianças que todos estão trabalhando por um objetivo comum. Proporciona tempo para discutir o que foi aprendido, fazer conexões, perguntar e apresentar outras perspectivas e participar de reflexões. Essas discussões são uma oportunidade para o professor avaliar o progresso da turma, esclarecer informações ou mal-entendidos e fazer anotações para planejar as aulas seguintes.

No início do ano, você irá mediar os debates, mas o objetivo é orientar as crianças até que elas consigam iniciar, mediar e encerrar discussões em grupo por conta própria. O que ajuda o processo é ter esse espaço de grupo delimitado e incluir o tempo de conversa na grade de horário.

Para isso, uma ideia é usar um tapete para marcar o espaço comunitário – além de dar aos alunos um lugar confortável para se sentar. Eles também podem ficar em pé ou organizar cadeiras em um círculo.

Área do silêncio

Dividir a sala de aula com mais de vinte crianças nem sempre é fácil. Alguns alunos optam por trabalhar sozinhos, alguns preferem atividades em grupo, enquanto outros simplesmente precisam de um espaço de silêncio em que possam se concentrar e compreender o tema, estudar, ler e escrever, completar uma prova ou apenas refletir.

Uma mesa extra e algumas cadeiras em um canto da sala podem ser usadas para definir a área do silêncio. Se possível, ofereça também alguns fones de ouvido para ajudar a filtrar o barulho dos colegas. Painéis podem ser usados para criar uma “parede”, separando os quietinhos das distrações.

Use painéis, cortinas ou outras divisórias para criar um espaço de silêncio aonde as crianças possam se concentrar (foto: The Learning Express Preschool)

Use painéis, cortinas ou outras divisórias para criar um espaço de silêncio aonde as crianças possam se concentrar (foto: The Learning Express Preschool)

Área do professor

A área do professor é um pequeno oásis fora de casa, porém também ajuda a gerenciar todas as suas responsabilidades profissionais. Aproveite o espaço para recarregar as baterias com fotos de família, amigos, animais de estimação ou viagens de férias. Exponha recadinhos ou pequenas lembranças dadas pelos alunos.

Mesmo que não tenha uma mesa, garanta que haja pelo menos uma prateleira ou gaveta segura para guardar sua bolsa, chaves e outros objetos valiosos ou pessoais.

Essa área também é seu espaço profissional aonde você faz planejamentos, prepara aulas, avalia e dá notas, analisa o desenvolvimento das crianças e preenche relatórios. É onde devem ser guardados os manuais do professor, livros de referência ou tabelas.

Use a área do professor para ter reuniões particulares com seus alunos quando houver necessidade. Outra sugestão é acrescentar suas credenciais, diplomas e certificados profissionais – somando duas cadeiras para adultos, este pode ser o lugar ideal para receber os pais das crianças, colegas de trabalho ou administradores que quiserem dar uma olhada no seu trabalho.

Área do conhecimento

Guarde aqui atividades impressas, jogos, ferramentas tecnológicas e objetos relacionados às matérias que você ensina. É importante mostrar que esses temas estão conectados, porque muitas crianças têm dificuldade em perceber a relação entre as disciplinas aprendidas na escola.

Retire ferramentas e atividades manuais de dentro dos armários e as coloque nessa área. Use as paredes: coloque gráficos e cartazes com ideias de ponto de partida e possíveis projetos, flashcards (cartões plastificados, geralmente com imagens de um lado e definições, do outro), anotações, fotos/falas/desenhos de pessoas famosas em cada assunto, linhas do tempo e outros materiais impressos. Sempre que possível, acrescente objetos reais além de apenas gravuras. Organize novo vocabulário alfabeticamente ou dentro de uma história – o importante é dar sentido a cada um deles mostrando o contexto.

Delimite essa área com estantes e mesas na altura dos alunos, assentos confortáveis e mesmo bichos de pelúcia.

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Não deixe o tamanho da sua sala de aula impedir a organização! Algumas dessas áreas podem ser criadas em apenas uma estante, prateleira, armário ou mesa. Além disso, você não precisa estipular todas as sete áreas – comece por aquelas que serão mais úteis para você e sua turma ou escolha uma como teste e veja o que acontece!

Esse texto é uma tradução do artigo 7 Learning Zones Every Classroom Must Have, do Edutopia. Clique aqui para ler o original.

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Por que a inovação não chega nos professores?

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria no palco e na plateia (foto: Friendship Circle)

Carreira/Formação/Práticas inovadoras/Registros
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Por que a inovação não chega nos professores?

Há poucos meses, fiz minha mudança para São Paulo. Por vários motivos, entre eles estar mais próxima da Eduqa.me e começar uma pós-graduação com foco em tendências para a educação no novo milênio. Mais do que nunca, consegui ver que o nosso cenário de ensino-tradicional-com-todos-sentadinhos-em-silêncio está se transformando: há bate-papos, palestras, debates, seminários, aulas com especialistas de todo país e do exterior explorando metodologias alternativas, sejam elas sustentáveis, tecnológicas, democráticas, lúdicas, de desenvolvimento integral.

É incrível fazer parte dessa mudança, mas algo nunca falha em chamar minha atenção – onde estão os professores?

A maioria desses eventos reúne entusiastas das mais diversas áreas, em especial do terceiro setor. Jornalistas aos montes, empreendedores, alguns gestores e diretores de escolas, integrantes de organizações sociais – esse pessoal está lá. Professores, contudo, são minoria na plateia. Tomo como exemplo alguns dos encontros de que participei desde agosto, dentre eles o Transformar 2015 e o Fala Sampa na Virada Sustentável.

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria no palco e na plateia (foto: Friendship Circle)

Em debates sobre inovação no ensino, professores ainda são minoria, tanto no palco quanto na plateia (foto: Friendship Circle)

Não que a educação não seja responsabilidade de todos. Aliás, fico feliz em ver mais grupos se dedicando ao projeto de um ensino de qualidade, mobilizando comunidades e experimentando novos modelos dentro e fora da escola. Mas questiono o poder de uma mudança que não chega à maioria das salas de aula, àqueles adultos que estão de fato com as crianças diariamente e têm a oportunidade de inspirá-las (ou não) com suas atitudes.

Ter empresários e pesquisadores envolvidos na educação nos dá uma lista de hipóteses, testes e teorias; todas, infelizmente, muito pontuais. Tanto que qualquer proposta um pouquinho fora da caixa logo vira notícia: elas não são o comum, a maioria, o que todas as escolas estão fazendo. Quantas Casas Redondas ou Projetos Gente você conhece no seu bairro, na sua cidade? Com certeza, não o suficiente.

Tive um professor na universidade que costumava dizer que nós não mudamos nada pelo lado de fora. Só se muda de dentro para fora. Você tem que estar dentro do sistema e entendê-lo para saber quando e como a mudança faz sentido. Ele disse isso em outro contexto, discutindo o jornalismo e a grande mídia, embora faça todo o sentido aqui. Os professores estão lá dentro. Eles veem, dia sim outro também, as falhas, as virtudes e os desafios do nosso sistema educacional. Percebem o que a turma aprende e deixa de aprender, quais atividades engajam e são um sucesso, quais são tediosas e se tornam obrigatórias só “para passar de ano”.

Por que, então, não há mais professores aprendendo sobre suas possibilidades?

De alguma forma, duvido que seja falta de interesse. Apesar de alguns maus profissionais, a grande, grande maioria dos professores que conheci eram pessoas apaixonadas por seus trabalhos, dedicadas aos seus alunos e a garantir o melhor aprendizado possível.

Uma pesquisa da Fundação Lemann, destinada a traçar um perfil do professor brasileiro, mostrou que suas principais motivações são presenciar um momento em o aluno realmente aprende algo e o senso de responsabilidade social. Esse não me parece o perfil de alguém desinteressado.

Falta de tempo? Falta de incentivo? Ceticismo quanto às novidades que prometem revolucionar a educação – com ou sem tecnologia?

A opinião do professor - justamente aquele que está em sala de aula diariamente - ainda é pouco ouvida por governo e mídia (foto: Education Career Articles)

A opinião do professor – justamente aquele que está em sala de aula diariamente – ainda é pouco ouvida por governo e mídia (foto: Education Career Articles)

Não se sabe – e esse é outro lado do problema. Quem está efetivamente ouvindo os professores? A mídia não está. Uma pesquisa feita pela ONG Observatório da Educação analisou matérias e reportagens por dez anos e concluiu que quem menos fala sobre educação… É o professor. Jornalistas entrevistam governantes, especialistas, acadêmicos, historiadores, pesquisadores, economistas – mas pouquíssimos conteúdos trazem a opinião do professor sobre os temas em questão.

Isso não é uma forma de apontar dedos e culpar a mídia: eu me formei jornalista e entendo que há uma série de motivos que podem explicar esse cenário, e nem todos responsabilidade do repórter que vai para a rua.

A privacidade das escolas, o desconhecimento sobre leis e a autoestima do professor foram fatores que vieram à tona no estudo acima, que você pode conferir aqui. Ainda assim, não exclui o fato de que não sabemos o que justamente esses adultos responsáveis por educar, orientar, influenciar, cuidar (e etc., etc., etc.) novas gerações pensam sobre o trabalho deles. O trabalho deles.

Qual mudança no modelo educacional não passa pelos professores? Conseguiu pensar em alguma? Porque eu, não. E se há algo que a experiência na Eduqa.me me ensinou é que não se pode criar nada sem antes conhecer bem, conhecer a fundo e intimamente o público a quem se destina. A educação só funciona com professores, quaisquer que sejam os papéis definidos para eles.

Portanto, precisamos começar a investir neles.

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