4 Estratégias para despertar a curiosidade nas crianças
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4 Estratégias para despertar a curiosidade nas crianças

No post anterior falei sobre o papel da curiosidade na aprendizagem e como essa palavrinha é um “material escolar” imprescindível na Escola.
Toda curiosidade brota de uma boa pergunta, não é verdade? Uma boa pergunta se transforma em uma ferramenta mega poderosa que é capaz de transformar e ativar processos de raciocínio no ser humano.
Por este motivo é  super importante que o professor saiba formular, com intenção, perguntas que norteiam um pensamento eficiente. A boa pergunta deve direcionar a observação, provocar a análise, incentivar a comparação e propor uma elucidação a fim de que o curioso possa chegar, por si só, a uma ou mais conclusões.

1 – Faça as perguntas certas

Segundo pesquisas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, a curiosidade prepara o cérebro para o aprendizado.
Ao provocar a curiosidade deixamos o cérebro aquecido para o novo. É como se toda nossa cachola ficasse em estado de alerta a fim de entender o porquês das coisas. Automaticamente fazemos conexões com coisas que aconteceram e as perguntas vão surgindo buscando novas respostas e brotando novas perguntas, legal, não é?

Por isso, minha sugestão é que você comece o jogo do curioso fazendo perguntas provocadoras, tais quais:

  • O que é isso?
  • Para que serve isso?
  • Por que se faz isso?
  • Quem inventou isso?

Essas são perguntas básicas que podem ser feitas pelo professor cada vez que surgir algo novo. Provocar as crianças com  essas perguntas é uma maneira inteligente de provocar conexões e os olhares e, pode apostar, que as respostas começarão a aparecer.

2 – Saiba ouvir

Professor, é preciso estar atento à resposta dada pela criança para saber reconhecer se deve ser feita outra pergunta para direcionar essa criança ou se a resposta já se encontra ali, logo adiante do caminho da aprendizagem. Pode ser também que a resposta surja no contexto criado pela sala ou que nem apareça naquele dia ou ano.

Sugiro que você controle a respiração e a ansiedade para ouvir todos os questionamentos das crianças e para que elas tenham a chance de desenvolver o pensamento crítico e reflexivo.

Escutamos muitas respostas inusitadas, criativas e surpreendentes não é mesmo? As respostas ou perguntas das crianças são muito relevantes e nos servem também como material para refletir nossa prática pedagógica.

Além de saber ouvir precisamos anotar o que quer que entendamos que tenha sido relevante para aquela criança! Mas como fazer anotações em meio 25 alunos, no parquinho da escola em um momento em que todos estão extremamente curiosos em busca de aventuras e aprendizados?

Quando faço as anotações crio um monte de papel, rascunhos e escrevo tão rápido que acabo nem entendendo depois, ou não lembro o contexto e por aí vai…

Por conta disso comecei a usar a Eduqa.me e fazer registro ficou uma tarefa super tranquila. Desde então nunca mais deixei escapar um fala, uma resposta, um comportamento de uma criança e a Eduqa.me passou a me ajudar no planejamento, nos registros e a preservar esses momentos únicos em sala de aula.

No exemplo abaixo inserimos uma foto em uma atividade de exploração no Jardim da escola. Além de ter essa agilidade de capturar um momento e já salvar e organizar na hora, consigo fazer anotações individuais e essas anotações vão direto para um relatório da criança que foi selecionada, facilitando o trabalho do professor e coordenador e não deixando de registrar detalhes importantes do desenvolvimento das crianças; incrível não é?

Gostou? Então clique aqui agora e teste a plataforma que te ajuda a fazer todas as etapas da documentação pedagógica.

3 – Não entregue tudo pronto

Por muito tempo o professor foi detentor do conhecimento. Lembra que era de praxe o professor chegar em sala despejando seu conhecimento como uma verdade acabada e sólida?
Pois é, mas hoje, no mundo beta em que vivemos, o que sabemos é que nada sabemos e que tudo é mutável e que mais importante que as respostas são  as interrogações para que a curiosidade seja brotada na cabecinha da criançada.

Aprendemos que a nossa sala de aula é uma grande laboratório e como tal deve ser um espaço para desbravar novos conhecimentos nos objetos; nas rodas de leituras; nas pessoas; na natureza; nas revistas e no nosso melhor amigo google.

4 – Além dos muros da Escola

Curioso que é curioso leva a curiosidade pra onde vai. Tanto da casa para a escola, quanto da escola para a casa e isso vai desde valores a conceitos.

Pais e Escolas devem ser parceria e não devem deixar a criança sem respostas. Pior coisa para um curioso é não ter onde buscar seus questionamentos. É preciso ajudar essa criança a fazer assimilações e pontes para o aprendizado.

E o professor curioso? Ah, esse entra na Eduqa.me para começar a fazer seus semanários na plataforma. Seja curioso, acessa e tenha mais facilidade na hora do planejamento.

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 

A Matemática na Educação Infantil
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A Matemática na Educação Infantil

 

A matemática está presente em nossa vida há muitos e muitos anos. Os mais antigos registros matemáticos de que se tem conhecimento datam de 2400 a.C.
Progressivamente, fomos evoluindo com a contagem,  medida de comprimentos e de áreas e outras novas invenções que foram afinadas e teorizadas criando conceitos cada vez mais perfeitos.

Se pararmos para pensar, tudo gira em torno de números, não é mesmo?

Os ponteiros, os quilômetros, os reais, a quantidade de amigos, as colheres de chocolate que vai no brigadeiro, o número de árvores plantadas, a quantidade de estrelas, as velinhas nos aniversários, a noção do tempo e espaço e por aí vai… A matemática sempre desempenhou um papel único no desenvolvimento das sociedades. E é na Educação Infantil  que recebemos a base para aprendermos sobre o raciocínio lógico, a noção espacial, a bilateralidade, os números cardinais e outras ações aplicadas a rotina diária infantil.

 

Aproveitar esses itens da rotina diária infantil para facilitar o aprendizado dos alunos é o que a Mathema faz. Nesse vídeo a Doutora em Educação pela USP, Kátia Stocco Smole, mostra diferentes formas de linguagens expressivas e comunicativas para acompanhar a matemática.
Veja aqui a importância de transformar problemas em soluções e desmistificar a Matemática na Educação de base.

 

O Grupo Mathema é uma instituição que há 20 anos pesquisa e desenvolve métodos pedagógicos inovadores para melhorar a qualidade do ensino da matemática. Ao longo da sua história, o Mathema tem compartilhado conhecimento com mais de 40 mil educadores que participaram das formações, impactando cerca de 1,2 milhão de alunos. A capacidade de resolver problemas e pensar criticamente são marcas essenciais da aprendizagem.

Clique aqui e assista às produções audiovisuais dos projetos e de ações desenvolvidas em parceria com importantes instituições. Aproveite e acesse agora 05 palestras exclusivas:

 

Nesse link você vai assistir: 
1- O que define um currículo de qualidade?

2- A matemática na educação infantil – pressupostos para o trabalho docente

3- Números e Operações: Jogos e Etnomatemática

4- Números e Operações – Língua Portuguesa e Estratégias Pessoais

5- Mathema | Diálogos sobre Educação

 

E se você não sabe em que lugar encontrar atividades para Educação Infantil, saiba que no Baú de atividades da Eduqa.me existem muitas, muitas atividades de linguagem, motricidade, artes e claro matemática! Clica que aqui e conheça o Baú de atividades da Eduqa.me

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 

 

Comunicação Não Violenta: como ela pode te ajudar na Escola
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Comunicação Não Violenta: como ela pode te ajudar na Escola

– Não seja assim!
– Não chore!
– Deixe de birras!
– Cala a boca e presta atenção!
– Senta lá!
– Vou deixar você de castigo! Pare com isso!
– Eu vou arrancar a sua língua!
– Você é surdo? Já falei um milhão de vezes pra não fazer isso.


O que tem de tão familiar nessas frases?
Todas essas frases foram tiradas do contexto da sala de aula.  Elas são tão comuns que parece que já ouvimos isso em algum momento da nossa vida ou, quem sabe, até pronunciamos de vez em quando.
Elas parecem desconsiderar completamente a violência que estão por trás de cada palavra e também o efeito que terão sobre a criança que está ouvindo.
Costumamos pensar que a violência está intimamente ligada com alguma agressão física, mas peraí, se fizermos um micro esforço lembraremos de situações que são super violentas lexicamente ¹ falando.
Muitas vezes a comunicação pode ser uma das piores violências, pois ela pode marcar eternamente a vida de uma criança. 
Dito isso, quero compartilhar com vocês sobre o conceito de uma Comunicação aposta a essa:  a Comunicação NÃO Violenta!
A Comunicação não Violente (CNV), foi criada pelo americano Marshall Rosenberg, e é um método simples de comunicação.
Uma comunicação que é clara, empática e que almeja encontrar um jeito para que todas as pessoas falem o importante sem culpar o outro, humilhá-lo, envergonhá-lo, coagi-lo ou ameaçá-lo.
É uma comunicação útil para resolver conflitos, conectar-se aos outros, e viver de um jeito consciente, presente e antenado ás necessidades vitais e genuínas de si mesmo e do mundo. Baseada na ideia de que todos os seres humanos têm a capacidade da compaixão e a capacidade de escutar verdadeiramente o outro a CNV cria  uma cultura de expressão que resolva os conflitos, ao invés de criá-los.

cnvPodemos dividir o processo da CNV em 4 componentes:

  1. Observação: Observamos as ações concretas que nos afetam. Sem julgamentos e sem juízo de valores. Apenas uma declaração do que estamos observando que pode (ou não) ter nos agradado;
  2. Sentimento: Identificamos e nomeamos o que estamos sentindo em relação ao que observamos. Ou seja, nos perguntamos: ” como me sinto diante disso? Frustrado? Alegre? Magoado?Irritado? dentre outros…
  3. Necessidades: Informamos para o outro as nossas necessidades, valores e desejos que estão conectados aos sentimentos que identificamos anteriormente. Em outras palavras, quais são as minhas necessidades, desejos ou valores que guiam meus sentimentos?
  4. Pedido: Pedimos para que algumas ações concretas sejam realizadas, de forma a atender nossas necessidades.

#NaEscola

bons professoresO que vimos nas frases acima são exemplos que tentam limar, corrigir o errado e indicar o correto. Apontar o bom e o mau e abafar o aluno e torná-lo cada vez mais passivo e ouvinte.
Pois, afinal de contas, o professor é uma grande autoridade e ele, enquanto mestre e detentor do conhecimento, deve criar condições favoráveis para que cada criança desenvolva sua capacidade de conservar sua integridade pessoal e, por isso, o mestre tenta moldar as crianças.
Caso alguma dessas crianças não se encaixe nesses padrões os educadores investem em técnicas punitivas. É assim que a Escola tem conduzido seus ensinamentos por séculos, não é mesmo?
As perguntas que pairam no ar são:
Nesse contexto há espaço para a empatia?

É nesse modelo educacional que devemos investir ?

O Professor Afetuoso


Como dito no post “Como trabalhar afeto na Educação Infantil” o afeto tem um papel fundamental na aprendizagem.
A relação de qualidade entre o professor e o aluno depende mais de “como” e ” a quem” se ensina, do que o ” o que se ensina”. Para que o professor se torne eficaz na sua tarefa de ensinar é preciso criar um vínculo com o aluno: uma ligação. Essa ponte com o aluno e construída, na maioria das vezes, com a comunicação.

O professor que domina a competência de comunicação, além de afetuoso, têm  ferramentas muito significativas nas mãos.

professor afetuoso
– Respeito pelos interesses dos alunos
– Educa com afeto
– Liberdade para aprender
– Ambiente agradável em sala
– Construção do conhecimento
– Autonomia na aprendizagem


A proposta da Comunicação Não Violenta é sair da lógica do culpado, da punição, do certo e do errado e desconstruir comportamentos pré-estabelecidos. Quebrar todos os paradigmas e apresentar um novo jeito de se comunicar.
O ato de se comunicar é, por si só, uma necessidade fundamental para a qualidade da existência do indivíduo. A CNV nos instrumentaliza para responder essa necessidade e esinar como construir e melhorar a nossa relação com o outro.
Aqui fiz apenas uma resumo sobre o que é e como podemos começar a exercitar dentro de nós mesmo e dentro da Escola.
Se você gostou do conceito e quer entender um pouco mais sobre a comunicação não-violenta deixo algumas sugestões para que você aprofunde no tema e se envolva com esse jeito empático de lidar com os conflitos internos e externos.
Proponho que experimente esse exercício abaixo e percebam a diferença que a CNV faz nas nossas vidas.

“Vejo que ____. Estou me sentindo ____ por precisar de ____. Você gostaria de ___?”. Ou “Vejo que ____. Você está se sentindo ____ por precisar de ____?”, seguido de “Resolveríamos sua necessidade se eu ____?” ou uma declaração de seu próprio sentimento e necessidade seguido por um pedido.


Com o tempo, podemos perceber mais abertura, mais ternura nas relações e as pessoas se sentiram a vontade para se abrir e se expressar diante dos outros, pois o ambiente será de pura confiança e respeito.

Lexicalmente ¹ : Relacionado com a palavra.

Agora que você já está sabendo tudo de Comunicação Não Violenta, que tal aproveitar para fazer relatórios usando essa nova habilidade? Acesse a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.

Aproveite a duração da atividade não apenas para acompanhar e facilitar o aprendizado da turma, como também para registrar esse desenvolvimento. Fotos e vídeos são ferramentas simples que podem ser usadas durante a aula para gravar detalhes na evolução de cada aluno, facilitando o relatório pedagógico que será feito mais adiante!

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Registre atividades na Eduqa.me - horizontal

Sugestão de leitura:
Livro “Comunicção Não-Violenta” de Marshall Rosenberg

 

Deborah Calácia para a Eduqa.me. Deborah é linguista e especialista em tecnologia e educação – Universidade de Brasília.

 


O mundo da fantasia na criança – Parte I
Desenvolvimento Infantil/Socioemocional/Registros
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O mundo da fantasia na criança – Parte I

 O termo fantasia nas escolas de educação infantil é muito utilizado. Atribui-se a ele a representação do lúdico e dos processos imaginativos na criança. O que vamos ver neste texto, vai um pouquinho além disso.

Falaremos sobre como e para que ocorre o desenvolvimento da fantasia na criança; os amigos imaginários e a fase em que isso acontece; fatores a serem observados, com o que se preocupar e como isso procede nas crianças com deficiência: autismo, deficiência intelectual, por exemplo.

 A Fantasia

A fantasia está presente na vida da criança logo que ela nasce. A partir do momento em que o bebê se relaciona com o mundo externo, dá-se início a esta construção psíquica a partir da figura da mãe: o seu grande “objeto de desejo”.

Para o bebê, não existe separação entre o mundo interno e a realidade, é como se tudo ainda fosse um único corpo – o bebê e sua mãe (princípio do prazer). Através das frustrações que começam a acontecer após o nascimento nas relações estabelecidas com a mãe e o mundo, o bebê passa a utilizar a fantasia como um mecanismo de defesa contra estas sensações ruins, como por exemplo: a ansiedade, a espera para ser alimentado ou acalentado pela mãe, etc.

À medida em que o bebê cresce e se desenvolve, ele começa a se “descolar” da mãe e a perceber a realidade.

Entretanto, é por volta dos 4 e 6 anos de idade, quando a criança está no ápice do desenvolvimento da representação simbólica, que a fantasia é mais evidente.

A dramatização, as brincadeiras lúdicas e de faz-de-conta presentes no dia a dia da criança evidenciam a forte capacidade de trazer à tona o que não é real. Isso é extremamente necessário e importante para o seu desenvolvimento psíquico porque é desta forma que a criança entende a realidade, assimila regras sociais e também desenvolve as suas habilidades para aprender.

Esta faixa-etária, também é muito conhecida por ser a fase do aparecimento dos amigos imaginários. As crianças “criam” amigos imaginários para serem um alicerce nas suas relações com a realidade e uma forma de lidar melhor com ela.

Divertidamente: Bing Bong o amigo Imaginário

Algumas crianças dão vida aos ursos de pelúcia e bonecas; outras fingem ser um super-herói, super-heroína ou outro personagem.

Ou até mesmo cada um tem seu Bing Bong, personagem do filme da Disney Pixar, Divertida Mente. Bing Bong é o amigo imaginário de Riley em sua mente. Ele tem pele de algodão doce e é um híbrido entre um elefante um gato e um golfinho. Riley e tantas outras crianças criam um amigo só seu, dentro da sua cabeça para fazerem o seu jogo simbólico*.

*Jogo simbólico é o termo utilizado por Piaget, para se referir de forma especial às brincadeiras imaginativas da criança.

“A fantasia é o remédio mais saudável para nossa alma“

Priscila Bonvino – arte-educadora

Mais do que entender sobre a criança é preciso entender como estabelecer contato com e ela e propor atividades divertidas que desenvolvem o seu momento na Educação Infantil.

Livros de histórias, poesias e mesmo revistas podem ser prazerosos para mergulhar no mundo do imaginário. Considere, em primeiro lugar, o interesse de cada criança e use a roda de leitura para provocar esses momentos nos seus pequenos.

E não esqueça de fazer os registros eles são fundamentais para  acompanhar o desenvolvimento infantil. Com os registros online é possível compartilhar com  as famílias as informações referente a fantasia e pais e responsáveis podem compreender melhor o trabalho desenvolvido na Escola.

Teste a Eduqa.me! Me diga o que acha ? Clique aqui para ver como funciona essa plataforma que está ajudando tantos professores, não custa nada testar! Nada mesmo! É grátis por 30 dias!

No próximo post falarei sobre os amigos imaginários em  O mundo da Fantasia na criança II

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

5 atividades para praticar inclusão na festa junina

Fonte: APAE BH

Rotina pedagógica/Movimento
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5 atividades para praticar inclusão na festa junina

No post anterior falamos um pouco sobre a inclusão nas Festas juninas. Agora vamos esticar um pouco mais esse tema e explorar brincadeiras tradicionais para garantir o brincar para todos nessa festa que toda escola ama fazer!

5 Atividades para praticar a inclusão na Festa junina

#1 – Pescaria

pescaria-eduqa-me

Fonte: Pinterest

Esta brincadeira requer o controle da força e muita coordenação motora, por isso, segue abaixo alguns truques para tornar esta pesca mais inclusiva.

A) engrosse o cabo das varas com papel, espuma, EVA e encape com uma fita adesiva. Isso pode facilitar o manuseio das varas.

B) coloque na ponta da vara, onde fica o anzol, um peso (pode ser uma pedra, um pedacinho de tijolo ou madeira), isto evitará que as linhas fiquem a voar e se enrosquem umas nas outras, além da criança poder controlar melhor a sua força e ter uma boa coordenação visomotora. Abaixo do peso cole um velcro largo.

C) modifique também os peixes. Faça-os num tamanho maior e cole na parte de cima do peixe o outro pedaço do velcro para que a criança consiga pesca-lo ao grudar a ponta da linha da vara no peixe.

Se ainda assim a brincadeira não for acessível a todos, temos mais ideias. No caso das crianças com paralisia cerebral, por terem características muito particulares, convém conhecer cada caso. Entretanto, na pescaria pode ser feito o processo inverso, ou seja, ao invés de utilizar uma vara convencional e a criança selecionar um peixe para pescar, pode-se amarrar uma linha/barbante na mão da criança e depois conectá-la diretamente ao peixe.

O desafio aqui será a criança puxar ou fazer algum movimento para que o peixe, já grudado na linha, saia de dentro da “água” ou do recipiente no qual estiver.

#2 – Latas

Fonte: Pinterest

Fonte: Pinterest

Em todos os jogos o principal objetivo não é facilitar ou flexibilizar as regras para que as crianças com dificuldades vençam, mas sim, facilitar no sentido de que tenham acesso e oportunidade de brincar e interagir de fato com o propósito da brincadeira.

No jogo das latas tradicional, deve-se arrumar as latas em formato de pirâmide. A base deve ter quatro latas, em cima dela mais três e assim por diante numa ordem decrescente.

Faça um risco no chão com cerca de um metro de distância das latas e lance a bola, que pode ser de plástico ou de meia. Vence quem conseguir derrubar o maior número de latas. Para adaptar este jogo você pode optar por manter o mesmo tamanho das latas e modificar a distância entre o risco do chão e o alvo, permitindo uma maior aproximação da criança até as latas.

Se quiser, pode aumentar o tamanho das latas e também o tamanho das bolas. Neste caso a criança poderá lançar a bola com a mão ou mesmo chutar. Para as crianças com paralisia cerebral temos uma ideia semelhante à sugestão feita na brincadeira da pesca. Como atirar a bola exige alguns movimentos complexos, o professor poderá amarrar em volta das latas um barbante e pedir para a criança puxar ou fazer algum movimento para derrubar as latas.

A quantidade de latas que cair representará a pontuação da criança. Dependendo da dificuldade apresentada pelo participante, para não facilitar o jogo, diga que ele terá apenas uma chance.

#3 – Boca do Palhaço

Fonte: Pinterest

Fonte: Pinterest

Para a boca do palhaço temos duas sugestões bem simples, ou aumenta-se o diâmetro da boca do palhaço ou muda-se o nome do jogo para a “Barriga do Palhaço” e faz -se então um círculo bem grande para que as crianças com maiores dificuldades na coordenação, equilíbrio e força possam ter a chance de acertar.

O tamanho da bola e o peso da bola também devem ser revisados. Se o buraco para acertarem as bolas serão maiores, as bolas também devem ser. Como desafio pode iniciar a brincadeira com uma bola mais leve e a medida que o participante vai acertando a bola fica mais pesada. Faça esta brincadeira num espaço bem grande para que ninguém seja atingido pelas bolas. Se as crianças com paralisia cerebral não conseguirem jogar, vamos trazer o palhaço até elas. Pegue uma bacia com o diâmetro que achar mais adequado para o seu aluno e enfeite a lateral de forma que o buraco (abertura da bacia) seja a boca do palhaço.

Coloque dentro da bacia bolas de plástico coloridas, bolas de meia, enfim, bolas na espessura e com materiais que forem acessíveis e possíveis de serem manuseados pela criança. Deixe o palhaço posicionado sobre as pernas da criança e peça para ela retirar uma ou duas bolas de dentro, vai depender da regra que for estabelecida.

Como desafio poderá solicitar que ela retire uma bola com uma determinada cor. Pense em outras formas de jogar.

#4 – Argola

Fonte: Pinterest

Fonte: Pinterest

Para este jogo você vai precisar no lugar das argolas, bambolês, e, no lugar das garrafas, aqueles cones de trânsito. A regra continua a mesma, entretanto, o tamanho da argola muda, assim como o do objeto a ser atingido.

Aqui você pode sugerir uma mudança na regra. Exemplo: se a criança conseguir atingir um cone com o bambolê o prêmio é o que está descrito no cone; se conseguir atingir dois cones com o bambolê, poderá escolher o prêmio.

Você ainda pode organizar a brincadeira para que a criança ganhe prêmios a partir de pontos que podem ser somados ou ainda por cores (cada cor representando um tipo de prêmio).

#5 – Tiro ao alvo

tiro-ao-alvo-eduqa-me

Aqui, as crianças precisam além de boa coordenação, força, equilíbrio e uma ótima pontaria. No caso de crianças cegas e com baixa visão, o tiro ao alvo torna-se inviável já que o alvo não é visualizado.

Assim, sugere-se que este alvo possa ser feito de balões/bexigas e o seu tamanho mais ampliado do que o normal.

O primeiro lançamento deverá ser orientado pelo professor que estiver nesta barraca, depois, com o som do estouro dos balões, a referência sonora passa a ser o estímulo para o direcionamento dos lances da criança cega. Se ainda assim for difícil, o professor pode continuar a dar as pistas e orientações sobre o direcionamento dos balões/alvos.

Crianças com dificuldades intelectuais e desenvolvimentais também poderão se beneficiar deste jogo.

Use a sua criatividade e invente novas formas de brincar e jogar e não se esqueça de acessar a Eduqa.me para ter registros completos, fáceis e rápidos de atualizar.

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Boa festa!

 

Texto: Luciana Fernandes Duque para a Eduqa.me. Luciana é doutoranda em Educação Especial – Faculdade de Motricidade Humana pela Universidade de Lisboa – Portugal, Mestre em Educação – Distúrbios do Desenvolvimento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Psicopedagoga Clínica e Pedagoga com vasta experiência Educação Inclusiva. É autora de dois livros, um sobre inclusão escolar e outro sobre relação professor aluno.

Pais ou professores: quem deve impor limites na Educação Infantil?

Explicar e conversar funciona até certo ponto. Depois, é preciso que o adulto fique firme e exija o comportamento correto com calma e controle da situação (foto: NBC News)

Desenvolvimento Infantil/Socioemocional
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Pais ou professores: quem deve impor limites na Educação Infantil?

A indisciplina ou agressividade na escola são queixas recorrentes dos professores – e, normalmente, a família é apontada como responsável pelo mau comportamento. Afinal, não é função dos pais impor limites e educar as crianças quanto ao que é certo e errado para que elas saibam como agir em outros ambientes?

Em partes, sim. Contudo, isso não livra o professor de seu papel como educador. Apesar de em contextos diferentes, a escola também faz parte da construção de limites das crianças, e não atua apenas transmitindo de conteúdo (especialmente na Educação Infantil, em que a preocupação deve ser o desenvolvimento integral do ser humano). É preciso distinguir a educação de casa e da escola.

Escola ou família: quem ensina o quê?

A família é a primeira instituição social, o primeiro grupo com determinadas regras, ao qual a criança tem contato. Ela é responsável por trabalhar a ética e os valores, os direitos e deveres de cada um, o respeito às outras pessoas. E, é claro, a noção de limites e responsabilidades e o respeito (e não medo) por autoridades.

Porém, não é até entrar na escola que a criança precisa conviver de fato com diferenças e aprender a atuar em uma sociedade. Isso, é claro, causa um momento de estresse e frustração absolutamente normal: a socialização é difícil e implica deixar de ser o centro das preocupações dos adultos para, ao invés disso, dividir essa atenção com os colegas; ver-se obrigado a fazer coisas que não gostaria e abrir mão de brinquedos para compartilhá-los com o grupo; obedecer regras para o bem de todos e seguir uma rotina desconhecida.

A escola, portanto, cumpre uma tarefa essencial de mostrar aos alunos o senso de coletividade e a necessidade de normas para que todos vivam em harmonia.

A pré-escola é o primeiro ambiente em que a criança é parte de uma sociedade - e aprender regras de convivência faz parte disso (foto: The Village School)

A pré-escola é o primeiro ambiente em que a criança é parte de uma sociedade – e aprender regras de convivência faz parte disso (foto: The Village School)

Quando começar a impor limites?

Desde o primeiro dia, tanto em casa quanto na escola. Na primeiríssima infância, dos 0 aos 3 anos, as crianças estão em uma fase chamada egocêntrica e hedonista: buscam a satisfação imediata e ainda não conseguem entender outros pontos de vista – todo o mundo se resume a elas, ao que sentem e precisam.

Sim, elas são fofas e você pode morrer de pena, mas, mesmo com essa idade, as crianças compreendem o que é certo e errado. Estabelecer rotinas e regras nessa fase transmite segurança e conforto.

Por outro lado, entre os 3 e os 5 anos, elas passam a desenvolver mais independência. É a época de testar limites e descobrir o quanto conseguem fazer por conta própria. Também pode ser um período de agressividade e birra, caso os limites não sejam bem definidos e claros.

Ou seja, na Educação Infantil, elas vão experimentar agressões, mordidas, choro, xingamentos, gritos e todo tipo de pressão que possam conceber para conseguir o que querem. Isso não significa, de jeito nenhum, que essas crianças são más – a tentativa faz parte do desenvolvimento e todos esses sinais de rebeldia são formas de comunicação. Cabe aos adultos mostrar que eles não são eficientes, tampouco o caminho adequado para atingir qualquer objetivo.

Choros e acessos de raiva são reações normais ao "não" - nem por isso os pais e professores devem abandonar os limites (foto: The Huffington Post)

Choros e acessos de raiva são reações normais ao “não” – nem por isso os pais e professores devem abandonar os limites (foto: The Huffington Post)

Como garantir limites firmes – sem ser um ditador?

Até aqui, falamos sobre como os limites devem ser estipulados e colocados em prática, mesmo quando as crianças se esforçam para atravessá-los. Ainda que a maioria dos pais e educadores concorde com a teoria, manter-se firme é outra história; é comum acabar criando exceções por medo de ser autoritário demais… Ou por pura exaustão.

Dentro de casa, regras e limites são cada vez mais raros. É o que diz Tânia Zagury no livro “Escola sem conflito: Parceria com os pais”: “Os pais têm larga parcela de culpa no que diz respeito à indisciplina dentro da classe. É uma situação cada vez mais comum: eles trabalham muito e têm menos tempo para dedicar à educação das crianças. Sentindo-se culpados pela omissão, evitam dizer não aos filhos e esperam que a escola assuma a função que deveria ser deles: a de passar para a criança os valores éticos e de comportamentos básicos”. Criadas em ambientes onde todos os seus desejos são prontamente atendidos, é lógico que as crianças repetirão esse modelo em outras situações, inclusive na escola.

Acontece que esse sentimento de culpa e dúvida ao impor regras não afeta somente os pais. Professores também se encontram incertos quanto a onde traçar limites e temem se tornar autoritários demais. Quando não o fazem, questionam se estão sendo omissos ou incapazes.

Isso ocorre quanto o professor não está confortável para educar aquelas crianças: por medo da reação dos pais ou da coordenação ou mesmo por não conhecer suficientemente a história de cada criança para saber como agir. É preciso estreitar a comunicação entre a escola e a família, entender o comportamento dos pais e da criança em casa e como isso se reflete em sala de aula.

A família deve estar de acordo e apoiar as decisões do professor e, para tal, deve ser sempre bem informada. Conversas para explicar as dificuldades de comportamento podem ser acompanhadas de material de leitura que embase o que o professor está sugerindo. Falem sobre o equilíbrio entre limites e liberdades e esclareçam todas as dúvidas de ambos os lados.

Família e escola devem caminhar juntas: entender a rotina da criança em casa vai ajudar a lidar com seu comportamento em sala (foto: Huffpost)

Família e escola devem caminhar juntas: entender a rotina da criança em casa vai ajudar a lidar com seu comportamento em sala (foto: Huffpost)

Outra chave para impor limites com sabedoria é respeitar a criança e não ferir sua autoestima. Garanta que ela compreende o porquê de poder ou não fazer algo e as consequências de suas ações – explique com firmeza e em poucas palavras, sem enrolação, e então faça perguntas para ver se ela entendeu. Evite dar castigos e punições humilhantes ou fazer comentários pejorativos; chame a atenção em particular, sempre que possível, e não diante de todos os colegas.

Pequenas atitudes para impor limites

Antes de mais nada, saiba que impor limites não é algo que vai começar e terminar em uma única aula. Demora. O professor terá que repetir a mesma coisa consistentemente, centenas de vezes, até que os resultados apareçam – e isso não quer dizer que você esteja fazendo errado.

Cumpra o que diz

Se você afirmou que “todos devem guardar seus materiais antes de ir para o parquinho”, nada de abrir exceções porque está com pressa ou cansada. Mantenha sua palavra, pois é essa constância que trará autoridade. As crianças passam a entender que você está falando sério quando pede algo ou dá instruções e, por isso, obedecerão logo no primeiro chamado.

Fale com calma

Não se altere, gritando ou xingando a turma desobediente. Sempre que for explicar ou pedir algo a uma criança, vá até ela e abaixe-se para ficar da mesma altura. Mantenha a voz baixa, o que mostra que você está no controle da situação.

Dê apenas um aviso

Nada de ficar ameaçando, ameaçando e nunca cumprir. Avise uma única vez que algo precisa ser feito e porque. Dar vários avisos vazios mostra às crianças que o professor (ou pai) não acredita naquilo que está dizendo e que nada vai acontecer a ela, portanto, não precisam cumprir o que foi mandado.

Explicar e conversar funciona até certo ponto. Depois, é preciso que o adulto fique firme e exija o comportamento correto com calma e controle da situação (foto: NBC News)

Explicar e conversar funciona até certo ponto. Depois, é preciso que o adulto fique firme e exija o comportamento correto com calma e controle da situação (foto: NBC News)

Esqueça barganhas e ameaças – elas funcionam contra você

Oferecer prêmios por tarefas que deveriam ser obrigação das crianças (como arrumar os próprios brinquedos) não somente tira o sentido de coletividade e responsabilidade como ensina que elas podem exigir mimos o tempo todo – originando situações em que elas podem perguntar “e o que eu vou ganhar com isso?”.

Ameaças tampouco funcionam. A psicóloga Diane Levy, autora do livro “É claro que eu te amo… Agora vá para o seu quarto!” conta como essa atitude dá espaço para a criança recusar o trabalho: “Aprendi essa lição muito cedo com o meu filho. Quando dizia ‘Robert, se você não guardar seus brinquedos agora, não iremos ao parque esta tarde’, ele apenas respondia ‘tudo bem’. E eu ficava sem saber para onde ir”.

Caso você recorra às ameaças, lembre-se de que deve seguir com sua palavra até o final: caso tenha prometido que a uma criança que ela ficaria cinco minutos do recreio dentro da sala, ela deve ficar – então, pense bem se você possui equipe suficiente para assistir a turma no pátio e a criança dentro da escola.

Valorize a autonomia

Por fim, lembre-se que limites caminham lado a lado com a liberdade. Permita que as crianças façam por conta própria aquilo que já são capazes de fazer, dê apoio e incentive tentativas.

Diga não quando necessário, porém, em vez de proibir sem mais explicações, sempre sugira alternativas a um mau comportamento, mostrando maneiras saudáveis de lidar com sentimentos ou de se conseguir o que quer.

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7 áreas que toda sala de Educação Infantil deve ter

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Rotina pedagógica
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7 áreas que toda sala de Educação Infantil deve ter

Há vários elementos que precisam ser considerados ao se planejar o ano escolar. A equipe pedagógica costuma revisar as normas, o currículo, o desenvolvimento de atividades e testes – mas também é preciso pensar sobre o espaço da sala de aula: como organizar carteiras ou mesas, quadros de avisos e guardar materiais. Você pode reunir todos esses objetos, que aparentemente não têm conexão, e dividi-los em sete áreas de aprendizado. Elas são: as áreas de descoberta, de notícias, de materiais, comunitária, do silêncio, do professor e do conhecimento.

Área da descoberta

É ali que devem ficar todos os itens que estimulam a imaginação. Inclui materiais de artes e artesanato, gravadores, câmeras, instrumentos e tudo o que produza música, jogos, quebra-cabeças e livros ou revistas divertidos. Compartilhe também ideias e amostras de diferentes projetos que elas podem realizar, assim as crianças terão um ponto de partida.

Você pode aproveitar essa criatividade dando aos alunos uma ideia central a ser explorada. Proponha que eles desenhem o que veem, façam observações ou bolem perguntas (por escrito ou oralmente). Use essas manifestações como informação para reformular sua estratégia de organização e seus planos de aula.

Junto aos brinquedos e materiais para explorar a criatividade, deixe sugestões de projetos e brincadeiras que as crianças possam usar como ponto de partida (foto:)

Junto aos brinquedos e materiais para explorar a criatividade, deixe sugestões de projetos e brincadeiras que as crianças possam usar como ponto de partida (foto: Gluesticks, Games and Giggles)

Área de notícias 

A área das notícias vai ajudar a coordenar o calendário escolar, datas de avaliações e projetos, eventos escolares, feriados, festivais, clima, temperatura ou mesmo notícias regionais, nacionais ou internacionais interessantes para discussão. Esse espaço também pode ser usado para listar seus objetivos diários de aprendizado, expor trabalhos da classe e anotar tarefas de casa.

Área de materiais

Com certeza, ter uma área de materiais vai deixá-la mais tranquila! Aqui são guardados lápis, canetas, marcadores, apontadores, grampeadores, tesouras, réguas, papel, cola, fita adesiva, clipes de papel, lenços umedecidos, toalhas de papel, álcool gel, uma lixeira e outras ferramentas necessárias à sala de aula.

Para turmas mais velhas, esse também pode ser o local para tabelas com fórmulas e vocabulário, guias de estudo, manuais ou apostilas, pranchetas e cadernos. Além disso, o professor pode combinar com as crianças para que sempre entreguem ali suas atividades e tarefas de casa e guardem seus portfólios e livros de exercícios.

Uma caixa de achados e perdidos é outra adição que vai ajudar a turma a organizar a sala e ainda praticar a gentileza e responsabilidade.

Área comunitária

Um tapete é ideal para definir qual a área para trabalhos e discussões em grupo (foto: New Morning Nursery School)

Um tapete é ideal para definir qual a área para trabalhos e discussões em grupo (foto: New Morning Nursery School)

Uma área comunitária serve a vários propósitos. Ela lembra as crianças que todos estão trabalhando por um objetivo comum. Proporciona tempo para discutir o que foi aprendido, fazer conexões, perguntar e apresentar outras perspectivas e participar de reflexões. Essas discussões são uma oportunidade para o professor avaliar o progresso da turma, esclarecer informações ou mal-entendidos e fazer anotações para planejar as aulas seguintes.

No início do ano, você irá mediar os debates, mas o objetivo é orientar as crianças até que elas consigam iniciar, mediar e encerrar discussões em grupo por conta própria. O que ajuda o processo é ter esse espaço de grupo delimitado e incluir o tempo de conversa na grade de horário.

Para isso, uma ideia é usar um tapete para marcar o espaço comunitário – além de dar aos alunos um lugar confortável para se sentar. Eles também podem ficar em pé ou organizar cadeiras em um círculo.

Área do silêncio

Dividir a sala de aula com mais de vinte crianças nem sempre é fácil. Alguns alunos optam por trabalhar sozinhos, alguns preferem atividades em grupo, enquanto outros simplesmente precisam de um espaço de silêncio em que possam se concentrar e compreender o tema, estudar, ler e escrever, completar uma prova ou apenas refletir.

Uma mesa extra e algumas cadeiras em um canto da sala podem ser usadas para definir a área do silêncio. Se possível, ofereça também alguns fones de ouvido para ajudar a filtrar o barulho dos colegas. Painéis podem ser usados para criar uma “parede”, separando os quietinhos das distrações.

Use painéis, cortinas ou outras divisórias para criar um espaço de silêncio aonde as crianças possam se concentrar (foto: The Learning Express Preschool)

Use painéis, cortinas ou outras divisórias para criar um espaço de silêncio aonde as crianças possam se concentrar (foto: The Learning Express Preschool)

Área do professor

A área do professor é um pequeno oásis fora de casa, porém também ajuda a gerenciar todas as suas responsabilidades profissionais. Aproveite o espaço para recarregar as baterias com fotos de família, amigos, animais de estimação ou viagens de férias. Exponha recadinhos ou pequenas lembranças dadas pelos alunos.

Mesmo que não tenha uma mesa, garanta que haja pelo menos uma prateleira ou gaveta segura para guardar sua bolsa, chaves e outros objetos valiosos ou pessoais.

Essa área também é seu espaço profissional aonde você faz planejamentos, prepara aulas, avalia e dá notas, analisa o desenvolvimento das crianças e preenche relatórios. É onde devem ser guardados os manuais do professor, livros de referência ou tabelas.

Use a área do professor para ter reuniões particulares com seus alunos quando houver necessidade. Outra sugestão é acrescentar suas credenciais, diplomas e certificados profissionais – somando duas cadeiras para adultos, este pode ser o lugar ideal para receber os pais das crianças, colegas de trabalho ou administradores que quiserem dar uma olhada no seu trabalho.

Área do conhecimento

Guarde aqui atividades impressas, jogos, ferramentas tecnológicas e objetos relacionados às matérias que você ensina. É importante mostrar que esses temas estão conectados, porque muitas crianças têm dificuldade em perceber a relação entre as disciplinas aprendidas na escola.

Retire ferramentas e atividades manuais de dentro dos armários e as coloque nessa área. Use as paredes: coloque gráficos e cartazes com ideias de ponto de partida e possíveis projetos, flashcards (cartões plastificados, geralmente com imagens de um lado e definições, do outro), anotações, fotos/falas/desenhos de pessoas famosas em cada assunto, linhas do tempo e outros materiais impressos. Sempre que possível, acrescente objetos reais além de apenas gravuras. Organize novo vocabulário alfabeticamente ou dentro de uma história – o importante é dar sentido a cada um deles mostrando o contexto.

Delimite essa área com estantes e mesas na altura dos alunos, assentos confortáveis e mesmo bichos de pelúcia.

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Deixe ali todos os materiais relacionados às suas aulas e ao conteúdo estudado, disponíveis para que as crianças acessem e manipulem cada um (foto: Encompass)

Não deixe o tamanho da sua sala de aula impedir a organização! Algumas dessas áreas podem ser criadas em apenas uma estante, prateleira, armário ou mesa. Além disso, você não precisa estipular todas as sete áreas – comece por aquelas que serão mais úteis para você e sua turma ou escolha uma como teste e veja o que acontece!

Esse texto é uma tradução do artigo 7 Learning Zones Every Classroom Must Have, do Edutopia. Clique aqui para ler o original.

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4 brincadeiras simples para estimular a motricidade na Educação Infantil

Gel, bolinhas e pequenos objetos dentro do saco plástico fascinam as crianças pequenas (foto: Massacuca)

Atividades/Movimento/Natureza e Sociedade
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4 brincadeiras simples para estimular a motricidade na Educação Infantil

A motricidade se desenvolve naturalmente durante toda a primeira infância: a motricidade ampla, quando a criança corre, pula ou se equilibra, por exemplo; a motricidade fina ao amarrar os cadarços ou segurar os talheres para se alimentar sozinha. Porém, há infinitas opções de atividades para que pais e educadores incentivem ainda mais essas competências. E se engana quem acredita que elas requerem um grande investimento – hoje, selecionamos apenas brincadeiras feitas com materiais comuns, que todos devem ter em casa (ou no pátio da escola).

Essas brincadeiras fazem parte do site Massacuca, em que duas mães elaboram, testam e escrevem sobre atividades lúdicas para a primeira infância (nós já entrevistamos as criadoras do projeto no post A diferença entre brincar e ter brinquedos). Conhecemos a ideia do Massacuca no encontro Social Good Brasil Lab deste ano, em que 50 iniciativas sociais de todo o país – incluindo a Eduqa.me! – aprendem sobre como empreender e, ao mesmo tempo, trazer benefícios para a sociedade. Como estamos sempre em busca de novidades que possam melhorar a Educação Infantil, uma parceria foi inevitável.

Aqui estão selecionadas uma brincadeira para cada faixa etária.

#1 Saco sensorial

Gel, bolinhas e pequenos objetos dentro do saco plástico fascinam as crianças pequenas (foto: Massacuca)

Gel, bolinhas e pequenos objetos dentro do saco plástico fascinam as crianças pequenas (foto: Massacuca)

Só o que é preciso para essa atividade é um saco plástico grande e bastante gel de cabelo. Outros pequenos objetos podem ser adicionados para tornar o toque ainda mais interessante: na foto, há estrelinhas metálicas, compradas na papelaria, e bolinhas de gel. Lantejoulas, bichinhos de borracha, pompons ou botões são alternativas à mistura.

A dica é colar as extremidades do saco plástico no chão com fita crepe ou dupla face, para que as crianças possam engatinhar ou andar sobre ele com mais segurança. Também é possível usar várias sacolas menores, contendo texturas diferentes (areia, terra, gelatina) para que elas possam comparar uma à outra.

Idade indicada:

  • A partir dos 9 meses, sempre com a supervisão de um adulto.

Cuidados

  • É necessário que o plástico seja grosso, para não ser perfurado durante a exploração – caso isso aconteça, o melhor é interromper a brincadeira para que nenhuma criança engula as peças;
  • Dê preferência ao gel inodoro ou com perfume suave, especialmente se preparar a atividade para bebês.

# 2 Cortina sensorial com garrafas

Garrafas recheadas com todo tipo de material podem ocupar as crianças por horas em uma brincadeira coletiva (foto: Massacuca)

Garrafas recheadas com todo tipo de material podem ocupar as crianças por horas em uma brincadeira coletiva (foto: Massacuca)

Nesta brincadeira, garrafinhas cheias dos mais diversos materiais são penduradas formando uma cortina para que as crianças explorem diferentes texturas, pesos e temperaturas. Na foto, foram 50 combinações diferentes, dentre elas:

  • Garrafas leves, com penas, isopor, papel e folhas;
  • Garrafas pesadas, com areia, pedrinhas, farinha, água ou gel;
  • Garrafas sonoras, com grãos, macarrão, clipes de papel, botões, arroz, conchas ou palitos de dente;
  • Garrafas com água gelada e água morna;
  • Garrafas com “movimento”, em que grãos ou pequenos objetos flutuam na água, no gel ou mesmo no ar (no caso de penas e ou flocos de isopor);
  • Garrafas com pequenas reações químicas, como água e óleo ou água e um pouco de detergente (que causará espuma assim que for chacoalhado).

E por aí vai, é só dar asas à imaginação.

Idade indicada:

  • A partir de 1 ano de idade, sempre com a supervisão de um adulto.

Cuidados

  • As garrafas precisam ser bem lavadas por fora, já que crianças menores podem colocá-las na boca;
  • Garanta que as tampas estão bem fechadas e lacradas com fita adesiva, para não se abrirem durante a atividade – caso isso ocorra, retire aquela garrafa de circulação para que o conteúdo não seja ingerido!

#3 Carimbos naturais

Carimbos feitos de vegetais são uma atividade criativa que exercita a motricidade fina (foto: Massacuca)

Carimbos feitos de vegetais são uma atividade criativa que exercita a motricidade fina (foto: Massacuca)

(foto: Massacuca)

(foto: Massacuca)

Os formatos dos carimbos podem ser feitos com ajuda de uma faca pequena ou de cortadores de biscoitos (aqueles em formato de estrelas ou corações) – essa parte da atividade, é claro, deve ser preparada com antecedência por um adulto, porém as crianças podem ajudar escolhendo os formatos. Batata, cenoura, pimentão e erva-doce foram usados na foto acima, mas vale explorar outros vegetais disponíveis. A dica é aproveitar aqueles que você tem em casa, mas já não estão tão bons para o consumo.

Segundo as mães, brincar com os alimentos ajuda a fortalecer a relação com a comida e promove a alimentação saudável. Afinal, as crianças que tiveram contato com as verduras em um contexto divertido e de descoberta não devem achá-las tão “nojentas” na hora da refeição. Incentive as comparações entre cada alimento: qual tem a casca mais áspera, qual é macio, qual tem sementes, etc..

Idade indicada:

  • A partir dos dois anos, sempre com a supervisão de um adulto.

Cuidados

  • Lave bem as verduras e deixe-as secando sobre papel toalha antes de recortar os carimbos;
  • Use tinta guache ou tinta feita em casa – preste atenção nos rótulos para não expor as crianças a tintas tóxicas;
  • Vigie atentamente o grupo para que nenhuma criança coma os vegetais usados na brincadeira.

#4 Galhos e lã

Perfeito para trabalhar a destreza dos dedos, os enfeites de galhos e lã ficam lindos (foto: Massacuca)

Perfeitos para trabalhar a destreza dos dedos, os enfeites de galhos e lã ficam lindos (foto: Massacuca)

Para essa atividade, não há segredo: convide a turma para sair da sala de aula e recolher galhos de diferentes tamanhos no pátio. Então, sentem-se juntos para fabricar os enfeites com novelos de lã coloridos. A brincadeira consiste em enrolar os galhos com diferentes combinações de cores, exercitando a motricidade fina. Você também pode usar fitas e barbantes.

Idade indicada:

  • A partir dos 3 anos, sempre com supervisão de um adulto.

Cuidados

  • Cheque os galhos encontrados pelas crianças para garantir que eles estejam em bom estado, sem fungos ou insetos;
  • Dê galhos menores (gravetos) para os alunos mais novos, para prevenir acidentes;
  • Se houver espinhos ou pontas afiadas em alguns galhos, retire-as antes de entregá-los às crianças.

Gostou das ideias? Não esqueça de observar a atuação dos pequenos: a maneira como eles manuseiam os objetos explica seu desenvolvimento motor; assim, é possível compreender quem precisa de mais estímulo e atenção e quem já está pronto para novos desafios.

Quanto mais controle das mãos e pontas dos dedos, mais segura a criança estará para segurar o lápis e escrever, no futuro, quando chegar o momento da alfabetização.

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5 dicas para criar uma linha do tempo na sua turma de Educação Infantil

(foto: Cantinho da Educação Infantil)

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5 dicas para criar uma linha do tempo na sua turma de Educação Infantil

Criar uma linha do tempo com as atividades produzidas pelas crianças ao longo do ano (ou de um período mais breve, como um trimestre ou semestre), serve a várias utilidades.

  • Para começar, é um ótimo artifício em reuniões entre pais e professores, em que o educador consegue mostrar com linearidade a evolução da turma.
  • Também pode ser uma oportunidade de os próprios alunos reconhecerem seu aprendizado, caso a opção seja fazer a linha do tempo manualmente, em um cartaz ou varal.
  • Por fim, possibilita que o professor avalie plenamente o desenvolvimento de cada criança, considerando todas as etapas do seu crescimento.

Trabalho manual

Caso opte por fabricar uma linha do tempo à moda antiga, é interessante pedir que as crianças participem do processo – tanto para visualizarem sua evolução durante aquele período quanto para aliviar a carga de trabalho do professor. A linha do tempo pode ser feita ao longo do semestre: basta reservar uma parede da sala para a atividade. Cubra-a com cartolina ou papel pardo e desenhe, de antemão, uma linha que vá de ponta à ponta, além de divisões (linhas verticais) para separar dias ou semanas.

Faça um acordo com as crianças sobre como será feita a atualização da linha do tempo. Por exemplo, a cada semana, uma delas pode ser responsável por colar algo no cartaz, enquanto o professor ajuda a escrever o acontecimento. No vídeo abaixo, o professor de jardim de infância americano Steve Brostowitz dá algumas sugestões para a linha do tempo feita em sala de aula. O vídeo está em inglês, mas é possível colocar legendas:

O projeto também pode ser feito ao final do ano ou semestre. Nesse caso, organize as fotos ou produções das crianças previamente, na ordem em que ocorreram. Oriente-as a colar as imagens em folhas de papel individuais e a decorar seus cartazes como quiserem. Dessa maneira, elas próprias poderão selecionar os trabalhos que acharam mais importantes e que receberão destaque em suas linhas do tempo – refletindo sobre a construção do aprendizado.

Essas são algumas alternativas para expor a linha do tempo em sala de aula:

(foto: Cantinho da Educação Infantil)

(foto: Cantinho da Educação Infantil)

(foto: Pinterest)

(foto: Pinterest)

Linha do tempo online

O professor que irá montar a linha do tempo sozinho fará melhor uso de um site para ajudá-lo. Há várias opções que podem ser usadas gratuitamente, embora algumas só estejam disponíveis em inglês (ainda assim, escolhemos plataformas bastante autoexplicativas!).

Timetoast

O Timetoast pode ser acessado gratuitamente através de email ou mesmo com sua conta do Facebook. Ele permite a criação e o compartilhamento de linhas do tempo sobre qualquer tema, além de permitir o upload de fotos, vídeos e documentos do seu computador.

Observe o exemplo de linha do tempo do filme Up – Altas Aventuras:

(foto: Timetoast)

(foto: Timetoast)

Ao clicar em um dos acontecimentos registrados, você consegue ler o texto completo e visualizar a imagem em tamanho maior:

Captura de Tela 2015-08-21 às 10.44.26

(foto: Timetoast)

Dipity

O Dipity é uma plataforma semelhante, mas pensada com foco em educação! Alunos mais velhos, do Ensino Fundamental ou Médio, podem usá-la em trabalho escolares e apresentações para a classe – mas, no caso da Educação Infantil, permanece útil para o professor documentar as atividades realizadas.

Além da barra cronológica, os fatos também podem ser organizados em livro digital, lista ou mapa (e ele identifica sua localização através do Google Maps – ideal para passeios e excursões escolares!).

Essa é uma linha do tempo do canal Disney Channel no Dipity:

(foto: Dipity)

(foto: Dipity)

Eduqa.me

Se você acompanha o blog, já conhece um pouco da Eduqa.me. A plataforma é exclusiva para professores de Educação Infantil, e conta com áreas de registro de atividades, perfil de turma e criança, avaliação e relatório de aprendizado. Ela é indicada pela praticidade: o professor não precisa editar a linha do tempo, apenas preencher o campo de data junto com a descrição do exercício. Com isso, a atividade será colocada automaticamente em uma linha do tempo, que pode ser visualizada na página da classe e de todas as crianças participantes.

O educador ainda pode acrescentar fotos, vídeos e documentos às atividades. Elas não aparecem na linha do tempo principal, mas são acessadas ao clicar em um dos quadros.

(foto: Eduqa.me)

(foto: Eduqa.me)

(foto: Eduqa.me)

(foto: Eduqa.me)

Essa é a linha do tempo no perfil de um aluno. Ela apresenta todas as atividades das quais ele participou:

(foto: Eduqa.me)

(foto: Eduqa.me)

Essas atividades são enviadas semanalmente ao email do professor, em um documento com fotos. Ele pode ser compartilhado com a coordenação da escola ou mesmo com os pais das crianças que tenham interesse em acompanhar a rotina da classe!

Você já organizou uma linha do tempo de sua turma? Como foi a experiência? Conte para a gente nos comentários.

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Professor deve planejar ou improvisar em sala de aula?

Uma ideia diferente de atividade pode surgir no meio do período letivo, quando o planejamento já foi concluído. Mas há espaço para mudanças, desde que de acordo com a coordenação (foto: So Love Center)

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Professor deve planejar ou improvisar em sala de aula?

O planejamento não é unanimidade entre pedagogos. Enquanto alguns não abrem mão de anotar sua rotina em sala de aula detalhadamente, outros defendem que trabalham melhor improvisando, alterando suas atividades de acordo com a resposta da turma. Esses encaram as tabelas e agendas impostas pela escola uma burocracia sem real necessidade.

Embora haja espaço para a criatividade dentro da escola, um mínimo de organização prévia só acrescenta vantagens à rotina do professor – e ao aprendizado infantil, por consequência. Saber qual o objetivo daquela lição e quais os conteúdos atrelados à ela permite que a aula se desenrole sem surpresas. Além disso, um educador que conhece bem seu cronograma e materiais consegue administrar facilmente os improvisos, brincadeiras e curiosidades que surgem durante o ano.

Como fazer um bom planejamento?

Orientar o processo de aprendizagem das crianças é intrínseco ao trabalho do professor de Educação Infantil – isso envolve selecionar conteúdos, elaborar atividades e definir, através de observações e avaliações, o curso a se tomar. Daí a necessidade de um planejamento, que guie as aulas até que essas metas sejam atingidas.

Há dois formatos de planejamento usualmente utilizados: a longo e curto prazo. Um cronograma a longo prazo (o período pode ser de um semestre ou até mesmo de um ano letivo) é menos detalhado, mas aborda os temáticas que serão levadas para a classe em cada área de conhecimento. Até o final de março, por exemplo, a turma terá encerrado o assunto “meios de transporte por terra” e, em abril, falará sobre “meios de transporte pela água” nas aulas de Natureza e Sociedade.

É útil incluir ainda os objetivos de aprendizagem para cada conteúdo, tais quais “saber identificar carros, caminhões, bicicletas, motocicletas como veículos que andam por terra” ou “citar meios de transporte que já utilizaram”. Em qualquer área de conhecimento, defina quais habilidades você espera que os alunos desenvolvam até o fim daquele período. Reconhecer letras do alfabeto, conseguir chutar a bola ou entender expressões básicas em inglês também se encaixam nos objetivos.

Uma terceira coluna deve trazer quais métodos de avaliação serão aplicados – a classe fará um cartaz, construirá carrinhos de sucata, fará uma visita a um museu? Relate brevemente como pretende acompanhar a evolução (por meio de registros no caderno, preenchimento de uma tabela, organização de portfólio).

Exemplo de planejamento anual para Educação Infantil. Repare que não há detalhes sobre as atividades, apenas linhas de guia (foto: Mais Professores)

Exemplo de planejamento anual para Educação Infantil. Repare que não há detalhes sobre as atividades, apenas linhas de guia (foto: Mais Professores)

Nesse momento, não é necessário detalhar as atividades (algumas, inclusive, podem ser remanejadas ou alteradas durante o percurso), embora sua presença no planejamento ajude a visualizar as aulas com a clareza necessária.

Planos a curto prazo

Enquanto isso, o planejamento semanal também deve ser feito, apenas para contemplar os próximos dias de aula – dessa vez, com muito mais minúcia. É preciso ter em mente o ponto de partida das crianças ao iniciar uma nova atividade, ou o “repertório” que elas trazem, seus conhecimentos anteriores.

Isso é feito através de uma avaliação inicial, que não necessariamente precisa ser aplicada no começo do ano, mas sim no princípio de cada novo assunto. São exercícios simples, rodas de conversa e atividades que podem ser realizadas para perceber o nível da turma quanto àquele tema. Nesse momento, o professor fará o diagnóstico de cada criança, determinando seu estágio de aprendizado e, com isso, poderá planejar as próximas lições dentro de parâmetros reais. Não adianta, por exemplo, introduzir palavras de duas sílabas a crianças que ainda estão aprendendo a reconhecer as letras do alfabeto.

Esse planejamento semanal, ou o semanário, conta com horários, espaços onde as atividades serão realizadas, material necessário e uma breve descrição do que será feito em cada dia (quer saber como fazer um semanário perfeito? Clique aqui para ler mais). Dessa maneira, a coordenação tem uma visão geral do que está ocorrendo na escola e quais materiais devem ser providenciados.

Tela da plataforma Eduqa.me, onde o professor pode registrar suas atividades e ligá-las a áreas de conhecimento (foto: Eduqa.me)

Tela da plataforma Eduqa.me, onde o professor pode registrar suas atividades e ligá-las a áreas de conhecimento (foto: Eduqa.me)

A Eduqa.me permite que o professor cadastre todos esses detalhes em uma única página, contando inclusive com espaço para descrição. A atividade fica salva para consultas posteriores e ainda pode ser vista pelo coordenador, diminuindo o tempo de comunicação entre a equipe!

Quando é correto improvisar?

Há situações em que a aula foge do controle do professor: machucados, brigas entre as crianças, distrações (como um coleguinha que voltou de viagem com presentes ou um aniversário). Esses momentos são inevitáveis, e o importante é que o professor mantenha a calma e lide com os imprevistos tranquilamente.

Quando o problema for de comportamento, retire as crianças participantes do ambiente e converse com elas em particular, fazendo-as compreender porque suas atitudes foram repreendidas (leia sobre como lidar com crianças agressivas aqui). Porém, tente interromper o conflito o mais cedo possível, antes que a excitação se espalhe entre os alunos. Ao separar os envolvidos, deixe outro professor ou auxiliar supervisionando as atividades da turma, para que o processo de aprendizado delas não seja interrompido.

Se a situação exigir, peça que eles aguardem a saída dos outros, no fim da aula, para arrumar o que bagunçaram (recolhendo lápis e canetas do chão ou empilhando livros derrubados). Certifique-se de que a tarefa possa ser feita sem perigos para a faixa etária! Do contrário, ainda assim peça que eles esperem e acompanhem a limpeza, para entenderem as consequências de seus atos.

Caso seja tarde demais para conter os ânimos e as crianças estiverem muito agitadas, recorra a atividades calmantes, como música ou artes manuais. Tenha os instrumentos necessários sempre à mão para ocasiões como essa. Trabalhos como esse tranquilizam e mudam a atmosfera da sala de aula. Com tudo sob controle, o professor pode reconsiderar seu planejamento e optar por retornar ao exercício anterior ou alterá-lo para ter melhores resultados.

Cadê o material?

A falta de preparo nunca deve ser motivo de improviso em sala! Saber onde estão guardados cadernos, materiais de pintura, papéis e cartolinas e tudo o mais que pretende utilizar é parte da obrigação do professor.

Por mais que esteja familiarizado com a organização da sala de aula, o professor deve reservar alguns minutos para conferir se os materiais estão aonde deveriam (foto: PLCA Preschool)

Por mais que esteja familiarizado com a organização da sala de aula, o professor deve reservar alguns minutos para conferir se os materiais estão aonde deveriam (foto: PLCA Preschool)

Normalmente, professores com mais experiência já conhecem bem a organização da escola. Ainda assim, a orientação é chegar com alguns minutos de antecedência para conferir se está tudo em seu lugar. E se alguém usou, ontem, a última folha de EVA verde de que você precisava? Quinze minutos de folga lhe permitem procurar um substituto ou repensar a atividade.

Aliás, é indicado que o professor tenha sempre um plano B para as aulas, especialmente as que exigem aparelhos eletrônicos (sistema de som, televisão e DVDs, projetores ou internet) que possam falhar na hora da lição. Cheque todos os equipamentos antes de as crianças chegarem.

Conheça bem os livros, apostilas e materiais didáticos usados pela escola – a ideia de que se pode só “ser criativo e improvisar” leva a aulas confusas em que nem as crianças nem o professor entendem bem o que deveria ser aprendido. Estudos já comprovaram que, quanto mais preparado o professor e a aula, mais o aluno aprende.

Tais resultados não significam que o professor deve ficar encaixotado – há espaço para espontaneidade e bom humor em sala de aula. Entretanto, os educadores não devem confiar apenas neles, e sim usá-los para complementar seu entendimento profundo do conteúdo que está sendo discutido. E, é claro: quanto mais experiência o professor tiver, mais confortável e seguro ele se sentirá improvisando.

Tive uma ideia brilhante

Às vezes, com o planejamento pronto, o professor tem uma ideia genial. Pode ter sido algo que um aluno sugeriu ou que ele assistiu em um filme, talvez uma dica online. É possível (e recomendado) alterar o planejamento para incluir essa nova atividade?

Depende. Se o exercício estiver de acordo com o que está sendo visto pela turma naquele momento – ou seja, ela têm o repertório necessário para acompanhá-lo – e se o aprendizado será correspondente ao de uma outra atividade já planejada, pode-se considerar a troca. Outras variáveis são a disponibilidade de recursos e o tempo do cronograma.

Essa é a vantagem de se ter o semanário ao lado de um outro planejamento mais extenso. Ao surgir um novo elemento, remanejar conteúdos sem perder de vista os objetivos de aprendizagem se torna mais fácil. Afinal, o professor e o coordenador veem claramente o que deve ser feito e em quantas aulas deve ser cumprido!

Uma ideia diferente de atividade pode surgir no meio do período letivo, quando o planejamento já foi concluído. Mas há espaço para mudanças, desde que de acordo com a coordenação (foto: So Love Center)

Uma ideia diferente de atividade pode surgir no meio do período letivo, quando o planejamento já foi concluído. Mas há espaço para mudanças, desde que de acordo com a coordenação (foto: So Love Center)

O mesmo ocorre quando uma ou mais crianças não estão se desenvolvendo no ritmo esperado. Nunca se deve esperar que todas elas atinjam seus objetivos ao mesmo tempo – porém, observe: se uma ou duas crianças, em particular, estão tendo dificuldade em acompanhar a classe, talvez elas precisem de atenção redobrada e apoio dos pais nas tarefas escolares (leia mais sobre problemas de aprendizado e quando encaminhar para um psicopedagogo). Por outro lado, se a incompreensão do tema for generalizada, é provável que as suas atividades não tenham se adequado ao perfil da turma. Lembre-se que nem sempre o que funciona para uma criança funcionará da mesma forma para todas!

Se a turma não estiver de acordo com o seu cronograma, altere-o para que este respeite a velocidade daquela. De nada adianta acelerar os conteúdos se eles não forem bem absorvidos . Dê uma boa olhada no planejamento semestral ou anual e encontre pontos de mudança, redirecionando as atividades.

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Leia mais:

Educar para Crescer – Planejamento escolar

Educar para Crescer – A arte da improvisação

Nova Escola

EducaRede

SOS Professor